Pesquisa da UFOP revela aumento de 70% nas notificações de autolesão em Ouro Preto; bairro Bauxita concentra casos

Estudo epidemiológico aponta concentração entre mulheres pardas de 20 a 39 anos e possível relação com saúde mental estudantil; falhas no preenchimento de fichas contribuem para subnotificação Uma pesquisa-intervenção desenvolvida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2019 revelou aumento expressivo nas notificações de lesões autoprovocadas em Ouro Preto. O estudo “Vigilância e prevenção do suicídio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil: análise do processo de notificação nos anos de 2022 a 2024” mostra que, em 2024, os registros praticamente dobraram em relação ao ano anterior, com concentração no bairro Bauxita, onde ficam a UFOP e o IFMG. A segunda fase da pesquisa, que analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Vigilância Epidemiológica municipal, identificou 138 notificações de lesões autoprovocadas entre 2022 e 2024 — sendo 38 em 2022, 37 em 2023 e 63 em 2024, um aumento de 70% no último ano. “Antes de começar a pesquisa, o Arislan, que idealizou essa pesquisa, percebeu que em Ouro Preto e no território próximo não havia estudos, artigos, nada que mostrasse como estava o número de suicídios e tentativas de suicídio. Aqui na região não tinha esses dados”, explica Renan Lima Vieira, estudante de Medicina da UFOP e um dos autores da pesquisa. Perfil epidemiológico O estudo traçou o perfil predominante dos casos notificados: mulheres pardas, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o envenenamento/intoxicação o principal meio utilizado. A concentração territorial também chamou atenção dos pesquisadores: o bairro Bauxita, sede dos campi universitários, lidera as notificações, seguido por Antônio Dias e Morro Santana. “Na segunda pesquisa, a gente também aprofundou para tentar ver qual a região de Ouro Preto que tinha maior número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas. E para nossa surpresa, o principal território foi a Bauxita, o bairro Bauxita, que é um bairro onde se concentra muito universitário, que é onde está a UFOP”, relata Renan. A pesquisa identificou ainda uma possível relação com o contexto universitário. “Juntando com a idade dessas mulheres, a gente pode relacionar que talvez o principal caso seja, a principal causa e fator em relação ao território pode estar relacionado com universidade, já que tem vários artigos que mostram a relação de sofrimento psíquico com universidade”, analisa o pesquisador. Paralisação de 2024 pode ter influenciado aumento O trabalho aponta uma hipótese para o salto nas notificações em 2024: “Durante o desenvolvimento desta pesquisa, identificaram-se indícios que apontam para uma maior incidência de lesões autoprovocadas entre o público universitário. Em 2024, ocorreu uma paralisação na Universidade de Ouro Preto, evento que possivelmente impactou a saúde mental dos estudantes.” Falhas no sistema de notificação Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi a identificação de graves problemas no preenchimento das fichas de notificação compulsória. A análise revelou que profissionais de saúde têm dificuldade em diferenciar “envenenamento” de “intoxicação”, o que gera dados imprecisos. “Durante o estudo foi perceptível várias colunas considerando ‘uso de medicamento para suicídio’ como ‘envenenamento’ para o meio utilizado. Essa problemática foi uma das principais dificuldades na pesquisa”, explica Renan. “Isso acaba fazendo com que o número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas não suicida ainda continue sendo subestimado.” A equipe elaborou um fluxograma do processo de notificação após reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde. “A gente fez até uma reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde de Ouro Preto para até entender o porquê que está tendo tanta subnotificação aqui no território”, conta o pesquisador. Os gargalos identificados incluem: Nível municipal: “Muitas vezes as UBS estão cheias de pacientes, os profissionais estão com várias coisas para fazer, aí fica um delegando a função para o outro e acaba que, infelizmente, às vezes, acaba que ninguém preenche”, detalha Renan. “É uma ficha grande que leva um tempinho para preencher. Vários dados que têm que ser preenchidos.” Nível regional e estadual: Subnotificação invisibiliza grupos vulneráveis A pesquisa também apontou lacunas preocupantes nos dados raciais. “A ausência de notificações de pretos e indígenas no período é aparentemente paradoxal, devido Ouro Preto ser um dos municípios com a maior população de pretos do Brasil, proporcionalmente”, destaca o estudo. “Quando chega no sistema, tem aquele dado lá em branco, às vezes com informação faltando raça, cor, faltando gênero, o que é ruim até para quem vai realizar estudos epidemiológicos como a gente, porque isso é muito importante para você realizar promoções de prevenção da saúde mental e do suicídio”, explica Renan. Contexto nacional preocupante O estudo contextualiza Ouro Preto dentro de um cenário nacional alarmante. No Brasil, as taxas de suicídio cresceram em média 3,7% ao ano entre 2011 e 2022, com destaque para jovens de 10 a 24 anos. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações por lesões autoprovocadas — mais de 30 por dia, alta superior a 25% em relação a 2014. “Normalmente o tentativa de suicídio é de 3 a 4 vezes maior que o de suicídio, a menos que no caso de Ouro Preto seja por subnotificação”, analisa o pesquisador, citando dados da literatura científica. Território e saúde mental Renan destaca como o território influencia na saúde mental da população: “Uma das coisas que eu mais aprendi nessa pesquisa foi como é que o território influencia tanto na saúde mental, quanto no sofrimento psíquico. Ouro Preto já tem um histórico de sofrimento psíquico relacionado ao sofrimento dos escravos, a grande relação da mineradora com a cidade.” Ele menciona pontos críticos conhecidos: “Tem o histórico da Curva do Vento, que infelizmente direto alguém vai lá para tentar a tentativa de suicídio e que o Arislan (orientador e professor do curso de medicina da UFOP) participou junto com os bombeiros de colocar as plaquinhas lá para tentar evitar que isso fique ocorrendo com frequência.” Papel da atenção básica O pesquisador ressalta a importância da atenção primária: “A atenção básica é extremamente importante, tanto para a prevenção do suicídio quanto para a promoção da saúde mental. Como o paciente, muitas vezes, o primeiro contato da área de saúde vai
Educação menstrual nas escolas: como a Maleta Menstrual está mudando a conversa em Ouro Preto

Programa da UFOP leva dignidade menstrual para salas de aula através de ferramenta pedagógica inovadora
Estudo mostra que estados que sofreram mais com a dengue ouviram melhor os cientistas sobre a COVID-19

Maria Alejandra Costa, Fundação Getulio Vargas (FGV) Ao longo da pandemia de COVID-19, os estados brasileiros adotaram respostas muito diferentes à crise sanitária. Enquanto São Paulo e Ceará adotaram estratégias mais estruturadas e estáveis ao longo da crise, outros, como Acre e Amapá, reagiram de modo fragmentado e variável. O que ajuda a explicar essas diferenças não são somente as decisões tomadas durante a emergência sanitária, mas a capacidade estatal acumulada antes da pandemia. Por capacidade estatal, entenda-se o conjunto de recursos, estruturas e habilidades necessárias para lidar com crises de saúde pública. É algo que definitivamente não se improvisa em momentos de urgência. Essa é a principal conclusão de um estudo que eu e o professor de ciência política Éric Montpetit realizamos na Universidade de Montreal, no Canadá. A pesquisa analisou e comparou o modo como os governos estaduais brasileiros reagiram à pandemia e mostrou que a variação das respostas refletiu tanto as desigualdades na capacidade estatal, quanto as diferenças na forma como os governos deram prioridade a setores e definiram quais fontes de informação orientariam suas decisões. Estados que historicamente investiram mais em saúde pública tenderam a interpretar as crises sanitárias a partir de uma lógica distinta daquela adotada por governos com menor acúmulo institucional nessa área. Estados que investiram de forma consistente em epidemias anteriores entraram na pandemia de COVID-19 com estruturas institucionais no campo da saúde já em funcionamento. Não se trata apenas de maior volume de recursos, mas da existência de rotinas consolidadas de vigilância epidemiológica, equipes técnicas com experiência e canais estáveis e confiáveis de produção e uso de informações. Na prática, esse acúmulo permitiu fortalecer as políticas existentes e oferecer respostas mais coordenadas, orientadas por evidências científicas e pela atuação de especialistas em saúde pública e cientistas. Em contraste, estados com menor capacidade institucional adotaram respostas mais irregulares ao longo do tempo. Na ausência de uma base de dados mais robusta em saúde pública, esses governos deram maior peso a informações vindas do setor produtivo e a comitês voltados sobretudo aos impactos econômicos da crise, o que resultou em estratégias menos centradas na lógica sanitária. Como se formam as bolhas políticas na saúde De forma inovadora, nosso estudo sugere que as diferenças observadas na capacidade epidemiológica podem ser compreendidas a partir do conceito de bolhas políticas (policy bubbles). Essas bolhas se formam no campo das políticas públicas quando governos concentram recursos de maneira intensa e recorrente em áreas específicas, especialmente em contextos de urgência. Diferentemente das bolhas financeiras, elas não se dissipam quando a crise termina. Pelo contrário, deixam legados institucionais duradouros, que passam a estruturar capacidades administrativas, circuitos decisórios e as fontes de informação mobilizadas em crises futuras. O impacto dessas bolhas políticas afeta não apenas a distribuição de recursos, mas também a diversidade das informações e evidências científicas que orientam os processos de decisão, condicionando a forma como os governos respondem a crises sanitárias complexas. A formação dessas “bolhas” não é um fenômeno novo no Brasil. Experiências anteriores com epidemias, como Zika e dengue, levaram alguns estados a investir recursos de forma contínua no fortalecimento de sua infraestrutura sanitária e a dar prioridade a informações produzidas por especialistas em saúde pública. Nos locais onde ocorreu essa concentração de investimentos, consolidaram-se estruturas que passaram a produzir as informações que ganharam centralidade durante a pandemia de COVID-19. Ao priorizar repetidamente o setor sanitário, esses estados reforçaram um ciclo de retroalimentação: a expansão da capacidade técnica favoreceu respostas mais organizadas e consistentes, o que, por sua vez, sustentou novos investimentos na área da saúde. Ao mesmo tempo, esse processo reduziu o peso relativo de outras fontes de informação no processo decisório. Impacto na qualidade das informações e decisões As diferenças nos investimentos em saúde também se refletiram na composição dos comitês criados para orientar a resposta governamental. Em estados com maior capacidade epidemiológica, como São Paulo e Ceará, esses órgãos foram compostos majoritariamente por especialistas em saúde pública. Em São Paulo, por exemplo, o Comitê de Contingência para a COVID-19 reuniu epidemiologistas e técnicos da área da saúde que exerceram influência direta sobre a agenda política estadual. Em contraste, estados com menor capacidade epidemiológica, como Acre, Amapá e Goiás, recorreram a arranjos mais diversificados. Esses governos incorporaram representantes de outros setores aos seus comitês, incluindo atores da agricultura e do comércio. O Comitê Socioeconômico para o Enfrentamento do Coronavírus, em Goiás, ilustra como preocupações econômicas ganharam centralidade na gestão da pandemia. De forma semelhante, no Acre, os grupos de trabalho buscaram articular questões sanitárias com impactos econômicos e sociais, refletindo uma abordagem menos centrada exclusivamente na saúde. Enquanto bolhas financeiras tendem a ser efêmeras, as bolhas políticas são mais difíceis de se formar e, uma vez consolidadas, tendem a persistir. No Brasil, como mostra o estudo, a concentração recorrente de recursos em saúde — especialmente em vigilância epidemiológica — produziu legados institucionais duradouros, materializados em orçamentos mais robustos, quadros técnicos especializados e comitês decisórios nos quais a expertise sanitária ganhou centralidade. Esses arranjos influenciam trajetórias e criam marcos institucionais e regulatórios que passam a definir quais informações entram na agenda governamental e quem tem autoridade para interpretá-las. Ao longo do tempo, isso reforça a posição de determinados setores na política estadual. O efeito não é neutro: manter essas bolhas tende a ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias, enquanto seu enfraquecimento pode significar perda de capacidade institucional e retorno à improvisação. Os legados das crises sanitárias A crise da COVID-19 evidenciou como a formação de bolhas políticas e a distribuição desigual de recursos entre áreas governamentais afetam tanto a capacidade de resposta dos estados quanto o tipo de informação mobilizada em contextos de emergência. Mais do que um problema de eficiência, esse fenômeno revela como decisões tomadas em crises passadas moldam as opções disponíveis no presente. Nesse sentido, a contribuição central desta abordagem não está em indicar soluções imediatas, mas em revelar como as diferentes trajetórias institucionais condicionam a forma como governos lidam com crises sanitárias recorrentes. As bolhas políticas formadas ao
Janeiro Branco em Ouro Preto: quando a saúde mental vira assunto público e a cidade aprende a cuidar em rede
Pesquisa da UFOP financiada pela FAPEMIG e ações em parceria com a Prefeitura unem dados, formação e intervenção. No centro desse trabalho, a assistente social Andrea Machado, que atua nas abordagens e também integra o estudo. Janeiro Branco costuma chegar como uma folha em branco — não para “recomeçar do zero”, mas para lembrar que ninguém é definido pelo que dói. Em Ouro Preto, onde a beleza das ladeiras convive com pressões sociais e silencios antigos, falar de saúde mental virou mais do que campanha: virou trabalho de território, de gente, de rede. É nesse cenário que se encaixa uma iniciativa conduzida na cidade pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com financiamento da FAPEMIG e articulação com o município. O artigo “Construindo as abordagens do suicídio em Ouro Preto – MG: cuidado, acolhimento e prevenção” relata a construção de um curso e de uma mobilização local para qualificar profissionais e ampliar o debate público sobre o tema. A assistente social Andrea Machado, que atua em Ouro Preto, integra esse movimento a partir de duas frentes: participa como pesquisadora e também está na ponta das abordagens e encaminhamentos. A mensagem que ela resume para o Janeiro Branco é direta e humana: “Falar sobre sofrimento psíquico é, acima de tudo, um convite ao cuidado. A dor não define quem somos! Sempre há possibilidades de reconstrução e ninguém precisa atravessar esse caminho sozinho.” Um problema nacional — com rosto local O suicídio é reconhecido como um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil. O artigo cita que em 2021 foram registrados 15.507 óbitos por essa causa no país e que, entre 2010 e 2021, a taxa de mortalidade cresceu 42%, passando de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes, segundo boletim do Ministério da Saúde. O texto também aponta um recorte importante: a predominância é maior entre homens e, entre mulheres, chama atenção a faixa adolescente. Em Ouro Preto, o debate ganha camadas próprias. A cidade é descrita como um território com marcas históricas e sociais relacionadas ao tema e com desafios ampliados em áreas rurais, onde o isolamento pode dificultar acesso a cuidado e suporte. A pesquisa que não para no papel Na entrevista concedida à reportagem, Andrea explica que o projeto foi estruturado em fases: primeiro, um levantamento bibliográfico; depois, uma etapa dedicada a dados, com consulta a sistemas nacionais e parceria com a Secretaria de Saúde e a Vigilância Epidemiológica do município. Ela destaca que a investigação se debruçou sobre registros de violência autoprovocada, categoria que pode envolver tentativas e óbitos, e que, para o recorte local, a equipe trabalhou com 20 anos de registros municipais, de 2002 a 2022, além de bases nacionais (SIM, Sinan e SIH). (Informações prestadas por Andrea Machado em entrevista.) Um ponto que costuma confundir leitores — e até repórteres — é a defasagem dos sistemas públicos. Andrea explica que há um “pente-fino” para evitar duplicidades e corrigir lacunas, o que faz com que dados recentes levem tempo para aparecer consolidada e publicamente. Curso “Abordagens do suicídio”: quando formação vira estratégia de cidade O coração do artigo é o relato do curso de extensão “Abordagens do suicídio: cuidado, acolhimento, prevenção”, realizado em três dias, com foco em capacitar profissionais para prevenção e pósvenção, estimular acolhimento e enfrentar o estigma. O texto registra a dimensão dessa mobilização: 335 participantes, com 30 horas de formação. E detalha que o público envolveu diferentes setores — saúde, assistência social, educação, segurança pública e comunidade — como estratégia para construir uma abordagem interdisciplinar. Na prática, o curso combinou conferências e treinos orientados para comunicação, empatia e condutas diante de crises, além de momentos de escuta e articulação entre atores locais. Um dos gestos de maior impacto simbólico — e também prático — descritos no artigo foi a instalação de placas de prevenção em um ponto sensível da cidade, na Avenida Jornalista Lima Júnior, conhecida como “Volta do Vento”, em parceria com Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. A lógica da rede: cada área tem uma abordagem Andrea explica que “abordagens” não é só nome de curso: é um jeito de reconhecer que cada serviço atua com uma lente — e que todas são necessárias. A segurança pública tem protocolos de intervenção imediata; a assistência social amplia o contexto familiar e social; a psicologia trabalha escuta e acolhimento; a escola identifica sinais e aciona rede. Por isso, o trabalho precisa ser multifatorial, contínuo e coletivo. O próprio artigo reforça essa ideia ao descrever um grupo de construção do curso composto por professores, estudantes, profissionais e moradores, articulando áreas diversas e instituições do município. Janeiro Branco, o ano inteiro No fim, o Janeiro Branco não pede frases prontas — pede presença. E Ouro Preto tem tentado responder com método: pesquisa, formação, políticas, sensibilização e rede. Como resume Andrea: “Ao longo dos anos em que esta pesquisa foi construída ficou evidente que por trás de cada dado existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, um pedido de ajuda.” Onde buscar ajuda Em risco imediato: SAMU 192 ou Bombeiros 193
Escola Estadual Dom Velloso, em Ouro Preto, será escola bilíngue em francês a partir deste ano

Ouro Preto entrou na primeira leva do Minas Bilíngue, programa do Governo de Minas que inicia a implantação no ano letivo de 2026 com 30 escolas estaduais. Na lista divulgada nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, aparece a Escola Estadual Dom Velloso (ID 106470) como unidade selecionada para oferta bilíngue em francês, no Ensino Fundamental em Tempo Integral (EFTI). Segundo a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), o Minas Bilíngue foi lançado em 2025 e começa a funcionar em sala de aula em 2026, com escolas distribuídas por diferentes regiões do estado e vinculadas a 18 Superintendências Regionais de Ensino (SREs). A proposta combina ensino bilíngue e intercultural: a língua adicional — definida pela comunidade escolar — ganha mais carga horária e passa a se conectar a outros componentes curriculares, sem aumento da carga horária total do estudante, já que o programa se integra ao modelo de tempo integral (EMTI e EFTI). Na apresentação do projeto, o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, afirmou que a iniciativa pode ampliar horizontes na rede pública: “mais oportunidades se abrem aos estudantes mineiros”. Como vai funcionar o bilinguismo A SEE-MG informa que, além das aulas de idioma, parte das disciplinas da Formação Geral Básica e dos Itinerários Formativos deve ser ministrada parcialmente na língua adicional, em uma abordagem interdisciplinar. O currículo prevê ainda Estudos Interculturais, com temas históricos, culturais e artísticos ligados aos países falantes do idioma. O calendário oficial da rede estadual aponta início das aulas em 4 de fevereiro de 2026. Francês em Ouro Preto A confirmação do francês na Dom Velloso coloca Ouro Preto no mapa inicial do programa com um idioma menos comum na rede pública, ao lado de outras possibilidades mencionadas pela SEE-MG para as escolas selecionadas (como inglês e espanhol, além de opções como mandarim, alemão e italiano, conforme adesão e escolha local). A Escola Estadual Dom Velloso fica no bairro Pilar, em Ouro Preto, sob a SRE Ouro Preto.
Por que o carnaval de Ouro Preto pode ser uma grande aposta da geração Z

Quando se fala no carnaval de Ouro Preto como uma possível aposta da geração Z, é importante deixar claro do que estamos tratando. A referência central aqui é o carnaval de rua — aquele que acontece nas ladeiras históricas, nos blocos tradicionais, nos desfiles das escolas de samba e na ocupação coletiva do espaço público. Mas isso não significa ignorar ou desqualificar o carnaval universitário, organizado pelas repúblicas estudantis, que também faz parte da identidade da cidade. O diferencial de Ouro Preto está justamente na convivência entre diferentes formas de viver a festa. O interesse crescente da geração Z pelo carnaval de rua dialoga com mudanças mais amplas na forma de consumir cultura. Em vez de experiências concentradas em grandes estruturas privadas, cresce a busca por vivências abertas, caminháveis e compartilhadas. Em Ouro Preto, o carnaval de rua acontece no encontro: a música ecoa pelas ladeiras, os blocos se formam nas esquinas e a festa se constrói em movimento. É um carnaval que se vive a pé, com o corpo e com o olhar atentos ao entorno — um formato que conversa diretamente com os hábitos culturais dessa geração. Há também um elemento musical que ajuda a entender essa aproximação. Levantamentos recentes divulgados pelo Spotify indicam que a geração Z é hoje a que mais consome MPB na plataforma, revelando um interesse renovado por repertórios brasileiros, narrativos e coletivos. Esse movimento ajuda a explicar por que as marchinhas tradicionais, com letras simples, irônicas e fáceis de cantar em grupo, encontram novamente espaço entre os mais jovens. No carnaval de rua de Ouro Preto, a música não é apenas trilha sonora: ela é participação, coro e experiência compartilhada. O cenário urbano da cidade reforça essa vivência. As ladeiras de pedra, os casarios coloniais e as praças históricas fazem do carnaval de rua uma experiência visual intensa, sem necessidade de grandes produções ou estruturas artificiais. Para uma geração acostumada a registrar e compartilhar o cotidiano, Ouro Preto funciona como linguagem estética espontânea, em que a cidade não é cenário montado, mas parte ativa da festa. Outro ponto central é a autenticidade. Os blocos caricatos, as escolas de samba, os personagens populares e as referências históricas oferecem identidade cultural e continuidade — algo cada vez mais valorizado por jovens que cresceram em ambientes digitais homogêneos. O carnaval de rua de Ouro Preto não é genérico nem replicável: ele carrega memória, sotaque e pertencimento. Isso não significa oposição ao carnaval universitário, que segue sendo relevante e atrativo, especialmente para estudantes e jovens em busca de festas privadas e programação intensa. Ao contrário: Ouro Preto se destaca por oferecer um carnaval completo, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Há espaço para o bloco tradicional, para a escola de samba, para a festa universitária, para a programação infantil e para o carnaval nos distritos. Se o carnaval do futuro aponta para mais diversidade, mais escolha e mais convivência entre formatos, Ouro Preto já reúne esses elementos. Não por ter se reinventado recentemente, mas porque sempre soube conciliar rua, festa, memória e vida urbana. Para a geração Z — e para outras gerações — essa pluralidade pode ser justamente o maior atrativo.
Ouro Preto figura entre os 10 destinos mais procurados do Brasil e lidera visitação em Minas

Com taxa de ocupação hoteleira de 66% e 360 mil visitantes no Museu da Inconfidência, cidade histórica consolida-se como principal polo turístico mineiro
A relevância do carnaval de Ouro Preto também se mede pela agenda

A força do carnaval de Ouro Preto não se explica apenas pela tradição ou pelo cenário histórico da cidade. Ela se comprova, de forma concreta, quando artistas de alta demanda nacional incluem a cidade em suas agendas de carnaval, em um calendário disputado por capitais e grandes centros. Estar em Ouro Preto, nesse contexto, não é acaso: é escolha estratégica. Nos últimos anos, o carnaval universitário — organizado a partir da articulação entre os blocos Caixão, Cabrobró, Praia e Chapado — tem sido um dos principais vetores dessa projeção nacional. Apenas na edição mais recente, a programação reuniu nomes como Felipe Amorim, MC Daniel, KVSH, Filipe Ret, MC Hariel, Jammil, Matuê, Mumuzinho, Luísa Sonza e Ludmilla, artistas que circulam por grandes festivais e turnês nacionais. A presença recorrente desses nomes ajuda a entender por que Ouro Preto se mantém no radar do público jovem em escala nacional. Esse protagonismo não surgiu do nada. O Bloco do Caixão, criado em 1976, completa 50 anos em 2026, consolidando-se como um dos mais longevos e simbólicos do carnaval ouro-pretano. Ao lado dele, Cabrobró, Praia e Chapado formam um conjunto de blocos que estruturaram uma programação capaz de atrair milhares de foliões de fora da região. Mais do que festas, esses blocos ajudaram a organizar um polo específico do carnaval da cidade, com impacto direto na economia local, na ocupação temporária da rede hoteleira e na circulação urbana. Um aspecto que diferencia o carnaval de Ouro Preto de outros grandes destinos é a ausência de histórico recorrente de grandes episódios de violência. Apesar do volume expressivo de foliões, o evento privado e público tem sido marcado por baixos índices de brigas generalizadas e roubos em massa, segundo registros das últimas edições. Em um cenário nacional em que segurança se tornou critério decisivo na escolha do destino carnavalesco, esse fator pesa — especialmente para jovens e famílias que acompanham ou visitam a cidade. É importante destacar que esse polo não existe isoladamente. O carnaval universitário convive com o carnaval de rua tradicional, com os blocos caricatos, as escolas de samba, a programação infantil e as festas nos distritos. Muitos foliões transitam entre esses universos ao longo do dia, reforçando a ideia de que Ouro Preto não oferece um único modelo de carnaval, mas um ecossistema plural, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Nesse sentido, a relevância do carnaval de Ouro Preto não está em competir com outros destinos, mas em sustentar, ao longo do tempo, uma festa que combina tradição, renovação, diversidade musical e convivência urbana. Quando artistas disputados escolhem a cidade, quando blocos completam meio século de existência e quando milhares de jovens seguem retornando ano após ano, o recado é claro: Ouro Preto não apenas participa do carnaval brasileiro — ela ocupa um lugar próprio nele.
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Medida vale desde 1º de janeiro e efeitos refletem nos pagamentos de fevereiro; para rendas até R$ 7.350 haverá redução gradual do imposto
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