Ouro Preto, quarta-feira, junho 10, 2026 16:15

Ebola: por que a África e o mundo continuam perigosamente despreparados para a próxima pandemia

Oyewale Tomori, Nigerian Academy of Science À medida que as notícias sobre um surto de ebola na África em meados de maio de 2026 se espalhavam, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório sobre pandemias. O título é: “Um mundo à beira do abismo: prioridades para um futuro resiliente a pandemias”. O documento foi elaborado pelo Conselho Global de Monitoramento da Preparação da OMS. Ele expõe por que o mundo não está mais bem preparado para pandemias uma década depois que o ebola expôs lacunas perigosas. E seis anos depois que a COVID-19 transformou essas lacunas em uma catástrofe global. O relatório acrescenta que o investimento em preparação para pandemias não acompanhou o aumento do risco de novas pandemias. O Conselho Global de Monitoramento da Preparação é um órgão independente de monitoramento e prestação de contas criado em 2018 pela OMS e pelo Banco Mundial. Seu objetivo é fortalecer a preparação para crises globais de saúde. Ele é composto por líderes políticos, diretores de agências sanitárias e especialistas de renome mundial. Sua tarefa é fornecer avaliações do progresso global na construção e manutenção da capacidade de prevenir, detectar e responder a emergências em saúde. O relatório foi divulgado durante outra epidemia de ebola. Desta vez, com início na República Democrática do Congo. Em 17 de maio, a OMS declarou o surto como uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Isso significa que ele representa um risco para muitos países devido à disseminação internacional e, portanto, requer esforços coordenados globalmente. Como virologista e ex-administrador de saúde global, acredito que o diagnóstico e as recomendações do conselho de monitoramento são de vital importância para o gerenciamento de pandemias. Minha primeira observação sobre o relatório é que suas recomendações permanecem em grande parte não implementadas por muitos países. Isso é particularmente verdadeiro na África, onde as pandemias se proliferam e as epidemias de doenças se alastram e causam estragos. A África precisa, especialmente, construir confiança em sua própria capacidade de se preparar para surtos de doenças, preveni-los e controlá-los quando ocorrerem. Para alcançar isso, e em consonância com as recomendações, a África deve manter: monitoramento independente do risco de pandemia capacitação e retenção da força de trabalho em saúde acesso equitativo a contramedidas, como vacinas financiamento atenção política. Monitoramento independente do risco de pandemia Utilizando recursos e financiamento locais, os países africanos devem assumir a responsabilidade pela solução em saúde por meio do estabelecimento de sistemas de dados que defendam a soberania sanitária. Eles também devem garantir que os dados derivados da vigilância, pesquisa e processamento de patógenos sejam gerenciados com segurança e prestem contas às instituições africanas, e não a entidades estrangeiras. Acordos recentes com os EUA trouxeram essa questão à tona. Alguns estavam pedindo aos países africanos que cedessem seus dados de saúde ou liberassem generosamente seus patógenos em uma troca por financiamento de doadores. Mas os dados de saúde são um ativo inestimável para a saúde pública, o manejo clínico e a pesquisa. Eles ajudam os países a identificar doenças e desenvolver vacinas e tratamentos. O que os países africanos deveriam fazer, em vez disso, é mobilizar fundos de contrapartida de origem local. Esses recursos devem ser usados para criar um ambiente local que apoie e aprimore a capacidade de cientistas e pesquisadores locais de desenvolver inovações a partir de patógenos nacionais/naturais para benefícios globais. Duas instituições de saúde africanas devem estar no centro desses esforços: a Região Africana da OMS e os Centros Africanos de Controle de Doenças, uma agência da União Africana. Elas não devem competir, mas sim colaborar e liderar esses esforços por meio de sistemas centralizados de controle de doenças e painéis de acompanhamento. Profissionais de saúde Promover o bem-estar da força de trabalho da saúde resulta em crescimento, maior produtividade, orgulho nacional e lealdade. Isso também ajuda na retenção de profissionais de saúde a longo prazo. Os países africanos precisam priorizar a retenção de capacidade em vez da capacitação. Eles devem construir e manter um ambiente de trabalho propício, que envolva espaço físico e segurança psicológica. Também é necessária disponibilidade de recursos adequados para os sistemas de saúde funcionarem de forma eficaz e produtiva. Isso inclui materiais, instalações laboratoriais, suprimentos, reagentes e consumíveis para uma força de trabalho de saúde e pesquisadores africanos capacitados. Sob tais condições propícias, a força de trabalho da saúde pode se concentrar em questões de saúde relevantes e locais e encontrar soluções adequadas para elas. Acesso equitativo a medidas de combate A África não deve transigir na ratificação de pactos internacionais de saúde, que devem garantir transferência justa de tecnologia, com renúncias à propriedade intelectual e a construção de uma indústria regional robusta. Os países devem igualmente expandir a produção local de kits de diagnóstico laboratorial, vacinas e suprimentos médicos, bem como de produtos não médicos. Isso inclui luvas, equipamentos de proteção individual e máscaras. Isso reduzirá a dependência de doações externas e cadeias de abastecimento, tanto em crises globais quanto fora delas. Financiamento sustentável O maior desafio para muitos países africanos é o desperdício de recursos disponíveis e os gastos com prioridades equivocadas. Para resolver isso, os governos africanos devem se comprometer com um investimento doméstico sustentável na área da saúde. Ao mesmo tempo, devem utilizar financiamento misto (envolvendo tanto o setor público quanto o privado) para preencher as lacunas remanescentes. Iniciativas como o Fundo Africano para Epidemias oferecem um modelo prático para a constituição de reservas financeiras destinadas a respostas rápidas e lideradas localmente. O fundo, lançado em 2025, foi concebido para mobilizar recursos para apoiar esforços de preparação e resposta no combate a ameaças à saúde pública no continente. O Fundo Africano para Epidemias, embora relativamente novo, deve operar com o mais alto nível de prestação de contas, fornecendo atualizações regulares sobre contribuições, projetos apoiados e seu impacto na preparação, prevenção e controle de doenças na África. Atenção política sustentada Os líderes africanos devem manter a preparação para pandemias no topo da agenda política para garantir a alocação contínua de recursos e a

Festival Uaimií estreia em Acuruí com público de quatro cidades e alta taxa de retorno

O distrito de Acuruí, em Itabirito, recebeu no dia 23 de maio o primeiro ato do Festival Uaimií, realizado na Cervejaria Acuruí com programação musical, feira de produtores e gastronomia regional. O evento integra a Rota Turística Jaguara e é uma iniciativa da Uaimií Produções em coprodução com a Holofote Cultural, com patrocínio do Grupo Avante por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A programação musical contou com o grupo de choro Deitando o Cabelo, participação da cantora Silvia Gomes e encerramento com show de Pedro Pit. Ao longo do dia, funcionaram uma feira de produtores da Rota Jaguara, espaço kids e vendas de cervejas artesanais. O evento disponibilizou intérprete de Libras e monitora especializada para acompanhamento de pessoas com espectros, síndromes ou condições que exigem adaptação de conteúdo. Os dados de origem do público coletados no evento mostram que 57,2% dos participantes vieram de Belo Horizonte, 21,4% de Itabirito, 10,7% de Mariana, 7,2% de Ouro Preto e 3,6% de Nova Lima. A faixa etária predominante foi a de 45 a 59 anos (33,3%), seguida pela de 25 a 33 anos (29,6%) e pela de 33 a 44 anos (25,9%). A pesquisa de satisfação aplicada após o evento apontou que 53,6% dos presentes não conheciam a Cervejaria Acuruí antes do festival. Entre todos os participantes, 92,9% disseram que o evento aumentou a vontade de retornar ao local e 82,1% afirmaram que a iniciativa contribui para a valorização da cultura e do patrimônio histórico de Acuruí. Segundo Normando Siqueira, idealizador do festival, “o evento iniciou suas atividades demonstrando uma forte sinergia entre os setores cultural, turístico e comunitário” e a estreia “estabelece uma base sólida para as próximas etapas do festival, cujo propósito é impulsionar o desenvolvimento socioeconômico regional e posicionar a Rota Jaguara como um polo de relevância cultural e ambiental em Minas Gerais”. O Festival Uaimií tem apoio da Associação de Moradores do Acuruí e realização do Ministério da Cultura. As datas dos próximos atos ainda não foram divulgadas.

Sete cursos da UFOP conquistam conceito máximo no Enade 2025

A Universidade Federal de Ouro Preto conquistou nota máxima em sete dos 16 cursos de graduação avaliados pelo Enade 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira na semana passada. O resultado posiciona a instituição entre as universidades com melhor desempenho na avaliação nacional de estudantes. Os cursos com conceito 5 foram Medicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Filosofia, História, Geografia (modalidade a distância) e Pedagogia (modalidade a distância). Outros cinco cursos receberam conceito 4 e três alcançaram conceito 3. O único curso sem avaliação foi Letras-Licenciatura, que está em processo de extinção. O desempenho das licenciaturas mereceu destaque. Ciências Biológicas e História estão entre os 28% dos cursos brasileiros que conseguem conceito 5 no Enade. Educação Física teve resultado ainda mais raro: apenas 16% dos cursos do país recebem essa nota. Já Matemática superou um cenário crítico em sua área, onde mais de 60% dos cursos ficam concentrados nos conceitos 1 e 2. Mesmo o curso de Música, que obteve conceito 3, se posicionou acima da tendência nacional. A área é considerada uma das mais críticas no país, e a nota coloca a UFOP em um patamar que a maioria das instituições ainda não alcançou, segundo avaliação da universidade.

IPREV Mariana passa a custear certificações profissionais obrigatórias para servidores

A Autarquia de Previdência dos Servidores Públicos de Mariana publicou resolução autorizando o custeio integral de certificações profissionais exigidas pela legislação federal. A medida entra em vigor imediatamente e se aplica a conselheiros, fiscais, dirigentes e servidores ligados à gestão do Instituto. A Resolução nº 03/2026, publicada em 21 de maio, atende determinações da Secretaria de Previdência e da Lei Federal nº 13.846/2019, que exige certificação para profissionais de regimes próprios de previdência. O IPREV custeará as inscrições em exames de certificação para membros do Conselho Municipal de Previdência, Conselho Fiscal, Comitê de Investimentos e dirigentes do Instituto. A autarquia também pode estender o custeio a outros servidores municipais interessados, desde que haja interesse público justificado e disponibilidade orçamentária. Como condição, os beneficiários precisam participar de cursos de capacitação. Servidores que não fizerem o exame sem motivo válido devem ressarcir o Instituto pelos gastos.

Eleição do sindicato de servidores é transferida para julho em Mariana

A eleição para a diretoria e conselho fiscal do SindservMariana, prevista inicialmente para 27 de maio, foi adiada para 10 de julho. A comissão eleitoral decidiu pela mudança de data na reunião de 22 de maio, mantendo o local e o horário de votação (10h às 16h, na sede da entidade). A justificativa aponta falta de tempo para organização operacional. Segundo a comissão, houve pouco espaço para divulgar as propostas das duas chapas inscritas aos filiados, além de dificuldades na confecção de cédulas de votação e levantamento da lista de servidores aptos a votar. A comissão atribui os problemas a intercorrências alheias aos seus trabalhos. A comissão eleitoral informou que os prazos de impugnação foram cumpridos e que não houve irregularidades no processo. Duas chapas concorrem à disputa. A eleição acontece na Rua Salomão Ibrahim da Silva, número 34, no centro de Mariana.