O que faz um Papai Noel “de verdade” vem de dentro

Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

Integrantes da Fraternal Order of Real Bearded Santas (Ordem Fraterna dos Papais Noéis de Barba Real) se reúnem no restaurante Pink’s, no parque Knott’s Berry Farm, antes da correria de fim de ano, em 2009. Business Wire via AP
Christina Hymer, University of Tennessee

Quando você pensa em Papai Noel, provavelmente vem à mente um homem branco, barbudo, gordinho e bem-humorado que percorre o mundo distribuindo presentes às crianças no período do Natal. Ainda assim, nem todo mundo que veste o terno vermelho se encaixa nesse estereótipo.

Foi o que Bethany Cockburn, Borbala Csillag e eu descobrimos ao estudar Papais Noéis profissionais. Nosso objetivo foi entender como esses profissionais conseguem “ser” o Papai Noel, mesmo quando não correspondem integralmente à imagem tradicional.

Como explicamos em um artigo a ser publicado na Academy of Management Journal, muita gente que faz esse trabalho não o vê como “apenas um emprego” — é um chamado. Para alguns, parecer e se sentir como Papai Noel é especialmente importante para experimentar um sentido de propósito no trabalho.

Aplicamos questionários a 849 Papais Noéis profissionais de diferentes regiões dos Estados Unidos e entrevistamos 53 deles, coletando dados entre 2018 e 2021. Identificamos três perfis principais: prototípicos (64%), semiprototípicos (23%) e não prototípicos (13%).

Papais Noéis prototípicos “têm o perfil”: são brancos e acima do peso, usam barba natural e demonstram confiança de que se encaixam no papel.

Os semiprototípicos também “têm o visual”, mas sentem que não são totalmente adequados por diferentes razões. Podem ser introvertidos ou usar barba postiça, por exemplo.

Os não prototípicos apresentam características que destoam do estereótipo: podem não ser brancos, ser mulheres ou homens gays, ou ter alguma deficiência física.

Homem vestido de Papai Noel segura um cachorro no colo.
Muitos Papais Noéis, remunerados ou voluntários, enxergam a atuação como um chamado. Foto de Gwyn Sussman

Enquanto os prototípicos “escorregam” facilmente para o papel, para os demais o processo é mais complexo.

Os semiprototípicos, por exemplo, criam histórias para contar a si mesmos — e às crianças — a fim de “explicar” a barba postiça. Já os não prototípicos compartilham valores alinhados à imagem do Papai Noel — ser pacífico, amoroso e gentil —, mas ainda assim fazem um grande esforço para parecer o que o público espera ao encontrar um Papai Noel.

“Deveria fazer diferença se você é um Papai Noel judeu ou católico?”, questionou um Papai Noel ateu que chamamos de “Santa Aquila”. “Não. Você é o Papai Noel. O que você faz? Você nem deveria pregar nada.”

Outra Papai Noel, a quem chamamos de “Santa Lynx”, ocultava o fato de ser mulher, em parte usando faixas para achatar o tórax.

Por que isso importa

Embora qualquer pessoa possa vestir a roupa vermelha no amigo secreto do bairro, o Papai Noel que você encontra no shopping provavelmente passou por alguma combinação de “escolas de Papai Noel”, webinars e treinamentos.

Por exemplo, a Charles W. Howard Santa Claus School foi fundada em 1937 e realiza anualmente um curso de formação. Existem também redes nacionais, como a Fraternal Order of Real Bearded Santas, que afirma ter 1.000 membros, e a IBRBS, antes conhecida como International Brotherhood of Real Bearded Santas, que promove encontros e apoio profissional.

Um homem vestido de Papai Noel, com barba grisalha, sorri em clima festivo.
O ator B.J. Averell, vestido de Papai Noel, participa de campanha de arrecadação de brinquedos para famílias em dificuldade na área da baía de São Francisco, em Burlingame (Califórnia), em dezembro de 2024. Tayfun Coskun/Anadolu via Getty Images

Há também organizações locais, como a rede Lone Star Santas, no Texas.

Embora a maioria dos Papais Noéis profissionais receba pagamento, muitos atuam de forma voluntária.

Não é incomum existirem expectativas sobre quem “deveria” ocupar determinadas profissões. Pilotos tendem a ser homens, a maioria dos professores da educação básica é mulher e vendedores costumam ser vistos como extrovertidos.

Mas isso não significa que mulheres não possam pilotar aviões, que homens não possam lecionar ou que introvertidos não possam trabalhar com vendas.

O que vem a seguir

Agora, estou investigando como ambientes institucionais mais amplos, eventos atuais e movimentos sociais moldam a forma como as pessoas vivenciam seus chamados e encontram significado no trabalho.

O Research Brief é um formato curto que destaca pesquisas acadêmicas interessantes.The Conversation

Christina Hymer, Assistant Professor of Management and Entrepreneurship, University of Tennessee

Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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