Livros sobre a Rota Jaguara são doados à Biblioteca e às escolas públicas de Itabirito

A Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo, em Itabirito, recebeu na quarta-feira, 14 de janeiro, 50 exemplares do livro Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara, de autoria do jornalista Victor Louis Stutz, com fotografias de Ane Souz. A entrega foi realizada por Gilson Fernandes Antunes Martins, coordenador do projeto. A publicação apresenta narrativas, memórias e registros construídos a partir de uma expedição por comunidades rurais que integram a Rota Turística Jaguara, abrangendo territórios de Itabirito, Rio Acima, Ouro Preto e Santa Bárbara. O livro reúne relatos de moradores e personagens reais da região, valorizando saberes locais, modos de vida e a memória cultural associada ao circuito turístico. Parte dos exemplares doados ficará disponível na Biblioteca e o restante será distribuído às escolas públicas do município. O lançamento da obra ocorreu no dia 20 de dezembro, na Associação de Moradores de Acuruí, distrito histórico de Itabirito, reunindo moradores, colaboradores do projeto e participantes que contribuíram com histórias e vivências registradas no livro. Durante o evento, exemplares também foram entregues às pessoas que participaram diretamente da construção da publicação. Publicado pela Editora Tuya em parceria com a Holofote Cultural, Histórias, Memórias e Mistérios da Rota Turística Jaguara foi patrocinado pelo Grupo Avante, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Além das bibliotecas públicas e escolares, exemplares serão distribuídos gratuitamente em eventos culturais e de turismo. Durante a entrega à Prefeitura de Itabirito, a secretária municipal de Patrimônio, Cultura e Turismo, Junia Guimarães Melillo, ressaltou a importância da valorização dos atrativos do território. Segundo ela, o livro representa “um resgate cultural construído a partir da narração de várias pessoas que moram na região de Acuruí, do Catana e de municípios limítrofes que também fazem parte dessa rota”. A secretária destacou ainda que, além de preservar memórias locais, a publicação “certamente vai convidar várias pessoas a conhecerem uma região tão bonita e rica como a nossa”. Ao final, parabenizou os envolvidos no projeto, o autor Victor Louis Stutz, conhecido como Nino, e todas as pessoas que contribuíram para a realização do livro. A obra já pode ser consultada no acervo da Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo, que funciona no Complexo Turístico da Estação (Praça Dr. Guilherme, s.n., no Centro). Legenda da foto: Petra Marques Sampaio, bibliotecária responsável pelo desenvolvimento e seleção de acervo da Biblioteca Pública Municipal Prof. Diáulas de Azevedo; Gilson Fernandes Antunes Martins, coordenador do projeto; e Junia Guimarães Melillo, secretária municipal de Patrimônio, Cultura e Turismo de Itabirito, MG.

Janeiro Branco em Ouro Preto: quando a saúde mental vira assunto público e a cidade aprende a cuidar em rede

Pesquisa da UFOP financiada pela FAPEMIG e ações em parceria com a Prefeitura unem dados, formação e intervenção. No centro desse trabalho, a assistente social Andrea Machado, que atua nas abordagens e também integra o estudo. Janeiro Branco costuma chegar como uma folha em branco — não para “recomeçar do zero”, mas para lembrar que ninguém é definido pelo que dói. Em Ouro Preto, onde a beleza das ladeiras convive com pressões sociais e silencios antigos, falar de saúde mental virou mais do que campanha: virou trabalho de território, de gente, de rede. É nesse cenário que se encaixa uma iniciativa conduzida na cidade pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com financiamento da FAPEMIG e articulação com o município. O artigo “Construindo as abordagens do suicídio em Ouro Preto – MG: cuidado, acolhimento e prevenção” relata a construção de um curso e de uma mobilização local para qualificar profissionais e ampliar o debate público sobre o tema. A assistente social Andrea Machado, que atua em Ouro Preto, integra esse movimento a partir de duas frentes: participa como pesquisadora e também está na ponta das abordagens e encaminhamentos. A mensagem que ela resume para o Janeiro Branco é direta e humana: “Falar sobre sofrimento psíquico é, acima de tudo, um convite ao cuidado. A dor não define quem somos! Sempre há possibilidades de reconstrução e ninguém precisa atravessar esse caminho sozinho.” Um problema nacional — com rosto local O suicídio é reconhecido como um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil. O artigo cita que em 2021 foram registrados 15.507 óbitos por essa causa no país e que, entre 2010 e 2021, a taxa de mortalidade cresceu 42%, passando de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes, segundo boletim do Ministério da Saúde. O texto também aponta um recorte importante: a predominância é maior entre homens e, entre mulheres, chama atenção a faixa adolescente. Em Ouro Preto, o debate ganha camadas próprias. A cidade é descrita como um território com marcas históricas e sociais relacionadas ao tema e com desafios ampliados em áreas rurais, onde o isolamento pode dificultar acesso a cuidado e suporte. A pesquisa que não para no papel Na entrevista concedida à reportagem, Andrea explica que o projeto foi estruturado em fases: primeiro, um levantamento bibliográfico; depois, uma etapa dedicada a dados, com consulta a sistemas nacionais e parceria com a Secretaria de Saúde e a Vigilância Epidemiológica do município. Ela destaca que a investigação se debruçou sobre registros de violência autoprovocada, categoria que pode envolver tentativas e óbitos, e que, para o recorte local, a equipe trabalhou com 20 anos de registros municipais, de 2002 a 2022, além de bases nacionais (SIM, Sinan e SIH). (Informações prestadas por Andrea Machado em entrevista.) Um ponto que costuma confundir leitores — e até repórteres — é a defasagem dos sistemas públicos. Andrea explica que há um “pente-fino” para evitar duplicidades e corrigir lacunas, o que faz com que dados recentes levem tempo para aparecer consolidada e publicamente. Curso “Abordagens do suicídio”: quando formação vira estratégia de cidade O coração do artigo é o relato do curso de extensão “Abordagens do suicídio: cuidado, acolhimento, prevenção”, realizado em três dias, com foco em capacitar profissionais para prevenção e pósvenção, estimular acolhimento e enfrentar o estigma. O texto registra a dimensão dessa mobilização: 335 participantes, com 30 horas de formação. E detalha que o público envolveu diferentes setores — saúde, assistência social, educação, segurança pública e comunidade — como estratégia para construir uma abordagem interdisciplinar. Na prática, o curso combinou conferências e treinos orientados para comunicação, empatia e condutas diante de crises, além de momentos de escuta e articulação entre atores locais. Um dos gestos de maior impacto simbólico — e também prático — descritos no artigo foi a instalação de placas de prevenção em um ponto sensível da cidade, na Avenida Jornalista Lima Júnior, conhecida como “Volta do Vento”, em parceria com Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. A lógica da rede: cada área tem uma abordagem Andrea explica que “abordagens” não é só nome de curso: é um jeito de reconhecer que cada serviço atua com uma lente — e que todas são necessárias. A segurança pública tem protocolos de intervenção imediata; a assistência social amplia o contexto familiar e social; a psicologia trabalha escuta e acolhimento; a escola identifica sinais e aciona rede. Por isso, o trabalho precisa ser multifatorial, contínuo e coletivo. O próprio artigo reforça essa ideia ao descrever um grupo de construção do curso composto por professores, estudantes, profissionais e moradores, articulando áreas diversas e instituições do município. Janeiro Branco, o ano inteiro No fim, o Janeiro Branco não pede frases prontas — pede presença. E Ouro Preto tem tentado responder com método: pesquisa, formação, políticas, sensibilização e rede. Como resume Andrea: “Ao longo dos anos em que esta pesquisa foi construída ficou evidente que por trás de cada dado existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, um pedido de ajuda.” Onde buscar ajuda Em risco imediato: SAMU 192 ou Bombeiros 193

Procon multa Viação Pássaro Verde por falhas no transporte intermunicipal em Minas

O Procon do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) aplicou uma multa de R$ 221,5 mil à Viação Pássaro Verde por irregularidades na prestação do serviço de transporte intermunicipal no estado. A penalidade é resultado de fiscalizações realizadas pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) entre os meses de março e abril de 2025. As vistorias ocorreram no trecho entre Carangola e Belo Horizonte e identificaram uma série de falhas consideradas graves pelos órgãos de fiscalização. Entre elas, estão o descumprimento de horários e itinerários previstos, circulação de veículos em más condições de conservação e limpeza, além de ônibus operando sem a documentação obrigatória exigida pela legislação. De acordo com o Procon-MG, também houve resistência à fiscalização. Em alguns momentos, a empresa teria dificultado o trabalho dos agentes ao não apresentar veículos para vistoria quando solicitado, o que agravou a avaliação das irregularidades encontradas. Para o órgão de defesa do consumidor, as falhas comprometem a qualidade de um serviço essencial e colocam em risco a segurança dos passageiros, especialmente em um transporte utilizado diariamente por trabalhadores, estudantes e pacientes que dependem do deslocamento entre municípios. Em sua defesa, a Viação Pássaro Verde alegou que os problemas apontados seriam pontuais e que já teriam sido corrigidos. A empresa, no entanto, não negou a ocorrência das irregularidades registradas durante as fiscalizações. A decisão chama atenção também para cidades da Zona da Mata e de outras regiões de Minas, como Ponte Nova, onde o transporte intermunicipal é fundamental para a rotina da população. Casos como este reacendem o debate sobre a fiscalização contínua do serviço, a responsabilidade das concessionárias e o direito dos usuários a um transporte seguro, regular e de qualidade.

Ouro Preto recebe fórum para discutir diversificação econômica nos dias 29 e 30 de janeiro

Encontro no Centro de Artes e Convenções da UFOP reúne poder público, empreendedores e instituições para debater caminhos além da dependência setorial — com oficinas e painéis sobre turismo, economia criativa, campo, economia verde e inovação. Ouro Preto vai abrir a agenda de debates econômicos de 2026 com um tema que atravessa, em silêncio, as ladeiras históricas e as conversas de balcão: como reduzir vulnerabilidades e ampliar oportunidades de trabalho e renda sem perder a alma do território. Nos dias 29 e 30 de janeiro, a cidade sedia o 1º Fórum Regional de Diversificação Econômica | Edição Municipal Ouro Preto, no Centro de Artes e Convenções da UFOP. A proposta, segundo a Prefeitura, é criar um ambiente de escuta e articulação — menos “receita pronta” e mais encontro entre quem vive a cidade — para discutir vocações locais e rotas possíveis de desenvolvimento. Ouro Preto chega a esse debate com uma força evidente (patrimônio, turismo, serviços) e desafios conhecidos (dependência econômica concentrada e a necessidade de estimular outros segmentos, como agronegócio e economia verde). O prefeito Angelo Oswaldo afirmou que o tema está no centro das discussões regionais: “Acolheremos em Ouro Preto o Fórum Regional de Diversificação Econômica. Todos os municípios estão convidados a debater todos os temas…” Já o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Felipe Guerra, descreveu o evento como uma chance de aproximar gestão pública e empreendedores: “Esse espaço qualifica o diálogo, aproxima o poder público dos empreendedores e ajuda a dar visibilidade a demandas reais do território.” Para o gestor da ADOP, Vandeir Assis, a diversificação precisa partir do que já existe e pulsa na cidade: “Não há o que reinventar. O desafio está em identificar, fortalecer e apoiar as iniciativas que já nascem da vocação local.” Programação: empreendedorismo feminino, eixos do PADE e oficinas A programação começa no dia 29, às 13h, com o 1º Fórum Municipal de Empreendedorismo Feminino | Ouro Preto, realizado pela EmpreenDelas, com o tema “Estrelas que Inspiram”. Às 17h30, ocorre a abertura oficial do fórum regional, com debates organizados a partir dos eixos do PADE (Plano de Apoio à Diversificação Econômica de Ouro Preto) — incluindo apresentação do plano, debate sobre ambiente tributário, apresentação institucional da Vale e palestra magna. No dia 30, as atividades começam às 8h, com painéis sobre turismo e economia criativa, desenvolvimento rural, inteligência territorial, bancos comunitários e moedas sociais. À tarde, o foco se volta para oficinas temáticas, com trilhas de empreendedorismo e inclusão produtiva, agropecuária e economia verde e tecnologia e inovação. Realização, patrocínio e recursos públicos O evento é realizado pela Prefeitura de Ouro Preto e pela Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (ADOP), com projeto do Instituto Fórum e patrocínio de Samarco e Vale, além de uma lista de apoiadores locais e estaduais. No Diário Oficial do município, há registro de Termo de Fomento com repasse de R$ 200 mil à ADOP destinado à realização do fórum, vinculado às ações do PADE. Serviço 1º Fórum Regional de Diversificação Econômica | Edição Municipal Ouro Preto29 e 30 de janeiro de 2026Centro de Artes e Convenções da UFOP (Rua Diogo Vasconcelos, 328, Pilar)Realização: Prefeitura de Ouro Preto e ADOPMais informações e programação: site do FRDE (a Prefeitura informa que as inscrições serão divulgadas em breve) 

Escola Estadual Dom Velloso, em Ouro Preto, será escola bilíngue em francês a partir deste ano

Ouro Preto entrou na primeira leva do Minas Bilíngue, programa do Governo de Minas que inicia a implantação no ano letivo de 2026 com 30 escolas estaduais. Na lista divulgada nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, aparece a Escola Estadual Dom Velloso (ID 106470) como unidade selecionada para oferta bilíngue em francês, no Ensino Fundamental em Tempo Integral (EFTI). Segundo a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), o Minas Bilíngue foi lançado em 2025 e começa a funcionar em sala de aula em 2026, com escolas distribuídas por diferentes regiões do estado e vinculadas a 18 Superintendências Regionais de Ensino (SREs). A proposta combina ensino bilíngue e intercultural: a língua adicional — definida pela comunidade escolar — ganha mais carga horária e passa a se conectar a outros componentes curriculares, sem aumento da carga horária total do estudante, já que o programa se integra ao modelo de tempo integral (EMTI e EFTI). Na apresentação do projeto, o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, afirmou que a iniciativa pode ampliar horizontes na rede pública: “mais oportunidades se abrem aos estudantes mineiros”. Como vai funcionar o bilinguismo A SEE-MG informa que, além das aulas de idioma, parte das disciplinas da Formação Geral Básica e dos Itinerários Formativos deve ser ministrada parcialmente na língua adicional, em uma abordagem interdisciplinar. O currículo prevê ainda Estudos Interculturais, com temas históricos, culturais e artísticos ligados aos países falantes do idioma. O calendário oficial da rede estadual aponta início das aulas em 4 de fevereiro de 2026. Francês em Ouro Preto A confirmação do francês na Dom Velloso coloca Ouro Preto no mapa inicial do programa com um idioma menos comum na rede pública, ao lado de outras possibilidades mencionadas pela SEE-MG para as escolas selecionadas (como inglês e espanhol, além de opções como mandarim, alemão e italiano, conforme adesão e escolha local). A Escola Estadual Dom Velloso fica no bairro Pilar, em Ouro Preto, sob a SRE Ouro Preto.

Por que o carnaval de Ouro Preto pode ser uma grande aposta da geração Z

Quando se fala no carnaval de Ouro Preto como uma possível aposta da geração Z, é importante deixar claro do que estamos tratando. A referência central aqui é o carnaval de rua — aquele que acontece nas ladeiras históricas, nos blocos tradicionais, nos desfiles das escolas de samba e na ocupação coletiva do espaço público. Mas isso não significa ignorar ou desqualificar o carnaval universitário, organizado pelas repúblicas estudantis, que também faz parte da identidade da cidade. O diferencial de Ouro Preto está justamente na convivência entre diferentes formas de viver a festa. O interesse crescente da geração Z pelo carnaval de rua dialoga com mudanças mais amplas na forma de consumir cultura. Em vez de experiências concentradas em grandes estruturas privadas, cresce a busca por vivências abertas, caminháveis e compartilhadas. Em Ouro Preto, o carnaval de rua acontece no encontro: a música ecoa pelas ladeiras, os blocos se formam nas esquinas e a festa se constrói em movimento. É um carnaval que se vive a pé, com o corpo e com o olhar atentos ao entorno — um formato que conversa diretamente com os hábitos culturais dessa geração. Há também um elemento musical que ajuda a entender essa aproximação. Levantamentos recentes divulgados pelo Spotify indicam que a geração Z é hoje a que mais consome MPB na plataforma, revelando um interesse renovado por repertórios brasileiros, narrativos e coletivos. Esse movimento ajuda a explicar por que as marchinhas tradicionais, com letras simples, irônicas e fáceis de cantar em grupo, encontram novamente espaço entre os mais jovens. No carnaval de rua de Ouro Preto, a música não é apenas trilha sonora: ela é participação, coro e experiência compartilhada. O cenário urbano da cidade reforça essa vivência. As ladeiras de pedra, os casarios coloniais e as praças históricas fazem do carnaval de rua uma experiência visual intensa, sem necessidade de grandes produções ou estruturas artificiais. Para uma geração acostumada a registrar e compartilhar o cotidiano, Ouro Preto funciona como linguagem estética espontânea, em que a cidade não é cenário montado, mas parte ativa da festa. Outro ponto central é a autenticidade. Os blocos caricatos, as escolas de samba, os personagens populares e as referências históricas oferecem identidade cultural e continuidade — algo cada vez mais valorizado por jovens que cresceram em ambientes digitais homogêneos. O carnaval de rua de Ouro Preto não é genérico nem replicável: ele carrega memória, sotaque e pertencimento. Isso não significa oposição ao carnaval universitário, que segue sendo relevante e atrativo, especialmente para estudantes e jovens em busca de festas privadas e programação intensa. Ao contrário: Ouro Preto se destaca por oferecer um carnaval completo, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Há espaço para o bloco tradicional, para a escola de samba, para a festa universitária, para a programação infantil e para o carnaval nos distritos. Se o carnaval do futuro aponta para mais diversidade, mais escolha e mais convivência entre formatos, Ouro Preto já reúne esses elementos. Não por ter se reinventado recentemente, mas porque sempre soube conciliar rua, festa, memória e vida urbana. Para a geração Z — e para outras gerações — essa pluralidade pode ser justamente o maior atrativo.

Escola francesa de gastronomia Le Cordon Bleu vai usar casarão histórico em BH para unir culinária mineira e francesa

Parceria com Codemig prevê espaço que terá cursos de cozinha, restaurante e eventos; ideia é criar receitas mineiras com técnicas francesas e projetar Minas no cenário gastronômico mundial A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) fechou parceria com a escola francesa Le Cordon Bleu para usar a Mineiraria, um casarão tombado localizado no Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, em Belo Horizonte. A ideia é criar um espaço que misture escola de gastronomia, restaurante e centro de eventos — tudo unindo a cozinha mineira com técnicas da culinária francesa. O que é Le Cordon Bleu? É uma das escolas de gastronomia mais famosas e tradicionais do mundo, fundada em Paris em 1895. Presente em diversos países, a Le Cordon Bleu é referência em formação de chefs profissionais e tem como marca a excelência no ensino das técnicas da culinária francesa clássica. O que vai funcionar no espaço? O projeto prevê transformar a Mineiraria em um centro gastronômico completo, que vai oferecer: Comida mineira com “sotaque” francês O grande diferencial da parceria é criar um menu que pegue receitas tradicionais de Minas — como tropeiro, tutu, frango com quiabo, doces — e as prepare usando técnicas refinadas da cozinha francesa. A proposta é valorizar os ingredientes e pratos mineiros, mas com uma apresentação e preparo que seguem métodos consagrados mundialmente. “É uma iniciativa excelente para a gastronomia, a cultura e o turismo mineiros. Uma das mais renomadas escolas de gastronomia do mundo, presente em tantos países, está conosco nesse projeto de valorização do nosso estado”, afirmou Luísa Barreto, presidente da Codemig. Quem vai aproveitar? O espaço foi pensado para atender diferentes públicos: Onde fica e por que esse lugar? A Mineiraria é uma casa histórica tombada que fica dentro do Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte. O mesmo complexo abriga a Sala de Concertos Minas Gerais, onde a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresenta. A localização é estratégica: fica perto da região de comércio popular de roupas da capital, shoppings, clínicas e hospitais. Isso significa que diferentes tipos de pessoas passam por ali — desde quem vai tomar um café rápido até quem quer ter uma experiência gastronômica completa depois de assistir a um concerto. Objetivo maior: colocar Minas no mapa mundial da gastronomia A parceria tem uma ambição além do espaço físico: posicionar Minas Gerais como referência em gastronomia no Brasil e no mundo. A ideia é que, com o prestígio internacional da Le Cordon Bleu e a riqueza da culinária mineira, o estado ganhe destaque em roteiros turísticos gastronômicos e atraia visitantes interessados em conhecer — e aprender — sobre a comida daqui. O projeto também pretende fortalecer toda a cadeia produtiva, valorizando produtores locais de queijos, cachaças, doces, hortaliças e outros ingredientes típicos de Minas, criando oportunidades de negócios e desenvolvimento econômico. A data de inauguração do empreendimento ainda não foi divulgada. Os próximos passos incluem a elaboração do plano de negócios e a estruturação física do espaço.

Governo de Minas dá dicas de prevenção a golpes envolvendo o IPVA 2026

Foto: Gil Leonardi A escala de vencimentos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 tem início em 9/2, mas os pagamentos antecipados já podem ser feitos desde o dia 2/1. Como nos anos anteriores, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), recomenda atenção dos contribuintes para não caírem em golpes praticados no ambiente virtual envolvendo o IPVA. A principal dica é pagar o imposto somente acessando o site oficial da SEF (www.fazenda.mg.gov.br) ou o aplicativo MG App. De acordo com o superintendente de Arrecadação e Informações Fiscais da SEF, Leônidas Marques, a força-tarefa criada em 2025 para prevenir e combater as fraudes continua atuando. As ações mais efetivas são a derrubada dos sites fraudulentos, suspensão de CNPJs usados para abrir empresas e contas em bancos digitais e fintechs com a finalidade de aplicar os golpes e bloqueio de contas bancárias de suspeitos. “Os órgãos de Estado que compõem a força-tarefa estão diligentes, mas o cuidado por parte do proprietário do veículo é a forma mais eficiente de se evitar os golpes”, afirma Leônidas Marques. Denúncias Ao se deparar com algum link ou site suspeito, o cidadão deve apresentar denúncia na Delegacia Virtual ou em uma delegacia da Polícia Civil, além da Ouvidoria-Geral do Estado (OGE). Todas as denúncias são encaminhadas ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a adoção de medidas imediatas e investigação. É importante anexar cópias dos comprovantes de pagamento e o link/endereço eletrônico (URL) do site fraudulento. Vale alertar que não há previsão de ressarcimento para vítimas que tenham efetuado pagamentos fraudulentos. Caso o contribuinte caia em um golpe, não estará isento de pagar o IPVA para regularizar sua situação. Por isso, é fundamental ter atenção às dicas de segurança. Tipos de golpes Em 2025, chegou ao conhecimento da Secretaria de Estado de Fazenda cerca de 2,6 mil casos de golpes envolvendo o IPVA. Entre os golpes mais frequentes destaca-se a criação de sites falsos que simulam os oficiais dos órgãos governamentais e o envio de links para aplicativos de mensagens e e-mails, muitas vezes, prometendo descontos tentadores. Ao gerar o pagamento por esses meios, o contribuinte entregará seu dinheiro para os golpistas. Outra prática comum é o chamado phishing. Nessa prática, os criminosos induzem as vítimas a fornecer dados pessoais para usá-los em diversas outras operações bancárias.

A relevância do carnaval de Ouro Preto também se mede pela agenda

A força do carnaval de Ouro Preto não se explica apenas pela tradição ou pelo cenário histórico da cidade. Ela se comprova, de forma concreta, quando artistas de alta demanda nacional incluem a cidade em suas agendas de carnaval, em um calendário disputado por capitais e grandes centros. Estar em Ouro Preto, nesse contexto, não é acaso: é escolha estratégica. Nos últimos anos, o carnaval universitário — organizado a partir da articulação entre os blocos Caixão, Cabrobró, Praia e Chapado — tem sido um dos principais vetores dessa projeção nacional. Apenas na edição mais recente, a programação reuniu nomes como Felipe Amorim, MC Daniel, KVSH, Filipe Ret, MC Hariel, Jammil, Matuê, Mumuzinho, Luísa Sonza e Ludmilla, artistas que circulam por grandes festivais e turnês nacionais. A presença recorrente desses nomes ajuda a entender por que Ouro Preto se mantém no radar do público jovem em escala nacional. Esse protagonismo não surgiu do nada. O Bloco do Caixão, criado em 1976, completa 50 anos em 2026, consolidando-se como um dos mais longevos e simbólicos do carnaval ouro-pretano. Ao lado dele, Cabrobró, Praia e Chapado formam um conjunto de blocos que estruturaram uma programação capaz de atrair milhares de foliões de fora da região. Mais do que festas, esses blocos ajudaram a organizar um polo específico do carnaval da cidade, com impacto direto na economia local, na ocupação temporária da rede hoteleira e na circulação urbana. Um aspecto que diferencia o carnaval de Ouro Preto de outros grandes destinos é a ausência de histórico recorrente de grandes episódios de violência. Apesar do volume expressivo de foliões, o evento privado e público tem sido marcado por baixos índices de brigas generalizadas e roubos em massa, segundo registros das últimas edições. Em um cenário nacional em que segurança se tornou critério decisivo na escolha do destino carnavalesco, esse fator pesa — especialmente para jovens e famílias que acompanham ou visitam a cidade. É importante destacar que esse polo não existe isoladamente. O carnaval universitário convive com o carnaval de rua tradicional, com os blocos caricatos, as escolas de samba, a programação infantil e as festas nos distritos. Muitos foliões transitam entre esses universos ao longo do dia, reforçando a ideia de que Ouro Preto não oferece um único modelo de carnaval, mas um ecossistema plural, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Nesse sentido, a relevância do carnaval de Ouro Preto não está em competir com outros destinos, mas em sustentar, ao longo do tempo, uma festa que combina tradição, renovação, diversidade musical e convivência urbana. Quando artistas disputados escolhem a cidade, quando blocos completam meio século de existência e quando milhares de jovens seguem retornando ano após ano, o recado é claro: Ouro Preto não apenas participa do carnaval brasileiro — ela ocupa um lugar próprio nele.