29ª Festa Cultural da Goiaba acontece em São Bartolomeu nos dias 17, 18 e 19 de abril

Distrito de Ouro Preto celebra tradição doceira tombada como patrimônio imaterial do município em 2008 São Bartolomeu recebe a 29ª edição da Festa Cultural da Goiaba entre os dias 17 e 19 de abril. O evento é organizado pela Associação dos Doceiros e Agricultores Familiares do distrito (ADAF) e reúne o que o lugar tem de mais característico: doces artesanais, música e o modo de fazer goiabada cascão que existe na comunidade há gerações. A goiabada cascão de São Bartolomeu foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município em 2008. O reconhecimento formalizou uma prática que já existia muito antes — a produção artesanal transmitida de mão em mão, sem receita escrita, com a consistência que só vem do tempo e da repetição. Além da goiabada, a festa oferece doce de leite, figo, laranja, mamão e cidra, além de compotas, geleias, licores e vinho de jabuticaba. São Bartolomeu fica a cerca de 20 quilômetros do centro de Ouro Preto, no caminho para Mariana. O distrito é um dos mais conhecidos pela produção de doces da região dos Inconfidentes. 📋 Serviço Quando: 17, 18 e 19 de abril de 2026 Onde: São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto O quê: Doces artesanais, música, gastronomia regional Realização: ADAF — Associação dos Doceiros e Agricultores Familiares de São Bartolomeu
Câncer no Brasil: pesquisa Oncoguia mostra como e por que direitos previstos em lei não chegam ao paciente

Luciana Holtz de Camargo Barros, Instituto Oncoguia No Brasil, o fato de um paciente oncológico ter direitos assegurados em lei não significa que vai conseguir acessá-los no tempo certo, seguindo orientações claras e de forma efetiva. Ao contrário, a pessoa que busca tratamento precisará enfrentar verdadeiras batalhas para exercer direitos já estabelecidos como a garantia de acesso ao relatório médico (fundamental para a concessão de benefícios), ao prontuário, aos laudos de exames, a informações que esclareçam os rumos e perspectivas do tratamento e a uma equipe multidisciplinar, entre outras necessidades. Esse é o retrato da realidade brasileira de acordo com a pesquisa “Direitos conquistados mas não garantidos: o que os pacientes têm a dizer sobre isso”, realizada pelo Instituto Oncoguia e que será divulgada durante a 16ª edição do Fórum Nacional Oncoguia, que ocorre nos dias 7 e 8 de abril, nesta semana em que se celebram o Dia Mundial da Saúde (7/4) e o Dia Mundial do Combate ao Câncer (8/4). Os dados obtidos são contundentes: 70% das pessoas entrevistadas afirmaram não ter tido acesso a nenhum dos direitos mencionados acima durante o tratamento e 82% dos que tentaram buscar alguns desses direitos relataram que isso tem sido uma luta constante. Outros 68% dos respondentes desconhecem as leis mais importantes para pacientes com câncer. O levantamento do Instituto Oncoguia foi realizado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, por meio de questionário online no Google Forms. Foram recebidas 1.618 respostas de pacientes com câncer e familiares, com 1.559 consideradas válidas. Houve participação de 25 unidades da federação (o país tem 27). Entre os respondentes, 80% eram pacientes e 20% familiares. Quanto ao tipo de atendimento, 45,7% estavam no SUS, 43,2% em planos de saúde, 8,9% em modelo misto e 2,2% em atendimento particular. Falhas estruturais no sistema de saúde Esse retrato nacional dá a dimensão do problema. Não se trata de uma dificuldade restrita a um serviço, a uma cidade ou a um modelo de assistência. A sensação de luta constante atravessa a jornada oncológica de forma ampla: ela foi relatada por 82% dos que tentaram buscar seus direitos, percentual que sobe para 85% entre pacientes em tratamento pelo SUS e permanece em 79% entre aqueles com plano de saúde. Estamos diante de uma falha estrutural do sistema de saúde. No início dessa trajetória, um dos primeiros entraves é o desconhecimento. A falta de informação segue no centro do problema. Quando 68% dos respondentes dizem não conhecer leis fundamentais, como o Estatuto da Pessoa com Câncer, a Lei dos 30 Dias, a Lei dos 60 Dias e normas relacionadas à quimioterapia oral e ao rol da Agência Nacional de Saúde (ANS), o que aparece não é apenas uma lacuna informativa, mas uma falha importante na forma como esses direitos são comunicados e efetivados. O direito que não é conhecido não chega a ser exercido. E, no câncer, o tempo perdido pesa muito: ele se traduz em atrasos, negativas, idas e vindas, desgaste emocional e, muitas vezes, piora clínica. Na pergunta sobre a existência de direitos na relação médico-paciente, 49% disseram não saber que eles existem, 24% afirmaram já ter ouvido falar, mas sem conhecer bem, e apenas 27% responderam que sabiam deles. A distância entre a lei e a vida real aparece de forma dura no dia a dia dos pacientes e seus familiares. Apenas 14% relataram ter conseguido acesso ao relatório médico para concessão de benefícios, 11% ao prontuário e aos laudos de exames, 6% a informações esclarecidas sobre o tratamento e 4% à equipe multidisciplinar. Nenhum respondente afirmou ter tido acesso às chamadas diretivas antecipadas de vontade — documentos em que o paciente registra, de forma prévia, como deseja ser cuidado em situações em que não possa mais decidir por si mesmo. Trata-se de um instrumento central de autonomia, que garante respeito às escolhas do paciente e um cuidado de fato centrado na pessoa. Não basta, porém, entregar a informação sobre a saúde do paciente. É preciso garantir compreensão, acolhimento e espaço real para perguntar. Informação em saúde não é papel preenchido nem fala apressada em consultório. Informação em saúde é condição para decisão, adesão e segurança. O levantamento mostrou que metade dos respondentes disse ter recebido informação e apoio suficientes para compreender plenamente o tratamento. Ainda assim, desse grupo, 38% afirmaram que, mesmo recebendo informações, permaneceram com dúvidas. Outros 12% disseram nunca ter tido informações ou abertura para esclarecê-las com a equipe. A lógica das dificuldades Os direitos mais buscados, de acordo com a pesquisa, são justamente os que ajudam a preservar parte da renda e a amenizar o aumento de gastos associados ao adoecimento. Entre 63% dos entrevistados que tentaram acessar seus direitos na prática, 45% buscaram FGTS, PIS/Pasep e INSS, enquanto 30% recorreram a isenções de impostos. O direito ao transporte foi buscado por 9% dos participantes; enquanto direitos ligados diretamente ao tratamento, por 5% dos entrevistados. O dado demonstra claramente que o câncer não afeta apenas a saúde. Ele compromete a capacidade de trabalhar, eleva despesas, exige deslocamentos frequentes e pressiona a rotina financeira da casa. Nesse percurso, a principal barreira é a burocracia, apontada por 42% dos respondentes. Em seguida vêm a falta de informação clara, com 36%; o desconhecimento dos próprios direitos, com 34%; a demora para a resposta final, com 29%; e a falta de ajuda de um profissional, com 22%. Também aparecem a falta de energia para correr atrás, com 20%; a falta de dinheiro para pagar advogado, com 14%; a negativa de plano de saúde, com 10%; o medo de perder o emprego, com 7%; e a falta de tempo para correr atrás, com 6%. Nas respostas abertas, surgem ainda dificuldades com perícias do INSS, uso de canais digitais e o custo, além do cansaço, de viagens para protocolar pedidos ou realizar perícias em outras cidades. De acordo com o levantamento do Instituto Oncoguia, a forma como os pacientes chegam à informação sobre seus direitos ajuda a explicar a desorganização da jornada. Sem orientação institucional clara