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Cinco anos depois, Amarantina ainda espera rota alternativa e privatização da BR-356 adiciona nova camada de incerteza

Condicionante ambiental de 2019 previa novo acesso para pedreira pela rodovia, mas projeto segue emperrado entre Prefeitura, DNIT e FEAM. Agora, com a BR-356 privatizada desde setembro, qualquer nova via precisará passar também pela concessionária A via de acesso a Amarantina convive com o tráfego intenso de carretas da Pedreira Irmãos Machado há pelo menos cinco anos. A promessa de uma rota alternativa que tirasse esse fluxo de caminhões existe desde 2019, quando foi estabelecida como condicionante ambiental para a continuidade da operação da empresa. Mas o projeto segue no papel e agora ganhou um novo complicador. Em setembro de 2025, a BR-356 foi privatizada. O Consórcio Rota da Liberdade assumiu a operação do trecho por 30 anos, o que significa que qualquer nova via que dependa de acesso à rodovia federal precisará passar também pela aprovação da concessionária. E é justamente pela BR-356 que a rota alternativa proposta deveria sair. Enquanto isso, o distrito segue pressionado pelo tráfego pesado. A Frente Popular em Defesa de Amarantina estima que até 700 carretas circulam diariamente pelas vias do distrito. A Pedreira Irmãos Machado, por sua vez, informa que o tráfego relacionado à sua operação gira em torno de 200 caminhões por dia. A diferença de 500 caminhões nos números aponta para outra questão: o tráfego irregular. A Prefeitura de Ouro Preto reconhece que outras empresas têm usado o trecho como atalho para transporte de produtos, de forma irregular, e promete instalar câmeras para fiscalização 24 horas. A atalho por Santo Antônio do Leite O problema do tráfego irregular não se limita a Amarantina. O distrito vizinho, Santo Antônio do Leite, também tem sido usado como rota. Não foi identificado a qual empresa essas carretas prestam serviço. Dados da Guarda Civil Municipal e da Ourotran mostram que caminhões de grande porte têm cortado Santo Antônio do Leite para acessar Amarantina e, de lá, seguir para seus destinos. A manobra funciona como um atalho que desvia de trechos mais fiscalizados ou congestionados, mas transfere o impacto do tráfego pesado para vias distritais que não foram projetadas para esse volume. A Prefeitura reconhece que veículos flagrados nessa rota foram autuados, mas a fiscalização ainda depende de presença física de agentes — daí a promessa de instalação de câmeras que permitam monitoramento contínuo. A condicionante 18: o que foi prometido A chamada Condicionante 18 foi estabelecida em 2019, quando a Pedreira Irmãos Machado obteve sua licença ambiental. O texto previa a apresentação de um projeto para novo acesso a partir da rodovia BR-356, destinado exclusivamente ao escoamento da produção do empreendimento, com prazo de 360 dias. A empresa apresentou o projeto no prazo. Depois, informou que o convênio inicial foi desfeito e um novo projeto precisou ser elaborado. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), “como se trata de uma rota distrital, o novo projeto depende da aprovação do Município de Ouro Preto e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que ainda não foi concedida.” O ping-pong burocrático O que parecia ser uma solução simples — apresentar um projeto e executá-lo — se transformou em uma sucessão de pareceres que não se conectam. A FEAM esclarece que “a Condicionante nº 18 não prevê a construção de uma rota alternativa, mas sim a apresentação de um projeto”. A empresa apresentou. O órgão ambiental estadual realizou fiscalizações e solicitou informações sobre aprovação do projeto junto aos órgãos competentes e cronograma de implantação. Mas, tecnicamente, a condicionante foi cumprida — o que não aconteceu foi a aprovação e a construção. O DNIT, responsável pela gestão da BR-356 até a privatização, deixou claro em agosto de 2024 que os projetos apresentados pela Prefeitura de Ouro Preto “não apresentam condições de aprovação, uma vez que contêm incorreções nos estudos de tráfego, levantamento topográfico, projetos geométrico, de terraplenagem, de drenagem, pavimentação e sinalização.” A Prefeitura foi oficialmente comunicada. A Prefeitura de Ouro Preto, por sua vez, afirma que o projeto “já foi protocolado perante à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e está em análise, como passível de aprovação.” O município informa que o projeto será levado ao Conselho de Política Urbana para deliberação e reconhece “o impacto que o tráfego de carretas tem provocado na via pública de Amarantina”. A Pedreira Irmãos Machado aguarda a licença municipal. Segundo a empresa, assim que a autorização for emitida, o prazo estimado para conclusão das obras da rota alternativa é de 10 meses. A via terá extensão de 200 metros e área de 7.014 m². Leia o posicionamento da empresa, obtido com exclusividade pelo Vintém, na íntegra aqui. A nova camada: privatização da BR-356 Em 18 de setembro de 2025, o Consórcio Rota da Liberdade venceu o leilão para operar a BR-356 — junto com trechos da MG-262 e MG-329 — por 30 anos. O consórcio é formado por Construtora Metropolitana, Quebec Construções e Tecnologia Ambiental, JCP Participações, Abra Infraestrutura, Construtora Contorno e Renova Engenharia. A concessão prevê investimentos de quase R$ 6 bilhões, duplicação total da BR-356 no trecho Nova Lima–Itabirito–Ouro Preto–Mariana–Rio Casca, e construção do Contorno Viário de Cachoeira do Campo. Mas também muda a regra do jogo para qualquer projeto que dependa de acesso à rodovia federal. A rota alternativa sai justamente pela BR-356. Agora, além de aprovação da Prefeitura e do DNIT, será necessário negociar com a concessionária privada. O que diz a comunidade Em julho de 2023, a Frente Popular em Defesa de Amarantina protocolou denúncia formal na SUPRAM Central Metropolitana e no Ministério Público de Minas Gerais, cobrando a construção da rota alternativa. No documento, a organização afirma que “as ruas da comunidade não comportam o excesso de mais de 700 carretas diariamente, além do barulho, da poeira, estão colocando a vida dos moradores em risco.” A Frente destaca que a proposta de entrada pela BR-356 é “de solução simples, objetiva, prática, custos financeiros imensamente reduzidos” e que “não desapropria moradores e nem prejudica os comércios locais.” O tom da denúncia é de urgência: “Não precisamos ter mais um acidente com vítimas para