De quartel a museu e resort: Vila Galé inaugura Museu Equestre em Ouro Preto

Antigo quartel de cavalaria em Cachoeira do Campo ganha haras e Museu Equestre e reforça a rota do turismo histórico em Minas Gerais.
Análise: Dados sugerem que o calendário eleitoral da disputa presidencial de 2026 foi antecipado

Fábio Vasconcellos, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) “O Brasil tem duas opções. Se você quer o Lula e o Maduro, fica com eles. Se quer a seriedade e a lei, fica conosco”. A declaração do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União-Brasil), pré-candidato à Presidência da República, é mais um sinal do que muitos têm apontado como uma antecipação indevida da campanha eleitoral de 2026. Dois dias após a operação policial mais letal da história do Brasil e do Rio, Caiado foi à capital Fluminense com outros colegas manifestar apoio ao governador, Cláudio Castro (PL). A operação ganhou as manchetes e se transformou em oportunidade para governadores do campo da direita. Na crônica política do país, contudo, outro episódio recente reforça a hipótese da antecipação da disputa do próximo ano. Na primeira semana de outubro, a Câmara dos Deputados deixou caducar a Medida Provisória que ampliava tributos sobre aplicações financeiras, bets e fintechs. Se aprovada, a MP contribuiria para o equilíbrio das contas do governo, com um aumento de arrecadação de até R$ 20,5 bilhões. Após a derrota, lideranças do governo e analistas políticos apontaram a antecipação da disputa presidencial como a principal razão da decisão dos deputados – sobretudo daqueles que formam o Centrão, como o PL, Republicanos, PSD, PP e União Brasil. Na tribuna da Câmara, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), confirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), potencial candidato à Presidência,trabalhou pela derrubada da MP. Embora as críticas sobre a antecipação do calendário eleitoral tenha ganhado volume, elas parecem pouco esclarecedoras. Em uma democracia representativa, é esperado que atores políticos trabalhem de olho no próximo ciclo eleitoral, e isso vale tanto para a oposição quanto para a situação. Ainda que o propósito do debate seja denunciar o quanto a disputa eleitoral antecipada prejudica o andamento do governo e a execução de políticas públicas, é justamente o horizonte eleitoral que impulsiona governo e oposição a agirem. Ambos procuraram responder às demandas das suas bases que, ao fim, também pode traduzir-se em ganhos político-eleitorais. Nesse sentido, do ponto de vista prático, o argumento da antecipação eleitoral parece ter baixa validade, pois tanto o governo quanto a oposição se orientam pelas oportunidades político-eleitorais que identificam no curto e no médio prazos. Portanto, talvez a questão a ser examinada seja a frequência com que a disputa eleitoral é levada para a agenda do debate público, limitando a inclusão de outros temas e, por consequência, influenciando os atores políticos. Mais de 407 mil menções às eleições Para tentar responder a essa pergunta, ainda que de forma exploratória, coletamos dados de publicações em mais de 1,4 mil veículos digitais de imprensa entre 2011 e 2025 (até 16 de outubro). A busca consistiu em identificar reportagens, notas de colunistas, artigos de opinião, entre outros gêneros jornalísticos de veículos digitais que tenham mencionado “eleições ou reeleição” combinado com “presidencial ou presidente”, e que fizessem referência à Dilma, Temer, Lula, Bolsonaro, Aécio, Ciro Gomes ou Marina. Antes, uma ponderação: os dados tendem a ser mais precisos quanto mais recentes, em razão da qualidade do sistema de busca e da indexação dos conteúdos. Embora o debate eleitoral não ocorra exclusivamente na imprensa, ela é um termômetro que ajuda a compreender como o assunto circula entre as elites econômicas, partidárias e intelectuais do país. A imprensa tanto pode estimular a agenda ao propor pautas e análises sobre a reeleição presidencial, quanto também pode servir de canal para dar vazão aos argumentos e posições de partidos e lideranças. Diferentemente do calendário oficial das eleições definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é pela imprensa, portanto, que o calendário político informal da disputa se organiza. O mapeamento identificou mais de 407 mil menções às eleições presidenciais entre 2011 e 2025 (até o início de outubro), das quais 26% estão concentradas em 2022. Como esperado, anos eleitorais tendem a inflacionar os dados, já que a imprensa se empenha em cobrir a agenda dos pré-candidatos, a campanha, as pesquisas e o dia da eleição. Lula 3 lidera no 1º e 2º ano de mandato Ainda considerando os dados absolutos, reorganizamos os casos por ano de mandato para examinar a frequência do tema “eleições” na imprensa. A primeira conclusão é que em números absolutos, o 1º e o 2º anos do mandato de Lula 3 apresentam mais menções às eleições presidenciais. O 3º ano – véspera do período eleitoral – contudo, é liderado pelo mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais de 44,7 mil menções no ano de 2021 trataram de eleições presidenciais, mencionando o ex-presidente e/ou seus adversários. É importante observar que essa frequência tem relação com eventos políticos significativos da história recente do país. Em 2019, Lula conseguiu a liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), fato que estimulou o debate sobre sucessão presidencial. No ano de 2021, o STF anulou os processos do ex-presidente na Operação Lava Jato, devolvendo a Lula seus direitos políticos. Quase imediatamente, a medida potencializou a discussão sobre a sucessão de Bolsonaro. O grande número de menções à eleição presidencial de 2022 – mais de 107 mil casos – tem, por sua vez, relação com o ineditismo do caso. Pela primeira vez, um ex-presidente e um presidente da República disputaram o principal cargo político do país. Talvez essa seja também uma das explicações para o alto número de menções no primeiro ano do mandato de Lula 3. Naquele ano, houve um total de 37 mil menções às eleições presidenciais, muito provavelmente influenciadas por dois fatores interligados. O primeiro como reflexo da acirrada disputa do ano anterior; o segundo por conta da decisão do TSE de tornar Bolsonaro inelegível até 2030, fato que despertou a discussão sobre a sucessão no campo da direita. Na distribuição relativa, Lula 3 lidera em todos os recortes Como dados absolutos tendem a distorcer os comparativos, já que são fortemente influenciados pelos contextos políticos, produzimos a distribuição relativa das menções, considerando cada ano de mandato de cada presidente. Exemplo: do total identificado durante
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Saneouro divulga nota sobre processo societário; posicionamento confirma que venda global da controladora segue em andamento com conclusão prevista para 2026

Após a repercussão internacional da venda da GS Inima — uma das controladoras da Saneouro — para a estatal de Abu Dhabi TAQA, por cerca de US$ 1,2 bilhão, a concessionária divulgou uma nota oficial sobre o tema. Sem entrar em detalhes sobre a operação global, a Saneouro afirma que o processo de inclusão de um novo acionista na estrutura societária da GS Inima já está em curso e que pode ser concluído apenas em 2026. O que diz a nota da Saneouro No comunicado, a empresa informa que: A nota não nega a negociação noticiada pela imprensa internacional; apenas esclarece que, no âmbito da Saneouro, nenhuma mudança societária se efetivou até o momento, o que é compatível com o estágio da operação global, que depende de aprovações formais, como informado anteriormente pelo Vintém. (leia aqui a matéria completa) Contexto internacional: venda da GS Inima foi anunciada em agosto A operação envolvendo a GS Inima foi anunciada no dia 25 de agosto de 2025 por veículos internacionais como Reuters, El País / CincoDías, Korea Economic Daily e pela própria TAQA, por meio de comunicado distribuído via PR Newswire. O valor divulgado é de aproximadamente US$ 1,2 bilhão, e o negócio faz parte da estratégia da TAQA de ampliar sua presença global no setor de água — da dessalinização ao saneamento. A GS Inima opera cerca de 50 projetos em 10 países, incluindo concessões de longo prazo na América Latina, Europa e Oriente Médio. Por que a conclusão depende de 2026 Como mostrado anteriormente, o acordo global está sujeito a: No Brasil, qualquer mudança de controle que afete a Saneouro — mesmo que indiretamente — depende de anuência prévia da Prefeitura de Ouro Preto, conforme previsto no contrato de concessão. A Prefeitura informou que ainda não recebeu comunicado sobre eventual pedido de anuência. Situação atual
Intoxicação medicamentosa: quando superdosagens e interações prejudicam o tratamento e podem ser fatais

A morte do ídolo da MPB Lô Borges chama a atenção para o grave problema.
Cinco anos depois, Amarantina ainda espera rota alternativa e privatização da BR-356 adiciona nova camada de incerteza

Condicionante ambiental de 2019 previa novo acesso para pedreira pela rodovia, mas projeto segue emperrado entre Prefeitura, DNIT e FEAM. Agora, com a BR-356 privatizada desde setembro, qualquer nova via precisará passar também pela concessionária A via de acesso a Amarantina convive com o tráfego intenso de carretas da Pedreira Irmãos Machado há pelo menos cinco anos. A promessa de uma rota alternativa que tirasse esse fluxo de caminhões existe desde 2019, quando foi estabelecida como condicionante ambiental para a continuidade da operação da empresa. Mas o projeto segue no papel e agora ganhou um novo complicador. Em setembro de 2025, a BR-356 foi privatizada. O Consórcio Rota da Liberdade assumiu a operação do trecho por 30 anos, o que significa que qualquer nova via que dependa de acesso à rodovia federal precisará passar também pela aprovação da concessionária. E é justamente pela BR-356 que a rota alternativa proposta deveria sair. Enquanto isso, o distrito segue pressionado pelo tráfego pesado. A Frente Popular em Defesa de Amarantina estima que até 700 carretas circulam diariamente pelas vias do distrito. A Pedreira Irmãos Machado, por sua vez, informa que o tráfego relacionado à sua operação gira em torno de 200 caminhões por dia. A diferença de 500 caminhões nos números aponta para outra questão: o tráfego irregular. A Prefeitura de Ouro Preto reconhece que outras empresas têm usado o trecho como atalho para transporte de produtos, de forma irregular, e promete instalar câmeras para fiscalização 24 horas. A atalho por Santo Antônio do Leite O problema do tráfego irregular não se limita a Amarantina. O distrito vizinho, Santo Antônio do Leite, também tem sido usado como rota. Não foi identificado a qual empresa essas carretas prestam serviço. Dados da Guarda Civil Municipal e da Ourotran mostram que caminhões de grande porte têm cortado Santo Antônio do Leite para acessar Amarantina e, de lá, seguir para seus destinos. A manobra funciona como um atalho que desvia de trechos mais fiscalizados ou congestionados, mas transfere o impacto do tráfego pesado para vias distritais que não foram projetadas para esse volume. A Prefeitura reconhece que veículos flagrados nessa rota foram autuados, mas a fiscalização ainda depende de presença física de agentes — daí a promessa de instalação de câmeras que permitam monitoramento contínuo. A condicionante 18: o que foi prometido A chamada Condicionante 18 foi estabelecida em 2019, quando a Pedreira Irmãos Machado obteve sua licença ambiental. O texto previa a apresentação de um projeto para novo acesso a partir da rodovia BR-356, destinado exclusivamente ao escoamento da produção do empreendimento, com prazo de 360 dias. A empresa apresentou o projeto no prazo. Depois, informou que o convênio inicial foi desfeito e um novo projeto precisou ser elaborado. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), “como se trata de uma rota distrital, o novo projeto depende da aprovação do Município de Ouro Preto e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que ainda não foi concedida.” O ping-pong burocrático O que parecia ser uma solução simples — apresentar um projeto e executá-lo — se transformou em uma sucessão de pareceres que não se conectam. A FEAM esclarece que “a Condicionante nº 18 não prevê a construção de uma rota alternativa, mas sim a apresentação de um projeto”. A empresa apresentou. O órgão ambiental estadual realizou fiscalizações e solicitou informações sobre aprovação do projeto junto aos órgãos competentes e cronograma de implantação. Mas, tecnicamente, a condicionante foi cumprida — o que não aconteceu foi a aprovação e a construção. O DNIT, responsável pela gestão da BR-356 até a privatização, deixou claro em agosto de 2024 que os projetos apresentados pela Prefeitura de Ouro Preto “não apresentam condições de aprovação, uma vez que contêm incorreções nos estudos de tráfego, levantamento topográfico, projetos geométrico, de terraplenagem, de drenagem, pavimentação e sinalização.” A Prefeitura foi oficialmente comunicada. A Prefeitura de Ouro Preto, por sua vez, afirma que o projeto “já foi protocolado perante à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e está em análise, como passível de aprovação.” O município informa que o projeto será levado ao Conselho de Política Urbana para deliberação e reconhece “o impacto que o tráfego de carretas tem provocado na via pública de Amarantina”. A Pedreira Irmãos Machado aguarda a licença municipal. Segundo a empresa, assim que a autorização for emitida, o prazo estimado para conclusão das obras da rota alternativa é de 10 meses. A via terá extensão de 200 metros e área de 7.014 m². Leia o posicionamento da empresa, obtido com exclusividade pelo Vintém, na íntegra aqui. A nova camada: privatização da BR-356 Em 18 de setembro de 2025, o Consórcio Rota da Liberdade venceu o leilão para operar a BR-356 — junto com trechos da MG-262 e MG-329 — por 30 anos. O consórcio é formado por Construtora Metropolitana, Quebec Construções e Tecnologia Ambiental, JCP Participações, Abra Infraestrutura, Construtora Contorno e Renova Engenharia. A concessão prevê investimentos de quase R$ 6 bilhões, duplicação total da BR-356 no trecho Nova Lima–Itabirito–Ouro Preto–Mariana–Rio Casca, e construção do Contorno Viário de Cachoeira do Campo. Mas também muda a regra do jogo para qualquer projeto que dependa de acesso à rodovia federal. A rota alternativa sai justamente pela BR-356. Agora, além de aprovação da Prefeitura e do DNIT, será necessário negociar com a concessionária privada. O que diz a comunidade Em julho de 2023, a Frente Popular em Defesa de Amarantina protocolou denúncia formal na SUPRAM Central Metropolitana e no Ministério Público de Minas Gerais, cobrando a construção da rota alternativa. No documento, a organização afirma que “as ruas da comunidade não comportam o excesso de mais de 700 carretas diariamente, além do barulho, da poeira, estão colocando a vida dos moradores em risco.” A Frente destaca que a proposta de entrada pela BR-356 é “de solução simples, objetiva, prática, custos financeiros imensamente reduzidos” e que “não desapropria moradores e nem prejudica os comércios locais.” O tom da denúncia é de urgência: “Não precisamos ter mais um acidente com vítimas para
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