Ouro Preto tem 94,5% de cobertura vacinal infantil e intensifica ações para atingir meta nacional de 95%

A poucos décimos da meta nacional, Ouro Preto transforma a vacinação infantil em esforço coletivo de saúde e confiança pública
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Jiljana Isidoro

Imagem: Ane Souz

Ouro Preto alcançou 94,5% de cobertura vacinal infantil, segundo dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI). A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 95%. A diferença de meio ponto percentual pode parecer pequena, mas representa crianças desprotegidas em um município que busca imunizar praticamente toda a população infantil.

A marca de 95% não é apenas simbólica: ela corresponde ao limiar de imunidade coletiva, o ponto em que doenças como sarampo, poliomielite e rubéola deixam de circular. Abaixo disso, surgem brechas que permitem o retorno de infecções erradicadas ou controladas.

O cenário nacional: avanço com desigualdade

Desde 2023, o Brasil trabalhou para recuperar coberturas vacinais que vinham caindo desde 2016. Os resultados foram visíveis. Entre 2022 e 2024, a primeira dose da vacina contra o sarampo passou de 80% para 95% de cobertura nacional. Quinze das 16 vacinas do calendário infantil tiveram aumento de cobertura em 2024.

Mas esse progresso não foi uniforme. Em 2023, dados compilados pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) mostram que 80% da população infantil brasileira vivia em municípios que não atingiram a meta de 95% para a maioria das vacinas analisadas. O cenário começou a mudar lentamente em 2024, mas a desigualdade persiste.

O número de cidades que alcançou a meta para a segunda dose de tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) cresceu de 855 em 2022 para 2.408 em 2024 — aumento expressivo de 180%. Porém, isso ainda representa apenas 43% dos 5.570 municípios brasileiros. A maioria das cidades segue abaixo da meta.

Minas Gerais, estado onde Ouro Preto está localizado, integra o Programa Mineiro de Imunização (PMI). A estratégia estadual busca orientar municípios mineiros em suas ações de vacinação, fornecendo direcionamento e, em alguns casos, recursos.

O que Ouro Preto está fazendo

Em nota enviada ao Vintém, a Prefeitura de Ouro Preto reconheceu a diferença em relação à meta e informou que desenvolve o Plano de Ação Municipal 2025, com foco em gestão, mobilização e vigilância ativa.

Na estrutura interna, a Secretaria de Saúde promove reuniões mensais entre as coordenações de imunização, atenção primária e vigilância, para avaliar indicadores e corrigir gargalos.

Nos territórios, as equipes realizam busca ativa de crianças não vacinadas, inclusive nas áreas rurais. Segundo a prefeitura, essa estratégia foi decisiva para atingir o atual índice de 94,5%.

A mobilização comunitária inclui Dias D de vacinação, com ampliação do horário dos postos e campanhas locais. Essas ações visam combater a hesitação vacinal — a relutância de pais e responsáveis em atualizar o cartão de vacinação.

A gestão também reforçou a manutenção da cadeia de frio, com revisões preventivas em câmaras e termômetros, e capacitação semestral das equipes de sala de vacina, abordando aplicação correta, contraindicações e manejo de eventos adversos.

Outro destaque é o Vacimóvel, unidade móvel que percorre comunidades rurais em parceria com escolas. Foram registradas 47 ações extramuros, com execução de 96% do previsto.

Os obstáculos e próximos passos

A prefeitura identifica dois entraves principais: distância geográfica das famílias rurais e resistência de parte da população. Esses fatores, somados, explicam a pequena diferença que ainda separa Ouro Preto da meta nacional.

O fenômeno da hesitação vacinal é observado em todo o país. Em São Paulo, por exemplo, campanhas massivas e investimentos de R$ 1,5 bilhão em atenção primária elevaram a cobertura da poliomielite de 77% para 91,7% em um ano — resultado atribuído à combinação de estrutura, comunicação e combate à desinformação.

Especialistas apontam que atingir 95% depende de articulação intersetorial: envolver escolas, lideranças comunitárias e profissionais de educação para fortalecer confiança e ampliar o alcance das ações.

Se alcançar a meta, Ouro Preto passará a integrar o grupo minoritário de municípios brasileiros com cobertura vacinal infantil plena. O desafio seguinte será manter esse nível de proteção, evitando novos retrocessos.

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