UFOP leva debate sobre justiça climática e mineração à Cúpula do Clima da ONU, em Belém

Imagem: reprodução @marcelinoxibil Painel conduzido pela professora Deborah Kelly aborda impactos dos desastres da Samarco e da Braskem e conecta pesquisas acadêmicas a vivências de comunidades atingidas. A Universidade Federal de Ouro Preto participou da Cúpula do Clima das Nações Unidas, em Belém, com um debate que aproxima ciência, memória e denúncia. A professora Deborah Kelly Pessoa e o artista mineiro Marcelino Xibil discutem os desastres da Samarco e da Braskem a partir de uma perspectiva de justiça climática. Uma presença mineira na COP30 A UFOP, por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Naebi), integra a programação oficial da cúpula no pavilhão Ciclo dos Povos. A participação marca a inserção da universidade — e, por extensão, da Região dos Inconfidentes — nas discussões globais sobre clima, território e desigualdades. Entre Minas e Alagoas, duas tragédias interligadas O painel “Justiça Climática e Mineração: Diálogos sobre os casos Samarco (Mariana – MG) e Braskem (Maceió – AL)” reúne reflexão teórica e produção artística para discutir os efeitos de desastres que, embora geograficamente distantes, compartilham raízes comuns. Natural de Maceió, Deborah cresceu em uma das áreas impactadas pelo colapso causado pela extração de sal-gema. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a atividade provocou instabilidade no solo e levou à desocupação de mais de 14 mil imóveis, afetando cerca de 60 mil pessoas. Em Mariana, cidade onde leciona desde 2010, a professora também acompanhou de perto o rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, que deixou 19 mortos e devastou a bacia do Rio Doce. A coincidência entre as duas experiências a levou a articular uma pesquisa que compara as respostas institucionais às tragédias. Pesquisa, arte e memória O estudo integra o estágio pós-doutoral de Deborah na Universidade de Brasília e envolve uma rede de coletivos: a Casa de Cultura Negra de Ouro Preto, o Movimento Negro de Mariana e o Cotidiano Fotográfico. A proposta, explica a pesquisadora, é compreender como comunidades vulneráveis vivenciam e narram esses impactos, dando centralidade às vozes frequentemente relegadas ao segundo plano. O coordenador geral do Naebi, Clézio Roberto, reforça o caráter político do debate. “É uma atividade que acontece na COP30 como proposta de reflexão sobre o racismo ambiental que afeta a qualidade de vida da população e agrava desigualdades”, afirma. O papel de Marcelino Xibil O artista ouro-pretano Marcelino Xibil contribui com obras que dialogam com o extrativismo e seus impactos sobre corpos e territórios. Suas criações, marcadas por referências à visualidade afro-brasileira e às camadas históricas das cidades mineradoras, ampliam o debate proposto por Deborah ao traduzir em imagens aquilo que muitas vezes escapa aos relatórios técnicos. Ao lado da pesquisadora, Xibil constrói uma leitura sensível dos desastres, valorizando as narrativas de comunidades que convivem com a mineração em seu cotidiano. Um alerta climático global Relatórios recentes do IPCC indicam que populações vulneráveis correm risco até 15 vezes maior de morrer em eventos climáticos extremos. Para Deborah, essa realidade aproxima os desastres mineiro e alagoano de discussões internacionais sobre adaptação, reparação e justiça. A apresentação da UFOP, portanto, assume papel estratégico dentro do encontro global: provoca gestores públicos, pesquisadores e representantes comunitários a repensar modelos de exploração mineral e políticas de proteção socioambiental.

Saneouro divulga nota sobre processo societário; posicionamento confirma que venda global da controladora segue em andamento com conclusão prevista para 2026

Após a repercussão internacional da venda da GS Inima — uma das controladoras da Saneouro — para a estatal de Abu Dhabi TAQA, por cerca de US$ 1,2 bilhão, a concessionária divulgou uma nota oficial sobre o tema. Sem entrar em detalhes sobre a operação global, a Saneouro afirma que o processo de inclusão de um novo acionista na estrutura societária da GS Inima já está em curso e que pode ser concluído apenas em 2026. O que diz a nota da Saneouro No comunicado, a empresa informa que: A nota não nega a negociação noticiada pela imprensa internacional; apenas esclarece que, no âmbito da Saneouro, nenhuma mudança societária se efetivou até o momento, o que é compatível com o estágio da operação global, que depende de aprovações formais, como informado anteriormente pelo Vintém. (leia aqui a matéria completa) Contexto internacional: venda da GS Inima foi anunciada em agosto A operação envolvendo a GS Inima foi anunciada no dia 25 de agosto de 2025 por veículos internacionais como Reuters, El País / CincoDías, Korea Economic Daily e pela própria TAQA, por meio de comunicado distribuído via PR Newswire. O valor divulgado é de aproximadamente US$ 1,2 bilhão, e o negócio faz parte da estratégia da TAQA de ampliar sua presença global no setor de água — da dessalinização ao saneamento. A GS Inima opera cerca de 50 projetos em 10 países, incluindo concessões de longo prazo na América Latina, Europa e Oriente Médio. Por que a conclusão depende de 2026 Como mostrado anteriormente, o acordo global está sujeito a: No Brasil, qualquer mudança de controle que afete a Saneouro — mesmo que indiretamente — depende de anuência prévia da Prefeitura de Ouro Preto, conforme previsto no contrato de concessão. A Prefeitura informou que ainda não recebeu comunicado sobre eventual pedido de anuência. Situação atual

Você é pessoa autista? Conheça seus direitos no comércio

A situação pode acontecer em qualquer lugar: uma pessoa autista entra em pânico na fila do supermercado. Luzes fortes, barulho, pessoas tocando. Precisa sair correndo, envergonhada. Semanas depois, compra tudo pela internet ou viaja para Belo Horizonte. Mas aqui está a notícia que você não conhecia: você, como pessoa autista, tem direito legal de ser atendido de forma inclusiva em qualquer estabelecimento comercial da região. Restaurante, loja, farmácia, salão de beleza. Não é favor. É lei. E se não forem, quem viola esse direito pode ser multado pelo Ministério Público. O que é esse direito, afinal? Pessoas autistas têm o que chamamos de “dupla vulnerabilidade”. Primeiro, porque são consumidoras (e a lei protege todo consumidor). Segundo, porque têm deficiência (e a lei protege quem tem deficiência). Isso significa proteção em dobro. Pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), todo estabelecimento público ou privado — padaria, barbearia, consultório, hotel — precisa: Atender com humanidade e acolhimento. Sem pressa, sem tom condescendente. Oferecer ambiente sensorial adequado. Isso significa: menos barulho, iluminação controlada, espaço para você se acalmar. Respeitar o atendimento prioritário. Quem é pessoa autista (ou está acompanhado) não fica esperando. Fornecer estacionamento acessível para quem precisa. Treinar a equipe para reconhecer e acolher pessoas autistas. Se tudo isso faltar, não é “falta de educação”. É violação de direito. E tem consequência. Como saber se você está sendo prejudicado Você foi: Se a resposta for sim, houve violação de direito. O que fazer agora Passo 1: Documente tudo Anote a data, hora, nome do estabelecimento, nome de quem atendeu, o que aconteceu. Se puder, tire foto ou vídeo. Passo 2: Tente resolver na hora (se seguro) Converse com o gerente. Muitas vezes é falta de conhecimento, não má vontade. Diga: “Tenho direito de ser atendido com humanidade. Isso está previsto em lei.” Passo 3: Se não resolver, procure o Ministério Público Em Ouro Preto, Mariana e Itabirito, o Ministério Público tem Promotores de Justiça especializados em defesa de pessoas autistas e direitos do consumidor. Eles investigam denúncias e podem: Passo 4: Registre boletim de ocorrência (em casos graves) Se houve discriminação clara, registre na polícia também. Passo 5: Denuncie ao Procon O Procon-MG (órgão de defesa do consumidor) também recebe denúncias de violações de direitos. Funciona por telefone, e-mail e presencialmente. Dica de ouro O Ministério Público de Minas Gerais já criou um protocolo específico chamado “Aprender, Entender para Acolher” que ensina comerciantes como atender pessoas autistas. Existe até um manual pronto. Se um estabelecimento se recusa a melhorar, você pode pedir que o Ministério Público ofereça essa capacitação forçadamente. Além disso: 86% dos consumidores brasileiros preferem marcas que investem em inclusão. Para os comerciantes, incluir pessoas autistas é bom negócio. Eles apenas não sabem disso ainda.

Por que tantos millennials estão tendo câncer?

No mundo, os casos de câncer devem sair dos 20 milhões de casos de 2022 para cerca de 35 milhões em 2050, representando um aumento geral de quase 77%. A tendência é particularmente acentuada nos tumores digestivos e ginecológicos, que estão aparecendo cada vez mais frequentemente em adultos jovens. É a geração do imediato, da ansiedade e da pílula de solução rápida. Dikushin Dmitry/Shutterstock Lydia Begoña Horndler Gil, Universidad San Jorge Se você está lendo estas linhas, talvez pertença à geração millennial (como eu) e provavelmente já notou que há cada vez mais casos de amigos ou conhecidos com doenças que costumavam ser associadas à idade adulta avançada, como hipertensão e diabetes tipo 2. Ou, talvez, uma que seja ainda mais assustadora de nomear: o câncer. Os millennials_ (nascidos entre 1981 e 1995) fazem parte da primeira geração com mais risco de tumores do que seus pais: entre 1990 e 2019, os casos de câncer de início precoce entre pessoas com menos de 50 anos aumentaram 79% em todo o mundo, e a mortalidade, 28%. A verdade é que cerca de 80% dos cânceres são “esporádicos”, ou seja, não se devem a mutações hereditárias, mas a fatores externos que danificam o DNA ao longo do tempo: o que comemos, o que respiramos, o nível de atividade física que mantemos, nosso descanso, estresse ou exposição a substâncias nocivas. Fatores de risco na geração millennial. Elaborado pelo autor. Em outras palavras, mais do que a genética que herdamos, o que realmente faz a diferença são os fatores que nos cercam em nosso dia a dia. E está claro que o estilo de vida de nossos pais ou avós era diferente do nosso. Dieta e sua marca no corpo Um dos principais fatores por trás dessa “nova epidemia” é a dieta. A obesidade infantil começou a disparar na década de 1980. Em 2022, mais de 390 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos estavam acima do peso, dos quais 160 milhões eram obesos, de acordo com a OMS. Essa condição não é apenas estética: ela está associada à resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau e distúrbios hormonais que aumentam o risco de desenvolver câncer colorretal, de mama ou endometrial. O mais importante é que esses efeitos não desaparecem com a idade: a obesidade infantil pode deixar uma marca de longo prazo. De acordo com a Colon Cancer Foundation, uma meta-análise envolvendo mais de 4,7 milhões de pessoas mostrou que aqueles com um índice de massa corporal elevado no início da vida têm um risco maior de câncer colorretal na idade adulta: 39% a mais em homens e 19% a mais em mulheres do que aqueles com um IMC normal na infância. Essas mudanças na dieta também alteraram nossa microbiota intestinal. Foi demonstrado que as dietas altamente ultraprocessadas reduzem a diversidade bacteriana e aumentam a proporção de cepas produtoras de metabólitos pró-inflamatórios. Isso contribui para doenças gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável (SII), que agora parece quase endêmica na minha geração do milênio. Em um jantar com amigos, se você perguntar quem sofre de algum desses problemas, poucas mãos não serão levantadas. O álcool e seus efeitos invisíveis O segundo grande culpado é o álcool. As reuniões sociais dos millennials geralmente giram em torno de uma mesa com comida e bebida. Durante anos, acreditou-se que uma taça de vinho era “protetora”, mas hoje sabemos que não existe um nível seguro de consumo de álcool: a IARC o classifica como um carcinógeno do grupo 1, no mesmo nível do tabaco. O etanol é transformado em acetaldeído, um composto que danifica o DNA. Além disso, os padrões de consumo de álcool diferem entre as gerações: enquanto os “baby boomers” têm maior frequência de consumo diário de álcool, os “millennials” tendem a beber menos diariamente, mas com mais episódios de “binge drinking” (consumo excessivo de álcool para ficar bêbado em pouco tempo), um padrão que acarreta altos riscos. Isso é confirmado pela pesquisa espanhola EDADES 2024 Survey of the Ministry of Health, por exemplo, que mostra a diferente periculosidade dos comportamentos entre as gerações. Consumo de álcool na geração dos millennials. E como se isso não bastasse, um estudo recente da Environmental Science & Technology descobriu que muitas cervejas contêm substâncias perfluoroalquílicas (PFAS), conhecidas como “produtos químicos eternos” e ligadas ao aumento da incidência de câncer de testículo e de rim. Dormir pouco também deixa cicatrizes Mas há mais. Dormimos menos e pior do que as gerações anteriores: pesquisas recentes mostram que a geração Y e a geração Z dormem, em média, de 30 a 45 minutos a menos por noite do que os baby boomers, em grande parte devido à exposição noturna a telas e mídias sociais. Essa luz artificial altera a secreção de melatonina, um hormônio com propriedades antioxidantes e reguladoras do ciclo celular. A privação crônica do sono não só prejudica o reparo do DNA, mas também reduz os efeitos protetores da melatonina contra o câncer: baixos níveis desse hormônio têm sido associados a uma capacidade reduzida de neutralizar o dano oxidativo ao DNA e ao aumento da proliferação celular. Além disso, a interrupção do ritmo circadiano interfere na expressão dos principais genes de reparo do DNA, acumulando mutações ao longo do tempo e aumentando o risco de processos tumorais. O peso invisível do estresse Somos provavelmente a geração com os níveis mais altos de cortisol. Quando o “hormônio do estresse” permanece elevado por muito tempo, ele não apenas promove a resistência à insulina e a hipertensão, mas também enfraquece o sistema imunológico. Pesquisas mostram que o estresse crônico aumenta a inflamação, dificulta a eliminação de células anormais pelas defesas do corpo e pode até mesmo “despertar” células tumorais adormecidas. Na verdade, estudos na população em geral descobriram que as pessoas com maior carga de estresse têm até duas vezes mais risco de morrer de câncer em comparação com aquelas que controlam melhor o estresse. O risco da automedicação E, por fim, as gerações recentes