Mundo entrou em estado de “falência hídrica”, alertam pesquisadores da ONU

Kaveh Madani, United Nations University O mundo está usando tanta água doce em meio às consequências das mudanças climáticas que entrou em uma era de “falência hídrica”, com muitas regiões incapazes de se recuperar da frequente falta de água. Cerca de 4 bilhões de pessoas — quase metade da população global — vivem sob escassez severa de água por pelo menos um mês por ano, sem acesso a água suficiente para atender a todas as suas necessidades. Muitas outras pessoas estão vendo as consequências do déficit hídrico: reservatórios secos, cidades afundando, quebras de safra, racionamento de água e incêndios florestais e tempestades de areia e poeira mais frequentes. Os sinais de falência hídrica estão por toda parte, desde Teerã, onde as secas e o uso insustentável da água esgotaram os reservatórios dos quais a capital iraniana depende, alimentando as tensões políticas, até os EUA, onde a demanda por água ultrapassou a oferta do Rio Colorado, uma fonte crucial de água potável e irrigação para sete estados americanos. As secas tornaram mais difícil encontrar água para o gado e levaram à desnutrição generalizada em partes da Etiópia nos últimos anos. Em 2022, o Unicef estimou que cerca de 600.000 crianças precisariam de tratamento para desnutrição grave. Demissew Bizuwerk/UNICEF Etiópia, CC BY A falência hídrica não é apenas uma metáfora para o déficit hídrico. É uma condição crônica que se desenvolve quando um local usa mais água do que a natureza pode reabastecer de forma confiável e quando os danos aos ativos naturais que armazenam e filtram essa água, como aquíferos e zonas úmidas, se tornam difíceis de reverter. Um novo estudo que conduzi com o Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde conclui que o mundo já ultrapassou o ponto das crises hídricas temporárias. Muitos sistemas hídricos não são mais capazes de retornar às suas condições naturais históricas. Esses sistemas estão em estado de fracasso – falência hídrica. Kaveh Madani, diretor do Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde, explica o conceito de “falência hídrica”. TVRI World. Como é a falência hídrica na vida real Na falência financeira, os primeiros sinais de alerta muitas vezes parecem administráveis: atrasos nos pagamentos, empréstimos e venda de bens que você esperava manter. Então, a espiral se fecha. A falência hídrica tem etapas semelhantes. No início, extraímos um pouco mais de água subterrânea durante os anos de seca. Usamos bombas maiores e poços mais profundos. Transferimos água de uma bacia para outra. Drenamos pântanos e endireitamos rios para abrir espaço para fazendas e cidades. Então, os custos ocultos aparecem. Os lagos encolhem ano após ano. Os poços precisam ser cada vez mais profundos. Rios que antes corriam o ano todo tornam-se sazonais. Água salgada invade os aquíferos. Como o Mar de Aral encolheu de 2000 a 2011. O lago de água doce já foi mais oval, cobrindo as áreas claras ainda na década de 1980, mas o uso excessivo de sua água para a agricultura por vários países o fez encolher. NASA Este último efeito, a subsidência, costuma surpreender as pessoas. Mas é um sinal característico da escassez de água. Quando as águas subterrâneas são bombeadas e usadas em excesso, a estrutura subterrânea, que retém esta água quase como uma esponja, pode entrar em colapso. Na Cidade do México, o solo está afundando cerca de 25 centímetros por ano. Uma vez que os poros ficam compactados, eles não podem ser simplesmente preenchidos novamente. O relatório Global Water Bankruptcy, publicado em 20 de janeiro de 2026, documenta como isso está se tornando comum. A extração de água subterrânea contribuiu para um afundamento significativo do solo em mais de 6 milhões de quilômetros quadrados em todo mundo, incluindo áreas urbanas onde vivem cerca de 2 bilhões de pessoas. Jacarta, Bangkok e Ho Chi Minh estão entre os exemplos mais conhecidos na Ásia. Um buraco no coração agrícola da Turquia mostra como a paisagem pode desmoronar quando se extrai mais água subterrânea do que a natureza consegue repor. Ekrem07, 2023, Wikimedia Commons, CC BY A agricultura é a maior consumidora de água do mundo, responsável por cerca de 70% do uso global de água doce . Quando uma região fica sem água, a agricultura se torna mais difícil e mais cara. Agricultores perdem seus empregos, tensões aumentam e a segurança nacional pode ser ameaçada. Cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção global de alimentos estão concentradas em áreas onde a capacidade de armazenamento de água já está diminuindo ou é instável. Mais de 1,7 milhão de quilômetros quadrados de terras agrícolas irrigadas estão sob estresse hídrico alto ou muito alto. Isso ameaça a estabilidade do abastecimento alimentar em todo o mundo. Na Califórnia, uma seca severa e a escassez de água forçaram alguns agricultores em 2021 a remover culturas que exigem muita irrigação, incluindo amendoeiras. Robyn Beck/AFP via Getty Images As secas estão também aumentando em duração, frequência e intensidade à medida que as temperaturas globais se elevam. Mais de 1,8 bilhão de pessoas — quase 1 em cada 4 seres humanos — enfrentaram condições de seca em vários momentos entre 2022 e 2023. Esses números se traduzem em problemas reais: preços mais altos dos alimentos, escassez de energia hidrelétrica, riscos à saúde, desemprego, pressões migratórias, agitação social e conflitos. O mundo está pronto para lidar com os riscos à segurança nacional relacionados à água? CNN. Como chegamos a este ponto? Todos os anos, a natureza dá a cada região uma “renda hídrica”, depositando chuva e neve. Pense nisso como uma conta corrente. Essa é a quantidade de água que recebemos a cada ano para gastar e compartilhar com a natureza. Quando a demanda aumenta, podemos sacar de nossa conta poupança. Retiramos mais água subterrânea do que será reposta. Roubamos a parte da água necessária para a natureza e, nesse processo, drenamos as zonas úmidas. Isso pode funcionar por um tempo, assim como as dívidas podem

Vacinação contra a dengue já começou em Mariana e tem início nesta quinta-feira em Ouro Preto

A vacinação contra a dengue já está em andamento em Mariana e começa nesta quinta-feira, 29 de janeiro, em Ouro Preto, como parte da estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para conter o avanço da doença na região. A imunização ocorre em meio a um período de chuvas intensas, cenário que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Nesta primeira etapa, o público-alvo definido pelo Ministério da Saúde é formado por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária considerada prioritária para a redução de casos graves e internações. Ouro Preto inicia vacinação nesta quinta-feira (29) Em Ouro Preto, a Prefeitura informou que o município já recebeu doses da vacina, enviadas pelo Governo de Minas Gerais por meio da Secretaria de Estado de Saúde, e dará início à aplicação na próxima quinta-feira. A vacinação será destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias e ocorrerá em pontos estratégicos da cidade e dos distritos com maior incidência de focos da dengue. Locais de vacinação em Ouro Preto: Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a escolha dos locais leva em conta dados epidemiológicos e a necessidade de facilitar o acesso da população ao imunizante. Mariana já está vacinando Em Mariana, a vacinação contra a dengue já está em curso desde esta semana. O município recebeu um lote inicial de 1.395 doses, destinadas à primeira aplicação, e realiza a imunização de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos na Central de Imunização, no bairro Barro Preto, e na UBS do bairro Cabanas, durante o horário regular de funcionamento. Para se vacinar, é necessário apresentar documento de identificação, CPF ou cartão do SUS e o cartão de vacinação. Esquema vacinal e importância da prevenção A vacina utilizada é a Qdenga, aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A aplicação da segunda dose depende do envio de novos lotes pelo Ministério da Saúde, conforme o cronograma do Programa Nacional de Imunizações (PNI). As secretarias de saúde reforçam que a vacinação é uma ferramenta fundamental, mas não substitui as medidas de prevenção, como eliminar água parada, manter caixas d’água vedadas e cuidar de quintais e áreas abertas. Com o aumento dos casos de dengue em Minas Gerais, a expectativa é que a vacinação contribua para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde e proteger a população mais vulnerável.

Acesso à moradia tem cor: estudo revela que 70% das famílias removidas em Ouro Preto são negras

Análise da assistente social Sabrina Costa sobre política habitacional municipal expõe desigualdade racial estrutural no acesso à moradia digna. Enquanto famílias pretas e pardas são majoritárias em remoções, demandas de melhorias concentram-se entre autodeclarados brancos Segundo o estudo que ainda será publicado ainda este mês como artigo pela revista Alemur da UFOP, quando uma família ouro-pretana precisa de Auxílio Moradia ou Regularização Fundiária — serviços geralmente associados a situações de risco, remoção ou ocupação irregular —, há mais de 70% de chance de que essa família seja preta ou parda. Mas quando a demanda é por melhoria habitacional, reforma ou adequação do imóvel onde já vive, a maior parte das famílias que procura o poder público se autodeclara branca. Os dados são do estudo “Acesso à moradia tem cor?: análise da política de habitação de interesse social de Ouro Preto, Minas Gerais”, desenvolvido pela assistente social Sabrina Costa a partir de sua atuação na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação entre 2022 e 2023. A análise, que será publicada na revista acadêmica Alemur, cruzou informações do Programa “Um Teto é Tudo” — política habitacional municipal instituída pela Lei 1.328/2023 — com o marcador social de raça/cor das famílias atendidas. O resultado é uma radiografia clara e incômoda: o racismo estrutural e ambiental determina quem tem direito à permanência no território e quem é empurrado para a precariedade habitacional. Os números que expõem a desigualdade Entre 2022 e 2023, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação atendeu famílias em três frentes principais: Auxílio Moradia (quando há necessidade de remoção temporária ou permanente), Regularização Fundiária de Interesse Social (para famílias em ocupações irregulares) e Arquitetura Pública/Requalificação (melhorias nos imóveis).O padrão identificado por Sabrina Costa é consistente: nas ações que envolvem evasão do imóvel ou do território — justamente as situações mais vulneráveis —, mais de 70% das famílias atendidas se autodeclaram pretas ou pardas. A maior parte desses encaminhamentos vem da Assistência Social ou da Defesa Civil, o que indica situações de emergência, risco geológico ou vulnerabilidade extrema. Já nas ações de melhoria habitacional, onde as famílias permanecem em seus imóveis e buscam adequações estruturais, a maioria se autodeclara branca. Essas demandas, em geral, são espontâneas — a família procura o serviço por iniciativa própria, não por encaminhamento emergencial. “As famílias representadas apresentam semelhanças marcantes nas condições de moradia, que são caracterizadas por imóveis em situações precárias de habitabilidade, localizados em áreas de risco geológico elevado, com baixo padrão construtivo”, escreve a autora. “Além das dimensões socioeconômicas, observa-se que essas famílias são em sua maioria negras, nos levando a refletir sobre a persistência de um padrão estrutural de desigualdade racial.” O contexto: Ouro Preto é 70% negra O recorte fica ainda mais evidente quando se olha para o perfil demográfico do município. Segundo o IBGE (2022), cerca de 70% da população de Ouro Preto se autodeclara negra (preta ou parda). Ou seja: a maioria da cidade é negra, mas é justamente essa maioria que ocupa as áreas de maior risco, vive em condições precárias e depende de políticas emergenciais para garantir moradia. Ouro Preto tem 74.821 habitantes, dos quais apenas 77,37% dos domicílios possuem esgotamento sanitário adequado. Quando se observa a urbanização das vias públicas — presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio —, o índice cai para 30,6%. Na comparação estadual, o município fica na posição 325 de 853 nesse quesito. Esses números ganham nome, rosto e endereço quando cruzados com raça: são as famílias negras que vivem nas encostas íngremes, nos morros sem infraestrutura, nas áreas geologicamente instáveis mapeadas pelo Plano Municipal de Redução de Riscos. Da abolição sem terra à periferia sem dignidade O estudo de Sabrina Costa não trata a desigualdade habitacional como um fenômeno recente. Pelo contrário: reconstrói a trajetória histórica que levou a população negra a ocupar, de forma sistemática, os piores espaços das cidades brasileiras.A análise parte de três marcos legislativos do século XIX: a Lei Eusébio de Queirós (1850), que proibiu o tráfico negreiro sob pressão inglesa — não por humanismo, mas por interesses econômicos; a Lei de Terras (1850), que mercantilizou o acesso à terra justamente quando a abolição se aproximava, criando barreiras econômicas para que ex-escravizados se tornassem proprietários; e a Lei Áurea (1888), que concedeu liberdade formal mas nenhuma reparação material. “Sem a realização de uma reforma agrária, uma parcela significativa de pessoas negras se encontravam ‘livres’ e sem propriedade de terras, encontrando assim, como única possibilidade de moradia, a ocupação irregular e descoordenada, nos altos de morros, beiras de rios”, escreve a autora. Naquele momento, destaca o estudo, a questão da habitação não existia como problema público. Mas se estabelecia ali a base do déficit habitacional brasileiro — e a associação entre negritude, precariedade e periferia que persiste até hoje. Racismo ambiental e injustiça socioambiental O conceito de racismo ambiental atravessa toda a análise. Não se trata apenas de má distribuição de infraestrutura urbana. Trata-se de um processo estrutural onde determinados grupos — racial e economicamente marcados — são sistematicamente expostos a riscos ambientais, desastres e perda de seus modos de vida. Em Ouro Preto, isso se manifesta de forma clara: são as famílias negras que vivem nas áreas mapeadas como de risco alto e muito alto pelo PMRR. São elas que sofrem com deslizamentos, enchentes, falta de saneamento. São elas que, quando removidas, dependem de Auxílio Moradia para sobreviver — um benefício temporário que não garante solução habitacional definitiva. “Quando as devastações que atacam o meio ambiente geram efeitos desiguais e esses sobrecarregam de maneira desproporcional determinados grupos, estamos lidando com a injustiça socioambiental, que é conceito fundamental para discutirmos o Racismo Ambiental”, afirma Sabrina Costa. A dificuldade de se reconhecer negro Um dado adicional chamou a atenção da pesquisadora: muitas pessoas demonstraram dúvida ao serem questionadas sobre como se veem racialmente. A dificuldade de identificação foi observada tanto entre pretos e pardos quanto entre amarelos e indígenas. “É possível considerar essa dificuldade de pertencimento ao processo histórico de racismo estrutural e ambiental, considerando aqui a invisibilização

Chuvas intensas afetam abastecimento de água e mantêm Ouro Preto em alerta geológico

As chuvas constantes registradas nos últimos dias em Ouro Preto já provocam impactos diretos no abastecimento de água e elevaram o nível de alerta meteorológico e geológico no município. Segundo a concessionária Saneouro e a Defesa Civil, o volume acumulado ultrapassou marcas consideradas críticas, exigindo atenção redobrada da população. Sistemas de abastecimento afetados De acordo com a Saneouro, os sistemas de produção de água por captação superficial estão sendo prejudicados pela alta turbidez causada pelas chuvas. Na manhã desta sexta-feira (23/01), a situação era a seguinte: A concessionária informou que todas as equipes estão mobilizadas, com apoio de caminhões-pipa, para garantir água potável aos reservatórios do município enquanto os sistemas passam por limpeza e monitoramento. A Saneouro reforça a importância do uso racional da água, evitando desperdícios, já que a previsão indica continuidade das chuvas nos próximos dias. Volume de chuvas ultrapassa nível crítico Dados da Defesa Civil de Ouro Preto mostram que o volume de chuvas acumulado em cinco dias ultrapassou 128 mm, índice que caracteriza um alerta vermelho, nível elevado de alerta meteorológico. Em alguns pontos do município, os acumulados recentes chamam atenção: Segundo a Defesa Civil, esse nível de alerta indica chuvas prolongadas com previsão de continuidade, aumentando o risco de: Nesse estágio, o protocolo prevê monitoramento constante, possibilidade de remoções preventivas e atenção máxima da população que vive em encostas ou áreas suscetíveis. Previsão indica continuidade das chuvas Informações do Climatempo indicam que o período chuvoso deve se manter nos próximos dias, com registros frequentes de pancadas, temporais isolados e volumes significativos de precipitação, especialmente até o fim do mês. A combinação entre solo encharcado e novas chuvas aumenta tanto o risco geológico quanto as dificuldades na operação dos sistemas de captação e tratamento de água. Orientações à população A Defesa Civil orienta que moradores fiquem atentos a sinais de risco, como: Em caso de emergência ou suspeita de risco, a recomendação é sair imediatamente do local e acionar a Defesa Civil. Enquanto isso, a Saneouro reforça o pedido de colaboração da população para economizar água até que o sistema seja totalmente normalizado.

Pesquisa da UFOP revela aumento de 70% nas notificações de autolesão em Ouro Preto; bairro Bauxita concentra casos

Estudo epidemiológico aponta concentração entre mulheres pardas de 20 a 39 anos e possível relação com saúde mental estudantil; falhas no preenchimento de fichas contribuem para subnotificação Uma pesquisa-intervenção desenvolvida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2019 revelou aumento expressivo nas notificações de lesões autoprovocadas em Ouro Preto. O estudo “Vigilância e prevenção do suicídio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil: análise do processo de notificação nos anos de 2022 a 2024” mostra que, em 2024, os registros praticamente dobraram em relação ao ano anterior, com concentração no bairro Bauxita, onde ficam a UFOP e o IFMG. A segunda fase da pesquisa, que analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Vigilância Epidemiológica municipal, identificou 138 notificações de lesões autoprovocadas entre 2022 e 2024 — sendo 38 em 2022, 37 em 2023 e 63 em 2024, um aumento de 70% no último ano. “Antes de começar a pesquisa, o Arislan, que idealizou essa pesquisa, percebeu que em Ouro Preto e no território próximo não havia estudos, artigos, nada que mostrasse como estava o número de suicídios e tentativas de suicídio. Aqui na região não tinha esses dados”, explica Renan Lima Vieira, estudante de Medicina da UFOP e um dos autores da pesquisa. Perfil epidemiológico O estudo traçou o perfil predominante dos casos notificados: mulheres pardas, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o envenenamento/intoxicação o principal meio utilizado. A concentração territorial também chamou atenção dos pesquisadores: o bairro Bauxita, sede dos campi universitários, lidera as notificações, seguido por Antônio Dias e Morro Santana. “Na segunda pesquisa, a gente também aprofundou para tentar ver qual a região de Ouro Preto que tinha maior número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas. E para nossa surpresa, o principal território foi a Bauxita, o bairro Bauxita, que é um bairro onde se concentra muito universitário, que é onde está a UFOP”, relata Renan. A pesquisa identificou ainda uma possível relação com o contexto universitário. “Juntando com a idade dessas mulheres, a gente pode relacionar que talvez o principal caso seja, a principal causa e fator em relação ao território pode estar relacionado com universidade, já que tem vários artigos que mostram a relação de sofrimento psíquico com universidade”, analisa o pesquisador. Paralisação de 2024 pode ter influenciado aumento O trabalho aponta uma hipótese para o salto nas notificações em 2024: “Durante o desenvolvimento desta pesquisa, identificaram-se indícios que apontam para uma maior incidência de lesões autoprovocadas entre o público universitário. Em 2024, ocorreu uma paralisação na Universidade de Ouro Preto, evento que possivelmente impactou a saúde mental dos estudantes.” Falhas no sistema de notificação Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi a identificação de graves problemas no preenchimento das fichas de notificação compulsória. A análise revelou que profissionais de saúde têm dificuldade em diferenciar “envenenamento” de “intoxicação”, o que gera dados imprecisos. “Durante o estudo foi perceptível várias colunas considerando ‘uso de medicamento para suicídio’ como ‘envenenamento’ para o meio utilizado. Essa problemática foi uma das principais dificuldades na pesquisa”, explica Renan. “Isso acaba fazendo com que o número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas não suicida ainda continue sendo subestimado.” A equipe elaborou um fluxograma do processo de notificação após reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde. “A gente fez até uma reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde de Ouro Preto para até entender o porquê que está tendo tanta subnotificação aqui no território”, conta o pesquisador. Os gargalos identificados incluem: Nível municipal: “Muitas vezes as UBS estão cheias de pacientes, os profissionais estão com várias coisas para fazer, aí fica um delegando a função para o outro e acaba que, infelizmente, às vezes, acaba que ninguém preenche”, detalha Renan. “É uma ficha grande que leva um tempinho para preencher. Vários dados que têm que ser preenchidos.” Nível regional e estadual: Subnotificação invisibiliza grupos vulneráveis A pesquisa também apontou lacunas preocupantes nos dados raciais. “A ausência de notificações de pretos e indígenas no período é aparentemente paradoxal, devido Ouro Preto ser um dos municípios com a maior população de pretos do Brasil, proporcionalmente”, destaca o estudo. “Quando chega no sistema, tem aquele dado lá em branco, às vezes com informação faltando raça, cor, faltando gênero, o que é ruim até para quem vai realizar estudos epidemiológicos como a gente, porque isso é muito importante para você realizar promoções de prevenção da saúde mental e do suicídio”, explica Renan. Contexto nacional preocupante O estudo contextualiza Ouro Preto dentro de um cenário nacional alarmante. No Brasil, as taxas de suicídio cresceram em média 3,7% ao ano entre 2011 e 2022, com destaque para jovens de 10 a 24 anos. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações por lesões autoprovocadas — mais de 30 por dia, alta superior a 25% em relação a 2014. “Normalmente o tentativa de suicídio é de 3 a 4 vezes maior que o de suicídio, a menos que no caso de Ouro Preto seja por subnotificação”, analisa o pesquisador, citando dados da literatura científica. Território e saúde mental Renan destaca como o território influencia na saúde mental da população: “Uma das coisas que eu mais aprendi nessa pesquisa foi como é que o território influencia tanto na saúde mental, quanto no sofrimento psíquico. Ouro Preto já tem um histórico de sofrimento psíquico relacionado ao sofrimento dos escravos, a grande relação da mineradora com a cidade.” Ele menciona pontos críticos conhecidos: “Tem o histórico da Curva do Vento, que infelizmente direto alguém vai lá para tentar a tentativa de suicídio e que o Arislan (orientador e professor do curso de medicina da UFOP) participou junto com os bombeiros de colocar as plaquinhas lá para tentar evitar que isso fique ocorrendo com frequência.” Papel da atenção básica O pesquisador ressalta a importância da atenção primária: “A atenção básica é extremamente importante, tanto para a prevenção do suicídio quanto para a promoção da saúde mental. Como o paciente, muitas vezes, o primeiro contato da área de saúde vai

Bloco da Praia aposta em axé, funk e eletrônico para a segunda de Carnaval em Ouro Preto

Jammil, Kevin O Chris, MC Paiva, Rodrigo do CN e Claudinho Brasil estão no line-up do evento, marcado para 16 de fevereiro de 2026. O Bloco da Praia, um dos principais eventos do Carnaval universitário de Ouro Preto, já desenha a cara da segunda-feira de Carnaval (16 de fevereiro de 2026) com uma estratégia clara: misturar ritmos para segurar a multidão do começo ao fim. Entre as atrações divulgadas para 2026 estão Jammil, Kevin O Chris, MC Paiva, Rodrigo do CN e Claudinho Brasil — um cardápio que vai do axé ao funk, passando pela música eletrônica. Diretor do bloco, Diego Brenner resume a escolha como uma forma de “traduzir” a pluralidade do Carnaval na cidade histórica. “Carnaval é pra todo mundo. Às vezes o cara não gosta de um axé, mas ele gosta de um eletrônico. Então, a gente tenta mesclar todos esses públicos”, disse ao Vintém. A volta do Jammil, segundo Brenner, atende a um pedido do público após a edição anterior: “Deu muito certo em 2025. O público pediu bastante para confirmar ele novamente em 2026”. O bloco completa a liga com funk e eletrônico, reforçando um formato que tenta dialogar tanto com o folião que “cresceu no axé” quanto com a turma que chega pelo grave. Espaço Folia e estrutura Como ocorre nos grandes dias da Liga, a expectativa é que o bloco aconteça no Espaço Folia, montado no entorno do Centro de Convenções da UFOP, no Pilar, área que voltou a ser usada em edições recentes.Sobre a logística, Brenner explicou que, por se tratar de área pública, há trâmites e licitação envolvidos, mas indicou que a tendência é manter o evento ali. Nos serviços, ele destacou que o planejamento inclui equipes e ambulâncias compatíveis com o porte do público: “A gente sempre contrata ambulância adequada para o público (…) UTI móvel com toda a aparelhagem”. Também mencionou a presença de caminhão-pipa, que retornou na última edição: “Esse ano a gente voltou o caminhão pipa. Vai ter novamente”.

Prazo termina nesta semana: UFOP encerra inscrições para vagas residuais no dia 23

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) encerra nesta quinta-feira (23) o prazo de inscrições para o processo seletivo de vagas residuais em cursos presenciais de graduação. O ingresso é para o primeiro semestre letivo de 2026, com início das aulas previsto para 30 de março. O edital, publicado pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), oferece vagas em quatro modalidades de ingresso, distribuídas entre os campi de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade, com cursos em turnos diurnos e noturnos. As vagas residuais são destinadas a candidatos que já possuem algum vínculo com o ensino superior, seja por experiências acadêmicas anteriores, formação concluída ou matrícula ativa em outra instituição. Quatro modalidades de ingresso O processo seletivo contempla as seguintes modalidades: ReingressoVoltado a estudantes que foram desligados da UFOP por não renovação de matrícula, desempenho acadêmico insuficiente ou que solicitaram o cancelamento do curso, desde que ainda haja tempo hábil para a conclusão dentro do prazo regulamentar.As inscrições devem ser feitas por requerimento no Portal MinhaUFOP. TransferênciaDestinada a estudantes com matrícula ativa em cursos de graduação ou tecnólogos em outras instituições brasileiras de ensino superior, públicas ou privadas, que desejam ingressar na UFOP.As inscrições ocorrem por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página da Prograd/UFOP. O edital estabelece critérios como carga horária mínima cursada e áreas de procedência, variando conforme o curso pretendido. Obtenção de novo títuloModalidade voltada a quem já concluiu um curso superior (graduação ou tecnólogo) e deseja cursar uma nova graduação na UFOP. A comprovação da colação de grau será exigida no momento da matrícula.As inscrições também são realizadas por formulário eletrônico na página da Prograd/UFOP. Reopção de cursoPara estudantes da própria UFOP que desejam mudar de curso dentro da universidade. O edital define condições mínimas para candidatura, incluindo áreas de procedência e critérios acadêmicos.As inscrições devem ser feitas pelo Portal MinhaUFOP. Cursos e campi contemplados O edital oferece vagas para diversos cursos presenciais de graduação, abrangendo áreas como Engenharias, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Saúde, Letras, Artes e Ciências Exatas, entre outras. As oportunidades estão distribuídas entre os três campi da UFOP — Ouro Preto, Mariana e João Monlevade — com opções de cursos em período matutino, vespertino, integral e noturno. Critérios de classificação Para as modalidades de transferência e obtenção de novo título, a classificação dos candidatos será feita, prioritariamente, com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). São aceitas todas as edições do exame realizadas desde 2009. Candidatos que não possuem notas do Enem também poderão se inscrever, já que o edital prevê formas alternativas de classificação, conforme a modalidade e o curso escolhido. Onde acessar as informações O edital completo, com a lista de cursos e vagas, critérios de classificação, cronograma do processo seletivo e documentação exigida para matrícula, está disponível na página oficial da Prograd/UFOP. 📌 Inscrições até 23 de janeiro📅 Início das aulas: 30 de março de 2026 A universidade reforça que os interessados devem ficar atentos ao prazo final e realizar a inscrição exclusivamente pelos canais oficiais indicados no edital.

Cabrobró arma o domingo em Ouro Preto com Ret, TZ e Monobloco — e aposta em drinks tropicais no open bar

Em 2026, o Bloco Cabrobró chega com a proposta de manter essa tradição e, ao mesmo tempo, atualizar a experiência do público — especialmente no bar. A programação divulgada para o bloco reúne Filipe Ret, TZ da Coronel, Monobloco, além de DJ GBR e WS da Igrejinha. A combinação desenha um roteiro musical que atravessa o rap/trap e o “clima de Carnaval” do Monobloco, com DJs para sustentar o giro da festa e evitar que o domingo perca fôlego. Em entrevista ao Vintém, Lui Lucena, um dos diretores do bloco, explicou que a escala de atrações foi construída com termômetro de público. Sobre o retorno do Monobloco, ele conta que a escolha veio de uma demanda clara: “Ano passado, a gente não veio com axé, né? E o pessoal pediu muito… ‘música de carnaval, música de carnaval’.” Para confirmar o caminho, diz que a equipe fez pesquisa nas redes: “A gente fez uma pesquisa, lançou até uma caixinha de perguntas no Instagram… e aí o Monobloco foi unanimidade.” No caso do Filipe Ret, a aposta é no alcance geracional e na versatilidade do repertório: “Ele não tem um público específico… tanto a pessoa de 40 anos escuta ele, quanto a pessoa de 15.” E completa: “Ele tem aquele rap mais cabeça pra você fazer uma reflexão, mas também tem aquela música pra você dançar.” Drinks e estrutura: “vibe tropical” no open bar Sem entrar em itens ainda não anunciados oficialmente, Lui adiantou que a edição de 2026 quer reforçar a experiência do open bar com bebidas e combinações de perfil mais leve e refrescante: “Esse ano a gente está investindo bastante no prazer do folião… principalmente na área de bebidas.” Ele cita uma linha de drinks fechada com uma marca regional e artesanal: “Tem vários drinks que a gente fechou com a marca chamada Valnut… é artesanal, então é de bastante qualidade.” E resume o conceito: “Na vibe realmente tropical… bebidas à base de maracujá, limão, laranja… aquelas frutas que realmente dão refrescância.” Ouro Preto como “show diferente” Na leitura de Lui, a cidade também pesa na experiência — inclusive para quem sobe ao palco. “Todo mundo fala, quando toca a primeira vez aqui, que a energia é diferente.” E descreve o impacto da paisagem histórica: “Assim que entra pela porta da cidade… atravessa a Praça Tiradentes… parece que tá entrando em outra dimensão.” Para ele, isso muda o espetáculo: “Você pode ir no show do Felipe Ret em Belo Horizonte… quando você vem aqui não vai ser o mesmo show.” De bloco de rua a festa de grande estrutura A trajetória do Cabrobró é contada como uma história de crescimento orgânico: começou como uma brincadeira entre amigos, com espírito de bloco de rua — bateria, improviso, lata batendo e a cidade participando junto. Com o tempo, o encontro foi ganhando corpo, público e organização, até se consolidar no circuito do Espaço Folia, onde o formato atual se firmou como uma das grandes datas do calendário carnavalesco local. É uma transformação que mantém a mesma lógica de origem: oferecer um “dia inteiro” de experiência, daqueles que ficam na memória e viram assunto por meses.