O que os pais precisam saber sobre o Tylenol, o autismo e a diferença entre encontrar uma correlação e uma causa na pesquisa científica

Nos casos em que são encontradas correlações, os cientistas devem levar em consideração a resposta à dosagem, as diferenças entre irmãos e outros fatores para indicar uma possível relação de causalidade. Ronaldo Schemidt/AFP via Getty Images Mark Louie Ramos, Penn State As alegações do governo Donald Trump sobre a ligação entre o uso do analgésico e antitérmico acetaminofeno – geralmente vendido sob a marca Tylenol nos EUA, e mais conhecido no Brasil como paracetamol – durante a gravidez e o desenvolvimento de autismo desencadearam um dilúvio de críticas nas comunidades médica, científica e de saúde pública. Como pai de uma criança com autismo de nível 2 – ou seja, autismo que requer apoio substancial – e estatístico que trabalha com ferramentas matemáticas como as usadas nos estudos de associação citados pela Casa Branca, acho útil pensar sobre as nuances da correlação versus causalidade em estudos observacionais. Espero que essa explicação seja útil para os pais e futuros pais que, como eu, estão profundamente empenhados no bem-estar de seus filhos. O analgésico acetominofeno – mais conhecido como paracetamol no Brasil – é frequentemente vendido sob a marca Tylenol. AP Photo/Jae C. Hong Correlação não é causalidade, mas… A maioria das pessoas já ouviu isso antes, mas vale a pena repetir: correlação não implica em causalidade. Um exemplo citado com frequência é o fato de haver uma correlação muito forte entre as vendas de sorvetes e incidentes de ataques de tubarão. Obviamente, não é preciso dizer que os ataques de tubarão não são causados pela venda de sorvetes. Mas, no verão, o clima quente aumenta o apetite por sorvete e tempo de permanência das pessoas na praia. O aumento do número de pessoas, por sua vez, faz com que a probabilidade de ocorrência de ataques de tubarão cresça. Apontar isso por si só, no entanto, não é intelectualmente satisfatório nem emocionalmente apaziguador quando se trata de preocupações médicas da vida real, uma vez que uma associação sugere a possibilidade de uma relação causal. Em outras palavras, algumas associações acabam se mostrando convincentemente causais. Na verdade, algumas das descobertas mais importantes do século passado na saúde pública, como as ligações entre tabagismo e câncer de pulmão ou o papilomavírus humano (HPV) e câncer cervical, começaram como descobertas de associações muito fortes. Portanto, quando se trata da questão do uso pré-natal de acetaminofeno e desenvolvimento do autismo, é importante considerar a força da associação encontrada, bem como até que ponto essa correlação pode ser considerada causal. Estabelecendo uma associação causal Então, como os cientistas determinam se uma associação observada é de fato causal? O padrão ouro para isso é a realização dos chamados experimentos randomizados e controlados. Nesses estudos, os participantes são designados aleatoriamente para receber ou não um tratamento, e o ambiente em que são observados é controlado de modo que o único elemento externo que difere entre os participantes é o fato de terem recebido ou não a intervenção. Ao fazer isso, os pesquisadores garantem, de forma razoável, que qualquer diferença nos resultados dos participantes possa ser diretamente atribuída como causada pelo fato de eles terem recebido ou não a intervenção. Ou seja, qualquer associação entre tratamento e desfecho pode ser considerada causal. Mas muitas vezes a realização de um experimento desse tipo é impossível, antiética ou ambos. Por exemplo, seria muito difícil reunir um grupo de mulheres grávidas para um experimento, e extremamente antiético designar aleatoriamente metade delas para tomar acetaminofeno ou qualquer outro medicamento sem motivo específico, e a outra metade para não tomar. Portanto, quando os experimentos são simplesmente inviáveis, uma alternativa é fazer algumas suposições razoáveis sobre como os dados observacionais se comportariam se a associação fosse causal e, em seguida, verificar se estes dados se alinham com essas suposições causais. Isso pode ser chamado de forma muito ampla de inferência causal observacional. Analisando o que os estudos significam Então, como isso se aplica à atual controvérsia sobre a possibilidade de o uso de acetaminofeno durante a gravidez afetar o feto de uma forma que poderia resultar em uma condição como o autismo? Os pesquisadores que tentam entender as funções causais e as ligações entre uma variável e os possíveis resultados de saúde o fazem considerando: 1) o tamanho e a consistência da associação em várias tentativas de estimá-la; e 2) a extensão em que essa associação foi estabelecida sob estruturas de inferência causal observacional. Desde 1987, pesquisadores têm trabalhado para medir possíveis associações entre o uso de acetaminofeno durante a gravidez e o autismo. Vários desses estudos, incluindo várias revisões sistemáticas de grande porte, encontraram evidências de tais associações. Por exemplo, uma revisão de 2025 de 46 estudos que examinaram a associação entre o uso de acetaminofeno e uma série de distúrbios de neurodesenvolvimento, incluindo o autismo, identificou artigos com cinco associações positivas entre acetaminofeno e autismo. Em um desses estudos, que examinou 73.881 nascimentos, os pesquisadores descobriram que as crianças que foram expostas ao acetaminofeno no período pré-natal tinham 20% mais probabilidade de desenvolver condições limítrofes ou clínicas do espectro autista. Outro examinou 2,48 milhões de nascimentos e relatou uma associação estimada de apenas 5%. Ambas as associações são fracas. Para contextualizar, as estimativas do aumento do risco de câncer de pulmão decorrente do tabagismo na década de 1950 estavam entre 900% e 1.900%. Ou seja, um fumante tem de 10 a 20 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de pulmão do que um não fumante. Comparativamente, nos dois estudos sobre autismo acima, uma mulher grávida que toma acetaminofeno tem de 1,05 a 1,20 vez mais probabilidade de ter um filho que será posteriormente diagnosticado com autismo do que uma mulher que não toma o medicamento. Também é importante ter em mente que muitos fatores podem afetar a capacidade de um estudo de estimar uma associação. Em geral, amostras maiores proporcionam maior poder de detecção de uma associação, caso ela exista, bem como maior precisão na estimativa do valor da associação. Isso não significa que estudos com amostras menores não sejam válidos, apenas que, do
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Pesquisa analisa impactos das mudanças climáticas no preço dos alimentos e sugere políticas públicas para reduzir vulnerabilidades no bloco econômico.
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Maior rede de cafés da China estampa marca “Café do Brasil” em 30 mil lojas durante campanha de dezembro

Ação integra estratégia da ApexBrasil para fortalecer a imagem do café brasileiro no mercado chinês e deve alcançar 400 milhões de consumidores ao longo do mês. O café brasileiro ganhará visibilidade inédita no mercado chinês ao longo de dezembro: a Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, passou a estampar a marca “Café do Brasil” em todos os copos vendidos no país. A iniciativa, parte da campanha “Brazil Season”, é conduzida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Uma vitrine de meio bilhão de consumidores Com mais de 30 mil lojas espalhadas pela China, a Luckin Coffee estima vender cerca de 400 milhões de copos temáticos ao longo de dezembro. Segundo a ApexBrasil, o impacto da ação pode alcançar diariamente até 14 milhões de consumidores — um alcance considerado estratégico para fortalecer a imagem do Brasil como origem de cafés de alta qualidade. Para o presidente da agência, Jorge Viana, trata-se de uma oportunidade rara de posicionamento no maior mercado emergente de café do mundo. Ele destaca que a presença da marca brasileira nas cafeterias chinesas reforça o protagonismo do país em um setor que movimenta volumes crescentes de exportação. Como surgiu a ideia A proposta nasceu durante a China International Import Expo (CIIE), realizada em Xangai, em novembro de 2025. Na ocasião, o café brasileiro fez sucesso entre visitantes e compradores internacionais, com a distribuição de cerca de dois mil copos diários no Pavilhão do Brasil. A receptividade levou a Luckin Coffee a propor a campanha especial de dezembro, dedicada à divulgação dos grãos adquiridos junto a produtores brasileiros. Além da identidade visual, as lojas chinesas estão oferecendo brindes temáticos, como chaveiros e mini capivaras de pelúcia, animal brasileiro muito popular na China. A ApexBrasil estima que até duas mil unidades serão distribuídas por loja ao longo da campanha. Parceria construída ao longo de três anos O relacionamento entre a ApexBrasil e a Luckin Coffee começou em 2023, quando representantes da rede visitaram Rondônia para conhecer a produção de café amazônico. A partir daí, uma sequência de acordos ampliou o volume de compras e a presença do café brasileiro na China. Em 2024, foi firmado o fornecimento de até 120 mil toneladas do produto, em um contrato de US$ 500 milhões, acompanhado da promessa de promoção da marca brasileira no varejo chinês. No mesmo ano, a empresa assinou outro compromisso: adquirir 240 mil toneladas de café entre 2025 e 2029 — um investimento estimado em US$ 2,5 bilhões, com articulação da ApexBrasil e apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em 2025, a parceria ganhou novo capítulo com o anúncio de 34 lojas temáticas da Luckin Coffee dedicadas à cultura brasileira, ampliando a visibilidade dos produtos no mercado asiático. Exportações em alta Entre janeiro e outubro de 2025, as exportações brasileiras de café não torrado para a China somaram US$ 335,1 milhões, ultrapassando com folga os números de 2024. O avanço evidencia o interesse crescente do mercado chinês pelo café nacional e reforça o papel das parcerias estratégicas na expansão do produto.
UFOP cria dois bacharelados em Inteligência Artificial e amplia formação tecnológica em Ouro Preto e João Monlevade

Cursos passam a integrar a graduação da Universidade e fortalecem pesquisas, parcerias e o desenvolvimento regional.
Região dos Inconfidentes acompanha alta nacional do FPM e soma mais de R$ 188 milhões em repasses ao longo de 2025

Ouro Preto, Mariana e Itabirito recebem hoje, 10 de dezembro, novo repasse do Fundo de Participação dos Municípios, em um ano marcado por crescimento nas transferências federais. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) distribui hoje, 10 de dezembro, a primeira parcela do mês, com R$ 6,3 bilhões transferidos pela União. O valor representa um crescimento de cerca de 9% em relação ao mesmo período do ano passado e integra uma trajetória de alta ao longo de 2025. Na Região dos Inconfidentes, Ouro Preto, Mariana e Itabirito já acumulam mais de R$ 188 milhões em repasses desde janeiro. Alta nacional que se reflete nos municípios mineiros Além da parcela regular, prefeituras de todo o país receberão também um repasse extra de R$ 7,6 bilhões, reforçando o caixa municipal no encerramento do ano fiscal. Especialistas em orçamento avaliam que 2025 consolida uma recuperação do FPM, favorecida pelo desempenho das arrecadações federais de Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que compõem o fundo. O FPM é a principal fonte de receita de cerca de 80% dos municípios brasileiros e desempenha papel decisivo no custeio de serviços públicos essenciais. Os números da Região dos Inconfidentes em 2025 O comportamento dos repasses federais se confirma na região. Segundo dados consolidados até dezembro, o FPM representa parcela importante da receita municipal. Ouro Preto Mariana Itabirito Diogo de Vasconcelos Regras e bloqueios O cálculo do FPM se baseia no número de habitantes, atualizado anualmente pelo IBGE. As transferências ocorrem nos dias 10, 20 e 30 de cada mês, ou no dia útil anterior, caso coincidam com feriados ou fins de semana. Até 8 de dezembro, sete municípios brasileiros permaneciam bloqueados no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), impedidos temporariamente de receber os repasses. Nenhum deles pertence à Região dos Inconfidentes. Importância para a sustentabilidade financeira Para municípios de médio e pequeno porte, como os que compõem a região, o FPM é determinante para assegurar o funcionamento da máquina pública. Mesmo cidades com receitas diversificadas — caso de Mariana e Itabirito — dependem do fundo para equilibrar despesas, estabilizar investimentos e manter serviços continuados, sobretudo nas áreas de educação, saúde e infraestrutura urbana.
Orçamento em debate: o que a audiência pública revelou sobre as prioridades de Ouro Preto para 2026

Emendas impositivas, subsídios ao transporte e pressão por mais verbas ao esporte marcaram a conversa
Saneamento em revisão: Ouro Preto abre consulta sobre plano e reajuste da água

Reunião do conselho expõe prazos apertados, dúvidas sobre participação e o peso dos subsídios; Prefeitura, ARISB e Saneouro prometem ajustes