Quinta-feira Santa em Ouro Preto: O rito que não termina e o silêncio que ocupa as Igrejas

Foto: Ane Souz Quem participa da Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Pilar ou na Matriz da Conceição, em Ouro Preto, pode estranhar o encerramento. Diferente de todas as outras celebrações do ano, não há o “Ide em paz” nem a bênção final do sacerdote. O povo se retira em silêncio, enquanto as igrejas, antes adornadas, são despidas de suas toalhas e ornamentos. Esse gesto litúrgico, conhecido como a Desnudação dos Altares, marca o início do período mais sagrado do calendário cristão: o Tríduo Pascal. O fato principal desta celebração é a continuidade do rito. A ausência da bênção final sinaliza que a missa da Quinta-feira Santa, a celebração da Paixão na Sexta-feira e a Vigília Pascal no Sábado são, na verdade, uma única e longa liturgia que se estende por três dias . Em Ouro Preto, essa transição é vivida com uma intensidade que remonta ao século XVIII, onde o som dos sinos é substituído pelo lamento das matracas, instrumentos de madeira que produzem um som seco e fúnebre. O desdobramento desse rito ocorre logo após a comunhão, com a Trasladação do Santíssimo Sacramento. O pão consagrado é levado em procissão interna para um altar lateral, simbolizando a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. É nesse momento que as igrejas barrocas de Ouro Preto revelam sua face mais austera. Os altares são despojados de tudo o que os embeleza, um gesto que a liturgia chama de “jejum dos olhos”, convidando o fiel a focar exclusivamente no sacrifício de Cristo . Nas ladeiras da cidade, o silêncio das naves encontra o fogo das tochas. A Procissão do Fogaréu, retomada recentemente após décadas de interrupção, encena a prisão de Jesus. À luz de archotes e ao som de tambores, o rito medieval percorre as ruas de pedra, reforçando a atmosfera de vigília que toma conta da antiga Vila Rica . Para os moradores e visitantes, a Quinta-feira Santa não termina com o fim da missa, mas se transforma em uma noite de guarda e oração. A segurança jurídica e o rigor histórico desta cobertura baseiam-se nas orientações litúrgicas da Igreja Católica e na tradição oral e documental das paróquias locais. Como destaca o Guia Editorial do Vintém, é essencial registrar que, embora a festa seja pública, o recolhimento é a tônica do momento. A ausência da bênção é, portanto, o convite final para que o fiel permaneça em estado de celebração até a alegria da ressurreição no domingo. Programação desta quinta-feira santa 17h – Santa Missa Solene Cantada “In Coena Domini” (da Ceia do Senhor) na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, com participação do Coral Cristo Rei.Transladação do Santíssimo Sacramento para a Capela do Senhor do Bom Fim, onde permanecerá em adoração até as 24h, e desnudação dos altares da Basílica.No mesmo horário, haverá Santa Missa na Igreja de São Francisco de Paula, com participação do Coral Pequenos Cantores de Sant’Ana, e na Capela de São Sebastião. 20h30 – Em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, piedoso sermão do Mandatum, seguido da comovente recordação do ato em que Jesus lava os pés dos seus discípulos. Participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e Orquestra Pe. Simões. Na noite de Quinta-feira Santa, ou das Endoenças, como era chamada, segundo relatos históricos, acontecia uma procissão que saía da Capela de Sant’Ana, na Santa Casa de Misericórdia para a Matriz do Pilar, onde tomavam consigo a imagem do Cristo e conduziam-na até a Matriz de Antônio Dias. Essa procissão, que era chamada de fogaréu em razão das tochas que os irmãos levavam acesas, revive a cena da prisão do Senhor, no Horto das Oliveiras, depois de haver ceado com seus apóstolos e sua condução ao julgamento. 23h – Concentração no adro da Igreja de São Francisco de Assis, de onde os fiéis sairão em cortejo processional pelas ruas do Centro Histórico, onde tomarão a imagem do Senhor Aprisionado, e continuarão em procissão, ao som das matracas, até o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição.
Madrugar não te fará mais rico, e pode prejudicar sua saúde

Alfredo Rodríguez Muñoz, Universidad Complutense de Madrid Nas redes sociais e nos livros de autoajuda, uma ideia sedutora se repete. Pertencer ao chamado “clube das 5 da manhã”, acordando a essa hora, é o primeiro passo para o sucesso. Esse hábito promete mais produtividade, mais autocontrole e, quase por extensão, uma vida melhor. Tim Cook, CEO da Apple, é conhecido por começar seu dia de madrugada, e o ator Mark Wahlberg popularizou rotinas extremas nas quais afirmava acordar às 2h30 para treinar. A conclusão implícita parece clara: se você quer ter sucesso, precisa ganhar horas ao Sol. Mas quando analisamos o que dizem as pesquisas sobre sono e desempenho, a mensagem é muito menos épica. Para muitas pessoas, forçar o despertar matinal não é uma receita para o sucesso, mas sim para um pior desempenho, decisões mais impulsivas e o acúmulo de uma dívida de saúde que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser paga. Nem todos temos o mesmo relógio interno Existem diferenças individuais estáveis nos chamados cronotipos. Algumas pessoas são mais “madrugadoras” e se ativam cedo, enquanto outras são mais “noturnas” e têm melhor desempenho à tarde ou à noite. Essas diferenças não são um capricho nem uma questão de disciplina, mas em parte biológicas e genéticas. Além disso, o cronotipo não é totalmente fixo: ao longo da vida, tendemos, gradualmente, a nos tornar um pouco mais matinais. A adolescência costuma ser a fase mais noturna, enquanto na idade adulta o relógio interno se desloca lentamente para horários mais cedo. Mas essa mudança é progressiva, não voluntária, e não pode ser acelerada simplesmente com força de vontade. Tentar transformar uma coruja em uma cotovia da noite para o dia, no entanto, é, na melhor das hipóteses, ineficiente e, na pior, um choque frontal com nossa fisiologia: o corpo pode estar fora da cama, mas o cérebro continua funcionando no “modo noturno”. Quando forçamos nossa agenda a colidir com nosso relógio interno, entramos em um estado de jet lag social. Esse fenômeno não é simplesmente estar cansado: é viver em uma desfasagem crônica, em que a biologia interna e as exigências externas operam em fusos horários diferentes. Esse desequilíbrio estressa nossa fisiologia constantemente. Como resultado, altera a regulação metabólica, disparando a resistência à insulina e elevando o risco cardiovascular. A verdadeira armadilha: reduzir o sono O segundo grande risco do clube das 5 não é madrugar em si, mas o que isso geralmente implica: reduzir as horas de sono. A maioria dos adultos precisa de sete a nove horas de descanso para um funcionamento ideal. Mas muitas pessoas adotam essas rotinas extremas sem se deitar mais cedo; simplesmente dormem menos. No ecossistema dos gurus da produtividade, frases reveladoras como “dormir é coisa de pobre” se popularizaram, como se o descanso fosse um defeito moral e não uma necessidade biológica. O sono, na verdade, não é um tempo improdutivo, mas um processo ativo de recuperação. Durante a noite, o cérebro consolida a memória, regula as emoções, restaura o sistema imune e mantém o equilíbrio metabólico. Quando o descanso é reduzido de forma crônica, aumentam a fadiga, a irritabilidade e o risco de problemas de saúde mental. Também se deterioram a atenção e o desempenho cognitivo. Além disso, dormir menos não significa apenas dormir um pouco pior. A arquitetura do sono funciona em ciclos, e as fases finais desempenham uma função crítica: integrar experiências, processar a carga emocional e afinar o julgamento. Quando adiantamos sistematicamente o despertador, não apenas reduzimos o descanso total, mas sacrificamos a parte que mais contribui para a lucidez. Aqui surge um dos mitos mais persistentes: confundir mais horas acordado com mais produtividade. Um cérebro privado de sono pode responder e-mails logo pela manhã, sim, mas funciona com menos controle executivo, mais impulsividade e pior capacidade de planejar, avaliar riscos e liderar com empatia. Dormir menos para trabalhar mais é como dirigir um carro cada vez mais rápido depois de ter tirado os freios. Talvez se avance, mas o custo chega na próxima curva. A cultura da fadiga não é uma medalha O fenômeno do madrugar extremo se encaixa em algo mais amplo: a glorificação da exaustão como símbolo de comprometimento. Durante anos, em muitas organizações, premiou-se implicitamente quem se gabava de dormir pouco ou de estar sempre disponível. A evidência é clara: líderes fatigados não são heróis estoicos. Eles tendem a ser vistos como mais irritáveis, menos carismáticos e menos capazes de se conectar emocionalmente com suas equipes. Além disso, o discurso das “manhãs milagrosas” costuma ignorar as condições reais de vida. Nem todo mundo pode se dar ao luxo de acordar cedo para meditar, ler ou treinar em silêncio. Para muitas pessoas, acordar cedo significa simplesmente adicionar mais uma hora de cansaço a dias já longos, com trabalhos exigentes e responsabilidades de cuidados. Nada disso significa que acordar cedo seja negativo para todos. Há pessoas que se sentem bem acordando cedo e dormem o suficiente ao fazê-lo. O problema surge quando isso é vendido como uma receita universal e a diversidade biológica é ignorada. A ciência do sono é menos épica do que os gurus da produtividade apregoam, mas muito mais útil. O que importa não é acordar antes dos outros, mas dormir o necessário e de forma regular. Talvez a verdadeira vantagem competitiva não seja ganhar horas ao Sol, mas começar o dia com um cérebro realmente descansado. Porque o sucesso não começa às cinco da manhã. Começa quando deixamos de viver permanentemente cansados. Alfredo Rodríguez Muñoz, Catedrático de Psicología Social y de las Organizaciones, Universidad Complutense de Madrid This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
BDMG oferece crédito com taxa reduzida para mulheres empreendedoras e produtoras rurais de Minas até 31 de março

BDMG crédito mulheres empreendedoras | Vintém Serviço público · Economia Linha de crédito do banco estadual está com condições especiais durante o mês de março, com juros mais baixos, até 12 meses de carência e consultoria gratuita do Sebrae para quem contratar até o fim do mês Jiljana Isidoro · Vintém · 13 de março de 2026 O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) está com linha de crédito especial para mulheres empreendedoras ativa durante o mês de março, com taxa promocional de 0,33% ao mês mais a Selic — abaixo das condições habituais. O prazo de pagamento é de até 48 meses, com 12 meses de carência. A contratação pode ser feita de forma digital, pelo site do BDMG, até o dia 31 de março. Também inédita neste ano, a redução de taxas de março foi estendida às mulheres produtoras rurais, por meio da linha BDMG Agro Repasse, operada pelas cooperativas de crédito parceiras do banco. 💳 Como contratar — BDMG Mulher Empreendedora ⚠️ Prazo: até 31 de março de 2026 Taxa 0,33% ao mês + Selic (taxa promocional de março) Pagamento Até 48 meses, com 12 meses de carência Requisito Empresa com participação societária feminina igual ou superior a 50% do capital social, há mais de seis meses Bônus Consultoria técnica gratuita e personalizada do Sebrae Minas para quem contratar até 31/03 Como contratar De forma digital pelo site do BDMG: bdmg.mg.gov.br Produtoras rurais Acesso pela linha BDMG Agro Repasse, via cooperativas de crédito parceiras — lista disponível no site do banco Um em cada três pequenos negócios tem mulher à frente Negócios liderados por mulheres representam 40% das micro e pequenas empresas de Minas Gerais, segundo dados do Sebrae Minas. Em 2025, o BDMG liberou R$ 73,2 milhões em crédito para 1,2 mil empresárias por meio das linhas destinadas a elas. “Oferecer um crédito acessível é decisivo para impulsionar o empreendedorismo feminino, permitindo que elas explorem todo o potencial dos seus negócios.” — Letícia Guerra, gerente do BDMG Esta é a segunda edição consecutiva da parceria entre BDMG e Sebrae com foco na mulher empreendedora. A novidade deste ano é a inclusão das produtoras rurais nas condições especiais de março — uma extensão que amplia o alcance da iniciativa além dos centros urbanos. 📊 Em números 40% das MPEs mineiras têm participação feminina majoritária R$ 73,2 mi liberados pelo BDMG para mulheres empreendedoras em 2025 1,2 mil empresárias atendidas em Minas Gerais no ano passado A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destacou o papel da iniciativa no contexto mais amplo de fomento ao empreendedorismo feminino. *”O empreendedorismo é um caminho de autonomia e liderança para as mulheres mineiras, portanto uma preocupação do Governo de Minas é criar condições para que elas transformem ideias em negócios, levem soluções ao mercado e tirem seus projetos do papel”*, afirmou. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
O que a neurociência já conseguiu explicar sobre a ação dos aromas no cérebro

Fernando Gomes, Universidade de São Paulo (USP) e Daiana Petry, Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) Durante muito tempo, falar sobre aromaterapia no contexto científico soava quase como uma contradição. Os aromas eram associados a bem-estar subjetivo, tradição ancestral ou experiências sensoriais difíceis de medir. Porém, um conjunto de revisões e estudos experimentais vem mostrando que certos óleos essenciais podem modular respostas reais do organismo — com resultados que vão desde a redução de estresse e ansiedade, acompanhada de mudanças em marcadores como frequência cardíaca e pressão arterial, até alterações mensuráveis na atividade cerebral associadas a estados de relaxamento vigilante, atenção e flexibilidade cognitiva. A resistência aos aromas não surgiu apenas da ausência de dados, mas de uma herança histórica. Desde o século XIX, o olfato foi considerado um sentido “menor” na hierarquia científica ocidental. A partir de interpretações anatômicas feitas pelo médico francês, anatomista e antropólogo Paul Broca (1824-1880), difundiu-se a ideia de que a evolução da racionalidade humana estaria associada à redução do sistema olfativo, como se o cheiro pertencesse ao domínio do instinto e não da cognição. Essa hipótese, hoje ultrapassada, contribuiu para que o olfato fosse marginalizado em áreas como a medicina, a psicologia e a neurociência por mais de um século. Pesquisas contemporâneas têm demonstrado o oposto: o sistema olfativo humano é altamente sofisticado e profundamente integrado às redes cerebrais de emoção, memória, tomada de decisão e regulação fisiológica. A simples inalação de um aroma é capaz de interagir com estruturas como a amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal e ínsula, regiões centrais para o comportamento humano. Com isso, esse cenário está mudando de forma consistente. Hoje, a neurociência está começando a mapear como as moléculas aromáticas presentes nos óleos essenciais podem interagir com o sistema nervoso e influenciar estados emocionais e fisiológicos. Do misticismo ao mecanismo Uma revisão narrativa, publicada em 2025 e indexada no PubMed, intitulada “A Narrative Review of Aromatherapy: Mechanisms and Clinical Value in Physiological and Psychological Regulation”, sintetizou o que a literatura científica tem revelado até o momento sobre os mecanismos neurobiológicos envolvidos na aromaterapia. Trata-se de um marco importante porque desloca o debate do campo do “funciona ou não funciona” para uma pergunta mais profunda: quais sistemas cerebrais parecem ser modulados pelos aromas e por quais vias isso pode ocorrer? Essa revisão permitiu aos autores organizar dados sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos dos aromas e a base neurobiológica por trás deles. Ela também indica que pesquisas futuras devem aprofundar mecanismos de ação, biodisponibilidade dos compostos aromáticos e segurança a longo prazo, para estimar com mais precisão o potencial terapêutico da aromaterapia. O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisadores afiliados a instituições como Shenzhen Traditional Chinese Medicine Hospital e Southwest Medical University, na China. O caminho direto do aroma ao cérebro O olfato possui uma via privilegiada de acesso ao cérebro. Quando inalamos um aroma, as moléculas odoríferas ativam receptores no epitélio olfatório, que se conecta diretamente ao bulbo olfatório. A partir dali, a informação segue para estruturas do sistema límbico — como amígdala e hipocampo — regiões envolvidas em emoção, memória e motivação, sem passar previamente pelo tálamo, filtro de outros sentidos. Essa característica anatômica explica por que os aromas têm capacidade de evocar emoções, memórias e estados fisiológicos de forma rápida e muitas vezes inconsciente. A revisão destaca que essa ativação límbica está associada à modulação de neurotransmissores centrais para a regulação emocional e cognitiva, como serotonina, dopamina, GABA e noradrenalina. Além dessa rota neural direta, a inalação de óleos essenciais envolve também uma rota fisiológica complementar. Parte das moléculas aromáticas inaladas alcança os pulmões, onde pode atravessar o epitélio respiratório e entrar na circulação sistêmica. Isso significa que o efeito dos aromas não se restringe a uma experiência simbólica ou subjetiva. Há também um efeito observável no organismo, em que compostos voláteis podem alcançar tecidos e influenciar parâmetros fisiológicos. Essas duas vias, que chamamos de olfatória e respiratória, ajudam a compreender por que a aromaterapia desperta um crescente interesse científico. Ansiedade, humor e regulação do sistema nervoso Entre os achados mais consistentes revisados estão os efeitos ansiolíticos e moduladores do estresse de determinados óleos essenciais, especialmente aqueles ricos em monoterpenos e ésteres. O linalol, por exemplo, presente na lavanda, demonstra interação com receptores GABAérgicos, o que ajuda a entender a redução de excitabilidade neuronal e a sensação de calma relatada em diferentes estudos clínicos. A revisão também aponta evidências de efeitos antidepressivos leves a moderados, associados à influência dos aromas sobre circuitos dopaminérgicos e serotoninérgicos. Importante ressaltar: não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de compreender como estímulos olfativos podem atuar como moduladores do sistema nervoso autônomo e do eixo estresse–emoção, especialmente em contextos de ansiedade, fadiga mental e sobrecarga cognitiva. Em um estudo clínico anterior com 140 participantes, a inalação do óleo essencial de lavanda a cada oito horas, durante quatro semanas, mostrou-se capaz de prevenir a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres no pós-parto, reduzindo de forma considerável os escores dos testes para essas condições. Os escores das escalas utilizadas permaneceram menores até três meses após o início da intervenção, em comparação ao grupo controle, sugerindo que a inalação da lavanda produziu efeitos sustentados ao longo do tempo. Apesar desses resultados promissores, ainda não há consenso científico claro sobre por quanto tempo essas modulações neuroemocionais persistem após o término do estímulo aromático. Essa é uma lacuna relevante para pesquisas futuras, uma vez que muitos estudos concentram-se em efeitos imediatos ou de curto prazo, observados durante ou logo após a inalação ou aplicação tópica dos óleos essenciais. Aromas e função cognitiva: o cérebro em tempo real Um segundo eixo relevante dessa discussão emerge de estudos que conectam aromaterapia à neurofisiologia mensurável. O artigo, publicado no Journal of Medical Signals & Sensors, traz dados interessantes ao utilizar eletroencefalografia (EEG) para avaliar as alterações em padrões de ondas cerebrais (como theta, alpha e beta) associadas a atenção, relaxamento vigilante e à flexibilidade cognitiva após a inalação do óleo essencial de lavanda. É
Acontece hoje (11): Mariana realiza oficina para construir Plano Municipal dos Direitos das Mulheres

Encontro promovido pela Subsecretaria da Mulher e Direitos Humanos será às 18h, no Centro de Convenções, e busca reunir poder público e sociedade civil na formulação de metas para políticas públicas voltadas às mulheres no município. Mariana promove nesta quarta-feira, 11 de março, a oficina de elaboração do Plano Municipal dos Direitos das Mulheres. Aberta à participação popular, a atividade acontece às 18h, no Centro de Convenções, e integra o esforço de construção coletiva de diretrizes para a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento das desigualdades no município. Um plano para orientar políticas públicas A proposta é transformar escuta em política pública. A oficina marcada para hoje pretende reunir contribuições da sociedade civil para um documento que deve orientar ações do município em diferentes frentes, da proteção de direitos à ampliação da participação das mulheres na vida social. Segundo a convocação divulgada pela prefeitura, o plano servirá como instrumento de organização de metas e prioridades para a atuação do poder público. Em vez de um texto restrito ao gabinete, a ideia é construir o plano a muitas mãos. Após essa etapa participativa, o documento será encaminhado ao Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, responsável pelo controle social e pelo acompanhamento da efetivação das propostas. Participação popular no centro do processo A gestão municipal tem apresentado a participação da população como peça essencial para que o plano reflita as demandas reais das mulheres de Mariana. O chamamento público divulgado nos canais oficiais da prefeitura também incentiva inscrições prévias para ampliar a presença da comunidade no debate. Num município em que a vida pública ainda carrega marcas profundas de desigualdade, discutir direitos das mulheres em espaço aberto tem peso que vai além do calendário institucional. É nesse tipo de encontro que a política deixa de ser apenas promessa e começa, de fato, a ganhar corpo na escuta. Essa leitura é uma inferência a partir do objetivo público da oficina e do papel atribuído ao plano.
UFOP adere a pacto nacional contra o feminicídio e leva debate ao semestre letivo de 2026

Universidade passa a integrar articulação lançada pelos Três Poderes e prepara ações para o Mês da Mulher e para o início das aulas, previsto para 6 de abril, com foco no enfrentamento à violência de gênero. A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) passou a integrar o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, uma articulação lançada em fevereiro de 2026 pelos Três Poderes para enfrentar a violência letal contra mulheres e ampliar medidas de prevenção, proteção e responsabilização. Na universidade, a adesão será acompanhada por ações ao longo do Mês da Mulher e do semestre 2026/1, cujo início está previsto para 6 de abril. A universidade entra numa frente nacional A entrada da UFOP no pacto insere a universidade numa mobilização institucional que tenta responder, de forma coordenada, a um problema que há muito deixou de caber apenas nas estatísticas. Segundo a própria instituição, a adesão mira a proteção de direitos e a busca por respostas mais eficazes à violência de gênero, levando o tema para dentro do ambiente acadêmico e das rotinas de formação. No plano nacional, o pacto foi lançado em 4 de fevereiro de 2026 com a proposta de reunir Executivo, Legislativo e Judiciário em ações integradas de prevenção, proteção e responsabilização nos casos de violência letal contra mulheres. Entre os objetivos anunciados estão o fortalecimento das redes de atendimento, a ampliação de campanhas educativas, a agilização do cumprimento de medidas protetivas e o combate à impunidade. Do discurso institucional à vida universitária Na UFOP, a adesão ao pacto vem acompanhada de uma agenda pensada para março e para o semestre 2026/1. Segundo a universidade, a proposta é ampliar o debate sobre feminicídio e outros temas ligados à luta das mulheres dentro do espaço acadêmico. O calendário oficial dos cursos presenciais indica como previsão de início do período letivo o dia 6 de abril de 2026. Uma das ações já anunciadas é a participação da UFOP na campanha Banco Vermelho, símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. A instituição informou que instalará bancos em seus campi em 9 de março, com unidades também em Mariana, além de divulgar informações sobre denúncia e acolhimento, inclusive por meio da Ouvidoria Feminina. Informação, denúncia e articulação O pacto também prevê a plataforma TodosPorTodas.br, apresentada como um espaço para concentrar informações sobre a iniciativa, reunir canais de denúncia e divulgar políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, além de estimular a participação de órgãos públicos, empresas e sociedade civil. Na prática, a aposta é que a circulação mais organizada de informação ajude a encurtar distâncias entre a violência, a denúncia e a resposta institucional. No noticiário oficial do governo federal, o lançamento da iniciativa ocorreu em meio a um cenário que ajuda a dimensionar a urgência do tema. Segundo dados do sistema de Justiça citados pelo governo, em 2025 foram julgados, em média, 42 casos de feminicídio por dia no país, enquanto 621.202 medidas protetivas foram concedidas no mesmo período. Entre Ouro Preto, Mariana e a responsabilidade pública Em cidades como Ouro Preto e Mariana, onde a universidade ocupa um lugar central na vida pública, a adesão ao pacto carrega um peso que ultrapassa a esfera administrativa. Quando uma instituição de ensino assume esse compromisso, ela também afirma que a produção de conhecimento não pode caminhar apartada da defesa da vida. Mais do que aderir a uma agenda nacional, a UFOP indica que o tema deverá atravessar o cotidiano universitário nos próximos meses. A expectativa, segundo a instituição, é que o debate sobre feminicídio, machismo estrutural e igualdade de gênero ganhe presença mais contínua entre campanhas, ações educativas e canais de escuta.
No ano do recorde de feminicídios no Brasil, como está a nossa região?

Matéria – Larissa e Maria Fernanda | Vintém Larissa tinha 25 anos. Maria Fernanda, dois. O que os matou começa muito antes da faca O feminicídio de mãe e filha em Mariana chocou a região. A cobertura de parte da imprensa chocou também — por razões diferentes. O Vintém apura os dados da violência contra a mulher em Ouro Preto, Mariana e Itabirito e ouve quem trabalha para que cada morte seja contada com o nome certo. Na tarde de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, vizinhos do bairro Santa Clara, em Mariana, ouviram gritos vindos de uma casa na rua Caetano Pinto. Depois, silêncio. Quando a Polícia Militar chegou, encontrou Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e a filha do casal, Maria Fernanda Oliveira Gomes, 2 anos, mortas no quintal da residência, abraçadas, com múltiplas lesões na cabeça, no pescoço e nos membros. O facão usado no crime foi encontrado no terreno vizinho. O companheiro delas, Felipe Gomes Cordeiro, 24 anos, chegou ao local acompanhado do padrasto e ele mesmo conduziu os policiais até os corpos. Preso em flagrante, apresentou versões contraditórias. Acabou confessando. Sua prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte. Ele deve permanecer preso até o julgamento. A Prefeitura de Mariana classificou o crime como “brutal” e prestou solidariedade aos familiares. “Um crime brutal, que causa indignação e tristeza em toda cidade”, dizia o comunicado oficial. No sábado seguinte, 7 de fevereiro, centenas de pessoas foram às ruas em uma marcha convocada por moradores — batizada de Marcha dos Homens, com concentração no Centro de Convenções e caminhada até a Praça Minas Gerais. Uma familiar de Larissa e Maria Fernanda tomou a palavra e lembrou que o feminicídio é o estágio final de uma violência que começa muito antes. Mas enquanto a cidade enlutuada marchava, parte da cobertura jornalística do caso trilhava outro caminho. A narrativa que mata duas vezes Nos dias que se seguiram ao crime, algumas publicações escolheram destacar em seus títulos a versão do próprio suspeito — a de que uma “suposta traição” teria “motivado” ou “levado” o homem a matar. O problema não é mencionar o contexto alegado pelo suspeito. O problema é transformar essa alegação no enquadramento central da história: quando o título diz que a traição “levou” alguém a matar, está construindo uma relação de causalidade. Não descreve o crime — explica, e ao explicar, justifica. “O feminicídio não começa na manchete. Mas a manchete pode determinar se a próxima mulher vai pedir socorro ou vai ficar em silêncio, com medo de não ser acreditada.” — Campanha da Associação Riograndense de Imprensa, 2026 O Projeto Ariadnes, observatório de mídia, gênero e sexualidade da UFOP, sediado no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas de Mariana, publicou em suas redes sociais uma análise da cobertura do caso — apontando exatamente esse padrão. O projeto, coordenado pela professora Karina Gomes Barbosa e com atuação na formação de jornalistas da Região dos Inconfidentes, tem realizado oficinas sobre cobertura ética de feminicídios desde 2025. A publicação gerou ampla repercussão e debate entre moradores e profissionais da comunicação. A pesquisadora e linguista Ana Maduro, cujo trabalho embasou um projeto de lei debatido na Câmara Legislativa do Distrito Federal em março de 2026, resume o mecanismo: “Muitas manchetes acabam diminuindo a responsabilidade do agressor ao sugerir motivações relacionadas ao comportamento da vítima.” O ciclo se fecha quando a cobertura replica e amplifica a mesma lógica que estrutura a violência de gênero: a de que a mulher é responsável pelo que acontece a ela. Traição, real ou suposta, não justifica assassinato. Nem de uma mulher adulta. Nem de uma criança de dois anos. O que os dados dizem sobre nossa região O caso de Larissa e Maria Fernanda não é isolado. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais mostram que a violência doméstica é persistente nas três cidades que o Vintém cobre. Ouro Preto lidera em números absolutos entre elas: foram 588 registros em 2021, subindo para 703 em 2022 e 697 em 2023. Até abril de 2024, o município já acumulava 256 casos — um ritmo que sugeria encerrar o ano próximo dos recordes anteriores. Em Mariana, a média histórica é igualmente elevada: 638 registros em 2021, 605 em 2022, 607 em 2023. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania do município informou, até junho de 2024, uma média de 13 novos casos de violência atendidos por mês — com violência física, psicológica e abuso sexual entre as formas mais comuns. Itabirito registrou 461 casos em 2021, queda para 346 em 2022, retorno a 405 em 2023. Esses números, cabe lembrar, dizem respeito às ocorrências registradas. A subnotificação é histórica: o medo, a dependência financeira, o estigma social e, especialmente em cidades menores, o risco de exposição em comunidades onde agressor e vítima são conhecidos de todos — tudo isso mantém uma parte significativa dos casos fora das estatísticas oficiais. 📊 Dados regionais · Violência doméstica Ouro Preto, Mariana e Itabirito: o que os registros mostram Município 2021 2022 2023 Jan–Abr 2024 Ouro Preto 588 ↑ 703 697 256 Mariana 638 605 607 173 Itabirito 461 ↓ 346 405 144 Registros de violência doméstica — todas as formas (física, psicológica, sexual, patrimonial). Os números refletem ocorrências registradas, não o total real: especialistas estimam subnotificação significativa, especialmente em cidades de médio porte. 13 novos casos de violência atendidos por mês em Mariana (média até jun/2024) 166 famílias atendidas mensalmente nos centros de referência de Itabirito 3 municípios com CREAS ativo para acolhimento de vítimas VINTÉM Fonte: Sejusp-MG / Observatório de Segurança Pública · dados até abr/2024 🇧🇷 Panorama · Minas Gerais e Brasil Feminicídio: o que os números nacionais dizem sobre o que acontece aqui 1.568 feminicídios consumados no Brasil em 2025 — recorde histórico desde 2015 4,7% crescimento em relação a 2024, que já havia batido recorde 13.703 mulheres mortas por feminicídio no Brasil desde a tipificação do crime (2015–2025) 4/dia média de feminicídios consumados no Brasil desde 2022 Ocorrências
Câmara de Ouro Preto lança Campanha da Fraternidade 2026 com debate sobre moradia

Audiência pública acontece nesta segunda-feira (9), às 18h, no plenário da Câmara; evento é aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo YouTube A Câmara Municipal de Ouro Preto realiza nesta segunda-feira, 9 de março, às 18h, a audiência pública de lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. O evento, proposto pelos vereadores Kuruzu (PT) e Matheus Pacheco (PV), acontece no plenário da Casa e é aberto à participação da comunidade. A Campanha da Fraternidade é promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante o período da Quaresma. Em 2026, o tema escolhido é “Fraternidade e Moradia” e o lema, retirado do Evangelho de João, é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Ao longo da Quaresma, a iniciativa mobiliza paróquias, pastorais e movimentos sociais em todo o país por meio de atividades de formação, encontros e ações solidárias. Para o vereador Kuruzu, a escolha do tema pela Igreja chega em momento especialmente significativo para Ouro Preto. “Essa Campanha da Fraternidade 2026 chega em um momento oportuno para a nossa cidade. Saber que a Igreja Católica propõe essa reflexão sobre um tema tão importante alimenta o debate e a nossa atuação na luta por moradia em Ouro Preto”, afirmou. A audiência desta segunda integra um contexto mais amplo de debates sobre habitação que vêm ocupando o legislativo municipal. Na semana passada, Ouro Preto assistiu à assinatura do acordo judicial que encerra a disputa pelas chamadas Terras da Novelis, garantindo regularização fundiária para moradores de cinco bairros da área sul da cidade e abrindo caminho para a construção de moradias populares. Na mesma semana, o vereador Kuruzu anunciou o avanço de projeto de lei do deputado estadual Elton Pimentel que prevê a doação de aproximadamente 20 hectares da antiga FEBEM ao município para a implantação de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A audiência pública de hoje busca apresentar à comunidade a proposta da campanha deste ano e trazer o debate para o contexto municipal, discutindo a realidade da moradia em Ouro Preto a partir da reflexão proposta pela CNBB. 🏛️ Serviço · Audiência Pública Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara de Ouro Preto Tema · Fraternidade e Moradia “Ele veio morar entre nós” João 1,14 · CNBB 2026 📅 Quando 9 de março de 2026Segunda-feira · 18h 📍 Onde Plenário da Câmara MunicipalPraça Tiradentes, 41 🎙️ Requerimento Vereadores Kuruzu (PT)e Matheus Pacheco (PV) 🎟️ Entrada Aberta ao público Gratuita ▶️ Transmissão ao vivo pelo canal oficial da Câmara Municipal de Ouro Preto no YouTube VINTÉM Informação que vale ouro
Sexta edição do Festur será realizada em junho em Ouro Preto

Festival Internacional de Turismo e Cultura chega à sua maior edição no Centro de Artes e Convenções da UFOP entre os dias 10 e 12 de junho; evento reúne cidades históricas de Minas Gerais e já soma mais de 9,5 mil visitantes em suas edições anteriores. O prefeito Angelo Oswaldo anunciou o início das tratativas para a sexta edição do Festur — Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto —, que acontece de 10 a 12 de junho no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O evento, que desde 2019 se consolidou como principal vitrine do turismo das cidades históricas mineiras, deve ser, segundo os organizadores, a edição mais robusta da história do festival. O anúncio foi feito após reunião da Prefeitura com Márcio Abdo de Freitas, presidente do Convention & Visitors Bureau de Ouro Preto e Circuito do Ouro, e com Cássia Regina Neves, CEO da CM Business Hub, empresa produtora do evento. “Iniciando aí as tratativas para o sexto Festur, o Festival de Turismo e Cultura em Ouro Preto”, declarou o prefeito, destacando a participação do setor empresarial. “Todas as cidades históricas estão convidadas a participar”, acrescentou. O festival reúne municípios, circuitos turísticos, gestores públicos e empresas do setor para três dias de expositores, palestras, painéis temáticos, atrações gastronômicas e intervenções culturais. A entrada é gratuita — com inscrição necessária para atividades técnicas. Ao longo das cinco edições anteriores, o Festur reuniu 127 cidades, representantes de 14 países, 185 expositores e mais de 9,5 mil visitantes, de acordo com dados dos organizadores. Cássia Regina Neves destacou a importância da articulação que antecede o evento. “Para nós foi de grande importância, principalmente reafirmando essa parceria que nós construímos”, disse ela sobre a reunião com a Prefeitura. “A conexão com os empresários foi muito forte e é isso que a gente sempre buscou.” Márcio Abdo de Freitas foi na mesma direção: “Nós estamos partindo agora para a sexta edição e esperamos que ela seja bem maior e mais robusta do que as cinco edições anteriores.” Uma trajetória construída desde 2019 Criado pelo Convention Bureau de Ouro Preto em parceria com a CM Business Hub, o Festur realizou sua primeira edição em 2019 e ficou interrompido durante os dois anos mais críticos da pandemia de Covid-19. Retomou em 2022 e vem crescendo de forma contínua. Na edição de 2025, já na quinta versão, o festival apresentou resultados concretos de projetos iniciados em edições anteriores — como a Rota Caparaó Mineiro, que nasceu em 2019 como ideia e hoje é roteiro estruturado reconhecido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. O festival acontece sempre no Centro de Artes e Convenções da UFOP, na Rua Diogo de Vasconcelos, 328, no bairro Pilar — espaço que já se tornou a casa do evento em suas seis edições.
Maior desastre geológico da história de Juiz de Fora deixa ao menos 23 mortos e dezenas de desaparecidos na Zona da Mata mineira

Chuvas que quebraram todos os recordes históricos da cidade atingiram também Ubá e Matias Barbosa; vice-governador Mateus Simões coordena operação com mais de 500 bombeiros em campo. Previsão de novos temporais até o fim de fevereiro mantém alerta máximo na região. Foto: Departamento dos Bombeiros de MG/ via AFP Uma supercélula — tempestade rara e de grande severidade — varreu a Zona da Mata de Minas Gerais na madrugada desta terça-feira (24) e transformou Juiz de Fora no cenário do maior desastre geológico já registrado na história da cidade. Até a última atualização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, 23 pessoas morreram, 47 estão desaparecidas e mais de 440 famílias estão desabrigadas. Os municípios de Ubá e Matias Barbosa também foram gravemente atingidos. O vice-governador Mateus Simões (PSD) foi ao local e coordenou as operações pessoalmente. Em pronunciamento, informou que o governo estadual atua desde as 9h de segunda-feira (23) e que, no momento de sua fala, dez áreas seguiam com atuação ativa do Corpo de Bombeiros. “Nós estamos falando, obviamente, do maior desastre geológico que já aconteceu na cidade de Juiz de Fora”, declarou Simões, citando também Ubá e Matias Barbosa entre os municípios mais afetados. Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa decretaram estado de calamidade pública. O governo federal reconheceu oficialmente a calamidade em Juiz de Fora na manhã desta terça-feira, desbloqueando o acesso a recursos federais de emergência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio imediato de equipes da Força Nacional do SUS e do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) da Defesa Civil Nacional para a região. O governador Romeu Zema (Novo), que cumpria agenda em Unaí quando os temporais se intensificaram, anunciou deslocamento a Juiz de Fora e decretou luto oficial de três dias em todo o estado. O volume de chuva que ninguém esperava A magnitude da tragédia tem uma explicação nos dados meteorológicos. Juiz de Fora acumulou 584 milímetros de chuva ao longo de fevereiro — quase quatro vezes a média histórica prevista de 170,3 milímetros para o mês inteiro, segundo a Defesa Civil. O recorde anterior da cidade datava de 1988, quando foram registrados 456 milímetros. Em Ubá, conforme a Defesa Civil municipal, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas, provocando a maior inundação registrada nos últimos anos. O transbordamento do Rio Paraibuna foi um dos principais vetores da destruição em Juiz de Fora. Segundo o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o rio saiu da calha e gerou mais de 40 chamados emergenciais em poucas horas, envolvendo alagamentos, soterramentos, interdição de vias e risco estrutural em encostas. A prefeita Margarida Salomão (PT) descreveu a dimensão: “Nove casas desceram uma sobre as outras”, disse ela ao se referir a um deslizamento no bairro Costa Carvalho. “Os bairros estão ilhados. Os córregos estão todos absolutamente transbordando”, completou. Em Matias Barbosa, o transbordamento simultâneo dos rios Paraibuna e São Fidélis isolou completamente a cidade. O prefeito Mauricio dos Reis Domingos (PSB) decretou calamidade para acessar recursos federais e agilizar as ações emergenciais, mas até a última atualização não havia confirmações de vítimas no município. Operação de resgate em escala máxima Com mais de 500 militares empregados nas buscas — entre eles 108 bombeiros só em Juiz de Fora e 28 em Ubá, segundo a Itatiaia —, as equipes enfrentam condições adversas de terreno e a instabilidade do solo saturado. Cães farejadores e o Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres reforçam a operação. A prefeita Margarida anunciou ainda o deslocamento de mais 150 bombeiros do estado para o município. Ainda nesta terça, a Defesa Civil determinou a evacuação preventiva de cerca de 600 famílias em bairros de Juiz de Fora com risco elevado: Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras. A medida foi motivada pela instabilidade do solo e pela previsão de novos temporais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho de acumulado de chuva para Minas Gerais, com previsão de até 100 milímetros por dia até sexta-feira (27). Uma nova frente fria deve avançar sobre a Zona da Mata até o final de fevereiro. Ajuda humanitária e alerta para golpes As primeiras carretas de ajuda humanitária chegaram a Juiz de Fora às 18h desta terça-feira. O vice-governador Simões informou que o governo estadual iniciou arrecadação de recursos pelo programa SOS Águas para as famílias que precisarão reconstruir suas vidas. A prefeitura de Juiz de Fora mantém pontos de coleta de doações — alimentos não perecíveis, água, roupas e itens de higiene — em locais como o Prédio Sede PJF (Av. Brasil, 2001). A administração municipal alertou que não está arrecadando dinheiro via Pix e pediu atenção para evitar golpes. As chuvas também afetaram o abastecimento de água em diversas regiões de Juiz de Fora, com captações paralisadas por falta de energia. Serviços de saúde como a farmácia municipal, o Centro de Especialidades Odontológicas e a Policlínica Regional estão temporariamente suspensos. O transporte público foi interrompido. O vice-governador encerrou seu pronunciamento com uma observação que extrapola o momento emergencial: “A gente tem de começar a tratar a questão da ocupação irregular de terrenos de uma forma diferente no Brasil”, disse Simões. A frase resume um debate que tragédias como esta recolocam em pauta — e que, em Ouro Preto, com suas 313 áreas de risco mapeadas, segue sem resposta definitiva.