Chapado fecha o Carnaval universitário de Ouro Preto com Luísa Sonza, MC Pedrinho e Orochi

Bloco acontece na terça, 17 de fevereiro de 2026, e aposta em line-up pop + trap + funk — com MU540 e DJ Zullu — para entregar o “último dia” com gosto de quero mais. O último dia do Carnaval costuma ter um tempero próprio em Ouro Preto: é quando a cidade parece correr contra o relógio, como se cada abraço precisasse caber no calendário. É nesse lugar — entre a exaustão e a vontade de ficar — que o Bloco Chapado construiu sua assinatura: encerrar a folia com cara de grande show. Em 2026, o evento está marcado para terça-feira, 17 de fevereiro, com atrações já divulgadas como Luísa Sonza, MC Pedrinho, Orochi, MU540 e DJ Zullu. Diretor do bloco, Diego Brenner resume a missão do dia final como um desafio de entrega: “O último dia tem que caprichar, porque depois daquele dia, só daqui 365 dias.” E completa, com a leitura de quem conhece o comportamento do folião: “O cara fala ‘não vou pular carnaval mais não, já tô cansado’… aí chega na terça-feira: ‘hoje é só ano que vem’.” Do “plano B” ao símbolo da terça-feira O Chapado surgiu em 2008, com a proposta de oferecer uma alternativa quando a terça-feira ainda tinha poucas atrações de grande porte na cidade — e, desde então, virou sinônimo do fechamento do Carnaval universitário. A lógica do line-up: atravessar públicos A escolha do time de 2026 reforça o que Brenner chama de “atravessar estilos” para segurar a pista do começo ao fim. De um lado, o pop de grande alcance; do outro, trap e funk com apelo de internet; e, fechando, eletrônico para “virar a chave” na reta final. A escala confirmada — Luísa Sonza, MC Pedrinho, Orochi, MU540 e DJ Zullu — aparece tanto nas divulgações oficiais do bloco quanto na cobertura local. Pista e camarote: tendência “premium” e bar de drinks No campo da experiência, o Chapado acompanha uma tendência que vem crescendo nos eventos de Carnaval: camarotes mais “premium”, com aposta em marcas de topo e bar de drinks. Na venda oficial, o camarote é descrito com open bar premium (incluindo marcas como Grey Goose e Ballena) e open food, além de um “bar de drinks”. Brenner também adiantou ao Vintém que a equipe vem calibrando diferenças entre pista e camarote, e que o público tem exigido mais qualidade no alto padrão: “O povo hoje em dia está exigindo isso (…) colocar um whisky bom, uma vodka boa, um gin bom.” Segundo ele, a pista tende a manter um desenho mais “tradicional”, por volume e desperdício.

Pesquisa da UFOP revela aumento de 70% nas notificações de autolesão em Ouro Preto; bairro Bauxita concentra casos

Estudo epidemiológico aponta concentração entre mulheres pardas de 20 a 39 anos e possível relação com saúde mental estudantil; falhas no preenchimento de fichas contribuem para subnotificação Uma pesquisa-intervenção desenvolvida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2019 revelou aumento expressivo nas notificações de lesões autoprovocadas em Ouro Preto. O estudo “Vigilância e prevenção do suicídio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil: análise do processo de notificação nos anos de 2022 a 2024” mostra que, em 2024, os registros praticamente dobraram em relação ao ano anterior, com concentração no bairro Bauxita, onde ficam a UFOP e o IFMG. A segunda fase da pesquisa, que analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Vigilância Epidemiológica municipal, identificou 138 notificações de lesões autoprovocadas entre 2022 e 2024 — sendo 38 em 2022, 37 em 2023 e 63 em 2024, um aumento de 70% no último ano. “Antes de começar a pesquisa, o Arislan, que idealizou essa pesquisa, percebeu que em Ouro Preto e no território próximo não havia estudos, artigos, nada que mostrasse como estava o número de suicídios e tentativas de suicídio. Aqui na região não tinha esses dados”, explica Renan Lima Vieira, estudante de Medicina da UFOP e um dos autores da pesquisa. Perfil epidemiológico O estudo traçou o perfil predominante dos casos notificados: mulheres pardas, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o envenenamento/intoxicação o principal meio utilizado. A concentração territorial também chamou atenção dos pesquisadores: o bairro Bauxita, sede dos campi universitários, lidera as notificações, seguido por Antônio Dias e Morro Santana. “Na segunda pesquisa, a gente também aprofundou para tentar ver qual a região de Ouro Preto que tinha maior número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas. E para nossa surpresa, o principal território foi a Bauxita, o bairro Bauxita, que é um bairro onde se concentra muito universitário, que é onde está a UFOP”, relata Renan. A pesquisa identificou ainda uma possível relação com o contexto universitário. “Juntando com a idade dessas mulheres, a gente pode relacionar que talvez o principal caso seja, a principal causa e fator em relação ao território pode estar relacionado com universidade, já que tem vários artigos que mostram a relação de sofrimento psíquico com universidade”, analisa o pesquisador. Paralisação de 2024 pode ter influenciado aumento O trabalho aponta uma hipótese para o salto nas notificações em 2024: “Durante o desenvolvimento desta pesquisa, identificaram-se indícios que apontam para uma maior incidência de lesões autoprovocadas entre o público universitário. Em 2024, ocorreu uma paralisação na Universidade de Ouro Preto, evento que possivelmente impactou a saúde mental dos estudantes.” Falhas no sistema de notificação Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi a identificação de graves problemas no preenchimento das fichas de notificação compulsória. A análise revelou que profissionais de saúde têm dificuldade em diferenciar “envenenamento” de “intoxicação”, o que gera dados imprecisos. “Durante o estudo foi perceptível várias colunas considerando ‘uso de medicamento para suicídio’ como ‘envenenamento’ para o meio utilizado. Essa problemática foi uma das principais dificuldades na pesquisa”, explica Renan. “Isso acaba fazendo com que o número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas não suicida ainda continue sendo subestimado.” A equipe elaborou um fluxograma do processo de notificação após reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde. “A gente fez até uma reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde de Ouro Preto para até entender o porquê que está tendo tanta subnotificação aqui no território”, conta o pesquisador. Os gargalos identificados incluem: Nível municipal: “Muitas vezes as UBS estão cheias de pacientes, os profissionais estão com várias coisas para fazer, aí fica um delegando a função para o outro e acaba que, infelizmente, às vezes, acaba que ninguém preenche”, detalha Renan. “É uma ficha grande que leva um tempinho para preencher. Vários dados que têm que ser preenchidos.” Nível regional e estadual: Subnotificação invisibiliza grupos vulneráveis A pesquisa também apontou lacunas preocupantes nos dados raciais. “A ausência de notificações de pretos e indígenas no período é aparentemente paradoxal, devido Ouro Preto ser um dos municípios com a maior população de pretos do Brasil, proporcionalmente”, destaca o estudo. “Quando chega no sistema, tem aquele dado lá em branco, às vezes com informação faltando raça, cor, faltando gênero, o que é ruim até para quem vai realizar estudos epidemiológicos como a gente, porque isso é muito importante para você realizar promoções de prevenção da saúde mental e do suicídio”, explica Renan. Contexto nacional preocupante O estudo contextualiza Ouro Preto dentro de um cenário nacional alarmante. No Brasil, as taxas de suicídio cresceram em média 3,7% ao ano entre 2011 e 2022, com destaque para jovens de 10 a 24 anos. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações por lesões autoprovocadas — mais de 30 por dia, alta superior a 25% em relação a 2014. “Normalmente o tentativa de suicídio é de 3 a 4 vezes maior que o de suicídio, a menos que no caso de Ouro Preto seja por subnotificação”, analisa o pesquisador, citando dados da literatura científica. Território e saúde mental Renan destaca como o território influencia na saúde mental da população: “Uma das coisas que eu mais aprendi nessa pesquisa foi como é que o território influencia tanto na saúde mental, quanto no sofrimento psíquico. Ouro Preto já tem um histórico de sofrimento psíquico relacionado ao sofrimento dos escravos, a grande relação da mineradora com a cidade.” Ele menciona pontos críticos conhecidos: “Tem o histórico da Curva do Vento, que infelizmente direto alguém vai lá para tentar a tentativa de suicídio e que o Arislan (orientador e professor do curso de medicina da UFOP) participou junto com os bombeiros de colocar as plaquinhas lá para tentar evitar que isso fique ocorrendo com frequência.” Papel da atenção básica O pesquisador ressalta a importância da atenção primária: “A atenção básica é extremamente importante, tanto para a prevenção do suicídio quanto para a promoção da saúde mental. Como o paciente, muitas vezes, o primeiro contato da área de saúde vai