Todo 1º de maio, desde 1991, a Arquidiocese de Mariana realiza a Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras. O evento combina celebração religiosa com mobilização sobre direitos do trabalho e impactos da mineração nas comunidades da região. Em 2026, a iniciativa chega à 35ª edição — e o contexto local não falta em pauta.
A romaria é itinerante. Em 2024, foi realizada na Comunidade de Botafogo, no município de Ouro Preto — uma localidade que enfrenta pressão de cinco empreendimentos minerários que buscam operar na área. Moradores montaram uma instalação com vídeos, fotos e depoimentos sobre os riscos que enfrentam. O evento reuniu cerca de 500 pessoas, entre romeiros das cinco regiões pastorais da Arquidiocese, sacerdotes, ativistas de movimentos populares, sindicatos e representantes de entidades.
A data coincide com a festa de São José Operário — celebração criada em 1955 pelo Papa Pio XII como resposta católica ao Dia do Trabalho, que havia sido apropriado como data emblemática pelo movimento socialista desde o século XIX. Na prática, na Região dos Inconfidentes, as duas tradições coexistem: a celebração litúrgica e a mobilização por direitos.
A pauta da romaria deste ano ainda não foi divulgada, mas o cenário regional oferece material em abundância: o processo de repactuação do Rio Doce ainda está em curso para dezenas de comunidades de Mariana afetadas pelo crime da Samarco; as terras da Novelis em Ouro Preto acaban de ser devolvidas ao município após anos de embate liderado pelo sindicato dos metalúrgicos; e trabalhadores de cooperativas de transporte escolar da região enfrentam atrasos nos repasses da prefeitura.
O 1º de maio de 2026 cai numa sexta-feira, criando um feriado prolongado de três dias — o que costuma reduzir a mobilização presencial, mas tende a ampliar o alcance nas redes sociais.