Quinta-feira Santa em Ouro Preto: O rito que não termina e o silêncio que ocupa as Igrejas

Foto: Ane Souz Quem participa da Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Pilar ou na Matriz da Conceição, em Ouro Preto, pode estranhar o encerramento. Diferente de todas as outras celebrações do ano, não há o “Ide em paz” nem a bênção final do sacerdote. O povo se retira em silêncio, enquanto as igrejas, antes adornadas, são despidas de suas toalhas e ornamentos. Esse gesto litúrgico, conhecido como a Desnudação dos Altares, marca o início do período mais sagrado do calendário cristão: o Tríduo Pascal. O fato principal desta celebração é a continuidade do rito. A ausência da bênção final sinaliza que a missa da Quinta-feira Santa, a celebração da Paixão na Sexta-feira e a Vigília Pascal no Sábado são, na verdade, uma única e longa liturgia que se estende por três dias . Em Ouro Preto, essa transição é vivida com uma intensidade que remonta ao século XVIII, onde o som dos sinos é substituído pelo lamento das matracas, instrumentos de madeira que produzem um som seco e fúnebre. O desdobramento desse rito ocorre logo após a comunhão, com a Trasladação do Santíssimo Sacramento. O pão consagrado é levado em procissão interna para um altar lateral, simbolizando a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. É nesse momento que as igrejas barrocas de Ouro Preto revelam sua face mais austera. Os altares são despojados de tudo o que os embeleza, um gesto que a liturgia chama de “jejum dos olhos”, convidando o fiel a focar exclusivamente no sacrifício de Cristo . Nas ladeiras da cidade, o silêncio das naves encontra o fogo das tochas. A Procissão do Fogaréu, retomada recentemente após décadas de interrupção, encena a prisão de Jesus. À luz de archotes e ao som de tambores, o rito medieval percorre as ruas de pedra, reforçando a atmosfera de vigília que toma conta da antiga Vila Rica . Para os moradores e visitantes, a Quinta-feira Santa não termina com o fim da missa, mas se transforma em uma noite de guarda e oração. A segurança jurídica e o rigor histórico desta cobertura baseiam-se nas orientações litúrgicas da Igreja Católica e na tradição oral e documental das paróquias locais. Como destaca o Guia Editorial do Vintém, é essencial registrar que, embora a festa seja pública, o recolhimento é a tônica do momento. A ausência da bênção é, portanto, o convite final para que o fiel permaneça em estado de celebração até a alegria da ressurreição no domingo. Programação desta quinta-feira santa 17h – Santa Missa Solene Cantada “In Coena Domini” (da Ceia do Senhor) na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, com participação do Coral Cristo Rei.Transladação do Santíssimo Sacramento para a Capela do Senhor do Bom Fim, onde permanecerá em adoração até as 24h, e desnudação dos altares da Basílica.No mesmo horário, haverá Santa Missa na Igreja de São Francisco de Paula, com participação do Coral Pequenos Cantores de Sant’Ana, e na Capela de São Sebastião. 20h30 – Em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, piedoso sermão do Mandatum, seguido da comovente recordação do ato em que Jesus lava os pés dos seus discípulos. Participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e Orquestra Pe. Simões. Na noite de Quinta-feira Santa, ou das Endoenças, como era chamada, segundo relatos históricos, acontecia uma procissão que saía da Capela de Sant’Ana, na Santa Casa de Misericórdia para a Matriz do Pilar, onde tomavam consigo a imagem do Cristo e conduziam-na até a Matriz de Antônio Dias. Essa procissão, que era chamada de fogaréu em razão das tochas que os irmãos levavam acesas, revive a cena da prisão do Senhor, no Horto das Oliveiras, depois de haver ceado com seus apóstolos e sua condução ao julgamento. 23h – Concentração no adro da Igreja de São Francisco de Assis, de onde os fiéis sairão em cortejo processional pelas ruas do Centro Histórico, onde tomarão a imagem do Senhor Aprisionado, e continuarão em procissão, ao som das matracas, até o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição.
Páscoa: Comer chocolate pode mesmo fazer bem para você. Veja o que dizem os estudos

Dan Baumgardt, University of Bristol Embora eu sempre faça uma careta ao ver os ovos de Páscoa aparecerem pela primeira vez nos supermercados ainda no final de dezembro, são poucas as pessoas que não ficam felizes em ganhar um pouco de chocolate todos os anos. Faz sentido que o excesso de chocolate seja ruim para você devido ao alto teor de gordura e açúcar na maioria dos produtos. Mas o que devemos pensar das alegações comuns de que comer um pouco de chocolate é realmente bom para a saúde? Felizmente, há uma quantidade razoável de evidências que mostram que, nas circunstâncias certas, o chocolate pode ser benéfico para o coração e bom para o estado mental. De fato, o chocolate ou, mais especificamente, o cacau, a semente crua e não refinada, é uma maravilha medicinal. Ele contém muitos compostos ativos diferentes que podem provocar efeitos farmacológicos no corpo, como medicamentos ou drogas. Os compostos que levam a efeitos neurológicos no cérebro precisam ser capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, o escudo protetor que impede que substâncias nocivas, como toxinas e bactérias, entrem no delicado tecido nervoso. Uma delas é a substância teobromina, que também é encontrada no chá e contribui para seu sabor amargo. O chá e o chocolate também contêm cafeína, à qual a teobromina está relacionada como parte da família de substâncias químicas conhecida como “purinas”. Essas substâncias químicas, entre outras, contribuem para o caráter viciante do chocolate. Elas têm a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, onde podem influenciar o sistema nervoso. Portanto, são conhecidas como substâncias químicas psicoativas. Que efeitos o chocolate pode ter sobre o humor? Bem, uma revisão sistemática analisou um conjunto de estudos que investigou as sensações e emoções associadas ao consumo de chocolate. A maioria demonstrou melhorias no humor, na ansiedade, na energia e nos estados de excitação. Alguns estudos também observaram um sentimento de culpa neste consumo, que talvez seja algo que todos nós já sentimos depois de comer muitos produtos lácteos. Benefícios do cacau para a saúde Mas há outros órgãos, além do cérebro, que podem se beneficiar dos efeitos medicinais do cacau. Durante séculos, o chocolate foi usado como medicamento para tratar uma longa lista de doenças, incluindo anemia, tuberculose, gota e até mesmo baixa libido. Essas alegações podem ser espúrias, mas há evidências que sugerem que o consumo de cacau tem um efeito positivo sobre o sistema cardiovascular. Primeiro, ele pode prevenir a disfunção endotelial. Esse é o processo pelo qual as artérias endurecem e ficam carregadas de placas de gordura, o que, por sua vez, pode levar a ataques cardíacos e derrames. O consumo de chocolate amargo também pode reduzir a pressão arterial, que é outro fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas, e evitar a formação de coágulos que obstruem os vasos sanguíneos. Alguns estudos sugeriram que o chocolate amargo pode ser útil no ajuste das taxas de colesterol de lipoproteína de alta densidade no sangue, o que também pode ajudar a proteger o coração. Outros analisaram ainda a resistência à insulina, o fenômeno associado ao diabetes tipo 2 e ao ganho de peso. Eles sugerem que os polifenóis – compostos químicos presentes em plantas e encontrados em alimentos como o chocolate – também podem levar a um melhor controle dos níveis de açúcar no sangue. Toxicidade do chocolate Mas por mais que o chocolate possa ser considerado um remédio para alguns, ele pode ser um veneno para outros, e não só os seres humanos. Está bem documentado que a ingestão de cafeína e teobromina é altamente tóxica para animais domésticos. Os cães são particularmente afetados por causa de seu apetite voraz e de sua natureza geralmente pouco exigente. O culpado geralmente é o chocolate amargo, que pode provocar sintomas de agitação, rigidez muscular e até convulsões. Em certos casos, se ingerido em quantidades suficientemente altas, pode levar ao coma e a ritmos cardíacos anormais e até mesmo fatais. Alguns dos compostos encontrados no chocolate também têm efeitos potencialmente negativos em seres humanos. O chocolate é uma fonte de oxalato que, junto ao cálcio, é um dos principais componentes das pedras nos rins. Algumas sociedades médicas também desaconselham o consumo de alimentos ricos em oxalato, como espinafre e ruibarbo, e chocolate, para pessoas que sofrem de cálculos renais recorrentes. Então, o que tudo isso significa para nossos hábitos de consumo de chocolate? A ciência aponta na direção de um chocolate que tenha o maior teor possível de sólidos de cacau e o mínimo de ingredientes extras. Os efeitos potencialmente prejudiciais do chocolate estão mais relacionados à gordura e ao açúcar adicionados e podem neutralizar os possíveis benefícios. Uma dose diária de 20 g a 30 g de chocolate puro ou amargo com sólidos de cacau acima de 70%, em vez de chocolate ao leite, que contém menos sólidos, e chocolate branco, que não contém nenhum, pode trazer mais benefícios para a saúde, além de ser mais gostoso. Mas seja qual for o chocolate que você escolher comer, não o compartilhe com seu cachorro. Dan Baumgardt, Senior Lecturer, School of Physiology, Pharmacology and Neuroscience, University of Bristol This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
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Edital de licitação para obra de contenção do Morro da Forca deve ser publicado nos próximos dias

Licitação Morro da Forca | Vintém Acompanhamento de obras · Infraestrutura Prefeitura reuniu-se com a Seinfra para ajustes técnicos finais antes da publicação. Obra orçada em mais de R$ 34 milhões conta com recursos federais que estavam parados desde 2012 Jiljana Isidoro · Vintém · 11 de março de 2026 A Prefeitura de Ouro Preto realizou reunião técnica com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) para vistoria e alinhamento dos ajustes finais que antecedem a publicação do edital de licitação da obra de contenção do Morro da Forca. Segundo o município, o edital deve ser publicado nos próximos dias. A obra é classificada pela administração municipal como estruturante e estratégica. A contenção da encosta é considerada necessária para a segurança da área e da população do entorno, que convive há anos com o risco geológico no local. “A licitação desta obra é fruto de um trabalho intenso da gestão municipal, que resgatou o convênio do PAC do ano de 2012, elaborou e forneceu o projeto ao Governo do Estado e articulou ativamente junto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para a liberação dos recursos, que somarão mais de R$ 34 milhões. Além disso, o trabalho da gestão municipal continuará no acompanhamento da licitação e na fiscalização da execução da obra.” — Franklin Evangelista, secretário municipal de Obras Recursos parados por mais de uma década Os recursos que financiam a obra têm uma história longa. Depositados na Caixa Econômica Federal em 2012 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante o governo da presidente Dilma Rousseff, ficaram retidos por mais de uma década sem que a obra avançasse. O prefeito Angelo Oswaldo já havia criticado publicamente a “inércia de muitos governos” que mantiveram os recursos parados. Em 2022, um deslizamento destruiu o Casarão na área, tornando a intervenção ainda mais urgente. Em 2024, as obras de drenagem na encosta foram concluídas como etapa preparatória. Agora, com o edital prestes a ser publicado, a fase de contratação da obra principal se aproxima. 📊 Os números da obra R$ 34 mi+ valor total dos recursos federais para a obra de contenção +13 anos tempo em que os recursos estiveram retidos na Caixa Econômica Federal 2024 conclusão das obras de drenagem na encosta, etapa preparatória 313 áreas de risco geológico mapeadas em Ouro Preto, segundo a Defesa Civil ⏱️ Linha do tempo 2012 Governo federal deposita recursos na Caixa Econômica Federal no âmbito do PAC 2022 Deslizamento destrói o Casarão no Morro da Forca, agravando urgência da intervenção 2024 Obras de drenagem concluídas como etapa preparatória para a contenção 2026 Prefeitura reúne-se com Seinfra; publicação do edital de licitação prevista para os próximos dias Com a publicação do edital, abre-se o processo formal de seleção da empresa que executará a obra. O município informou que acompanhará tanto a licitação quanto a execução. A Seinfra, por sua vez, participou da vistoria técnica como parte do processo de validação antes da abertura do certame. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
UFOP instala Bancos Vermelhos em todos os campi nesta segunda em ato pelo fim da violência contra mulheres

Banco Vermelho na UFOP | Vintém Urgente e Incendioso · Serviço público Símbolo que nasceu na Itália e virou lei no Brasil em 2024 chega à universidade com informações sobre como denunciar violência de gênero — incluindo pela Ouvidoria Feminina da própria UFOP Jiljana Isidoro · Vintém · 9 de março de 2026 A Universidade Federal de Ouro Preto inaugura nesta segunda-feira (9) Bancos Vermelhos em todos os seus campi — Ouro Preto, Mariana, Ipatingae João Monlevade. A instalação simultânea faz parte de uma iniciativa nacional coordenada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que leva o símbolo a diversas universidades e institutos federais no mesmo dia. O Banco Vermelho é um símbolo de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Cada exemplar instalado na UFOP traz também informações objetivas sobre como denunciar casos de violência de gênero — incluindo os canais disponíveis na própria universidade, entre eles a Ouvidoria Feminina, criada exclusivamente para receber esse tipo de denúncia. O registro pode ser feito pelo portal Ouvidoria Feminina UFOP e pode ser anônimo. O projeto nasceu na Itália em 2016 como um gesto simbólico: bancos pintados de vermelho espalhados por praças e espaços públicos para marcar a ausência das mulheres vítimas de feminicídio. No Brasil, a prática ganhou força nos últimos anos e, em 2024, foi incorporada à legislação federal — passando a integrar o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização para o fim da violência contra a mulher. A instalação de amanhã, no entanto, acontece um dia após o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres — o que reforça o caráter de posicionamento institucional da iniciativa. Em Mariana, a iniciativa ganha peso adicional. A cidade ainda convive com a comoção gerada pelo feminicídio de Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e de sua filha Maria Fernanda, 2 anos, assassinadas em 3 de fevereiro no bairro Santa Clara. O crime mobilizou a comunidade — e colocou em debate também o papel da imprensa e das instituições no enfrentamento à violência doméstica. A UFOP tem dois campi na cidade, e ambos receberão bancos nesta segunda. 📍 Programação — instalação dos Bancos Vermelhos na UFOP · 9 de março Ouro Preto 9h Campus Morro do Cruzeiro · gramado em frente à portaria principal Ipatingaa 9h Instituto de Saúde e Humanidades (ISH) · Rua Graciliano Ramos, 719, Cidade Nobre Mariana — ICSA 14h Instituto de Ciências Sociais Aplicadas · Rua do Catete, 166, Centro Mariana — ICHS 15h30 Instituto de Ciências Humanas e Sociais · Rua do Seminário, s/n, Centro João Monlevade 14h Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea) · Rua Trinta e Seis, 115, Loanda A Ouvidoria Feminina da UFOP funciona como um canal institucional dedicado a situações de violência de gênero vividas por integrantes da comunidade universitária. As denúncias são feitas pelo portal ufop.br/ouvidoria e podem ser realizadas de forma anônima. Mais informações sobre o projeto Banco Vermelho estão disponíveis em [LINK — Saiba mais sobre o projeto]. 📞 Canais de apoio — violência contra a mulher 180 · Central de Atendimento à Mulher — gratuito, sigiloso, 24h por dia 190 · Polícia Militar — emergências 181 · Disque Denúncia MG — ligação gratuita Ouvidoria Feminina UFOP · ufop.br/ouvidoria · pode ser anônima CREAS · apoio social e psicológico · Ouro Preto, Mariana e Itabirito · procure a Secretaria de Desenvolvimento Social Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com