Livros sobre a Rota Jaguara são doados à Biblioteca e às escolas públicas de Itabirito

A Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo, em Itabirito, recebeu na quarta-feira, 14 de janeiro, 50 exemplares do livro Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara, de autoria do jornalista Victor Louis Stutz, com fotografias de Ane Souz. A entrega foi realizada por Gilson Fernandes Antunes Martins, coordenador do projeto. A publicação apresenta narrativas, memórias e registros construídos a partir de uma expedição por comunidades rurais que integram a Rota Turística Jaguara, abrangendo territórios de Itabirito, Rio Acima, Ouro Preto e Santa Bárbara. O livro reúne relatos de moradores e personagens reais da região, valorizando saberes locais, modos de vida e a memória cultural associada ao circuito turístico. Parte dos exemplares doados ficará disponível na Biblioteca e o restante será distribuído às escolas públicas do município. O lançamento da obra ocorreu no dia 20 de dezembro, na Associação de Moradores de Acuruí, distrito histórico de Itabirito, reunindo moradores, colaboradores do projeto e participantes que contribuíram com histórias e vivências registradas no livro. Durante o evento, exemplares também foram entregues às pessoas que participaram diretamente da construção da publicação. Publicado pela Editora Tuya em parceria com a Holofote Cultural, Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara foi patrocinado pelo Grupo Avante, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Além das bibliotecas públicas e escolares, exemplares serão distribuídos gratuitamente em eventos culturais e de turismo. Durante a entrega à Prefeitura de Itabirito, a secretária municipal de Patrimônio, Cultura e Turismo, Junia Guimarães Melillo, ressaltou a importância da valorização dos atrativos do território. Segundo ela, o livro representa “um resgate cultural construído a partir da narração de várias pessoas que moram na região de Acuruí, do Catana e de municípios limítrofes que também fazem parte dessa rota”. A secretária destacou ainda que, além de preservar memórias locais, a publicação “certamente vai convidar várias pessoas a conhecerem uma região tão bonita e rica como a nossa”. Ao final, parabenizou os envolvidos no projeto, o autor Victor Louis Stutz, conhecido como Nino, e todas as pessoas que contribuíram para a realização do livro. A obra já pode ser consultada no acervo da Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo, que funciona no Complexo Turístico da Estação (Praça Dr. Guilherme, s.n., no Centro). Legenda da foto: Petra Marques Sampaio, bibliotecária responsável pelo desenvolvimento e seleção de acervo da Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo; Gilson Fernandes Antunes Martins, coordenador do projeto; e Junia Guimarães Melillo, secretária municipal de Patrimônio, Cultura e Turismo de Itabirito, MG.
Janeiro Branco em Ouro Preto: quando a saúde mental vira assunto público e a cidade aprende a cuidar em rede
Pesquisa da UFOP financiada pela FAPEMIG e ações em parceria com a Prefeitura unem dados, formação e intervenção. No centro desse trabalho, a assistente social Andrea Machado, que atua nas abordagens e também integra o estudo. Janeiro Branco costuma chegar como uma folha em branco — não para “recomeçar do zero”, mas para lembrar que ninguém é definido pelo que dói. Em Ouro Preto, onde a beleza das ladeiras convive com pressões sociais e silencios antigos, falar de saúde mental virou mais do que campanha: virou trabalho de território, de gente, de rede. É nesse cenário que se encaixa uma iniciativa conduzida na cidade pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com financiamento da FAPEMIG e articulação com o município. O artigo “Construindo as abordagens do suicídio em Ouro Preto – MG: cuidado, acolhimento e prevenção” relata a construção de um curso e de uma mobilização local para qualificar profissionais e ampliar o debate público sobre o tema. A assistente social Andrea Machado, que atua em Ouro Preto, integra esse movimento a partir de duas frentes: participa como pesquisadora e também está na ponta das abordagens e encaminhamentos. A mensagem que ela resume para o Janeiro Branco é direta e humana: “Falar sobre sofrimento psíquico é, acima de tudo, um convite ao cuidado. A dor não define quem somos! Sempre há possibilidades de reconstrução e ninguém precisa atravessar esse caminho sozinho.” Um problema nacional — com rosto local O suicídio é reconhecido como um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil. O artigo cita que em 2021 foram registrados 15.507 óbitos por essa causa no país e que, entre 2010 e 2021, a taxa de mortalidade cresceu 42%, passando de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes, segundo boletim do Ministério da Saúde. O texto também aponta um recorte importante: a predominância é maior entre homens e, entre mulheres, chama atenção a faixa adolescente. Em Ouro Preto, o debate ganha camadas próprias. A cidade é descrita como um território com marcas históricas e sociais relacionadas ao tema e com desafios ampliados em áreas rurais, onde o isolamento pode dificultar acesso a cuidado e suporte. A pesquisa que não para no papel Na entrevista concedida à reportagem, Andrea explica que o projeto foi estruturado em fases: primeiro, um levantamento bibliográfico; depois, uma etapa dedicada a dados, com consulta a sistemas nacionais e parceria com a Secretaria de Saúde e a Vigilância Epidemiológica do município. Ela destaca que a investigação se debruçou sobre registros de violência autoprovocada, categoria que pode envolver tentativas e óbitos, e que, para o recorte local, a equipe trabalhou com 20 anos de registros municipais, de 2002 a 2022, além de bases nacionais (SIM, Sinan e SIH). (Informações prestadas por Andrea Machado em entrevista.) Um ponto que costuma confundir leitores — e até repórteres — é a defasagem dos sistemas públicos. Andrea explica que há um “pente-fino” para evitar duplicidades e corrigir lacunas, o que faz com que dados recentes levem tempo para aparecer consolidada e publicamente. Curso “Abordagens do suicídio”: quando formação vira estratégia de cidade O coração do artigo é o relato do curso de extensão “Abordagens do suicídio: cuidado, acolhimento, prevenção”, realizado em três dias, com foco em capacitar profissionais para prevenção e pósvenção, estimular acolhimento e enfrentar o estigma. O texto registra a dimensão dessa mobilização: 335 participantes, com 30 horas de formação. E detalha que o público envolveu diferentes setores — saúde, assistência social, educação, segurança pública e comunidade — como estratégia para construir uma abordagem interdisciplinar. Na prática, o curso combinou conferências e treinos orientados para comunicação, empatia e condutas diante de crises, além de momentos de escuta e articulação entre atores locais. Um dos gestos de maior impacto simbólico — e também prático — descritos no artigo foi a instalação de placas de prevenção em um ponto sensível da cidade, na Avenida Jornalista Lima Júnior, conhecida como “Volta do Vento”, em parceria com Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. A lógica da rede: cada área tem uma abordagem Andrea explica que “abordagens” não é só nome de curso: é um jeito de reconhecer que cada serviço atua com uma lente — e que todas são necessárias. A segurança pública tem protocolos de intervenção imediata; a assistência social amplia o contexto familiar e social; a psicologia trabalha escuta e acolhimento; a escola identifica sinais e aciona rede. Por isso, o trabalho precisa ser multifatorial, contínuo e coletivo. O próprio artigo reforça essa ideia ao descrever um grupo de construção do curso composto por professores, estudantes, profissionais e moradores, articulando áreas diversas e instituições do município. Janeiro Branco, o ano inteiro No fim, o Janeiro Branco não pede frases prontas — pede presença. E Ouro Preto tem tentado responder com método: pesquisa, formação, políticas, sensibilização e rede. Como resume Andrea: “Ao longo dos anos em que esta pesquisa foi construída ficou evidente que por trás de cada dado existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, um pedido de ajuda.” Onde buscar ajuda Em risco imediato: SAMU 192 ou Bombeiros 193