Ouro Preto, terça-feira, maio 12, 2026 22:06

No Dia Mundial da Fibromialgia, pacientes de Ouro Preto relatam dificuldade no acesso ao tratamento pelo SUS

Em Ouro Preto, a data chega com requerimento na Câmara e relatos de dificuldade no acesso ao SUS Todo 12 de maio é o Dia Mundial de Conscientização da

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Jiljana Isidoro

Em Ouro Preto, a data chega com requerimento na Câmara e relatos de dificuldade no acesso ao SUS

Todo 12 de maio é o Dia Mundial de Conscientização da Fibromialgia. Em Ouro Preto, a data mobilizou a Câmara Municipal nesta terça-feira: o vereador Ricardo Gringo (Republicanos) protocolou o Requerimento 172/2026, pedindo ao Poder Executivo a implementação de políticas públicas de atendimento, acolhimento e garantia de direitos às pessoas diagnosticadas com a doença no município. O vereador Matheus Pacheco (PV) lembrou em plenário que é autor de legislação sobre fibromialgia aprovada pela Câmara em 2024.

A data existe desde 2012, quando pacientes e entidades de apoio passaram a usar o 12 de maio — dia de Florence Nightingale — para dar visibilidade a uma condição que afeta cerca de 6 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Nove em cada dez pacientes são mulheres. A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica e generalizada que, por não deixar marcas visíveis nem alterar exames de imagem ou sangue, ainda enfrenta estigma dentro e fora da medicina.

O relato de Deizimar

Deizimar, moradora do bairro Santa Cruz, descreveu ao Vintém sua experiência tentando acessar o tratamento pela rede pública municipal. Ela aguarda avaliação com a equipe multidisciplinar da policlínica e, segundo seu relato, há “umas 300 pessoas” na fila à sua frente. O único reumatologista disponível na rede pública atende às segundas-feiras, das 9h às 14h. Ela relata que, na última vez que foi, o profissional não estava.

“Pela demanda, é um profissional e muita demanda. Se não fizer um mutirão ou se não fizer uma parceria, a gente vai passar esse ano e não vai ter essa avaliação, porque a gente precisa da carteirinha”, disse. A carteira de identificação é o documento que habilita o paciente a acessar os direitos previstos em lei — e sua emissão, em Ouro Preto, depende de avaliação prévia com equipe multiprofissional. Deizimar também mencionou o custo das medicações: “É uma doença que vai ser tratada pelo resto da vida e as medicações não ficam barato.”

O Vintém procurou o secretário municipal de Saúde, Leandro Moreira, para comentar a situação. Leandro Moreira não se posicionou até o fechamento desta reportagem.

O que é fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética difusa, persistente, acompanhada de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, ansiedade e depressão. O diagnóstico é clínico — feito por exclusão, geralmente por reumatologista — e não há cura. O tratamento é para a vida toda, com foco no controle dos sintomas por meio de medicamentos, fisioterapia, atividade física e acompanhamento multidisciplinar.

O que a legislação prevê

Nos últimos anos, o arcabouço legal sobre fibromialgia se expandiu em diferentes níveis. Em 2023, a Lei Federal 14.705 instituiu o Programa Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Fibromialgia, determinando atendimento integral no SUS com equipe multidisciplinar. Em julho de 2025, a Lei Federal 15.176 passou a permitir o enquadramento da condição como deficiência, mediante avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional — o que abre caminho para benefícios previdenciários, cotas e isenções. Em Minas Gerais, a Lei Estadual 24.508/2023 já assegurava direitos equivalentes aos de pessoas com deficiência aos fibromiálgicos com limitações comprovadas.

Em Ouro Preto, a Prefeitura publicou decreto executivo regulamentando as leis federal e estadual no âmbito municipal, reconhecendo a fibromialgia como deficiência para todos os fins de direito e garantindo atendimento prioritário, vagas de estacionamento reservadas e gratuidade no transporte coletivo municipal — condicionados à avaliação biopsicossocial. O número do decreto não foi confirmado até o fechamento desta reportagem. A Câmara Municipal aprovou a Proposição de Lei nº 460/2024, de autoria do vereador Matheus Pacheco (PV), que obriga órgãos públicos e estabelecimentos privados do município a disponibilizar atendimento preferencial a pessoas com fibromialgia.

Em ambos os casos, o acesso aos direitos depende da comprovação da condição — e é exatamente esse processo que Deizimar e outras pacientes relatam como gargalo na rede pública local.

📋 Fibromialgia — o que é
O que é: Síndrome de dor crônica e generalizada no sistema musculoesquelético
Sintomas: Dor generalizada, fadiga, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, ansiedade e depressão
Diagnóstico: Clínico, feito por exclusão — não há alteração em exames de imagem ou sangue
Prevalência no Brasil: Cerca de 6 milhões de pessoas
Perfil: 9 em cada 10 pacientes são mulheres
Tem cura? Não — tratamento é para toda a vida
Símbolo: Borboleta roxa
📋 Seus direitos
Atendimento integral no SUS: equipe com médico, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta — Lei Federal 14.705/2023
Possibilidade de enquadramento como PcD: mediante avaliação biopsicossocial — Lei Federal 15.176/2025
Se enquadrado como PcD: BPC-LOAS, cotas de emprego, isenções fiscais e demais direitos da Lei Brasileira de Inclusão
Em MG: Lei Estadual 24.508/2023 — direitos de PcD a fibromiálgicos com limitações comprovadas
Em Ouro Preto: Decreto municipal — atendimento prioritário, estacionamento e gratuidade no transporte, mediante avaliação
Primeiro passo no SUS: Encaminhamento pelo posto de saúde para reumatologista
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