A criança chega gritando. O corpo inteiro treme. Os pais, assustados, não sabem o que fazer. Ela está em crise sensorial — aquele momento em que o mundo fica muito grande, muito barulhento, muito tudo. No colo da mãe, nada funciona.
Mas Siomara está ali.
Siomara é psicomotricista, pós-doutora em Ciências do Movimento Humano e coordenadora do MiniMovers, um projeto nascido dentro da Universidade Federal de Ouro Preto que atende crianças com necessidades especiais. Ela também coordena o Laboratório de Metodologia do Ensino dos Esportes e da Saúde (LAMEES) na Escola de Educação Física da UFOP. Ela aproxima-se com calma. Reconhece aquele grito. E coloca uma música específica no celular — sempre a mesma, que a criança já conhece. A música é a chave.
Em poucos minutos, o corpo da criança desacelerou. A respiração normalizou. Os pais respiraram fundo. Siomara e a monitora olham uma para a outra com aquele entendimento silencioso de quem já viu isso funcionar muitas vezes antes.
Agora a criança está no chão. Ainda agitada mas diferente. A monitora segue acompanhando, a música continua tocando no celular. Eles entram no ginásio onde foi montado um circuito de atividades. A criança pula, grita, corre de um lado para o outro, e cada vez que sua mão toca a corda esticada, ela faz um som específico. Sons repetidos. Sons que a acalmam.
Siomara observa de longe. Apenas observa. Depois, aproxima-se da monitora e sussurra: “Olha só — ele quer estímulos de som hoje. Vê como ele está brincando? A gente segue nisso.”
É uma leitura do corpo. Um entendimento que leva anos para ser desenvolvido. Com aquele comando simples, tudo muda de lugar — a criança e a monitora percebem a rota, e as atividades começam de verdade.
A história de um movimento

O MiniMovers não nasceu do acaso. Nasceu de uma decisão deliberada de transformar a psicomotricidade em ferramenta de cuidado e promoção da saúde mental.
Tudo começou em 2023, quando o Dr. Aislan Assis, coordenador do projeto “Cia da Gente: Arte, Saúde e Educação” pela Fundação Gorceix, e Siomara decidiram aproveitar a expertise dela em um projeto maior. “A psicomotricidade é uma especialidade que combina as práticas corporais com apoio emocional”, explica Aislan. “Através do movimento, através da prática corporal, é possível lidar com traumas, sentimentos, desconforto — aquele mal-estar que, por vezes, sentimos no campo da saúde mental, mas que se manifesta no corpo.”
A universidade passava por um momento delicado. Estudantes enfrentavam isolamento, tristeza, distância da família, sobrecarga de estudos, dificuldades financeiras. Tudo isso gerava sofrimento mental. A psicomotricidade foi convocada para fazer o cuidado, para acolher.
A primeira iniciativa foi inserir a psicomotricidade em um curso de extensão chamado “Saúde mental nas escolas e fora delas”, realizado em 2023 e 2024. Chegou a 150 pessoas formadas — professores e funcionários das cinco escolas do Distrito Histórico de Antônio Pereira, em Ouro Preto.
Através do PRODESA — Programa de Desenvolvimento Acadêmico coordenado pela Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Acadêmicos — criaram o projeto “Saúde em Movimento”. Era uma oferta regular, semanal, de sessões de psicomotricidade para estudantes da UFOP que precisassem de acolhimento especial para sua saúde mental. A Fundação Gorceix equipou uma sala completa na Escola de Educação Física da UFOP com materiais, recursos e móveis. Bolsistas receberam treinamento, uniformes e apoio formativo para realizar esse cuidado com outros estudantes. Durante todo 2024, o projeto funcionou regularmente, e segue operacional até hoje.
E então veio o passo seguinte.
O MiniMovers: quando a universidade abraça a comunidade

No início de 2025, a parceria se ampliou. Siomara, juntamente o projeto Cia da Gente, criaram o MiniMovers — um programa de psicomotricidade voltado para crianças com diferentes diagnósticos e suas famílias.
“Crianças atípicas” é o nome que Aislan dá ao grupo — uma diversidade neuropsicológica enorme, com diagnósticos psiquiátricos diferentes. Autismo, TDAH, Síndrome de Down, deficiência intelectual, múltiplas deficiências, crianças não-verbais, síndromes raras. E não são só as crianças: são as mães, os pais, os familiares que cuidam delas, que buscam oportunidades de cuidado e desenvolvimento saudável.
O MiniMovers funciona na Escola de Educação Física da UFOP e integra atividades psicomotoras no solo e também aquáticas, na piscina. A Prefeitura conseguiu bolsas de monitoria para estudantes. A estrutura que antes estava apenas na universidade agora transborda para a comunidade.
Não é só exercício

Aquele ginásio do prédio da Educação Física da UFOP abriga algo raro: um projeto que integra educação física, artes cênicas e medicina para trabalhar com crianças neurodivergentes de forma integral — corpo, emoção e cognição juntos.
O MiniMovers não é só atividade física. Não é só terapia. É um espaço onde diferentes áreas do conhecimento se encontram para enxergar a criança inteira.
Psicomotricidade é uma palavra difícil. A maioria das pessoas não sabe o que significa. Mas é simples: é entender como a gente se relaciona com nosso próprio corpo. Como o corpo fala quando a boca não consegue. Como os sentimentos moram nos músculos, na respiração, no jeito que a gente se move.
Siomara explica um dos pilares do trabalho: “Trabalha-se três dimensões. A parte motora — como o corpo se move. A parte afetiva — os sentimentos, as emoções. E a parte cognitiva — o pensamento, o aprendizado. Esses três pilares são inseparáveis.”
Integra olhares de educação física, artes cênicas e medicina. Cada área contribui para que a criança seja vista e cuidada por inteiro.
A transdisciplinaridade em prática
Ana Flávia Araújo e Renata Caroline são duas das dezesseis bolsistas que fazem o MiniMovers funcionar. Uma estuda Educação Física, a outra Artes Cênicas — ambas no sétimo período. Para elas, trabalhar juntas aqui não é acidental. É a materialização daquilo que a teoria prega.
Renata explica por que se interessou pelo projeto: “Eu faço artes cênicas e já sou da área do teatro e da dança há uns cinco anos. Tenho interesse em entender o corpo fora do corpo cotidiano — como você coloca o seu corpo em jogo, nas possibilidades de cena. A psicomotricidade tem uma relação com o mental, o emocional, o afetivo. Juntar a potência do corpo extra cotidiano com o emocional afetivo me interessa muito. E como eu faço licenciatura, estar no ambiente da educação é importante ter esse repertório com as crianças.”
Ana Flávia chegou ao projeto por outro caminho. “Eu formei em licenciatura em Educação Física e entrei no bacharelado logo depois. Dou aula em escola, adoro isso, mas quando entrei no bacharelado senti-me meio perdida — as coisas eram muito voltadas para fitness, academia. Aí surgiu a proposta do projeto e me interessou muito por ser uma área possível de atuação para o profissional de educação física. Não tinha conhecimento sobre psicomotricidade ainda. Mas quando surgiu a oportunidade de trabalhar com crianças, foi uma grata surpresa. Acho que deveria ter tido mais oportunidades com crianças na licenciatura porque é gratificante demais.”
Quando elas trabalham juntas — uma trazendo a dimensão do movimento corporal, a outra trazendo o simbólico e o teatral — cada pequeno gesto da criança ganha múltiplas leituras. Cada atividade se desdobra em possibilidades.
Para crianças autistas e neurodivergentes, essa integração é especialmente importante. Muitas delas têm dificuldade de se reconhecer no próprio corpo. Não sabem onde fica o cotovelo, não conseguem nomear as partes de si mesmas. Outras não falam de jeito nenhum. E o mundo ao redor insiste em exigir que elas se expliquem através da fala — como se o corpo não tivesse nada a dizer.
O MiniMovers começou com uma pergunta diferente: e se a gente deixasse o corpo falar?
Quando uma criança não fala
Na mesma sala, há uma criança autista que não fala. Ela chega com um tablet na mão — um programa específico que funciona com desenhos e símbolos. Ela não é alfabetizada ainda. Mas aprendeu a apontar para as figuras, a indicar o que quer.
A realidade do projeto é que as crianças não-verbais dispõem de múltiplas formas de comunicação. Algumas usam o tablet, com seus programas de desenhos e símbolos. Outras encontram canais diferentes. Reconhecendo essa diversidade, o MiniMovers desenvolveu um quadro grande com figuras e desenhos das atividades que acontecem no projeto — um quadro de comunicação alternativa para que todas as crianças não-verbais pudessem indicar não só o que querem, mas também entender o que vai acontecer.
É um pequeno detalhe. Mas para uma criança que carrega o silêncio como seu primeiro idioma, é tudo.
A maestria de lidar com crises

Mas há momentos em que o acolhimento é testado em sua forma mais extrema. Há crises.
Renata descreve a primeira vez que presenciou quando uma criança chegou em estado severo de desregulação: “Foi muito chocante. Uma crise não é uma coisa legal de se ver. É muito pesado. A criança está em sofrimento, e tem característica de crise autolesiva também. A criança, como está em sofrimento, vai se lesar e vai lesar quem está tentando auxiliar. Ver a Siomara com a experiência dela para acalmar essa crise foi muito incrível. Não foi legal de ver, porque de fato é triste, mas foi, ao mesmo tempo, muito bonito de ver o tato da Siomara com essa crise. Ela tem toda uma técnica, mas é a técnica junto com o afeto dessa pessoa também.”
Siomara conhece o corpo de cada criança em crise. Sabe por qual lado chegar. Por que não pela frente — a criança se machuca mais e machuca mais. Vem por trás, segura as mãos com precisão, reduz danos. Usa sons específicos. Às vezes uma massagem em um lugar específico. Cada crise é diferente.
Ana Flávia reforça: “A gente não lida diretamente com as crises. É importante falar isso, porque a Siomara é psicomotricista, tem especialidade nessa área, tem experiência. Mas a gente está sempre perto para apoiar a família, tentar afastar os curiosos — porque nem sempre é uma curiosidade positiva. De preocupação, às vezes é uma curiosidade negativa de observar. A gente tem combinados. Quando vemos muita gente, a gente tenta espalhar ou a gente junta e faz uma cortina, fica de costas para a criança, para que a criança não seja exposta.”
É um detalhe que passa despercebido, mas revela a inteligência do projeto. Enquanto Siomara trabalha a dimensão técnica, as monitoras constroem uma barreira de proteção invisível — com seus próprios corpos, com sua presença discreta. A criança em crise não é espetáculo. É pessoa.
Observar Siomara atuar deixa marcas nas monitoras. “Se tivéssemos que lidar em um momento que ela não estivesse presente, eu acho que a gente saberia lidar por ter presenciado tantas vezes e tantas técnicas diferentes”, diz Renata. “Cada dia ela tem uma técnica diferente para acalmar a criança de uma forma diferente. São vários aprendizados. E é incrível como, lidando diretamente com isso, a gente percebe como que a sociedade ainda não está preparada para lidar com essas pessoas e com as diversidades das pessoas como um todo.”
O que as monitoras aprendem
Trabalhar no MiniMovers não é apenas aplicar técnicas. É uma transformação. Ana Flávia e Renata estão aprendendo algo que nenhuma sala de aula lhes ensinaria completamente.
“Vivenciar tudo isso que a gente vivencia no MiniMovers traz uma capacitação para a gente, uma educação para a gente para esse contexto”, diz Renata. “E acho que a gente também fica responsável de educar outras pessoas. De explicar para outras pessoas que, quando a gente vê uma cena de crise, isso não é simplesmente manha, que isso não é simplesmente falta de disciplina ou simplesmente falta de pulso firme da mãe. E na maioria das vezes sempre cai a responsabilidade na mãe. A pessoa sempre pergunta: cadê a mãe? Acho que a gente participando desse projeto fica também responsável, de certa forma, de educar as pessoas com relação às diversidades das pessoas.”
É um ato de coragem intelectual e moral. Essas alunas — que ainda estão em formação — percebem que o conhecimento que estão adquirindo transcende o técnico. Virou responsabilidade social. Virou missão.
Ana Flávia complementa: “Cada criança é única. É um aprendizado muito constante porque é um espectro e cada criança tem um limite ali de você chegar. Tem crianças não verbais, então cada criança é um acesso diferente.”
As pequenas evoluções que são enormes

Mas a real transformação aparece nos detalhes. Nos pequenos avanços que, para quem não está ali todos os dias, passariam despercebidos.
Há um menino autista que, no início, tinha crises muito fortes. O problema? Ele não conseguia entender a cronologia do tempo. Não sabia quanto tempo duraria a sessão. Isso gerava ansiedade extrema.
“A gente fez uma pactuação com ele”, explica Renata. “Você tem tanto tempo, a gente vai entrar na sala agora e a gente vai sair daqui em 45 minutos. Quando faltar 10 minutos, eu vou te avisar. Quando faltar 5 minutos, eu vou te avisar. E quando der a hora, a gente vai levantar e a gente vai embora.”
No início, era uma batalha. Nas primeiras semanas, ele corria descontrolado pela piscina — perigoso.
Mas a partir do momento que entenderam que ele precisava dessa previsibilidade, algo mudou. “Eu não lembro a última vez que ele teve uma crise, uma desregulação, pelo menos aqui”, diz Renata. “E a mãe também relata essa melhora em casa, através dos nossos caderninhos de relato. Então, foi uma técnica que, além de ser aplicada aqui, ela pôde aplicar em casa para reduzir essas crises.”
É um exemplo simples. Mas revela algo profundo: a criança não era problema. A criança precisava de estrutura. De previsibilidade. De ser ouvida.
Há também uma menina que chegou muito dispersa, desinteressada, sem foco. Renata trabalhou com ela semana após semana, criando espaço, oferecendo escuta. “Ela passou a olhar mais nos meus olhos e começou a contar muitas coisas pessoais da vida dela. Ela consegue compartilhar mais. É uma mudança de comportamento positiva.”
Pode parecer pequeno. Mas é enorme. Uma criança que aprendeu a fazer contato visual. Que encontrou segurança o suficiente para contar sua história.
Ana Flávia sintetiza o que ambas aprenderam sobre evolução neste projeto: “O que a gente mais precisa valorizar no projeto, entendendo o espectro, são as pequenas evoluções. Cada dia é um. Às vezes, a criança hoje chega com sono. Eu fico com ele na sala mais de meia hora, dormindo, porque ele estava com muito sono. A gente entende o tempo da criança, a gente não força nada, porque isso pode ocasionar uma crise. Então, as pequenas evoluções, como essa pequena mudança de comportamento positiva, têm que ser sempre valorizadas.”
A responsabilidade de ver
Não há como trabalhar no MiniMovers e sair o mesmo. O projeto te marca. Te torna responsável.
Quando Renata fala sobre sociedade, há uma clareza que só vem de ter visto. “É muito louco ver como a criança fica exposta num lugar de ridicularização mesmo. Às vezes, uma pessoa de fora não tem educação nenhuma com relação a isso, e a pessoa expõe essa criança ao ridículo. Que às vezes é ‘manha’, é ‘birra’. “Se você der uma chinelada, se você for mais firme com essa criança”. Então, vivenciar tudo isso traz uma capacitação, uma educação para a gente para esse contexto. E a gente também fica responsável de educar outras pessoas.”
É uma responsabilidade que nenhuma grade curricular prevê. Mas que o MiniMovers oferece.
Os números e o vazio

Hoje, o MiniMovers atende 70 crianças (com possibilidade de chegar a 90). Dezesseis bolsistas de diferentes cursos estudam, aprendem e trabalham aqui. As atividades acontecem uma vez por semana, quartas-feiras, em sessões de 45 minutos.
Mas esses números revelam um vazio maior.
Em Ouro Preto, não há oferta de psicomotricidade — nem no serviço público, nem no privado. Crianças que precisam dessa prática eram colocadas em fila de espera — longas, complexas — e, se atendidas, eram encaminhadas para Itabirito, uma cidade a uma hora de distância. Uma hora de carro para uma criança neurodivergente é a diferença entre chegar calma e chegar desregulada. E uma criança desregulada não consegue aproveitar o tratamento.
Siomara conversou com a Secretaria de Saúde. Explicou o problema. O resultado foi uma parceria: cinco bolsas para monitores do projeto saíram da Secretaria de Saúde.
A universidade federal, por sua vez, não aloca recursos diretos para o MiniMovers. Tudo vem de editais, de fundações como a Fundação Gorceix, de voluntariado. Siomara escreve projetos, tenta edital por edital, para conseguir mais bolsas — conseguiu três através de um edital da Pró-Reitoria de Ações Comunitárias. Mas a necessidade é sempre maior que a resposta.
“Eu quero mais”, diz Siomara, e há um cansaço mas também uma determinação na voz. “Eu sempre quero mais. Mas a estrutura não permite.”
Um movimento que se expande

O MiniMovers completará seu primeiro ano de funcionamento por volta de fevereiro de 2026. Os resultados já aparecem fortemente. O vínculo desenvolvido com essas famílias, com essas crianças. A persistência de manter esse atendimento apesar de todas as barreiras.
Mas Aislan e Siomara já veem além.
No ano que vem, a psicomotricidade vai se ampliar ainda mais. Além do Saúde em Movimento — para estudantes da UFOP — e do MiniMovers — para crianças e famílias atípicas — vão oferecer vivências de psicomotricidade para adolescentes do ensino médio. São três escolas da Região dos Inconfidentes: uma em Ouro Preto, uma em Itabirito e uma em Mariana. Cerca de 150 adolescentes que apresentam sofrimento mental, identificados através de avaliações realizadas nas escolas.
Há também um projeto de evento em aprovação — um simpósio para maio de 2026 — onde pretendem reunir especialistas, pesquisadores, famílias e pessoas beneficiadas pela psicomotricidade para discutir, avaliar e fortalecer o uso dessas técnicas, a formação de profissionais e principalmente o cuidado através das práticas corporais.
“O Saúde em Movimento é realmente movimento”, diz Aislan. “Movimento de incorporação, de financiamento, de uso, de aproveitamento máximo da psicomotricidade no cuidado e saúde mental na universidade e através do MiniMovers para famílias e crianças. A psicomotricidade tem se ampliado, tem crescido, e a gente tem se esforçado para levar esse cuidado especial feito através das práticas corporais para mais pessoas, para outros grupos.”
Quando os pais veem a transformação
Relato — Maria Tereza da Silva Pena (autorizou a divulgação do nome do filho)
Filho: Davi Pena Martins, 6 anos — autista nível 1 de suporte, com altas habilidades.
“Soube do projeto pelo posto de saúde, que divulgou no grupo de WhatsApp. Me interessei porque meu filho, Davi, é autista nível 1 de suporte e tem altas habilidades. O projeto de psicomotricidade ajuda muito na coordenação motora e no desenvolvimento de habilidades físicas e sociais. Desde que começou, ele está super disposto a socializar com crianças e adultos. Já indiquei o projeto para outras mães, porque considero muito importante para o desenvolvimento das crianças. Além disso, as crianças aprendem a ter mais empatia e carinho, entendem que as diferenças as tornam únicas e se tornam mais colaborativas de modo geral. É um processo contínuo, que se faz na rotina diária. Para o meu filho, o MiniMovers é um lugar onde ele encontra profissionais dedicados e competentes, sempre em formação, buscando práticas que contribuem para o seu crescimento.”
Para além do projeto

Quando Siomara fala sobre o futuro, há uma mistura de pragmatismo e sonho. Quer que a UFOP crie uma graduação em psicomotricidade — porque hoje ela é a única psicomotricista em Ouro Preto, a única que consegue fazer esse tipo de trabalho. Quer que a cidade reconheça essa necessidade. Quer expandir. Quer que mais famílias e crianças que passam por aqui saiam com mais que esperança. Saiam sabendo que o corpo tem muito a dizer. Que ser diferente não é ser menos. Que quando você tem especialistas que veem a criança inteira — o motor, o afetivo, o cognitivo — coisas incríveis acontecem.
“As universidades federais estão passando por um processo difícil”, comenta Siomara. “Mas projetos como esse mostram por que elas importam. Por que a gente existe.”
É assim que se faz movimento real — não em discursos, mas em corpos que aprendem a se reconhecer. Em crianças que descobrem que sua forma de estar no mundo, diferente como é, tem valor. Em pais que respiram fundo quando veem a filha brincando. Em monitoras que saem transformadas, carregando responsabilidade e esperança.
Ana Flávia e Renata chegaram ao MiniMovers em busca de formação técnica. Encontraram algo mais — uma vocação que transcende a profissão. Uma compreensão profunda de que educar não é só transmitir conhecimento. É reconhecer. É ver. É criar espaço para que o corpo fale.
