Ouro Preto, quarta-feira, junho 10, 2026 19:45

Coletivo Show Interior lança álbum Caliandra na floresta de Paraopeba com raízes em Ouro Preto

Gravado em Amarantina, álbum do coletivo foi lançado na FLONA de Paraopeba com entrada gratuita O coletivo Show Interior lançou no dia 19 de abril o álbum Caliandra na Floresta Nacional do Cerrado de Paraopeba, em Minas Gerais. O espetáculo foi gratuito, com classificação livre, e reuniu música ao vivo, poesia e acessibilidade em Libras num cenário de mata nativa. O projeto foi um dos quatro selecionados em todo o estado pelo edital FEC Minas em Cena. As composições são de Adriana Maciel, cantora e criadora do projeto que mora em Ouro Preto há 15 anos e nasceu em Paraopeba — o que dá ao lançamento uma dimensão pessoal além da artística. O álbum foi gravado em Amarantina, distrito de Ouro Preto, e parte da obra de João Guimarães Rosa como fio condutor: o universo do sertão, os vaqueiros, os cantadores, as paisagens que Rosa transformou em linguagem literária. “Caliandra representa toda a força feminina que existe nesse cerrado mineiro, a força feminina do povo rural, e é também uma homenagem a Paraopeba, que é onde eu me criei, onde eu nasci. Moro em Ouro Preto há 15 anos e as paisagens da cidade, assim como em Paraopeba, existem muitas emoções, muita profundidade e é aí que eu dialogo com o Guimarães Rosa, que fala dessa profundidade do ser humano”, disse Adriana. A apresentação ao vivo teve direção cênica de Du Sarto e direção musical de Gustavo Souza, que também tocou violão. O palco reuniu André Vitorino na sanfona, Tiago Valentim na percussão e João Pedro Marques no violoncelo. A preparação vocal foi de Letícia Afonso e os arranjos de Maxsuel Sancho. A caliandra é uma planta nativa do cerrado — arbusto de flores cor-de-rosa que floresce entre setembro e março, quando a savana está mais seca. O nome do álbum carrega essa referência botânica e geográfica, ancorando o projeto num território específico antes mesmo de abrir a primeira faixa. 📋 Caliandra — Show Interior Álbum: Caliandra Coletivo: Show Interior Lançamento: 19 de abril de 2026, FLONA de Paraopeba Gravado em: Amarantina, distrito de Ouro Preto Compositora: Adriana Maciel Edital: FEC Minas em Cena — 1 dos 4 selecionados no estado Acessibilidade: Interpretação em Libras

Cemig investe R$ 18,5 milhões em nova subestação que beneficia 170 mil pessoas em Itabirito e região

Subestação Itabirito 4 estava operando desde janeiro; cerimônia oficial aconteceu em 20 de abril A Cemig inaugurou oficialmente a Subestação Itabirito 4 na segunda-feira, 20 de abril, em cerimônia com a presença do governador Mateus Simões. O investimento foi de R$ 18,5 milhões. A estrutura já estava operando desde janeiro — a entrega formal veio meses depois da energização. A subestação tem potência instalada de 15 MVA e linha de distribuição de 138 kV. Segundo a Cemig, cerca de 17 mil clientes são atendidos diretamente, beneficiando aproximadamente 170 mil pessoas em Itabirito, Moeda, Nova Lima e comunidades rurais como Água Limpa, Córrego do Bação, Cabral, Saboeiro e São Gonçalo do Bação. A tecnologia usada é o modelo compacto integrado (Seci), que permite montagem prévia dos equipamentos antes da instalação no local — o que reduz o tempo de obra. A inauguração faz parte de um ciclo mais amplo. A Cemig prevê investir mais de R$ 450 milhões na regional Mantiqueira só em 2026, com instalação de 130 religadores automáticos e conversão de 1.000 km de redes pelo programa Minas Trifásico. O Programa Mais Energia, iniciado em 2021, tem meta de entregar 200 novas subestações até 2027. Em 2025 foram 23 unidades entregues; neste ano, a previsão global chega a 38. Para a região, o investimento tem relevância além do consumo doméstico. Itabirito concentra operações de mineração — a Jaguar Mining está em processo de reativação da mina Santa Isabel, no distrito de Acuruí — e a capacidade elétrica é condicionante para a retomada de operações industriais. “A chegada de uma infraestrutura elétrica mais robusta será fundamental para impulsionar o desenvolvimento desse e de outros setores”, disse Jonathan Aguiar Esperidon, gerente de Distribuição da Alta Tensão da Cemig na regional Mantiqueira. 📋 Subestação Itabirito 4 Investimento: R$ 18,5 milhões Potência: 15 MVA / linha de 138 kV Em operação desde: Janeiro de 2026 Beneficiados: ~17 mil clientes / ~170 mil pessoas Municípios atendidos: Itabirito, Moeda, Nova Lima e comunidades rurais Tecnologia: Modelo compacto integrado Seci

ExpoOuro 2026 chega a Cachoeira do Campo com quatro dias gratuitos de shows

Quatro dias gratuitos reúnem Neguinho Safadão, Rick e Renner e o tradicional Poeirão em Cachoeira Cachoeira do Campo recebe a ExpoOuro 2026 entre os dias 30 de abril e 3 de maio, no Clube do Cavalo. O evento é gratuito durante todos os quatro dias e combina shows de música sertaneja, exposição de animais, leilões e o tradicional Poeirão — competição de marcha com cavalos que reúne criadores da região. A abertura acontece na quinta-feira (30), com shows de Neguinho Safadão e da dupla Rick e Renner. No sábado (2), sobe ao palco Marcelinho de Lima. O encerramento, no domingo (3), fica por conta de Guilherme Silva e Negão Chandon. O Poeirão começa no sábado, a partir das 10h, com diversas categorias e premiação em dinheiro: R$ 350 para o campeão, R$ 250 para o reservado e R$ 200 para o 1º prêmio nas categorias gerais. Entre as categorias do Poeirão estão Piquira, Pequeno Porte, Cavalo Comum, Campolina Registrado, Muares, além das modalidades Mirim, Juvenil e Amazonas — com disputa de Campeão dos Campeões em marcha picada e marcha batida. A programação completa está disponível no site da Prefeitura de Ouro Preto. 📋 Serviço Quando: 30 de abril a 3 de maio de 2026 Onde: Clube do Cavalo, Cachoeira do Campo, Ouro Preto Entrada: Gratuita Quinta (30): Neguinho Safadão + Rick e Renner Sábado (2): Poeirão a partir das 10h + Marcelinho de Lima Domingo (3): Guilherme Silva e Negão Chandon Programação completa: ouropreto.mg.gov.br

Em 35 anos, Romaria dos Trabalhadores da Arquidiocese de Mariana conecta fé e luta por direitos na região

Romaria dos Trabalhadores da Arquidiocese de Mariana chega à 35ª edição com pauta viva na região Todo 1º de maio, desde 1991, a Arquidiocese de Mariana realiza a Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras. O evento combina celebração religiosa com mobilização sobre direitos do trabalho e impactos da mineração nas comunidades da região. Em 2026, a iniciativa chega à 35ª edição — e o contexto local não falta em pauta. A romaria é itinerante. Em 2024, foi realizada na Comunidade de Botafogo, no município de Ouro Preto — uma localidade que enfrenta pressão de cinco empreendimentos minerários que buscam operar na área. Moradores montaram uma instalação com vídeos, fotos e depoimentos sobre os riscos que enfrentam. O evento reuniu cerca de 500 pessoas, entre romeiros das cinco regiões pastorais da Arquidiocese, sacerdotes, ativistas de movimentos populares, sindicatos e representantes de entidades. A data coincide com a festa de São José Operário — celebração criada em 1955 pelo Papa Pio XII como resposta católica ao Dia do Trabalho, que havia sido apropriado como data emblemática pelo movimento socialista desde o século XIX. Na prática, na Região dos Inconfidentes, as duas tradições coexistem: a celebração litúrgica e a mobilização por direitos. A pauta da romaria deste ano ainda não foi divulgada, mas o cenário regional oferece material em abundância: o processo de repactuação do Rio Doce ainda está em curso para dezenas de comunidades de Mariana afetadas pelo crime da Samarco; as terras da Novelis em Ouro Preto acaban de ser devolvidas ao município após anos de embate liderado pelo sindicato dos metalúrgicos; e trabalhadores de cooperativas de transporte escolar da região enfrentam atrasos nos repasses da prefeitura. O 1º de maio de 2026 cai numa sexta-feira, criando um feriado prolongado de três dias — o que costuma reduzir a mobilização presencial, mas tende a ampliar o alcance nas redes sociais.

Dia Mundial da Segurança no Trabalho chega com exemplos recentes na Região dos Inconfidentes

Em data criada após tragédia de Bhopal, região dos Inconfidentes tem recentes exemplos da pauta O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho é celebrado em 28 de abril desde 1996, quando a OIT instituiu a data para homenagear trabalhadores mortos em acidentes e doenças ocupacionais. A data não é aleatória: em 28 de abril de 1969, 78 mineiros morreram numa mina de ouro no estado americano de Utah. O desastre de Bhopal, na Índia, em 1984, e o histórico de tragédias em minas ao redor do mundo consolidaram a necessidade de um dia de reflexão e cobrança. Para a Região dos Inconfidentes, a data tem ancoragem direta no cotidiano. A semana passada trouxe dois exemplos. Em Acuruí, Itabirito, a Jaguar Mining realizou na quinta-feira, 16 de abril, um simulado de emergência na Barragem Paciência — exercício semestral obrigatório por lei que testou rotas de fuga, pontos de encontro e tempo de resposta das equipes de emergência com cerca de 70 participantes. A barragem está paralisada desde 2012, mas a legislação exige os exercícios independentemente do status operacional da estrutura, justamente porque o risco de dano permanece. Em Itabirito, na área urbana, o mês de abril também foi marcado pelo acidente que matou a cantora Carolina Beatriz, 21 anos, em 11 de abril, quando um brinquedo do Minas Center Park descarrilou em alta velocidade. O operador do equipamento foi preso, e a perícia apontou condições precárias de segurança. O brinquedo tinha apenas uma barra de apoio manual, sem dispositivos adequados de proteção. O dono do parque também foi preso em flagrante, com prisão convertida para preventiva pela Justiça. Na mineração — setor que estrutura a economia da região — os dados nacionais são persistentes. Segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, o setor mineral mata três vezes mais que a média dos outros setores. Os desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) inscreveram a região dos Inconfidentes na história como símbolo de negligência com segurança de barragens — e da distância entre as normas no papel e as práticas no campo. O 28 de abril também é o Dia da Educação no Brasil — o que, neste ano, ganha um sentido irônico: o debate sobre o tipo de educação que Minas quer para seus jovens tomou conta da cerimônia mais formal do estado. 📋 28 de abril na região Simulado Jaguar Mining — Barragem Paciência: 16/04/2026, Acuruí, Itabirito — 70 participantes Acidente Minas Center Park: 11/04/2026, Itabirito — 1 morte, 2 presos Repactuação Rio Doce: Processo em andamento em comunidades de Mariana Barragem Paciência: Classificada como alto potencial de dano; paralisada desde 2012; monitorada 24h

Samarco divulga relatório de sustentabilidade 2025 com dados ambientais e atualização da reparação

Empresa divulga balanço anual com indicadores de 2025 e atualização sobre o Novo Acordo do Rio Doce A Samarco publicou nesta semana o Relatório Anual de Sustentabilidade 2025, com dados sobre desempenho ambiental, investimentos sociais e o andamento das obrigações estabelecidas pelo Novo Acordo do Rio Doce — o acordo de reparação firmado após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. A empresa registrou 87,7% de recirculação global de água em suas operações no ano passado. A unidade de Ubu, no Espírito Santo, operou com recirculação integral e balanço hídrico positivo — o que significa que devolveu ao sistema mais água do que consumiu. O consumo de energia elétrica foi suprido integralmente por fontes renováveis e rastreadas. A destinação sustentável de resíduos não minerais chegou a 95%. Em 2025, 89% do rejeito arenoso gerado foi reaproveitado nas obras de descaracterização da barragem de Germano — estrutura que integra o complexo de Mariana e está em processo de neutralização. Na área de governança, a Samarco afirma manter 100% de aderência ao Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos (GISTM), com monitoramento contínuo das estruturas. Recebeu, pelo quarto ano consecutivo, o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, que avalia a qualidade dos inventários de emissões de gases de efeito estufa. O relatório destaca R$ 22,4 milhões destinados a iniciativas socioinstitucionais e R$ 1,6 bilhão em compras pelo Programa Força Local, que envolve mais de 2,2 mil fornecedores em Minas Gerais e no Espírito Santo. A empresa investiu ainda R$ 52,5 milhões em 84 projetos de pesquisa e inovação, com foco em automação, inteligência artificial e empilhamento a seco de rejeitos — tecnologia que elimina a necessidade de barragens de contenção com água. Sobre a agenda de reparação, o documento informa que a Samarco avançou em obras estruturantes, recuperação ambiental e implantação de sistemas de abastecimento de água em municípios atingidos pelo desastre. O Novo Acordo, firmado em 2021 entre as mineradoras responsáveis — Samarco, Vale e BHP Billiton —, o governo federal, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e representantes dos atingidos, prevê um montante total de R$ 170 bilhões ao longo de décadas. Parte significativa das obrigações ainda está em execução, e comunidades de Mariana aguardam a conclusão de processos de indenização e reassentamento. O relatório completo está disponível no site da Samarco. 📋 Indicadores Samarco 2025 Recirculação de água: 87,7% (Ubu operou com balanço hídrico positivo) Energia elétrica: 100% de fontes renováveis Resíduos não minerais: 95% com destinação sustentável Rejeito arenoso reaproveitado: 89% nas obras da barragem de Germano Investimento em P&D: R$ 52,5 mi em 84 projetos Compras locais (MG + ES): R$ 1,6 bi / mais de 2,2 mil fornecedores Iniciativas socioinstitucionais: R$ 22,4 mi Relatório completo: samarco.com

Gerdau e IFMG inauguram espaço de tecnologia e robótica para alunos da rede pública de Ouro Branco

Espaço no campus do IFMG em Ouro Branco tem potencial para alcançar 5.300 alunos da rede pública O Instituto Federal de Minas Gerais de Ouro Branco inaugurou em março um Espaço Maker dentro do campus, com patrocínio da Gerdau, apoio do Grupo +Unidos e da Prefeitura de Ouro Branco. A estrutura foi batizada de Ouro Hub e oferece equipamentos e metodologias para atividades de programação, robótica, prototipagem e fabricação digital. Segundo o IFMG, o espaço tem potencial para beneficiar 24 escolas públicas do município e aproximadamente 5.300 estudantes. Espaços maker são laboratórios de criação prática — ambientes onde alunos trabalham com ferramentas físicas e digitais para desenvolver protótipos, resolver problemas e aprender tecnologia fora do modelo de lousa e apostila. O conceito existe há décadas em universidades americanas e europeias e chegou às escolas públicas brasileiras de forma irregular e fragmentada. Em Ouro Branco, a estrutura fica dentro de um campus federal, o que garante acesso a estudantes que dificilmente teriam contato com esse tipo de equipamento em casa ou na escola básica. A iniciativa nasceu de uma articulação entre setores diferentes: a Gerdau entrou com o patrocínio, o Grupo +Unidos — organização social com atuação em educação e inovação — coordena a gestão do espaço, e a Prefeitura de Ouro Branco entrou como parceira institucional. O IFMG oferece a infraestrutura física e a integração com a grade de ensino. A proposta inclui formação de educadores da rede municipal, não só dos alunos do instituto. O contexto econômico de Ouro Branco dá peso ao projeto. A cidade é historicamente dependente da siderurgia — a Gerdau opera ali uma das suas principais unidades no Brasil — e, como outros municípios da região central de Minas, enfrenta a pressão de criar alternativas ao ciclo econômico baseado em indústria pesada e mineração. Iniciativas de tecnologia e empreendedorismo para jovens da rede pública são uma aposta de diversificação de longo prazo que cidades como Ouro Branco precisam fazer agora, antes que a janela se feche. Para o diretor do IFMG Campus Ouro Branco, Haroldo Lacerda de Brito, o espaço representa uma mudança concreta de acesso. “Este espaço é resultado de uma importante parceria e representa o fortalecimento da tecnologia, da inovação e da cultura digital em nosso território. Nossa meta é impactar mais de 5 mil estudantes da rede pública, ampliando oportunidades concretas para estudantes, educadores e empreendedores”, afirmou. 📋 Espaço Maker — Ouro Hub Onde: IFMG Campus Ouro Branco Inaugurado: Março de 2026 Potencial de alcance: 5.300 alunos de 24 escolas públicas de Ouro Branco Atividades: Programação, robótica, prototipagem, fabricação digital, cultura maker Patrocínio: Gerdau Parceiros: Grupo +Unidos e Prefeitura de Ouro Branco

Catadores da região metropolitana viram fornecedores da Petrobras com parceria de óleo de cozinha na Regap

Parceria entre Petrobras e catadores da RMBH prevê coleta de 20 toneladas de óleo por mês em 2026 Uma parceria entre a Petrobras Biocombustível e a rede Cataunidos — que representa 31 cooperativas de catadores da Região Metropolitana de BH — começa a operar em 2026 com a coleta de óleo de cozinha usado para produção de biocombustível na Refinaria Gabriel Passos, a Regap, em Betim. A expectativa é coletar 20 toneladas de óleo por mês, gerando cerca de R$ 1,5 milhão por ano de renda para aproximadamente 650 pessoas envolvidas no processo. O programa, chamado Óleo Circular Solidário, foi apresentado ao presidente Lula durante visita à Regap em março de 2026. Em 2025, a refinaria já havia adquirido 5,86 toneladas de óleo residual coletado por catadores de Montes Claros. A expansão para a RMBH marca a entrada de Ouro Preto e municípios vizinhos no raio de atuação potencial da iniciativa — o deputado estadual Leleco Pimentel mencionou o programa na Rádio Real no dia 1º de abril, indicando que catadores de Ouro Preto já teriam sido incluídos no circuito. O funcionamento é simples: o óleo de cozinha que sobra em residências, restaurantes e estabelecimentos é guardado em garrafas PET, filtrado das impurezas grosseiras e entregue aos catadores, que repassam para os reservatórios da Petrobras. O material segue então para a Regap, onde é processado como matéria-prima do Diesel R — combustível com conteúdo renovável que mistura petróleo com óleo vegetal. Um litro de óleo descartado na pia contamina até 25 mil litros de água. Recolhido pelos catadores, ele vira combustível. A Regap está em fase de expansão acelerada. No Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras, estão previstos R$ 3,8 bilhões de investimentos e a geração de aproximadamente 8 mil empregos na refinaria. Nos próximos dez anos, os investimentos podem chegar a R$ 9 bilhões e 36 mil postos de trabalho. A capacidade de processamento atual é de 166 mil barris por dia, com projeto de aumento de 25 mil barris até 2027. Para os catadores, a parceria representa uma mudança de posição na cadeia econômica. De trabalhadores invisíveis que competem com o lixo orgânico nas ruas, passam a ser fornecedores formais de matéria-prima para uma das maiores refinarias do país. O Sebrae está envolvido na capacitação e formalização das cooperativas para operar dentro dos padrões exigidos pela Petrobras. ♻️ Como participar Guarde o óleo de cozinha usado em garrafa PET limpa Filtre para retirar resíduos sólidos grosseiros (borras de fritura) Entregue ao catador/cooperativa participante do programa Não descarte na pia, no vaso sanitário ou no lixo comum Informações sobre pontos de coleta em Ouro Preto: Secretaria de Meio Ambiente — (31) 3559-3200

Projeto de escolas cívico-militares divide Minas e acende embate entre governador e prefeito de Ouro Preto

Projeto enviado à ALMG busca base legal para programa suspenso na Justiça; prefeito de OP se opõe Uma proposta do governador Mateus Simões (PSD) para criar escolas cívico-militares na rede estadual de ensino de Minas Gerais virou o estopim de um confronto público durante a cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, no 21 de abril. O prefeito Angelo Oswaldo criticou o modelo no próprio discurso oficial da data. O governador respondeu na hora, em tom elevado. Depois, Oswaldo foi às redes chamar Simões de “extremamente grosseiro, deseducado e desrespeitoso”. O Programa das Escolas Cívico-Militares (PECM), cujo projeto de lei foi enviado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 11 de abril, propõe um modelo de cooperação entre a Secretaria Estadual de Educação e instituições militares estaduais. O texto prevê que a adesão seja voluntária, condicionada a consulta pública com a comunidade escolar, e que militares da reserva atuem nas unidades. O governo diz que o objetivo é promover educação integral, cultura da paz e disciplina, “sem interferência na autonomia pedagógica”. O problema é que o programa já existia — e foi suspenso. Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) referendou decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que determinou a descontinuidade do modelo para o ano letivo de 2026. O TCE apontou ausência de lei formal que embasasse o programa e irregularidade orçamentária. O projeto enviado à ALMG é justamente a tentativa de suprir essa lacuna. Antes mesmo de virar lei, o programa já havia sido implementado em nove escolas da rede estadual. Quando ainda era vice-governador, Simões chegou a afirmar: “Podem preparar para me prender, porque eu vou abrir colégio cívico-militar assim que eu entrar no exercício como governador.” A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão de Educação da ALMG, classifica o projeto como eleitoreiro. “O governo teve anos para apresentar políticas estruturantes na educação e só agora, às vésperas do período eleitoral, envia esse projeto”, disse. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) também se posicionou contra, afirmando que o modelo promove uma educação “baseada em hierarquia, disciplina e obediência”, em oposição a uma perspectiva democrática e crítica. Angelo Oswaldo, que não citou o projeto pelo nome na cerimônia do 21 de abril, preferiu a contraposição histórica: defendeu uma educação “cívico-militante, que milite no civismo, na educação, na pedagogia”, evocando Rui Barbosa e a tradição democrática mineira. Depois, nas redes sociais, foi mais direto: “Não um projeto pessoal do governador para agradar a extrema-direita brasileira.” A rede estadual de Minas Gerais atende cerca de 1,6 milhão de estudantes em 3,4 mil escolas. O projeto ainda precisa ser aprovado pela ALMG para entrar em vigor. 📋 O que prevê o projeto Adesão: Voluntária — depende de aprovação por consulta pública com a comunidade escolar Modelo: Cooperação entre Secretaria de Educação e instituições militares estaduais Militares: Militares da reserva atuarão nas escolas participantes Financiamento: Proibido uso de recursos do Fundeb para pagamento dos policiais Critérios de adesão: Vulnerabilidade socioeconômica, ocorrências disciplinares e desempenho em avaliações Status: Em tramitação na ALMG — suspensão judicial ainda vigente para 2026

Vereador de Itabirito é denunciado por suspeita de furar fila na UPA; Câmara vai analisar cassação

Prefeitura levou caso à Câmara e ao MP; vereador nega privilégio e diz que seguiu protocolo médico O vereador Renê Butekus (PSD), de Itabirito, é alvo de uma denúncia protocolada pela própria Prefeitura do município na Câmara Municipal e no Ministério Público de Minas Gerais. A denúncia apura se o parlamentar recebeu tratamento privilegiado durante atendimento na UPA Celso Matos Silva, em 20 de fevereiro de 2026. Segundo registros do sistema da unidade obtidos pela Secretaria Municipal de Saúde, o paciente identificado pelas iniciais J.C. deu entrada às 18h41. O vereador chegou às 19h15, 34 minutos depois. Ambos receberam pulseira verde na triagem — classificação de pouca urgência. Ainda assim, Butekus foi atendido em 1h30, enquanto J.C. aguardou 2h16. A prefeitura afirma que, além do sistema, há imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas como elementos de prova. Um vídeo divulgado pelo portal Sou Notícia mostra o vereador chamando um usuário do SUS de “otário” nas imediações da UPA após desentendimento sobre a ordem de atendimento. O caso também resultou em registro de boletim de ocorrência pela Polícia Militar. Em nota, Butekus nega qualquer privilégio. “Esclareço que, no dia 20/02/2026, estive na UPA para atendimento, retirando a ficha às 19h15. Após a triagem, o atendimento médico ocorreu às 20h46, seguindo o Protocolo de Manchester. Tais horários e os fatos ocorridos foram confirmados pelo médico e pela enfermeira responsável pela triagem, conforme consta no Boletim de Ocorrência registrado.” O parlamentar afirmou não ter se identificado como vereador ao dar entrada na unidade e que não solicitou qualquer tipo de benefício. A Prefeitura de Itabirito rebate: “A Secretaria Municipal de Saúde formalizou representação imediata junto à Câmara Municipal e ao Ministério Público, solicitando a apuração rigorosa dos fatos e a aplicação das sanções institucionais, regimentais e legais, caso as irregularidades sejam comprovadas.” A nota acrescenta que o sistema de saúde pública “deve ser regido estritamente por critérios técnicos”. Na Câmara, o presidente Léo do Social (PSDB) informou que a denúncia será encaminhada para análise jurídica externa. Conforme o Decreto-Lei nº 201/1967, que rege processos de cassação de vereadores, a denúncia precisa ser lida em plenário na sessão seguinte ao protocolo. Depois, os vereadores votam a admissibilidade. Caso aprovada por maioria simples, é formada uma comissão processante com três parlamentares sorteados. Butekus é de oposição à gestão do prefeito Dr. Elio da Mata Santos — o que dá ao caso uma dimensão política além da disciplinar. ⚠️ Estado atual do processo Fato: 20 de fevereiro de 2026, UPA Celso Matos Silva, Itabirito Denúncia protocolada por: Secretaria Municipal de Saúde de Itabirito Destinatários: Câmara Municipal de Itabirito e MPMG Próximo passo: Leitura em plenário e votação de admissibilidade Posição do vereador: Nega privilégio; diz que seguiu Protocolo de Manchester O Vintém solicitou posicionamento da Câmara Municipal de Itabirito sobre a data da leitura da denúncia em plenário. Sem retorno até o fechamento desta edição.