Cia Lamparina relança seis curtas natalinos em exibição gratuita no site e no YouTube

Minas Gerais, 2025 – Seis histórias de Natal produzidas em plena pandemia de 2020 voltam a emocionar o público em exibição on-line e gratuita. A Cia Lamparina – por meio do projeto Lamparina Audiovisual, contemplado pelo edital 11 do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais (FEC 11/2024 – Circula Minas – Audiovisual) – relança seu pacote de curtas natalinos no site oficial e no canal da companhia no YouTube, como ação de contrapartida pública. Originalmente realizados por demanda da Vale S.A./Trem da Vale, os curtas foram produzidos em um dos momentos mais delicados da recente história mundial e, por isso, carregam tanto o registro sensível da pandemia quanto temas universais ligados ao Natal, à família e às memórias afetivas. Dois dos filmes dialogam diretamente com o contexto da Covid-19: “O Causo do Papai Noel na Pandemia” acompanha, com humor e delicadeza, os desafios de manter a magia do bom velhinho em meio ao distanciamento social. “Fantasmas de Natal do Trem” toma o trem como cenário para tratar de ausências, medos e esperanças, evocando as marcas que o período pandêmico deixou nas relações humanas. Os outros quatro curtas apostam em histórias atemporais, que podem ser revisitadas a cada fim de ano: “Culinária” celebra as comidas, as amizades e os encontros familiares que fazem da ceia um ritual de afeto. “O Frango” narra, em tom bem-humorado, as desventuras de um casal que queima o frango da ceia e precisa lidar com o desastre gastronômico às vésperas da festa. “A Folia de Dê” é uma alegoria inspirada no Dia de Reis, conectando tradição, fé popular e brincadeira. “Trem de Minas” acompanha a imaginação de uma criança fascinada por um trem, em diálogo com a avó sobre a passagem do tempo e da vida, numa espécie de conto-poema sobre memória e despedida. O relançamento dos curtas reforça a vocação da Cia Lamparina para unir teatro, audiovisual e cultura popular, democratizando o acesso às artes por meio de conteúdos gratuitos e disponíveis on-line. As obras são indicadas para toda a família e podem ser assistidas de qualquer lugar do Brasil, bastando acessar o site e o canal da Cia Lamparina no YouTube durante o período natalino. ServiçoO quê: Relançamento on-line de seis curtas natalinos da Cia LamparinaFilmes: “O Causo do Papai Noel na Pandemia”, “Fantasmas de Natal do Trem”, “Culinária”, “O Frango”, “A Folia de Dê” e “Trem de Minas”Onde assistir: Site oficial (cialamparina.com.br/curtas-de-natal) e canal da Cia Lamparina no YouTube (@teatrodebonecos)Quanto: GratuitoRealização (2020): Vale S.A. / Trem da ValeRelançamento (2025): Contrapartida do projeto Lamparina Audiovisual – contemplado pelo edital 11 do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais (FEC 11/2024 – Circula Minas – Audiovisual)
O poder da nostalgia: assistir novamente nossas séries favoritas faz bem à saúde
Janet Julie Vanatko/Shutterstock Anjum Naweed, CQUniversity Australia Com que frequência você se pega apertando o “play” em uma velha série favorita, revivendo os mesmos episódios de TV que já viu antes – ou que até sabe de cor? Sou um espectador crônico de programas que já assisti. Para mim, episódios de sitcoms como Blackadder (1983-1989), Brooklyn Nine-Nine (2013-2021) e The Office (2005-2013) são muito bem-vindos em momentos de estresse. Mas, recentemente, antes de um prazo excepcionalmente desafiador, me vi mudando meu modo de assistir. Em vez de uma comédia escapista para a qual normalmente volto, mudei para Breaking Bad (2008-2013), um thriller de roer as unhas com uma complexa narrativa de herói invertido – e imediatamente me senti à vontade. O que nossas escolhas de reassistir nos dizem sobre nós mesmos? É normal que continuemos voltando aos velhos favoritos? Histórias fictícias, relacionamentos reais Embora unilaterais, os relacionamentos que formamos com os personagens de nossos programas de TV preferidos podem parecer muito reais. Eles podem aumentar o senso de pertencimento, reduzir a solidão – e continuar nos atraindo. Quando assistimos novamente, sentimos tristeza, alegria e saudade, tudo ao mesmo tempo. Chamamos a soma dessas contradições de nostalgia. Originalmente cunhada no século XVII para descrever soldados suíços prejudicados pela saudade de casa, os psicólogos agora entendem a reflexão nostálgica como um escudo contra a ansiedade e a ameaça, promovendo uma sensação de bem-estar. Todos nós confiamos na ficção para nos transportar de nossas próprias vidas e realidades. A visualização nostálgica amplia a experiência, levando-nos a algum lugar que já conhecemos e amamos. Nostalgia compulsiva A pandemia da COVID-19 desencadeou uma onda de nostalgia. Nos Estados Unidos, a agência Nielsen descobriu que o programa mais transmitido de 2020 foi a versão americana da série The Office, sete anos após o término de sua exibição na televisão. Uma pesquisa da Radio Times revelou que 64% dos entrevistados disseram ter assistido novamente a um seriado de TV durante o confinamento, sendo que 43% assistiram a programas nostálgicos. De repente, fomos jogados em uma situação desconhecida e em um estado perpétuo de inquietação. Tínhamos mais tempo disponível, mas também queríamos nos sentir seguros. A sintonia com o conteúdo familiar na televisão oferecia uma fuga – um santuário das realidades do futuro desconhecido. Revisitar as conexões com os personagens da TV nos dava uma sensação de controle. Sabíamos o que estava por vir em seus futuros. A calma e a previsibilidade de seus arcos equilibravam a incerteza dos nossos. Nostalgia como ponto de enredo A nostalgia está no DNA da televisão desde que as primeiras decisões sobre programação foram tomadas. Todo mês de dezembro, as emissoras se esforçam para exibir uma das muitas versões de “A Christmas Carol” (Um Conto de Natal), a história de fantasmas de Charles Dickens (1812-1870), muito recontada e familiar, que também apresenta a nostalgia como um dispositivo do enredo. Exibida pela primeira vez na TV ao vivo na cidade de Nova York em 1944, com a tecnologia ainda nova, a transmissão deu continuidade a uma tradição de 100 anos em que o clássico aparecia nos palcos e nas telas de cinema. Assistir a “A Christmas Carol” nos conecta ao período de festas e a uma metamorfose emocionante. O protagonista Ebeneezer Scrooge revisita versões há muito perdidas de si mesmo e passa de vilão a herói e a nosso velho amigo em uma única noite. Para os espectadores, reencontrar esse personagem na mesma época, todos os anos, também pode reconectar com o passado e criar um padrão previsível, mesmo no frenesi da temporada de bobagens. (Re)conexão no mundo real A neurociência das experiências nostálgicas é clara. A nostalgia surge quando os dados sensoriais atuais – como o que você assiste na TV – correspondem a emoções e experiências passadas. Isso desencadeia uma liberação de dopamina, um neurotransmissor do sistema de recompensa envolvido na emoção e motivação. O encontro com a lembrança é como carregar automaticamente e tocar em experiências positivas passadas, elevando o desejo e regulando o humor. Portanto, a saudade se baseia em experiências codificadas na memória. Os programas de TV que escolhemos assistir novamente refletem nossos valores, nossos gostos e as fases da vida pelas quais passamos. Talvez esse seja o motivo pelo qual as reinicializações de nossos filmes ou série favoritos, às vezes, não dão certo e acabam nos deixando decepcionados. Ainda me lembro da desilusão esmagadora que senti ao assistir a série Knight Rider (2008-2009). Imediatamente recorri à mídia social para encontrar uma comunidade em torno do meu revés nostálgico Mais forte com o estresse Voltando ao meu prazo desafiador, o que diferenciava a experiência nostálgica de assistir a Breaking Bad? Essa série evoca uma fase específica da minha vida. Assisti às três primeiras temporadas quando estava escrevendo minha tese de doutorado. A jornada de ascensão e queda de Walter White em direção à redenção está conectada a um período difícil pelo qual passei. A previsibilidade do arco de Walter White na segunda exibição foi um refúgio improvável. O drama crescente de alto risco espelhou meu estresse crescente, ao mesmo tempo em que me conectou com quem eu era quando assisti essa produção pela primeira vez. O resultado? O “modo pavor” foi desativado, mesmo quando meus anti-heróis marcharam novamente para seu terrível enredo. Anjum Naweed, Professor of Human Factors, CQUniversity Australia This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
O que e como comiam os habitantes de Belém na época em que Jesus nasceu?
“Adoração dos pastores” (aprox. 1650), de Bartolomé Esteban Murillo: dieta era baseada em pães, azeite, laticínios e vinho, eventualmente complementada com carnes e peixes, e sempre respeitando as leis alimentares judaicas. Museo del Prado, CC BY José Miguel Soriano del Castillo, Universitat de València O nascimento de Jesus é narrado principalmente nos Evangelhos de Mateus e Lucas do Novo Testamento, cada um com um enfoque diferente. Ele também aparece em textos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho do Pseudo-Mateus, e no Alcorão, que menciona o milagre do nascimento de Jesus (Isa) como filho da Virgem Maria (Maryam), reconhecido como profeta. Mas nenhum desses textos menciona o que Maria e José comeram naquela noite, ou o que a população local colocou em seus pratos. Estudos arqueológicos e tradições mediterrâneas podem nos permitir descobrir. Belém era um pequeno povoado da Judeia a cerca de nove quilômetros de Jerusalém, cuja vida girava em torno da agricultura, da criação de animais e das tradições religiosas judaicas. Ficava em uma região montanhosa com clima mediterrâneo, um ambiente natural que determinava tanto as atividades econômicas quanto as práticas culinárias de seus habitantes, que dependiam dos recursos locais para sua subsistência. Sua dieta, portanto, refletia as práticas comuns da região mediterrânea sob o domínio romano, mas também era profundamente influenciada pelas leis alimentares judaicas (kashrut). Essas regulamentações determinavam quais alimentos poderiam ser consumidos e como deveriam ser preparados, consolidando uma dieta simples, mas nutritiva. A dieta mediterrânea de 2 mil anos atrás No século I, a agricultura era a espinha dorsal da economia e da subsistência no vilarejo de Belém. A terra onde ela estava localizada oferecia condições ideais para o cultivo de cereais, azeitonas e vinhedos. Esses produtos eram essenciais não apenas para a dieta diária, mas também para o comércio e os rituais religiosos. Os cereais, como o trigo e a cevada, eram as culturas mais comuns e eram usados principalmente para fazer pão, o alimento básico da população. O pão de cevada, que era mais barato e acessível, era consumido pelas famílias pobres, enquanto o pão de trigo, mais caro, era reservado para ocasiões especiais ou para os habitantes mais abastados. Outro pilar da agricultura de Belém era o azeite de oliva, que era obtido pela prensagem manual do fruto da oliveira. Era um produto indispensável na cozinha, não apenas como gordura para cozinhar, mas também como tempero e conservante. Também tinha uso significativo em cerimônias religiosas e na iluminação de casas. Os vinhedos também ocupavam um lugar de destaque na economia local. As uvas eram consumidas frescas ou usadas para fazer vinho, que era uma bebida cotidiana, mesmo para os mais pobres, e também desempenhava um papel importante em celebrações e rituais. Todas essas colheitas não apenas garantiam a subsistência, mas também permitiam que as famílias contribuíssem com tributos para as autoridades romanas e cumprissem as regras religiosas. Ovelhas e cabras, animais essenciais A criação de animais complementava a agricultura como uma atividade crucial para os habitantes de Belém. A criação de ovelhas e cabras era especialmente importante, pois esses animais forneciam carne, leite e lã, atendendo às necessidades de alimentação e vestuário. Eles provinham do gado local ou do comércio inter-regional significativo, como o que ocorria no deserto da Judeia ou no Mar da Galileia. Em um ambiente em que a carne era um luxo reservado para festividades religiosas ou eventos importantes, os produtos lácteos, como queijo e iogurte, faziam parte do cardápio diário dos habitantes de Belém. Esses alimentos eram ricos em nutrientes, fáceis de conservar e frequentemente comercializados ou vendidos em mercados próximos. Além disso, cabras e ovelhas eram essenciais para os rituais de acordo com a lei religiosa judaica. Durante festivais como a Páscoa, os cordeiros eram abatidos e consumidos em família ou em comunidade, fortalecendo os laços sociais e religiosos. Por fim, o esterco desses animais era usado como fertilizante natural em campos agrícolas, fechando um ciclo sustentável entre a agricultura e a pecuária. Em menor escala, as aves domésticas, como pombos e galinhas, eram criadas para consumo de carne e ovos, embora sua produção fosse limitada em comparação com os rebanhos. Peixes salgados Embora a pesca não fosse uma atividade local em Belém devido à sua localização geográfica no interior da Judeia, os peixes – especialmente arenque, sardinha ou cavala – eram trazidos salgados de regiões costeiras como o Mar Mediterrâneo ou o Mar da Galileia. Essa preservação em sal facilitava o transporte e o armazenamento, permitindo que os peixes fossem consumidos mesmo em áreas distantes dos centros de pesca. Apreciado por seu sabor e valor nutricional, os peixes eram, no entanto, uma adição ocasional à dieta dos habitantes. Eles ofereciam uma opção acessível para aqueles que podiam pagar, mas não eram um alimento básico como os produtos agrícolas e os laticínios. A dieta de Belém era, portanto, baseada em um sistema de subsistência simples e autossuficiente de uma comunidade profundamente ligada ao seu ambiente e à tradição religiosa. José Miguel Soriano del Castillo, Catedrático de Nutrición y Bromatología del Departamento de Medicina Preventiva y Salud Pública, Universitat de València This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Tela em espera: o Cine Vila Rica, fechado desde 2016, e as promessas (e revisões) para reabrir o cinema de Ouro Preto

Convênio de R$ 16,5 milhões avança em etapas; UFOP adia entrega dos projetos para junho de 2026 e estima 30 meses de obra
Prefeitura emite alvará para construção do Residencial Maria Soares, com 90 moradias em Saramenha

A Prefeitura de Ouro Preto emitiu o Alvará de Construção nº 214/2025, autorizando a obra do Residencial Maria Soares, empreendimento de habitação de interesse social previsto para a Rua Lúcio dos Santos, s/nº, distrito de Saramenha. O projeto reúne 90 unidades residenciais, além de quatro unidades não residenciais, e está aprovado para execução em três pavimentos. De acordo com a ata do Conselho Municipal de Política Urbana (COMPURB), o conjunto habitacional será composto por seis blocos, totalizando as 90 moradias, e prevê quatro unidades não residenciais destinadas a funções comunitárias e de apoio social. O projeto também inclui bicicletário, note-se a previsão de oficinas multiuso, além de estacionamento para automóveis e motocicletas e áreas ajardinadas de uso comum voltadas à convivência e lazer. A aprovação do EIV veio acompanhada de exigências formais. O COMPURB condicionou o empreendimento à execução de requalificação das ruas Lúcio dos Santos e Maria Soares, além da solicitação de ampliação da linha de transporte coletivo, com acompanhamento do órgão municipal competente. A deliberação também determina note-se o cumprimento de todas as medidas indicadas no próprio EIV e no parecer técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação. Durante as discussões, foi levantado ainda a necessidade de análise de viabilidade de tratamento de esgoto, ponto que deve ser detalhado nos trâmites técnicos do empreendimento e na execução das medidas de impacto. Próximos passos Com o alvará emitido, a obra passa a ter respaldo formal para avançar dentro dos parâmetros aprovados. Ainda assim, temas como cronograma de execução, fonte de financiamento, responsável pela obra e critérios de seleção das famílias — especialmente em diálogo com demandas por reassentamento e aluguel social — ainda devem ser divulgados pela Prefeitura.
O que faz um Papai Noel “de verdade” vem de dentro
Integrantes da Fraternal Order of Real Bearded Santas (Ordem Fraterna dos Papais Noéis de Barba Real) se reúnem no restaurante Pink’s, no parque Knott’s Berry Farm, antes da correria de fim de ano, em 2009. Business Wire via AP Christina Hymer, University of Tennessee Quando você pensa em Papai Noel, provavelmente vem à mente um homem branco, barbudo, gordinho e bem-humorado que percorre o mundo distribuindo presentes às crianças no período do Natal. Ainda assim, nem todo mundo que veste o terno vermelho se encaixa nesse estereótipo. Foi o que Bethany Cockburn, Borbala Csillag e eu descobrimos ao estudar Papais Noéis profissionais. Nosso objetivo foi entender como esses profissionais conseguem “ser” o Papai Noel, mesmo quando não correspondem integralmente à imagem tradicional. Como explicamos em um artigo a ser publicado na Academy of Management Journal, muita gente que faz esse trabalho não o vê como “apenas um emprego” — é um chamado. Para alguns, parecer e se sentir como Papai Noel é especialmente importante para experimentar um sentido de propósito no trabalho. Aplicamos questionários a 849 Papais Noéis profissionais de diferentes regiões dos Estados Unidos e entrevistamos 53 deles, coletando dados entre 2018 e 2021. Identificamos três perfis principais: prototípicos (64%), semiprototípicos (23%) e não prototípicos (13%). Papais Noéis prototípicos “têm o perfil”: são brancos e acima do peso, usam barba natural e demonstram confiança de que se encaixam no papel. Os semiprototípicos também “têm o visual”, mas sentem que não são totalmente adequados por diferentes razões. Podem ser introvertidos ou usar barba postiça, por exemplo. Os não prototípicos apresentam características que destoam do estereótipo: podem não ser brancos, ser mulheres ou homens gays, ou ter alguma deficiência física. Muitos Papais Noéis, remunerados ou voluntários, enxergam a atuação como um chamado. Foto de Gwyn Sussman Enquanto os prototípicos “escorregam” facilmente para o papel, para os demais o processo é mais complexo. Os semiprototípicos, por exemplo, criam histórias para contar a si mesmos — e às crianças — a fim de “explicar” a barba postiça. Já os não prototípicos compartilham valores alinhados à imagem do Papai Noel — ser pacífico, amoroso e gentil —, mas ainda assim fazem um grande esforço para parecer o que o público espera ao encontrar um Papai Noel. “Deveria fazer diferença se você é um Papai Noel judeu ou católico?”, questionou um Papai Noel ateu que chamamos de “Santa Aquila”. “Não. Você é o Papai Noel. O que você faz? Você nem deveria pregar nada.” Outra Papai Noel, a quem chamamos de “Santa Lynx”, ocultava o fato de ser mulher, em parte usando faixas para achatar o tórax. Por que isso importa Embora qualquer pessoa possa vestir a roupa vermelha no amigo secreto do bairro, o Papai Noel que você encontra no shopping provavelmente passou por alguma combinação de “escolas de Papai Noel”, webinars e treinamentos. Por exemplo, a Charles W. Howard Santa Claus School foi fundada em 1937 e realiza anualmente um curso de formação. Existem também redes nacionais, como a Fraternal Order of Real Bearded Santas, que afirma ter 1.000 membros, e a IBRBS, antes conhecida como International Brotherhood of Real Bearded Santas, que promove encontros e apoio profissional. O ator B.J. Averell, vestido de Papai Noel, participa de campanha de arrecadação de brinquedos para famílias em dificuldade na área da baía de São Francisco, em Burlingame (Califórnia), em dezembro de 2024. Tayfun Coskun/Anadolu via Getty Images Há também organizações locais, como a rede Lone Star Santas, no Texas. Embora a maioria dos Papais Noéis profissionais receba pagamento, muitos atuam de forma voluntária. Não é incomum existirem expectativas sobre quem “deveria” ocupar determinadas profissões. Pilotos tendem a ser homens, a maioria dos professores da educação básica é mulher e vendedores costumam ser vistos como extrovertidos. Mas isso não significa que mulheres não possam pilotar aviões, que homens não possam lecionar ou que introvertidos não possam trabalhar com vendas. O que vem a seguir Agora, estou investigando como ambientes institucionais mais amplos, eventos atuais e movimentos sociais moldam a forma como as pessoas vivenciam seus chamados e encontram significado no trabalho. O Research Brief é um formato curto que destaca pesquisas acadêmicas interessantes. Christina Hymer, Assistant Professor of Management and Entrepreneurship, University of Tennessee Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
Meninas e meninos resolvem problemas matemáticos de maneira diferente, com impactos diversos no longo prazo
Professores de matemática precisam se adaptar às diferentes abordagens dos alunos do ensino médio para a resolução de problemas
São Cristóvão lança seu samba 2026: comunidade em festa para cantar “Eu sou a Revolução”

Evento aberto neste domingo, 14h–19h, na quadra do bairro São Cristóvão; Inconfidência Mineira é escola convidada A Acadêmicos de São Cristóvão abre alas para 2026 com um gesto simples e poderoso: colocar o povo para cantar junto. Neste domingo, a escola realiza o lançamento oficial do samba-enredo 2026, em um encontro que movimenta a quadra do bairro e reafirma a vocação da agremiação de fazer do samba uma casa de memória, afeto e luta. O tema, “Eu sou a Revolução”, costura a ancestralidade negra às montanhas das Minas setecentistas e reposiciona a narrativa da cidade a partir de quem a fez com as próprias mãos. A letra (divulgada nas redes da escola) convoca esperança, perseverança e justiça — um canto de pertencimento que promete embalar a Praça Tiradentes no próximo Carnaval. Fundada em 1980, de verde e rosa e símbolo do cisne branco, a São Cristóvão leva no estandarte a história do bairro e de suas famílias. Entre vitórias e carnavais marcantes, a escola consolidou um estilo que junta pesquisa, poesia e chão de quadra — o segredo de um canto que vem de longe e chega inteiro ao desfile. O lançamento Das 14h às 19h, o público acompanha a Bateria Pulsação e os demais segmentos da escola na apresentação do novo hino. A Inconfidência Mineira (ESIM) participa como convidada, reforçando a liga entre as agremiações ouro-pretanas. Segundo a diretoria, a proposta é simples: integração da comunidade, celebração da tradição e um espaço de convivência onde a cultura popular é a protagonista. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Acadêmicos de São Cristóvão (@esasccristovao) O lançamento do samba é mais que um rito de calendário: é quando a comunidade aprende a canção que irá contar a cidade na avenida. É também quando se costuram alas, fantasias e histórias — e quando a São Cristóvão, do alto da sua tradição, reafirma que Carnaval é obra coletiva.
Ouro Preto ganha Parque Tecnológico Henri Gorceix sem custos para o cofre público municipal

Fundação Gorceix adquiriu terreno na Fazenda da Jacuba para criar hub de inovação em parceria com IFMG, UFOP e Incultec; projeto prevê atração de empresas, geração de empregos e diversificação da economia Ouro Preto deu mais um passo rumo à diversificação econômica com o lançamento da pedra fundamental do Parque Tecnológico Henri Gorceix. O empreendimento, viabilizado pela Fundação Gorceix em parceria com a Prefeitura Municipal, promete transformar a cidade em polo de inovação tecnológica sem exigir investimentos públicos municipais. O terreno na Fazenda da Jacuba foi adquirido pela própria fundação. “Um dia muito importante para Ouro Preto, estamos aqui junto com a Fundação Gorceix colocando a pedra fundamental do Parque Tecnológico, que vai ser aqui na nossa cidade de Ouro Preto”, anunciou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Guerra. “Não há investimento público nenhum aqui. É todo recurso provindo da Fundação Gorceix, que acreditou em uma proposta colocada no nosso plano municipal de desenvolvimento econômico e de inovação em tecnologia.” Ecossistema de inovação já em funcionamento O parque tecnológico é parte de uma estratégia maior de desenvolvimento econômico que já está em andamento. “Nós criamos um hub de inovação que hoje funciona no IFMG, junto com a UFOP, trouxemos a Incultec para a cidade de Ouro Preto e não só, mas dentro da universidade”, detalhou o secretário. “E agora, uma conquista gigante, não só para Ouro Preto, mas para toda Minas Gerais: o Parque Tecnológico de Ouro Preto.” A Incultec (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares) atua desde 2006 na incubação de empresas de base tecnológica da UFOP. Com o parque, esse ecossistema ganha nova estrutura física e possibilidades de expansão. Fundação Gorceix assume protagonismo na inovação A Fundação Gorceix, que há mais de meio século atua no apoio a projetos científicos, educacionais e de assistência social, assume agora papel de destaque na área de inovação tecnológica. “Aqui, a Fundação Gorceix tem compromissos históricos, sociais, econômicos, educacionais”, destacou Felipe Guerra. “Hoje, a Fundação Gorceix começa junto com a Prefeitura Municipal de Ouro Preto a olhar também para o futuro e se colocar no futuro.” A fundação leva o nome de Henri Gorceix, geólogo francês que fundou em 1876 a Escola de Minas de Ouro Preto, eixo histórico de ciência e tecnologia em Minas Gerais. A escolha do nome do parque resgata esse legado de inovação científica. Expectativas de geração de emprego e renda O secretário projeta impactos significativos na economia local: “O parque tecnológico vai trazer várias empresas para essa localização. Então será gerado muito emprego, muita renda, muita inovação, muita solução, muita patente. Um grande negócio para Ouro Preto.” A expectativa é que o parque funcione como polo de atração empresarial, aproximando pesquisa, empresas e governo. A presença do IFMG, UFOP e Incultec cria um corredor natural para pesquisa e desenvolvimento, estágios, spin-offs e transferência de tecnologia. Parte de plano maior de desenvolvimento O Parque Tecnológico integra o sistema de inovação criado pela gestão do prefeito Angelo Oswaldo. “Ouro Preto hoje marca história novamente, pensando no futuro, pensando em soluções para o presente, mas também sempre com olhar na nossa diversificação econômica”, afirmou Felipe Guerra. O secretário destacou outros avanços recentes: “Batemos recorde em número de novos empregos, em atração de novas empresas. Somos selo ouro em Minas Gerais com a Sala Mineira do Empreendedor. O nosso Sine está entre os cinco melhores de Minas Gerais.” A Sala Mineira do Empreendedor de Ouro Preto recebeu, em 11 de dezembro de 2025, o Selo Ouro de Referência em Atendimento do Sebrae, reconhecimento que reforça os esforços municipais no ambiente de negócios. “Um trabalho gigantesco feito pelo prefeito Angelo Oswaldo e pela vice-prefeita Regina Braga, com todo esse desenvolvimento econômico, acreditando em boas políticas públicas para trazer soluções para todo Ouro Preto”, concluiu o secretário. Diversificação além da mineração Se consolidado conforme o planejado, o parque pode representar importante passo na diversificação econômica de Ouro Preto, cidade historicamente dependente da mineração e do setor público. A aposta em tecnologia, inovação e empreendedorismo busca criar novas frentes de geração de emprego e renda. A articulação entre instituições de ensino, empresas privadas, fundações e poder público segue modelo de parques tecnológicos já consolidados em outras regiões do país, onde a proximidade com universidades e centros de pesquisa acelera a transferência de conhecimento para o setor produtivo. O projeto deverá passar por licenciamento ambiental e demais procedimentos urbanísticos conforme a legislação municipal e estadual. Informações sobre cronograma de obras e início das operações devem ser divulgadas nas próximas etapas do empreendimento.
ECA Digital: ‘Temos até março de 2026 para garantir uma internet que acolha e não explore nossas crianças’

Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) Quem cria uma conta em rede social logo clica em um botão que diz “eu confirmo ter mais de 13 anos de idade”. Isso é o que está nos termos de uso da maioria das plataformas. Mas a realidade é outra: crianças estão nessas redes, e não são poucas. Segundo a pesquisa TIC Kids Online, 83% dos brasileiros com acesso à internet entre 9 e 17 anos têm perfil em ao menos uma plataforma, e entre 9 e 10 anos, 60% já participam ativamente desses ambientes. Isso significa que boa parte da infância brasileira convive em espaços digitais que priorizam o engajamento, não o bem-estar. É nesse contexto que o ECA Digital (Lei 15.211/2025), sancionado em 17 de setembro de 2025 a partir do PL 2628/2022, inaugura um novo capítulo da proteção integral. A lei reconhece o ambiente digital como parte da vida cotidiana de crianças e adolescentes e determina que, até março de 2026, o Brasil deve adequar mecanismos de verificação etária, privacidade e segurança. Diante da contagem regressiva e da centralidade do tema, o debate sobre o ECA Digital exige mais do que soluções meramente técnicas: precisa de articulação entre academia, sociedade civil, especialistas e poder público. O desafio não é apenas implementar sistemas de verificação etária, mas definir que tipo de sociedade queremos construir no processo. Afinal, não estamos diante de um problema apenas de código, e sim de um dilema ético e democrático: como proteger sem vigiar? Como garantir direitos sem criar novos riscos? O modelo de autodeclaração falhou Durante anos, as plataformas pediram que os próprios usuários informassem sua idade. Esse sistema de autodeclaração foi apresentado como equilibrado e leve, mas nunca foi eficaz. No levantamento oficial da eSafety australiana, com oito serviços digitais, constatou-se que 80% das crianças de 8 a 12 anos utilizaram redes sociais em 2024, mesmo com a idade mínima geralmente fixada em 13 anos. Apenas 10% das que tinham conta relataram ter tido o perfil derrubado por idade entre janeiro e setembro de 2024, revelando a baixa efetividade dos mecanismos de controle atualmente aplicados. No Reino Unido, estudos que embasaram a lei do Online Safety Act mostraram que a maioria das crianças ignora essas restrições e navega livremente. A própria Ofcom, autoridade britânica, concluiu que autodeclarar idade não é verificação, mas ficção regulatória. Como apresentado inicialmente, o cenário é muito similar no Brasil. O acesso precoce às redes expõe meninas e meninos a publicidade direcionada, desinformação e conteúdos inadequados. As plataformas, por sua vez, seguem se apoiando em critérios opacos de detecção de idade, baseados em linguagem ou comportamento, sem transparência ou controle público. A consequência é uma infância hiperexposta e desassistida. É nesse contexto que o ECA Digital apresenta, dentre outros elementos, a exigência de métodos “altamente efetivos” para verificação etária no ambiente digital. Ele reconhece que a proteção da infância online deve ser política pública e não promessa privada. É o fim da ideia de que a tecnologia pode se autorregular sozinha. Verificar idade não é vigiar identidade Um ponto central do debate é distinguir a verificação etária de verificação de identidade. A primeira busca apenas saber se a pessoa é criança, adolescente ou adulta. A segunda revela quem ela é, com potencial de vigilância e exclusão. Quando o Estado ou as plataformas confundem essas duas coisas, abrem caminho para modelos perigosos de coleta de dados, como reconhecimento facial, CPF obrigatório ou exigência de documentos em cada site acessado. Além do modelo de autodeclaração que já se provou falho, também temos experiências internacionais que mostram os riscos de apostar em soluções simplistas ou desproporcionais. Um exemplo é o uso de cartão de crédito como “prova de maioridade”, prática que falha especialmente no contexto do Brasil, uma vez que cerca de 60% dos brasileiros de baixa renda não possuem cartão de crédito, o que tornaria o acesso à internet desigual e discriminatório. Sem contar que uma criança poderia pegar o cartão de crédito dos pais e utilizar secretamente para acessar sites inadequados. Além disso, esse método abre brechas para fraudes, phishing e coleta desnecessária de dados financeiros, transferindo o problema da proteção infantil para o setor bancário. Outro equívoco seria exigir o upload de documentos de identidade em cada site acessado. Tal prática cria bases privadas de dados biográficos, suscetíveis a vazamentos e a usos indevidos, além de excluir milhões de jovens sem documentação formal. O próprio conceito de “provar ser adulto” só faz sentido em serviços 18+, e não como regra geral da internet. Também se mostram problemáticas as propostas que recorrem à biometria facial, seja para identificar a pessoa, seja para estimar sua idade. A coleta de dados biométricos é altamente sensível, podendo gerar exclusões e vieses, especialmente contra pessoas com deficiência, tons de pele diversos ou expressões atípicas. Mesmo a estimação facial de idade, quando não vinculada à identidade, apresenta margens de erro significativas nos limiares de 12/13 e 17/18 anos, justamente as faixas mais críticas, e pode ser facilmente burlada por imagens geradas por inteligência artificial. Outros métodos que parecem inovadores também apresentam limitações graves. A verificação comportamental, baseada em padrões de escrita, horários de acesso e redes de contato, é intrusiva por definição, pois depende do monitoramento extensivo das atividades do usuário. Já os testes de capacidade ou “maturidade” confundem idade com escolaridade, podendo excluir crianças com deficiência ou contexto educacional precário, ao mesmo tempo em que podem ser facilmente vencidos por quem for treinado. Além disso, propostas como atrelar a verificação ao chip do celular ignoram a realidade brasileira de compartilhamento familiar de aparelhos, onde crianças muitas vezes usam o telefone dos pais, o qual poderia já estar desbloqueado para acesso de conteúdos inadequados. Esses exemplos reforçam que o desafio não é escolher uma ferramenta milagrosa, mas construir um modelo plural, proporcional ao risco e centrado na privacidade da criança, não na conveniência das plataformas. É nesse sentido que outros países oferecem caminhos melhores. A França e a União Europeia como um todo apostam na ideia