A igreja que viu nascer Burnier

Capela de Nossa Senhora da Conceição do Chiqueiro dos Alemães: a ruína que ainda fala e o que Ouro Preto decide proteger quando protege uma ruína

Prefeitura analisa pedido de mudança societária da Saneouro; parecer jurídico deve sair nos próximos dias

Exclusivo: processo foi protocolado no gabinete do prefeito e já está sob avaliação da Procuradoria Geral A Prefeitura de Ouro Preto confirmou ao Vintém, com exclusividade, que a ação de mudança societária envolvendo a Saneouro foi oficialmente protocolada no Gabinete do Prefeito. O documento foi encaminhado para a Procuradoria Geral do Município (PGM), que agora faz a análise jurídica do caso. De acordo com a administração municipal, um parecer será emitido nos próximos dias, etapa necessária antes de qualquer decisão sobre a alteração societária dentro do contrato de concessão de água e esgoto. A entrada do protocolo marca o primeiro movimento formal no âmbito municipal desde que veio a público o anúncio internacional de que a GS Inima Environment — integrante da estrutura acionária da Saneouro — foi alvo de um acordo de aquisição pela TAQA, empresa estatal de Abu Dhabi. Nota da Prefeitura de Ouro Preto na íntegra: “A ação de mudança societária foi protocolada no Gabinete do Prefeito e a Procuradoria Geral está analisando o documento. O parecer jurídico será emitido nos próximos dias.” ⸻ O que diz a Saneouro Procurada pela reportagem, a Saneouro informou, em nota, que: “Saneouro notificou a Prefeitura Municipal de Ouro Preto que a GS E&C (Coreia), controladora da GS Inima Environment (Espanha), iniciou um processo internacional que possibilita a oportunidade de inclusão de um novo acionista.” A empresa reforça que se trata de um processo em andamento no exterior, envolvendo o grupo controlador global, e não de uma mudança societária já concluída no Brasil. ⸻ Por que a anuência municipal é necessária Qualquer alteração societária que afete o controle de uma concessionária de água e esgoto precisa ser comunicada e analisada pelo município, conforme determina o contrato de concessão e a legislação aplicável. Isso acontece porque o poder concedente — neste caso, a Prefeitura de Ouro Preto — precisa avaliar: • Se a alteração mantém as condições contratuais vigentes • Se o novo controlador tem capacidade técnica, financeira e operacional • Se há risco ao serviço público durante ou após a transição Só depois do parecer jurídico e dos trâmites formais o município poderá deliberar sobre o pedido. ⸻ Contexto: operação global segue em análise regulatória Em agosto de 2025, veículos internacionais como Reuters, El País e Cinco Días noticiaram que a TAQA anunciou um acordo para adquirir 100% da GS Inima por cerca de US$ 1,2 bilhão. O próprio comunicado oficial da TAQA afirmou que a operação ainda depende de aprovações regulatórias internacionais e tem conclusão prevista para 2026. Isso significa que: • A venda global foi anunciada, mas ainda não concluída • A etapa municipal no Brasil ocorre em paralelo, mas depende de documentação e verificação jurídica • Não há, por ora, mudança na operação da Saneouro em Ouro Preto ⸻ O que acontece agora Com o protocolo já registrado, cabe à Procuradoria Geral: 1. Analisar a documentação enviada pela concessionária 2. Emitir parecer jurídico 3. Encaminhar recomendações ao gabinete para decisão administrativa O Vintém acompanha o processo e atualiza assim que a Prefeitura emitir o parecer

Saiba mais sobre a missão com que a China pretende levar pessoas para a Lua até 2030

Mais de 50 anos após a última vez que seres humanos pisaram na Lua, a China está trabalhando consistentemente para levar seus astronautas à superfície lunar. Em 30 de outubro de 2025, um porta-voz do programa espacial tripulado da China disse que o país estava “no caminho certo” para lançar sua missão lunar até 2030. Então, como a China planeja enviar astronautas à Lua? Entre políticos e figuras importantes do setor espacial dos EUA, o progresso da China em direção a uma missão lunar tripulada gerou preocupação. Alguns temem danos ao status dos Estados Unidos como nação espacial se a China pousar antes de a Nasa conseguir levar astronautas de volta à Lua. A missão Artemis III da agência espacial americana deve enviar os primeiros astronautas americanos à superfície lunar desde a Apollo 17, em 1972. O lançamento está previsto para 2027, mas atrasos podem deixá-la muito mais perto da data do voo lunar planejado por Pequim. A data que se aproxima para a missão tripulada da China à Lua representa uma trajetória notável para o país. Pequim lançou seu primeiro astronauta, Yang Liwei, ao espaço em 2003, a bordo da missão Shenzhou 5. A preparação de décadas da China para um pouso lunar reflete os marcos ou “primeiras vezes” que caracterizaram a corrida espacial entre os EUA e a União Soviética nas décadas de 1960 e 1970. A China passou de sua primeira missão espacial com astronautas para o lançamento de dois astronautas, seguido por uma missão com três pessoas, que contou ainda com a primeira caminhada espacial de um astronauta chinês. Desde então, o país construiu uma estação espacial, Tiangong, na órbita baixa da Terra. Quando a Estação Espacial Internacional (ISS) for desativada em 2030, a China poderá ser o único país com um posto avançado permanente na órbita da Terra. Em 31 de outubro, a missão Shenzhou 21 lançou três tripulantes para a estação Tiangong. Eles assumiram as operações de outros três astronautas chineses que estavam na estação espacial desde abril de 2025. Essas rotações de tripulação são agora a norma para a China, e demonstram ainda mais as impressionantes capacidades espaciais do país enquanto se prepara para a missão lunar. No entanto, o retorno à Terra dos três astronautas que estavam de partida foi adiado depois que sua cápsula foi atingida por detritos espaciais. Isso nos lembra que o espaço é um ambiente extremamente hostil, por mais rotineiras que as missões possam parecer. A maneira como a China tem construído sua presença no espaço de forma consistente destaca sua proeza tecnológica. Desde a década de 1970, a China desenvolveu mais de 20 tipos de foguetes da família “Longa Marcha” — com 16 em atividade atualmente. De acordo com o jornal estatal China Daily, os foguetes Longa Marcha têm uma taxa de sucesso de 97%. Isso fica um pouco abaixo da taxa de sucesso de 99,46% do foguete Falcon 9 da SpaceX. Com seus lançadores confiáveis, a China tem sido capaz de planejar com precisão e construir cronogramas realistas para seus marcos espaciais. Em agosto deste ano, a China realizou um teste em solo de seu mais novo modelo Longa Marcha 10. Este modelo destina-se a lançar astronautas para a Lua a bordo da cápsula tripulada de última geração Mengzhou em 2030. Isso vai marcar a substituição da espaçonave Shenzhou, que tem sido a usada pelas missões tripuladas chinesas até agora. A nave espacial consiste em duas seções diferentes, ou módulos: um módulo de tripulação e um módulo de serviço. O módulo de tripulação transporta os astronautas. O módulo de serviço fornece energia, propulsão e suporte de vida para o módulo de tripulação. O design modular permite que ele seja adaptado para atender aos requisitos de diferentes missões. As autoridades prevêem inicialmente duas versões da Mengzhou: uma para uso na órbita da Terra, para transportar astronautas de e para a estação espacial Tiangong, e uma versão para o espaço profundo, projetada para as missões lunares. O módulo da tripulação poderá transportar até seis astronautas, em comparação com os três da Shenzhou. O primeiro voo da Mengzhou, sem tripulação, está previsto para o próximo ano. A Mengzhou também transportará um módulo lunar, chamado Lanyue. Esse nome tem origem em um poema escrito pelo falecido chefe de Estado chinês Mao Zedong e pode ser traduzido como “abraçando a Lua”. O Lanyue consiste em dois segmentos, um estágio de pouso e um estágio de propulsão. O estágio de pouso transporta a tripulação. O estágio de propulsão transporta combustível para o pouso e se separa durante as etapas finais do pouso na Lua. O Lanyue pesará quase 26 toneladas e acomodará dois astronautas para a viagem à superfície lunar. Os testes do módulo lunar estão em andamento desde 2024. Um protótipo robótico está programado para testes em 2027 e 2028, e uma missão não tripulada Mengzhou-Lanyue está planejada para 2028 ou 2029, antes da missão tripulada completa à superfície lunar em 2030. Em 2024, a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA) também revelou os trajes espaciais projetados para serem usados pelos astronautas na Lua. No evento de revelação em Chonqing, um técnico vestindo o traje demonstrou sua amplitude de movimento agachando-se, curvando-se e subindo degraus. A China também está dando continuidade ao seu bem-sucedido programa de exploração lunar robótica, que já alcançou vários marcos importantes. Entre eles está a missão Chang’e-6, que em junho de 2024 entregou as primeiras amostras do lado oculto da Lua coletadas por uma sonda robótica. Essa conquista ganhou as manchetes e ressaltou o crescente alcance tecnológico da China no espaço. O caminho da China para a Lua é realista, viável e, o mais importante, está seguindo os planos. Sua história de várias décadas no espaço significa que o país não só tem o know-how necessário, mas também tem o que muitas outras nações não têm: uma visão clara e recursos financeiros abundantes. A China foi o segundo maior investidor em programas espaciais governamentais em 2024, embora seus gastos de US$ 19 bilhões tenham sido notáveis US$ 60 bilhões a menos do que os gastos pelos EUA. Mas suas missões, pelo menos aparentemente, estão

Abandono de patrimônio histórico nas capitais expõe conflitos entre interesses público e privado

Márcio Santos de Santana, Universidade Estadual de Londrina (UEL) A preservação do patrimônio histórico brasileiro vive uma crise alarmante. O que poderia ser orgulho e motor de desenvolvimento se tornou tema de preocupação silenciosa. Imóveis simbólicos desabam, vítimas do abandono, da burocracia e de uma legislação que restringe, mas pouco auxilia. Cidades como Salvador, Oeiras, Curitiba e Cuiabá, com histórias distintas, compartilham a mesma realidade. Falta equilíbrio entre o valor público dos bens históricos e o direito à propriedade privada. Um exemplo marcante dessa crise é o desabamento do prédio do antigo Restaurante Colon, em Salvador. O edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), foi interditado por risco estrutural. Permaneceu sem reformas, até colapsar em janeiro de 2024. O caso escancarou a inação do poder público, gerando forte reação popular. O Colon era mais do que um restaurante. Era um símbolo da vida boêmia e da memória afetiva de Salvador, presente nos livros de Jorge Amado. Sua perda acendeu debates sobre a ausência de incentivos e suporte técnico aos proprietários de imóveis tombados. Órgãos de proteção atuam de maneira lenta e burocrática. Falta ação efetiva, mesmo após notificações e alertas. As limitações impostas aos donos dificilmente vêm acompanhadas de apoio financeiro ou institucional, levando ao abandono e à ruína. No Piauí, a história da Pensão Portela, em Oeiras, reforça esse padrão de descaso. O casarão do século XIX marcou a arquitetura local e hospedou figuras ilustres. Desde os anos 2000, entrou em processo de ruína, apesar dos apelos ao IPHAN e ao Ministério Público. A resposta nunca veio de forma concreta. O imóvel foi quase destruído e a frustração tomou conta da população. O prédio, tombado pelo patrimônio nacional, representava parte importante da história política regional, agora perdida. Em Curitiba, o antigo casarão da Rua Barão do Rio Branco ficou abandonado. Por décadas, abrigou a Delegacia de Homicídios e, depois, foi listado como Unidade de Interesse de Preservação, mas sem tombamento formal. O imóvel ficou desocupado por mais de 15 anos, restando apenas a fachada. Ausência de políticas urbanas integradas A falta de ação conjunta entre prefeitura, órgãos de patrimônio e setor privado agravou o quadro. O casarão virou ponto de insegurança, vandalismo e desvalorização imobiliária. A ausência de políticas urbanas integradas impede soluções para reverter a degradação. O edifício, agora em ruínas, simboliza a insegurança jurídica e a falta de políticas consistentes para a preservação. Experiências pontuais de revitalização em Curitiba mostram que é possível reverter esse cenário. Mas, sem articulação, a exceção não vira regra. Em Cuiabá, o casarão da Rua Campo Grande integra um grupo de cerca de 400 imóveis protegidos no centro histórico. O risco de colapso é iminente. Em 2023, parte da rua foi interditada para evitar acidentes, repetindo um ciclo de omissão já visto em dezenas de casarões. Em 2019, o Ministério Público identificou 98 casarões em situação precária na região. A burocracia e as disputas sobre responsabilidade pelas obras agravam o abandono. Proprietários sem recursos ou acesso a crédito não conseguem atender às exigências legais. Lideranças locais denunciam a falta de transparência sobre o uso de verbas para o patrimônio. Cobram agilidade, apoio e maior fiscalização nos processos. Ressaltam que a preservação não é apenas dever, mas oportunidade de turismo e desenvolvimento econômico. Problema estrutural Esses exemplos mostram que a crise do patrimônio histórico não se limita a algumas cidades. É um problema estrutural. O regime de tombamento impõe restrições, mas raramente oferece incentivos para a conservação. Proprietários precisam arcar com custos elevados, manter características originais, contratar mão de obra especializada e enfrentar burocracia para aprovar projetos. Muitas vezes, o tombamento valoriza o imóvel para a sociedade, mas impõe ônus ao dono, sem contrapartida. A fragilidade dos órgãos responsáveis agrava a situação. Eles trabalham com equipes pequenas e poucos recursos. Instrumentos legais para exigir obras urgentes são lentos e pouco eficazes. Faltam mecanismos de compensação financeira para quem mantém bens de interesse público. Enquanto isso, a deterioração avança, consumindo imóveis, memórias coletivas e oportunidades de desenvolvimento para as cidades. O potencial econômico se perde junto com a identidade cultural. Casos como o Estúdio Riachuelo, em Curitiba, mostram que parcerias entre poder público, sociedade civil e iniciativa privada funcionam. Incentivos fiscais e técnicos podem revitalizar imóveis históricos e reintegrá-los à vida da cidade. Mas essas iniciativas ainda são raras no Brasil. A revisão das leis é urgente. O país precisa de um modelo que proteja o patrimônio sem transferir todo o encargo para os donos privados. Incentivos econômicos, linhas de crédito acessíveis, assistência técnica e menos burocracia são essenciais. A gestão do patrimônio histórico deve ser cooperativa. Preservar é responsabilidade coletiva, pois beneficia toda a sociedade. Fortalece vínculos identitários e abre novas oportunidades para o desenvolvimento das cidades brasileiras. A crise do patrimônio histórico é, em última análise, a crise da capacidade de Estado e sociedade de valorizar o passado sem sacrificar o presente. O desaparecimento de casarões, igrejas e pensões representa mais que a perda de objetos antigos. É o empobrecimento do tecido cultural, social e econômico das cidades brasileiras. Enquanto não houver mudança de visão, muitos bens patrimoniais continuarão a desaparecer. Com eles, parte da história e do futuro do Brasil se perde. Márcio Santos de Santana, Professor Associado de Teoria e Metodologia da História, Universidade Estadual de Londrina (UEL) This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

Novembro Azul na Região dos Inconfidentes: por onde passam os homens que tratam o câncer de próstata

Com a rede de alta complexidade concentrada em Belo Horizonte, pacientes de Ouro Preto, Mariana e Itabirito começam o caminho nas UBS, passam pela regulação e, quando necessário, seguem para UNACONs e CACONs da capital. Um novo protocolo estadual promete agilizar o diagnóstico com ressonância multiparamétrica antes da biópsia. Na Região dos Inconfidentes, o percurso do homem que desconfia de um câncer de próstata ainda é, em geral, um caminho em zigue-zague: atenção básica na cidade, exames iniciais, fila de regulação e, para os casos que exigem tratamento de alta complexidade, o embarque rumo a Belo Horizonte. É o desenho possível de uma rede que se quer mais próxima — e que, em 2025, ganhou uma novidade importante: Minas anunciou um Protocolo Estadual de Cuidado da Próstata incorporando ressonância magnética multiparamétrica antes da biópsia no SUS mineiro, mediante pactuação entre Estado e municípios. A diretriz não cria rastreamento populacional, mas organiza a investigação quando há sintomas ou PSA alterado. Como se entra na rede (e por onde ela se resolve) O primeiro passo é local: Unidades Básicas de Saúde de Ouro Preto, Mariana e Itabirito fazem a escuta, solicitam PSA (exame de sangue que ajuda a investigar problemas da próstata) e exame clínico e, havendo suspeita, encaminham para urologia/oncologia via regulação. Nos casos que demandam alta complexidade (cirurgia oncológica, quimioterapia, radioterapia), a referência costuma ser Belo Horizonte, que concentra 41 serviços oncológicos habilitados (32 UNACON, 4 CACON, 1 hospital geral com cirurgia de câncer e 4 radioterapias integradas). A própria SES-MG descreve a rede e reforça que o acesso é regulado pelos municípios.  Em Itabirito, a Câmara sancionou, em 2024, a Lei 4.066, que autoriza a criação de um Centro Oncológico municipal. É um marco político local, mas não equivale à habilitação como UNACON/CACON (que depende de critérios técnicos e pactuações com o Ministério da Saúde). Para onde BH costuma receber os regulados da região Na capital, a porta de alta complexidade do SUS envolve, entre outros, Santa Casa BH (CACON), Instituto Mário Penna/Hospital Luxemburgo (UNACON), Hospital Felício Rocho (UNACON), HC-UFMG (UNACON) e Hospital Alberto Cavalcanti/Fhemig (UNACON) — estabelecimentos listados pela SES-MG/CNES como parte da rede oncológica estadual. A página oficial da secretaria confirma a quantidade de serviços habilitados e o papel da regulação municipal para acesso. O que muda com o novo protocolo O PSA alterado passa a levar à ressonância multiparamétrica antes da biópsia, aumentando a precisão diagnóstica e evitando procedimentos invasivos desnecessários. O Estado anunciou aporte financeiro próprio para viabilizar a medida, condicionado à aprovação na CIB. Em paralelo, a SES-MG reforçou que a investigação começa na atenção primária — o que exige agenda disponível e comunicação clara nas UBS. O tamanho do problema em Minas (e por aqui) O recado de novembro é direto: homens cuidam menos da saúde e costumam adiar a ida ao médico — o que empurra diagnósticos para fases tardias. A SES-MG lembra ainda que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Entre 2019 e 2023, 36.416 casos de câncer de próstata foram registrados em hospitais de referência de Minas, sinalizando a dimensão do cuidado que a rede precisa sustentar.