Eduardo Tropia, o fotógrafo que escreveu Ouro Preto com a luz

Por mais de meio século, seu olhar construiu uma memória sensível da cidade.
Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

Morreu Eduardo Tropia, fotógrafo que dedicou mais de 50 anos à arte de capturar Ouro Preto através da luz. Natural de Pedro Leopoldo, Tropia mudou-se para Ouro Preto ainda criança e construiu carreira que transita entre o fotojornalismo, a fotografia autoral e a arte fine art, deixando registros que se confundem com a própria memória visual da cidade histórica.

Filho do fotógrafo Milton Tropia, Eduardo cresceu entre a sala escura de revelação, o cinema da família e a janela da Casa Alphonsus, na rua São José — endereço que se tornaria, décadas depois, sua galeria permanente. Foi ali, onde viveu o poeta Alphonsus de Guimarães, que Tropia instalou seu espaço de exposição, dividindo paredes com trabalhos artesanais da família, como o tradicional Licor Caseiro de Jabuticaba.

Da sala escura aos grandes veículos

Eduardo Tropia começou a trabalhar com o pai no início da década de 1980, iniciando-se na fotografia que abraçaria por toda a vida. No final dessa década, mudou-se para Belo Horizonte e passou a atuar para agências de publicidade da capital mineira e de todo o Brasil.

Como fotojornalista, foi repórter fotográfico da revista IstoÉ e do Jornal O Tempo. Seus trabalhos freelancer alcançaram publicações de peso internacional: Los Angeles Time Magazine, National Geographic e Casa Cláudia. A trajetória profissional unia técnica publicitária, olhar jornalístico e sensibilidade artística — combinação que marcaria toda sua produção.

Olhar autoral e reconhecimento internacional

A fotografia autoral ganhou força quando Tropia integrou o Coletivo Olho de Vidro, há 19 anos. Ali, encontrou caminho para produções finalizadas em fine art que o projetaram além das fronteiras mineiras.

A série “Murus” participou de oito exposições em galerias de Minas Gerais e São Paulo entre 2015 e 2016. Mas foi “Barroco Liberto” que levou seu nome ao cenário internacional: a obra “Barroco x Chinesice” foi selecionada para a 6th Jinan International Photography, bienal de fotografia na China, compondo exposição coletiva com fotógrafos do mundo inteiro.

Paralelamente, na Grande Galeria Casa dos Contos, em Ouro Preto, realizou exposição retrospectiva celebrando 45 anos de profissão. A série “Barroco Liberto” também esteve exposta no Museu de Sant’Ana, em Tiradentes, entre 2016 e 2017.

Memória visual de Ouro Preto

Eduardo Tropia produziu exposições que se tornaram registro documental da cultura ouro-pretana: “Memória dos Festivais de Inverno Ouro Preto e Mariana”, “Ouro Preto Jazz Tudo é Jazz” e “Ruas de Minha Vida” — esta última levada também para Lagos, Portugal, durante o Cineport 2006.

Em Belo Horizonte e São Paulo, assinou a exposição “E nós que nem sabemos”. Apresentou trabalhos na Casa Cor Minas em 2012 e 2013, e integrou a exposição “Minas Território das Artes”, no Palácio das Artes, em maio de 2014.

Em 2016, participou do documentário “Profissão Fotógrafo”, produzido pela Estação Mídia Filmes e estreado em Belo Horizonte, dividindo tela com mais de 20 fotógrafos mineiros.

Sua obra mais recente, a série “Três Movimentos”, está exposta em 2026 na Galeria de Arte José Alberto Pinheiro, no restaurante O Passo Pizzajazz, em Ouro Preto.

Legado permanente na Casa Alphonsus

A galeria fine art permanente de Eduardo Tropia funciona na Casa Alphonsus (rua São José, 156), imóvel histórico onde viveu o poeta simbolista Alphonsus de Guimarães. O espaço reúne fotografias autorais do artista e trabalhos artesanais produzidos pela família, como o Licor Caseiro de Jabuticaba — receita dos avós repetida hoje por duas irmãs.

A escolha do endereço não era casual: ali estava a janela de onde Tropia olhou Ouro Preto durante grande parte da vida, transformando ladeiras, igrejas barrocas e o cotidiano da cidade histórica em linguagem visual que atravessou gerações.

Eduardo Tropia viveu a arte intensamente. E, por mais de 50 anos, escreveu Ouro Preto lindamente com a luz.

Velório:
📅 Sábado, 8 de fevereiro de 2026: 11h às 16h
📅 Domingo, 9 de fevereiro de 2026: 8h às 10h
📍 Capela Velório de Ouro Preto (próximo à rodoviária e à Igreja de São Francisco de Paula)

Enterro:
📅 Domingo, 9 de fevereiro de 2026
⏰ 10h
📍 Igreja de São José, Ouro Preto/MG

Galeria permanente:
Casa Alphonsus
📍 Rua São José, 156 – Centro Histórico, Ouro Preto/MG

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