Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa: Ouro Preto reforça rede de terreiros e tem lei municipal contra racismo religioso

21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei Federal 11.635/2007 em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá baiana que morreu em 21 de janeiro de 2000 após sucessivos episódios de violência e perseguição religiosa. (Justiça Eleitoral) Em Ouro Preto, o debate ganha força em meio a um movimento de articulação entre casas de matriz africana e políticas públicas locais. Em 2025, o município sancionou a Lei Municipal nº 1.538/2025, de autoria do vereador Alex Brito, que institui o Dia Ouropretano de Combate à Intolerância Religiosa e ao Racismo Religioso (em 21 de março) e cria a Semana Municipal dedicada ao tema. (Ouro Preto) Religiões afro-brasileiras: diversidade, história e resistência Em entrevista ao Vintém, Jefferson, praticante de candomblé e umbanda e membro de terreiro em Cachoeira do Campo, explica que as religiões afro-brasileiras não são uma prática única, mas um conjunto diverso de tradições, com diferentes “nações”, formas de culto e histórias de formação. Para ele, são religiões complexas, de grande riqueza cultural, reestruturadas no Brasil a partir de matrizes africanas, indígenas e europeias — e marcadas por um histórico de perseguição desde o período colonial. Jefferson também chama atenção para um traço local: apesar da forte presença negra na cidade e da memória histórica relacionada à população escravizada, muitas práticas religiosas sobreviveram por muito tempo de forma doméstica e familiar, em núcleos discretos, como benzeduras e “umbandas caseiras”, justamente por causa do controle e da repressão. “Se não tivesse tanta perseguição com a religião, provavelmente ela seria tão grande quanto o catolicismo na cidade”, avalia. “As religiões de matriz africana são as mais atacadas”, diz diretor de Igualdade Racial O diretor de Igualdade Racial da Casa de Cultura Negra de Ouro Preto, Kedison Guimarães, afirma que o município tem trabalhado para fortalecer as casas de matriz africana e estruturar uma rede de proteção. Segundo ele, já foram mapeados cerca de seis a sete terreiros entre sede e distritos, com casas de candomblé e umbanda, e há ações para reconhecer esses territórios como guardiões de saberes ancestrais. Kedison destaca que a criação da lei municipal (de autoria do vereador Alex Brito) é uma ferramenta importante para enfrentar crimes de ódio e violências que atingem, de forma desproporcional, as religiões afro-brasileiras. A proposta, segundo ele, é reforçar o respeito às crenças e ampliar a proteção institucional a esses espaços. Intolerância religiosa é crime — e não deve ser naturalizada A data de 21 de janeiro reforça uma mensagem simples: ninguém pode ser constrangido, atacado ou impedido de exercer sua fé. Além da mobilização social, o combate passa por responsabilização: intolerância religiosa pode envolver crimes previstos na legislação penal e em normas específicas, dependendo do caso. (Justiça Eleitoral) Ao falar sobre caminhos diante da violência, Jefferson resume um princípio que pode orientar quem vive a situação no dia a dia: “O diálogo sempre é o primeiro e o melhor caminho”. Mas, quando há ofensa, ameaça, agressão, depredação ou perseguição, o recomendado é registrar o ocorrido e buscar apoio — seja por canais públicos de denúncia, seja por orientação jurídica e redes locais de proteção. Por que isso importa em Ouro Preto Ouro Preto é uma cidade profundamente marcada por heranças afro-brasileiras — na cultura, no território, nas irmandades, nos congados e em tantas formas de memória coletiva. Falar de intolerância religiosa aqui não é apenas falar de um “tema nacional”: é reconhecer uma disputa de direitos que atravessa a história da cidade e ainda aparece, hoje, na vida de quem mantém tradições religiosas de matriz africana. Se quiser, eu também monto um box curtinho de serviço (onde denunciar / quais canais procurar) no padrão “fim de matéria”, com linguagem bem objetiva.

Chapado fecha o Carnaval universitário de Ouro Preto com Luísa Sonza, MC Pedrinho e Orochi

Bloco acontece na terça, 17 de fevereiro de 2026, e aposta em line-up pop + trap + funk — com MU540 e DJ Zullu — para entregar o “último dia” com gosto de quero mais. O último dia do Carnaval costuma ter um tempero próprio em Ouro Preto: é quando a cidade parece correr contra o relógio, como se cada abraço precisasse caber no calendário. É nesse lugar — entre a exaustão e a vontade de ficar — que o Bloco Chapado construiu sua assinatura: encerrar a folia com cara de grande show. Em 2026, o evento está marcado para terça-feira, 17 de fevereiro, com atrações já divulgadas como Luísa Sonza, MC Pedrinho, Orochi, MU540 e DJ Zullu. Diretor do bloco, Diego Brenner resume a missão do dia final como um desafio de entrega: “O último dia tem que caprichar, porque depois daquele dia, só daqui 365 dias.” E completa, com a leitura de quem conhece o comportamento do folião: “O cara fala ‘não vou pular carnaval mais não, já tô cansado’… aí chega na terça-feira: ‘hoje é só ano que vem’.” Do “plano B” ao símbolo da terça-feira O Chapado surgiu em 2008, com a proposta de oferecer uma alternativa quando a terça-feira ainda tinha poucas atrações de grande porte na cidade — e, desde então, virou sinônimo do fechamento do Carnaval universitário. A lógica do line-up: atravessar públicos A escolha do time de 2026 reforça o que Brenner chama de “atravessar estilos” para segurar a pista do começo ao fim. De um lado, o pop de grande alcance; do outro, trap e funk com apelo de internet; e, fechando, eletrônico para “virar a chave” na reta final. A escala confirmada — Luísa Sonza, MC Pedrinho, Orochi, MU540 e DJ Zullu — aparece tanto nas divulgações oficiais do bloco quanto na cobertura local. Pista e camarote: tendência “premium” e bar de drinks No campo da experiência, o Chapado acompanha uma tendência que vem crescendo nos eventos de Carnaval: camarotes mais “premium”, com aposta em marcas de topo e bar de drinks. Na venda oficial, o camarote é descrito com open bar premium (incluindo marcas como Grey Goose e Ballena) e open food, além de um “bar de drinks”. Brenner também adiantou ao Vintém que a equipe vem calibrando diferenças entre pista e camarote, e que o público tem exigido mais qualidade no alto padrão: “O povo hoje em dia está exigindo isso (…) colocar um whisky bom, uma vodka boa, um gin bom.” Segundo ele, a pista tende a manter um desenho mais “tradicional”, por volume e desperdício.

Pesquisa da UFOP revela aumento de 70% nas notificações de autolesão em Ouro Preto; bairro Bauxita concentra casos

Estudo epidemiológico aponta concentração entre mulheres pardas de 20 a 39 anos e possível relação com saúde mental estudantil; falhas no preenchimento de fichas contribuem para subnotificação Uma pesquisa-intervenção desenvolvida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2019 revelou aumento expressivo nas notificações de lesões autoprovocadas em Ouro Preto. O estudo “Vigilância e prevenção do suicídio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil: análise do processo de notificação nos anos de 2022 a 2024” mostra que, em 2024, os registros praticamente dobraram em relação ao ano anterior, com concentração no bairro Bauxita, onde ficam a UFOP e o IFMG. A segunda fase da pesquisa, que analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Vigilância Epidemiológica municipal, identificou 138 notificações de lesões autoprovocadas entre 2022 e 2024 — sendo 38 em 2022, 37 em 2023 e 63 em 2024, um aumento de 70% no último ano. “Antes de começar a pesquisa, o Arislan, que idealizou essa pesquisa, percebeu que em Ouro Preto e no território próximo não havia estudos, artigos, nada que mostrasse como estava o número de suicídios e tentativas de suicídio. Aqui na região não tinha esses dados”, explica Renan Lima Vieira, estudante de Medicina da UFOP e um dos autores da pesquisa. Perfil epidemiológico O estudo traçou o perfil predominante dos casos notificados: mulheres pardas, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o envenenamento/intoxicação o principal meio utilizado. A concentração territorial também chamou atenção dos pesquisadores: o bairro Bauxita, sede dos campi universitários, lidera as notificações, seguido por Antônio Dias e Morro Santana. “Na segunda pesquisa, a gente também aprofundou para tentar ver qual a região de Ouro Preto que tinha maior número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas. E para nossa surpresa, o principal território foi a Bauxita, o bairro Bauxita, que é um bairro onde se concentra muito universitário, que é onde está a UFOP”, relata Renan. A pesquisa identificou ainda uma possível relação com o contexto universitário. “Juntando com a idade dessas mulheres, a gente pode relacionar que talvez o principal caso seja, a principal causa e fator em relação ao território pode estar relacionado com universidade, já que tem vários artigos que mostram a relação de sofrimento psíquico com universidade”, analisa o pesquisador. Paralisação de 2024 pode ter influenciado aumento O trabalho aponta uma hipótese para o salto nas notificações em 2024: “Durante o desenvolvimento desta pesquisa, identificaram-se indícios que apontam para uma maior incidência de lesões autoprovocadas entre o público universitário. Em 2024, ocorreu uma paralisação na Universidade de Ouro Preto, evento que possivelmente impactou a saúde mental dos estudantes.” Falhas no sistema de notificação Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi a identificação de graves problemas no preenchimento das fichas de notificação compulsória. A análise revelou que profissionais de saúde têm dificuldade em diferenciar “envenenamento” de “intoxicação”, o que gera dados imprecisos. “Durante o estudo foi perceptível várias colunas considerando ‘uso de medicamento para suicídio’ como ‘envenenamento’ para o meio utilizado. Essa problemática foi uma das principais dificuldades na pesquisa”, explica Renan. “Isso acaba fazendo com que o número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas não suicida ainda continue sendo subestimado.” A equipe elaborou um fluxograma do processo de notificação após reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde. “A gente fez até uma reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde de Ouro Preto para até entender o porquê que está tendo tanta subnotificação aqui no território”, conta o pesquisador. Os gargalos identificados incluem: Nível municipal: “Muitas vezes as UBS estão cheias de pacientes, os profissionais estão com várias coisas para fazer, aí fica um delegando a função para o outro e acaba que, infelizmente, às vezes, acaba que ninguém preenche”, detalha Renan. “É uma ficha grande que leva um tempinho para preencher. Vários dados que têm que ser preenchidos.” Nível regional e estadual: Subnotificação invisibiliza grupos vulneráveis A pesquisa também apontou lacunas preocupantes nos dados raciais. “A ausência de notificações de pretos e indígenas no período é aparentemente paradoxal, devido Ouro Preto ser um dos municípios com a maior população de pretos do Brasil, proporcionalmente”, destaca o estudo. “Quando chega no sistema, tem aquele dado lá em branco, às vezes com informação faltando raça, cor, faltando gênero, o que é ruim até para quem vai realizar estudos epidemiológicos como a gente, porque isso é muito importante para você realizar promoções de prevenção da saúde mental e do suicídio”, explica Renan. Contexto nacional preocupante O estudo contextualiza Ouro Preto dentro de um cenário nacional alarmante. No Brasil, as taxas de suicídio cresceram em média 3,7% ao ano entre 2011 e 2022, com destaque para jovens de 10 a 24 anos. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações por lesões autoprovocadas — mais de 30 por dia, alta superior a 25% em relação a 2014. “Normalmente o tentativa de suicídio é de 3 a 4 vezes maior que o de suicídio, a menos que no caso de Ouro Preto seja por subnotificação”, analisa o pesquisador, citando dados da literatura científica. Território e saúde mental Renan destaca como o território influencia na saúde mental da população: “Uma das coisas que eu mais aprendi nessa pesquisa foi como é que o território influencia tanto na saúde mental, quanto no sofrimento psíquico. Ouro Preto já tem um histórico de sofrimento psíquico relacionado ao sofrimento dos escravos, a grande relação da mineradora com a cidade.” Ele menciona pontos críticos conhecidos: “Tem o histórico da Curva do Vento, que infelizmente direto alguém vai lá para tentar a tentativa de suicídio e que o Arislan (orientador e professor do curso de medicina da UFOP) participou junto com os bombeiros de colocar as plaquinhas lá para tentar evitar que isso fique ocorrendo com frequência.” Papel da atenção básica O pesquisador ressalta a importância da atenção primária: “A atenção básica é extremamente importante, tanto para a prevenção do suicídio quanto para a promoção da saúde mental. Como o paciente, muitas vezes, o primeiro contato da área de saúde vai

Bloco da Praia aposta em axé, funk e eletrônico para a segunda de Carnaval em Ouro Preto

Jammil, Kevin O Chris, MC Paiva, Rodrigo do CN e Claudinho Brasil estão no line-up do evento, marcado para 16 de fevereiro de 2026. O Bloco da Praia, um dos principais eventos do Carnaval universitário de Ouro Preto, já desenha a cara da segunda-feira de Carnaval (16 de fevereiro de 2026) com uma estratégia clara: misturar ritmos para segurar a multidão do começo ao fim. Entre as atrações divulgadas para 2026 estão Jammil, Kevin O Chris, MC Paiva, Rodrigo do CN e Claudinho Brasil — um cardápio que vai do axé ao funk, passando pela música eletrônica. Diretor do bloco, Diego Brenner resume a escolha como uma forma de “traduzir” a pluralidade do Carnaval na cidade histórica. “Carnaval é pra todo mundo. Às vezes o cara não gosta de um axé, mas ele gosta de um eletrônico. Então, a gente tenta mesclar todos esses públicos”, disse ao Vintém. A volta do Jammil, segundo Brenner, atende a um pedido do público após a edição anterior: “Deu muito certo em 2025. O público pediu bastante para confirmar ele novamente em 2026”. O bloco completa a liga com funk e eletrônico, reforçando um formato que tenta dialogar tanto com o folião que “cresceu no axé” quanto com a turma que chega pelo grave. Espaço Folia e estrutura Como ocorre nos grandes dias da Liga, a expectativa é que o bloco aconteça no Espaço Folia, montado no entorno do Centro de Convenções da UFOP, no Pilar, área que voltou a ser usada em edições recentes.Sobre a logística, Brenner explicou que, por se tratar de área pública, há trâmites e licitação envolvidos, mas indicou que a tendência é manter o evento ali. Nos serviços, ele destacou que o planejamento inclui equipes e ambulâncias compatíveis com o porte do público: “A gente sempre contrata ambulância adequada para o público (…) UTI móvel com toda a aparelhagem”. Também mencionou a presença de caminhão-pipa, que retornou na última edição: “Esse ano a gente voltou o caminhão pipa. Vai ter novamente”.

Prazo termina nesta semana: UFOP encerra inscrições para vagas residuais no dia 23

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) encerra nesta quinta-feira (23) o prazo de inscrições para o processo seletivo de vagas residuais em cursos presenciais de graduação. O ingresso é para o primeiro semestre letivo de 2026, com início das aulas previsto para 30 de março. O edital, publicado pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), oferece vagas em quatro modalidades de ingresso, distribuídas entre os campi de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade, com cursos em turnos diurnos e noturnos. As vagas residuais são destinadas a candidatos que já possuem algum vínculo com o ensino superior, seja por experiências acadêmicas anteriores, formação concluída ou matrícula ativa em outra instituição. Quatro modalidades de ingresso O processo seletivo contempla as seguintes modalidades: ReingressoVoltado a estudantes que foram desligados da UFOP por não renovação de matrícula, desempenho acadêmico insuficiente ou que solicitaram o cancelamento do curso, desde que ainda haja tempo hábil para a conclusão dentro do prazo regulamentar.As inscrições devem ser feitas por requerimento no Portal MinhaUFOP. TransferênciaDestinada a estudantes com matrícula ativa em cursos de graduação ou tecnólogos em outras instituições brasileiras de ensino superior, públicas ou privadas, que desejam ingressar na UFOP.As inscrições ocorrem por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página da Prograd/UFOP. O edital estabelece critérios como carga horária mínima cursada e áreas de procedência, variando conforme o curso pretendido. Obtenção de novo títuloModalidade voltada a quem já concluiu um curso superior (graduação ou tecnólogo) e deseja cursar uma nova graduação na UFOP. A comprovação da colação de grau será exigida no momento da matrícula.As inscrições também são realizadas por formulário eletrônico na página da Prograd/UFOP. Reopção de cursoPara estudantes da própria UFOP que desejam mudar de curso dentro da universidade. O edital define condições mínimas para candidatura, incluindo áreas de procedência e critérios acadêmicos.As inscrições devem ser feitas pelo Portal MinhaUFOP. Cursos e campi contemplados O edital oferece vagas para diversos cursos presenciais de graduação, abrangendo áreas como Engenharias, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Saúde, Letras, Artes e Ciências Exatas, entre outras. As oportunidades estão distribuídas entre os três campi da UFOP — Ouro Preto, Mariana e João Monlevade — com opções de cursos em período matutino, vespertino, integral e noturno. Critérios de classificação Para as modalidades de transferência e obtenção de novo título, a classificação dos candidatos será feita, prioritariamente, com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). São aceitas todas as edições do exame realizadas desde 2009. Candidatos que não possuem notas do Enem também poderão se inscrever, já que o edital prevê formas alternativas de classificação, conforme a modalidade e o curso escolhido. Onde acessar as informações O edital completo, com a lista de cursos e vagas, critérios de classificação, cronograma do processo seletivo e documentação exigida para matrícula, está disponível na página oficial da Prograd/UFOP. 📌 Inscrições até 23 de janeiro📅 Início das aulas: 30 de março de 2026 A universidade reforça que os interessados devem ficar atentos ao prazo final e realizar a inscrição exclusivamente pelos canais oficiais indicados no edital.

Cabrobró arma o domingo em Ouro Preto com Ret, TZ e Monobloco — e aposta em drinks tropicais no open bar

Em 2026, o Bloco Cabrobró chega com a proposta de manter essa tradição e, ao mesmo tempo, atualizar a experiência do público — especialmente no bar. A programação divulgada para o bloco reúne Filipe Ret, TZ da Coronel, Monobloco, além de DJ GBR e WS da Igrejinha. A combinação desenha um roteiro musical que atravessa o rap/trap e o “clima de Carnaval” do Monobloco, com DJs para sustentar o giro da festa e evitar que o domingo perca fôlego. Em entrevista ao Vintém, Lui Lucena, um dos diretores do bloco, explicou que a escala de atrações foi construída com termômetro de público. Sobre o retorno do Monobloco, ele conta que a escolha veio de uma demanda clara: “Ano passado, a gente não veio com axé, né? E o pessoal pediu muito… ‘música de carnaval, música de carnaval’.” Para confirmar o caminho, diz que a equipe fez pesquisa nas redes: “A gente fez uma pesquisa, lançou até uma caixinha de perguntas no Instagram… e aí o Monobloco foi unanimidade.” No caso do Filipe Ret, a aposta é no alcance geracional e na versatilidade do repertório: “Ele não tem um público específico… tanto a pessoa de 40 anos escuta ele, quanto a pessoa de 15.” E completa: “Ele tem aquele rap mais cabeça pra você fazer uma reflexão, mas também tem aquela música pra você dançar.” Drinks e estrutura: “vibe tropical” no open bar Sem entrar em itens ainda não anunciados oficialmente, Lui adiantou que a edição de 2026 quer reforçar a experiência do open bar com bebidas e combinações de perfil mais leve e refrescante: “Esse ano a gente está investindo bastante no prazer do folião… principalmente na área de bebidas.” Ele cita uma linha de drinks fechada com uma marca regional e artesanal: “Tem vários drinks que a gente fechou com a marca chamada Valnut… é artesanal, então é de bastante qualidade.” E resume o conceito: “Na vibe realmente tropical… bebidas à base de maracujá, limão, laranja… aquelas frutas que realmente dão refrescância.” Ouro Preto como “show diferente” Na leitura de Lui, a cidade também pesa na experiência — inclusive para quem sobe ao palco. “Todo mundo fala, quando toca a primeira vez aqui, que a energia é diferente.” E descreve o impacto da paisagem histórica: “Assim que entra pela porta da cidade… atravessa a Praça Tiradentes… parece que tá entrando em outra dimensão.” Para ele, isso muda o espetáculo: “Você pode ir no show do Felipe Ret em Belo Horizonte… quando você vem aqui não vai ser o mesmo show.” De bloco de rua a festa de grande estrutura A trajetória do Cabrobró é contada como uma história de crescimento orgânico: começou como uma brincadeira entre amigos, com espírito de bloco de rua — bateria, improviso, lata batendo e a cidade participando junto. Com o tempo, o encontro foi ganhando corpo, público e organização, até se consolidar no circuito do Espaço Folia, onde o formato atual se firmou como uma das grandes datas do calendário carnavalesco local. É uma transformação que mantém a mesma lógica de origem: oferecer um “dia inteiro” de experiência, daqueles que ficam na memória e viram assunto por meses.

Quando o nome do crime importa: como a classificação penal afeta os dados sobre feminicídio no Brasil

Lesão corporal dolosa ou tentativa de feminicídio? A fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais. Imagem: Freepik Camila Pereira Belisario de Sousa, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Lucia Eilbaum, Universidade Federal Fluminense (UFF) Os números de violência contra a mulher e feminicídios no Brasil são alarmantes. Quase diariamente, a imprensa noticia novos casos que chocam não apenas pela frequência, mas também pela brutalidade. No entanto, para além das estatísticas e das histórias individuais de sofrimento, existe um elemento menos visível, porém decisivo, na compreensão desse fenômeno. A forma como esses crimes são classificados pelo sistema de justiça criminal. Esse pode parecer um detalhe técnico, restrito ao vocabulário e universo jurídico, mas não é. A tipificação penal adotada por policiais, promotores e juízes não apenas determina os rumos dos processos judiciais e impacta os números oficiais que embasam políticas públicas, mas também influenciam e são influenciados pelo reconhecimento social da violência de gênero. Lesão corporal dolosa x feminicídio No âmbito do Grupo de Etnografias em Antropologia do Direito e das Moralidades, vinculado ao Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (INCT-InEAC), realizamos uma pesquisa com o acompanhamento de julgamentos, pelo Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, de casos de feminicídio tentado e consumado. Além desse acompanhamento, fizemos entrevistas com advogados e juízes que atuam nesses casos. E mais, analisamos outros casos noticiados pela imprensa que indicam a crescente classificação de homicídios e tentativas de homicídio de mulheres como crimes com motivação de gênero, e também um maior rigor na classificação das ocorrências. Um exemplo dessa maior severidade na tipificação das ocorrências pode ser observado em casos como o de Carlos (nome fictício). Em julgamento pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, foi condenado a 12 anos de prisão pela tentativa de feminicídio de sua companheira, em março de 2025. A discussão central no julgamento foi se houve ou não intenção de matar. Segundo a defesa, o crime deveria ser classificado como lesão corporal dolosa, e não como tentativa de feminicídio. Esse tipo de argumento é comum nos tribunais. Ele evidencia que a fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais. Nos casos de violência contra a mulher, essas escolhas são especialmente sensíveis, pois a mobilização social em torno do tema e a criação de leis específicas, influenciam a atuação dos agentes estatais. Dossiê Mulher No Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), publicados anualmente no Dossiê Mulher, mostram um aumento persistente nas tentativas de homicídio de mulheres e de feminicídio, enquanto os casos consumados apresentam queda ou pouca variação. Segundo o próprio órgão, isso pode indicar um “maior rigor na capitulação das ocorrências”. Como no julgamento de Carlos, situações que anteriormente poderiam ser registradas como lesão corporal passam a ser reconhecidas como tentativas de feminicídio. A pesquisa etnográfica realizada por mim, entre 2020 e 2021, com mulheres que denunciaram violência doméstica, revelou insatisfação de muitas delas quanto ao tratamento que recebiam da polícia e do judiciário. Além disso, a demora no andamento dos processos e as penas recebidas pelos agressores também eram fonte de grande frustração. Ainda assim, a comparação com pesquisas pioneiras sobre o tratamento institucional de violência contra a mulher evidencia mudanças significativas ao longo das últimas décadas. Estudos realizados por Lana Lage, Lia Zanott, Maria Filomena Gregori e Guita Grin Debret, nas décadas de 1990 e 2000, em delegacias distritais, Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) e no Judiciário, demonstraram que se buscava retirar do âmbito penal as denúncias de agressões sofridas por mulheres. Os trabalhos de Mariza Corrêa“ publicados na década de 1980, que abordavam o homicídio e tentativa de homicídio entre casais, mostram que esses crimes eram então frequentemente descritos como ”crimes passionais“ ou justificados pela tese da ”legítima defesa da honra“. Lei Maria da Penha e Lei do Feminicídio Desde sua promulgação, em 2006, a Lei Maria da Penha vem contribuindo de forma significativa para dar visibilidade ao tema da violência doméstica e familiar contra mulheres, tornando-se paradigmática não apenas no campo legislativo e moral, mas também um referencial na criação de políticas públicas no Brasil. Em 2015, a Lei do Feminicídio, que o tornou uma qualificadora do crime de homicídio doloso, deu destaque a esses crimes no debate público sobre a violência de gênero. Mais recentemente, em 2024, a Lei nº 14.994 tornou o feminicídio um crime autônomo. Além de estabelecê-lo como um tipo penal próprio, a nova legislação também ampliou a pena prevista, que passou de reclusão de 12 a 30 anos para 20 a 40. A exemplo do que ocorreu a partir da criação da Lei Maria da Penha e da Lei de Feminicídio de 2015 e, agora, com a tipificação penal, ao longo dos anos, tende a ocorrer uma conscientização crescente entre os profissionais do sistema de justiça criminal sobre a classificação e tipificação dos crimes. Esse fenômeno certamente ajuda a explicar o crescimento nos números de registros de feminicídios consumados e tentados, mesmo num contexto de redução de homicídios no Brasil. Ainda assim, os resultados dessa atuação variam muito pelo país. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública Um dado revelador vem do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostra grandes diferenças entre as unidades da federação na proporção de feminicídios em relação ao total de homicídios de mulheres. Essas diferenças não se explicam apenas pela incidência real da violência, mas também pelas práticas institucionais de classificação. O Ceará, por exemplo, apresentou, em 2024, a maior taxa de homicídios de mulheres do país: 6,5 por 100 mil mulheres. No entanto, apenas 13,2% desses casos foram registrados como feminicídio, muito abaixo da média nacional, que gira em torno de 40%. Como indicam os índices do estado em anos anteriores, trata-se um padrão histórico de baixo reconhecimento institucional dessa violência de gênero, ao relacionar baixo percentual de homicídios de mulheres ao feminicídio. O Distrito Federal (DF) segue caminho

Bloco do Caixão chega aos 50 anos e abre o Carnaval universitário de Ouro Preto com Dennis DJ, Felipe Amorim e Fatsync

Edição do cinquentenário acontece em 14 de fevereiro de 2026. Além do evento, o bloco mantém o cortejo tradicional nas ladeiras, prepara ações de aquecimento na cidade — e ainda guarda uma atração surpresa para anunciar mais perto da data. Em 1976, alguém decidiu que o Carnaval de Ouro Preto não precisava ser “bonito”: precisava ser verdadeiro. Sem manual, sem ornamento — só a vontade de viver o agora. Meio século depois, o Bloco do Caixão chega aos 50 anos como um marco de identidade do Carnaval universitário: uma festa que não apenas passa — marca. A comemoração principal acontece no sábado, 14 de fevereiro de 2026, abrindo a sequência dos grandes eventos do Carnaval na cidade. Até aqui, a programação divulgada reúne Dennis DJ, Felipe Amorim, Fatsync e Skullz. Mas há um detalhe que tem alimentado a expectativa: a organização ainda mantém uma atração “guardada” — um nome que não foi anunciado e deve ser revelado mais perto do Carnaval, como parte do pacote especial do cinquentenário. A escolha do line-up segue uma lógica que se repete em Ouro Preto: misturar apelo nacional e energia de pista, sem perder o espírito de ladeira. Dennis volta como um dos nomes mais associados ao Carnaval da cidade; Felipe Amorim chega embalado por hits recentes; e Fatsync reforça a frente eletrônica do evento. A peça que falta — e que a organização prefere soltar no tempo certo — é justamente o que promete dar um “efeito de anúncio” à edição dos 50 anos. Uma tradição que nasceu na rua — e nunca saiu dela O Caixão nasceu como um desfile: um cortejo de rua que cresceu atravessando gerações. O símbolo do caixão permaneceu, mas foi adaptado ao longo do tempo para garantir mais segurança no trajeto. A imagem que ficou é a mesma: gente subindo, cantando, batucando, ocupando Ouro Preto com a alegria de quem faz história sem pedir licença. Cinquentenário também é experiência Para 2026, a organização promete uma edição de “superprodução”, com camadas de experiência para pista e camarote. Entre os diferenciais citados para o setor premium, está prevista Chandon no camarote como parte do clima comemorativo do cinquentenário — um gesto de “brinde à altura” para quem escolhe viver a data por dentro. E é nesse conjunto — estrutura, tradição e anúncio ainda pendente — que a edição de 50 anos tenta se afirmar: não como repetição do que já funcionou, mas como uma virada de chave em escala e memória. Skullz, a caveira que virou rosto do Caixão Se o Bloco do Caixão nasceu na rua, ele também aprendeu — com o tempo — a falar a língua do agora. A prova é Skullz, o mascote que virou personagem oficial do bloco: um DJ de “cabeça de caveira”, usado como símbolo visual da festa e como fio condutor da narrativa do cinquentenário. A figura ganhou força na comunicação recente do Caixão justamente por personificar um sentimento que o folião conhece bem: a saudade que começa antes mesmo da quarta-feira de cinzas. Skullz aparece como alguém que vive o ano inteiro, faz de tudo, mas tem uma obsessão que não muda: chegar o Carnaval. Essa estratégia também funciona como linguagem de pertencimento. Em vez de comunicar apenas com line-up e serviço, o Caixão cria um “rosto” para o bloco, algo que atravessa gerações e sustenta uma história contínua — não só o evento de um dia, mas o vínculo de um ano inteiro. Aquecimento: Caixão Run Antes do Carnaval, o bloco também puxa a cidade para um aquecimento fora do óbvio: a Caixão Run, corrida de 5 km marcada para 25 de janeiro de 2026, com inscrição solidária (ingresso + 1 kg de alimento) pela plataforma de vendas.

Estudo mostra que estados que sofreram mais com a dengue ouviram melhor os cientistas sobre a COVID-19

Maria Alejandra Costa, Fundação Getulio Vargas (FGV) Ao longo da pandemia de COVID-19, os estados brasileiros adotaram respostas muito diferentes à crise sanitária. Enquanto São Paulo e Ceará adotaram estratégias mais estruturadas e estáveis ao longo da crise, outros, como Acre e Amapá, reagiram de modo fragmentado e variável. O que ajuda a explicar essas diferenças não são somente as decisões tomadas durante a emergência sanitária, mas a capacidade estatal acumulada antes da pandemia. Por capacidade estatal, entenda-se o conjunto de recursos, estruturas e habilidades necessárias para lidar com crises de saúde pública. É algo que definitivamente não se improvisa em momentos de urgência. Essa é a principal conclusão de um estudo que eu e o professor de ciência política Éric Montpetit realizamos na Universidade de Montreal, no Canadá. A pesquisa analisou e comparou o modo como os governos estaduais brasileiros reagiram à pandemia e mostrou que a variação das respostas refletiu tanto as desigualdades na capacidade estatal, quanto as diferenças na forma como os governos deram prioridade a setores e definiram quais fontes de informação orientariam suas decisões. Estados que historicamente investiram mais em saúde pública tenderam a interpretar as crises sanitárias a partir de uma lógica distinta daquela adotada por governos com menor acúmulo institucional nessa área. Estados que investiram de forma consistente em epidemias anteriores entraram na pandemia de COVID-19 com estruturas institucionais no campo da saúde já em funcionamento. Não se trata apenas de maior volume de recursos, mas da existência de rotinas consolidadas de vigilância epidemiológica, equipes técnicas com experiência e canais estáveis e confiáveis de produção e uso de informações. Na prática, esse acúmulo permitiu fortalecer as políticas existentes e oferecer respostas mais coordenadas, orientadas por evidências científicas e pela atuação de especialistas em saúde pública e cientistas. Em contraste, estados com menor capacidade institucional adotaram respostas mais irregulares ao longo do tempo. Na ausência de uma base de dados mais robusta em saúde pública, esses governos deram maior peso a informações vindas do setor produtivo e a comitês voltados sobretudo aos impactos econômicos da crise, o que resultou em estratégias menos centradas na lógica sanitária. Como se formam as bolhas políticas na saúde De forma inovadora, nosso estudo sugere que as diferenças observadas na capacidade epidemiológica podem ser compreendidas a partir do conceito de bolhas políticas (policy bubbles). Essas bolhas se formam no campo das políticas públicas quando governos concentram recursos de maneira intensa e recorrente em áreas específicas, especialmente em contextos de urgência. Diferentemente das bolhas financeiras, elas não se dissipam quando a crise termina. Pelo contrário, deixam legados institucionais duradouros, que passam a estruturar capacidades administrativas, circuitos decisórios e as fontes de informação mobilizadas em crises futuras. O impacto dessas bolhas políticas afeta não apenas a distribuição de recursos, mas também a diversidade das informações e evidências científicas que orientam os processos de decisão, condicionando a forma como os governos respondem a crises sanitárias complexas. A formação dessas “bolhas” não é um fenômeno novo no Brasil. Experiências anteriores com epidemias, como Zika e dengue, levaram alguns estados a investir recursos de forma contínua no fortalecimento de sua infraestrutura sanitária e a dar prioridade a informações produzidas por especialistas em saúde pública. Nos locais onde ocorreu essa concentração de investimentos, consolidaram-se estruturas que passaram a produzir as informações que ganharam centralidade durante a pandemia de COVID-19. Ao priorizar repetidamente o setor sanitário, esses estados reforçaram um ciclo de retroalimentação: a expansão da capacidade técnica favoreceu respostas mais organizadas e consistentes, o que, por sua vez, sustentou novos investimentos na área da saúde. Ao mesmo tempo, esse processo reduziu o peso relativo de outras fontes de informação no processo decisório. Impacto na qualidade das informações e decisões As diferenças nos investimentos em saúde também se refletiram na composição dos comitês criados para orientar a resposta governamental. Em estados com maior capacidade epidemiológica, como São Paulo e Ceará, esses órgãos foram compostos majoritariamente por especialistas em saúde pública. Em São Paulo, por exemplo, o Comitê de Contingência para a COVID-19 reuniu epidemiologistas e técnicos da área da saúde que exerceram influência direta sobre a agenda política estadual. Em contraste, estados com menor capacidade epidemiológica, como Acre, Amapá e Goiás, recorreram a arranjos mais diversificados. Esses governos incorporaram representantes de outros setores aos seus comitês, incluindo atores da agricultura e do comércio. O Comitê Socioeconômico para o Enfrentamento do Coronavírus, em Goiás, ilustra como preocupações econômicas ganharam centralidade na gestão da pandemia. De forma semelhante, no Acre, os grupos de trabalho buscaram articular questões sanitárias com impactos econômicos e sociais, refletindo uma abordagem menos centrada exclusivamente na saúde. Enquanto bolhas financeiras tendem a ser efêmeras, as bolhas políticas são mais difíceis de se formar e, uma vez consolidadas, tendem a persistir. No Brasil, como mostra o estudo, a concentração recorrente de recursos em saúde — especialmente em vigilância epidemiológica — produziu legados institucionais duradouros, materializados em orçamentos mais robustos, quadros técnicos especializados e comitês decisórios nos quais a expertise sanitária ganhou centralidade. Esses arranjos influenciam trajetórias e criam marcos institucionais e regulatórios que passam a definir quais informações entram na agenda governamental e quem tem autoridade para interpretá-las. Ao longo do tempo, isso reforça a posição de determinados setores na política estadual. O efeito não é neutro: manter essas bolhas tende a ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias, enquanto seu enfraquecimento pode significar perda de capacidade institucional e retorno à improvisação. Os legados das crises sanitárias A crise da COVID-19 evidenciou como a formação de bolhas políticas e a distribuição desigual de recursos entre áreas governamentais afetam tanto a capacidade de resposta dos estados quanto o tipo de informação mobilizada em contextos de emergência. Mais do que um problema de eficiência, esse fenômeno revela como decisões tomadas em crises passadas moldam as opções disponíveis no presente. Nesse sentido, a contribuição central desta abordagem não está em indicar soluções imediatas, mas em revelar como as diferentes trajetórias institucionais condicionam a forma como governos lidam com crises sanitárias recorrentes. As bolhas políticas formadas ao