Museu Casa dos Inconfidentes, de dentro pra fora

Restauro e nova expografia inspirada em Cecília Meireles trazem a Vila Aparecida para o centro da narrativa sobre a Conjuração.
Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

Foto: PMOP

Do alto da Vila Aparecida, um sobrado do século XVIII olha Ouro Preto desde outro ângulo. Ali, no Museu Casa dos Inconfidentes, a Prefeitura conduz um restauro que vai além de telha, piso e esquadrias: pretende redesenhar a narrativa de um dos símbolos locais da Conjuração, trazendo a vizinhança para dentro do roteiro. Em entrevista exclusiva ao Vintém, o secretário de Cultura e Turismo, Flávio Malta, antecipa a linha mestra: “A nova expografia é norteada pelo Romanceiro da Inconfidência, da Cecília Meireles, e começa com educação patrimonial durante a obra. A gente quer a comunidade inserida dentro desse espaço.”

A casa — conhecida pela tradição oral como Chácara dos Inconfidentes — pertenceu à família de José Álvares Maciel. A museografia histórica do equipamento já trabalhava o cotidiano do século XVIII; a equipe agora promete discutir o conteúdo com os moradores e reposicionar o museu como lugar de encontro entre passado e bairro.

O que muda na prática

  • Arquitetura: consolidação estrutural (piso, forros, esquadrias) e soluções de conservação compatíveis com o bem.
  • Expografia: roteiros ancorados no Romanceiro (vozes, topografia, cotidiano) e mediação contínua com a vizinhança.
  • Educação patrimonial: oficinas abertas durante a obra, priorizando escolas da Vila Aparecida; construção coletiva de conteúdos e linguagem de visita.
  • Integração de rede: articulação com outros equipamentos locais para formar um circuito de bairro (visadas, trajetos, histórias orais).

A interdição para reforma foi anunciada pela Prefeitura em 25 de agosto de 2025, com investimento previsto de R$ 700 mil.

A aposta no Romanceiro não é gratuita. Cecília Meireles esteve em Ouro Preto e transformou a Conjuração em poema coral, misturando vozes, ritos e topografias. Usar esse texto como chave de leitura é, ao mesmo tempo, poético e político: abre frestas para que a Vila Aparecida apareça — sua vista, sua circulação, sua memória. “Vamos tornar o museu mais acessível; a linguagem será discutida com os moradores”, diz Malta.

Num município acostumado a contar-se a partir da Praça Tiradentes, a Casa dos Inconfidentes reafirma uma tese simples: a história também se escreve do bairro para o centro. A obra corrige fragilidades materiais e, sobretudo, altera o modo de ler o acervo — menos vitrine, mais encontro; menos mito fechado, mais pergunta aberta.

Serviço

  • Endereço: Rua Engenheiro Corrêa, s/n — Vila Aparecida, Ouro Preto (MG).
  • Situação: fechado para restauro com reabertura prevista após a conclusão das obras e montagem expográfica.
  • Foco temático: cotidiano do século XVIII e Conjuração Mineira, com ênfase no vínculo territorial com a Vila Aparecida.
  • Acompanhamento: atualizações nos canais oficiais do município e do museu.
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