São Cristóvão lança seu samba 2026: comunidade em festa para cantar “Eu sou a Revolução”

Evento aberto neste domingo, 14h–19h, na quadra do bairro São Cristóvão; Inconfidência Mineira é escola convidada A Acadêmicos de São Cristóvão abre alas para 2026 com um gesto simples e poderoso: colocar o povo para cantar junto. Neste domingo, a escola realiza o lançamento oficial do samba-enredo 2026, em um encontro que movimenta a quadra do bairro e reafirma a vocação da agremiação de fazer do samba uma casa de memória, afeto e luta. O tema, “Eu sou a Revolução”, costura a ancestralidade negra às montanhas das Minas setecentistas e reposiciona a narrativa da cidade a partir de quem a fez com as próprias mãos. A letra (divulgada nas redes da escola) convoca esperança, perseverança e justiça — um canto de pertencimento que promete embalar a Praça Tiradentes no próximo Carnaval. Fundada em 1980, de verde e rosa e símbolo do cisne branco, a São Cristóvão leva no estandarte a história do bairro e de suas famílias. Entre vitórias e carnavais marcantes, a escola consolidou um estilo que junta pesquisa, poesia e chão de quadra — o segredo de um canto que vem de longe e chega inteiro ao desfile. O lançamento Das 14h às 19h, o público acompanha a Bateria Pulsação e os demais segmentos da escola na apresentação do novo hino. A Inconfidência Mineira (ESIM) participa como convidada, reforçando a liga entre as agremiações ouro-pretanas. Segundo a diretoria, a proposta é simples: integração da comunidade, celebração da tradição e um espaço de convivência onde a cultura popular é a protagonista. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Acadêmicos de São Cristóvão (@esasccristovao) O lançamento do samba é mais que um rito de calendário: é quando a comunidade aprende a canção que irá contar a cidade na avenida. É também quando se costuram alas, fantasias e histórias — e quando a São Cristóvão, do alto da sua tradição, reafirma que Carnaval é obra coletiva.

Ouro Preto ganha Parque Tecnológico Henri Gorceix sem custos para o cofre público municipal

Fundação Gorceix adquiriu terreno na Fazenda da Jacuba para criar hub de inovação em parceria com IFMG, UFOP e Incultec; projeto prevê atração de empresas, geração de empregos e diversificação da economia Ouro Preto deu mais um passo rumo à diversificação econômica com o lançamento da pedra fundamental do Parque Tecnológico Henri Gorceix. O empreendimento, viabilizado pela Fundação Gorceix em parceria com a Prefeitura Municipal, promete transformar a cidade em polo de inovação tecnológica sem exigir investimentos públicos municipais. O terreno na Fazenda da Jacuba foi adquirido pela própria fundação. “Um dia muito importante para Ouro Preto, estamos aqui junto com a Fundação Gorceix colocando a pedra fundamental do Parque Tecnológico, que vai ser aqui na nossa cidade de Ouro Preto”, anunciou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Guerra. “Não há investimento público nenhum aqui. É todo recurso provindo da Fundação Gorceix, que acreditou em uma proposta colocada no nosso plano municipal de desenvolvimento econômico e de inovação em tecnologia.” Ecossistema de inovação já em funcionamento O parque tecnológico é parte de uma estratégia maior de desenvolvimento econômico que já está em andamento. “Nós criamos um hub de inovação que hoje funciona no IFMG, junto com a UFOP, trouxemos a Incultec para a cidade de Ouro Preto e não só, mas dentro da universidade”, detalhou o secretário. “E agora, uma conquista gigante, não só para Ouro Preto, mas para toda Minas Gerais: o Parque Tecnológico de Ouro Preto.” A Incultec (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares) atua desde 2006 na incubação de empresas de base tecnológica da UFOP. Com o parque, esse ecossistema ganha nova estrutura física e possibilidades de expansão. Fundação Gorceix assume protagonismo na inovação A Fundação Gorceix, que há mais de meio século atua no apoio a projetos científicos, educacionais e de assistência social, assume agora papel de destaque na área de inovação tecnológica. “Aqui, a Fundação Gorceix tem compromissos históricos, sociais, econômicos, educacionais”, destacou Felipe Guerra. “Hoje, a Fundação Gorceix começa junto com a Prefeitura Municipal de Ouro Preto a olhar também para o futuro e se colocar no futuro.” A fundação leva o nome de Henri Gorceix, geólogo francês que fundou em 1876 a Escola de Minas de Ouro Preto, eixo histórico de ciência e tecnologia em Minas Gerais. A escolha do nome do parque resgata esse legado de inovação científica. Expectativas de geração de emprego e renda O secretário projeta impactos significativos na economia local: “O parque tecnológico vai trazer várias empresas para essa localização. Então será gerado muito emprego, muita renda, muita inovação, muita solução, muita patente. Um grande negócio para Ouro Preto.” A expectativa é que o parque funcione como polo de atração empresarial, aproximando pesquisa, empresas e governo. A presença do IFMG, UFOP e Incultec cria um corredor natural para pesquisa e desenvolvimento, estágios, spin-offs e transferência de tecnologia. Parte de plano maior de desenvolvimento O Parque Tecnológico integra o sistema de inovação criado pela gestão do prefeito Angelo Oswaldo. “Ouro Preto hoje marca história novamente, pensando no futuro, pensando em soluções para o presente, mas também sempre com olhar na nossa diversificação econômica”, afirmou Felipe Guerra. O secretário destacou outros avanços recentes: “Batemos recorde em número de novos empregos, em atração de novas empresas. Somos selo ouro em Minas Gerais com a Sala Mineira do Empreendedor. O nosso Sine está entre os cinco melhores de Minas Gerais.” A Sala Mineira do Empreendedor de Ouro Preto recebeu, em 11 de dezembro de 2025, o Selo Ouro de Referência em Atendimento do Sebrae, reconhecimento que reforça os esforços municipais no ambiente de negócios. “Um trabalho gigantesco feito pelo prefeito Angelo Oswaldo e pela vice-prefeita Regina Braga, com todo esse desenvolvimento econômico, acreditando em boas políticas públicas para trazer soluções para todo Ouro Preto”, concluiu o secretário. Diversificação além da mineração Se consolidado conforme o planejado, o parque pode representar importante passo na diversificação econômica de Ouro Preto, cidade historicamente dependente da mineração e do setor público. A aposta em tecnologia, inovação e empreendedorismo busca criar novas frentes de geração de emprego e renda. A articulação entre instituições de ensino, empresas privadas, fundações e poder público segue modelo de parques tecnológicos já consolidados em outras regiões do país, onde a proximidade com universidades e centros de pesquisa acelera a transferência de conhecimento para o setor produtivo. O projeto deverá passar por licenciamento ambiental e demais procedimentos urbanísticos conforme a legislação municipal e estadual. Informações sobre cronograma de obras e início das operações devem ser divulgadas nas próximas etapas do empreendimento.

ECA Digital: ‘Temos até março de 2026 para garantir uma internet que acolha e não explore nossas crianças’

Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) Quem cria uma conta em rede social logo clica em um botão que diz “eu confirmo ter mais de 13 anos de idade”. Isso é o que está nos termos de uso da maioria das plataformas. Mas a realidade é outra: crianças estão nessas redes, e não são poucas. Segundo a pesquisa TIC Kids Online, 83% dos brasileiros com acesso à internet entre 9 e 17 anos têm perfil em ao menos uma plataforma, e entre 9 e 10 anos, 60% já participam ativamente desses ambientes. Isso significa que boa parte da infância brasileira convive em espaços digitais que priorizam o engajamento, não o bem-estar. É nesse contexto que o ECA Digital (Lei 15.211/2025), sancionado em 17 de setembro de 2025 a partir do PL 2628/2022, inaugura um novo capítulo da proteção integral. A lei reconhece o ambiente digital como parte da vida cotidiana de crianças e adolescentes e determina que, até março de 2026, o Brasil deve adequar mecanismos de verificação etária, privacidade e segurança. Diante da contagem regressiva e da centralidade do tema, o debate sobre o ECA Digital exige mais do que soluções meramente técnicas: precisa de articulação entre academia, sociedade civil, especialistas e poder público. O desafio não é apenas implementar sistemas de verificação etária, mas definir que tipo de sociedade queremos construir no processo. Afinal, não estamos diante de um problema apenas de código, e sim de um dilema ético e democrático: como proteger sem vigiar? Como garantir direitos sem criar novos riscos? O modelo de autodeclaração falhou Durante anos, as plataformas pediram que os próprios usuários informassem sua idade. Esse sistema de autodeclaração foi apresentado como equilibrado e leve, mas nunca foi eficaz. No levantamento oficial da eSafety australiana, com oito serviços digitais, constatou-se que 80% das crianças de 8 a 12 anos utilizaram redes sociais em 2024, mesmo com a idade mínima geralmente fixada em 13 anos. Apenas 10% das que tinham conta relataram ter tido o perfil derrubado por idade entre janeiro e setembro de 2024, revelando a baixa efetividade dos mecanismos de controle atualmente aplicados. No Reino Unido, estudos que embasaram a lei do Online Safety Act mostraram que a maioria das crianças ignora essas restrições e navega livremente. A própria Ofcom, autoridade britânica, concluiu que autodeclarar idade não é verificação, mas ficção regulatória. Como apresentado inicialmente, o cenário é muito similar no Brasil. O acesso precoce às redes expõe meninas e meninos a publicidade direcionada, desinformação e conteúdos inadequados. As plataformas, por sua vez, seguem se apoiando em critérios opacos de detecção de idade, baseados em linguagem ou comportamento, sem transparência ou controle público. A consequência é uma infância hiperexposta e desassistida. É nesse contexto que o ECA Digital apresenta, dentre outros elementos, a exigência de métodos “altamente efetivos” para verificação etária no ambiente digital. Ele reconhece que a proteção da infância online deve ser política pública e não promessa privada. É o fim da ideia de que a tecnologia pode se autorregular sozinha. Verificar idade não é vigiar identidade Um ponto central do debate é distinguir a verificação etária de verificação de identidade. A primeira busca apenas saber se a pessoa é criança, adolescente ou adulta. A segunda revela quem ela é, com potencial de vigilância e exclusão. Quando o Estado ou as plataformas confundem essas duas coisas, abrem caminho para modelos perigosos de coleta de dados, como reconhecimento facial, CPF obrigatório ou exigência de documentos em cada site acessado. Além do modelo de autodeclaração que já se provou falho, também temos experiências internacionais que mostram os riscos de apostar em soluções simplistas ou desproporcionais. Um exemplo é o uso de cartão de crédito como “prova de maioridade”, prática que falha especialmente no contexto do Brasil, uma vez que cerca de 60% dos brasileiros de baixa renda não possuem cartão de crédito, o que tornaria o acesso à internet desigual e discriminatório. Sem contar que uma criança poderia pegar o cartão de crédito dos pais e utilizar secretamente para acessar sites inadequados. Além disso, esse método abre brechas para fraudes, phishing e coleta desnecessária de dados financeiros, transferindo o problema da proteção infantil para o setor bancário. Outro equívoco seria exigir o upload de documentos de identidade em cada site acessado. Tal prática cria bases privadas de dados biográficos, suscetíveis a vazamentos e a usos indevidos, além de excluir milhões de jovens sem documentação formal. O próprio conceito de “provar ser adulto” só faz sentido em serviços 18+, e não como regra geral da internet. Também se mostram problemáticas as propostas que recorrem à biometria facial, seja para identificar a pessoa, seja para estimar sua idade. A coleta de dados biométricos é altamente sensível, podendo gerar exclusões e vieses, especialmente contra pessoas com deficiência, tons de pele diversos ou expressões atípicas. Mesmo a estimação facial de idade, quando não vinculada à identidade, apresenta margens de erro significativas nos limiares de 12/13 e 17/18 anos, justamente as faixas mais críticas, e pode ser facilmente burlada por imagens geradas por inteligência artificial. Outros métodos que parecem inovadores também apresentam limitações graves. A verificação comportamental, baseada em padrões de escrita, horários de acesso e redes de contato, é intrusiva por definição, pois depende do monitoramento extensivo das atividades do usuário. Já os testes de capacidade ou “maturidade” confundem idade com escolaridade, podendo excluir crianças com deficiência ou contexto educacional precário, ao mesmo tempo em que podem ser facilmente vencidos por quem for treinado. Além disso, propostas como atrelar a verificação ao chip do celular ignoram a realidade brasileira de compartilhamento familiar de aparelhos, onde crianças muitas vezes usam o telefone dos pais, o qual poderia já estar desbloqueado para acesso de conteúdos inadequados. Esses exemplos reforçam que o desafio não é escolher uma ferramenta milagrosa, mas construir um modelo plural, proporcional ao risco e centrado na privacidade da criança, não na conveniência das plataformas. É nesse sentido que outros países oferecem caminhos melhores. A França e a União Europeia como um todo apostam na ideia

Miniaturas em caixa de fósforo vence juri técnico do 53º Concurso Nacional de Presépios da FAOP

Obra “Fiat Lux”, da bióloga e artista visual Natália Aia, conquistou júri técnico com jardim brasileiro em escala microscópica; concurso criado por Murilo Rubião completa mais de cinco décadas valorizando tradição e contemporaneidade A bióloga e artista visual Natália Aia conquistou o primeiro lugar do júri técnico do 53º Concurso Nacional de Presépios da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) com uma obra que cabe na palma da mão. “Fiat Lux” recria o nascimento de Cristo dentro de uma caixa de fósforos, cercado por um jardim de espécies brasileiras em mini-esculturas de papel. O prêmio de R$ 4.500 foi anunciado no dia 12 de dezembro, data de abertura da exposição que segue em cartaz até 24 de janeiro de 2026. “Elaborei este presépio utilizando papel, composto por Jesus, Maria e José e um pequeno jardim dentro de uma insignificante caixinha de fósforo que contém a expressão em latim ‘FIAT LUX’, ou seja, faça-se a luz”, descreve a artista. “Da caixinha trivial espera-se encontrar palitos, mas permitindo-se uma contemplação consciente do detalhe, novos espaços são iluminados.” Formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) em Biologia e pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) em Artes Visuais, Natália possui uma trajetória marcada pela investigação poética da micro-natureza. Sua técnica une elementos da ecologia às mini-esculturas em papel, representando jabuticabeiras e bromélias em escala minuciosa. “Para mim é muito significativo ganhar o Concurso Nacional de Presépios da FAOP, pois tenho uma memória afetiva de elaborar presépios ao longo das férias escolares na casa da minha avó”, conta a artista. “Me sinto honrada, pois essa premiação renova meu propósito como artista, que é um convite para que as pessoas possam experienciar, a partir da lupa que completa o trabalho, uma pequena via da natureza exterior para o interior.” Com a vitória, a obra passa a integrar o acervo permanente da FAOP, que ao longo de mais de 50 anos reuniu peças de artistas de todo o território nacional. 54 anos valorizando saberes e fazeres O Concurso Nacional de Presépios foi criado em 1970, apenas dois anos após a fundação da FAOP, por iniciativa do então presidente Murilo Rubião, escritor mineiro e um dos fundadores da instituição ao lado de Vinicius de Moraes, Domitila do Amaral e Affonso Ávila. “Foi uma ação de uma preocupação de valorizar os saberes e fazeres do Estado de Minas Gerais, que depois se alargou para todo o território nacional”, explica César Teixeira de Carvalho, responsável pelo Concurso de Presépios da FAOP. “Foi uma das primeiras ações que a Fundação de Arte de Ouro Preto teve como proposta enquanto política pública.” No início, o concurso tinha um foco marcante na tradição ouro-pretana. “No primeiro momento, com um foco muito marcante na tradição ouro-pretana, principalmente naquilo que lhe tange a feitura e a produção de madeira e também a produção de pedra sabão”, destaca César Teixeira. “E ao longo desses anos a gente vem cada vez mais fortalecendo essa ação do concurso, e que se torna uma referência nacional.” De 28 a 30 presépios por edição, de todo o Brasil A cada edição, o concurso recebe entre 25 e 30 presépios de diferentes regiões do país. “A gente já teve presépios encaminhados do Rio Grande do Sul, São Paulo, principalmente seu interior. Já recebemos também presépios do Espírito Santo, presépios do Nordeste”, relata o responsável pelo concurso. “Isso vem demarcando cada vez mais a capilarização do território em relação ao concurso.” Para César Teixeira, a surpresa se renova a cada ano: “Para cada edição e para cada momento, sempre nos sentimos surpreendidos ao recebermos os presépios, ao abrir os presépios, que vai cada vez mais nos instigando e nos possibilitando entender o quanto que é grande a capacidade criativa do ser humano.” A diversidade se manifesta “pelo uso dos materiais, pelo conceito trabalhado, pela apropriação de tradições, pela interlocução entre tradição e contemporaneidade”, destaca. “Cada edição deixa marcas daquela época, daquele momento, das questões que estão postas na política, em termos sociais. Pelo próprio uso do material, a gente vai demarcando o ano.” Criatividade e inventividade são os critérios Os critérios de avaliação fogem do convencional. “Os critérios de avaliação estão muito relacionados com a criatividade, com a leitura que o artista ou a artista fez do tema, a inventividade, a imaginação”, explica César Teixeira. “São critérios que estão relacionados muito com o processo criativo e com a temática proposta, que é a cena da natividade de Jesus Cristo.” Apesar das raízes católicas, o concurso busca amplitude: “Apesar de ser algo que é muito forte da tradição católica, a própria temática tem uma abrangência mais universal, respeitando o entendimento dos povos, das etnias e assim por diante.” O concurso possui duas premiações distintas. O júri técnico é “definido a partir da experiência e da trajetória dos membros. Geralmente, são pessoas que têm vinculação com a arte, com a cultura, com a preservação do patrimônio cultural, formado basicamente de cinco componentes, somados aos suplentes.” Já o júri popular envolve toda a comunidade. “Quando nós identificamos o primeiro lugar do júri técnico, nós apresentamos para toda a comunidade esse vencedor. E, a partir do momento, a gente prepara toda uma estrutura virtual, principalmente, e também uma estrutura física”, descreve César. Os visitantes podem votar presencialmente na Galeria Nello Nuno ou através de formulário online. Ambos os prêmios pagam R$ 4.500 e as obras são adquiridas pela FAOP. “Algumas edições, a gente também dá o título de menção honrosa. Mesmo que o presépio não vença, mas dentro das considerações da equipe julgadora, algumas menções honrosas são direcionadas”, complementa César Teixeira. Acervo impulsionou carreiras nacionais O acervo reunido ao longo de mais de cinco décadas guarda histórias importantes da arte brasileira. “Como nós temos um acervo significativo, é muito importante ter em mente que o concurso nacional de presépio tem proporcionado para alguns participantes o demarcador de trajetória”, destaca o responsável pelo concurso. Entre os nomes que passaram pelo concurso, César Teixeira cita com especial carinho Arthur Pereira, de Cachoeira do Brumado: “Um

Plano de Saneamento prevê R$ 300 milhões em 20 anos; governo diz que Novo Acordo do Rio Doce pode exigir nova licitação e atingir contrato da Saneouro

A revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico de Ouro Preto, apresentada em audiência pública na Câmara Municipal nesta semana, estima cerca de R$ 300 milhões em investimentos ao longo de 20 anos para universalizar os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos. A principal discussão da noite, porém, não ficou nos números do diagnóstico — e sim no desenho político-institucional que pode alterar o modelo de prestação do serviço de água e esgoto no município. Ao responder a um questionamento do vereador Kuruzu, o secretário municipal de Meio Ambiente, Chiquinho de Assis, afirmou que os recursos do Novo Acordo do Rio Doce tendem a ser executados pelo Estado, por meio de blocos regionais, o que pode levar a uma nova licitação — com possibilidade de a concessionária atual disputar o processo. “O tal do ‘Fora Saneouro’ vai acontecer, por outros motivos, por outras razões”, disse o secretário. “Faz-se a licitação, que a Saneouro pode disputar e pode ser vencedor (…) Ou ela pode disputar e perder, e ter que sair.” O que muda com a regionalização Segundo o secretário, o Novo Acordo do Rio Doce — tratado pelo governo federal e executado, no eixo do saneamento, sob coordenação do governo estadual — não prevê transferência direta do recurso para o caixa municipal. “Não entra dinheiro em Ouro Preto. Direto para o Estado”, afirmou Chiquinho, ao descrever que a proposta é reunir municípios em um bloco para licitar em conjunto. “Eles vão fazer esse bloco e vão licitar.” Como hipótese de regionalização, citou uma composição envolvendo Ouro Preto, Mariana e Acaiaca. O coordenador do comitê executivo da revisão, o engenheiro Luciano Pereira, fez uma ressalva sobre o risco de descontinuidade caso o modelo avance: “Primeiro licita, prepara infraestrutura (…) para que o cidadão não fique descoberto do serviço (…) e aí sim a empresa deixa de operacionalizar.” Diagnóstico: insatisfação e problemas recorrentes A revisão do plano foi elaborada pelo Consórcio Intermunicipal de Saneamento Ambiental (Consane) e reuniu oficinas participativas, questionários e visitas técnicas no território municipal — sede, distritos e zona rural. No eixo de abastecimento de água, a equipe apresentou um dado que sintetiza o humor da cidade: 60% dos respondentes disseram não estar satisfeitos com o serviço. Já em esgotamento sanitário, o índice de insatisfação chegou a 63%. A engenheira ambiental Amanda Soares, do Consane, listou problemas relatados pela população e observados no diagnóstico: “Ineficiência da ETE já existente, falta de coleta de esgoto adequada (…) retorno de esgoto.” Entre as queixas recorrentes, apareceram redes antigas com vazamentos, contas consideradas altas e variações na cor da água. Metas e prazos: horizonte até 2044 O plano trabalha com horizonte de 20 anos, até 2044, quando a população estimada de Ouro Preto chegaria a 83.846 habitantes (projeção apresentada na audiência). As metas incluem: Investimentos: números altos, execução por etapas A projeção de investimentos apresentada gerou reação no plenário. Para o período imediato (0 a 3 anos), o plano estima cerca de R$ 115 milhões; no curto prazo, mais R$ 130 milhões; e, em médio e longo prazo, outros R$ 55 milhões. No recorte do esgotamento sanitário, foi citado investimento imediato de R$ 107 milhões. “Assusta esses valores, mas são valores que são estimados (…) Não é um valor que vai ser gasto de uma vez. São etapas”, ponderou Amanda Soares, ressaltando a possibilidade de captação de recursos externos e parcerias. Chiquinho reforçou que o plano funciona como “porta de entrada” para financiamentos: “Chegou amanhã, quanto que é? Tem aqui um plano.” Tarifas: recursos não eliminam cobrança Ao ser questionado pelo vereador Kuruzu sobre a hipótese de o novo acordo eliminar tarifas, o secretário foi direto: “Há possibilidade com esse recurso ter tarifa de graça? Não. (…) Há possibilidade com esse recurso o esgoto não ser cobrado? Não.” Próximos passos O plano está em consulta pública e ainda receberá contribuições antes de seguir para a Câmara Municipal. O último plano de saneamento de Ouro Preto foi elaborado entre 2012 e 2013 e aprovado em 2016. Ao final, o secretário destacou que a governança prevista para os recursos do acordo envolve instâncias estaduais — e citou um comitê com participação de órgãos como Seplag, Semad, Seinfra, Codemge e BDMG. Procurada pela reportagem, a Saneouro informou que preferiu não se posicionar sobre as informações apresentadas na audiência e sobre a possibilidade de nova licitação mencionada por representantes do Executivo.

Região dos Inconfidentes acompanha alta nacional do FPM e soma mais de R$ 188 milhões em repasses ao longo de 2025

Ouro Preto, Mariana e Itabirito recebem hoje, 10 de dezembro, novo repasse do Fundo de Participação dos Municípios, em um ano marcado por crescimento nas transferências federais. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) distribui hoje, 10 de dezembro, a primeira parcela do mês, com R$ 6,3 bilhões transferidos pela União. O valor representa um crescimento de cerca de 9% em relação ao mesmo período do ano passado e integra uma trajetória de alta ao longo de 2025. Na Região dos Inconfidentes, Ouro Preto, Mariana e Itabirito já acumulam mais de R$ 188 milhões em repasses desde janeiro. Alta nacional que se reflete nos municípios mineiros Além da parcela regular, prefeituras de todo o país receberão também um repasse extra de R$ 7,6 bilhões, reforçando o caixa municipal no encerramento do ano fiscal. Especialistas em orçamento avaliam que 2025 consolida uma recuperação do FPM, favorecida pelo desempenho das arrecadações federais de Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que compõem o fundo. O FPM é a principal fonte de receita de cerca de 80% dos municípios brasileiros e desempenha papel decisivo no custeio de serviços públicos essenciais. Os números da Região dos Inconfidentes em 2025 O comportamento dos repasses federais se confirma na região. Segundo dados consolidados até dezembro, o FPM representa parcela importante da receita municipal. Ouro Preto Mariana Itabirito Diogo de Vasconcelos Regras e bloqueios O cálculo do FPM se baseia no número de habitantes, atualizado anualmente pelo IBGE. As transferências ocorrem nos dias 10, 20 e 30 de cada mês, ou no dia útil anterior, caso coincidam com feriados ou fins de semana. Até 8 de dezembro, sete municípios brasileiros permaneciam bloqueados no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), impedidos temporariamente de receber os repasses. Nenhum deles pertence à Região dos Inconfidentes. Importância para a sustentabilidade financeira Para municípios de médio e pequeno porte, como os que compõem a região, o FPM é determinante para assegurar o funcionamento da máquina pública. Mesmo cidades com receitas diversificadas — caso de Mariana e Itabirito — dependem do fundo para equilibrar despesas, estabilizar investimentos e manter serviços continuados, sobretudo nas áreas de educação, saúde e infraestrutura urbana.