Por que o carnaval de Ouro Preto pode ser uma grande aposta da geração Z

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Jiljana Isidoro

Quando se fala no carnaval de Ouro Preto como uma possível aposta da geração Z, é importante deixar claro do que estamos tratando. A referência central aqui é o carnaval de rua — aquele que acontece nas ladeiras históricas, nos blocos tradicionais, nos desfiles das escolas de samba e na ocupação coletiva do espaço público. Mas isso não significa ignorar ou desqualificar o carnaval universitário, organizado pelas repúblicas estudantis, que também faz parte da identidade da cidade. O diferencial de Ouro Preto está justamente na convivência entre diferentes formas de viver a festa.

O interesse crescente da geração Z pelo carnaval de rua dialoga com mudanças mais amplas na forma de consumir cultura. Em vez de experiências concentradas em grandes estruturas privadas, cresce a busca por vivências abertas, caminháveis e compartilhadas. Em Ouro Preto, o carnaval de rua acontece no encontro: a música ecoa pelas ladeiras, os blocos se formam nas esquinas e a festa se constrói em movimento. É um carnaval que se vive a pé, com o corpo e com o olhar atentos ao entorno — um formato que conversa diretamente com os hábitos culturais dessa geração.

Há também um elemento musical que ajuda a entender essa aproximação. Levantamentos recentes divulgados pelo Spotify indicam que a geração Z é hoje a que mais consome MPB na plataforma, revelando um interesse renovado por repertórios brasileiros, narrativos e coletivos. Esse movimento ajuda a explicar por que as marchinhas tradicionais, com letras simples, irônicas e fáceis de cantar em grupo, encontram novamente espaço entre os mais jovens. No carnaval de rua de Ouro Preto, a música não é apenas trilha sonora: ela é participação, coro e experiência compartilhada.

O cenário urbano da cidade reforça essa vivência. As ladeiras de pedra, os casarios coloniais e as praças históricas fazem do carnaval de rua uma experiência visual intensa, sem necessidade de grandes produções ou estruturas artificiais. Para uma geração acostumada a registrar e compartilhar o cotidiano, Ouro Preto funciona como linguagem estética espontânea, em que a cidade não é cenário montado, mas parte ativa da festa.

Outro ponto central é a autenticidade. Os blocos caricatos, as escolas de samba, os personagens populares e as referências históricas oferecem identidade cultural e continuidade — algo cada vez mais valorizado por jovens que cresceram em ambientes digitais homogêneos. O carnaval de rua de Ouro Preto não é genérico nem replicável: ele carrega memória, sotaque e pertencimento.

Isso não significa oposição ao carnaval universitário, que segue sendo relevante e atrativo, especialmente para estudantes e jovens em busca de festas privadas e programação intensa. Ao contrário: Ouro Preto se destaca por oferecer um carnaval completo, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Há espaço para o bloco tradicional, para a escola de samba, para a festa universitária, para a programação infantil e para o carnaval nos distritos.

Se o carnaval do futuro aponta para mais diversidade, mais escolha e mais convivência entre formatos, Ouro Preto já reúne esses elementos. Não por ter se reinventado recentemente, mas porque sempre soube conciliar rua, festa, memória e vida urbana. Para a geração Z — e para outras gerações — essa pluralidade pode ser justamente o maior atrativo.

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