Milhões de pessoas são portadoras da bactéria causadora da tuberculose sem saber

No Dia Mundial da Tuberculose, especialista lembra que doença não é coisa do passado e continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no mundo, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade na África, Ásia e América Latina. New Africa/shutterstock Luis Felipe Reyes, Universidad de La Sabana Todo dia 24 de março se comemora o Dia Mundial da Tuberculose. E, no entanto, é uma data que passa quase despercebida, talvez porque muitos a vejam como uma doença do passado. Algo distante, associado a outra época, a romances ou a contextos muito específicos. Mas a realidade é muito menos confortável: a tuberculose continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no mundo. E, surpreendentemente, coexiste silenciosamente com muitos de nós. Uma bactéria que vive em milhões de pessoas Estima-se que uma em cada quatro pessoas no planeta tenha em seu organismo a bactéria causadora da tuberculose. Sim, uma em cada quatro. Na maioria dos casos, esse microrganismo (Mycobacterium tuberculosis) permanece “adormecido”. Não causa sintomas, não é facilmente detectada e não gera doença. É o que se conhece como infecção latente. Mas essa aparente tranquilidade é enganosa. Em determinadas circunstâncias — por exemplo, quando o sistema imune fica enfraquecido —, a bactéria pode se ativar e provocar uma doença que afeta principalmente os pulmões, mas que também pode comprometer outros órgãos. Isso significa que a tuberculose não é apenas um problema para quem adoece: é uma infecção amplamente disseminada, uma espécie de “reserva silenciosa” global que pode se reativar a qualquer momento. Problema global, e profundamente desigual Em 2021, foram registrados cerca de 9,4 milhões de novos casos de tuberculose e ocorreram 1,35 milhão de mortes causadas por essa doença no mundo. São números impressionantes, mas que, por si sós, não contam toda a história. O mais importante é como eles se distribuem. A tuberculose não afeta a todos da mesma forma. Em muitos países de renda alta, a incidência da doença tem diminuído de forma sustentada nas últimas décadas. É pouco frequente, geralmente é diagnosticada precocemente e o tratamento está disponível. Por outro lado, em regiões da África, Ásia e América Latina, continua sendo uma realidade cotidiana. Nesses locais, fatores como superlotação, pobreza, desnutrição ou acesso limitado aos serviços de saúde favorecem a transmissão e a progressão da doença. Em outras palavras, a tuberculose não é apenas uma infecção: é também um reflexo das desigualdades globais. Avanços reais, mas muito lentos Seria injusto dizer que não houve progresso: houve, e é importante reconhecê-lo. Desde a década de 1990, a incidência e a mortalidade por tuberculose diminuíram globalmente. A expansão dos programas de controle, o acesso a tratamentos eficazes e o fortalecimento dos sistemas de vigilância contribuíram para esses avanços. O ritmo de melhoria, no entanto, não é suficiente. A Organização Mundial da Saúde OMS) estabeleceu metas ambiciosas na estratégia “End TB”, com objetivos intermediários para 2020. Entre eles, reduzir a incidência em 20% e a mortalidade em 35% em relação a 2015. Mas o mundo não atingiu essas metas. Entre 2015 e 2020, a incidência global de tuberculose diminuiu apenas 6,3% e a mortalidade, 11,9%. Estamos avançando, mas muito mais lentamente do que o necessário. Se mantivermos esse ritmo, será muito difícil atingir as metas estabelecidas para 2035. Nem todos avançam no mesmo ritmo Além disso, o progresso tem sido desigual. Alguns países alcançaram avanços notáveis, graças a estratégias inovadoras como a busca ativa de casos, o uso de tecnologias mais rápidas de diagnóstico ou programas de apoio social para garantir que os pacientes concluam o tratamento. Mas esses exemplos continuam sendo a exceção, não a regra. Também há diferenças entre as populações. Por exemplo, dados mostram que os avanços têm sido mais rápidos em crianças, mas lentos em idosos, que correm maior risco de morrer de tuberculose. Isso é relevante porque a população mundial está envelhecendo rapidamente e porque, se não forem adotadas estratégias de controle, esse grupo poderá se tornar um foco crescente da doença. Fatores que continuam a impulsionar a doença Parte do desafio reside no fato de que a tuberculose não depende apenas da bactéria, mas também de fatores que aumentam o risco de desenvolvê-la. Entre eles destacam-se o tabagismo, o consumo de álcool e o diabetes. De fato, estimativas recentes sugerem que uma proporção significativa das mortes por tuberculose poderia ser evitada se esses fatores fossem reduzidos. Isso reforça a ideia de que a doença não pode ser abordada de forma isolada: requer uma abordagem integral que combine intervenções médicas, sociais e de saúde pública. A este cenário soma-se um problema ainda mais preocupante: a tuberculose resistente aos antibióticos. O tratamento padrão é longo e complexo, e exige adesão estrita. Quando esses tratamentos não são concluídos adequadamente, ou quando os sistemas de saúde não garantem o acesso contínuo aos medicamentos, podem surgir cepas resistentes. Essas formas de tuberculose são muito mais difíceis de tratar: exigem terapias mais prolongadas, mais caras e com mais efeitos adversos. E o mais preocupante é que já estão presentes em várias regiões do mundo. O desafio de implementar o conhecimento de forma equitativa Além dos números, a tuberculose nos fala de algo mais profundo: fala de desigualdade, de sistemas de saúde que nem sempre chegam àqueles que mais precisam, de condições de vida que facilitam a transmissão de doenças que podemos prevenir. Mas também nos fala de oportunidades. A tuberculose pode ser prevenida. É diagnosticável e tratável. Sabemos o que funciona e como reduzir seu impacto. O problema não é a falta de conhecimento, é a falta de implementação equitativa desse conhecimento. Reduzir seu impacto na América Latina, especialmente nas populações mais vulneráveis da região, exige uma resposta global coordenada, equitativa e ambiciosa. As doenças que acreditamos estarem distantes costumam ser as que mais nos surpreendem quando reaparecem. Luis Felipe Reyes, Profesor de muy alto prestigio en Enfermedades Infecciosas, Universidad de La Sabana This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Por que o BRICS ainda não se manifestou sobre a guerra contra o Irã?

Luis Gouveia Junior, Universidade de Coimbra Semanas após o Irã ser atacado numa clara violação do direito internacional, o BRICS permanece em silêncio. Essa falta de posicionamento enquanto grupo é ainda mais significativa pelo Irã ser Estado-membro do BRICS desde 2023. No ano passado, durante a Guerra dos Doze Dias, o grupo emitiu uma declaração em que criticava os ataques de Israel e dos EUA contra o território iraniano. Em suas reuniões de cúpula, o BRICS sempre declarou apoio ao direito internacional, defendendo que intervenções estrangeiras devem estar sob autorização do Conselho de Segurança da ONU. Como explicar, então, que um grupo que defende o direito internacional e surgiu para restringir a hegemonia norte-americana ainda não tenha emitido uma declaração conjunta sobre os ataques sofridos pelo Irã, membro desta organização? A resposta a essa pergunta passa por compreender como o BRICS funciona e seu processo de expansão. O BRICS funciona por consenso. Sem aprovação de todos os seus Estados-membros, o bloco não se posiciona. Conversações lideradas pela Índia, detentora da presidência do grupo, estão sendo realizadas na busca por uma declaração conjunta sobre os ataques sofridos pelo Irã. Relação direta de alguns membros com o conflito O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores indiano, Randhir Jaiswal, afirmou recentemente que seu país está tentando obter essa declaração, mas tem encontrado dificuldade devido à relação direta que alguns membros do BRICS têm com o conflito. Essa relação passa diretamente pelo processo de expansão do grupo. Em 2023, o BRICS anunciou um processo de expansão com o ingresso de novos membros, incluindo o Irã, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e a Arábia Saudita. Esse processo de expansão não foi consensual no grupo. Por anos, a China tentou aumentar o número de Estados-membros, mas enfrentou resistência principalmente do Brasil e da Índia. Os dois países temiam perder influência no grupo e, principalmente, que se tornaria mais difícil obter consenso sobre questões que consideram cruciais, tais como a reforma no Conselho de Segurança da ONU. Após anos de negociações, em 2023, a Índia cedeu e passou a aceitar a expansão. O Brasil seguiu a maioria. Se o BRICS já tinha rivalidades internas (Índia e China têm conflitos territoriais na região dos Himalaias), os países escolhidos para integrar o grupo aumentaram ainda mais o número de rivalidades entre os membros. Irã, EAU e Arábia Saudita têm históricos conflitos que remetem não apenas à distinção entre sunitas (Arábia Saudita e EAU) e xiitas (Irã), mas também às disputas por liderança regional. No Iêmen, por exemplo, o Irã apoia os Houtis, enquanto os sauditas apoiaram grupos ligados ao antigo governo de Abedrabbo Mansour Hadi, expulso de Sanaa em 2015. No ano passado, o Irã foi atacado por Israel e pelos Estados Unidos, sem retaliar contra os seus vizinhos, o que permitiu a declaração do BRICS criticando os ataques ocidentais. Desta vez, a retaliação iraniana atingiu o território dos EAU e da Arábia Saudita. Enquanto a Arábia Saudita ainda não formalizou a adesão ao bloco e, por isso, é considerada um “país membro convidado”, os EAU são membros plenos do grupo, assim como o Irã. Por funcionar por consenso, para haver uma declaração conjunta do grupo, é preciso encontrar um texto com o qual o Irã e os EAU concordem, o que não será fácil. Caso contrário, o silêncio perdurará. Crescente proximidade da Índia com Israel Se já não bastasse a dificuldade de encontrar convergências entre os seus membros muçulmanos, o BRICS também enfrenta outra dificuldade: a crescente proximidade da Índia com Israel. Por décadas, nenhum primeiro-ministro indiano visitou Israel. Desde Jawaharlal Nehru, primeiro primeiro-ministro do país, a Índia era uma forte defensora da causa palestina. O país votou contra a partilha da Palestina na ONU em 1947 e só normalizando suas relações com Israel nos anos 90. Isso tem mudado desde que Narendra Modi assumiu o poder em 2014. O atual primeiro-ministro indiano, o primeiro a visitar Israel em 2017, defende uma ideologia hindu nacionalista que o aproxima da extrema-direita israelita. Ideologicamente próximo de Benjamin Netanyahu, Modi visitou Israel nos dias 25 e 26 de fevereiro, pouco antes dos ataques ao Irã. Nesta visita, ao mencionar os ataques de 7 de outubro, afirmou: “A Índia está ao lado de Israel, firmemente, com plena convicção, neste momento e além.” Por presidir o BRICS em 2026, cabe à Índia buscar uma posição conjunta do grupo. Devido à aproximação com Israel, dificilmente Modi medirá grandes esforços para obter uma declaração conjunta muito crítica a Israel e aos EUA. Da mesma forma, o Irã e seus aliados no bloco, como a Rússia, dificilmente aceitarão uma declaração que critique a retaliação iraniana. Por isso, o BRICS tem hoje um impasse: o processo de expansão dificultou o alcance de consensos, como o Brasil temia, e o governo indiano é cada vez mais um ator desalinhado em relação a algumas posições dos demais membros do BRICS. Porém, sendo difícil encontrar consensos, o bloco se arrisca a deixar de se posicionar sobre temas fraturantes. Sem posicionamentos políticos, o risco do BRICS perder relevância internacional é real. Luis Gouveia Junior, PhD Candidate in International Relations, Universidade de Coimbra This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Domingo de Páscoa em Ouro Preto: O Triunfo da Luz sobre as sombras

Ouro Preto desperta neste domingo, 05 de abril, sob um novo manto. O silêncio e o luto da Sexta-feira da Paixão dão lugar ao júbilo da Ressurreição. As ladeiras, antes percorridas por procissões penitenciais, agora ostentam quilômetros de tapetes devocionais feitos de serragem colorida e flores, preparando o caminho para a passagem do Cristo Vivo. A festividade começa cedo, às 07h, com a Santa Missa na Basílica do Pilar, seguida pela jubilosa Procissão da Ressurreição. O cortejo conduz o Santíssimo Sacramento até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, acompanhado por anjinhos, irmandades e ordens terceiras. O som das matracas é substituído pelas marchas festivas da Sociedade Musical Senhor Bom Jesus de Matosinhos, simbolizando a vitória definitiva da vida sobre a morte . O fato principal deste dia é a figura de Nossa Senhora do Triunfo. Diferente da Virgem Dolorosa que acompanhou o enterro do filho, a Mãe resplandece agora em cores claras, participando plenamente da vitória de Cristo. Para a comunidade católica de Ouro Preto, Maria é o sinal seguro de esperança, a luz que dissipa as trevas e conduz os fiéis à certeza de que a fé sempre vence . O encerramento oficial da Semana Santa 2026 ocorre à noite, com uma solenidade de rara beleza. Às 19h, na Basílica do Pilar, será celebrada a Missa Solene Cantada, com a participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e da Orquestra Pe. Simões. O ponto alto será a Coroação de Nossa Senhora do Triunfo, seguida pelo Solene Canto do Te Deum — um hino de louvor e ação de graças que remonta aos primeiros séculos do cristianismo e que, em Ouro Preto, ganha a grandiosidade das composições coloniais .
Sexta-feira da Paixão em Ouro Preto: O drama barroco que silencia as ladeiras

Foto: Ane Souz Ouro Preto amanhece em silêncio nesta Sexta-feira da Paixão, mas é um silêncio preenchido pela memória e pela música. O dia, que é o coração do Tríduo Pascal, é marcado por ritos que transformam a cidade em um imenso cenário de luto e devoção, onde a arte barroca e a liturgia se fundem para narrar o sacrifício de Cristo. A jornada penitencial começa cedo, às 06h, com a caminhada que parte da Capela de São Cristóvão em direção à Capela do Senhor do Bom Fim e Agonia. É o prelúdio de um dia de intenso simbolismo. Às 09h, na Basílica do Pilar, ocorre o Sermão das Sete Palavras, um dos momentos mais aguardados. As últimas frases de Jesus na cruz são intercaladas por composições dolentes executadas pelo Coral Francisco Gomes da Rocha e pela Orquestra Pe. Simões, mantendo viva a tradição das orquestras coloniais que definem a sonoridade mineira . O fato principal da tarde é a Solene Ação Litúrgica, às 15h, horário que a tradição cristã marca como a morte de Jesus. Na Basílica do Pilar, o rito inclui a veneração da Santa Cruz e o Canto dos Impropérios, executado pelo Coral Sant’Ana. Os Impropérios são lamentos em que Cristo questiona a ingratidão do povo, um momento de profunda introspecção litúrgica . Celebrações semelhantes ocorrem simultaneamente na Igreja de São Francisco de Paula e na Capela de São Sebastião, espalhando o clima de oração por diferentes bairros. O ápice do drama ocorre ao cair da noite. Às 20h, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o Sermão do Descendimento da Cruz reúne milhares de fiéis. Após a apresentação do figurado bíblico, a imagem do Senhor Morto é retirada da cruz em um rito de forte carga teatral e emocional. Em seguida, inicia-se a Procissão do Enterro, que conduz as imagens do Senhor Morto e da Virgem Dolorosa até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição .
Quinta-feira Santa em Ouro Preto: O rito que não termina e o silêncio que ocupa as Igrejas

Foto: Ane Souz Quem participa da Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Pilar ou na Matriz da Conceição, em Ouro Preto, pode estranhar o encerramento. Diferente de todas as outras celebrações do ano, não há o “Ide em paz” nem a bênção final do sacerdote. O povo se retira em silêncio, enquanto as igrejas, antes adornadas, são despidas de suas toalhas e ornamentos. Esse gesto litúrgico, conhecido como a Desnudação dos Altares, marca o início do período mais sagrado do calendário cristão: o Tríduo Pascal. O fato principal desta celebração é a continuidade do rito. A ausência da bênção final sinaliza que a missa da Quinta-feira Santa, a celebração da Paixão na Sexta-feira e a Vigília Pascal no Sábado são, na verdade, uma única e longa liturgia que se estende por três dias . Em Ouro Preto, essa transição é vivida com uma intensidade que remonta ao século XVIII, onde o som dos sinos é substituído pelo lamento das matracas, instrumentos de madeira que produzem um som seco e fúnebre. O desdobramento desse rito ocorre logo após a comunhão, com a Trasladação do Santíssimo Sacramento. O pão consagrado é levado em procissão interna para um altar lateral, simbolizando a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. É nesse momento que as igrejas barrocas de Ouro Preto revelam sua face mais austera. Os altares são despojados de tudo o que os embeleza, um gesto que a liturgia chama de “jejum dos olhos”, convidando o fiel a focar exclusivamente no sacrifício de Cristo . Nas ladeiras da cidade, o silêncio das naves encontra o fogo das tochas. A Procissão do Fogaréu, retomada recentemente após décadas de interrupção, encena a prisão de Jesus. À luz de archotes e ao som de tambores, o rito medieval percorre as ruas de pedra, reforçando a atmosfera de vigília que toma conta da antiga Vila Rica . Para os moradores e visitantes, a Quinta-feira Santa não termina com o fim da missa, mas se transforma em uma noite de guarda e oração. A segurança jurídica e o rigor histórico desta cobertura baseiam-se nas orientações litúrgicas da Igreja Católica e na tradição oral e documental das paróquias locais. Como destaca o Guia Editorial do Vintém, é essencial registrar que, embora a festa seja pública, o recolhimento é a tônica do momento. A ausência da bênção é, portanto, o convite final para que o fiel permaneça em estado de celebração até a alegria da ressurreição no domingo. Programação desta quinta-feira santa 17h – Santa Missa Solene Cantada “In Coena Domini” (da Ceia do Senhor) na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, com participação do Coral Cristo Rei.Transladação do Santíssimo Sacramento para a Capela do Senhor do Bom Fim, onde permanecerá em adoração até as 24h, e desnudação dos altares da Basílica.No mesmo horário, haverá Santa Missa na Igreja de São Francisco de Paula, com participação do Coral Pequenos Cantores de Sant’Ana, e na Capela de São Sebastião. 20h30 – Em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, piedoso sermão do Mandatum, seguido da comovente recordação do ato em que Jesus lava os pés dos seus discípulos. Participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e Orquestra Pe. Simões. Na noite de Quinta-feira Santa, ou das Endoenças, como era chamada, segundo relatos históricos, acontecia uma procissão que saía da Capela de Sant’Ana, na Santa Casa de Misericórdia para a Matriz do Pilar, onde tomavam consigo a imagem do Cristo e conduziam-na até a Matriz de Antônio Dias. Essa procissão, que era chamada de fogaréu em razão das tochas que os irmãos levavam acesas, revive a cena da prisão do Senhor, no Horto das Oliveiras, depois de haver ceado com seus apóstolos e sua condução ao julgamento. 23h – Concentração no adro da Igreja de São Francisco de Assis, de onde os fiéis sairão em cortejo processional pelas ruas do Centro Histórico, onde tomarão a imagem do Senhor Aprisionado, e continuarão em procissão, ao som das matracas, até o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição.
Madrugar não te fará mais rico, e pode prejudicar sua saúde

Alfredo Rodríguez Muñoz, Universidad Complutense de Madrid Nas redes sociais e nos livros de autoajuda, uma ideia sedutora se repete. Pertencer ao chamado “clube das 5 da manhã”, acordando a essa hora, é o primeiro passo para o sucesso. Esse hábito promete mais produtividade, mais autocontrole e, quase por extensão, uma vida melhor. Tim Cook, CEO da Apple, é conhecido por começar seu dia de madrugada, e o ator Mark Wahlberg popularizou rotinas extremas nas quais afirmava acordar às 2h30 para treinar. A conclusão implícita parece clara: se você quer ter sucesso, precisa ganhar horas ao Sol. Mas quando analisamos o que dizem as pesquisas sobre sono e desempenho, a mensagem é muito menos épica. Para muitas pessoas, forçar o despertar matinal não é uma receita para o sucesso, mas sim para um pior desempenho, decisões mais impulsivas e o acúmulo de uma dívida de saúde que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser paga. Nem todos temos o mesmo relógio interno Existem diferenças individuais estáveis nos chamados cronotipos. Algumas pessoas são mais “madrugadoras” e se ativam cedo, enquanto outras são mais “noturnas” e têm melhor desempenho à tarde ou à noite. Essas diferenças não são um capricho nem uma questão de disciplina, mas em parte biológicas e genéticas. Além disso, o cronotipo não é totalmente fixo: ao longo da vida, tendemos, gradualmente, a nos tornar um pouco mais matinais. A adolescência costuma ser a fase mais noturna, enquanto na idade adulta o relógio interno se desloca lentamente para horários mais cedo. Mas essa mudança é progressiva, não voluntária, e não pode ser acelerada simplesmente com força de vontade. Tentar transformar uma coruja em uma cotovia da noite para o dia, no entanto, é, na melhor das hipóteses, ineficiente e, na pior, um choque frontal com nossa fisiologia: o corpo pode estar fora da cama, mas o cérebro continua funcionando no “modo noturno”. Quando forçamos nossa agenda a colidir com nosso relógio interno, entramos em um estado de jet lag social. Esse fenômeno não é simplesmente estar cansado: é viver em uma desfasagem crônica, em que a biologia interna e as exigências externas operam em fusos horários diferentes. Esse desequilíbrio estressa nossa fisiologia constantemente. Como resultado, altera a regulação metabólica, disparando a resistência à insulina e elevando o risco cardiovascular. A verdadeira armadilha: reduzir o sono O segundo grande risco do clube das 5 não é madrugar em si, mas o que isso geralmente implica: reduzir as horas de sono. A maioria dos adultos precisa de sete a nove horas de descanso para um funcionamento ideal. Mas muitas pessoas adotam essas rotinas extremas sem se deitar mais cedo; simplesmente dormem menos. No ecossistema dos gurus da produtividade, frases reveladoras como “dormir é coisa de pobre” se popularizaram, como se o descanso fosse um defeito moral e não uma necessidade biológica. O sono, na verdade, não é um tempo improdutivo, mas um processo ativo de recuperação. Durante a noite, o cérebro consolida a memória, regula as emoções, restaura o sistema imune e mantém o equilíbrio metabólico. Quando o descanso é reduzido de forma crônica, aumentam a fadiga, a irritabilidade e o risco de problemas de saúde mental. Também se deterioram a atenção e o desempenho cognitivo. Além disso, dormir menos não significa apenas dormir um pouco pior. A arquitetura do sono funciona em ciclos, e as fases finais desempenham uma função crítica: integrar experiências, processar a carga emocional e afinar o julgamento. Quando adiantamos sistematicamente o despertador, não apenas reduzimos o descanso total, mas sacrificamos a parte que mais contribui para a lucidez. Aqui surge um dos mitos mais persistentes: confundir mais horas acordado com mais produtividade. Um cérebro privado de sono pode responder e-mails logo pela manhã, sim, mas funciona com menos controle executivo, mais impulsividade e pior capacidade de planejar, avaliar riscos e liderar com empatia. Dormir menos para trabalhar mais é como dirigir um carro cada vez mais rápido depois de ter tirado os freios. Talvez se avance, mas o custo chega na próxima curva. A cultura da fadiga não é uma medalha O fenômeno do madrugar extremo se encaixa em algo mais amplo: a glorificação da exaustão como símbolo de comprometimento. Durante anos, em muitas organizações, premiou-se implicitamente quem se gabava de dormir pouco ou de estar sempre disponível. A evidência é clara: líderes fatigados não são heróis estoicos. Eles tendem a ser vistos como mais irritáveis, menos carismáticos e menos capazes de se conectar emocionalmente com suas equipes. Além disso, o discurso das “manhãs milagrosas” costuma ignorar as condições reais de vida. Nem todo mundo pode se dar ao luxo de acordar cedo para meditar, ler ou treinar em silêncio. Para muitas pessoas, acordar cedo significa simplesmente adicionar mais uma hora de cansaço a dias já longos, com trabalhos exigentes e responsabilidades de cuidados. Nada disso significa que acordar cedo seja negativo para todos. Há pessoas que se sentem bem acordando cedo e dormem o suficiente ao fazê-lo. O problema surge quando isso é vendido como uma receita universal e a diversidade biológica é ignorada. A ciência do sono é menos épica do que os gurus da produtividade apregoam, mas muito mais útil. O que importa não é acordar antes dos outros, mas dormir o necessário e de forma regular. Talvez a verdadeira vantagem competitiva não seja ganhar horas ao Sol, mas começar o dia com um cérebro realmente descansado. Porque o sucesso não começa às cinco da manhã. Começa quando deixamos de viver permanentemente cansados. Alfredo Rodríguez Muñoz, Catedrático de Psicología Social y de las Organizaciones, Universidad Complutense de Madrid This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
BDMG oferece crédito com taxa reduzida para mulheres empreendedoras e produtoras rurais de Minas até 31 de março

BDMG crédito mulheres empreendedoras | Vintém Serviço público · Economia Linha de crédito do banco estadual está com condições especiais durante o mês de março, com juros mais baixos, até 12 meses de carência e consultoria gratuita do Sebrae para quem contratar até o fim do mês Jiljana Isidoro · Vintém · 13 de março de 2026 O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) está com linha de crédito especial para mulheres empreendedoras ativa durante o mês de março, com taxa promocional de 0,33% ao mês mais a Selic — abaixo das condições habituais. O prazo de pagamento é de até 48 meses, com 12 meses de carência. A contratação pode ser feita de forma digital, pelo site do BDMG, até o dia 31 de março. Também inédita neste ano, a redução de taxas de março foi estendida às mulheres produtoras rurais, por meio da linha BDMG Agro Repasse, operada pelas cooperativas de crédito parceiras do banco. 💳 Como contratar — BDMG Mulher Empreendedora ⚠️ Prazo: até 31 de março de 2026 Taxa 0,33% ao mês + Selic (taxa promocional de março) Pagamento Até 48 meses, com 12 meses de carência Requisito Empresa com participação societária feminina igual ou superior a 50% do capital social, há mais de seis meses Bônus Consultoria técnica gratuita e personalizada do Sebrae Minas para quem contratar até 31/03 Como contratar De forma digital pelo site do BDMG: bdmg.mg.gov.br Produtoras rurais Acesso pela linha BDMG Agro Repasse, via cooperativas de crédito parceiras — lista disponível no site do banco Um em cada três pequenos negócios tem mulher à frente Negócios liderados por mulheres representam 40% das micro e pequenas empresas de Minas Gerais, segundo dados do Sebrae Minas. Em 2025, o BDMG liberou R$ 73,2 milhões em crédito para 1,2 mil empresárias por meio das linhas destinadas a elas. “Oferecer um crédito acessível é decisivo para impulsionar o empreendedorismo feminino, permitindo que elas explorem todo o potencial dos seus negócios.” — Letícia Guerra, gerente do BDMG Esta é a segunda edição consecutiva da parceria entre BDMG e Sebrae com foco na mulher empreendedora. A novidade deste ano é a inclusão das produtoras rurais nas condições especiais de março — uma extensão que amplia o alcance da iniciativa além dos centros urbanos. 📊 Em números 40% das MPEs mineiras têm participação feminina majoritária R$ 73,2 mi liberados pelo BDMG para mulheres empreendedoras em 2025 1,2 mil empresárias atendidas em Minas Gerais no ano passado A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destacou o papel da iniciativa no contexto mais amplo de fomento ao empreendedorismo feminino. *”O empreendedorismo é um caminho de autonomia e liderança para as mulheres mineiras, portanto uma preocupação do Governo de Minas é criar condições para que elas transformem ideias em negócios, levem soluções ao mercado e tirem seus projetos do papel”*, afirmou. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
O que a neurociência já conseguiu explicar sobre a ação dos aromas no cérebro

Fernando Gomes, Universidade de São Paulo (USP) e Daiana Petry, Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) Durante muito tempo, falar sobre aromaterapia no contexto científico soava quase como uma contradição. Os aromas eram associados a bem-estar subjetivo, tradição ancestral ou experiências sensoriais difíceis de medir. Porém, um conjunto de revisões e estudos experimentais vem mostrando que certos óleos essenciais podem modular respostas reais do organismo — com resultados que vão desde a redução de estresse e ansiedade, acompanhada de mudanças em marcadores como frequência cardíaca e pressão arterial, até alterações mensuráveis na atividade cerebral associadas a estados de relaxamento vigilante, atenção e flexibilidade cognitiva. A resistência aos aromas não surgiu apenas da ausência de dados, mas de uma herança histórica. Desde o século XIX, o olfato foi considerado um sentido “menor” na hierarquia científica ocidental. A partir de interpretações anatômicas feitas pelo médico francês, anatomista e antropólogo Paul Broca (1824-1880), difundiu-se a ideia de que a evolução da racionalidade humana estaria associada à redução do sistema olfativo, como se o cheiro pertencesse ao domínio do instinto e não da cognição. Essa hipótese, hoje ultrapassada, contribuiu para que o olfato fosse marginalizado em áreas como a medicina, a psicologia e a neurociência por mais de um século. Pesquisas contemporâneas têm demonstrado o oposto: o sistema olfativo humano é altamente sofisticado e profundamente integrado às redes cerebrais de emoção, memória, tomada de decisão e regulação fisiológica. A simples inalação de um aroma é capaz de interagir com estruturas como a amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal e ínsula, regiões centrais para o comportamento humano. Com isso, esse cenário está mudando de forma consistente. Hoje, a neurociência está começando a mapear como as moléculas aromáticas presentes nos óleos essenciais podem interagir com o sistema nervoso e influenciar estados emocionais e fisiológicos. Do misticismo ao mecanismo Uma revisão narrativa, publicada em 2025 e indexada no PubMed, intitulada “A Narrative Review of Aromatherapy: Mechanisms and Clinical Value in Physiological and Psychological Regulation”, sintetizou o que a literatura científica tem revelado até o momento sobre os mecanismos neurobiológicos envolvidos na aromaterapia. Trata-se de um marco importante porque desloca o debate do campo do “funciona ou não funciona” para uma pergunta mais profunda: quais sistemas cerebrais parecem ser modulados pelos aromas e por quais vias isso pode ocorrer? Essa revisão permitiu aos autores organizar dados sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos dos aromas e a base neurobiológica por trás deles. Ela também indica que pesquisas futuras devem aprofundar mecanismos de ação, biodisponibilidade dos compostos aromáticos e segurança a longo prazo, para estimar com mais precisão o potencial terapêutico da aromaterapia. O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisadores afiliados a instituições como Shenzhen Traditional Chinese Medicine Hospital e Southwest Medical University, na China. O caminho direto do aroma ao cérebro O olfato possui uma via privilegiada de acesso ao cérebro. Quando inalamos um aroma, as moléculas odoríferas ativam receptores no epitélio olfatório, que se conecta diretamente ao bulbo olfatório. A partir dali, a informação segue para estruturas do sistema límbico — como amígdala e hipocampo — regiões envolvidas em emoção, memória e motivação, sem passar previamente pelo tálamo, filtro de outros sentidos. Essa característica anatômica explica por que os aromas têm capacidade de evocar emoções, memórias e estados fisiológicos de forma rápida e muitas vezes inconsciente. A revisão destaca que essa ativação límbica está associada à modulação de neurotransmissores centrais para a regulação emocional e cognitiva, como serotonina, dopamina, GABA e noradrenalina. Além dessa rota neural direta, a inalação de óleos essenciais envolve também uma rota fisiológica complementar. Parte das moléculas aromáticas inaladas alcança os pulmões, onde pode atravessar o epitélio respiratório e entrar na circulação sistêmica. Isso significa que o efeito dos aromas não se restringe a uma experiência simbólica ou subjetiva. Há também um efeito observável no organismo, em que compostos voláteis podem alcançar tecidos e influenciar parâmetros fisiológicos. Essas duas vias, que chamamos de olfatória e respiratória, ajudam a compreender por que a aromaterapia desperta um crescente interesse científico. Ansiedade, humor e regulação do sistema nervoso Entre os achados mais consistentes revisados estão os efeitos ansiolíticos e moduladores do estresse de determinados óleos essenciais, especialmente aqueles ricos em monoterpenos e ésteres. O linalol, por exemplo, presente na lavanda, demonstra interação com receptores GABAérgicos, o que ajuda a entender a redução de excitabilidade neuronal e a sensação de calma relatada em diferentes estudos clínicos. A revisão também aponta evidências de efeitos antidepressivos leves a moderados, associados à influência dos aromas sobre circuitos dopaminérgicos e serotoninérgicos. Importante ressaltar: não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de compreender como estímulos olfativos podem atuar como moduladores do sistema nervoso autônomo e do eixo estresse–emoção, especialmente em contextos de ansiedade, fadiga mental e sobrecarga cognitiva. Em um estudo clínico anterior com 140 participantes, a inalação do óleo essencial de lavanda a cada oito horas, durante quatro semanas, mostrou-se capaz de prevenir a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres no pós-parto, reduzindo de forma considerável os escores dos testes para essas condições. Os escores das escalas utilizadas permaneceram menores até três meses após o início da intervenção, em comparação ao grupo controle, sugerindo que a inalação da lavanda produziu efeitos sustentados ao longo do tempo. Apesar desses resultados promissores, ainda não há consenso científico claro sobre por quanto tempo essas modulações neuroemocionais persistem após o término do estímulo aromático. Essa é uma lacuna relevante para pesquisas futuras, uma vez que muitos estudos concentram-se em efeitos imediatos ou de curto prazo, observados durante ou logo após a inalação ou aplicação tópica dos óleos essenciais. Aromas e função cognitiva: o cérebro em tempo real Um segundo eixo relevante dessa discussão emerge de estudos que conectam aromaterapia à neurofisiologia mensurável. O artigo, publicado no Journal of Medical Signals & Sensors, traz dados interessantes ao utilizar eletroencefalografia (EEG) para avaliar as alterações em padrões de ondas cerebrais (como theta, alpha e beta) associadas a atenção, relaxamento vigilante e à flexibilidade cognitiva após a inalação do óleo essencial de lavanda. É
Acontece hoje (11): Mariana realiza oficina para construir Plano Municipal dos Direitos das Mulheres

Encontro promovido pela Subsecretaria da Mulher e Direitos Humanos será às 18h, no Centro de Convenções, e busca reunir poder público e sociedade civil na formulação de metas para políticas públicas voltadas às mulheres no município. Mariana promove nesta quarta-feira, 11 de março, a oficina de elaboração do Plano Municipal dos Direitos das Mulheres. Aberta à participação popular, a atividade acontece às 18h, no Centro de Convenções, e integra o esforço de construção coletiva de diretrizes para a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento das desigualdades no município. Um plano para orientar políticas públicas A proposta é transformar escuta em política pública. A oficina marcada para hoje pretende reunir contribuições da sociedade civil para um documento que deve orientar ações do município em diferentes frentes, da proteção de direitos à ampliação da participação das mulheres na vida social. Segundo a convocação divulgada pela prefeitura, o plano servirá como instrumento de organização de metas e prioridades para a atuação do poder público. Em vez de um texto restrito ao gabinete, a ideia é construir o plano a muitas mãos. Após essa etapa participativa, o documento será encaminhado ao Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, responsável pelo controle social e pelo acompanhamento da efetivação das propostas. Participação popular no centro do processo A gestão municipal tem apresentado a participação da população como peça essencial para que o plano reflita as demandas reais das mulheres de Mariana. O chamamento público divulgado nos canais oficiais da prefeitura também incentiva inscrições prévias para ampliar a presença da comunidade no debate. Num município em que a vida pública ainda carrega marcas profundas de desigualdade, discutir direitos das mulheres em espaço aberto tem peso que vai além do calendário institucional. É nesse tipo de encontro que a política deixa de ser apenas promessa e começa, de fato, a ganhar corpo na escuta. Essa leitura é uma inferência a partir do objetivo público da oficina e do papel atribuído ao plano.
UFOP adere a pacto nacional contra o feminicídio e leva debate ao semestre letivo de 2026

Universidade passa a integrar articulação lançada pelos Três Poderes e prepara ações para o Mês da Mulher e para o início das aulas, previsto para 6 de abril, com foco no enfrentamento à violência de gênero. A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) passou a integrar o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, uma articulação lançada em fevereiro de 2026 pelos Três Poderes para enfrentar a violência letal contra mulheres e ampliar medidas de prevenção, proteção e responsabilização. Na universidade, a adesão será acompanhada por ações ao longo do Mês da Mulher e do semestre 2026/1, cujo início está previsto para 6 de abril. A universidade entra numa frente nacional A entrada da UFOP no pacto insere a universidade numa mobilização institucional que tenta responder, de forma coordenada, a um problema que há muito deixou de caber apenas nas estatísticas. Segundo a própria instituição, a adesão mira a proteção de direitos e a busca por respostas mais eficazes à violência de gênero, levando o tema para dentro do ambiente acadêmico e das rotinas de formação. No plano nacional, o pacto foi lançado em 4 de fevereiro de 2026 com a proposta de reunir Executivo, Legislativo e Judiciário em ações integradas de prevenção, proteção e responsabilização nos casos de violência letal contra mulheres. Entre os objetivos anunciados estão o fortalecimento das redes de atendimento, a ampliação de campanhas educativas, a agilização do cumprimento de medidas protetivas e o combate à impunidade. Do discurso institucional à vida universitária Na UFOP, a adesão ao pacto vem acompanhada de uma agenda pensada para março e para o semestre 2026/1. Segundo a universidade, a proposta é ampliar o debate sobre feminicídio e outros temas ligados à luta das mulheres dentro do espaço acadêmico. O calendário oficial dos cursos presenciais indica como previsão de início do período letivo o dia 6 de abril de 2026. Uma das ações já anunciadas é a participação da UFOP na campanha Banco Vermelho, símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. A instituição informou que instalará bancos em seus campi em 9 de março, com unidades também em Mariana, além de divulgar informações sobre denúncia e acolhimento, inclusive por meio da Ouvidoria Feminina. Informação, denúncia e articulação O pacto também prevê a plataforma TodosPorTodas.br, apresentada como um espaço para concentrar informações sobre a iniciativa, reunir canais de denúncia e divulgar políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, além de estimular a participação de órgãos públicos, empresas e sociedade civil. Na prática, a aposta é que a circulação mais organizada de informação ajude a encurtar distâncias entre a violência, a denúncia e a resposta institucional. No noticiário oficial do governo federal, o lançamento da iniciativa ocorreu em meio a um cenário que ajuda a dimensionar a urgência do tema. Segundo dados do sistema de Justiça citados pelo governo, em 2025 foram julgados, em média, 42 casos de feminicídio por dia no país, enquanto 621.202 medidas protetivas foram concedidas no mesmo período. Entre Ouro Preto, Mariana e a responsabilidade pública Em cidades como Ouro Preto e Mariana, onde a universidade ocupa um lugar central na vida pública, a adesão ao pacto carrega um peso que ultrapassa a esfera administrativa. Quando uma instituição de ensino assume esse compromisso, ela também afirma que a produção de conhecimento não pode caminhar apartada da defesa da vida. Mais do que aderir a uma agenda nacional, a UFOP indica que o tema deverá atravessar o cotidiano universitário nos próximos meses. A expectativa, segundo a instituição, é que o debate sobre feminicídio, machismo estrutural e igualdade de gênero ganhe presença mais contínua entre campanhas, ações educativas e canais de escuta.