Acontece hoje (11): Mariana realiza oficina para construir Plano Municipal dos Direitos das Mulheres

Encontro promovido pela Subsecretaria da Mulher e Direitos Humanos será às 18h, no Centro de Convenções, e busca reunir poder público e sociedade civil na formulação de metas para políticas públicas voltadas às mulheres no município. Mariana promove nesta quarta-feira, 11 de março, a oficina de elaboração do Plano Municipal dos Direitos das Mulheres. Aberta à participação popular, a atividade acontece às 18h, no Centro de Convenções, e integra o esforço de construção coletiva de diretrizes para a promoção da igualdade de gênero e o enfrentamento das desigualdades no município. Um plano para orientar políticas públicas A proposta é transformar escuta em política pública. A oficina marcada para hoje pretende reunir contribuições da sociedade civil para um documento que deve orientar ações do município em diferentes frentes, da proteção de direitos à ampliação da participação das mulheres na vida social. Segundo a convocação divulgada pela prefeitura, o plano servirá como instrumento de organização de metas e prioridades para a atuação do poder público. Em vez de um texto restrito ao gabinete, a ideia é construir o plano a muitas mãos. Após essa etapa participativa, o documento será encaminhado ao Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, responsável pelo controle social e pelo acompanhamento da efetivação das propostas. Participação popular no centro do processo A gestão municipal tem apresentado a participação da população como peça essencial para que o plano reflita as demandas reais das mulheres de Mariana. O chamamento público divulgado nos canais oficiais da prefeitura também incentiva inscrições prévias para ampliar a presença da comunidade no debate. Num município em que a vida pública ainda carrega marcas profundas de desigualdade, discutir direitos das mulheres em espaço aberto tem peso que vai além do calendário institucional. É nesse tipo de encontro que a política deixa de ser apenas promessa e começa, de fato, a ganhar corpo na escuta. Essa leitura é uma inferência a partir do objetivo público da oficina e do papel atribuído ao plano.
UFOP adere a pacto nacional contra o feminicídio e leva debate ao semestre letivo de 2026

Universidade passa a integrar articulação lançada pelos Três Poderes e prepara ações para o Mês da Mulher e para o início das aulas, previsto para 6 de abril, com foco no enfrentamento à violência de gênero. A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) passou a integrar o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, uma articulação lançada em fevereiro de 2026 pelos Três Poderes para enfrentar a violência letal contra mulheres e ampliar medidas de prevenção, proteção e responsabilização. Na universidade, a adesão será acompanhada por ações ao longo do Mês da Mulher e do semestre 2026/1, cujo início está previsto para 6 de abril. A universidade entra numa frente nacional A entrada da UFOP no pacto insere a universidade numa mobilização institucional que tenta responder, de forma coordenada, a um problema que há muito deixou de caber apenas nas estatísticas. Segundo a própria instituição, a adesão mira a proteção de direitos e a busca por respostas mais eficazes à violência de gênero, levando o tema para dentro do ambiente acadêmico e das rotinas de formação. No plano nacional, o pacto foi lançado em 4 de fevereiro de 2026 com a proposta de reunir Executivo, Legislativo e Judiciário em ações integradas de prevenção, proteção e responsabilização nos casos de violência letal contra mulheres. Entre os objetivos anunciados estão o fortalecimento das redes de atendimento, a ampliação de campanhas educativas, a agilização do cumprimento de medidas protetivas e o combate à impunidade. Do discurso institucional à vida universitária Na UFOP, a adesão ao pacto vem acompanhada de uma agenda pensada para março e para o semestre 2026/1. Segundo a universidade, a proposta é ampliar o debate sobre feminicídio e outros temas ligados à luta das mulheres dentro do espaço acadêmico. O calendário oficial dos cursos presenciais indica como previsão de início do período letivo o dia 6 de abril de 2026. Uma das ações já anunciadas é a participação da UFOP na campanha Banco Vermelho, símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. A instituição informou que instalará bancos em seus campi em 9 de março, com unidades também em Mariana, além de divulgar informações sobre denúncia e acolhimento, inclusive por meio da Ouvidoria Feminina. Informação, denúncia e articulação O pacto também prevê a plataforma TodosPorTodas.br, apresentada como um espaço para concentrar informações sobre a iniciativa, reunir canais de denúncia e divulgar políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, além de estimular a participação de órgãos públicos, empresas e sociedade civil. Na prática, a aposta é que a circulação mais organizada de informação ajude a encurtar distâncias entre a violência, a denúncia e a resposta institucional. No noticiário oficial do governo federal, o lançamento da iniciativa ocorreu em meio a um cenário que ajuda a dimensionar a urgência do tema. Segundo dados do sistema de Justiça citados pelo governo, em 2025 foram julgados, em média, 42 casos de feminicídio por dia no país, enquanto 621.202 medidas protetivas foram concedidas no mesmo período. Entre Ouro Preto, Mariana e a responsabilidade pública Em cidades como Ouro Preto e Mariana, onde a universidade ocupa um lugar central na vida pública, a adesão ao pacto carrega um peso que ultrapassa a esfera administrativa. Quando uma instituição de ensino assume esse compromisso, ela também afirma que a produção de conhecimento não pode caminhar apartada da defesa da vida. Mais do que aderir a uma agenda nacional, a UFOP indica que o tema deverá atravessar o cotidiano universitário nos próximos meses. A expectativa, segundo a instituição, é que o debate sobre feminicídio, machismo estrutural e igualdade de gênero ganhe presença mais contínua entre campanhas, ações educativas e canais de escuta.
No ano do recorde de feminicídios no Brasil, como está a nossa região?

Matéria – Larissa e Maria Fernanda | Vintém Larissa tinha 25 anos. Maria Fernanda, dois. O que os matou começa muito antes da faca O feminicídio de mãe e filha em Mariana chocou a região. A cobertura de parte da imprensa chocou também — por razões diferentes. O Vintém apura os dados da violência contra a mulher em Ouro Preto, Mariana e Itabirito e ouve quem trabalha para que cada morte seja contada com o nome certo. Na tarde de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, vizinhos do bairro Santa Clara, em Mariana, ouviram gritos vindos de uma casa na rua Caetano Pinto. Depois, silêncio. Quando a Polícia Militar chegou, encontrou Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e a filha do casal, Maria Fernanda Oliveira Gomes, 2 anos, mortas no quintal da residência, abraçadas, com múltiplas lesões na cabeça, no pescoço e nos membros. O facão usado no crime foi encontrado no terreno vizinho. O companheiro delas, Felipe Gomes Cordeiro, 24 anos, chegou ao local acompanhado do padrasto e ele mesmo conduziu os policiais até os corpos. Preso em flagrante, apresentou versões contraditórias. Acabou confessando. Sua prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte. Ele deve permanecer preso até o julgamento. A Prefeitura de Mariana classificou o crime como “brutal” e prestou solidariedade aos familiares. “Um crime brutal, que causa indignação e tristeza em toda cidade”, dizia o comunicado oficial. No sábado seguinte, 7 de fevereiro, centenas de pessoas foram às ruas em uma marcha convocada por moradores — batizada de Marcha dos Homens, com concentração no Centro de Convenções e caminhada até a Praça Minas Gerais. Uma familiar de Larissa e Maria Fernanda tomou a palavra e lembrou que o feminicídio é o estágio final de uma violência que começa muito antes. Mas enquanto a cidade enlutuada marchava, parte da cobertura jornalística do caso trilhava outro caminho. A narrativa que mata duas vezes Nos dias que se seguiram ao crime, algumas publicações escolheram destacar em seus títulos a versão do próprio suspeito — a de que uma “suposta traição” teria “motivado” ou “levado” o homem a matar. O problema não é mencionar o contexto alegado pelo suspeito. O problema é transformar essa alegação no enquadramento central da história: quando o título diz que a traição “levou” alguém a matar, está construindo uma relação de causalidade. Não descreve o crime — explica, e ao explicar, justifica. “O feminicídio não começa na manchete. Mas a manchete pode determinar se a próxima mulher vai pedir socorro ou vai ficar em silêncio, com medo de não ser acreditada.” — Campanha da Associação Riograndense de Imprensa, 2026 O Projeto Ariadnes, observatório de mídia, gênero e sexualidade da UFOP, sediado no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas de Mariana, publicou em suas redes sociais uma análise da cobertura do caso — apontando exatamente esse padrão. O projeto, coordenado pela professora Karina Gomes Barbosa e com atuação na formação de jornalistas da Região dos Inconfidentes, tem realizado oficinas sobre cobertura ética de feminicídios desde 2025. A publicação gerou ampla repercussão e debate entre moradores e profissionais da comunicação. A pesquisadora e linguista Ana Maduro, cujo trabalho embasou um projeto de lei debatido na Câmara Legislativa do Distrito Federal em março de 2026, resume o mecanismo: “Muitas manchetes acabam diminuindo a responsabilidade do agressor ao sugerir motivações relacionadas ao comportamento da vítima.” O ciclo se fecha quando a cobertura replica e amplifica a mesma lógica que estrutura a violência de gênero: a de que a mulher é responsável pelo que acontece a ela. Traição, real ou suposta, não justifica assassinato. Nem de uma mulher adulta. Nem de uma criança de dois anos. O que os dados dizem sobre nossa região O caso de Larissa e Maria Fernanda não é isolado. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais mostram que a violência doméstica é persistente nas três cidades que o Vintém cobre. Ouro Preto lidera em números absolutos entre elas: foram 588 registros em 2021, subindo para 703 em 2022 e 697 em 2023. Até abril de 2024, o município já acumulava 256 casos — um ritmo que sugeria encerrar o ano próximo dos recordes anteriores. Em Mariana, a média histórica é igualmente elevada: 638 registros em 2021, 605 em 2022, 607 em 2023. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania do município informou, até junho de 2024, uma média de 13 novos casos de violência atendidos por mês — com violência física, psicológica e abuso sexual entre as formas mais comuns. Itabirito registrou 461 casos em 2021, queda para 346 em 2022, retorno a 405 em 2023. Esses números, cabe lembrar, dizem respeito às ocorrências registradas. A subnotificação é histórica: o medo, a dependência financeira, o estigma social e, especialmente em cidades menores, o risco de exposição em comunidades onde agressor e vítima são conhecidos de todos — tudo isso mantém uma parte significativa dos casos fora das estatísticas oficiais. 📊 Dados regionais · Violência doméstica Ouro Preto, Mariana e Itabirito: o que os registros mostram Município 2021 2022 2023 Jan–Abr 2024 Ouro Preto 588 ↑ 703 697 256 Mariana 638 605 607 173 Itabirito 461 ↓ 346 405 144 Registros de violência doméstica — todas as formas (física, psicológica, sexual, patrimonial). Os números refletem ocorrências registradas, não o total real: especialistas estimam subnotificação significativa, especialmente em cidades de médio porte. 13 novos casos de violência atendidos por mês em Mariana (média até jun/2024) 166 famílias atendidas mensalmente nos centros de referência de Itabirito 3 municípios com CREAS ativo para acolhimento de vítimas VINTÉM Fonte: Sejusp-MG / Observatório de Segurança Pública · dados até abr/2024 🇧🇷 Panorama · Minas Gerais e Brasil Feminicídio: o que os números nacionais dizem sobre o que acontece aqui 1.568 feminicídios consumados no Brasil em 2025 — recorde histórico desde 2015 4,7% crescimento em relação a 2024, que já havia batido recorde 13.703 mulheres mortas por feminicídio no Brasil desde a tipificação do crime (2015–2025) 4/dia média de feminicídios consumados no Brasil desde 2022 Ocorrências
Câmara de Ouro Preto lança Campanha da Fraternidade 2026 com debate sobre moradia

Audiência pública acontece nesta segunda-feira (9), às 18h, no plenário da Câmara; evento é aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo YouTube A Câmara Municipal de Ouro Preto realiza nesta segunda-feira, 9 de março, às 18h, a audiência pública de lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. O evento, proposto pelos vereadores Kuruzu (PT) e Matheus Pacheco (PV), acontece no plenário da Casa e é aberto à participação da comunidade. A Campanha da Fraternidade é promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante o período da Quaresma. Em 2026, o tema escolhido é “Fraternidade e Moradia” e o lema, retirado do Evangelho de João, é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Ao longo da Quaresma, a iniciativa mobiliza paróquias, pastorais e movimentos sociais em todo o país por meio de atividades de formação, encontros e ações solidárias. Para o vereador Kuruzu, a escolha do tema pela Igreja chega em momento especialmente significativo para Ouro Preto. “Essa Campanha da Fraternidade 2026 chega em um momento oportuno para a nossa cidade. Saber que a Igreja Católica propõe essa reflexão sobre um tema tão importante alimenta o debate e a nossa atuação na luta por moradia em Ouro Preto”, afirmou. A audiência desta segunda integra um contexto mais amplo de debates sobre habitação que vêm ocupando o legislativo municipal. Na semana passada, Ouro Preto assistiu à assinatura do acordo judicial que encerra a disputa pelas chamadas Terras da Novelis, garantindo regularização fundiária para moradores de cinco bairros da área sul da cidade e abrindo caminho para a construção de moradias populares. Na mesma semana, o vereador Kuruzu anunciou o avanço de projeto de lei do deputado estadual Elton Pimentel que prevê a doação de aproximadamente 20 hectares da antiga FEBEM ao município para a implantação de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A audiência pública de hoje busca apresentar à comunidade a proposta da campanha deste ano e trazer o debate para o contexto municipal, discutindo a realidade da moradia em Ouro Preto a partir da reflexão proposta pela CNBB. 🏛️ Serviço · Audiência Pública Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara de Ouro Preto Tema · Fraternidade e Moradia “Ele veio morar entre nós” João 1,14 · CNBB 2026 📅 Quando 9 de março de 2026Segunda-feira · 18h 📍 Onde Plenário da Câmara MunicipalPraça Tiradentes, 41 🎙️ Requerimento Vereadores Kuruzu (PT)e Matheus Pacheco (PV) 🎟️ Entrada Aberta ao público Gratuita ▶️ Transmissão ao vivo pelo canal oficial da Câmara Municipal de Ouro Preto no YouTube VINTÉM Informação que vale ouro
Sexta edição do Festur será realizada em junho em Ouro Preto

Festival Internacional de Turismo e Cultura chega à sua maior edição no Centro de Artes e Convenções da UFOP entre os dias 10 e 12 de junho; evento reúne cidades históricas de Minas Gerais e já soma mais de 9,5 mil visitantes em suas edições anteriores. O prefeito Angelo Oswaldo anunciou o início das tratativas para a sexta edição do Festur — Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto —, que acontece de 10 a 12 de junho no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O evento, que desde 2019 se consolidou como principal vitrine do turismo das cidades históricas mineiras, deve ser, segundo os organizadores, a edição mais robusta da história do festival. O anúncio foi feito após reunião da Prefeitura com Márcio Abdo de Freitas, presidente do Convention & Visitors Bureau de Ouro Preto e Circuito do Ouro, e com Cássia Regina Neves, CEO da CM Business Hub, empresa produtora do evento. “Iniciando aí as tratativas para o sexto Festur, o Festival de Turismo e Cultura em Ouro Preto”, declarou o prefeito, destacando a participação do setor empresarial. “Todas as cidades históricas estão convidadas a participar”, acrescentou. O festival reúne municípios, circuitos turísticos, gestores públicos e empresas do setor para três dias de expositores, palestras, painéis temáticos, atrações gastronômicas e intervenções culturais. A entrada é gratuita — com inscrição necessária para atividades técnicas. Ao longo das cinco edições anteriores, o Festur reuniu 127 cidades, representantes de 14 países, 185 expositores e mais de 9,5 mil visitantes, de acordo com dados dos organizadores. Cássia Regina Neves destacou a importância da articulação que antecede o evento. “Para nós foi de grande importância, principalmente reafirmando essa parceria que nós construímos”, disse ela sobre a reunião com a Prefeitura. “A conexão com os empresários foi muito forte e é isso que a gente sempre buscou.” Márcio Abdo de Freitas foi na mesma direção: “Nós estamos partindo agora para a sexta edição e esperamos que ela seja bem maior e mais robusta do que as cinco edições anteriores.” Uma trajetória construída desde 2019 Criado pelo Convention Bureau de Ouro Preto em parceria com a CM Business Hub, o Festur realizou sua primeira edição em 2019 e ficou interrompido durante os dois anos mais críticos da pandemia de Covid-19. Retomou em 2022 e vem crescendo de forma contínua. Na edição de 2025, já na quinta versão, o festival apresentou resultados concretos de projetos iniciados em edições anteriores — como a Rota Caparaó Mineiro, que nasceu em 2019 como ideia e hoje é roteiro estruturado reconhecido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. O festival acontece sempre no Centro de Artes e Convenções da UFOP, na Rua Diogo de Vasconcelos, 328, no bairro Pilar — espaço que já se tornou a casa do evento em suas seis edições.
Maior desastre geológico da história de Juiz de Fora deixa ao menos 23 mortos e dezenas de desaparecidos na Zona da Mata mineira

Chuvas que quebraram todos os recordes históricos da cidade atingiram também Ubá e Matias Barbosa; vice-governador Mateus Simões coordena operação com mais de 500 bombeiros em campo. Previsão de novos temporais até o fim de fevereiro mantém alerta máximo na região. Foto: Departamento dos Bombeiros de MG/ via AFP Uma supercélula — tempestade rara e de grande severidade — varreu a Zona da Mata de Minas Gerais na madrugada desta terça-feira (24) e transformou Juiz de Fora no cenário do maior desastre geológico já registrado na história da cidade. Até a última atualização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, 23 pessoas morreram, 47 estão desaparecidas e mais de 440 famílias estão desabrigadas. Os municípios de Ubá e Matias Barbosa também foram gravemente atingidos. O vice-governador Mateus Simões (PSD) foi ao local e coordenou as operações pessoalmente. Em pronunciamento, informou que o governo estadual atua desde as 9h de segunda-feira (23) e que, no momento de sua fala, dez áreas seguiam com atuação ativa do Corpo de Bombeiros. “Nós estamos falando, obviamente, do maior desastre geológico que já aconteceu na cidade de Juiz de Fora”, declarou Simões, citando também Ubá e Matias Barbosa entre os municípios mais afetados. Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa decretaram estado de calamidade pública. O governo federal reconheceu oficialmente a calamidade em Juiz de Fora na manhã desta terça-feira, desbloqueando o acesso a recursos federais de emergência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio imediato de equipes da Força Nacional do SUS e do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) da Defesa Civil Nacional para a região. O governador Romeu Zema (Novo), que cumpria agenda em Unaí quando os temporais se intensificaram, anunciou deslocamento a Juiz de Fora e decretou luto oficial de três dias em todo o estado. O volume de chuva que ninguém esperava A magnitude da tragédia tem uma explicação nos dados meteorológicos. Juiz de Fora acumulou 584 milímetros de chuva ao longo de fevereiro — quase quatro vezes a média histórica prevista de 170,3 milímetros para o mês inteiro, segundo a Defesa Civil. O recorde anterior da cidade datava de 1988, quando foram registrados 456 milímetros. Em Ubá, conforme a Defesa Civil municipal, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas, provocando a maior inundação registrada nos últimos anos. O transbordamento do Rio Paraibuna foi um dos principais vetores da destruição em Juiz de Fora. Segundo o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o rio saiu da calha e gerou mais de 40 chamados emergenciais em poucas horas, envolvendo alagamentos, soterramentos, interdição de vias e risco estrutural em encostas. A prefeita Margarida Salomão (PT) descreveu a dimensão: “Nove casas desceram uma sobre as outras”, disse ela ao se referir a um deslizamento no bairro Costa Carvalho. “Os bairros estão ilhados. Os córregos estão todos absolutamente transbordando”, completou. Em Matias Barbosa, o transbordamento simultâneo dos rios Paraibuna e São Fidélis isolou completamente a cidade. O prefeito Mauricio dos Reis Domingos (PSB) decretou calamidade para acessar recursos federais e agilizar as ações emergenciais, mas até a última atualização não havia confirmações de vítimas no município. Operação de resgate em escala máxima Com mais de 500 militares empregados nas buscas — entre eles 108 bombeiros só em Juiz de Fora e 28 em Ubá, segundo a Itatiaia —, as equipes enfrentam condições adversas de terreno e a instabilidade do solo saturado. Cães farejadores e o Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres reforçam a operação. A prefeita Margarida anunciou ainda o deslocamento de mais 150 bombeiros do estado para o município. Ainda nesta terça, a Defesa Civil determinou a evacuação preventiva de cerca de 600 famílias em bairros de Juiz de Fora com risco elevado: Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras. A medida foi motivada pela instabilidade do solo e pela previsão de novos temporais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho de acumulado de chuva para Minas Gerais, com previsão de até 100 milímetros por dia até sexta-feira (27). Uma nova frente fria deve avançar sobre a Zona da Mata até o final de fevereiro. Ajuda humanitária e alerta para golpes As primeiras carretas de ajuda humanitária chegaram a Juiz de Fora às 18h desta terça-feira. O vice-governador Simões informou que o governo estadual iniciou arrecadação de recursos pelo programa SOS Águas para as famílias que precisarão reconstruir suas vidas. A prefeitura de Juiz de Fora mantém pontos de coleta de doações — alimentos não perecíveis, água, roupas e itens de higiene — em locais como o Prédio Sede PJF (Av. Brasil, 2001). A administração municipal alertou que não está arrecadando dinheiro via Pix e pediu atenção para evitar golpes. As chuvas também afetaram o abastecimento de água em diversas regiões de Juiz de Fora, com captações paralisadas por falta de energia. Serviços de saúde como a farmácia municipal, o Centro de Especialidades Odontológicas e a Policlínica Regional estão temporariamente suspensos. O transporte público foi interrompido. O vice-governador encerrou seu pronunciamento com uma observação que extrapola o momento emergencial: “A gente tem de começar a tratar a questão da ocupação irregular de terrenos de uma forma diferente no Brasil”, disse Simões. A frase resume um debate que tragédias como esta recolocam em pauta — e que, em Ouro Preto, com suas 313 áreas de risco mapeadas, segue sem resposta definitiva.
Carnaval 2026 terá 12 ambulâncias e dois pontos de atendimento médico; expectativa é superar 500 atendimentos de 2025

Estrutura montada pela Secretaria de Saúde inclui postos na Praça Tiradentes e ao lado da Prefeitura; Cachoeira do Campo terá atendimento 24 horas e distritos até meia-noite Ouro Preto terá 12 ambulâncias distribuídas em pontos estratégicos do Carnaval 2026 e dois postos de atendimento médico fixos no centro histórico. O esquema de saúde foi detalhado pelo secretário municipal de Saúde, Leandro Moreira, em vídeo divulgado nesta semana. “A sua saúde também importa nesse carnaval. Serão 12 ambulâncias distribuídas em todos os pontos, todos os locais que tem carnaval”, anunciou o secretário. A estrutura foi montada para evitar a sobrecarga da UPA Dom Orione e do hospital municipal durante os seis dias de folia (12 a 17 de fevereiro). Distribuição das ambulâncias As ambulâncias estarão posicionadas nos seguintes locais: No centro histórico: Nos distritos: Pontos fixos de atendimento médico Dois postos de atendimento médico com equipes completas funcionarão durante todo o Carnaval: 1. Praça TiradentesLocal central onde ocorrem desfiles das escolas de samba e grande concentração de blocos 2. Ao lado da Prefeitura (próximo à Liga dos Blocos)Região onde acontece o Carnaval Universitário no Espaço Folia Horários de funcionamento Cachoeira do Campo: Atendimento 24 horas Antônio Pereira e Santa Rita: Atendimento até 0h (meia-noite) Centro histórico (sede): Informações não especificadas, mas estrutura permanente durante todo o período SAMU de prontidão Além da estrutura municipal, o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) estará de prontidão para atender emergências de maior complexidade envolvendo ouro-pretanos e turistas. Expectativa com base em 2025 Em 2025, os pontos de atendimento do Carnaval registraram mais de 500 atendimentos. “Nossa expectativa é atender melhor ainda os nossos foliões”, afirmou Leandro Moreira. O secretário destacou que todo o reforço na estrutura de saúde visa garantir que foliões tenham assistência rápida sem sobrecarregar as unidades fixas do município. “Saúde de Ouro Preto, reforçando toda a sua estrutura para atender da melhor forma o nosso Carnaval de Ouro Preto”, concluiu.
Dona Salete recebe a casa reformada na sexta de Carnaval

Prefeitura anuncia entrega de moradia com “conforto, segurança e dignidade”; reforma foi realizada pela Associação SOL com recursos de emenda do vereador Kuruzu. Em vídeo divulgado nas redes da Prefeitura, o secretário municipal de Governo, Yuri Borges Assunção, anuncia a entrega da casa de Dona Salete após reforma e resume o dia com uma frase que desloca o foco do brilho para o básico: “É dia de festa, mas não tem alegria maior que devolver a casa da Dona Salete totalmente reformada”. Segundo o secretário, a obra foi realizada pela Associação SOL e viabilizada por emenda parlamentar do vereador Kuruzu, com o objetivo de devolver à moradora “conforto, segurança e dignidade”. Quem é a Associação SOL e como a parceria aparece em registros públicos A Associação Solidariedade Ouro Lar – SOL foi declarada de utilidade pública por lei municipal em 2025, com identificação de CNPJ e sede em Ouro Preto. No Diário Oficial do município, foi formalizado um termo de colaboração para requalificação de moradias por meio de pequenas melhorias e reformas voltadas a famílias em vulnerabilidade, “com o objetivo de apoiar o programa Um Teto é Tudo”. O mesmo documento aponta que o repasse previsto (R$ 407.368,00) seria proveniente de emenda parlamentar impositiva — incluindo do vereador Kuruzu. A entrega da casa de Dona Salete, portanto, se encaixa numa arquitetura de política pública que mistura execução via organização da sociedade civil, financiamento por emendas e coordenação municipal — modelo que, quando bem monitorado e transparente, pode acelerar reformas pequenas que mudam o destino de uma família. “Um Teto é Tudo”: do projeto técnico à casa possível A Prefeitura de Ouro Preto lançou o Um Teto é Tudo em 2022, com a proposta de oferecer serviços técnicos gratuitos (arquitetura, urbanismo e engenharia) a cidadãos de baixa renda — uma resposta prática a um problema que, em cidades históricas e acidentadas, costuma ser também estrutural: casa em risco, reforma adiada, vulnerabilidade crônica. Em outra frente, registros públicos apontam a existência de um eixo de requalificação de moradias com previsão de R$ 3 milhões, destinados a reformas estruturais e melhorias menores, com participação prevista da própria Associação SOL nas primeiras intervenções. O que essa entrega diz sobre a cidade, no meio da festa Ouro Preto é uma cidade em que o chão ensina: subir cansa, descer exige atenção. Em dias de Carnaval, a multidão aprende isso na pele — e, fora da folia, muita gente aprende dentro de casa, quando a moradia deixa de proteger como deveria. A entrega anunciada pelo secretário de Governo insere uma pausa importante no roteiro oficial da alegria: lembra que, por trás do calendário turístico, existe a vida cotidiana que não entra em cartaz. E que “dignidade” — palavra muito usada e nem sempre cumprida — às vezes começa no que não aparece na foto: parede firme, piso seguro, telhado que não falha na chuva.
“Sinhá Olímpia, quem é você?”: Ouro Preto retoma pergunta da Mangueira 36 anos depois e transforma folia de 2026 em homenagem à “primeira hippie do Brasil”

Tema do Carnaval ouro-pretano cita literalmente o refrão do samba-enredo campeão do Estandarte de Ouro em 1990; escolha marca 50 anos do falecimento da personagem que inspirou Milton Nascimento, foi capa da Life e conheceu de Juscelino a Rita Lee O Carnaval de Ouro Preto 2026, que acontece de 12 a 17 de fevereiro, tem como tema oficial “Sinhá Olímpia, quem é você?” — pergunta que cita literalmente o refrão do samba-enredo com que a Estação Primeira de Mangueira homenageou a icônica personagem ouro-pretana em 1990. A escolha marca os 50 anos do falecimento de Olympia Angélica de Almeida Cotta, figura que atravessou as fronteiras de Minas para virar tema de escola de samba no Rio, inspirar música no “Clube da Esquina 2” de Milton Nascimento e ser chamada por Rita Lee de “a primeira hippie do Brasil”. A conexão entre o carnaval mineiro e o carioca não é coincidência. Em 26 de fevereiro de 1990, a Mangueira levou para a Sapucaí o enredo “E deu a louca no barroco”, assinado pelos carnavalescos Ernesto do Nascimento e Fábio Borges, com samba-enredo composto pelo trio Hélio Turco, Jurandir e Alvinho — que conquistou o Estandarte de Ouro de melhor samba daquele ano. O refrão, interpretado por Jamelão, perguntava: “Sinhá Olímpia, quem é você?” E respondia com versos que se tornaram antológicos: “Sou amor, sou esperança / Sou Mangueira até morrer.” Agora, 36 anos depois, Ouro Preto retoma a pergunta e convida foliões, turistas e moradores a conhecer — ou relembrar — quem foi a mulher que transformou as ladeiras barrocas em palco de liberdade, delírio e poesia. Quem foi Sinhá Olímpia Olympia Angélica de Almeida Cotta nasceu em 1889 em Santa Rita Durão, distrito de Mariana, e viveu em Ouro Preto entre as décadas de 1950 e 1970, até sua morte em 1976. Seu visual era inconfundível: roupas coloridas, chapéus enfeitados com flores e papéis de balas, bijuterias grandes, um cajado ornamentado com flores e tiras de papel colorido, e sempre um cigarro na boca. Mas não foi só a aparência extravagante que a tornou lendária. Sinhá Olímpia era contadora de histórias delirantes, misturando realidade e fantasia com tal convicção que encantava moradores e turistas. Dizia ter dançado em bailes com Tiradentes, tomado café com Dom Pedro I, e se apresentava como uma espécie de imperatriz de Vila Rica. “Ela era uma figura meio mítica, que misturava um pouco de loucura na realidade da vida. Contava casos de bailes nunca dançados com Tiradentes e cafés tomados com Dom Pedro, que nunca existiram”, explicou o secretário de Cultura e Turismo de Ouro Preto, Flávio Malta, em entrevista recente. A extrema sensibilidade e capacidade imaginativa de Olympia despertaram atenção nacional e internacional. Foi capa da revista Life, participou do programa do Chacrinha, conheceu Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Vinícius de Moraes e Rita Lee. Recebia cartões e presentes do mundo inteiro — chapéus do mercado de pulgas de Paris, medalhas da Inglaterra, moedas de diversos países. De Ouro Preto para a Sapucaí Em 1990, a Mangueira escolheu contar a história de Sinhá Olímpia na avenida. O samba-enredo, considerado por Hélio Turco “o mais bonito feito pelo trio”, recriava poeticamente a trajetória da personagem: “Viveu em Vila Rica a CinderelaEntre sonhos e quimerasDe raríssimo esplendorBrilhou sob o sol da primaveraE a beleza de uma flor (e assim)E assim, enfeitando os salõesEm seu doce delírioConquistou coraçõesAcalentou o ideal da liberdadeE transformou toda mentiraNa mais fiel realidade” O desfile retratou em alas e carros alegóricos as histórias, falas e lugares que ela frequentava. Embora a Mangueira tenha terminado em 8º lugar por ter estourado o tempo de desfile (houve quebra de um carro), o samba conquistou o Estandarte de Ouro e se tornou um clássico da verde-e-rosa. Segundo análises da época, a Mangueira “colocou a avenida inteira para desabar” e saiu “aos gritos de ‘É CAMPEÃ’”, apesar da pontuação final. A pergunta que atravessou décadas O refrão “Sinhá Olímpia, quem é você?” não era apenas uma pergunta retórica. Segundo análises do enredo, a questão sintetizava o mistério em torno da personagem: quem, de fato, foi Sinhá Olympia? Após tantas histórias que fundiam realidade e ilusão, a identidade dela se tornara fluida, múltipla. A resposta dada pela Mangueira — “Sou amor, sou esperança / Sou Mangueira até morrer” — fazia uma leitura filosófica: o espírito inventivo e delirante, mas também apaixonado e caridoso de Sinhá Olímpia era o próprio espírito mangueirense. Agora, em 2026, Ouro Preto retoma a pergunta em um contexto diferente: não mais para levá-la ao Rio, mas para trazê-la de volta para casa, 50 anos após sua morte. “A escolha do tema presta homenagem a uma das figuras mais emblemáticas da história social da cidade”, informou a Prefeitura de Ouro Preto. “A homenagem marca os 50 anos do falecimento de Sinhá Olímpia, personagem lembrada por sua estética singular, presença marcante nas ruas e forte ligação com a liberdade de expressão popular.” Legado além do carnaval A influência de Sinhá Olímpia ultrapassa a folia. Em 1978, Toninho Horta e Ronaldo Bastos compuseram “Dona Olímpia” para o disco duplo “Clube da Esquina 2”, lançado por Milton Nascimento. Em 1998, o estilista Ronaldo Fraga ministrou uma oficina de moda inspirada nela durante o Festival de Inverno de Ouro Preto. Em 1975, foi criada a Escola de Samba Sinhá Olympia em Saramenha (Ouro Preto), que desfila até hoje abordando temas relacionados à história e cultura da cidade. Jefferson de Oliveira Filho, presidente da escola, herdou da família de Olympia todas as roupas deixadas por ela. Como homenagem, uma das senhoras da escola sai todo ano vestida como a personagem. Há peças teatrais, poemas, restaurantes e pousadas que levam seu nome. Artistas como Orózio Belém desenharam seu retrato. Ela se tornou um símbolo de autenticidade, liberdade e resistência. Carnaval 2026: programação e expectativa O Carnaval de Ouro Preto 2026 é considerado um dos maiores e mais tradicionais de Minas Gerais. A expectativa é receber 60 mil foliões e movimentar aproximadamente R$ 55 milhões na economia local. A rede hoteleira
Licitação para obra de R$ 34 milhões no Morro da Forca sai após Carnaval, anuncia prefeito; recursos estavam parados desde 2012

Foto: Nízea Coelho Contenção definitiva da encosta que destruiu Casarão Baeta Neves em 2022 será feita por SEINFRA e DER com verba federal depositada por Dilma há 14 anos; projeto já foi aprovado pelo Ministério das Cidades e IPHAN A licitação para a obra de contenção definitiva do Morro da Forca, no centro de Ouro Preto, será realizada após o Carnaval de 2026. O anúncio foi feito pelo prefeito Angelo Oswaldo em vídeo publicado nesta semana, confirmando que o secretário estadual de Infraestrutura, Pedro Bruno, garantiu o início do certame de concorrência pública logo após a folia. A obra, orçada em R$ 34 milhões, será executada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (SEINFRA) e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) com recursos federais que estavam retidos na Caixa Econômica Federal desde 2012, quando foram depositados pela então presidente Dilma Rousseff para atender demandas de contenção de encostas em Ouro Preto. “Nós estamos muito felizes, são 34 milhões de reais à disposição dessa obra, graças aos 12 milhões depositados em 2012 pela presidente Dilma para atender demandas de Ouro Preto na área de proteção das encostas”, declarou Angelo Oswaldo. “E por isso nós temos condição agora, tanto tempo depois, depois da inércia de muitos governos que não fizeram nada com esse dinheiro que ficou na Caixa Econômica Federal, nós temos condição de recuperar o Morro da Forca e outra vez restabelecer a normalidade de circulação de pedestres e veículos no centro de Ouro Preto.” Três anos após tragédia que destruiu patrimônio histórico A contenção do Morro da Forca tornou-se urgente após o deslizamento de 13 de janeiro de 2022, quando a encosta desabou sobre o Casarão Baeta Neves — primeira construção neocolonial de Ouro Preto, erguida entre 1890 e 1906 — destruindo completamente o imóvel histórico. A UNESCO considerou a perda “uma perda para a humanidade”. Ninguém ficou ferido porque a Defesa Civil interditou a área minutos antes do desabamento, ao observar trincas no morro. Os imóveis já estavam interditados desde 2012, quando ocorreu um deslizamento de menores proporções. Em 7 de janeiro de 2023, um ano depois da tragédia, um novo princípio de deslizamento voltou a ameaçar a região, levando a Defesa Civil a interditar novamente o entorno. A área permaneceu com restrições de circulação por meses. Obras realizadas em etapas Desde 2022, as intervenções no Morro da Forca foram divididas em três etapas: 1ª etapa (2022): Retirada de material e escombros para liberação do trânsito 2ª etapa (2024): Sistema de drenagem pluvial no topo do morro, concluído em junho de 2024 com investimento de R$ 626.501,25 do Governo de Minas. A obra captou e escoou águas superficiais e de camadas internas do solo através de drenagens em formato de “espinha de peixe” e uma escada drenante que direciona as águas para a rede da Rua Pacífico Homem. 3ª etapa (2026): Contenção definitiva da encosta através de taludes (patamares), grampeamento do solo com tirantes de grande profundidade e construção de muro de contenção no pé da encosta. Será executada na face do maciço próxima à Praça Cesário Alvim (Praça da Estação). Projeto aprovado e recursos garantidos O projeto técnico para a contenção foi desenvolvido pela Prefeitura de Ouro Preto e aprovado pelo Ministério das Cidades, pelo Instituto do Fundo de Assistência à Moradia (IFAM), pela SEINFRA e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). “O projeto foi feito pela Prefeitura, entregue ao Ministério das Cidades, aprovado pelo IFAM e pelo Ministério das Cidades, com a participação da Secretaria de Infraestrutura do Estado, a SEINFRA, e do DER, que vão fazer a licitação”, detalhou o prefeito. Segundo Angelo Oswaldo, o valor total disponível (R$ 34 milhões) resulta da atualização dos R$ 12 milhões originalmente depositados em 2012, recursos que integravam o “PAC das Encostas” — programa federal para contenção de encostas em áreas de risco. Recursos parados por 14 anos A verba federal estava retida na Caixa Econômica Federal desde 2012, quando foi liberada pelo Governo Federal durante a gestão da presidente Dilma Rousseff especificamente para obras de contenção de encostas em Ouro Preto. O prefeito criticou a “inércia de muitos governos” que deixaram os recursos parados por mais de uma década. “Tanto tempo depois, depois da inércia de muitos governos que não fizeram nada com esse dinheiro que ficou na Caixa Econômica Federal, nós temos condição de recuperar o Morro da Forca”, afirmou. Em seu discurso de 21 de abril de 2023, Angelo já havia mencionado o problema: “A incúria de gestões do município retardou sua aplicação e a burocracia do estado faz com que tais verbas se desvalorizem e se tornem insuficientes, quando já poderiam ser investidas, pelo menos desde 2021, na proteção dessa encosta.” Risco conhecido há mais de uma década Um estudo realizado em 2016 pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) já apontava que a área do Morro da Forca era de alto risco para deslizamentos. O documento, assinado pelos geólogos Júlio César Lana e Larissa Montandon, mostrava os dois prédios destruídos em 2022 na rota de um possível deslizamento. O professor de engenharia geológica da UFOP, Mateus Oliveira Xavier, afirmou à época que o problema já era conhecido desde 2012, quando os casarões foram interditados, e que medidas como a construção de um muro de contenção poderiam ter sido tomadas. O estudo chegou a ser feito, mas não saiu do papel. Resgate do patrimônio destruído Após a destruição do Casarão Baeta Neves, a Prefeitura realizou trabalho de resgate arqueológico dos elementos artísticos e construtivos do imóvel. Segundo a então secretária de Cultura e Turismo, Margareth Monteiro, aproximadamente 80% dos materiais de valor foram recuperados, incluindo forros, ladrilhos hidráulicos, peças de cantaria, balaústres e outros elementos. Os objetos resgatados — que incluem pisos em marchetaria e ladrilho hidráulico característico do século XIX, além de teto de madeira feito à mão — foram higienizados e devidamente acondicionados. A Prefeitura planeja realizar uma exposição itinerante para contar a história do Casarão Baeta Neves. Monitoramento contínuo Até a execução da obra de contenção definitiva,