Carnaval 2026 terá 12 ambulâncias e dois pontos de atendimento médico; expectativa é superar 500 atendimentos de 2025

Estrutura montada pela Secretaria de Saúde inclui postos na Praça Tiradentes e ao lado da Prefeitura; Cachoeira do Campo terá atendimento 24 horas e distritos até meia-noite Ouro Preto terá 12 ambulâncias distribuídas em pontos estratégicos do Carnaval 2026 e dois postos de atendimento médico fixos no centro histórico. O esquema de saúde foi detalhado pelo secretário municipal de Saúde, Leandro Moreira, em vídeo divulgado nesta semana. “A sua saúde também importa nesse carnaval. Serão 12 ambulâncias distribuídas em todos os pontos, todos os locais que tem carnaval”, anunciou o secretário. A estrutura foi montada para evitar a sobrecarga da UPA Dom Orione e do hospital municipal durante os seis dias de folia (12 a 17 de fevereiro). Distribuição das ambulâncias As ambulâncias estarão posicionadas nos seguintes locais: No centro histórico: Nos distritos: Pontos fixos de atendimento médico Dois postos de atendimento médico com equipes completas funcionarão durante todo o Carnaval: 1. Praça TiradentesLocal central onde ocorrem desfiles das escolas de samba e grande concentração de blocos 2. Ao lado da Prefeitura (próximo à Liga dos Blocos)Região onde acontece o Carnaval Universitário no Espaço Folia Horários de funcionamento Cachoeira do Campo: Atendimento 24 horas Antônio Pereira e Santa Rita: Atendimento até 0h (meia-noite) Centro histórico (sede): Informações não especificadas, mas estrutura permanente durante todo o período SAMU de prontidão Além da estrutura municipal, o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) estará de prontidão para atender emergências de maior complexidade envolvendo ouro-pretanos e turistas. Expectativa com base em 2025 Em 2025, os pontos de atendimento do Carnaval registraram mais de 500 atendimentos. “Nossa expectativa é atender melhor ainda os nossos foliões”, afirmou Leandro Moreira. O secretário destacou que todo o reforço na estrutura de saúde visa garantir que foliões tenham assistência rápida sem sobrecarregar as unidades fixas do município. “Saúde de Ouro Preto, reforçando toda a sua estrutura para atender da melhor forma o nosso Carnaval de Ouro Preto”, concluiu.
Dona Salete recebe a casa reformada na sexta de Carnaval

Prefeitura anuncia entrega de moradia com “conforto, segurança e dignidade”; reforma foi realizada pela Associação SOL com recursos de emenda do vereador Kuruzu. Em vídeo divulgado nas redes da Prefeitura, o secretário municipal de Governo, Yuri Borges Assunção, anuncia a entrega da casa de Dona Salete após reforma e resume o dia com uma frase que desloca o foco do brilho para o básico: “É dia de festa, mas não tem alegria maior que devolver a casa da Dona Salete totalmente reformada”. Segundo o secretário, a obra foi realizada pela Associação SOL e viabilizada por emenda parlamentar do vereador Kuruzu, com o objetivo de devolver à moradora “conforto, segurança e dignidade”. Quem é a Associação SOL e como a parceria aparece em registros públicos A Associação Solidariedade Ouro Lar – SOL foi declarada de utilidade pública por lei municipal em 2025, com identificação de CNPJ e sede em Ouro Preto. No Diário Oficial do município, foi formalizado um termo de colaboração para requalificação de moradias por meio de pequenas melhorias e reformas voltadas a famílias em vulnerabilidade, “com o objetivo de apoiar o programa Um Teto é Tudo”. O mesmo documento aponta que o repasse previsto (R$ 407.368,00) seria proveniente de emenda parlamentar impositiva — incluindo do vereador Kuruzu. A entrega da casa de Dona Salete, portanto, se encaixa numa arquitetura de política pública que mistura execução via organização da sociedade civil, financiamento por emendas e coordenação municipal — modelo que, quando bem monitorado e transparente, pode acelerar reformas pequenas que mudam o destino de uma família. “Um Teto é Tudo”: do projeto técnico à casa possível A Prefeitura de Ouro Preto lançou o Um Teto é Tudo em 2022, com a proposta de oferecer serviços técnicos gratuitos (arquitetura, urbanismo e engenharia) a cidadãos de baixa renda — uma resposta prática a um problema que, em cidades históricas e acidentadas, costuma ser também estrutural: casa em risco, reforma adiada, vulnerabilidade crônica. Em outra frente, registros públicos apontam a existência de um eixo de requalificação de moradias com previsão de R$ 3 milhões, destinados a reformas estruturais e melhorias menores, com participação prevista da própria Associação SOL nas primeiras intervenções. O que essa entrega diz sobre a cidade, no meio da festa Ouro Preto é uma cidade em que o chão ensina: subir cansa, descer exige atenção. Em dias de Carnaval, a multidão aprende isso na pele — e, fora da folia, muita gente aprende dentro de casa, quando a moradia deixa de proteger como deveria. A entrega anunciada pelo secretário de Governo insere uma pausa importante no roteiro oficial da alegria: lembra que, por trás do calendário turístico, existe a vida cotidiana que não entra em cartaz. E que “dignidade” — palavra muito usada e nem sempre cumprida — às vezes começa no que não aparece na foto: parede firme, piso seguro, telhado que não falha na chuva.
“Sinhá Olímpia, quem é você?”: Ouro Preto retoma pergunta da Mangueira 36 anos depois e transforma folia de 2026 em homenagem à “primeira hippie do Brasil”

Tema do Carnaval ouro-pretano cita literalmente o refrão do samba-enredo campeão do Estandarte de Ouro em 1990; escolha marca 50 anos do falecimento da personagem que inspirou Milton Nascimento, foi capa da Life e conheceu de Juscelino a Rita Lee O Carnaval de Ouro Preto 2026, que acontece de 12 a 17 de fevereiro, tem como tema oficial “Sinhá Olímpia, quem é você?” — pergunta que cita literalmente o refrão do samba-enredo com que a Estação Primeira de Mangueira homenageou a icônica personagem ouro-pretana em 1990. A escolha marca os 50 anos do falecimento de Olympia Angélica de Almeida Cotta, figura que atravessou as fronteiras de Minas para virar tema de escola de samba no Rio, inspirar música no “Clube da Esquina 2” de Milton Nascimento e ser chamada por Rita Lee de “a primeira hippie do Brasil”. A conexão entre o carnaval mineiro e o carioca não é coincidência. Em 26 de fevereiro de 1990, a Mangueira levou para a Sapucaí o enredo “E deu a louca no barroco”, assinado pelos carnavalescos Ernesto do Nascimento e Fábio Borges, com samba-enredo composto pelo trio Hélio Turco, Jurandir e Alvinho — que conquistou o Estandarte de Ouro de melhor samba daquele ano. O refrão, interpretado por Jamelão, perguntava: “Sinhá Olímpia, quem é você?” E respondia com versos que se tornaram antológicos: “Sou amor, sou esperança / Sou Mangueira até morrer.” Agora, 36 anos depois, Ouro Preto retoma a pergunta e convida foliões, turistas e moradores a conhecer — ou relembrar — quem foi a mulher que transformou as ladeiras barrocas em palco de liberdade, delírio e poesia. Quem foi Sinhá Olímpia Olympia Angélica de Almeida Cotta nasceu em 1889 em Santa Rita Durão, distrito de Mariana, e viveu em Ouro Preto entre as décadas de 1950 e 1970, até sua morte em 1976. Seu visual era inconfundível: roupas coloridas, chapéus enfeitados com flores e papéis de balas, bijuterias grandes, um cajado ornamentado com flores e tiras de papel colorido, e sempre um cigarro na boca. Mas não foi só a aparência extravagante que a tornou lendária. Sinhá Olímpia era contadora de histórias delirantes, misturando realidade e fantasia com tal convicção que encantava moradores e turistas. Dizia ter dançado em bailes com Tiradentes, tomado café com Dom Pedro I, e se apresentava como uma espécie de imperatriz de Vila Rica. “Ela era uma figura meio mítica, que misturava um pouco de loucura na realidade da vida. Contava casos de bailes nunca dançados com Tiradentes e cafés tomados com Dom Pedro, que nunca existiram”, explicou o secretário de Cultura e Turismo de Ouro Preto, Flávio Malta, em entrevista recente. A extrema sensibilidade e capacidade imaginativa de Olympia despertaram atenção nacional e internacional. Foi capa da revista Life, participou do programa do Chacrinha, conheceu Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Vinícius de Moraes e Rita Lee. Recebia cartões e presentes do mundo inteiro — chapéus do mercado de pulgas de Paris, medalhas da Inglaterra, moedas de diversos países. De Ouro Preto para a Sapucaí Em 1990, a Mangueira escolheu contar a história de Sinhá Olímpia na avenida. O samba-enredo, considerado por Hélio Turco “o mais bonito feito pelo trio”, recriava poeticamente a trajetória da personagem: “Viveu em Vila Rica a CinderelaEntre sonhos e quimerasDe raríssimo esplendorBrilhou sob o sol da primaveraE a beleza de uma flor (e assim)E assim, enfeitando os salõesEm seu doce delírioConquistou coraçõesAcalentou o ideal da liberdadeE transformou toda mentiraNa mais fiel realidade” O desfile retratou em alas e carros alegóricos as histórias, falas e lugares que ela frequentava. Embora a Mangueira tenha terminado em 8º lugar por ter estourado o tempo de desfile (houve quebra de um carro), o samba conquistou o Estandarte de Ouro e se tornou um clássico da verde-e-rosa. Segundo análises da época, a Mangueira “colocou a avenida inteira para desabar” e saiu “aos gritos de ‘É CAMPEÃ’”, apesar da pontuação final. A pergunta que atravessou décadas O refrão “Sinhá Olímpia, quem é você?” não era apenas uma pergunta retórica. Segundo análises do enredo, a questão sintetizava o mistério em torno da personagem: quem, de fato, foi Sinhá Olympia? Após tantas histórias que fundiam realidade e ilusão, a identidade dela se tornara fluida, múltipla. A resposta dada pela Mangueira — “Sou amor, sou esperança / Sou Mangueira até morrer” — fazia uma leitura filosófica: o espírito inventivo e delirante, mas também apaixonado e caridoso de Sinhá Olímpia era o próprio espírito mangueirense. Agora, em 2026, Ouro Preto retoma a pergunta em um contexto diferente: não mais para levá-la ao Rio, mas para trazê-la de volta para casa, 50 anos após sua morte. “A escolha do tema presta homenagem a uma das figuras mais emblemáticas da história social da cidade”, informou a Prefeitura de Ouro Preto. “A homenagem marca os 50 anos do falecimento de Sinhá Olímpia, personagem lembrada por sua estética singular, presença marcante nas ruas e forte ligação com a liberdade de expressão popular.” Legado além do carnaval A influência de Sinhá Olímpia ultrapassa a folia. Em 1978, Toninho Horta e Ronaldo Bastos compuseram “Dona Olímpia” para o disco duplo “Clube da Esquina 2”, lançado por Milton Nascimento. Em 1998, o estilista Ronaldo Fraga ministrou uma oficina de moda inspirada nela durante o Festival de Inverno de Ouro Preto. Em 1975, foi criada a Escola de Samba Sinhá Olympia em Saramenha (Ouro Preto), que desfila até hoje abordando temas relacionados à história e cultura da cidade. Jefferson de Oliveira Filho, presidente da escola, herdou da família de Olympia todas as roupas deixadas por ela. Como homenagem, uma das senhoras da escola sai todo ano vestida como a personagem. Há peças teatrais, poemas, restaurantes e pousadas que levam seu nome. Artistas como Orózio Belém desenharam seu retrato. Ela se tornou um símbolo de autenticidade, liberdade e resistência. Carnaval 2026: programação e expectativa O Carnaval de Ouro Preto 2026 é considerado um dos maiores e mais tradicionais de Minas Gerais. A expectativa é receber 60 mil foliões e movimentar aproximadamente R$ 55 milhões na economia local. A rede hoteleira