Ouro Preto, sábado, abril 25, 2026 17:22

Mariana concentra frente de meliponicultura que alia renda e recuperação ambiental na Bacia do Rio Doce

Projeto capacitou 60 famílias em quatro localidades mineiras para a criação de abelhas nativas sem ferrão, com foco em conservação, produção de meliprodutos e fortalecimento da economia local Mariana

Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

Projeto capacitou 60 famílias em quatro localidades mineiras para a criação de abelhas nativas sem ferrão, com foco em conservação, produção de meliprodutos e fortalecimento da economia local

Mariana aparece como um dos principais pontos de uma iniciativa de meliponicultura desenvolvida na Bacia do Rio Doce, voltada à criação de abelhas nativas sem ferrão como alternativa de renda e preservação ambiental. Ao todo, 60 famílias foram capacitadas em quatro localidades de Minas Gerais, em um projeto que combinou assistência técnica, formação produtiva e incentivo à comercialização.

Conduzida no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce, a ação foi iniciada em fevereiro de 2024 e concluída em fevereiro de 2025, segundo os organizadores.

Mariana no centro de uma aposta sustentável

Entre serras, quintais e áreas em recuperação, Mariana se destaca no mapa de uma experiência que tenta juntar cuidado ambiental e sustento cotidiano. O projeto de meliponicultura levado à Bacia do Rio Doce incluiu também Sem Peixe, Tumiritinga e Ilha Brava, distrito de Governador Valadares, mas encontra em Mariana um símbolo eloquente dessa busca por reconstrução produtiva conectada ao território.

A proposta foi capacitar famílias para a criação racional de abelhas nativas sem ferrão, atividade conhecida como meliponicultura. Mais do que uma prática de produção, a iniciativa foi apresentada como um caminho de diversificação econômica com base em espécies fundamentais para a polinização e, por consequência, para o equilíbrio dos ecossistemas locais.

Abelhas nativas e valor ambiental

As abelhas sem ferrão desempenham papel importante na reprodução de plantas nativas e no fortalecimento de processos de restauração ambiental. Segundo a proposta do projeto, a presença desses insetos favorece o reflorestamento e ajuda a sustentar a biodiversidade em áreas que dependem da recomposição da cobertura vegetal.

Nesse contexto, a meliponicultura passa a reunir duas frentes: de um lado, a conservação ambiental; de outro, a possibilidade de geração de renda com produtos de maior valor agregado. Entre eles estão mel, própolis, pólen e itens artesanais derivados da atividade.

Capacitação e estrutura para as famílias

De acordo com as informações do projeto, cada uma das 60 famílias participantes recebeu 10 colmeias da espécie uruçu-amarela, além de insumos necessários para iniciar a criação. O trabalho foi estruturado em etapas, acompanhando os produtores desde a implantação dos meliponários até orientações ligadas à venda dos produtos.

Ao longo do processo, os participantes contaram com visitas técnicas mensais e formação continuada. As capacitações incluíram manejo básico e avançado, cuidados sanitários, boas práticas de higiene e coleta, além de oficinas voltadas à produção de meliprodutos.

Em Mariana, esse tipo de ação ganha peso particular por dialogar com uma região onde o debate sobre recuperação ambiental e alternativas econômicas segue presente. A criação de abelhas nativas, silenciosa e delicada, surge ali como um ofício de reconstrução miúda — quase artesanal —, mas com efeitos amplos sobre o território.

Mercado, autonomia e empreendedorismo local

A iniciativa também buscou fortalecer a inserção dos participantes no mercado. Segundo os organizadores, os produtores receberam formação em marketing e comercialização, etapa que se desdobrou em feiras de negócios voltadas à apresentação e circulação dos produtos.

A meta, conforme a equipe responsável, foi ampliar a autonomia das famílias envolvidas e consolidar a meliponicultura como atividade econômica sustentável. A analista ambiental Andréia Dias, da equipe de Biodiversidade da Samarco, resumiu esse objetivo ao afirmar: “Buscamos promover a autonomia dos participantes, fortalecendo a meliponicultura como uma alternativa sustentável de geração de renda.”

Um legado possível para o Rio Doce

O encerramento do ciclo de capacitação, em fevereiro deste ano, indicou que a convivência com abelhas nativas pode ser incorporada com segurança ao cotidiano das comunidades participantes. Segundo a instituição, a experiência demonstrou viabilidade tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico.

Na prática, o projeto deixa uma trilha que passa pela formação técnica, pelo estímulo ao empreendedorismo e pela valorização de um saber produtivo alinhado à natureza. Em Mariana, onde a paisagem carrega marcas profundas e permanentes, iniciativas desse tipo apontam para uma reconstrução que não se faz em gesto único, mas no trabalho paciente de recompor vida, renda e horizonte.

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