Ouro Preto, terça-feira, abril 14, 2026 06:00

UFOP adere a pacto nacional contra o feminicídio e leva debate ao semestre letivo de 2026

Universidade passa a integrar articulação lançada pelos Três Poderes e prepara ações para o Mês da Mulher e para o início das aulas, previsto para 6 de abril, com foco no enfrentamento à violência de gênero. A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) passou a integrar o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, uma articulação lançada em fevereiro de 2026 pelos Três Poderes para enfrentar a violência letal contra mulheres e ampliar medidas de prevenção, proteção e responsabilização. Na universidade, a adesão será acompanhada por ações ao longo do Mês da Mulher e do semestre 2026/1, cujo início está previsto para 6 de abril. A universidade entra numa frente nacional A entrada da UFOP no pacto insere a universidade numa mobilização institucional que tenta responder, de forma coordenada, a um problema que há muito deixou de caber apenas nas estatísticas. Segundo a própria instituição, a adesão mira a proteção de direitos e a busca por respostas mais eficazes à violência de gênero, levando o tema para dentro do ambiente acadêmico e das rotinas de formação. No plano nacional, o pacto foi lançado em 4 de fevereiro de 2026 com a proposta de reunir Executivo, Legislativo e Judiciário em ações integradas de prevenção, proteção e responsabilização nos casos de violência letal contra mulheres. Entre os objetivos anunciados estão o fortalecimento das redes de atendimento, a ampliação de campanhas educativas, a agilização do cumprimento de medidas protetivas e o combate à impunidade. Do discurso institucional à vida universitária Na UFOP, a adesão ao pacto vem acompanhada de uma agenda pensada para março e para o semestre 2026/1. Segundo a universidade, a proposta é ampliar o debate sobre feminicídio e outros temas ligados à luta das mulheres dentro do espaço acadêmico. O calendário oficial dos cursos presenciais indica como previsão de início do período letivo o dia 6 de abril de 2026. Uma das ações já anunciadas é a participação da UFOP na campanha Banco Vermelho, símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. A instituição informou que instalará bancos em seus campi em 9 de março, com unidades também em Mariana, além de divulgar informações sobre denúncia e acolhimento, inclusive por meio da Ouvidoria Feminina. Informação, denúncia e articulação O pacto também prevê a plataforma TodosPorTodas.br, apresentada como um espaço para concentrar informações sobre a iniciativa, reunir canais de denúncia e divulgar políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, além de estimular a participação de órgãos públicos, empresas e sociedade civil. Na prática, a aposta é que a circulação mais organizada de informação ajude a encurtar distâncias entre a violência, a denúncia e a resposta institucional. No noticiário oficial do governo federal, o lançamento da iniciativa ocorreu em meio a um cenário que ajuda a dimensionar a urgência do tema. Segundo dados do sistema de Justiça citados pelo governo, em 2025 foram julgados, em média, 42 casos de feminicídio por dia no país, enquanto 621.202 medidas protetivas foram concedidas no mesmo período. Entre Ouro Preto, Mariana e a responsabilidade pública Em cidades como Ouro Preto e Mariana, onde a universidade ocupa um lugar central na vida pública, a adesão ao pacto carrega um peso que ultrapassa a esfera administrativa. Quando uma instituição de ensino assume esse compromisso, ela também afirma que a produção de conhecimento não pode caminhar apartada da defesa da vida. Mais do que aderir a uma agenda nacional, a UFOP indica que o tema deverá atravessar o cotidiano universitário nos próximos meses. A expectativa, segundo a instituição, é que o debate sobre feminicídio, machismo estrutural e igualdade de gênero ganhe presença mais contínua entre campanhas, ações educativas e canais de escuta.

No ano do recorde de feminicídios no Brasil, como está a nossa região?

Matéria – Larissa e Maria Fernanda | Vintém Larissa tinha 25 anos. Maria Fernanda, dois. O que os matou começa muito antes da faca O feminicídio de mãe e filha em Mariana chocou a região. A cobertura de parte da imprensa chocou também — por razões diferentes. O Vintém apura os dados da violência contra a mulher em Ouro Preto, Mariana e Itabirito e ouve quem trabalha para que cada morte seja contada com o nome certo. Na tarde de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, vizinhos do bairro Santa Clara, em Mariana, ouviram gritos vindos de uma casa na rua Caetano Pinto. Depois, silêncio. Quando a Polícia Militar chegou, encontrou Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e a filha do casal, Maria Fernanda Oliveira Gomes, 2 anos, mortas no quintal da residência, abraçadas, com múltiplas lesões na cabeça, no pescoço e nos membros. O facão usado no crime foi encontrado no terreno vizinho. O companheiro delas, Felipe Gomes Cordeiro, 24 anos, chegou ao local acompanhado do padrasto e ele mesmo conduziu os policiais até os corpos. Preso em flagrante, apresentou versões contraditórias. Acabou confessando. Sua prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte. Ele deve permanecer preso até o julgamento. A Prefeitura de Mariana classificou o crime como “brutal” e prestou solidariedade aos familiares. “Um crime brutal, que causa indignação e tristeza em toda cidade”, dizia o comunicado oficial. No sábado seguinte, 7 de fevereiro, centenas de pessoas foram às ruas em uma marcha convocada por moradores — batizada de Marcha dos Homens, com concentração no Centro de Convenções e caminhada até a Praça Minas Gerais. Uma familiar de Larissa e Maria Fernanda tomou a palavra e lembrou que o feminicídio é o estágio final de uma violência que começa muito antes. Mas enquanto a cidade enlutuada marchava, parte da cobertura jornalística do caso trilhava outro caminho. A narrativa que mata duas vezes Nos dias que se seguiram ao crime, algumas publicações escolheram destacar em seus títulos a versão do próprio suspeito — a de que uma “suposta traição” teria “motivado” ou “levado” o homem a matar. O problema não é mencionar o contexto alegado pelo suspeito. O problema é transformar essa alegação no enquadramento central da história: quando o título diz que a traição “levou” alguém a matar, está construindo uma relação de causalidade. Não descreve o crime — explica, e ao explicar, justifica. “O feminicídio não começa na manchete. Mas a manchete pode determinar se a próxima mulher vai pedir socorro ou vai ficar em silêncio, com medo de não ser acreditada.” — Campanha da Associação Riograndense de Imprensa, 2026 O Projeto Ariadnes, observatório de mídia, gênero e sexualidade da UFOP, sediado no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas de Mariana, publicou em suas redes sociais uma análise da cobertura do caso — apontando exatamente esse padrão. O projeto, coordenado pela professora Karina Gomes Barbosa e com atuação na formação de jornalistas da Região dos Inconfidentes, tem realizado oficinas sobre cobertura ética de feminicídios desde 2025. A publicação gerou ampla repercussão e debate entre moradores e profissionais da comunicação. A pesquisadora e linguista Ana Maduro, cujo trabalho embasou um projeto de lei debatido na Câmara Legislativa do Distrito Federal em março de 2026, resume o mecanismo: “Muitas manchetes acabam diminuindo a responsabilidade do agressor ao sugerir motivações relacionadas ao comportamento da vítima.” O ciclo se fecha quando a cobertura replica e amplifica a mesma lógica que estrutura a violência de gênero: a de que a mulher é responsável pelo que acontece a ela. Traição, real ou suposta, não justifica assassinato. Nem de uma mulher adulta. Nem de uma criança de dois anos. O que os dados dizem sobre nossa região O caso de Larissa e Maria Fernanda não é isolado. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais mostram que a violência doméstica é persistente nas três cidades que o Vintém cobre. Ouro Preto lidera em números absolutos entre elas: foram 588 registros em 2021, subindo para 703 em 2022 e 697 em 2023. Até abril de 2024, o município já acumulava 256 casos — um ritmo que sugeria encerrar o ano próximo dos recordes anteriores. Em Mariana, a média histórica é igualmente elevada: 638 registros em 2021, 605 em 2022, 607 em 2023. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania do município informou, até junho de 2024, uma média de 13 novos casos de violência atendidos por mês — com violência física, psicológica e abuso sexual entre as formas mais comuns. Itabirito registrou 461 casos em 2021, queda para 346 em 2022, retorno a 405 em 2023. Esses números, cabe lembrar, dizem respeito às ocorrências registradas. A subnotificação é histórica: o medo, a dependência financeira, o estigma social e, especialmente em cidades menores, o risco de exposição em comunidades onde agressor e vítima são conhecidos de todos — tudo isso mantém uma parte significativa dos casos fora das estatísticas oficiais. 📊 Dados regionais · Violência doméstica Ouro Preto, Mariana e Itabirito: o que os registros mostram Município 2021 2022 2023 Jan–Abr 2024 Ouro Preto 588 ↑ 703 697 256 Mariana 638 605 607 173 Itabirito 461 ↓ 346 405 144 Registros de violência doméstica — todas as formas (física, psicológica, sexual, patrimonial). Os números refletem ocorrências registradas, não o total real: especialistas estimam subnotificação significativa, especialmente em cidades de médio porte. 13 novos casos de violência atendidos por mês em Mariana (média até jun/2024) 166 famílias atendidas mensalmente nos centros de referência de Itabirito 3 municípios com CREAS ativo para acolhimento de vítimas VINTÉM Fonte: Sejusp-MG / Observatório de Segurança Pública · dados até abr/2024 🇧🇷 Panorama · Minas Gerais e Brasil Feminicídio: o que os números nacionais dizem sobre o que acontece aqui 1.568 feminicídios consumados no Brasil em 2025 — recorde histórico desde 2015 4,7% crescimento em relação a 2024, que já havia batido recorde 13.703 mulheres mortas por feminicídio no Brasil desde a tipificação do crime (2015–2025) 4/dia média de feminicídios consumados no Brasil desde 2022 Ocorrências

Câmara de Ouro Preto lança Campanha da Fraternidade 2026 com debate sobre moradia

Audiência pública acontece nesta segunda-feira (9), às 18h, no plenário da Câmara; evento é aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo YouTube A Câmara Municipal de Ouro Preto realiza nesta segunda-feira, 9 de março, às 18h, a audiência pública de lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. O evento, proposto pelos vereadores Kuruzu (PT) e Matheus Pacheco (PV), acontece no plenário da Casa e é aberto à participação da comunidade. A Campanha da Fraternidade é promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante o período da Quaresma. Em 2026, o tema escolhido é “Fraternidade e Moradia” e o lema, retirado do Evangelho de João, é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Ao longo da Quaresma, a iniciativa mobiliza paróquias, pastorais e movimentos sociais em todo o país por meio de atividades de formação, encontros e ações solidárias. Para o vereador Kuruzu, a escolha do tema pela Igreja chega em momento especialmente significativo para Ouro Preto. “Essa Campanha da Fraternidade 2026 chega em um momento oportuno para a nossa cidade. Saber que a Igreja Católica propõe essa reflexão sobre um tema tão importante alimenta o debate e a nossa atuação na luta por moradia em Ouro Preto”, afirmou. A audiência desta segunda integra um contexto mais amplo de debates sobre habitação que vêm ocupando o legislativo municipal. Na semana passada, Ouro Preto assistiu à assinatura do acordo judicial que encerra a disputa pelas chamadas Terras da Novelis, garantindo regularização fundiária para moradores de cinco bairros da área sul da cidade e abrindo caminho para a construção de moradias populares. Na mesma semana, o vereador Kuruzu anunciou o avanço de projeto de lei do deputado estadual Elton Pimentel que prevê a doação de aproximadamente 20 hectares da antiga FEBEM ao município para a implantação de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A audiência pública de hoje busca apresentar à comunidade a proposta da campanha deste ano e trazer o debate para o contexto municipal, discutindo a realidade da moradia em Ouro Preto a partir da reflexão proposta pela CNBB. 🏛️ Serviço · Audiência Pública Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara de Ouro Preto Tema · Fraternidade e Moradia “Ele veio morar entre nós” João 1,14 · CNBB 2026 📅 Quando 9 de março de 2026Segunda-feira · 18h 📍 Onde Plenário da Câmara MunicipalPraça Tiradentes, 41 🎙️ Requerimento Vereadores Kuruzu (PT)e Matheus Pacheco (PV) 🎟️ Entrada Aberta ao público Gratuita ▶️ Transmissão ao vivo pelo canal oficial da Câmara Municipal de Ouro Preto no YouTube VINTÉM Informação que vale ouro