Cartografia: conheça a importância das mulheres na elaboração de mapas ao longo da história

Gladys West desenvolveu os modelos matemáticos por trás dos sistemas de GPS: embora as contribuições técnicas das mulheres abranjam toda a história da cartografia, elas são difíceis de identificar e documentar. U.S. Navy/Wikimedia Commons Melinda Laituri, Colorado State University Embora as mulheres sempre tenham feito parte do panorama cartográfico, suas contribuições para a cartografia foram negligenciadas por muito tempo. A elaboração de mapas tem sido tradicionalmente associada aos homens, desde a projeção do mundo de Mercator no século XVI até agrimensores como George Washington e Thomas Jefferson, que mapeavam propriedades no século XVIII, e o desenvolvimento de sistemas de informação geográfica por Roger Tomlinson na década de 1960. A cartografia e os campos relacionados às tecnologias geoespaciais continuam sendo dominados pelos homens. Mas, como geógrafa e especialista em sistemas de informação geográfica, tenho observado como as oportunidades para as mulheres como cartógrafas mudaram nas últimas cinco décadas. O advento de tecnologias como os sistemas de informação geográfica aumentou as oportunidades de educação, emprego e pesquisa para as mulheres, tornando a cartografia mais acessível. A paisagem feminina As mulheres têm sido essenciais para a forma como as pessoas veem e compreendem o mundo. O conceito da “Mãe Terra” ou da “Mãe Natureza” como o centro do Universo e fonte de toda a vida está presente em culturas indígenas de todo o mundo. No século XX, a comunidade científica e os ativistas ambientais adotaram o termo Gaia — a deusa grega que personifica a Terra, mãe de todas as divindades — para refletir a noção da Terra como um sistema vivo. Gaia é representada como feminina e entendida como uma força orientadora na manutenção da atmosfera, dos oceanos e do clima. A representação da Terra como mulher foi reformulada com o surgimento do nacionalismo, quando os termos “pátria” e “terra natal” adquiriram significados distintos. Pátria implicava herança e tradição, enquanto terra natal sugere local de nascimento e senso de pertencimento. Essas construções de gênero aparecem em todas as culturas. Europa Regina (1570). Sebastian Münster/Wikimedia Commons Outro aspecto da natureza de gênero da cartografia é a maneira como os mapas usavam formas femininas para retratar características. Mapas antropomórficos do século XVI ao XIX demonstram como os cartógrafos usavam figuras femininas para retratar países europeus. Por exemplo, o mapa “Europa Regina” do cartógrafo Johannes Putsch, originalmente desenhado em 1537, estabeleceu o modelo para mapas posteriores nos quais as nações são representadas como mulheres em várias poses e diferentes estados de vestimenta — ou sem vestimenta —, embora não correspondam exatamente às formas reais dos relevos. Esses mapas refletem as mudanças nos significados culturais e políticos associados ao território e ao poder. A paisagem feminina, ou a mulher como mapa, é frequentemente usada para retratar países como ativos, agressivos ou passivos, dependendo do status do Estado-nação em relação à guerra e à paz e dos estereótipos de um país. Tecnologia e o papel das mulheres na cartografia Embora as contribuições técnicas das mulheres abranjam toda a história da cartografia, elas são difíceis de identificar e documentar. Mas um olhar mais atento revela a variedade de papéis que as mulheres desempenharam na cartografia. Um dos primeiros exemplos conhecidos de um mapa feito por uma mulher data do século IV, quando a irmã do primeiro-ministro da dinastia Han na China bordou um mapa em seda. Durante os séculos XV e XVI, as mulheres eram contratadas para colorir mapas e contribuir com detalhes artísticos nas bordas. Muitas cartógrafas usavam apenas a inicial do primeiro nome e o sobrenome, ocultando seu gênero e tornando seu trabalho difícil de rastrear. O século XVIII trouxe o advento da impressão, o que abriu novos caminhos para as mulheres participarem como gravadoras de placas de cobre, editoras de mapas e fabricantes de globos. No século XIX, a cartografia tornou-se parte da educação formal para mulheres na América do Norte, onde a interseção entre bordado e geografia produziu globos de tecido e mapas de linho. Mais tarde, com o acesso a papel e lápis, seguiu-se o desenho e a coloração de mapas. A Segunda Guerra Mundial deu início a uma nova era de oportunidades para as mulheres nos Estados Unidos, pois elas foram recrutadas para preencher funções críticas no desenvolvimento cartográfico enquanto os homens eram enviados para a batalha. Conhecidas como “Millie, a cartógrafa”, ou as “donzelas do mapeamento militar”, mulheres produziam mapas topográficos, interpretavam fotografias aéreas e ajudavam a avançar a fotogrametria, o uso de fotos para criar modelos 3D da topografia da Terra. As ‘donzelas do mapeamento militar’ criaram dezenas de milhares de mapas durante a Segunda Guerra Mundial. Alfred T Palmer/Escritório de Informação de Guerra via Biblioteca do Congresso Com base no papel cada vez mais importante das mulheres na cartografia, na década de 1950, Evelyn Pruitt, do Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, criou o termo sensoriamento remoto, referindo-se ao uso de imagens de satélite para observar, medir e mapear a Terra. No mesmo período, a matemática Gladys West desenvolveu os modelos matemáticos para sistemas de posicionamento global, conhecidos como GPS. Mulheres criando mapas As mulheres também supervisionaram a criação de mapas de várias maneiras. As sociedades matriarcais indígenas expressavam informações espaciais por meio de diferentes formas de cartografia. Isso inclui canções, danças e rituais que identificavam recursos comunitários importantes, como nascentes, bosques sagrados e rotas de migração. O desenvolvimento da cartografia europeia foi impulsionado pela Era dos Descobrimentos, do século XV ao XVII, e pelas atividades empreendedoras associadas à reprodução e venda de mapas. As mulheres frequentemente assumiam essas funções após a morte de seus maridos, garantindo a continuidade dos negócios familiares. Não apenas os reis, mas também as rainhas determinavam quais mapas eram necessários. Por exemplo, a Rainha Elizabeth I encomendou o Atlas da Inglaterra e do País de Gales de 1579, um dos primeiros atlas nacionais. Ele apresentava um mapa de todo o país, acessível de casa ou de uma sala de leitura. Mulheres definindo a direção dos mapas Enquanto os primeiros mapas posicionavam as mulheres principalmente como figuras simbólicas para projetar significado político ou
Ouro Preto planta 30 mil pés de café e aposta em nova vocação econômica além do minério

Município historicamente ligado ao ouro investe em cafeicultura especial com apoio de associação regional, governos e mineradora; distritos como Rodrigo Silva, São Bartolomeu e Glaura lideram produção Ouro Preto plantou 30 mil novos pés de café e aposta na consolidação de uma atividade econômica que, até pouco tempo, seria difícil associar à cidade histórica. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 7 de fevereiro, pelo prefeito Angelo Oswaldo, em vídeo publicado nas redes sociais oficiais do município. “Ouro Preto tem café e vai ter mais ainda. Uma associação de produtores de cafés especiais acaba de ser criada na região dos Inconfidentes. Com a nossa região, nós vamos ter uma produção bastante significativa”, declarou o prefeito, ao lado do secretário municipal de Agropecuária, Sebastião Evasio. A cafeicultura é recente em Ouro Preto. Municípios vizinhos como Itabirito já têm tradição no cultivo, mas em Ouro Preto — historicamente associado ao ciclo do ouro e à mineração — o café começa a ganhar espaço como alternativa econômica para produtores rurais. Os distritos de Rodrigo Silva, Piedade, Moreira, Maciel, São Bartolomeu, Engenho D’Água e Glaura concentram a produção. Apoio institucional em três frentes O prefeito Angelo Oswaldo anunciou apoio articulado de três secretarias municipais para fortalecer a cadeia do café: Agropecuária (Sebastião Evasio), Desenvolvimento Econômico (Felipe Guerra) e Cultura e Turismo (Flávio Pimenta). “Garantimos pela Secretaria de Agropecuária, pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, pela Secretaria de Cultura e Turismo, todo o apoio à Associação de Produtores de Cafés Especiais. Vamos estar juntos dando esse apoio para essa nova marca de cafés especiais surgir em breve”, afirmou o prefeito. A estratégia une três dimensões: técnica (manejo, cultivares, tratos culturais), econômica (estruturação de marca regional, comercialização) e turística (cafés especiais como produto de identidade local, agregando valor ao turismo). Articulação começou em 2025 O marco público da cafeicultura em Ouro Preto foi o 1º Dia de Campo do Café Especial Sustentável dos Inconfidentes, realizado em 19 de julho de 2025, na Fazenda Vale do Caixeta, distrito de Rodrigo Silva. O evento reuniu cerca de 50 produtores rurais e foi promovido pelas prefeituras de Ouro Preto e Itabirito, pela Fazenda Vale do Caixeta, pelo Sistema Faemg/Senar e pela Sociedade de Produtores Rurais de Itabirito e Ouro Preto (SPR), com apoio da Vale e do programa PRA Produzir Sustentável. Na ocasião, o secretário Sebastião Bonifácio falou em reconhecimento do município por café “com qualidade” e “responsabilidade ambiental”. O proprietário da Fazenda Vale do Caixeta, Guilherme Pedrosa, destacou a mudança em curso: “É estranho associar Ouro Preto, que sempre foi minério, ao café. Mas isso está mudando.” O produtor Ricardo César defendeu a união: “Precisamos unir os produtores da região para consolidar a atividade.” APCEI: a associação que nasce com o café A Associação de Produtores de Cafés Especiais dos Inconfidentes (APCEI) surge como desdobramento dessa articulação. Fundada em novembro de 2025, a associação se apresenta publicamente como organização voltada para fortalecer e difundir o cultivo de cafés especiais na região dos Inconfidentes. Próximos passos: marca regional e mercado O plantio de 30 mil pés é parte de uma estratégia maior: consolidar Ouro Preto como produtor de cafés especiais e criar marca regional que agregue valor ao produto. “O pessoal está animado e nós queremos estar juntos também, dando esse apoio. Em breve, [Ouro Preto] vai ter várias marcas de café da região dos Inconfidentes”, prometeu o prefeito Angelo Oswaldo. A aposta é que o café, produto tradicionalmente mineiro mas até agora pouco presente em Ouro Preto, se some ao ouro, ao barroco e ao turismo como elemento de identidade econômica — uma vocação nova para uma das cidades mais antigas do Brasil.
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Projetos e inovações do Legislativo ouro-pretano são referência para Câmaras Municipais mineiras

No decorrer do mês de janeiro, a Câmara Municipal de Ouro Preto, por meio de seu presidente, Vantuir Silva, recebeu a visita de representantes de três Casas Legislativas de diferentes cidades mineiras que vieram conhecer um pouco do funcionamento, dos projetos e das inovações do Legislativo ouro-pretano. Este foi o caso da Câmara de Cataguases, cujo presidente Vinícius Machado, quis saber mais sobre os trâmites para a implantação de projetos importantes implantados recentemente pela atual gestão, como o painel eletrônico de votações e a Van Itinerante. “Já oferecemos o serviço de carteiras de identidade, mas não soubemos de nenhuma outra Câmara com a Van Itinerante, queremos levar este projeto para a nossa cidade”, avaliou. Outra visita importante foi a de vereadores e equipe da Câmara de Santa Bárbara. “Viemos à Câmara de Ouro Preto para vermos a estrutura de trabalho, conhecendo resultados positivos, levando daqui exemplos de melhorias que já foram realizadas pelos vereadores de Ouro Preto como exemplo para o nosso município”, destacou o presidente da Câmara de Santa Bárbara, Márcio Rodrigues. Já a vereadora Cristiane Costa, da Câmara de Esmeraldas, e sua equipe conheceram um pouco de todos os processos da Casa de Leis de Ouro Preto, desde os trâmites legislativos, os benefícios e negociações com os servidores e colaboradores, os eventos protocolares e, principalmente, os serviços oferecidos pelo Centro de Atendimento ao Cidadão. “Estivemos na Câmara de Ouro Preto buscando inovação, diálogo e boas práticas para fortalecer a Câmara da nossa cidade”, afirmou. Para o presidente Vantuir, essas visitas mostram o reconhecimento do trabalho de sua gestão, da Mesa Diretora, dos demais vereadores e de toda a equipe de funcionários da Câmara de Ouro Preto. “São momentos de trocas de experiências e aprendizados de ambas as partes, além de aproximação política entre Câmaras não só da nossa região, como Santa Bárbara, mas também de outras cidades do nosso Estado. Para nós, é um prazer mostrarmos as nossas ações e as nossas conquistas”.
Ouro Preto inicia Semana de Desenvolvimento Econômico com Fórum Regional de Diversificação

Ouro Preto dá início, nesta quarta-feira (29), à Semana de Desenvolvimento Econômico, marcada pela realização do Fórum Regional de Diversificação Econômica (FRDE). O evento acontece nos dias 29 e 30 de janeiro, no Centro de Artes e Convenções da UFOP, e propõe um amplo espaço de diálogo, construção coletiva e definição de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável do município e da região. Desde 2021, Ouro Preto vem apresentando avanços expressivos no campo econômico. De acordo com dados oficiais, o município registrou a criação de mais de 7 mil novos postos de trabalho, saltando de 15 mil para 22 mil empregos formais. O crescimento é atribuído a uma política consistente de diversificação econômica, aliada a ações de planejamento, governança e incentivo a novos setores produtivos. O Fórum Regional de Diversificação Econômica surge como um instrumento para consolidar esse movimento, reunindo representantes do poder público, setor produtivo, universidades, entidades de classe e sociedade civil. A proposta é discutir caminhos que reduzam a dependência econômica histórica, ampliem oportunidades e fortaleçam atividades sustentáveis, inovadoras e compatíveis com o patrimônio cultural e ambiental da cidade. O FRDE Ouro Preto é uma realização da Prefeitura Municipal de Ouro Preto e da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (ADOP), com projeto do Instituto Fórum. A programação inclui debates, painéis e apresentações que abordam temas como inovação, empreendedorismo, economia criativa, turismo, indústria, mineração responsável e desenvolvimento regional. A expectativa é que o fórum contribua para a formulação de políticas públicas e ações integradas que garantam crescimento econômico com geração de emprego, renda e qualidade de vida para a população.