Quando o nome do crime importa: como a classificação penal afeta os dados sobre feminicídio no Brasil

Lesão corporal dolosa ou tentativa de feminicídio? A fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais. Imagem: Freepik Camila Pereira Belisario de Sousa, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Lucia Eilbaum, Universidade Federal Fluminense (UFF) Os números de violência contra a mulher e feminicídios no Brasil são alarmantes. Quase diariamente, a imprensa noticia novos casos que chocam não apenas pela frequência, mas também pela brutalidade. No entanto, para além das estatísticas e das histórias individuais de sofrimento, existe um elemento menos visível, porém decisivo, na compreensão desse fenômeno. A forma como esses crimes são classificados pelo sistema de justiça criminal. Esse pode parecer um detalhe técnico, restrito ao vocabulário e universo jurídico, mas não é. A tipificação penal adotada por policiais, promotores e juízes não apenas determina os rumos dos processos judiciais e impacta os números oficiais que embasam políticas públicas, mas também influenciam e são influenciados pelo reconhecimento social da violência de gênero. Lesão corporal dolosa x feminicídio No âmbito do Grupo de Etnografias em Antropologia do Direito e das Moralidades, vinculado ao Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (INCT-InEAC), realizamos uma pesquisa com o acompanhamento de julgamentos, pelo Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, de casos de feminicídio tentado e consumado. Além desse acompanhamento, fizemos entrevistas com advogados e juízes que atuam nesses casos. E mais, analisamos outros casos noticiados pela imprensa que indicam a crescente classificação de homicídios e tentativas de homicídio de mulheres como crimes com motivação de gênero, e também um maior rigor na classificação das ocorrências. Um exemplo dessa maior severidade na tipificação das ocorrências pode ser observado em casos como o de Carlos (nome fictício). Em julgamento pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, foi condenado a 12 anos de prisão pela tentativa de feminicídio de sua companheira, em março de 2025. A discussão central no julgamento foi se houve ou não intenção de matar. Segundo a defesa, o crime deveria ser classificado como lesão corporal dolosa, e não como tentativa de feminicídio. Esse tipo de argumento é comum nos tribunais. Ele evidencia que a fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais. Nos casos de violência contra a mulher, essas escolhas são especialmente sensíveis, pois a mobilização social em torno do tema e a criação de leis específicas, influenciam a atuação dos agentes estatais. Dossiê Mulher No Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), publicados anualmente no Dossiê Mulher, mostram um aumento persistente nas tentativas de homicídio de mulheres e de feminicídio, enquanto os casos consumados apresentam queda ou pouca variação. Segundo o próprio órgão, isso pode indicar um “maior rigor na capitulação das ocorrências”. Como no julgamento de Carlos, situações que anteriormente poderiam ser registradas como lesão corporal passam a ser reconhecidas como tentativas de feminicídio. A pesquisa etnográfica realizada por mim, entre 2020 e 2021, com mulheres que denunciaram violência doméstica, revelou insatisfação de muitas delas quanto ao tratamento que recebiam da polícia e do judiciário. Além disso, a demora no andamento dos processos e as penas recebidas pelos agressores também eram fonte de grande frustração. Ainda assim, a comparação com pesquisas pioneiras sobre o tratamento institucional de violência contra a mulher evidencia mudanças significativas ao longo das últimas décadas. Estudos realizados por Lana Lage, Lia Zanott, Maria Filomena Gregori e Guita Grin Debret, nas décadas de 1990 e 2000, em delegacias distritais, Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) e no Judiciário, demonstraram que se buscava retirar do âmbito penal as denúncias de agressões sofridas por mulheres. Os trabalhos de Mariza Corrêa“ publicados na década de 1980, que abordavam o homicídio e tentativa de homicídio entre casais, mostram que esses crimes eram então frequentemente descritos como ”crimes passionais“ ou justificados pela tese da ”legítima defesa da honra“. Lei Maria da Penha e Lei do Feminicídio Desde sua promulgação, em 2006, a Lei Maria da Penha vem contribuindo de forma significativa para dar visibilidade ao tema da violência doméstica e familiar contra mulheres, tornando-se paradigmática não apenas no campo legislativo e moral, mas também um referencial na criação de políticas públicas no Brasil. Em 2015, a Lei do Feminicídio, que o tornou uma qualificadora do crime de homicídio doloso, deu destaque a esses crimes no debate público sobre a violência de gênero. Mais recentemente, em 2024, a Lei nº 14.994 tornou o feminicídio um crime autônomo. Além de estabelecê-lo como um tipo penal próprio, a nova legislação também ampliou a pena prevista, que passou de reclusão de 12 a 30 anos para 20 a 40. A exemplo do que ocorreu a partir da criação da Lei Maria da Penha e da Lei de Feminicídio de 2015 e, agora, com a tipificação penal, ao longo dos anos, tende a ocorrer uma conscientização crescente entre os profissionais do sistema de justiça criminal sobre a classificação e tipificação dos crimes. Esse fenômeno certamente ajuda a explicar o crescimento nos números de registros de feminicídios consumados e tentados, mesmo num contexto de redução de homicídios no Brasil. Ainda assim, os resultados dessa atuação variam muito pelo país. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública Um dado revelador vem do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostra grandes diferenças entre as unidades da federação na proporção de feminicídios em relação ao total de homicídios de mulheres. Essas diferenças não se explicam apenas pela incidência real da violência, mas também pelas práticas institucionais de classificação. O Ceará, por exemplo, apresentou, em 2024, a maior taxa de homicídios de mulheres do país: 6,5 por 100 mil mulheres. No entanto, apenas 13,2% desses casos foram registrados como feminicídio, muito abaixo da média nacional, que gira em torno de 40%. Como indicam os índices do estado em anos anteriores, trata-se um padrão histórico de baixo reconhecimento institucional dessa violência de gênero, ao relacionar baixo percentual de homicídios de mulheres ao feminicídio. O Distrito Federal (DF) segue caminho

Bloco do Caixão chega aos 50 anos e abre o Carnaval universitário de Ouro Preto com Dennis DJ, Felipe Amorim e Fatsync

Edição do cinquentenário acontece em 14 de fevereiro de 2026. Além do evento, o bloco mantém o cortejo tradicional nas ladeiras, prepara ações de aquecimento na cidade — e ainda guarda uma atração surpresa para anunciar mais perto da data. Em 1976, alguém decidiu que o Carnaval de Ouro Preto não precisava ser “bonito”: precisava ser verdadeiro. Sem manual, sem ornamento — só a vontade de viver o agora. Meio século depois, o Bloco do Caixão chega aos 50 anos como um marco de identidade do Carnaval universitário: uma festa que não apenas passa — marca. A comemoração principal acontece no sábado, 14 de fevereiro de 2026, abrindo a sequência dos grandes eventos do Carnaval na cidade. Até aqui, a programação divulgada reúne Dennis DJ, Felipe Amorim, Fatsync e Skullz. Mas há um detalhe que tem alimentado a expectativa: a organização ainda mantém uma atração “guardada” — um nome que não foi anunciado e deve ser revelado mais perto do Carnaval, como parte do pacote especial do cinquentenário. A escolha do line-up segue uma lógica que se repete em Ouro Preto: misturar apelo nacional e energia de pista, sem perder o espírito de ladeira. Dennis volta como um dos nomes mais associados ao Carnaval da cidade; Felipe Amorim chega embalado por hits recentes; e Fatsync reforça a frente eletrônica do evento. A peça que falta — e que a organização prefere soltar no tempo certo — é justamente o que promete dar um “efeito de anúncio” à edição dos 50 anos. Uma tradição que nasceu na rua — e nunca saiu dela O Caixão nasceu como um desfile: um cortejo de rua que cresceu atravessando gerações. O símbolo do caixão permaneceu, mas foi adaptado ao longo do tempo para garantir mais segurança no trajeto. A imagem que ficou é a mesma: gente subindo, cantando, batucando, ocupando Ouro Preto com a alegria de quem faz história sem pedir licença. Cinquentenário também é experiência Para 2026, a organização promete uma edição de “superprodução”, com camadas de experiência para pista e camarote. Entre os diferenciais citados para o setor premium, está prevista Chandon no camarote como parte do clima comemorativo do cinquentenário — um gesto de “brinde à altura” para quem escolhe viver a data por dentro. E é nesse conjunto — estrutura, tradição e anúncio ainda pendente — que a edição de 50 anos tenta se afirmar: não como repetição do que já funcionou, mas como uma virada de chave em escala e memória. Skullz, a caveira que virou rosto do Caixão Se o Bloco do Caixão nasceu na rua, ele também aprendeu — com o tempo — a falar a língua do agora. A prova é Skullz, o mascote que virou personagem oficial do bloco: um DJ de “cabeça de caveira”, usado como símbolo visual da festa e como fio condutor da narrativa do cinquentenário. A figura ganhou força na comunicação recente do Caixão justamente por personificar um sentimento que o folião conhece bem: a saudade que começa antes mesmo da quarta-feira de cinzas. Skullz aparece como alguém que vive o ano inteiro, faz de tudo, mas tem uma obsessão que não muda: chegar o Carnaval. Essa estratégia também funciona como linguagem de pertencimento. Em vez de comunicar apenas com line-up e serviço, o Caixão cria um “rosto” para o bloco, algo que atravessa gerações e sustenta uma história contínua — não só o evento de um dia, mas o vínculo de um ano inteiro. Aquecimento: Caixão Run Antes do Carnaval, o bloco também puxa a cidade para um aquecimento fora do óbvio: a Caixão Run, corrida de 5 km marcada para 25 de janeiro de 2026, com inscrição solidária (ingresso + 1 kg de alimento) pela plataforma de vendas.

Estudo mostra que estados que sofreram mais com a dengue ouviram melhor os cientistas sobre a COVID-19

Maria Alejandra Costa, Fundação Getulio Vargas (FGV) Ao longo da pandemia de COVID-19, os estados brasileiros adotaram respostas muito diferentes à crise sanitária. Enquanto São Paulo e Ceará adotaram estratégias mais estruturadas e estáveis ao longo da crise, outros, como Acre e Amapá, reagiram de modo fragmentado e variável. O que ajuda a explicar essas diferenças não são somente as decisões tomadas durante a emergência sanitária, mas a capacidade estatal acumulada antes da pandemia. Por capacidade estatal, entenda-se o conjunto de recursos, estruturas e habilidades necessárias para lidar com crises de saúde pública. É algo que definitivamente não se improvisa em momentos de urgência. Essa é a principal conclusão de um estudo que eu e o professor de ciência política Éric Montpetit realizamos na Universidade de Montreal, no Canadá. A pesquisa analisou e comparou o modo como os governos estaduais brasileiros reagiram à pandemia e mostrou que a variação das respostas refletiu tanto as desigualdades na capacidade estatal, quanto as diferenças na forma como os governos deram prioridade a setores e definiram quais fontes de informação orientariam suas decisões. Estados que historicamente investiram mais em saúde pública tenderam a interpretar as crises sanitárias a partir de uma lógica distinta daquela adotada por governos com menor acúmulo institucional nessa área. Estados que investiram de forma consistente em epidemias anteriores entraram na pandemia de COVID-19 com estruturas institucionais no campo da saúde já em funcionamento. Não se trata apenas de maior volume de recursos, mas da existência de rotinas consolidadas de vigilância epidemiológica, equipes técnicas com experiência e canais estáveis e confiáveis de produção e uso de informações. Na prática, esse acúmulo permitiu fortalecer as políticas existentes e oferecer respostas mais coordenadas, orientadas por evidências científicas e pela atuação de especialistas em saúde pública e cientistas. Em contraste, estados com menor capacidade institucional adotaram respostas mais irregulares ao longo do tempo. Na ausência de uma base de dados mais robusta em saúde pública, esses governos deram maior peso a informações vindas do setor produtivo e a comitês voltados sobretudo aos impactos econômicos da crise, o que resultou em estratégias menos centradas na lógica sanitária. Como se formam as bolhas políticas na saúde De forma inovadora, nosso estudo sugere que as diferenças observadas na capacidade epidemiológica podem ser compreendidas a partir do conceito de bolhas políticas (policy bubbles). Essas bolhas se formam no campo das políticas públicas quando governos concentram recursos de maneira intensa e recorrente em áreas específicas, especialmente em contextos de urgência. Diferentemente das bolhas financeiras, elas não se dissipam quando a crise termina. Pelo contrário, deixam legados institucionais duradouros, que passam a estruturar capacidades administrativas, circuitos decisórios e as fontes de informação mobilizadas em crises futuras. O impacto dessas bolhas políticas afeta não apenas a distribuição de recursos, mas também a diversidade das informações e evidências científicas que orientam os processos de decisão, condicionando a forma como os governos respondem a crises sanitárias complexas. A formação dessas “bolhas” não é um fenômeno novo no Brasil. Experiências anteriores com epidemias, como Zika e dengue, levaram alguns estados a investir recursos de forma contínua no fortalecimento de sua infraestrutura sanitária e a dar prioridade a informações produzidas por especialistas em saúde pública. Nos locais onde ocorreu essa concentração de investimentos, consolidaram-se estruturas que passaram a produzir as informações que ganharam centralidade durante a pandemia de COVID-19. Ao priorizar repetidamente o setor sanitário, esses estados reforçaram um ciclo de retroalimentação: a expansão da capacidade técnica favoreceu respostas mais organizadas e consistentes, o que, por sua vez, sustentou novos investimentos na área da saúde. Ao mesmo tempo, esse processo reduziu o peso relativo de outras fontes de informação no processo decisório. Impacto na qualidade das informações e decisões As diferenças nos investimentos em saúde também se refletiram na composição dos comitês criados para orientar a resposta governamental. Em estados com maior capacidade epidemiológica, como São Paulo e Ceará, esses órgãos foram compostos majoritariamente por especialistas em saúde pública. Em São Paulo, por exemplo, o Comitê de Contingência para a COVID-19 reuniu epidemiologistas e técnicos da área da saúde que exerceram influência direta sobre a agenda política estadual. Em contraste, estados com menor capacidade epidemiológica, como Acre, Amapá e Goiás, recorreram a arranjos mais diversificados. Esses governos incorporaram representantes de outros setores aos seus comitês, incluindo atores da agricultura e do comércio. O Comitê Socioeconômico para o Enfrentamento do Coronavírus, em Goiás, ilustra como preocupações econômicas ganharam centralidade na gestão da pandemia. De forma semelhante, no Acre, os grupos de trabalho buscaram articular questões sanitárias com impactos econômicos e sociais, refletindo uma abordagem menos centrada exclusivamente na saúde. Enquanto bolhas financeiras tendem a ser efêmeras, as bolhas políticas são mais difíceis de se formar e, uma vez consolidadas, tendem a persistir. No Brasil, como mostra o estudo, a concentração recorrente de recursos em saúde — especialmente em vigilância epidemiológica — produziu legados institucionais duradouros, materializados em orçamentos mais robustos, quadros técnicos especializados e comitês decisórios nos quais a expertise sanitária ganhou centralidade. Esses arranjos influenciam trajetórias e criam marcos institucionais e regulatórios que passam a definir quais informações entram na agenda governamental e quem tem autoridade para interpretá-las. Ao longo do tempo, isso reforça a posição de determinados setores na política estadual. O efeito não é neutro: manter essas bolhas tende a ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias, enquanto seu enfraquecimento pode significar perda de capacidade institucional e retorno à improvisação. Os legados das crises sanitárias A crise da COVID-19 evidenciou como a formação de bolhas políticas e a distribuição desigual de recursos entre áreas governamentais afetam tanto a capacidade de resposta dos estados quanto o tipo de informação mobilizada em contextos de emergência. Mais do que um problema de eficiência, esse fenômeno revela como decisões tomadas em crises passadas moldam as opções disponíveis no presente. Nesse sentido, a contribuição central desta abordagem não está em indicar soluções imediatas, mas em revelar como as diferentes trajetórias institucionais condicionam a forma como governos lidam com crises sanitárias recorrentes. As bolhas políticas formadas ao

Livros sobre a Rota Jaguara são doados à Biblioteca e às escolas públicas de Itabirito

A Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo, em Itabirito, recebeu na quarta-feira, 14 de janeiro, 50 exemplares do livro Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara, de autoria do jornalista Victor Louis Stutz, com fotografias de Ane Souz. A entrega foi realizada por Gilson Fernandes Antunes Martins, coordenador do projeto. A publicação apresenta narrativas, memórias e registros construídos a partir de uma expedição por comunidades rurais que integram a Rota Turística Jaguara, abrangendo territórios de Itabirito, Rio Acima, Ouro Preto e Santa Bárbara. O livro reúne relatos de moradores e personagens reais da região, valorizando saberes locais, modos de vida e a memória cultural associada ao circuito turístico. Parte dos exemplares doados ficará disponível na Biblioteca e o restante será distribuído às escolas públicas do município. O lançamento da obra ocorreu no dia 20 de dezembro, na Associação de Moradores de Acuruí, distrito histórico de Itabirito, reunindo moradores, colaboradores do projeto e participantes que contribuíram com histórias e vivências registradas no livro. Durante o evento, exemplares também foram entregues às pessoas que participaram diretamente da construção da publicação. Publicado pela Editora Tuya em parceria com a Holofote Cultural, Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara foi patrocinado pelo Grupo Avante, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Além das bibliotecas públicas e escolares, exemplares serão distribuídos gratuitamente em eventos culturais e de turismo. Durante a entrega à Prefeitura de Itabirito, a secretária municipal de Patrimônio, Cultura e Turismo, Junia Guimarães Melillo, ressaltou a importância da valorização dos atrativos do território. Segundo ela, o livro representa “um resgate cultural construído a partir da narração de várias pessoas que moram na região de Acuruí, do Catana e de municípios limítrofes que também fazem parte dessa rota”. A secretária destacou ainda que, além de preservar memórias locais, a publicação “certamente vai convidar várias pessoas a conhecerem uma região tão bonita e rica como a nossa”. Ao final, parabenizou os envolvidos no projeto, o autor Victor Louis Stutz, conhecido como Nino, e todas as pessoas que contribuíram para a realização do livro. A obra já pode ser consultada no acervo da Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo, que funciona no Complexo Turístico da Estação (Praça Dr. Guilherme, s.n., no Centro). Legenda da foto: Petra Marques Sampaio, bibliotecária responsável pelo desenvolvimento e seleção de acervo da Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo; Gilson Fernandes Antunes Martins, coordenador do projeto; e Junia Guimarães Melillo, secretária municipal de Patrimônio, Cultura e Turismo de Itabirito, MG.

Janeiro Branco em Ouro Preto: quando a saúde mental vira assunto público e a cidade aprende a cuidar em rede

Pesquisa da UFOP financiada pela FAPEMIG e ações em parceria com a Prefeitura unem dados, formação e intervenção. No centro desse trabalho, a assistente social Andrea Machado, que atua nas abordagens e também integra o estudo. Janeiro Branco costuma chegar como uma folha em branco — não para “recomeçar do zero”, mas para lembrar que ninguém é definido pelo que dói. Em Ouro Preto, onde a beleza das ladeiras convive com pressões sociais e silencios antigos, falar de saúde mental virou mais do que campanha: virou trabalho de território, de gente, de rede. É nesse cenário que se encaixa uma iniciativa conduzida na cidade pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com financiamento da FAPEMIG e articulação com o município. O artigo “Construindo as abordagens do suicídio em Ouro Preto – MG: cuidado, acolhimento e prevenção” relata a construção de um curso e de uma mobilização local para qualificar profissionais e ampliar o debate público sobre o tema. A assistente social Andrea Machado, que atua em Ouro Preto, integra esse movimento a partir de duas frentes: participa como pesquisadora e também está na ponta das abordagens e encaminhamentos. A mensagem que ela resume para o Janeiro Branco é direta e humana: “Falar sobre sofrimento psíquico é, acima de tudo, um convite ao cuidado. A dor não define quem somos! Sempre há possibilidades de reconstrução e ninguém precisa atravessar esse caminho sozinho.” Um problema nacional — com rosto local O suicídio é reconhecido como um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil. O artigo cita que em 2021 foram registrados 15.507 óbitos por essa causa no país e que, entre 2010 e 2021, a taxa de mortalidade cresceu 42%, passando de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes, segundo boletim do Ministério da Saúde. O texto também aponta um recorte importante: a predominância é maior entre homens e, entre mulheres, chama atenção a faixa adolescente. Em Ouro Preto, o debate ganha camadas próprias. A cidade é descrita como um território com marcas históricas e sociais relacionadas ao tema e com desafios ampliados em áreas rurais, onde o isolamento pode dificultar acesso a cuidado e suporte. A pesquisa que não para no papel Na entrevista concedida à reportagem, Andrea explica que o projeto foi estruturado em fases: primeiro, um levantamento bibliográfico; depois, uma etapa dedicada a dados, com consulta a sistemas nacionais e parceria com a Secretaria de Saúde e a Vigilância Epidemiológica do município. Ela destaca que a investigação se debruçou sobre registros de violência autoprovocada, categoria que pode envolver tentativas e óbitos, e que, para o recorte local, a equipe trabalhou com 20 anos de registros municipais, de 2002 a 2022, além de bases nacionais (SIM, Sinan e SIH). (Informações prestadas por Andrea Machado em entrevista.) Um ponto que costuma confundir leitores — e até repórteres — é a defasagem dos sistemas públicos. Andrea explica que há um “pente-fino” para evitar duplicidades e corrigir lacunas, o que faz com que dados recentes levem tempo para aparecer consolidada e publicamente. Curso “Abordagens do suicídio”: quando formação vira estratégia de cidade O coração do artigo é o relato do curso de extensão “Abordagens do suicídio: cuidado, acolhimento, prevenção”, realizado em três dias, com foco em capacitar profissionais para prevenção e pósvenção, estimular acolhimento e enfrentar o estigma. O texto registra a dimensão dessa mobilização: 335 participantes, com 30 horas de formação. E detalha que o público envolveu diferentes setores — saúde, assistência social, educação, segurança pública e comunidade — como estratégia para construir uma abordagem interdisciplinar. Na prática, o curso combinou conferências e treinos orientados para comunicação, empatia e condutas diante de crises, além de momentos de escuta e articulação entre atores locais. Um dos gestos de maior impacto simbólico — e também prático — descritos no artigo foi a instalação de placas de prevenção em um ponto sensível da cidade, na Avenida Jornalista Lima Júnior, conhecida como “Volta do Vento”, em parceria com Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. A lógica da rede: cada área tem uma abordagem Andrea explica que “abordagens” não é só nome de curso: é um jeito de reconhecer que cada serviço atua com uma lente — e que todas são necessárias. A segurança pública tem protocolos de intervenção imediata; a assistência social amplia o contexto familiar e social; a psicologia trabalha escuta e acolhimento; a escola identifica sinais e aciona rede. Por isso, o trabalho precisa ser multifatorial, contínuo e coletivo. O próprio artigo reforça essa ideia ao descrever um grupo de construção do curso composto por professores, estudantes, profissionais e moradores, articulando áreas diversas e instituições do município. Janeiro Branco, o ano inteiro No fim, o Janeiro Branco não pede frases prontas — pede presença. E Ouro Preto tem tentado responder com método: pesquisa, formação, políticas, sensibilização e rede. Como resume Andrea: “Ao longo dos anos em que esta pesquisa foi construída ficou evidente que por trás de cada dado existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, um pedido de ajuda.” Onde buscar ajuda Em risco imediato: SAMU 192 ou Bombeiros 193

Procon multa Viação Pássaro Verde por falhas no transporte intermunicipal em Minas

O Procon do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) aplicou uma multa de R$ 221,5 mil à Viação Pássaro Verde por irregularidades na prestação do serviço de transporte intermunicipal no estado. A penalidade é resultado de fiscalizações realizadas pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) entre os meses de março e abril de 2025. As vistorias ocorreram no trecho entre Carangola e Belo Horizonte e identificaram uma série de falhas consideradas graves pelos órgãos de fiscalização. Entre elas, estão o descumprimento de horários e itinerários previstos, circulação de veículos em más condições de conservação e limpeza, além de ônibus operando sem a documentação obrigatória exigida pela legislação. De acordo com o Procon-MG, também houve resistência à fiscalização. Em alguns momentos, a empresa teria dificultado o trabalho dos agentes ao não apresentar veículos para vistoria quando solicitado, o que agravou a avaliação das irregularidades encontradas. Para o órgão de defesa do consumidor, as falhas comprometem a qualidade de um serviço essencial e colocam em risco a segurança dos passageiros, especialmente em um transporte utilizado diariamente por trabalhadores, estudantes e pacientes que dependem do deslocamento entre municípios. Em sua defesa, a Viação Pássaro Verde alegou que os problemas apontados seriam pontuais e que já teriam sido corrigidos. A empresa, no entanto, não negou a ocorrência das irregularidades registradas durante as fiscalizações. A decisão chama atenção também para cidades da Zona da Mata e de outras regiões de Minas, como Ponte Nova, onde o transporte intermunicipal é fundamental para a rotina da população. Casos como este reacendem o debate sobre a fiscalização contínua do serviço, a responsabilidade das concessionárias e o direito dos usuários a um transporte seguro, regular e de qualidade.

Ouro Preto recebe fórum para discutir diversificação econômica nos dias 29 e 30 de janeiro

Encontro no Centro de Artes e Convenções da UFOP reúne poder público, empreendedores e instituições para debater caminhos além da dependência setorial — com oficinas e painéis sobre turismo, economia criativa, campo, economia verde e inovação. Ouro Preto vai abrir a agenda de debates econômicos de 2026 com um tema que atravessa, em silêncio, as ladeiras históricas e as conversas de balcão: como reduzir vulnerabilidades e ampliar oportunidades de trabalho e renda sem perder a alma do território. Nos dias 29 e 30 de janeiro, a cidade sedia o 1º Fórum Regional de Diversificação Econômica | Edição Municipal Ouro Preto, no Centro de Artes e Convenções da UFOP. A proposta, segundo a Prefeitura, é criar um ambiente de escuta e articulação — menos “receita pronta” e mais encontro entre quem vive a cidade — para discutir vocações locais e rotas possíveis de desenvolvimento. Ouro Preto chega a esse debate com uma força evidente (patrimônio, turismo, serviços) e desafios conhecidos (dependência econômica concentrada e a necessidade de estimular outros segmentos, como agronegócio e economia verde). O prefeito Angelo Oswaldo afirmou que o tema está no centro das discussões regionais: “Acolheremos em Ouro Preto o Fórum Regional de Diversificação Econômica. Todos os municípios estão convidados a debater todos os temas…” Já o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Felipe Guerra, descreveu o evento como uma chance de aproximar gestão pública e empreendedores: “Esse espaço qualifica o diálogo, aproxima o poder público dos empreendedores e ajuda a dar visibilidade a demandas reais do território.” Para o gestor da ADOP, Vandeir Assis, a diversificação precisa partir do que já existe e pulsa na cidade: “Não há o que reinventar. O desafio está em identificar, fortalecer e apoiar as iniciativas que já nascem da vocação local.” Programação: empreendedorismo feminino, eixos do PADE e oficinas A programação começa no dia 29, às 13h, com o 1º Fórum Municipal de Empreendedorismo Feminino | Ouro Preto, realizado pela EmpreenDelas, com o tema “Estrelas que Inspiram”. Às 17h30, ocorre a abertura oficial do fórum regional, com debates organizados a partir dos eixos do PADE (Plano de Apoio à Diversificação Econômica de Ouro Preto) — incluindo apresentação do plano, debate sobre ambiente tributário, apresentação institucional da Vale e palestra magna. No dia 30, as atividades começam às 8h, com painéis sobre turismo e economia criativa, desenvolvimento rural, inteligência territorial, bancos comunitários e moedas sociais. À tarde, o foco se volta para oficinas temáticas, com trilhas de empreendedorismo e inclusão produtiva, agropecuária e economia verde e tecnologia e inovação. Realização, patrocínio e recursos públicos O evento é realizado pela Prefeitura de Ouro Preto e pela Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (ADOP), com projeto do Instituto Fórum e patrocínio de Samarco e Vale, além de uma lista de apoiadores locais e estaduais. No Diário Oficial do município, há registro de Termo de Fomento com repasse de R$ 200 mil à ADOP destinado à realização do fórum, vinculado às ações do PADE. Serviço 1º Fórum Regional de Diversificação Econômica | Edição Municipal Ouro Preto29 e 30 de janeiro de 2026Centro de Artes e Convenções da UFOP (Rua Diogo Vasconcelos, 328, Pilar)Realização: Prefeitura de Ouro Preto e ADOPMais informações e programação: site do FRDE (a Prefeitura informa que as inscrições serão divulgadas em breve) 

Escola Estadual Dom Velloso, em Ouro Preto, será escola bilíngue em francês a partir deste ano

Ouro Preto entrou na primeira leva do Minas Bilíngue, programa do Governo de Minas que inicia a implantação no ano letivo de 2026 com 30 escolas estaduais. Na lista divulgada nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, aparece a Escola Estadual Dom Velloso (ID 106470) como unidade selecionada para oferta bilíngue em francês, no Ensino Fundamental em Tempo Integral (EFTI). Segundo a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), o Minas Bilíngue foi lançado em 2025 e começa a funcionar em sala de aula em 2026, com escolas distribuídas por diferentes regiões do estado e vinculadas a 18 Superintendências Regionais de Ensino (SREs). A proposta combina ensino bilíngue e intercultural: a língua adicional — definida pela comunidade escolar — ganha mais carga horária e passa a se conectar a outros componentes curriculares, sem aumento da carga horária total do estudante, já que o programa se integra ao modelo de tempo integral (EMTI e EFTI). Na apresentação do projeto, o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, afirmou que a iniciativa pode ampliar horizontes na rede pública: “mais oportunidades se abrem aos estudantes mineiros”. Como vai funcionar o bilinguismo A SEE-MG informa que, além das aulas de idioma, parte das disciplinas da Formação Geral Básica e dos Itinerários Formativos deve ser ministrada parcialmente na língua adicional, em uma abordagem interdisciplinar. O currículo prevê ainda Estudos Interculturais, com temas históricos, culturais e artísticos ligados aos países falantes do idioma. O calendário oficial da rede estadual aponta início das aulas em 4 de fevereiro de 2026. Francês em Ouro Preto A confirmação do francês na Dom Velloso coloca Ouro Preto no mapa inicial do programa com um idioma menos comum na rede pública, ao lado de outras possibilidades mencionadas pela SEE-MG para as escolas selecionadas (como inglês e espanhol, além de opções como mandarim, alemão e italiano, conforme adesão e escolha local). A Escola Estadual Dom Velloso fica no bairro Pilar, em Ouro Preto, sob a SRE Ouro Preto.

Por que o carnaval de Ouro Preto pode ser uma grande aposta da geração Z

Quando se fala no carnaval de Ouro Preto como uma possível aposta da geração Z, é importante deixar claro do que estamos tratando. A referência central aqui é o carnaval de rua — aquele que acontece nas ladeiras históricas, nos blocos tradicionais, nos desfiles das escolas de samba e na ocupação coletiva do espaço público. Mas isso não significa ignorar ou desqualificar o carnaval universitário, organizado pelas repúblicas estudantis, que também faz parte da identidade da cidade. O diferencial de Ouro Preto está justamente na convivência entre diferentes formas de viver a festa. O interesse crescente da geração Z pelo carnaval de rua dialoga com mudanças mais amplas na forma de consumir cultura. Em vez de experiências concentradas em grandes estruturas privadas, cresce a busca por vivências abertas, caminháveis e compartilhadas. Em Ouro Preto, o carnaval de rua acontece no encontro: a música ecoa pelas ladeiras, os blocos se formam nas esquinas e a festa se constrói em movimento. É um carnaval que se vive a pé, com o corpo e com o olhar atentos ao entorno — um formato que conversa diretamente com os hábitos culturais dessa geração. Há também um elemento musical que ajuda a entender essa aproximação. Levantamentos recentes divulgados pelo Spotify indicam que a geração Z é hoje a que mais consome MPB na plataforma, revelando um interesse renovado por repertórios brasileiros, narrativos e coletivos. Esse movimento ajuda a explicar por que as marchinhas tradicionais, com letras simples, irônicas e fáceis de cantar em grupo, encontram novamente espaço entre os mais jovens. No carnaval de rua de Ouro Preto, a música não é apenas trilha sonora: ela é participação, coro e experiência compartilhada. O cenário urbano da cidade reforça essa vivência. As ladeiras de pedra, os casarios coloniais e as praças históricas fazem do carnaval de rua uma experiência visual intensa, sem necessidade de grandes produções ou estruturas artificiais. Para uma geração acostumada a registrar e compartilhar o cotidiano, Ouro Preto funciona como linguagem estética espontânea, em que a cidade não é cenário montado, mas parte ativa da festa. Outro ponto central é a autenticidade. Os blocos caricatos, as escolas de samba, os personagens populares e as referências históricas oferecem identidade cultural e continuidade — algo cada vez mais valorizado por jovens que cresceram em ambientes digitais homogêneos. O carnaval de rua de Ouro Preto não é genérico nem replicável: ele carrega memória, sotaque e pertencimento. Isso não significa oposição ao carnaval universitário, que segue sendo relevante e atrativo, especialmente para estudantes e jovens em busca de festas privadas e programação intensa. Ao contrário: Ouro Preto se destaca por oferecer um carnaval completo, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Há espaço para o bloco tradicional, para a escola de samba, para a festa universitária, para a programação infantil e para o carnaval nos distritos. Se o carnaval do futuro aponta para mais diversidade, mais escolha e mais convivência entre formatos, Ouro Preto já reúne esses elementos. Não por ter se reinventado recentemente, mas porque sempre soube conciliar rua, festa, memória e vida urbana. Para a geração Z — e para outras gerações — essa pluralidade pode ser justamente o maior atrativo.

Escola francesa de gastronomia Le Cordon Bleu vai usar casarão histórico em BH para unir culinária mineira e francesa

Parceria com Codemig prevê espaço que terá cursos de cozinha, restaurante e eventos; ideia é criar receitas mineiras com técnicas francesas e projetar Minas no cenário gastronômico mundial A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) fechou parceria com a escola francesa Le Cordon Bleu para usar a Mineiraria, um casarão tombado localizado no Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, em Belo Horizonte. A ideia é criar um espaço que misture escola de gastronomia, restaurante e centro de eventos — tudo unindo a cozinha mineira com técnicas da culinária francesa. O que é Le Cordon Bleu? É uma das escolas de gastronomia mais famosas e tradicionais do mundo, fundada em Paris em 1895. Presente em diversos países, a Le Cordon Bleu é referência em formação de chefs profissionais e tem como marca a excelência no ensino das técnicas da culinária francesa clássica. O que vai funcionar no espaço? O projeto prevê transformar a Mineiraria em um centro gastronômico completo, que vai oferecer: Comida mineira com “sotaque” francês O grande diferencial da parceria é criar um menu que pegue receitas tradicionais de Minas — como tropeiro, tutu, frango com quiabo, doces — e as prepare usando técnicas refinadas da cozinha francesa. A proposta é valorizar os ingredientes e pratos mineiros, mas com uma apresentação e preparo que seguem métodos consagrados mundialmente. “É uma iniciativa excelente para a gastronomia, a cultura e o turismo mineiros. Uma das mais renomadas escolas de gastronomia do mundo, presente em tantos países, está conosco nesse projeto de valorização do nosso estado”, afirmou Luísa Barreto, presidente da Codemig. Quem vai aproveitar? O espaço foi pensado para atender diferentes públicos: Onde fica e por que esse lugar? A Mineiraria é uma casa histórica tombada que fica dentro do Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte. O mesmo complexo abriga a Sala de Concertos Minas Gerais, onde a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresenta. A localização é estratégica: fica perto da região de comércio popular de roupas da capital, shoppings, clínicas e hospitais. Isso significa que diferentes tipos de pessoas passam por ali — desde quem vai tomar um café rápido até quem quer ter uma experiência gastronômica completa depois de assistir a um concerto. Objetivo maior: colocar Minas no mapa mundial da gastronomia A parceria tem uma ambição além do espaço físico: posicionar Minas Gerais como referência em gastronomia no Brasil e no mundo. A ideia é que, com o prestígio internacional da Le Cordon Bleu e a riqueza da culinária mineira, o estado ganhe destaque em roteiros turísticos gastronômicos e atraia visitantes interessados em conhecer — e aprender — sobre a comida daqui. O projeto também pretende fortalecer toda a cadeia produtiva, valorizando produtores locais de queijos, cachaças, doces, hortaliças e outros ingredientes típicos de Minas, criando oportunidades de negócios e desenvolvimento econômico. A data de inauguração do empreendimento ainda não foi divulgada. Os próximos passos incluem a elaboração do plano de negócios e a estruturação física do espaço.