Fotos da matéria: Ane Souz
Entre 10 e 12 de novembro, mais de 200 estudantes da rede municipal participaram de uma imersão na Estação Ferroviária de Engenheiro Corrêa. A atividade integrou o Programa Estação de Memória, que busca aproximar as comunidades de seus marcos históricos e fortalecer a educação patrimonial na Região dos Inconfidentes.
Um encontro entre passado e presente

A antiga estação de Engenheiro Corrêa, ponto emblemático da história ferroviária mineira, recebeu alunos de cinco distritos ouro-pretanos para uma jornada de descobertas. O programa, segundo os organizadores, foi pensado para tornar acessível a experiência de contato com o patrimônio, com intérprete de Libras, material em braille e monitores preparados para atender estudantes com diferentes necessidades.
Natural do distrito e atual vice-prefeita, Regina Braga destacou que reconhecer a estação como patrimônio é um primeiro passo para fortalecer a identidade local. Em suas palavras, “para valorizar, é preciso conhecer” — uma lembrança que ecoa no cotidiano do lugar, onde trilhos e memórias ainda se entrelaçam.
Vozes que contam a ferrovia

Os alunos assistiram a um documentário produzido pela Macaca Filmes, que reúne relatos de antigos ferroviários e moradores. As histórias, marcadas por saudade e transformação, ajudaram a contextualizar a importância da ferrovia na formação regional. Depois da exibição, uma visita guiada permitiu que os estudantes conhecessem de perto a estrutura da estação, incluindo os trilhos e a caixa d’água que abastecia a Maria Fumaça — para muitos, um primeiro contato com vestígios físicos dessa história.
Segundo Gilson Martins, diretor da Holofote Cultural e coordenador do projeto, a iniciativa reforça a dimensão social da cultura ao devolver às comunidades o acesso às suas próprias narrativas. Ele descreve a semana como um momento de aprendizagem e emoção para alunos e professores.
Educação patrimonial no álbum de figurinhas
A ação também marcou a entrega do álbum de figurinhas do programa Ouro Preto, o Meu Lugar, que apresenta a trajetória de Engenheiro Corrêa de forma lúdica. De acordo com a diretora da Casa do Professor, Karen Vasconcelos, o material tem ajudado a estimular a curiosidade dos estudantes sobre seus territórios. A secretária adjunta de Educação, Sílvia Teixeira, afirmou que este é o primeiro álbum dedicado a um distrito e que a expectativa é ampliar a coleção para toda a rede.
Professores que acompanharam os alunos destacaram os impactos pedagógicos da atividade. Para Alexandre Cândido Soares, da Escola Doutor Pedrosa, a visita ajudou a revelar um capítulo desconhecido da história local. Já Cláudia Cristina Dias Alcântara, da Escola Benedito Xavier, ressaltou a importância de fortalecer o pertencimento: “Ouro Preto é mais do que a sede, é o conjunto de seus distritos.”
Patrimônio vivo

A realização do Estação de Memória integra o projeto de restauração da estação ferroviária, que vem sendo revalorizada como espaço de memória viva e ponto de convergência entre gerações. A iniciativa conta com patrocínio master da Herculano Mineração, patrocínio da J. Mendes via Lei Rouanet, gestão da Holofote Cultural, apoio da Prefeitura de Ouro Preto e realização do Ministério da Cultura.
Em Engenheiro Corrêa, onde o passado repousa sobre trilhos silenciosos, ações como esta ajudam a renovar o vínculo das comunidades com sua própria história — uma história que segue inspirando o presente.