A Samarco divulgou nesta sexta-feira, 8 de maio, os resultados do primeiro trimestre de 2026. A empresa produziu 3,8 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro entre janeiro e março — crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas somaram 3,2 milhões de toneladas, alta de 12% na comparação anual. O preço médio realizado de pelotas foi de US$ 130,3 por tonelada.
A Samarco é a joint venture entre Vale e BHP Billiton responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. O desastre lançou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos pelo Rio Doce, atingiu centenas de comunidades nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo e matou 19 pessoas. A empresa foi interditada após o acidente e retomou operações em 2020. Os resultados do primeiro trimestre refletem o processo gradual de recuperação da capacidade produtiva — a empresa opera atualmente com cerca de 60% do que tinha antes do rompimento.
Para chegar a 100% da capacidade instalada, a Samarco projeta investimentos de R$ 13,8 bilhões no chamado “Momento 3”, que contempla a reativação de ativos no Complexo de Germano, em Mariana, e na unidade de pelotização de Ubu, no Espírito Santo. A expectativa é atingir a plena capacidade a partir de 2028. O processo, segundo a empresa, é ancorado em soluções de disposição de rejeitos sem uso de barragens convencionais.
Em 2025, a Samarco produziu 15,1 milhões de toneladas, com receita líquida de US$ 1,9 bilhão e EBITDA ajustado de US$ 1,1 bilhão. O resultado do primeiro trimestre de 2026 foi apresentado em live com investidores pelo presidente Rodrigo Vilela e pelo diretor financeiro Gustavo Selayzim. A empresa afirma manter conformidade com o Padrão Global da Indústria sobre Gerenciamento de Rejeitos em todas as suas estruturas.
O Novo Acordo do Rio Doce — firmado em 2021 entre Samarco, Vale, BHP Billiton, governo federal, estados de Minas Gerais e Espírito Santo e representantes dos atingidos — prevê R$ 170 bilhões em reparação ao longo de décadas. Comunidades de Mariana ainda aguardam a conclusão de processos de indenização e reassentamento.