IFMG Campus Ouro Preto registra melhor resultado desde 2021 no Enem e lidera escolas públicas da cidade

O IFMG Campus Ouro Preto registrou média geral de 604,8 pontos no Enem 2025, o melhor resultado do campus desde 2021 e 20,81 pontos acima da média nacional. A instituição informa que o desempenho coloca o campus em primeiro lugar entre as escolas públicas de Ouro Preto. Dos 258 alunos inscritos, 252 realizaram a prova. O resultado representa uma recuperação expressiva em relação a 2024, quando o campus havia registrado 587,97 pontos — a menor média do período analisado. Em 2025, a diferença entre a média do IFMG e a média nacional saltou de 2,41 para 20,81 pontos em comparação ao ciclo anterior. O crescimento foi consistente nas quatro áreas de conhecimento avaliadas. Em Matemática, o campus atingiu 626,65 pontos — alta de 38,96 em relação a 2024 e o maior crescimento absoluto entre as disciplinas. Em Linguagens e Códigos, a média chegou a 575,94 pontos, avanço de 27,29 e o melhor resultado da área desde 2021. Em Ciências Humanas, 558,92 pontos, alta de 19,75. Em Ciências da Natureza, 539,66 pontos, com crescimento que levou a área a superar a marca dos 550 pontos pela primeira vez no período analisado. Média geral do IFMG Campus Ouro Preto no Enem 2025: 604,80 pontos 2024: 587,97 pontos 2023: 594,69 pontos 2022: 603,60 pontos 2021: 592,21 pontos Médias por área — Enem 2025 Matemática: 626,65 pontos (+38,96 em relação a 2024) Linguagens e Códigos: 575,94 pontos (+27,29) Ciências Humanas: 558,92 pontos Ciências da Natureza: 539,66 pontos (+19,75)

Quarenta anos depois, o gol da “Mão de Deus” de Maradona ainda é celebrado. Mas deveria?

Cesar R. Torres, Penn State No futebol, gols memoráveis geralmente estão ligados aos jogadores que os marcaram. Poucos conseguem ser lembrados sem mencionar o atleta — ou até mesmo a equipe — envolvida. No entanto, dois gols marcados em uma mesma partida há 40 anos alcançaram esse status. Um é conhecido universalmente como a “Mão de Deus”, e o outro é amplamente reconhecido como o “Gol do Século”. Ambos foram marcados pelo craque argentino Diego Maradona contra a seleção da Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo da FIFA 1986, no México, no Estádio Azteca, em 22 de junho de 1986. Os gols, marcados com apenas alguns minutos de diferença, estão entre os poucos que continuam sendo imediatamente reconhecidos décadas depois — e têm um significado especial na Argentina. Sua importância era tão grande que, em 2012, quando a então presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner inaugurou a “Galeria dos Ídolos Populares” na Casa Rosada, sede da presidência do país, a exposição incluiu fotos de ambos os gols. Mas foi a “Mão de Deus” que mais se destacou. A imagem icônica de Maradona com o braço estendido, socando a bola por cima do goleiro inglês Peter Shilton, foi colocada em destaque, chamando a atenção dos visitantes. Um ano após a inauguração da Galeria dos Ídolos Populares, o autor a visitou com um grupo de estudantes universitários internacionais que participavam de um programa de intercâmbio coordenado por sua esposa. Sabendo que ele era filósofo do esporte, alguns integrantes do grupo fizeram uma pergunta ética: por que um gol marcado de forma ilegal — que deveria ter sido anulado por um toque de mão evidente — recebeu tanto destaque no palácio presidencial? A mesma pergunta pode ser feita sobre o lugar que esse lance ocupa hoje no imaginário argentino, com sua imagem aparecendo com frequência em murais, camisetas e canções. Para entender por que aquele jogo e aqueles gols de Maradona — dos 34 que ele marcou pela seleção — se tornaram tão marcantes no imaginário argentino, é necessário refletir sobre a complexa história das relações anglo-argentinas. Relações anglo-argentinas Desde o final do século XVI, a Grã-Bretanha buscou expandir seu império para a América do Sul, principalmente para ampliar os mercados de seus produtos em outras regiões. Após tentativas fracassadas de invadir Buenos Aires em 1806 e 1807, a Grã-Bretanha desempenhou um papel importante na independência da Argentina em relação à Espanha alguns anos depois. Durante o restante do século XIX e o início do século XX, os britânicos tiveram uma presença marcante na economia argentina. Os investimentos eram tão expressivos e a comunidade de expatriados britânicos tão numerosa que a Argentina chegou a ser descrita como o “Sexto Domínio” da Grã-Bretanha. O futebol, trazido por essa comunidade, também se tornou uma paixão dos argentinos. Ainda assim, a relação entre os dois países foi, em alguns momentos, marcada por antagonismos. Um dos principais pontos de disputa envolvia um grupo de ilhas localizado a cerca de 300 milhas da costa sul-americana, conhecido como Falkland Islands no Reino Unido e como Islas Malvinas na Argentina. A Grã-Bretanha ocupa as ilhas desde 1833, enquanto a Argentina as reivindica como suas desde então. O aumento das tensões culminou em uma guerra em 1982, quando a Argentina, que na época estava sob uma ditadura militar brutal, enviou uma expedição militar para as ilhas. A resposta decisiva da Grã-Bretanha derrotou a incursão argentina. A perda da guerra foi uma experiência traumática para a Argentina, mas também representou um passo importante para o retorno do país à democracia no ano seguinte. A Copa do Mundo de Maradona As relações entre os dois países ainda eram tensas quando Argentina e Inglaterra se enfrentaram durante a Copa do Mundo da FIFA 1986. As relações diplomáticas ainda não haviam sido restabelecidas, e muitos argentinos viam o jogo como uma oportunidade de homenagear os soldados conscritos que morreram na guerra e lembrar ao mundo a reivindicação do país sobre as ilhas Malvinas/Falklands. Era um jogo carregado de complexas conotações políticas e históricas. E a Argentina entrou em campo contando com o maior jogador daquela época: Diego Maradona. Como Eduardo Galeano, conhecido como “poeta laureado global do futebol”, escreveu em 1995: o México 86 “foi a Copa do Mundo de Maradona”. “Com dois gols de canhota contra a Inglaterra, Maradona vingou a ferida causada ao orgulho de seu país pela Guerra das Malvinas/Falklands: o primeiro foi marcado com a mão esquerda… e o outro com o pé esquerdo, depois de deixar os defensores ingleses pelo caminho.” Em apenas cinco minutos, Maradona elevou o ânimo de sua nação e foi elevado ao status de ídolo entre os ídolos. Após a partida, enquanto a polêmica em torno do primeiro gol se espalhava, Maradona, seguindo a sugestão de um jornalista, concordou que o lance havia sido marcado pela “Mão de Deus”. Embora o segundo gol tenha sido a encarnação da beleza do futebol, o imaginário associado ao primeiro tornou-o igualmente — ou até mais — icônico. O fato de a Argentina ter conquistado o título mundial apenas reforçou a reputação eterna de Diego Maradona, independentemente do que ele fizesse. Sua morte, em 25 de novembro de 2020, provocou uma onda de luto na Argentina e em todo o mundo. Tudo que é bom no jogo De volta ao palácio presidencial, os estudantes pressionaram o autor sobre como ele e outras pessoas deveriam se sentir em relação à “Mão de Deus”. A resposta, ecoando argumentos filosóficos apresentados em um capítulo escrito para um livro coeditado com o filósofo Daniel G. Campos, foi a seguinte: O contexto é importante para compreender o significado que muitos na Argentina atribuíram àquele gol. Apesar disso, o contexto não pode justificá-lo. O futebol é uma prática social regulada por regras e pelo que os filósofos chamam de “bens internos” — recompensas intrínsecas que surgem da participação em uma atividade. Esses bens internos não apenas definem o futebol, mas também representam a base de seus padrões de excelência. Eles englobam aquilo

Água sólida: hidrogéis biodegradáveis podem ajudar a agricultura e o reflorestamento a resistirem à seca

Hidrogéis são redes tridimensionais de polímeros com grande capacidade de absorver líquidos, como água, sem se dissolver. O hidrogel biodegradável (foto) feito a partir de produtos naturais. André Luiz Martinez de Oliveira, Universidade Estadual de Londrina (UEL) Nos últimos anos, a seca deixou de ser uma preocupação apenas de agricultores ou comunidades de regiões áridas. Ela se tornou um fenômeno global, com impactos diretos na segurança alimentar, na saúde pública e na economia. Em 2023, quase metade da área terrestre mundial (48%) enfrentou pelo menos um mês de seca extrema, segundo o relatório Global Drought Outlook: Towards a drier world, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso significa que milhões de pessoas conviveram com a escassez de água em algum momento do ano. Como pesquisador que atua em soluções baseadas na natureza, vejo esse quadro não apenas como uma estatística alarmante, mas como um chamado à ação. A crise climática tem intensificado os eventos de seca que – ao contrário de outras catástrofes naturais abruptas – é silenciosa e prolongada. Ela compromete lavouras inteiras, inviabiliza projetos de restauração e pode levar à morte plantas em larga escala. Quando falamos em crise hídrica, falamos em ameaça à vida como um todo. Foi nesse contexto que, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), começamos a investigar alternativas de baixo custo e ambientalmente seguras para aumentar a sobrevivência de mudas agrícolas e florestais. Uma dessas alternativas é o hidrogel biodegradável superabsorvente – popularmente conhecido como “água sólida”. O que são hidrogéis? Hidrogéis são redes tridimensionais de polímeros com grande capacidade de absorver líquidos, como água, sem se dissolver. Dependendo de sua composição, podem reter de 10% a 100% do próprio peso seco ou volume em fluídos. Aplicados ao solo, funcionam como pequenas esponjas: armazenam água em períodos chuvosos e a liberam gradualmente durante a estiagem, aumentando a resistência das plantas ao estresse hídrico. Esse efeito é especialmente importante para culturas sensíveis à seca ou em regiões de clima instável. Os hidrogéis considerados superabsorventes são capazes de reter mais de 100% de seu peso em água. Eles podem ser de origem sintética, natural ou híbrida. Os sintéticos, em geral, têm maior capacidade de absorção e durabilidade, mas costumam ser não biodegradáveis e potencialmente poluentes. Já os naturais, produzidos a partir de polissacarídeos (como amido e quitosana) ou proteínas (como gelatina e colágeno), apresentam vantagens ambientais: são biodegradáveis, biocompatíveis e pouco tóxicos. Porém, os polissacarídeos em sua forma natural não conseguem formar a rede necessária para manter a água retida. Para isso, são usadas substâncias químicas como o glutaraldeído – eficiente, mas tóxico e ambientalmente insustentável. Uma alternativa promissora é o uso de produtos naturais, como o ácido cítrico, que é renovável, biodegradável e não tóxico. Apesar do interesse crescente por soluções verdes, a maioria dos hidrogéis disponíveis para agricultura ainda é sintética, não biodegradável. É nesse ponto que nossas pesquisas entram: desenvolver materiais biodegradáveis, sustentáveis e de baixo custo, capazes de oferecer desempenho comparável ou superior. Desenvolvendo hidrogéis biodegradáveis Nosso grupo testou diferentes combinações de biopolímeros para produzir hidrogéis superabsorventes. Utilizamos três polissacarídeos – celulose, amido e goma xantana – e uma proteína, a gelatina. A escolha não foi aleatória: usamos celulose derivada de resíduos agroindustriais, abundantes e de baixo custo; amido de milho, disponível em larga escala e barato; goma xantana, conhecida por suas excelentes propriedades de viscosidade; e gelatina, que possui grande capacidade de formar géis. Amostras de hidrogel secos (à esquerda) e após 24 horas em hidratação (à direita). Fonte: acervo pessoal. Misturamos diversas proporções desses ingredientes, que depois foram reticulados – ou seja, conectados em rede – pelo ácido cítrico, formando hidrogéis com boa capacidade de retenção de água e resistência mecânica. Nos testes de intumescimento, eles retiveram de 187% a 492% do próprio peso em água. Também analisamos as amostras em microscópio para observar a porosidade, um fator determinante para absorção e liberação da água. Poros abertos permitem absorção rápida, mas reduzem a resistência mecânica do material. Já os poros fechados tornam a absorção mais lenta, porém aumentam a durabilidade e permitem uma liberação mais controlada. Os hidrogéis produzidos apresentaram uma proporção adequada entre poros abertos e fechados, o que favorece tanto a retenção quanto a resistência estrutural – algo essencial para aplicação em solos agrícolas. Imagens de Microscopia Eletrônica de Varredura evidenciam a porosidade de amostras de hidrogel. Fonte: acervo pessoal. Outro aspecto observado foi a estabilidade térmica: os hidrogéis demonstraram boa resistência ao calor, sofrendo a primeira alteração a 142 °C, quando o glicerol se decompõe, e começando a se deformar apenas a 212 °C, temperatura em que a gelatina se degrada. Testes em solo e sementes Para verificar a aplicação prática, testamos o hidrogel mais promissor em solos sob estresse hídrico. Os resultados foram expressivos. A capacidade de retenção de água aumentou em todas as concentrações testadas, mas o solo com 5% de hidrogel foi o mais eficiente. Em experimentos de germinação com milho, a taxa subiu de 76% no solo controle para 93%. Concentrações mais altas, como 10%, foram menos eficazes, com germinação de 86%. Outro benefício observado foi a liberação gradual de nutrientes como carbono e nitrogênio durante a biodegradação do material, contribuindo para o incremento da biomassa microbiana no solo e o crescimento saudável das plantas. E, além de reter água, os hidrogéis também podem armazenar nutrientes dissolvidos no solo. Sua rede tridimensional permite encapsular esses elementos e liberá-los de forma regulada, acompanhando os ciclos de absorção e desabsorção de água. Assim, os hidrogéis podem ajudar a reduzir o uso excessivo de fertilizantes e minimizar problemas ambientais ligados à lixiviação – quando nutrientes são levados pela água da chuva para lençois freáticos e rios. Outras frentes de pesquisa Os hidrogéis são apenas uma das linhas de investigação do nosso laboratório. Também atuamos em diferentes soluções de base biológica para apoiar a agricultura e o reflorestamento diante da crise climática. Fazemos parte do NAPI Biodiversidade: RESTORE, uma iniciativa pública do Paraná, apoiada pela Fundação Araucária, voltada a desenvolver soluções inovadoras para