Vandalismo compromete sistema automatizado de iluminação na Bauxita

Um ato de vandalismo registrado no dia 27 de dezembro comprometeu o funcionamento do sistema automatizado de iluminação do campinho Society do Pro, na Praça José Marçal, no bairro Bauxita, em Ouro Preto. O painel elétrico e eletrônico responsável pelo controle dos refletores foi danificado. Segundo apuração técnica informada pela Prefeitura, os responsáveis forçaram o painel de controle, danificaram o sensor e acessaram o equipamento internamente. Com isso, o sistema automático foi desativado e substituído por uma ligação direta — o que passou a permitir que as luzes sejam ligadas e desligadas manualmente. O sistema automatizado havia sido implantado para garantir o desligamento das luzes às 23h, atendendo a uma demanda de moradores do entorno. A medida tinha como objetivo preservar o sossego noturno, reduzindo jogos, aglomerações e o impacto da iluminação intensa durante a madrugada. O local conta com câmeras de monitoramento. De acordo com a Prefeitura, as imagens já estão sendo analisadas pela inteligência da Guarda Municipal, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar, para identificar os responsáveis pelo dano ao patrimônio público. A Prefeitura ressalta que o vandalismo contra bem pertencente ao Município é tipificado como crime. O artigo 163 do Código Penal prevê pena de reclusão de seis meses a três anos, além de multa, quando o dano é qualificado por atingir patrimônio público. Após a constatação do dano, o painel foi vedado provisoriamente com cadeado para impedir novos acessos. A ordem de serviço para o reparo será emitida e os trabalhos deverão ser executados pela Prefeitura de Ouro Preto.

O papel estratégico da nova vacina Butantan-DV, primeira do mundo em dose única contra a dengue

André Ricardo Ribas Freitas, Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic Aprovada no último dia 26 de novembro pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos, a vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante contra dengue em dose única do mundo. A notícia é muito auspiciosa, uma vez que a dengue permanece como a arbovirose mais frequente no planeta, e uma das que mais pressionam o sistema de saúde brasileiro. O Brasil já convive com ciclos intensos de dengue há décadas. Eles são agravados pela circulação alternada e simultânea dos quatro sorotipos do vírus causador dessa febre (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Essa alternância cria condições para a ocorrência de epidemias maiores, com picos intensos e risco elevado de formas graves em razão da maior prevalência de segundas infecções. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até novembro de 2025, foram contabilizados 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. São Paulo é o estado mais afetado tanto em número total como proporcionalmente ao tamanho da população. No Brasil, os óbitos já somam 1,6 mil em 2025, e registram uma redução de 72% em comparação com 2024. Esse comportamento viral, associado à forte presença do mosquito Aedes aegypti — o principal vetor da doença — nas áreas urbanas, ajuda a entender por que a dengue segue como um problema estrutural para o país. Nesse contexto, o anúncio recente da aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova vacina contra a dengue desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan representa um avanço concreto. A Butantan-DV utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado, já amplamente validada em imunizantes contra outros patógenos, como sarampo, caxumba e rubéola, febre amarela e rotavírus. Os vírus atenuados usados em vacinas passam por processos laboratoriais que os impedem de causar doenças. Porém, em contato com o organismo, conseguem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos e ativar células de defesa. Esse reconhecimento prévio permite uma resposta rápida caso a pessoa seja exposta a estes ao vírus, reduzindo de forma significativa o risco de infecção e de quadros graves. Quanto ao perfil de segurança, os efeitos adversos mais comuns da Butantan-DV foram leves a moderados — como cefaleia, fadiga e exantema (manchas vermelhas na pele). Eventos graves foram raros e consistentes com o que já se conhece do uso de vacinas de vírus vivo atenuado. Diante desses resultados, a Anvisa concluiu que o risco-benefício é favorável, considerando a elevada carga da dengue no país. A agência reguladora prevê ainda o acompanhamento contínuo da segurança e eficácia ao longo dos próximos anos, como ocorre com qualquer imunizante novo introduzido em larga escala. Décadas de pesquisa A Butantan-DV é resultado de pesquisas iniciadas em 2009, quando o país ultrapassou 1 milhão de casos prováveis da doença. A partir de uma colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que cederam as quatro cepas atenuadas do vírus, o Instituto Butantan desenvolveu sua própria formulação após centenas de experimentos. Os ensaios clínicos avançaram da fase 1, conduzida pelo NIH com 113 voluntários e imunogenicidade inicial de 90%, para a fase 2 brasileira, que reuniu 300 adultos e confirmou segurança e resposta imune robustas em apenas uma dose. O passo decisivo ocorreu a partir de 2016, com a fase 3. Foi um dos maiores estudos clínicos já feitos no país, envolvendo 16 mil voluntários de 2 a 59 anos em 16 centros de pesquisa. Após cinco anos de acompanhamento, os resultados mostraram eficácia geral de 74,7% em adolescentes e adultos e proteção de 91,6% contra formas graves. Ao menos três características explicam por que este imunizante representa um avanço importante. Enquanto a vacina atualmente disponível, a QDENGA (Takeda), é dada em duas doses, a Butantan-DV deve ser aplicada em dose única, o que torna a estratégia de vacinação mais simples, com maior potencial de cobertura. A dose única simplifica campanhas, melhora a adesão e permite respostas rápidas em momentos de surto ou em localidades com acesso irregular a serviços de saúde. Além disso, a Butantan-DV apresentou maior eficácia para casos sintomáticos e graves. Nos estudos, a vacina demonstrou boa capacidade de prevenir dengue sintomática — incluindo quadros graves que exigem hospitalização, reduzindo a pressão sobre unidades de emergência. A Butantan-DV também é segura para pessoas que não tiveram exposição anterior ao vírus da dengue. Ao não exigir infecção prévia, o imunizante supera a restrição apresentada pela vacina Dengvaxia (em três doses, da Sanofi-Pasteur), que era indicada somente a quem já havia sido infectado por dengue antes, e reposiciona a vacinação como medida populacional, não apenas individual. Outro ponto relevante é a produção nacional do imunizante: a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan para ampliar a produção busca garantir a fabricação em larga escala, fortalecendo a autonomia sanitária do país e reduzindo dependência de importações em momentos críticos. É importante ter clareza de que a vacinação não interromperá a transmissão sozinha. As arboviroses são transmitidas por vetores e influenciadas por fatores ambientais — densidade de mosquitos, chuva, temperatura e condições urbanas. Mesmo uma alta cobertura vacinal não eliminaria totalmente a circulação viral. A indicação para a faixa etária de 12 a 59 anos também limita o impacto populacional máximo. Mas isso não diminui sua importância: o objetivo central é reduzir casos, internações e mortes, o que é um ganho direto para a saúde pública. A disseminação das arboviroses As arboviroses não se limitam à dengue. Elas são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por insetos hematófagos (se alimntam de sangue). Entre os vetores mais relevantes estão o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, transmissores de dengue, chikungunya e Zika; o Culicoides paraenses (conhecido como maruim ou mosquito porva) e o Culex quinquefasciatus (pernilongo comum), envolvidos na transmissão do vírus Oropouche. O pernilongo comum também pode transmitir o vírus West Nile. Nos últimos anos, vários desses vírus passaram a ocorrer em novas regiões do Brasil e das Américas, deixando de se concentrar apenas nos territórios historicamente afetados. O vírus Oropouche, antes restrito à Amazônia, hoje provoca surtos

Desenvolvimento econômico: Ouro Preto saiu de 16 mil para 21 mil empregos formais em cinco anos

Secretário de Desenvolvimento Econômico faz balanço de 2025 e destaca crescimento sem meses de saldo negativo, selo ouro da Sala Mineira, primeira política de economia criativa de Minas e modelo de gestão descentralizada que atrai delegações de todo o país Ouro Preto encerra 2025 com 21.194 postos de trabalho formais, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Felipe Guerra. O número representa um crescimento de quase 5 mil vagas desde 2021, quando a cidade tinha 16.200 empregos formais. Em entrevista exclusiva, o secretário detalhou as conquistas do ano e a estratégia de gestão descentralizada que, segundo ele, tem atraído empresas e delegações de outras cidades interessadas no modelo ouro-pretano. “Ouro Preto hoje tem 21 mil em torno de 194 postos de trabalho. O prefeito Ângelo Oswaldo assumiu há cinco anos atrás, Ouro Preto tinha 16.200 postos de trabalho. E agora, no primeiro ano do segundo mandato, ele já subiu absurdamente para 21 mil postos de trabalho”, comemorou Guerra. “O que é muito importante para a cidade de Ouro Preto, que mostra uma cidade com o cenário econômico aquecido.” Além do crescimento quantitativo, o secretário destacou a estabilidade: “Nesse ano, no número de empregos, não tivemos nem um mês com saldo negativo. Isso é muito importante ser dito. Porque quando há muita variação no mercado, geralmente novembro e dezembro são meses que as empresas mandam embora, terminam o contrato. Isso não aconteceu em Ouro Preto esse ano.” Para Guerra, os números revelam maturidade econômica: “Isso não mostra só aquele crescimento desenfreado econômico, mostra que o mercado se estabeleceu, que esses empregos não são simplesmente empregos temporários, mas já são empregos formais, uma cadeia produtiva da cidade.” 250 novas empresas e desburocratização O município conta hoje com aproximadamente 8 mil empresas abertas, com saldo positivo de 250 estabelecimentos em 2025. “Entre os que abrem e fecham, ficou 250 a mais”, explicou o secretário. A desburocratização foi apontada como fator decisivo. “Ouro Preto, como não tinha secretaria de desenvolvimento econômico, a área econômica era extremamente descentralizada. Tinha parte na Fazenda, parte no Turismo e Indústria de Comércio, parte na Secretaria de Patrimônio. O empresário tinha uma dificuldade gigantesca de abrir uma empresa”, contextualizou Guerra. “Perdemos vários e vários empreendimentos. Porque, como diz o meio econômico, o dinheiro não espera.” Com a criação da Sala Mineira do Empreendedor, em parceria com o Sebrae e a Agência de Desenvolvimento de Ouro Preto (Adope), o cenário mudou: “Hoje você consegue abrir uma empresa simples em 3, 4 dias em Ouro Preto. O empresário de Ouro Preto sabe onde ele tem que ir para abrir uma empresa, para se capacitar, para buscar informações.” O trabalho foi reconhecido: “A nossa Sala Mineira ganhou esse ano o prêmio ouro pelo Sebrae, por Minas Gerais. Foram mais de 4 mil CNPJs abertos nos últimos anos desde a criação da sala.” Guerra complementou com outro dado: “Mais de 780 atividades estão dispensas de alvará quando a gente assina a lei de liberdade econômica.” SINE: de penúltimo a top 3 de Minas Outro destaque foi a transformação do Sistema Nacional de Emprego (SINE). “Quando nós assumimos a secretaria, ele estava em penúltimo lugar em Minas Gerais. Dos 853 municípios que têm o SINE, o nosso era o penúltimo. É triste falar isso”, admitiu o secretário. “E hoje nós estamos entre os três SINEs de Minas Gerais.” O secretário atribuiu o resultado à liderança de Guilherme de Jesus e à equipe: “Tem uma transparência que dita a vida pública dele e um comprometimento com o SINE. Nós temos o SINE Ouro Preto, temos o SINE Cachoeira do Campo, temos o SINE Antônio Pereira. É uma equipe que trabalha de maneira articulada e entrega tantos resultados.” A estrutura foi fundamental para grandes contratações: “Fizemos os grandes feirões de emprego no início do ano. Tivemos o feirão de emprego do Vila Galé, um hotel de rede internacional captado para Minas Gerais depois de 25 anos. Fizemos o saldão da GSA, entre tantos outros, da Araújo, todos com apoio do SINE.” Primeira política de economia criativa de Minas Ouro Preto se tornou a primeira cidade mineira com política pública de economia criativa. “Ouro Preto já tem uma atividade e várias pessoas trabalhando com a economia criativa, e a gente então fez essa ação”, explicou Guerra. “A economia criativa foi o último eixo a entrar na primeira revisão dessa política pública do PADE [Plano de Ação de Desenvolvimento Econômico].” A política foi desenvolvida em parceria com a UFOP: “É uma política pública que foi em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, que é uma das missões também da nossa secretaria, que é se aproximar das entidades.” Com o documento aprovado, a cidade está “participando e disputando para ser a cidade criativa da humanidade pelo Unesco. Ouro Preto é patrimônio da humanidade. E a gente está buscando esse título, essa chancela, que será muito importante para toda a área da economia criativa.” O secretário anunciou novidade: “Esse ano que vem, nós teremos um evento chamado Festival da Criatividade. Vai ser uma semana inteira com várias atividades de economia criativa, com os grupos ouro-pretanos, com os nossos distritos. Falar em economia criativa em Minas vai ter que falar de Ouro Preto.” Ele citou ainda ações específicas: “O nosso diretor de economia criativa, Luiz Viana, hoje traz também um trabalho importantíssimo de afroempreendedorismo em Ouro Preto, junto com o nosso diretor de igualdade racial, o Kedson. Foram várias e várias ações em favor do afroempreendedorismo.” Jabuticaba é primeiro arranjo produtivo e identidade geográfica A jabuticaba de Cachoeira do Campo conquistou dois marcos: “Primeiro, chancela a jabuticaba de Cachoeira do Campo como arranjo produtivo local no governo do estado de Minas Gerais. E depois nós entramos com a identidade geográfica da jabuticaba, fazendo a primeira identidade geográfica de Ouro Preto.” O projeto recebeu recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e parceria com a Samarco: “Nossa diretoria de economia criativa, junto com a Federa Minas, foi buscar na Samarco o recurso para a gente fazer o

Santa Casa inicia programa de cirurgia bariátrica e anuncia primeiro procedimento em Ouro Preto

Equipe médica destaca que operação é parte do tratamento da obesidade e deve ser oferecida também pelo SUS, em parceria com o município A Santa Casa de Ouro Preto anunciou o início da realização de cirurgias bariátricas na instituição. Em vídeo gravado antes do procedimento, o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Tuian Cerqueira afirmou que a operação marca um passo relevante na linha de cuidado para pacientes com obesidade associada a outras doenças — e ressaltou que a cirurgia não deve ser tratada como um atalho estético. “Hoje, nós vamos realizar a nossa primeira cirurgia bariátrica aqui na Santa Casa. Essa cirurgia tem uma importância muito grande porque ela é um dos elementos do tratamento daqueles pacientes que têm obesidade, junto com outras doenças”, disse. Segundo o médico, o caminho começa, em geral, pelo tratamento clínico, com acompanhamento ao longo do tempo. “Esses pacientes são submetidos, ao longo de todo um tempo, a um tratamento clínico para tentar reduzir a obesidade e melhorar as outras doenças. E, caso não tenha o sucesso terapêutico esperado, a cirurgia é então um desses componentes”, explicou. Tuian enfatizou que o objetivo principal é ampliar saúde e longevidade, reduzindo riscos associados à obesidade. “Não é uma cirurgia simplesmente para perder peso. Nosso objetivo é fazer a cirurgia para que, com a perda de peso, esse paciente possa melhorar a sua condição de saúde, reduzir a sua chance de ter câncer, de ter infarto, de ter derrame ou AVC, e para ele que ele possa viver mais”, afirmou. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Santa Casa Da Misericórdia De Ouro Preto (@santacasadeouropreto) Procedimento por vídeo e preparação prévia De acordo com o cirurgião, a equipe fará o procedimento por via minimamente invasiva, com uso de videolaparoscopia. “A gente vai fazer a cirurgia por via minimamente invasiva ou por vídeo”, disse, citando a estrutura de materiais e equipamentos necessários. Entre os itens mencionados estão materiais conhecidos como OPME (órteses, próteses e materiais especiais), além de grampeadores e cargas específicas. “São materiais importantes para estar ali no momento do procedimento”, explicou. O médico também destacou que o processo começa bem antes da sala cirúrgica. “É um trabalho que a gente faz de duas a três semanas antes do procedimento… envolve outros setores, como autorização, suprimentos, farmácia. Então, todos os setores aí estão bem interligados para o melhor procedimento”, relatou. Equipe e perspectiva de atendimento pelo SUS Tuian informou que contará com o apoio de outros cirurgiões e profissionais na composição da equipe. “Aqui com a gente está o meu colega cirurgião… o doutor Gabriel Faleira, que vai participar da cirurgia e integrar a equipe junto com a gente para fazer isso e os próximos casos”, disse. Na gravação, o médico afirmou que o procedimento anunciado atende, neste primeiro momento, uma paciente com convênio. Ainda assim, a expectativa é que o serviço também seja ofertado pelo Sistema Único de Saúde, em parceria com o município. “A cirurgia vai servir uma paciente que tem convênio… mas vai ser feita, oferecida também… pelo Sistema Único de Saúde, uma parceria importante da Santa Casa com o município de Ouro Preto”, declarou. O cirurgião disse que a intenção é manter o mesmo padrão de equipe e insumos. “Vai ser feita pelas mesmas equipes, com os mesmos materiais de primeira qualidade, por via minimamente invasiva, oferecendo serviços de primeira qualidade”, afirmou.

Cia Lamparina relança seis curtas natalinos em exibição gratuita no site e no YouTube

Minas Gerais, 2025 – Seis histórias de Natal produzidas em plena pandemia de 2020 voltam a emocionar o público em exibição on-line e gratuita. A Cia Lamparina – por meio do projeto Lamparina Audiovisual, contemplado pelo edital 11 do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais (FEC 11/2024 – Circula Minas – Audiovisual) – relança seu pacote de curtas natalinos no site oficial e no canal da companhia no YouTube, como ação de contrapartida pública. Originalmente realizados por demanda da Vale S.A./Trem da Vale, os curtas foram produzidos em um dos momentos mais delicados da recente história mundial e, por isso, carregam tanto o registro sensível da pandemia quanto temas universais ligados ao Natal, à família e às memórias afetivas. Dois dos filmes dialogam diretamente com o contexto da Covid-19: “O Causo do Papai Noel na Pandemia” acompanha, com humor e delicadeza, os desafios de manter a magia do bom velhinho em meio ao distanciamento social. “Fantasmas de Natal do Trem” toma o trem como cenário para tratar de ausências, medos e esperanças, evocando as marcas que o período pandêmico deixou nas relações humanas. Os outros quatro curtas apostam em histórias atemporais, que podem ser revisitadas a cada fim de ano: “Culinária” celebra as comidas, as amizades e os encontros familiares que fazem da ceia um ritual de afeto. “O Frango” narra, em tom bem-humorado, as desventuras de um casal que queima o frango da ceia e precisa lidar com o desastre gastronômico às vésperas da festa. “A Folia de Dê” é uma alegoria inspirada no Dia de Reis, conectando tradição, fé popular e brincadeira. “Trem de Minas” acompanha a imaginação de uma criança fascinada por um trem, em diálogo com a avó sobre a passagem do tempo e da vida, numa espécie de conto-poema sobre memória e despedida. O relançamento dos curtas reforça a vocação da Cia Lamparina para unir teatro, audiovisual e cultura popular, democratizando o acesso às artes por meio de conteúdos gratuitos e disponíveis on-line. As obras são indicadas para toda a família e podem ser assistidas de qualquer lugar do Brasil, bastando acessar o site e o canal da Cia Lamparina no YouTube durante o período natalino. ServiçoO quê: Relançamento on-line de seis curtas natalinos da Cia LamparinaFilmes: “O Causo do Papai Noel na Pandemia”, “Fantasmas de Natal do Trem”, “Culinária”, “O Frango”, “A Folia de Dê” e “Trem de Minas”Onde assistir: Site oficial (cialamparina.com.br/curtas-de-natal) e canal da Cia Lamparina no YouTube (@teatrodebonecos)Quanto: GratuitoRealização (2020): Vale S.A. / Trem da ValeRelançamento (2025): Contrapartida do projeto Lamparina Audiovisual – contemplado pelo edital 11 do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais (FEC 11/2024 – Circula Minas – Audiovisual)

O poder da nostalgia: assistir novamente nossas séries favoritas faz bem à saúde

Janet Julie Vanatko/Shutterstock Anjum Naweed, CQUniversity Australia Com que frequência você se pega apertando o “play” em uma velha série favorita, revivendo os mesmos episódios de TV que já viu antes – ou que até sabe de cor? Sou um espectador crônico de programas que já assisti. Para mim, episódios de sitcoms como Blackadder (1983-1989), Brooklyn Nine-Nine (2013-2021) e The Office (2005-2013) são muito bem-vindos em momentos de estresse. Mas, recentemente, antes de um prazo excepcionalmente desafiador, me vi mudando meu modo de assistir. Em vez de uma comédia escapista para a qual normalmente volto, mudei para Breaking Bad (2008-2013), um thriller de roer as unhas com uma complexa narrativa de herói invertido – e imediatamente me senti à vontade. O que nossas escolhas de reassistir nos dizem sobre nós mesmos? É normal que continuemos voltando aos velhos favoritos? Histórias fictícias, relacionamentos reais Embora unilaterais, os relacionamentos que formamos com os personagens de nossos programas de TV preferidos podem parecer muito reais. Eles podem aumentar o senso de pertencimento, reduzir a solidão – e continuar nos atraindo. Quando assistimos novamente, sentimos tristeza, alegria e saudade, tudo ao mesmo tempo. Chamamos a soma dessas contradições de nostalgia. Originalmente cunhada no século XVII para descrever soldados suíços prejudicados pela saudade de casa, os psicólogos agora entendem a reflexão nostálgica como um escudo contra a ansiedade e a ameaça, promovendo uma sensação de bem-estar. Todos nós confiamos na ficção para nos transportar de nossas próprias vidas e realidades. A visualização nostálgica amplia a experiência, levando-nos a algum lugar que já conhecemos e amamos. Nostalgia compulsiva A pandemia da COVID-19 desencadeou uma onda de nostalgia. Nos Estados Unidos, a agência Nielsen descobriu que o programa mais transmitido de 2020 foi a versão americana da série The Office, sete anos após o término de sua exibição na televisão. Uma pesquisa da Radio Times revelou que 64% dos entrevistados disseram ter assistido novamente a um seriado de TV durante o confinamento, sendo que 43% assistiram a programas nostálgicos. De repente, fomos jogados em uma situação desconhecida e em um estado perpétuo de inquietação. Tínhamos mais tempo disponível, mas também queríamos nos sentir seguros. A sintonia com o conteúdo familiar na televisão oferecia uma fuga – um santuário das realidades do futuro desconhecido. Revisitar as conexões com os personagens da TV nos dava uma sensação de controle. Sabíamos o que estava por vir em seus futuros. A calma e a previsibilidade de seus arcos equilibravam a incerteza dos nossos. Nostalgia como ponto de enredo A nostalgia está no DNA da televisão desde que as primeiras decisões sobre programação foram tomadas. Todo mês de dezembro, as emissoras se esforçam para exibir uma das muitas versões de “A Christmas Carol” (Um Conto de Natal), a história de fantasmas de Charles Dickens (1812-1870), muito recontada e familiar, que também apresenta a nostalgia como um dispositivo do enredo. Exibida pela primeira vez na TV ao vivo na cidade de Nova York em 1944, com a tecnologia ainda nova, a transmissão deu continuidade a uma tradição de 100 anos em que o clássico aparecia nos palcos e nas telas de cinema. Assistir a “A Christmas Carol” nos conecta ao período de festas e a uma metamorfose emocionante. O protagonista Ebeneezer Scrooge revisita versões há muito perdidas de si mesmo e passa de vilão a herói e a nosso velho amigo em uma única noite. Para os espectadores, reencontrar esse personagem na mesma época, todos os anos, também pode reconectar com o passado e criar um padrão previsível, mesmo no frenesi da temporada de bobagens. (Re)conexão no mundo real A neurociência das experiências nostálgicas é clara. A nostalgia surge quando os dados sensoriais atuais – como o que você assiste na TV – correspondem a emoções e experiências passadas. Isso desencadeia uma liberação de dopamina, um neurotransmissor do sistema de recompensa envolvido na emoção e motivação. O encontro com a lembrança é como carregar automaticamente e tocar em experiências positivas passadas, elevando o desejo e regulando o humor. Portanto, a saudade se baseia em experiências codificadas na memória. Os programas de TV que escolhemos assistir novamente refletem nossos valores, nossos gostos e as fases da vida pelas quais passamos. Talvez esse seja o motivo pelo qual as reinicializações de nossos filmes ou série favoritos, às vezes, não dão certo e acabam nos deixando decepcionados. Ainda me lembro da desilusão esmagadora que senti ao assistir a série Knight Rider (2008-2009). Imediatamente recorri à mídia social para encontrar uma comunidade em torno do meu revés nostálgico Mais forte com o estresse Voltando ao meu prazo desafiador, o que diferenciava a experiência nostálgica de assistir a Breaking Bad? Essa série evoca uma fase específica da minha vida. Assisti às três primeiras temporadas quando estava escrevendo minha tese de doutorado. A jornada de ascensão e queda de Walter White em direção à redenção está conectada a um período difícil pelo qual passei. A previsibilidade do arco de Walter White na segunda exibição foi um refúgio improvável. O drama crescente de alto risco espelhou meu estresse crescente, ao mesmo tempo em que me conectou com quem eu era quando assisti essa produção pela primeira vez. O resultado? O “modo pavor” foi desativado, mesmo quando meus anti-heróis marcharam novamente para seu terrível enredo. Anjum Naweed, Professor of Human Factors, CQUniversity Australia This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

O que e como comiam os habitantes de Belém na época em que Jesus nasceu?

“Adoração dos pastores” (aprox. 1650), de Bartolomé Esteban Murillo: dieta era baseada em pães, azeite, laticínios e vinho, eventualmente complementada com carnes e peixes, e sempre respeitando as leis alimentares judaicas. Museo del Prado, CC BY José Miguel Soriano del Castillo, Universitat de València O nascimento de Jesus é narrado principalmente nos Evangelhos de Mateus e Lucas do Novo Testamento, cada um com um enfoque diferente. Ele também aparece em textos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho do Pseudo-Mateus, e no Alcorão, que menciona o milagre do nascimento de Jesus (Isa) como filho da Virgem Maria (Maryam), reconhecido como profeta. Mas nenhum desses textos menciona o que Maria e José comeram naquela noite, ou o que a população local colocou em seus pratos. Estudos arqueológicos e tradições mediterrâneas podem nos permitir descobrir. Belém era um pequeno povoado da Judeia a cerca de nove quilômetros de Jerusalém, cuja vida girava em torno da agricultura, da criação de animais e das tradições religiosas judaicas. Ficava em uma região montanhosa com clima mediterrâneo, um ambiente natural que determinava tanto as atividades econômicas quanto as práticas culinárias de seus habitantes, que dependiam dos recursos locais para sua subsistência. Sua dieta, portanto, refletia as práticas comuns da região mediterrânea sob o domínio romano, mas também era profundamente influenciada pelas leis alimentares judaicas (kashrut). Essas regulamentações determinavam quais alimentos poderiam ser consumidos e como deveriam ser preparados, consolidando uma dieta simples, mas nutritiva. A dieta mediterrânea de 2 mil anos atrás No século I, a agricultura era a espinha dorsal da economia e da subsistência no vilarejo de Belém. A terra onde ela estava localizada oferecia condições ideais para o cultivo de cereais, azeitonas e vinhedos. Esses produtos eram essenciais não apenas para a dieta diária, mas também para o comércio e os rituais religiosos. Os cereais, como o trigo e a cevada, eram as culturas mais comuns e eram usados principalmente para fazer pão, o alimento básico da população. O pão de cevada, que era mais barato e acessível, era consumido pelas famílias pobres, enquanto o pão de trigo, mais caro, era reservado para ocasiões especiais ou para os habitantes mais abastados. Outro pilar da agricultura de Belém era o azeite de oliva, que era obtido pela prensagem manual do fruto da oliveira. Era um produto indispensável na cozinha, não apenas como gordura para cozinhar, mas também como tempero e conservante. Também tinha uso significativo em cerimônias religiosas e na iluminação de casas. Os vinhedos também ocupavam um lugar de destaque na economia local. As uvas eram consumidas frescas ou usadas para fazer vinho, que era uma bebida cotidiana, mesmo para os mais pobres, e também desempenhava um papel importante em celebrações e rituais. Todas essas colheitas não apenas garantiam a subsistência, mas também permitiam que as famílias contribuíssem com tributos para as autoridades romanas e cumprissem as regras religiosas. Ovelhas e cabras, animais essenciais A criação de animais complementava a agricultura como uma atividade crucial para os habitantes de Belém. A criação de ovelhas e cabras era especialmente importante, pois esses animais forneciam carne, leite e lã, atendendo às necessidades de alimentação e vestuário. Eles provinham do gado local ou do comércio inter-regional significativo, como o que ocorria no deserto da Judeia ou no Mar da Galileia. Em um ambiente em que a carne era um luxo reservado para festividades religiosas ou eventos importantes, os produtos lácteos, como queijo e iogurte, faziam parte do cardápio diário dos habitantes de Belém. Esses alimentos eram ricos em nutrientes, fáceis de conservar e frequentemente comercializados ou vendidos em mercados próximos. Além disso, cabras e ovelhas eram essenciais para os rituais de acordo com a lei religiosa judaica. Durante festivais como a Páscoa, os cordeiros eram abatidos e consumidos em família ou em comunidade, fortalecendo os laços sociais e religiosos. Por fim, o esterco desses animais era usado como fertilizante natural em campos agrícolas, fechando um ciclo sustentável entre a agricultura e a pecuária. Em menor escala, as aves domésticas, como pombos e galinhas, eram criadas para consumo de carne e ovos, embora sua produção fosse limitada em comparação com os rebanhos. Peixes salgados Embora a pesca não fosse uma atividade local em Belém devido à sua localização geográfica no interior da Judeia, os peixes – especialmente arenque, sardinha ou cavala – eram trazidos salgados de regiões costeiras como o Mar Mediterrâneo ou o Mar da Galileia. Essa preservação em sal facilitava o transporte e o armazenamento, permitindo que os peixes fossem consumidos mesmo em áreas distantes dos centros de pesca. Apreciado por seu sabor e valor nutricional, os peixes eram, no entanto, uma adição ocasional à dieta dos habitantes. Eles ofereciam uma opção acessível para aqueles que podiam pagar, mas não eram um alimento básico como os produtos agrícolas e os laticínios. A dieta de Belém era, portanto, baseada em um sistema de subsistência simples e autossuficiente de uma comunidade profundamente ligada ao seu ambiente e à tradição religiosa. José Miguel Soriano del Castillo, Catedrático de Nutrición y Bromatología del Departamento de Medicina Preventiva y Salud Pública, Universitat de València This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.