O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho é celebrado em 28 de abril desde 1996, quando a OIT instituiu a data para homenagear trabalhadores mortos em acidentes e doenças ocupacionais. A data não é aleatória: em 28 de abril de 1969, 78 mineiros morreram numa mina de ouro no estado americano de Utah. O desastre de Bhopal, na Índia, em 1984, e o histórico de tragédias em minas ao redor do mundo consolidaram a necessidade de um dia de reflexão e cobrança.
Para a Região dos Inconfidentes, a data tem ancoragem direta no cotidiano. A semana passada trouxe dois exemplos. Em Acuruí, Itabirito, a Jaguar Mining realizou na quinta-feira, 16 de abril, um simulado de emergência na Barragem Paciência — exercício semestral obrigatório por lei que testou rotas de fuga, pontos de encontro e tempo de resposta das equipes de emergência com cerca de 70 participantes. A barragem está paralisada desde 2012, mas a legislação exige os exercícios independentemente do status operacional da estrutura, justamente porque o risco de dano permanece.
Em Itabirito, na área urbana, o mês de abril também foi marcado pelo acidente que matou a cantora Carolina Beatriz, 21 anos, em 11 de abril, quando um brinquedo do Minas Center Park descarrilou em alta velocidade. O operador do equipamento foi preso, e a perícia apontou condições precárias de segurança. O brinquedo tinha apenas uma barra de apoio manual, sem dispositivos adequados de proteção. O dono do parque também foi preso em flagrante, com prisão convertida para preventiva pela Justiça.
Na mineração — setor que estrutura a economia da região — os dados nacionais são persistentes. Segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, o setor mineral mata três vezes mais que a média dos outros setores. Os desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) inscreveram a região dos Inconfidentes na história como símbolo de negligência com segurança de barragens — e da distância entre as normas no papel e as práticas no campo.
O 28 de abril também é o Dia da Educação no Brasil — o que, neste ano, ganha um sentido irônico: o debate sobre o tipo de educação que Minas quer para seus jovens tomou conta da cerimônia mais formal do estado.