Foto: Patrick Araújo
Um livro lançado em Acuruí, distrito histórico de Itabirito, lança luz sobre um território ainda pouco explorado pelo turismo convencional, mas profundamente marcado pela memória, pela cultura e pelas paisagens de Minas Gerais. Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara reúne relatos, imagens e saberes de comunidades de Itabirito, Ouro Preto, Rio Acima e Santa Bárbara.

Um território contado por quem o vive
O lançamento ocorreu na sede da Associação de Moradores de Acuruí e reuniu moradores, representantes comunitários, gestores públicos e participantes da expedição que deu origem à obra. Mais do que um evento editorial, o encontro funcionou como uma celebração coletiva da história local e do pertencimento ao território.
A publicação apresenta a Rota Turística Jaguara como um circuito cultural e histórico situado na bacia do Rio das Velhas, articulando distritos, comunidades rurais, bens patrimoniais, culinária tradicional e práticas culturais transmitidas entre gerações. A proposta valoriza o turismo de base comunitária e a preservação da memória como elementos centrais do desenvolvimento regional.
Morador de Belo Horizonte e frequentador de Acuruí há mais de duas décadas, o médico Raul Damasio destacou o impacto simbólico do projeto para quem vive ou mantém vínculos com a região. “O livro fortalece a sensação de pertencimento e de orgulho por conhecer cada lugar, cada história. Ele ajuda a mostrar a diversidade humana e cultural que existe aqui”, afirmou.
Registro histórico e educação patrimonial
Para a diretora da Associação de Moradores de Acuruí, Carla Penna, a obra cumpre um papel essencial ao registrar trajetórias que, muitas vezes, permanecem fora dos livros oficiais. “É um documento que guarda a história de quem passou por aqui e de quem constrói a região hoje. Esses registros precisam chegar às escolas e às novas gerações”, disse.
O livro será distribuído gratuitamente para bibliotecas públicas e instituições culturais, além de circular em eventos ligados ao turismo e à cultura. Os exemplares não serão comercializados.
Integração entre comunidades e instituições
O lançamento contou com a presença do vice-prefeito de Itabirito, Raphael Rondow, que ressaltou a articulação entre associações comunitárias, iniciativa privada e poder público. “A obra mostra o quanto essa região tem potencial e como o trabalho conjunto pode fortalecer o território sem apagar suas identidades”, afirmou.
Já o supervisor socioambiental da Ferro Puro Mineração, Gilson de Deus, destacou que o livro funciona como um marco de consolidação da rota turística. “Ele conecta histórias, saberes e pessoas. É um registro que ajuda a estruturar o turismo como alternativa econômica baseada na cultura e nas vivências locais”, pontuou.
Uma obra construída a muitas vozes
Escrito pelo jornalista Victor Louis Stutz, com fotografias de Ane Souz, o livro é resultado de uma expedição pelos territórios que compõem a rota. O trabalho se baseia na escuta de moradores, lideranças comunitárias e mestres da cultura popular, reunindo causos, memórias e registros visuais que compõem um mosaico da região.
A coordenação geral é de Gilson Fernandes Antunes Martins, da Holofote Cultural, responsável também pela gestão do projeto. Durante o lançamento, exemplares foram entregues às pessoas que contribuíram diretamente com relatos e vivências, reforçando o caráter coletivo da publicação.
Segundo o autor, o livro só foi possível pela confiança das comunidades envolvidas. “São muitas vozes, muitas histórias. O livro é, acima de tudo, um espaço de escuta e devolução dessas memórias ao território”, afirmou.
Patrimônio, cultura e futuro
Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara integra um conjunto de ações voltadas à valorização do patrimônio cultural e do turismo responsável na região central de Minas Gerais. O projeto conta com patrocínio do Grupo Avante, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, produção executiva de José Carlos Oliveira, coordenação de produção de Ubiraney Silva, publicação da Editora Tuya e realização do Ministério da Cultura, em parceria com o Governo Federal.
Ao registrar histórias que atravessam gerações, a obra contribui para que o desenvolvimento turístico da região dialogue com memória, identidade e pertencimento — valores que sustentam, de forma silenciosa, os caminhos da Rota Jaguara.