Eleições 2026: pesquisa com grupos de WhatsApp indica os motivos do eleitor para trocar de candidato

Carolina de Paula, Instituto Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem) As intenções de voto mudam ao longo da campanha. Escândalos, debates, crises e acontecimentos inesperados podem alterar rapidamente as preferências do eleitorado. Saber o que atrai votos é importante, mas identificar o que leva um eleitor a abandonar um candidato pode ser ainda mais revelador. Mais estáveis do que as razões para votar são, muitas vezes, as razões para deixar de votar. Foi para capturar essa dimensão que realizamos uma pesquisa qualitativa a partir de uma pergunta deliberadamente invertida: “o que faria você desistir imediatamente de votar em um candidato?”. O levantamento foi conduzido em 8 de junho pelo Monitor do Debate Público, projeto do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), em seis grupos focais contínuos realizados no Whatsapp. As respostas revelam que, por baixo de uma leitura apressada da polarização, ainda existe um conjunto de limites morais e institucionais que orienta a escolha eleitoral dos brasileiros. A corrupção aparece em todos os grupos analisados, mas com formulações diferentes. Grupos que retratam a sociedade Grupos focais são uma técnica de pesquisa qualitativa baseada na discussão estruturada entre participantes selecionados segundo perfis específicos. No Monitor do Debate Público, esses grupos são contínuos: os mesmos participantes permanecem no estudo ao longo do tempo, permitindo acompanhar a evolução de suas opiniões. Nesta rodada com foco nas eleições de 2026, 50 participantes foram distribuídos em seis segmentos definidos por perfil de voto, avaliação do governo e posicionamento ideológico. Os participantes responderam quando lhes fosse mais conveniente. Ativo desde 2022, este ano o projeto foi redesenhado com a substituição do antigo grupo de eleitores flutuantes por dois grupos de indecisos, que ainda não definiram seu voto para 2026. Os Indecisos Conservadores votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo em 2022 e se posicionam mais à direita na escala ideológica. Os Indecisos Progressistas votaram em Lula ou em branco/nulo e se posicionam mais à esquerda. Os resultados são de natureza qualitativa e buscam compreender como os participantes pensam e justificam suas posições. Não devem ser lidos como estatisticamente representativos da população brasileira. PERFIL DOS GRUPOS FOCAIS Corrupção como tema central A preocupação com a corrupção aparece de forma recorrente nos seis grupos como um importante parâmetro de avaliação dos candidatos. Porém, sua formulação, peso e significado variam entre os diferentes segmentos. A mentira — frequentemente associada à divulgação de fake news — também foi citada com intensidade. O aspecto em que os grupos se dividem é a definição do que constitui um limite inegociável. Em 2026, portanto, a capacidade de mobilização desse tema dependerá menos da denúncia em si e mais da forma como ela dialoga com as crenças e prioridades de cada grupo de eleitores. O que leva cada grupo a rejeitar um candidato A análise das respostas mostra que, para os Bolsonaristas Convictos, o limite em relação ao tema da corrupção é ideológico. Uma participante resume essa posição ao afirmar que “não votar no PT é uma questão de segurança nacional, de ver o quanto a criminalidade aumenta a cada dia, os impostos, taxas sobre taxas, além de uma corrupção velada que não cessa” (Bolsonarista Convicta, 47 anos, administradora, BA). A rejeição ao PT funciona como um critério autônomo, desconectado de qualquer avaliação específica da conduta do candidato. As propostas e o perfil pessoal de um hipotético candidato petista são percebidos como irrelevantes. Para esse grupo, a corrupção funciona mais como um elemento retórico do que como um definidor do comportamento eleitoral. Diferentemente dos Convictos, os Bolsonaristas Moderados exigem provas e investigação: “O que me faria desistir de votar em um candidato seria um escândalo de corrupção que envolvesse desvio de verbas públicas ou rombo nos cofres públicos em benefício particular” (Bolsonarista Moderado, 72 anos, pensionista, RJ). Casos comprovados de corrupção e desvio de verbas públicas aparecem como critérios declarados de rejeição. Vale destacar que esse padrão de comportamento já foi identificado em outras análises do Monitor do Debate Público. É frequente, nesse perfil, um apreço pela investigação e pela apuração dos fatos. Trata-se de uma característica semelhante à dos Lulodescontentes. Há, contudo, um traço específico que distingue os Lulodescontentes: a disponibilidade para mudar de voto. A chegada de um candidato mais preparado e comprometido com os problemas reais da população é explicitamente citada como uma razão suficiente para uma mudança de posição: “Eu deixaria de votar em um candidato se aparecessem provas concretas de corrupção ou de uso do cargo para benefício próprio. Também mudaria meu voto caso surgisse alguém mais preparado e comprometido com os problemas reais da população, sem ficar preso às disputas políticas de sempre” (Lulodescontente, 52 anos, técnica administrativa, MG). Para os Indecisos Progressistas, a tolerância acaba quando um candidato afronta pautas relacionadas aos direitos das minorias. Nesse grupo, o nome de Bolsonaro aparece diretamente — algo que não ocorre em nenhum outro grupo, nem mesmo entre os Lulistas. “Um candidato que desrespeite as mulheres, que esteja envolvido em escândalos, que seja a favor do porte de armas, que seja homofóbico e vise beneficiar somente os grandes empresários, sem priorizar as minorias, esse com certeza me faria desistir de votar nele” (Indecisa Progressista, 29 anos, empreendedora, RJ). O Indeciso Conservador é o segmento que reúne a maior diversidade de motivos de rejeição. Esses eleitores avaliam os candidatos por um conjunto de critérios combinados — conduta, coerência, alianças e plano de governo. São mais atentos ao comportamento público, ao discurso e às posturas dos candidatos do que às filiações partidárias, mas essa é uma hipótese que merece confirmação em análises subsequentes. “Para mim, o comportamento do candidato de um modo geral, falas problemáticas, falta de um plano de governo e envolvimento em escândalo me fazem cancelar qualquer possibilidade de voto” (Indecisa Conservadora, 30 anos, maquiadora, RJ). Um motivo que apareceu nesse grupo e que também pode ser interpretado como relacionado ao tema da corrupção foi o forte apreço pela separação entre religião e política. Mesmo entre participantes que fazem referências

Prefeitura de Ouro Preto convoca mais seis famílias para etapa social do programa Um Teto é Tudo em Antônio Pereira

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Ouro Preto convocou mais seis famílias pré-classificadas no programa “Um Teto é Tudo” para a etapa de Estudo Social, conforme a Portaria SMDUH nº 25/2026, publicada no Diário Oficial do município. A convocação é a terceira chamada do processo, que destina moradias de interesse social no Residencial Dom Luciano, no distrito de Antônio Pereira. O programa contempla famílias cadastradas no Edital de Chamamento Público nº 02/2025. Segundo a portaria, a convocação não assegura por si só o direito à concessão da unidade habitacional — a aprovação fica condicionada à comprovação das informações autodeclaradas pelas famílias, à realização do Estudo Social e à validação por equipe técnica responsável pelo Trabalho Técnico Social. O Estudo Social é feito por meio de análise documental, visitas domiciliares, entrevistas e articulação com a rede socioassistencial do município. As famílias convocadas têm prazo de três dias úteis, a partir do contato da secretaria, para retirar a listagem de documentos exigidos, e dez dias úteis para apresentar a documentação completa — sob pena de desclassificação do processo seletivo. A portaria prevê ainda a possibilidade de novas convocações sucessivas, respeitando a ordem de classificação, até que sejam obtidos 21 pareceres sociais favoráveis necessários para a concessão das moradias, conforme a disponibilidade das unidades habitacionais no residencial. Em observância à legislação de proteção de dados pessoais, os documentos e estudos técnico-sociais relacionados ao processo não são publicados, permanecendo arquivados na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, sob responsabilidade da Diretoria de Acolhimento em Habitação de Interesse Social. Programa Um Teto é Tudo — Residencial Dom Luciano Modalidade: casas, no distrito de Antônio Pereira Etapa atual: terceira chamada de convocação para Estudo Social Famílias convocadas nesta etapa: 6 Meta: 21 pareceres sociais favoráveis para concessão das moradias Base legal: Portaria SMDUH nº 25/2026 e Edital de Chamamento Público nº 02/2025

A vacina da dengue e o princípio da precaução

Roberto Medronho, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) A decisão do Ministério da Saúde de descontinuar temporariamente a atual estratégia de vacinação contra a dengue com a vacina produzida pelo Instituto Butantan deve ser compreendida como uma medida de precaução em defesa da vida, da ciência e da segurança da população. Não se trata de condenar a vacina, de negar sua importância ou de alimentar dúvidas infundadas. Trata-se de agir como um sistema público de saúde responsável deve agir diante de sinais inesperados: interromper temporariamente, investigar com rigor e decidir com base em evidências. Em tempos de informação acelerada — e de desinformação — é fundamental explicar essa medida. Por isso, a suspensão cautelar não representa fracasso do sistema de imunização. Ao contrário, mostra que os mecanismos de controle, vigilância e segurança das vacinas funcionam. Vacina do Butantan é um marco histórico para o Brasil A dengue é um dos maiores desafios sanitários do país. A circulação de diferentes sorotipos, as mudanças climáticas, a urbanização desordenada e a dificuldade de controle do Aedes aegypti compõem um cenário complexo e desafiador, aumentando ainda mais o risco de dengue grave. Nesse contexto, uma vacina nacional contra a dengue em dose única representa um marco histórico: uma tecnologia estratégica, desenvolvida por uma instituição centenária de excelência, capaz de ampliar a autonomia do Brasil. Justamente por reconhecer essa conquista, devemos tratar o momento atual com serenidade e rigor científico. Os dados disponíveis indicam um perfil de segurança favorável nos estudos clínicos realizados antes da aprovação. Além disso, experiências de vacinação em larga escala em Botucatu, Maranguape e Nova Lima envolveram dezenas de milhares de pessoas sem sinais relevantes de preocupação. O alerta surgiu após pouco mais de 500 mil doses até 30 de maio de 2026. Nesse universo, foram notificados 42 casos com sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, o que corresponde a cerca de 0,008% dos vacinados. Entre esses casos, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Ainda assim, eventos dessa natureza, embora raros, precisam ser levados muito a sério. É indispensável deixar claro: até o momento, não há conclusão de que a vacina tenha causado esses casos. A proximidade temporal entre a vacinação e os sintomas não constitui, por si só, prova de causalidade. Afinal, uma pessoa pode adoecer após receber uma vacina por diversas razões: infecção natural pelo vírus da dengue, outras doenças concomitantes, condições clínicas prévias, fatores de risco individuais, erro de administração, desvio de qualidade ou simples coincidência temporal. Papel da farmacovigilância é distinguir a coincidência da causalidade Essa distinção é essencial. Existe uma diferença fundamental entre associação temporal e relação causal. Em uma população de meio milhão de pessoas, inevitavelmente haverá indivíduos que adoecerão, serão hospitalizados ou morrerão por diferentes causas nos dias ou semanas seguintes à vacinação. Por isso, o papel da farmacovigilância é justamente distinguir a coincidência da causalidade. A pergunta essencial, portanto, é determinar se há um vínculo causal plausível entre a vacina aplicada e esses casos graves, incluindo os dois óbitos. Responder a essa questão urge realizar investigação epidemiológica, clínica, laboratorial e regulatória. Para tal, uma complexa cadeia de eventos; por exemplo, é preciso analisar lotes da vacina, o intervalo entre a vacinação e os sintomas, exames laboratoriais, sorotipos circulantes, histórico clínico dos pacientes, infecções prévias e outras causas alternativas. Somente depois desse processo será possível decidir se a vacinação deve ser retomada como estava, modificada, restrita a determinados grupos ou mantida temporariamente suspensa. A ciência não trabalha com torcida nem com disputas ideológicas. Ela trabalha com dados, evidências e análise crítica. A farmacovigilância funcionou A população deve ser tranquilizada. O que está acontecendo não é um sinal de fracasso; é um sinal de que a farmacovigilância funcionou. Afinal, uma vacina nova, ao ser incorporada ao Sistema Único de Saúde, continua sendo acompanhada após os estudos clínicos e a autorização regulatória. Ensaios clínicos são indispensáveis, mas não reproduzem integralmente a complexidade da vida real nem detectam todos os eventos raríssimos. A rápida identificação dos casos, a comunicação à Anvisa, o envolvimento do Instituto Butantan e a orientação às equipes indicam uma atuação adequada. Por isso, a suspensão temporária não deve gerar pânico; deve gerar confiança. Toda intervenção em saúde envolve análise de riscos e benefícios. Nenhum medicamento, vacina ou procedimento é absolutamente isento de risco. Por isso, a decisão em saúde pública deve considerar se o benefício esperado supera os riscos conhecidos e se os eventos suspeitos estão sendo monitorados. No caso da dengue, o potencial benefício de uma vacina segura e eficaz é enorme, pois é uma doença capaz de provocar surtos explosivos, sobrecarregar os serviços de saúde, causar hospitalizações e levar à morte. Os dados recentes mostram a dimensão do desafio. Até a semana epidemiológica 21 de 2026, o Brasil registrava 365.073 casos prováveis de dengue e 178 óbitos, com letalidade aproximada de 0,049% entre os casos prováveis. Embora representem queda expressiva em relação a 2024 — quando, no mesmo período, foram contabilizados cerca de 5,8 milhões de casos e mais de 6,3 mil mortes, com letalidade aproximada de 0,11% —, esses números ainda revelam uma carga importante de doença e sofrimento evitáveis. A vacina é uma ferramenta estratégica, mas não é a única Por isso, para o enfrentamento da dengue, todas as demais medidas precisam ser continuadas e ampliadas: controle do Aedes aegypti, eliminação de criadouros, vigilância epidemiológica e entomológica, diagnóstico precoce, hidratação adequada, manejo clínico oportuno, monitoramento dos sorotipos circulantes e educação permanente da população. A vacina é uma ferramenta estratégica, mas não é a única. Quem já recebeu a vacina não deve entrar em pânico. A orientação é observar o estado de saúde nos 21 dias seguintes à aplicação e procurar atendimento médico em caso de febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência intensa, sinais de desidratação ou piora do estado geral. Isso não significa que a vacina seja perigosa; significa que a vigilância está mais sensível. A confiança da população nas vacinas depende de duas atitudes

Fibromialgia em Ouro Preto: secretaria forma equipe e pacientes relatam primeiro atendimento na policlínica

Depois de se mobilizarem, acionarem a Secretaria de Saúde e manifestarem na Câmara Municipal, pacientes com fibromialgia de Ouro Preto relatam ter sido atendidas na policlínica pelo Dr. Felipe, médico da dor. O atendimento marcou o início do funcionamento da equipe multidisciplinar estruturada pela Secretaria de Saúde para tratar a condição pelo SUS municipal. Rosa Padula foi uma das pacientes atendidas. “A gente tava muito angustiada, passando mal e sem uma direção. Mas agora a gente já tem essa esperança, uma luz no fim do túnel”, disse ao Vintém. Segundo ela, o médico recebeu as pacientes com atenção, explicou sobre a doença e se comprometeu a ministrar uma palestra sobre o tema. O próximo passo, segundo Rosa, é o atendimento com a equipe multidisciplinar, previsto para o dia 13. Deizimar, que havia relatado ao Vintém a dificuldade de conseguir avaliação na rede pública — incluindo uma fila de aproximadamente 300 pessoas à sua frente —, agradeceu o que chamou de primeiro passo do secretário de Saúde, Leandro Moreira. “Já teve o primeiro contato, que já foi com o médico da dor pra ele atestar e encaminhar pra ser feito as carteirinhas”, disse. Ela reforçou também a necessidade de acesso às medicações: “A qualidade da vida da gente já cai porque a gente fica bem incapacitada às vezes até de trabalhar. A gente não pode ficar sem remédio.” Em contato com o Vintém, o secretário Leandro Moreira confirmou a estruturação da equipe e o início dos atendimentos. “A gente construiu a equipe multidisciplinar composta pelo médico, reumatologista, com assistente social e psicólogo da policlínica. Já estamos garantindo o direito das pessoas já com diagnóstico de fibromialgia e garantindo acesso também para aquelas que estão em investigação para fechar o diagnóstico”, disse. Segundo Moreira, a equipe também viabiliza a emissão da carteirinha de identificação, documento necessário para que as pacientes acessem os direitos previstos em lei — como atendimento prioritário, vaga de estacionamento reservada e gratuidade no transporte coletivo municipal. O gargalo no acesso à carteirinha havia sido o ponto central do relato de Deizimar na primeira reportagem do Vintém sobre o tema, publicada em maio, por ocasião do Dia Mundial de Conscientização da Fibromialgia.