Após pacote de 2025, sindicato prevê negociações mais duras em Ouro Preto

Sindisfop chama acordo coletivo deste ano de “histórico”, mas aponta queda de arrecadação e ciclo político como fatores que podem limitar reajustes em 2026 e 2027 O acordo coletivo dos servidores municipais de Ouro Preto firmado em 2025 foi considerado “histórico” pelo Sindicato dos Servidores e Funcionários Públicos Municipais de Ouro Preto (Sindsfop). Em entrevista, o presidente da entidade, Leandro Andrade, afirma que o resultado deste ano reuniu reajuste salarial, ampliação de benefícios e mudanças em regras de férias-prêmio que, segundo ele, ampliam a margem de planejamento financeiro para quem está na ativa. Ao mesmo tempo, o sindicato já projeta um cenário menos favorável para os próximos dois anos. A avaliação de Leandro é que 2026 e 2027 tendem a trazer negociações “mais duras”, diante de um contexto de retração de receitas e de mudanças nacionais ligadas à mineração. “A gente tem que ter o pé no chão. Saber que em 2026 e 2027 o nosso acordo coletivo vai ser um pouco inferior ao que foi o de 2025”, disse. Reajuste, vale e bônus natalino Entre os pontos destacados pelo sindicato, está o reajuste de 10% no vencimento em 2025. Leandro classifica o percentual como um dos maiores em comparação regional, mas a afirmação é apresentada como avaliação do próprio sindicato. “Conseguimos um reajuste de 10%, que foi o maior da região”, declarou. Outro item citado é a elevação do vale-alimentação de R$ 900 para R$ 1.200. O presidente do Sindsfop também aponta mudança na gratificação natalina, que passou a acompanhar o valor do benefício. “A gratificação natalina passa a ser o valor do vale-alimentação… mais 1.200 para o servidor poder fazer sua ceia”, afirmou. Férias-prêmio: regra mudou em 2024 e foi ampliada em 2025 A entrevista também recupera alterações negociadas no acordo coletivo do ano anterior. Segundo Leandro, em 2024 o período aquisitivo para férias-prêmio foi reduzido: antes, seriam necessários 10 anos ininterruptos para ter direito a cinco meses; depois da mudança, o servidor passaria a ter direito a três meses ao completar cinco anos sem interrupção. “A cada 10 anos ele vai ter o direito a seis meses”, explicou, ao comparar a regra nova com a anterior. Já em 2025, o sindicato diz ter avançado na possibilidade de conversão da licença em dinheiro. O presidente relata que, até então, a venda era limitada a um mês por ano, no mês de aniversário do servidor. Com o acordo deste ano, ele afirma que passou a ser possível vender até três meses, entre fevereiro e novembro, “um mês por mês”. “Isso ajuda… a evitar que ele pegue empréstimo para quitar algum débito”, argumentou. Concurso público e “efeito atração” de novos servidores Leandro também relaciona as conquistas trabalhistas ao interesse de candidatos de outras cidades e estados em concursos da Prefeitura. Ele afirma que, nos acordos coletivos de 2021 e 2022, o sindicato inseriu cláusulas que reforçavam o compromisso do Município com a realização do concurso, executado em 2023, e que em 2025 houve previsão de prorrogação por mais dois anos. “Um número significativo de servidores novos… vem de outros estados, outras cidades”, disse, atribuindo esse movimento à busca por melhores condições de trabalho e remuneração. Por que o sindicato prevê acordos “inferiores” em 2026 e 2027 Ao projetar os próximos anos, o presidente do Sindsfop aponta queda de arrecadação e incertezas ligadas à mineração como fatores que podem reduzir a margem de negociação. Entre os motivos citados por ele estão impactos de paralisações/fechamentos em operações e a expectativa de mudanças na forma de distribuição de receitas relacionadas ao setor mineral, em discussão nacional. “A Prefeitura passa por uma queda na sua arrecadação… e isso tem impacto direto na capacidade de negociar”, afirmou, ao explicar por que não espera repetição do patamar de 2025. Além do cenário econômico, Leandro também menciona a dinâmica política dos ciclos eleitorais. Na leitura dele, é comum que gestões tenham mais disposição para conceder reajustes maiores em anos próximos ao fim do mandato. “A lógica da política… prevalece. O prefeito deixa para dar um aumento maior no último ano de governo”, disse, acrescentando que vê possibilidade de acordos mais robustos em um horizonte posterior, “dependendo do contexto”. O que fica e o que depende de nova negociação O sindicato reforça que o acordo coletivo é o instrumento anual em que são negociados reajustes e benefícios, além de cláusulas que podem alterar regras internas — como as que envolvem férias-prêmio. Para 2026 e 2027, porém, a entidade diz que a prioridade será preservar conquistas recentes e buscar avanços “possíveis” diante do orçamento. A reportagem procurou a Prefeitura de Ouro Preto para comentar as projeções apresentadas pelo sindicato e informar se há estimativa oficial de impacto orçamentário para os próximos acordos coletivos. (Inserir aqui a resposta do Executivo, quando houver.)

Transforme sua rotina e torne a vida mais interessante – três estratégias para ajudá-lo a alcançar uma vida plena

Abordar seu dia normal com uma nova mentalidade pode levá-lo a uma direção interessante. d3sign/Moment via Getty Images Lorraine Besser, Middlebury College Imagine que é segunda-feira de manhã, muito frio e muito escuro, mas assim que o despertador toca, você sabe que precisa se mobilizar. As crianças precisam ir para a escola. Você tem que ir para o trabalho. E, é claro, sua lista de tarefas cada vez maior paira sobre sua cabeça como uma nuvem escura, de alguma forma ameaçadora demais para ser ignorada e ameaçadora demais para iniciar suas tarefas. Em dias assim, você pode se sentir grato simplesmente por ter conseguido sobreviver. Mas aí começa tudo de novo. Embora não seja possível escapar da rotina, você pode transformá-la. As mais recentes pesquisas psicológicas sobre uma boa vida aponta o caminho: Ao mudar sua mentalidade, você pode tornar seu dia a dia mais interessante e criar riqueza psicológica em sua vida. A riqueza psicológica descreve uma forma robusta de engajamento cognitivo. Ela é diferente de felicidade e sentido, mas igualmente importante para uma vida plena. Em colaboração com Shigehiro Oishi e seu laboratório de pesquisa, investiguei se o campo da psicologia positiva tem negligenciado amplamente uma dimensão importante para uma vida boa. Como filósofa de nossa equipe, eu tinha duas diretrizes. Primeiro, ajudei a definir o conceito de riqueza psicológica e a entender o que o distingue da felicidade e do sentido de viver. Em segundo lugar, comecei a explorar por que a riqueza psicológica é valiosa. Nossos estudos iniciais descobriram que as pessoas valorizam experiências que estimulam suas mentes, desafiam-nas e geram uma série de emoções. Muitos escolheriam uma vida repleta dessas experiências, que descrevemos como psicologicamente ricas, em vez de uma vida feliz ou uma vida significativa. Essa percepção aponta para o importante papel que a riqueza psicológica pode desempenhar numa vida boa, mas não chega a explicar por que ela é boa e por que as pessoas devem abrir espaço para a riqueza psicológica em suas vidas. Essas são perguntas carregadas de valores que não podem ser respondidas por meio de pesquisas empíricas. Em vez disso, suas respostas são encontradas por meio da análise filosófica. Minha análise filosófica sugere que a riqueza psicológica é boa para você porque é interessante. Meu livro, “The Art of the Interesting: What We Miss in Our Pursuit of the Good Life and How to Cultivate It”, mostra como acrescentar riqueza psicológica à sua vida, tornando-a mais interessante. Uma das maneiras mais fáceis de fazer isso é adotar uma mentalidade caracterizada pela curiosidade, criatividade e o que eu chamo de “mindfulness 2.0” (ou atenção plena 2.0). Quando você traz essas três perspectivas para o seu dia a dia, transforma a rotina em oportunidades infinitas de vivenciar o mundo como algo interessante. Você desenvolve a capacidade de melhorar sua própria vida. Mindfulness 2.0: Observar sem julgar O que chamo de “mindfulness 2.0” significa trazer a consciência não avaliativa para o mundo ao seu redor – prestar atenção sem julgar. Conhecida das práticas de mindfulness, é uma forma de percepção que traz à tona detalhes que você normalmente ignora: a textura das folhas de uma planta de casa, os rostos dos estranhos que passam na calçada, as diferentes alturas das latas na prateleira de uma loja. Ao trazer esses detalhes à sua atenção, você estimula sua mente, permitindo que você se envolva mentalmente com o ambiente ao seu redor de maneira ativa. Perceber as coisas por meio da atenção plena 2.0 é o primeiro passo para ter uma experiência interessante. Um bom lugar para praticar a atenção plena 2.0 é durante seu trajeto matinal. Por ser uma rotina, você provavelmente não sentirá a necessidade de se envolver muito com os detalhes do que está fazendo. Em vez disso, você encontrará outras maneiras de passar o tempo, como ouvir as notícias ou seu podcast favorito. Essas atividades o distraem do trajeto que, de outra forma, seria entediante, pois o desvinculam dele. Notar um padrão intrigante quando os pássaros se reúnem no alto pode envolver sua mente enquanto você se desloca pelo mundo. Menahem Kahana/AFP via Getty Images Mas você também pode se envolver com o trajeto de modo a torná-lo menos entediante. É aqui que entra em ação o poder da atenção plena 2.0. Ao observar ativamente as coisas ao seu redor – sejam as pessoas aglomeradas no ponto de ônibus, os padrões de tráfego criados por um semáforo ou um bando de pássaros voando sobre sua cabeça – você envolve sua mente e se prepara para vivenciar o interessante. Curiosidade: Explorar por meio de perguntas A curiosidade não é apenas para crianças. Não importa o quanto você saiba, sempre há algo para se ter curiosidade, especialmente se você aprendeu a perceber os detalhes por meio da atenção plena 2.0. Digamos que você tenha notado, durante seu trajeto, o grupo de pessoas reunidas no ponto de ônibus. Agora, deixe sua curiosidade decolar: Esse ponto de ônibus sempre esteve lá? Há quanto tempo aquele anúncio imobiliário excepcionalmente estranho está preso no encosto do banco? Tantas pessoas fizeram fila nessa manhã fria. Você pode se perguntar se não se sentiria um pouco mais conectado se estivesse com elas. Mas então você percebe que ninguém está falando. Será que elas pegam o mesmo ônibus juntas, todos os dias, sem se reconhecerem? Ao fazer perguntas, você pede à sua mente que considere algo que ela não considerou antes. Você cria novos pensamentos e, se deixar a mente seguir em frente, terá uma experiência interessante, enquanto faz o mesmo trajeto. Melhor ainda, você terá criado essa experiência interessante por conta própria. Você aproveitou uma capacidade de melhorar sua vida, uma capacidade que está totalmente sob seu controle. Criatividade: Experimentar algo novo Embora as pessoas geralmente pensem na criatividade como um talento, nativo apenas de artistas ou inventores, todos têm a capacidade de ser criativos. A criatividade é uma habilidade que envolve formar novas conexões com sua mente. Você é criativo sempre que faz algo novo ou diferente.

O que fazer quando a meta de ano novo não dá certo

Autora: Janina SteinmetzProfessora de Marketing, Bayes Business School, City St George’s, University of London Todos os anos, muitos de nós anunciamos com coragem nossas resoluções de Ano-Novo. Uma taça de champanhe na virada pode aumentar nossa confiança de que seremos capazes de fazer melhor no ano que começa — economizar mais, gastar menos, comer melhor, malhar mais ou maratonar menos séries. Mas a maioria das resoluções fracassa. Mesmo nas primeiras semanas após o Réveillon, grande parte das pessoas já desistiu delas. Ainda assim, nem toda história de fracasso é igual, porque a forma como você fala sobre o fracasso importa — para a sua própria motivação e para a confiança das outras pessoas na sua capacidade de tentar de novo. Então, o que podemos fazer depois de desistir da resolução? Nós anunciamos boas intenções para amigos e familiares e agora precisamos admitir o fracasso. Pesquisas mostram que o jeito como você formula uma resolução que não deu certo pode influenciar como as pessoas a enxergam. E compreender por que a maioria das resoluções não se concretiza pode ajudar a levá-las adiante no futuro. De fato, dá para falar sobre suas resoluções de um modo que torne seu fracasso mais compreensível e mantenha sua motivação para seguir em frente. Uma forma construtiva de discutir uma resolução que falhou é focar no quanto esse fracasso era controlável. Pesquisas indicam que a maioria das resoluções exige algum investimento de tempo e de dinheiro. Por exemplo, entrar em forma leva tempo para se exercitar e, normalmente, também requer dinheiro para uma academia ou para equipamentos de treino. Como esses dois recursos são essenciais para perseguirmos nossos objetivos, muitas resoluções fracassam por falta de tempo ou de dinheiro — ou dos dois. Ao falar de uma resolução que falhou no passado, minhas próprias pesquisas mostram que é melhor destacar como a falta de dinheiro contribuiu para esse fracasso, em vez da falta de tempo. Em um estudo meu de 2024, as pessoas leram sobre participantes de painéis — fictícios e reais — que falharam por falta de dinheiro ou por falta de tempo. A maioria considerou que a pessoa cujo fracasso foi causado por falta de dinheiro teria mais autocontrole dali em diante e seria mais confiável na busca pelos próprios objetivos. Esse efeito ocorreu porque a falta de dinheiro é vista como algo que não pode ser controlado com tanta facilidade; então, se foi isso que causou o fracasso, não havia muito o que a pessoa poderia ter feito. Nessa pesquisa, a maior parte das resoluções que não deram certo estava relacionada a perda de peso, alimentação mais saudável ou treino na academia. Os participantes avaliaram da mesma forma quando a pessoa que falhou era homem ou mulher — provavelmente porque é plausível que todo mundo precise de algum tempo e de algum dinheiro para perseguir objetivos diversos, independentemente do gênero ou do tipo de resolução. O papel da “controlabilidade” aparece de um jeito diferente quando pensamos em como fazer melhor na próxima vez. O papel do tempo As pesquisas também mostram que a maneira como enxergamos o tempo importa quando se trata de fracasso. Para o passado, é melhor pensar em fatores fora do nosso controle, o que ajuda a reduzir a carga negativa do fracasso e reforça a crença de que podemos fazer melhor. Isso pode significar, por exemplo, considerar que seu fracasso ocorreu por falta de dinheiro ou por outros recursos fora do seu alcance. Para o futuro, porém, adote uma perspectiva ativa sobre o tempo. Olhe para a sua agenda e tome decisões ativas sobre como alocar tempo para perseguir seu objetivo — marcando idas à academia ou reservando um horário para preparar refeições saudáveis. Isso pode nos dar motivação para tentar de novo, porque não somos vítimas de agendas lotadas. Mulher desabada sobre uma bola de exercícios na sala de estar.Definitivamente não é a única. Lopolo/Shutterstock Um estudo publicado em outubro de 2025, que analisou como a falta de tempo contribui para fracassos, mostrou que as pessoas recuperam a sensação de controle quando falam em “arrumar tempo” (ou “criar tempo”), em vez de “ter tempo”. Quem descreveu suas falhas como resultado de não ter arrumado/criado tempo sentiu que poderia fazer diferente no futuro — e ficou mais motivado para isso. Isso acontece porque “arrumar/criar tempo” sugere controle ativo sobre o próprio tempo e a própria rotina, enquanto “ter tempo” nos coloca numa posição passiva. Por exemplo: se você diz que não arrumou tempo para treinar, isso significa que pode arrumar tempo no futuro, se decidir fazê-lo. Já se você diz que não teve tempo para treinar, parece que essa falta de tempo está fora do seu controle e pode acontecer de novo, impedindo você de alcançar suas metas de exercício. Encontre alegria Outro motivo para tanta gente ter dificuldade em manter a resolução de Ano-Novo pode ser o excesso de ambição — ou o fato de ignorar que alegria e prazer são o que nos mantém em movimento. Não basta apenas ter um objetivo em mente. Encontrar alegria no caminho e acreditar na capacidade de mudar também é importante. Por exemplo, alguém pode querer entrar em forma e treinar mais, mas, quando tenta ir à academia, não tem confiança para se inscrever numa aula. Sem algum componente de diversão, é difícil cumprir uma resolução, mesmo quando realmente queremos alcançar o objetivo. Então, tente pensar em formas de tornar a meta mais prazerosa de trabalhar — e lembre a si mesmo que você é capaz. A tendência das resoluções de Ano-Novo não é ruim em si. Embora possa parecer paradoxal começar hábitos virtuosos logo depois de uma grande noite de bebida e exageros, pesquisas mostram que podemos, sim, nos beneficiar do chamado “efeito do recomeço”, no qual um novo marco no calendário oferece uma sensação de página em branco para iniciar hábitos melhores. Mas não precisamos esperar o calendário nos dar um recomeço. Podemos escolher fazer nossa própria resolução (talvez uma resolução de Dia dos Namorados ou de Páscoa?)

Vandalismo compromete sistema automatizado de iluminação na Bauxita

Um ato de vandalismo registrado no dia 27 de dezembro comprometeu o funcionamento do sistema automatizado de iluminação do campinho Society do Pro, na Praça José Marçal, no bairro Bauxita, em Ouro Preto. O painel elétrico e eletrônico responsável pelo controle dos refletores foi danificado. Segundo apuração técnica informada pela Prefeitura, os responsáveis forçaram o painel de controle, danificaram o sensor e acessaram o equipamento internamente. Com isso, o sistema automático foi desativado e substituído por uma ligação direta — o que passou a permitir que as luzes sejam ligadas e desligadas manualmente. O sistema automatizado havia sido implantado para garantir o desligamento das luzes às 23h, atendendo a uma demanda de moradores do entorno. A medida tinha como objetivo preservar o sossego noturno, reduzindo jogos, aglomerações e o impacto da iluminação intensa durante a madrugada. O local conta com câmeras de monitoramento. De acordo com a Prefeitura, as imagens já estão sendo analisadas pela inteligência da Guarda Municipal, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar, para identificar os responsáveis pelo dano ao patrimônio público. A Prefeitura ressalta que o vandalismo contra bem pertencente ao Município é tipificado como crime. O artigo 163 do Código Penal prevê pena de reclusão de seis meses a três anos, além de multa, quando o dano é qualificado por atingir patrimônio público. Após a constatação do dano, o painel foi vedado provisoriamente com cadeado para impedir novos acessos. A ordem de serviço para o reparo será emitida e os trabalhos deverão ser executados pela Prefeitura de Ouro Preto.

O papel estratégico da nova vacina Butantan-DV, primeira do mundo em dose única contra a dengue

André Ricardo Ribas Freitas, Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic Aprovada no último dia 26 de novembro pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos, a vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante contra dengue em dose única do mundo. A notícia é muito auspiciosa, uma vez que a dengue permanece como a arbovirose mais frequente no planeta, e uma das que mais pressionam o sistema de saúde brasileiro. O Brasil já convive com ciclos intensos de dengue há décadas. Eles são agravados pela circulação alternada e simultânea dos quatro sorotipos do vírus causador dessa febre (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Essa alternância cria condições para a ocorrência de epidemias maiores, com picos intensos e risco elevado de formas graves em razão da maior prevalência de segundas infecções. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até novembro de 2025, foram contabilizados 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. São Paulo é o estado mais afetado tanto em número total como proporcionalmente ao tamanho da população. No Brasil, os óbitos já somam 1,6 mil em 2025, e registram uma redução de 72% em comparação com 2024. Esse comportamento viral, associado à forte presença do mosquito Aedes aegypti — o principal vetor da doença — nas áreas urbanas, ajuda a entender por que a dengue segue como um problema estrutural para o país. Nesse contexto, o anúncio recente da aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova vacina contra a dengue desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan representa um avanço concreto. A Butantan-DV utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado, já amplamente validada em imunizantes contra outros patógenos, como sarampo, caxumba e rubéola, febre amarela e rotavírus. Os vírus atenuados usados em vacinas passam por processos laboratoriais que os impedem de causar doenças. Porém, em contato com o organismo, conseguem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos e ativar células de defesa. Esse reconhecimento prévio permite uma resposta rápida caso a pessoa seja exposta a estes ao vírus, reduzindo de forma significativa o risco de infecção e de quadros graves. Quanto ao perfil de segurança, os efeitos adversos mais comuns da Butantan-DV foram leves a moderados — como cefaleia, fadiga e exantema (manchas vermelhas na pele). Eventos graves foram raros e consistentes com o que já se conhece do uso de vacinas de vírus vivo atenuado. Diante desses resultados, a Anvisa concluiu que o risco-benefício é favorável, considerando a elevada carga da dengue no país. A agência reguladora prevê ainda o acompanhamento contínuo da segurança e eficácia ao longo dos próximos anos, como ocorre com qualquer imunizante novo introduzido em larga escala. Décadas de pesquisa A Butantan-DV é resultado de pesquisas iniciadas em 2009, quando o país ultrapassou 1 milhão de casos prováveis da doença. A partir de uma colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que cederam as quatro cepas atenuadas do vírus, o Instituto Butantan desenvolveu sua própria formulação após centenas de experimentos. Os ensaios clínicos avançaram da fase 1, conduzida pelo NIH com 113 voluntários e imunogenicidade inicial de 90%, para a fase 2 brasileira, que reuniu 300 adultos e confirmou segurança e resposta imune robustas em apenas uma dose. O passo decisivo ocorreu a partir de 2016, com a fase 3. Foi um dos maiores estudos clínicos já feitos no país, envolvendo 16 mil voluntários de 2 a 59 anos em 16 centros de pesquisa. Após cinco anos de acompanhamento, os resultados mostraram eficácia geral de 74,7% em adolescentes e adultos e proteção de 91,6% contra formas graves. Ao menos três características explicam por que este imunizante representa um avanço importante. Enquanto a vacina atualmente disponível, a QDENGA (Takeda), é dada em duas doses, a Butantan-DV deve ser aplicada em dose única, o que torna a estratégia de vacinação mais simples, com maior potencial de cobertura. A dose única simplifica campanhas, melhora a adesão e permite respostas rápidas em momentos de surto ou em localidades com acesso irregular a serviços de saúde. Além disso, a Butantan-DV apresentou maior eficácia para casos sintomáticos e graves. Nos estudos, a vacina demonstrou boa capacidade de prevenir dengue sintomática — incluindo quadros graves que exigem hospitalização, reduzindo a pressão sobre unidades de emergência. A Butantan-DV também é segura para pessoas que não tiveram exposição anterior ao vírus da dengue. Ao não exigir infecção prévia, o imunizante supera a restrição apresentada pela vacina Dengvaxia (em três doses, da Sanofi-Pasteur), que era indicada somente a quem já havia sido infectado por dengue antes, e reposiciona a vacinação como medida populacional, não apenas individual. Outro ponto relevante é a produção nacional do imunizante: a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan para ampliar a produção busca garantir a fabricação em larga escala, fortalecendo a autonomia sanitária do país e reduzindo dependência de importações em momentos críticos. É importante ter clareza de que a vacinação não interromperá a transmissão sozinha. As arboviroses são transmitidas por vetores e influenciadas por fatores ambientais — densidade de mosquitos, chuva, temperatura e condições urbanas. Mesmo uma alta cobertura vacinal não eliminaria totalmente a circulação viral. A indicação para a faixa etária de 12 a 59 anos também limita o impacto populacional máximo. Mas isso não diminui sua importância: o objetivo central é reduzir casos, internações e mortes, o que é um ganho direto para a saúde pública. A disseminação das arboviroses As arboviroses não se limitam à dengue. Elas são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por insetos hematófagos (se alimntam de sangue). Entre os vetores mais relevantes estão o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, transmissores de dengue, chikungunya e Zika; o Culicoides paraenses (conhecido como maruim ou mosquito porva) e o Culex quinquefasciatus (pernilongo comum), envolvidos na transmissão do vírus Oropouche. O pernilongo comum também pode transmitir o vírus West Nile. Nos últimos anos, vários desses vírus passaram a ocorrer em novas regiões do Brasil e das Américas, deixando de se concentrar apenas nos territórios historicamente afetados. O vírus Oropouche, antes restrito à Amazônia, hoje provoca surtos

Desenvolvimento econômico: Ouro Preto saiu de 16 mil para 21 mil empregos formais em cinco anos

Secretário de Desenvolvimento Econômico faz balanço de 2025 e destaca crescimento sem meses de saldo negativo, selo ouro da Sala Mineira, primeira política de economia criativa de Minas e modelo de gestão descentralizada que atrai delegações de todo o país Ouro Preto encerra 2025 com 21.194 postos de trabalho formais, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Felipe Guerra. O número representa um crescimento de quase 5 mil vagas desde 2021, quando a cidade tinha 16.200 empregos formais. Em entrevista exclusiva, o secretário detalhou as conquistas do ano e a estratégia de gestão descentralizada que, segundo ele, tem atraído empresas e delegações de outras cidades interessadas no modelo ouro-pretano. “Ouro Preto hoje tem 21 mil em torno de 194 postos de trabalho. O prefeito Ângelo Oswaldo assumiu há cinco anos atrás, Ouro Preto tinha 16.200 postos de trabalho. E agora, no primeiro ano do segundo mandato, ele já subiu absurdamente para 21 mil postos de trabalho”, comemorou Guerra. “O que é muito importante para a cidade de Ouro Preto, que mostra uma cidade com o cenário econômico aquecido.” Além do crescimento quantitativo, o secretário destacou a estabilidade: “Nesse ano, no número de empregos, não tivemos nem um mês com saldo negativo. Isso é muito importante ser dito. Porque quando há muita variação no mercado, geralmente novembro e dezembro são meses que as empresas mandam embora, terminam o contrato. Isso não aconteceu em Ouro Preto esse ano.” Para Guerra, os números revelam maturidade econômica: “Isso não mostra só aquele crescimento desenfreado econômico, mostra que o mercado se estabeleceu, que esses empregos não são simplesmente empregos temporários, mas já são empregos formais, uma cadeia produtiva da cidade.” 250 novas empresas e desburocratização O município conta hoje com aproximadamente 8 mil empresas abertas, com saldo positivo de 250 estabelecimentos em 2025. “Entre os que abrem e fecham, ficou 250 a mais”, explicou o secretário. A desburocratização foi apontada como fator decisivo. “Ouro Preto, como não tinha secretaria de desenvolvimento econômico, a área econômica era extremamente descentralizada. Tinha parte na Fazenda, parte no Turismo e Indústria de Comércio, parte na Secretaria de Patrimônio. O empresário tinha uma dificuldade gigantesca de abrir uma empresa”, contextualizou Guerra. “Perdemos vários e vários empreendimentos. Porque, como diz o meio econômico, o dinheiro não espera.” Com a criação da Sala Mineira do Empreendedor, em parceria com o Sebrae e a Agência de Desenvolvimento de Ouro Preto (Adope), o cenário mudou: “Hoje você consegue abrir uma empresa simples em 3, 4 dias em Ouro Preto. O empresário de Ouro Preto sabe onde ele tem que ir para abrir uma empresa, para se capacitar, para buscar informações.” O trabalho foi reconhecido: “A nossa Sala Mineira ganhou esse ano o prêmio ouro pelo Sebrae, por Minas Gerais. Foram mais de 4 mil CNPJs abertos nos últimos anos desde a criação da sala.” Guerra complementou com outro dado: “Mais de 780 atividades estão dispensas de alvará quando a gente assina a lei de liberdade econômica.” SINE: de penúltimo a top 3 de Minas Outro destaque foi a transformação do Sistema Nacional de Emprego (SINE). “Quando nós assumimos a secretaria, ele estava em penúltimo lugar em Minas Gerais. Dos 853 municípios que têm o SINE, o nosso era o penúltimo. É triste falar isso”, admitiu o secretário. “E hoje nós estamos entre os três SINEs de Minas Gerais.” O secretário atribuiu o resultado à liderança de Guilherme de Jesus e à equipe: “Tem uma transparência que dita a vida pública dele e um comprometimento com o SINE. Nós temos o SINE Ouro Preto, temos o SINE Cachoeira do Campo, temos o SINE Antônio Pereira. É uma equipe que trabalha de maneira articulada e entrega tantos resultados.” A estrutura foi fundamental para grandes contratações: “Fizemos os grandes feirões de emprego no início do ano. Tivemos o feirão de emprego do Vila Galé, um hotel de rede internacional captado para Minas Gerais depois de 25 anos. Fizemos o saldão da GSA, entre tantos outros, da Araújo, todos com apoio do SINE.” Primeira política de economia criativa de Minas Ouro Preto se tornou a primeira cidade mineira com política pública de economia criativa. “Ouro Preto já tem uma atividade e várias pessoas trabalhando com a economia criativa, e a gente então fez essa ação”, explicou Guerra. “A economia criativa foi o último eixo a entrar na primeira revisão dessa política pública do PADE [Plano de Ação de Desenvolvimento Econômico].” A política foi desenvolvida em parceria com a UFOP: “É uma política pública que foi em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, que é uma das missões também da nossa secretaria, que é se aproximar das entidades.” Com o documento aprovado, a cidade está “participando e disputando para ser a cidade criativa da humanidade pelo Unesco. Ouro Preto é patrimônio da humanidade. E a gente está buscando esse título, essa chancela, que será muito importante para toda a área da economia criativa.” O secretário anunciou novidade: “Esse ano que vem, nós teremos um evento chamado Festival da Criatividade. Vai ser uma semana inteira com várias atividades de economia criativa, com os grupos ouro-pretanos, com os nossos distritos. Falar em economia criativa em Minas vai ter que falar de Ouro Preto.” Ele citou ainda ações específicas: “O nosso diretor de economia criativa, Luiz Viana, hoje traz também um trabalho importantíssimo de afroempreendedorismo em Ouro Preto, junto com o nosso diretor de igualdade racial, o Kedson. Foram várias e várias ações em favor do afroempreendedorismo.” Jabuticaba é primeiro arranjo produtivo e identidade geográfica A jabuticaba de Cachoeira do Campo conquistou dois marcos: “Primeiro, chancela a jabuticaba de Cachoeira do Campo como arranjo produtivo local no governo do estado de Minas Gerais. E depois nós entramos com a identidade geográfica da jabuticaba, fazendo a primeira identidade geográfica de Ouro Preto.” O projeto recebeu recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e parceria com a Samarco: “Nossa diretoria de economia criativa, junto com a Federa Minas, foi buscar na Samarco o recurso para a gente fazer o