Quando você pensa em Papai Noel, provavelmente vem à mente um homem branco, barbudo, gordinho e bem-humorado que percorre o mundo distribuindo presentes às crianças no período do Natal. Ainda assim, nem todo mundo que veste o terno vermelho se encaixa nesse estereótipo.
Foi o que Bethany Cockburn, Borbala Csillag e eu descobrimos ao estudar Papais Noéis profissionais. Nosso objetivo foi entender como esses profissionais conseguem “ser” o Papai Noel, mesmo quando não correspondem integralmente à imagem tradicional.
Como explicamos em um artigo a ser publicado na Academy of Management Journal, muita gente que faz esse trabalho não o vê como “apenas um emprego” — é um chamado. Para alguns, parecer e se sentir como Papai Noel é especialmente importante para experimentar um sentido de propósito no trabalho.
Aplicamos questionários a 849 Papais Noéis profissionais de diferentes regiões dos Estados Unidos e entrevistamos 53 deles, coletando dados entre 2018 e 2021. Identificamos três perfis principais: prototípicos (64%), semiprototípicos (23%) e não prototípicos (13%).
Papais Noéis prototípicos “têm o perfil”: são brancos e acima do peso, usam barba natural e demonstram confiança de que se encaixam no papel.
Os semiprototípicos também “têm o visual”, mas sentem que não são totalmente adequados por diferentes razões. Podem ser introvertidos ou usar barba postiça, por exemplo.
Os não prototípicos apresentam características que destoam do estereótipo: podem não ser brancos, ser mulheres ou homens gays, ou ter alguma deficiência física.
Enquanto os prototípicos “escorregam” facilmente para o papel, para os demais o processo é mais complexo.
Os semiprototípicos, por exemplo, criam histórias para contar a si mesmos — e às crianças — a fim de “explicar” a barba postiça. Já os não prototípicos compartilham valores alinhados à imagem do Papai Noel — ser pacífico, amoroso e gentil —, mas ainda assim fazem um grande esforço para parecer o que o público espera ao encontrar um Papai Noel.
“Deveria fazer diferença se você é um Papai Noel judeu ou católico?”, questionou um Papai Noel ateu que chamamos de “Santa Aquila”. “Não. Você é o Papai Noel. O que você faz? Você nem deveria pregar nada.”
Outra Papai Noel, a quem chamamos de “Santa Lynx”, ocultava o fato de ser mulher, em parte usando faixas para achatar o tórax.
Por que isso importa
Embora qualquer pessoa possa vestir a roupa vermelha no amigo secreto do bairro, o Papai Noel que você encontra no shopping provavelmente passou por alguma combinação de “escolas de Papai Noel”, webinars e treinamentos.
Por exemplo, a Charles W. Howard Santa Claus School foi fundada em 1937 e realiza anualmente um curso de formação. Existem também redes nacionais, como a Fraternal Order of Real Bearded Santas, que afirma ter 1.000 membros, e a IBRBS, antes conhecida como International Brotherhood of Real Bearded Santas, que promove encontros e apoio profissional.
Há também organizações locais, como a rede Lone Star Santas, no Texas.
Embora a maioria dos Papais Noéis profissionais receba pagamento, muitos atuam de forma voluntária.
Não é incomum existirem expectativas sobre quem “deveria” ocupar determinadas profissões. Pilotos tendem a ser homens, a maioria dos professores da educação básica é mulher e vendedores costumam ser vistos como extrovertidos.
Mas isso não significa que mulheres não possam pilotar aviões, que homens não possam lecionar ou que introvertidos não possam trabalhar com vendas.
O que vem a seguir
Agora, estou investigando como ambientes institucionais mais amplos, eventos atuais e movimentos sociais moldam a forma como as pessoas vivenciam seus chamados e encontram significado no trabalho.
O Research Brief é um formato curto que destaca pesquisas acadêmicas interessantes.![]()
Christina Hymer, Assistant Professor of Management and Entrepreneurship, University of Tennessee
Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.