Foto: Reprodução das redes sociais | Chiquinho de Assis, secretário municipal de Ouro Preto ao lado do diretor executivo de estratégia, sustentabilidade, administração e finanças da Sicredi
Ouro Preto terá voz própria na COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que acontece em Belém até o dia 21 de novembro. O secretário municipal de Meio Ambiente, Chiquinho de Assis, foi credenciado como delegado na zona azul — posição que dá ao município acesso direto ao núcleo de decisões climáticas globais.
A zona azul é o espaço oficial da COP30 — a área sob gestão direta da ONU onde acontecem as negociações formais entre países, agências internacionais e representantes governamentais. Diferente da zona verde, aberta a eventos paralelos e ao público em geral, o acesso à zona azul é restrito e exige credenciamento da UNFCCC. É ali que se discutem, negociam e redigem os documentos que orientam compromissos e acordos internacionais.
“Ouro Preto é o único município da região que teve um representante escolhido como delegado na zona azul da COP30”, afirmou o secretário. “Me honro de representar nossa cidade e nossa região junto à equipe diplomática do governo federal e da ONU, e estarei lá lutando pelo desenvolvimento sustentável.”
Outros municípios mineiros, como Capitão Enéas, Betim, Contagem, Uberlândia, Brumadinho e Maria da Fé, terão representantes em Belém. Ouro Preto, porém, chega com credencial para acompanhar diretamente o processo formal das negociações.
O que Ouro Preto leva para Belém
A cidade apresenta um conjunto de ações ambientais em andamento. O antigo lixão foi encerrado e a área passa por recuperação. Hoje, os resíduos seguem para aterro licenciado, enquanto a coleta seletiva dobrou de tamanho: de duas para quatro associações ativas — um avanço ainda modesto, mas significativo na escala municipal.
A logística reversa também começa a se consolidar. Pontos de coleta de lâmpadas foram instalados em bairros como Bauxita, Saramenha, Alto da Cruz e Cachoeira do Campo. Pilhas e baterias têm coletores distribuídos pela cidade, e está em estudo, com apoio das secretarias de Saúde e Educação, o descarte adequado de medicamentos vencidos.
“A gente vem trabalhando essa logística reversa, enxergando o resíduo para além do lixo”, explica Chiquinho. “As ações de educação ambiental são fundamentais para incentivar redução, reutilização e reciclagem.”
Ouro Preto conta ainda com o Plano Municipal da Mata Atlântica — instrumento que apenas uma parcela reduzida dos municípios brasileiros possui. Elaborado em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o documento orienta ações de reflorestamento, conservação de nascentes e recuperação de áreas degradadas, e aguarda apreciação na Câmara Municipal.
Em paralelo, avança a elaboração do Plano Climático Municipal, desenvolvido com o ICLEI. Ele prevê diretrizes de mitigação e adaptação às mudanças climáticas de maneira transversal, envolvendo obras, defesa civil, desenvolvimento urbano, agricultura, saúde e economia.
“O plano é capitaneado pela Secretaria de Meio Ambiente, mas depende de diversos setores estratégicos do município”, explica o secretário. “Ele vai orientar o uso do solo de maneira sustentável e a forma correta de exploração dos nossos recursos naturais.”
Outro destaque é o acordo de cooperação técnica na APA da Cachoeira das Andorinhas — território que vai de Soares ao Morro São João, onde nascem as cabeceiras do Rio das Velhas. Segundo Chiquinho, a ação prevê “investimentos vultuosos” com impacto direto na segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O município integra, ainda, seis comitês de bacias hidrográficas (Velhas, Piracicaba, Paraopeba, Piranga, São Francisco e Rio Doce) e participa de consórcios públicos como CINVALP, CODAP, CONSANE e ICLEI.
No controle de queimadas, Ouro Preto opera com brigadas voluntárias e contratadas, Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental e monitoramento por drones. “Quanto mais rápido a gente chega ao primeiro foco, mais rápido age”, ressalta o secretário, lembrando que a prontidão reduz erosão e escorregamentos no período chuvoso.
O peso da representação
Para Chiquinho de Assis, as políticas ambientais só avançam de forma consistente quando articuladas em rede. “A Prefeitura tem ampliado suas parcerias e participações em fóruns de governança”, afirma, citando o ODS 17, que trata de alianças e cooperação. “Isso mostra que Ouro Preto busca financiamento e cooperação técnica para projetos de baixo carbono.”
A COP30 é tradicionalmente um palco de ambição climática, é onde governos anunciam metas e financiamentos, e onde territórios vulneráveis cobram responsabilidades.