Pesquisa da UFOP revela aumento de 70% nas notificações de autolesão em Ouro Preto; bairro Bauxita concentra casos

Estudo epidemiológico aponta concentração entre mulheres pardas de 20 a 39 anos e possível relação com saúde mental estudantil; falhas no preenchimento de fichas contribuem para subnotificação Uma pesquisa-intervenção desenvolvida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desde 2019 revelou aumento expressivo nas notificações de lesões autoprovocadas em Ouro Preto. O estudo “Vigilância e prevenção do suicídio em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil: análise do processo de notificação nos anos de 2022 a 2024” mostra que, em 2024, os registros praticamente dobraram em relação ao ano anterior, com concentração no bairro Bauxita, onde ficam a UFOP e o IFMG. A segunda fase da pesquisa, que analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Vigilância Epidemiológica municipal, identificou 138 notificações de lesões autoprovocadas entre 2022 e 2024 — sendo 38 em 2022, 37 em 2023 e 63 em 2024, um aumento de 70% no último ano. “Antes de começar a pesquisa, o Arislan, que idealizou essa pesquisa, percebeu que em Ouro Preto e no território próximo não havia estudos, artigos, nada que mostrasse como estava o número de suicídios e tentativas de suicídio. Aqui na região não tinha esses dados”, explica Renan Lima Vieira, estudante de Medicina da UFOP e um dos autores da pesquisa. Perfil epidemiológico O estudo traçou o perfil predominante dos casos notificados: mulheres pardas, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo o envenenamento/intoxicação o principal meio utilizado. A concentração territorial também chamou atenção dos pesquisadores: o bairro Bauxita, sede dos campi universitários, lidera as notificações, seguido por Antônio Dias e Morro Santana. “Na segunda pesquisa, a gente também aprofundou para tentar ver qual a região de Ouro Preto que tinha maior número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas. E para nossa surpresa, o principal território foi a Bauxita, o bairro Bauxita, que é um bairro onde se concentra muito universitário, que é onde está a UFOP”, relata Renan. A pesquisa identificou ainda uma possível relação com o contexto universitário. “Juntando com a idade dessas mulheres, a gente pode relacionar que talvez o principal caso seja, a principal causa e fator em relação ao território pode estar relacionado com universidade, já que tem vários artigos que mostram a relação de sofrimento psíquico com universidade”, analisa o pesquisador. Paralisação de 2024 pode ter influenciado aumento O trabalho aponta uma hipótese para o salto nas notificações em 2024: “Durante o desenvolvimento desta pesquisa, identificaram-se indícios que apontam para uma maior incidência de lesões autoprovocadas entre o público universitário. Em 2024, ocorreu uma paralisação na Universidade de Ouro Preto, evento que possivelmente impactou a saúde mental dos estudantes.” Falhas no sistema de notificação Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi a identificação de graves problemas no preenchimento das fichas de notificação compulsória. A análise revelou que profissionais de saúde têm dificuldade em diferenciar “envenenamento” de “intoxicação”, o que gera dados imprecisos. “Durante o estudo foi perceptível várias colunas considerando ‘uso de medicamento para suicídio’ como ‘envenenamento’ para o meio utilizado. Essa problemática foi uma das principais dificuldades na pesquisa”, explica Renan. “Isso acaba fazendo com que o número de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas não suicida ainda continue sendo subestimado.” A equipe elaborou um fluxograma do processo de notificação após reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde. “A gente fez até uma reunião com a Secretaria de Vigilância em Saúde de Ouro Preto para até entender o porquê que está tendo tanta subnotificação aqui no território”, conta o pesquisador. Os gargalos identificados incluem: Nível municipal: “Muitas vezes as UBS estão cheias de pacientes, os profissionais estão com várias coisas para fazer, aí fica um delegando a função para o outro e acaba que, infelizmente, às vezes, acaba que ninguém preenche”, detalha Renan. “É uma ficha grande que leva um tempinho para preencher. Vários dados que têm que ser preenchidos.” Nível regional e estadual: Subnotificação invisibiliza grupos vulneráveis A pesquisa também apontou lacunas preocupantes nos dados raciais. “A ausência de notificações de pretos e indígenas no período é aparentemente paradoxal, devido Ouro Preto ser um dos municípios com a maior população de pretos do Brasil, proporcionalmente”, destaca o estudo. “Quando chega no sistema, tem aquele dado lá em branco, às vezes com informação faltando raça, cor, faltando gênero, o que é ruim até para quem vai realizar estudos epidemiológicos como a gente, porque isso é muito importante para você realizar promoções de prevenção da saúde mental e do suicídio”, explica Renan. Contexto nacional preocupante O estudo contextualiza Ouro Preto dentro de um cenário nacional alarmante. No Brasil, as taxas de suicídio cresceram em média 3,7% ao ano entre 2011 e 2022, com destaque para jovens de 10 a 24 anos. Em 2023, o SUS registrou 11.502 internações por lesões autoprovocadas — mais de 30 por dia, alta superior a 25% em relação a 2014. “Normalmente o tentativa de suicídio é de 3 a 4 vezes maior que o de suicídio, a menos que no caso de Ouro Preto seja por subnotificação”, analisa o pesquisador, citando dados da literatura científica. Território e saúde mental Renan destaca como o território influencia na saúde mental da população: “Uma das coisas que eu mais aprendi nessa pesquisa foi como é que o território influencia tanto na saúde mental, quanto no sofrimento psíquico. Ouro Preto já tem um histórico de sofrimento psíquico relacionado ao sofrimento dos escravos, a grande relação da mineradora com a cidade.” Ele menciona pontos críticos conhecidos: “Tem o histórico da Curva do Vento, que infelizmente direto alguém vai lá para tentar a tentativa de suicídio e que o Arislan (orientador e professor do curso de medicina da UFOP) participou junto com os bombeiros de colocar as plaquinhas lá para tentar evitar que isso fique ocorrendo com frequência.” Papel da atenção básica O pesquisador ressalta a importância da atenção primária: “A atenção básica é extremamente importante, tanto para a prevenção do suicídio quanto para a promoção da saúde mental. Como o paciente, muitas vezes, o primeiro contato da área de saúde vai
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Quando o nome do crime importa: como a classificação penal afeta os dados sobre feminicídio no Brasil

Lesão corporal dolosa ou tentativa de feminicídio? A fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais. Imagem: Freepik Camila Pereira Belisario de Sousa, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Lucia Eilbaum, Universidade Federal Fluminense (UFF) Os números de violência contra a mulher e feminicídios no Brasil são alarmantes. Quase diariamente, a imprensa noticia novos casos que chocam não apenas pela frequência, mas também pela brutalidade. No entanto, para além das estatísticas e das histórias individuais de sofrimento, existe um elemento menos visível, porém decisivo, na compreensão desse fenômeno. A forma como esses crimes são classificados pelo sistema de justiça criminal. Esse pode parecer um detalhe técnico, restrito ao vocabulário e universo jurídico, mas não é. A tipificação penal adotada por policiais, promotores e juízes não apenas determina os rumos dos processos judiciais e impacta os números oficiais que embasam políticas públicas, mas também influenciam e são influenciados pelo reconhecimento social da violência de gênero. Lesão corporal dolosa x feminicídio No âmbito do Grupo de Etnografias em Antropologia do Direito e das Moralidades, vinculado ao Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (INCT-InEAC), realizamos uma pesquisa com o acompanhamento de julgamentos, pelo Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, de casos de feminicídio tentado e consumado. Além desse acompanhamento, fizemos entrevistas com advogados e juízes que atuam nesses casos. E mais, analisamos outros casos noticiados pela imprensa que indicam a crescente classificação de homicídios e tentativas de homicídio de mulheres como crimes com motivação de gênero, e também um maior rigor na classificação das ocorrências. Um exemplo dessa maior severidade na tipificação das ocorrências pode ser observado em casos como o de Carlos (nome fictício). Em julgamento pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, foi condenado a 12 anos de prisão pela tentativa de feminicídio de sua companheira, em março de 2025. A discussão central no julgamento foi se houve ou não intenção de matar. Segundo a defesa, o crime deveria ser classificado como lesão corporal dolosa, e não como tentativa de feminicídio. Esse tipo de argumento é comum nos tribunais. Ele evidencia que a fronteira entre diferentes classificações penais nem sempre é clara, sendo atravessada por interpretações jurídicas, sensibilidades morais e orientações institucionais. Nos casos de violência contra a mulher, essas escolhas são especialmente sensíveis, pois a mobilização social em torno do tema e a criação de leis específicas, influenciam a atuação dos agentes estatais. Dossiê Mulher No Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), publicados anualmente no Dossiê Mulher, mostram um aumento persistente nas tentativas de homicídio de mulheres e de feminicídio, enquanto os casos consumados apresentam queda ou pouca variação. Segundo o próprio órgão, isso pode indicar um “maior rigor na capitulação das ocorrências”. Como no julgamento de Carlos, situações que anteriormente poderiam ser registradas como lesão corporal passam a ser reconhecidas como tentativas de feminicídio. A pesquisa etnográfica realizada por mim, entre 2020 e 2021, com mulheres que denunciaram violência doméstica, revelou insatisfação de muitas delas quanto ao tratamento que recebiam da polícia e do judiciário. Além disso, a demora no andamento dos processos e as penas recebidas pelos agressores também eram fonte de grande frustração. Ainda assim, a comparação com pesquisas pioneiras sobre o tratamento institucional de violência contra a mulher evidencia mudanças significativas ao longo das últimas décadas. Estudos realizados por Lana Lage, Lia Zanott, Maria Filomena Gregori e Guita Grin Debret, nas décadas de 1990 e 2000, em delegacias distritais, Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs) e no Judiciário, demonstraram que se buscava retirar do âmbito penal as denúncias de agressões sofridas por mulheres. Os trabalhos de Mariza Corrêa“ publicados na década de 1980, que abordavam o homicídio e tentativa de homicídio entre casais, mostram que esses crimes eram então frequentemente descritos como ”crimes passionais“ ou justificados pela tese da ”legítima defesa da honra“. Lei Maria da Penha e Lei do Feminicídio Desde sua promulgação, em 2006, a Lei Maria da Penha vem contribuindo de forma significativa para dar visibilidade ao tema da violência doméstica e familiar contra mulheres, tornando-se paradigmática não apenas no campo legislativo e moral, mas também um referencial na criação de políticas públicas no Brasil. Em 2015, a Lei do Feminicídio, que o tornou uma qualificadora do crime de homicídio doloso, deu destaque a esses crimes no debate público sobre a violência de gênero. Mais recentemente, em 2024, a Lei nº 14.994 tornou o feminicídio um crime autônomo. Além de estabelecê-lo como um tipo penal próprio, a nova legislação também ampliou a pena prevista, que passou de reclusão de 12 a 30 anos para 20 a 40. A exemplo do que ocorreu a partir da criação da Lei Maria da Penha e da Lei de Feminicídio de 2015 e, agora, com a tipificação penal, ao longo dos anos, tende a ocorrer uma conscientização crescente entre os profissionais do sistema de justiça criminal sobre a classificação e tipificação dos crimes. Esse fenômeno certamente ajuda a explicar o crescimento nos números de registros de feminicídios consumados e tentados, mesmo num contexto de redução de homicídios no Brasil. Ainda assim, os resultados dessa atuação variam muito pelo país. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública Um dado revelador vem do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostra grandes diferenças entre as unidades da federação na proporção de feminicídios em relação ao total de homicídios de mulheres. Essas diferenças não se explicam apenas pela incidência real da violência, mas também pelas práticas institucionais de classificação. O Ceará, por exemplo, apresentou, em 2024, a maior taxa de homicídios de mulheres do país: 6,5 por 100 mil mulheres. No entanto, apenas 13,2% desses casos foram registrados como feminicídio, muito abaixo da média nacional, que gira em torno de 40%. Como indicam os índices do estado em anos anteriores, trata-se um padrão histórico de baixo reconhecimento institucional dessa violência de gênero, ao relacionar baixo percentual de homicídios de mulheres ao feminicídio. O Distrito Federal (DF) segue caminho
Bloco do Caixão chega aos 50 anos e abre o Carnaval universitário de Ouro Preto com Dennis DJ, Felipe Amorim e Fatsync

Edição do cinquentenário acontece em 14 de fevereiro de 2026. Além do evento, o bloco mantém o cortejo tradicional nas ladeiras, prepara ações de aquecimento na cidade — e ainda guarda uma atração surpresa para anunciar mais perto da data. Em 1976, alguém decidiu que o Carnaval de Ouro Preto não precisava ser “bonito”: precisava ser verdadeiro. Sem manual, sem ornamento — só a vontade de viver o agora. Meio século depois, o Bloco do Caixão chega aos 50 anos como um marco de identidade do Carnaval universitário: uma festa que não apenas passa — marca. A comemoração principal acontece no sábado, 14 de fevereiro de 2026, abrindo a sequência dos grandes eventos do Carnaval na cidade. Até aqui, a programação divulgada reúne Dennis DJ, Felipe Amorim, Fatsync e Skullz. Mas há um detalhe que tem alimentado a expectativa: a organização ainda mantém uma atração “guardada” — um nome que não foi anunciado e deve ser revelado mais perto do Carnaval, como parte do pacote especial do cinquentenário. A escolha do line-up segue uma lógica que se repete em Ouro Preto: misturar apelo nacional e energia de pista, sem perder o espírito de ladeira. Dennis volta como um dos nomes mais associados ao Carnaval da cidade; Felipe Amorim chega embalado por hits recentes; e Fatsync reforça a frente eletrônica do evento. A peça que falta — e que a organização prefere soltar no tempo certo — é justamente o que promete dar um “efeito de anúncio” à edição dos 50 anos. Uma tradição que nasceu na rua — e nunca saiu dela O Caixão nasceu como um desfile: um cortejo de rua que cresceu atravessando gerações. O símbolo do caixão permaneceu, mas foi adaptado ao longo do tempo para garantir mais segurança no trajeto. A imagem que ficou é a mesma: gente subindo, cantando, batucando, ocupando Ouro Preto com a alegria de quem faz história sem pedir licença. Cinquentenário também é experiência Para 2026, a organização promete uma edição de “superprodução”, com camadas de experiência para pista e camarote. Entre os diferenciais citados para o setor premium, está prevista Chandon no camarote como parte do clima comemorativo do cinquentenário — um gesto de “brinde à altura” para quem escolhe viver a data por dentro. E é nesse conjunto — estrutura, tradição e anúncio ainda pendente — que a edição de 50 anos tenta se afirmar: não como repetição do que já funcionou, mas como uma virada de chave em escala e memória. Skullz, a caveira que virou rosto do Caixão Se o Bloco do Caixão nasceu na rua, ele também aprendeu — com o tempo — a falar a língua do agora. A prova é Skullz, o mascote que virou personagem oficial do bloco: um DJ de “cabeça de caveira”, usado como símbolo visual da festa e como fio condutor da narrativa do cinquentenário. A figura ganhou força na comunicação recente do Caixão justamente por personificar um sentimento que o folião conhece bem: a saudade que começa antes mesmo da quarta-feira de cinzas. Skullz aparece como alguém que vive o ano inteiro, faz de tudo, mas tem uma obsessão que não muda: chegar o Carnaval. Essa estratégia também funciona como linguagem de pertencimento. Em vez de comunicar apenas com line-up e serviço, o Caixão cria um “rosto” para o bloco, algo que atravessa gerações e sustenta uma história contínua — não só o evento de um dia, mas o vínculo de um ano inteiro. Aquecimento: Caixão Run Antes do Carnaval, o bloco também puxa a cidade para um aquecimento fora do óbvio: a Caixão Run, corrida de 5 km marcada para 25 de janeiro de 2026, com inscrição solidária (ingresso + 1 kg de alimento) pela plataforma de vendas.
Ouro Preto figura entre os 10 destinos mais procurados do Brasil e lidera visitação em Minas

Com taxa de ocupação hoteleira de 66% e 360 mil visitantes no Museu da Inconfidência, cidade histórica consolida-se como principal polo turístico mineiro
Folia de Reis em Ouro Preto: tradição segue viva nos distritos e tem encontros confirmados nesta segunda (6)

Fotos: Ane Souz Entre o Natal e o Dia de Reis, Ouro Preto volta a ouvir um som antigo e sempre atual: o das folias que percorrem comunidades, renovam promessas e mantêm viva uma das manifestações mais fortes do ciclo natalino. Ligada à celebração dos Três Reis Magos, a Folia de Reis é também encontro, memória e pertencimento — um ritual comunitário que atravessa gerações e continua pulsando em bairros e distritos do município. Um dos símbolos dessa continuidade está no Padre Faria. Jésus Eduardo Floretino, o Jésus Boi, conta que faz parte da Folia de Santos Reis do Padre Faria desde o começo. “A primeira saída dela foi dia 25 de dezembro de 1974”, lembra. Ele explica que, no início, o grupo tocava até repertório sertanejo: “Começamos tocando música sertaneja”. À época, Jésus já era do Congado de Saramenha, mas precisou se afastar por um problema de saúde. “Dei problema de saúde, na coluna. Aí formei a folia com uma turminha, com apoio do Dom Barroso, que deu alguns instrumentos, e assim começamos. Eu não deixei ela acabar”, afirma. Em Amarantina, a tradição também se reforça com novas etapas de organização e permanência. Leandro da Costa Filho, da Folia de São Gonçalo de Amarantina, diz que o grupo atua há anos como parte ativa da cultura do distrito. “Já há alguns bons anos estamos fazendo parte desse movimento cultural do nosso distrito”, diz. Para ele, a folia é também um gesto de continuidade: “Estamos resgatando alguns valores e estamos firmes, sempre, sempre com a música”. Além de preservar cantos, instrumentos e a simbologia das bandeiras, as folias mantêm um tipo de cultura que não depende de palco: ela acontece no corpo a corpo, na visita, na roda, na rua — e por isso segue sendo um patrimônio vivo. Folias e grupos tradicionais em Ouro Preto O município reúne diferentes expressões do ciclo de Reis, com grupos reconhecidos nas comunidades: Agenda confirmada nesta segunda (6) Por que isso importa culturalmente Mais do que uma tradição religiosa, a Folia de Reis é um patrimônio vivo: ela preserva músicas, versos, modos de tocar e de cantar, além de costumes de visitação e acolhida que ajudam a formar a memória das comunidades. Em cidades históricas como Ouro Preto — onde o patrimônio material é muito visível — a folia lembra que o patrimônio também existe no que é cantado, celebrado e transmitido de pessoa para pessoa. As pastorinhas, por sua vez, integram esse mesmo universo do ciclo natalino com apresentações que combinam canto, encenação e devoção, reforçando a participação de diferentes gerações e mantendo uma linguagem popular que atravessa o tempo.

“Não tem vaga, só se conhecer alguém”: as dificuldades das refugiadas congolesas para acessar o SUS no Brasil Paula Colodetti, UERJ e Francisco Ortega, ICREA O The Conversation Brasil e a revista Cadernos de Saúde Pública/Reports in Public Health (CSP) fizeram uma parceria para trazer ao público artigos inéditos sobre estudos científicos, pesquisas originais e revisões críticas em diversas áreas da saúde coletiva. A revista CSP é publicada desde 1985 com suporte da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e reúne artigos científicos originais voltados à produção de conhecimento no campo da Saúde Coletiva e disciplinas afins. No artigo abaixo, os resultados do estudo que identificou as dificuldades que refugiados de países africanos residentes no Brasil – especialmente mulheres – experimentam ao tentar acessar os serviços do SUS. E entre estes problemas, estão o racismo, o machsimo e a xenofobia. O Sistema Único de Saúde (SUS) nasceu com a promessa de atender a todos de forma integral e gratuita. Na prática, porém, grupos vulneráveis seguem enfrentando barreiras para transformar esse direito em realidade. É o caso de mulheres congolesas refugiadas no Rio de Janeiro, que fazem parte da segunda maior comunidade de refugiados de guerra na cidade. Elas relataram, em estudo realizado pelo pesquisador Francisco Ortega e por mim, a percepção de que, sem conhecer alguém dentro da instituição de saúde, não se consegue marcar uma consulta ou um exame. A frase que dá título ao nosso estudo — “Não tem vaga, só se conhecer alguém” — foi dita por uma das interlocutoras que, mesmo com dificuldades de idioma, conseguiu captar rapidamente uma das principais barreiras de acesso: a falta de capital social. Em outras palavras, sem vínculos ou conhecidos dentro do sistema, essas mulheres sentem-se ainda mais distantes do cuidado. O trabalho sobre o tema foi publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública. Essas mulheres refugiadas chegam ao Brasil após deixarem seu país, na África Central, por causa de conflitos armados, violência política ou risco à vida. Aqui, enfrentam uma nova batalha: superar a desconfiança das instituições, lidar com o racismo, a barreira da língua e a falta de recursos financeiros. As entrevistas reunidas pela pesquisa revelam situações corriqueiras que, somadas, apresentam um retrato dessa exclusão. De novo, em situações de risco Uma das participantes contou que conseguiu marcar exames apenas porque uma senhora, com quem conversou e que estava na fila, conhecia alguém dentro da unidade. Outra relatou que levou a filha com problemas de pele à Clínica da Família, mas foi informada de que só teria atendimento com pediatra após seis meses de espera. Em muitos casos, as mulheres descreveram atendimentos rápidos, superficiais e sem explicação adequada dos procedimentos, o que reforça a sensação de descaso e desigualdade. Além disso, a falta de domínio do português intensifica o sentimento de impotência. Muitas relatam que são interrompidas ou simplesmente ignoradas pelos profissionais do SUS ao tentarem explicar sintomas. “Você aponta e eles dizem: tá, já sei onde está com dor, vou te dar o remédio. Nem fazem a receita direito”, disse uma das entrevistadas. Em outro caso, a própria funcionária da farmácia ajudou a interpretar a prescrição e indicar o antibiótico necessário. A pesquisa também destaca o papel do território. A maioria dessas mulheres vive em favelas ou áreas periféricas da cidade do Rio de Janeiro, onde a violência cotidiana se soma ao racismo estrutural e institucional. Elas compararam a violência urbana carioca à guerra que deixaram no Congo, relatando medo de circular à noite e se expor a novas situações de risco. Os relatos das mulheres congolesas foram ouvidos no cotidiano da Cáritas RJ, instituição de acolhimento a refugiados, por meio da observação das atividades, de conversas em grupo e entrevistas. A pesquisadora Paula Colodetti participou de aulas de ioga e de rodas de conversa com as mulheres refugiadas para conhecer suas experiências e discutir temas como o acesso à saúde. Foram feitas oito entrevistas em profundidade, com apoio de tradutoras. Os relatos coletados serviram de base para identificar padrões e percepções comuns nas vivências dessas mulheres. As narrativas foram analisadas com métodos qualitativos amplamente usados nas ciências sociais. Narrativas sobre solidão e solidariedade Outro ponto importante revelado por esse grupo de mulheres é a solidão. Muitas chegaram ao Brasil sem marido ou filhos, com famílias separadas no processo de refúgio. Essa ausência de rede de apoio local aumenta a vulnerabilidade, já que o capital social – a confiança e as conexões estabelecidas com pares, vizinhos e instituições – é fundamental para acessar serviços de saúde. Sem essas ligações, as chances de conseguir atendimento se reduzem. Apesar das dificuldades, também há experiências positivas. Algumas mulheres contaram ter recebido ajuda inesperada de vizinhos ou desconhecidos, seja oferecendo carona até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), doando roupas ou ajudando a lidar com a burocracia. Esses relatos mostram que solidariedade e acolhimento existem, mas aparecem de forma pontual, dependendo da boa vontade individual, e não como resultado de políticas institucionais consistentes. O estudo chama atenção ainda para um choque cultural: no Congo, o sistema de saúde funciona mediante pagamento após a consulta, e casos graves são absorvidos pelo Estado. Já no Brasil, apesar de gratuito, o SUS tem uma lógica burocrática que sobrecarrega as unidades de Saúde e confunde essas mulheres estrangeiras que não falam português. Muitas não entendem por que precisam esperar tanto tempo por uma consulta, ou por que não são atendidas rapidamente em casos aparentemente urgentes. O que aparece em comum nos depoimentos é a sensação de desconfiança e descrédito em relação ao SUS. As longas filas, a demora para conseguir especialistas, as negativas por suposta falta de documentos, além da percepção de racismo nos atendimentos, constroem uma barreira simbólica e concreta. Para muitas, a solução tem sido recorrer a redes intracomunitárias, como igrejas e grupos de conterrâneos, que oferecem apoio emocional e prático – mas que, ao mesmo tempo, reforçam o isolamento em relação à sociedade brasileira. A pesquisa conclui que, se o capital social é essencial para acessar serviços de saúde,
Quando a mente alerta para o perigo: roer unhas, procrastinar e outras formas de autossabotagem

Cérebro usa pequenos danos como dose protetora para prevenir danos maiores, como se preferisse lidar com a certeza de uma ameaça controlada e conhecida do que enfrentar um risco presumivelmente maior.
O papel estratégico da nova vacina Butantan-DV, primeira do mundo em dose única contra a dengue

André Ricardo Ribas Freitas, Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic Aprovada no último dia 26 de novembro pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos, a vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante contra dengue em dose única do mundo. A notícia é muito auspiciosa, uma vez que a dengue permanece como a arbovirose mais frequente no planeta, e uma das que mais pressionam o sistema de saúde brasileiro. O Brasil já convive com ciclos intensos de dengue há décadas. Eles são agravados pela circulação alternada e simultânea dos quatro sorotipos do vírus causador dessa febre (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Essa alternância cria condições para a ocorrência de epidemias maiores, com picos intensos e risco elevado de formas graves em razão da maior prevalência de segundas infecções. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até novembro de 2025, foram contabilizados 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. São Paulo é o estado mais afetado tanto em número total como proporcionalmente ao tamanho da população. No Brasil, os óbitos já somam 1,6 mil em 2025, e registram uma redução de 72% em comparação com 2024. Esse comportamento viral, associado à forte presença do mosquito Aedes aegypti — o principal vetor da doença — nas áreas urbanas, ajuda a entender por que a dengue segue como um problema estrutural para o país. Nesse contexto, o anúncio recente da aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova vacina contra a dengue desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan representa um avanço concreto. A Butantan-DV utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado, já amplamente validada em imunizantes contra outros patógenos, como sarampo, caxumba e rubéola, febre amarela e rotavírus. Os vírus atenuados usados em vacinas passam por processos laboratoriais que os impedem de causar doenças. Porém, em contato com o organismo, conseguem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos e ativar células de defesa. Esse reconhecimento prévio permite uma resposta rápida caso a pessoa seja exposta a estes ao vírus, reduzindo de forma significativa o risco de infecção e de quadros graves. Quanto ao perfil de segurança, os efeitos adversos mais comuns da Butantan-DV foram leves a moderados — como cefaleia, fadiga e exantema (manchas vermelhas na pele). Eventos graves foram raros e consistentes com o que já se conhece do uso de vacinas de vírus vivo atenuado. Diante desses resultados, a Anvisa concluiu que o risco-benefício é favorável, considerando a elevada carga da dengue no país. A agência reguladora prevê ainda o acompanhamento contínuo da segurança e eficácia ao longo dos próximos anos, como ocorre com qualquer imunizante novo introduzido em larga escala. Décadas de pesquisa A Butantan-DV é resultado de pesquisas iniciadas em 2009, quando o país ultrapassou 1 milhão de casos prováveis da doença. A partir de uma colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que cederam as quatro cepas atenuadas do vírus, o Instituto Butantan desenvolveu sua própria formulação após centenas de experimentos. Os ensaios clínicos avançaram da fase 1, conduzida pelo NIH com 113 voluntários e imunogenicidade inicial de 90%, para a fase 2 brasileira, que reuniu 300 adultos e confirmou segurança e resposta imune robustas em apenas uma dose. O passo decisivo ocorreu a partir de 2016, com a fase 3. Foi um dos maiores estudos clínicos já feitos no país, envolvendo 16 mil voluntários de 2 a 59 anos em 16 centros de pesquisa. Após cinco anos de acompanhamento, os resultados mostraram eficácia geral de 74,7% em adolescentes e adultos e proteção de 91,6% contra formas graves. Ao menos três características explicam por que este imunizante representa um avanço importante. Enquanto a vacina atualmente disponível, a QDENGA (Takeda), é dada em duas doses, a Butantan-DV deve ser aplicada em dose única, o que torna a estratégia de vacinação mais simples, com maior potencial de cobertura. A dose única simplifica campanhas, melhora a adesão e permite respostas rápidas em momentos de surto ou em localidades com acesso irregular a serviços de saúde. Além disso, a Butantan-DV apresentou maior eficácia para casos sintomáticos e graves. Nos estudos, a vacina demonstrou boa capacidade de prevenir dengue sintomática — incluindo quadros graves que exigem hospitalização, reduzindo a pressão sobre unidades de emergência. A Butantan-DV também é segura para pessoas que não tiveram exposição anterior ao vírus da dengue. Ao não exigir infecção prévia, o imunizante supera a restrição apresentada pela vacina Dengvaxia (em três doses, da Sanofi-Pasteur), que era indicada somente a quem já havia sido infectado por dengue antes, e reposiciona a vacinação como medida populacional, não apenas individual. Outro ponto relevante é a produção nacional do imunizante: a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan para ampliar a produção busca garantir a fabricação em larga escala, fortalecendo a autonomia sanitária do país e reduzindo dependência de importações em momentos críticos. É importante ter clareza de que a vacinação não interromperá a transmissão sozinha. As arboviroses são transmitidas por vetores e influenciadas por fatores ambientais — densidade de mosquitos, chuva, temperatura e condições urbanas. Mesmo uma alta cobertura vacinal não eliminaria totalmente a circulação viral. A indicação para a faixa etária de 12 a 59 anos também limita o impacto populacional máximo. Mas isso não diminui sua importância: o objetivo central é reduzir casos, internações e mortes, o que é um ganho direto para a saúde pública. A disseminação das arboviroses As arboviroses não se limitam à dengue. Elas são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por insetos hematófagos (se alimntam de sangue). Entre os vetores mais relevantes estão o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, transmissores de dengue, chikungunya e Zika; o Culicoides paraenses (conhecido como maruim ou mosquito porva) e o Culex quinquefasciatus (pernilongo comum), envolvidos na transmissão do vírus Oropouche. O pernilongo comum também pode transmitir o vírus West Nile. Nos últimos anos, vários desses vírus passaram a ocorrer em novas regiões do Brasil e das Américas, deixando de se concentrar apenas nos territórios historicamente afetados. O vírus Oropouche, antes restrito à Amazônia, hoje provoca surtos
Ouro Preto ganha Parque Tecnológico Henri Gorceix sem custos para o cofre público municipal

Fundação Gorceix adquiriu terreno na Fazenda da Jacuba para criar hub de inovação em parceria com IFMG, UFOP e Incultec; projeto prevê atração de empresas, geração de empregos e diversificação da economia Ouro Preto deu mais um passo rumo à diversificação econômica com o lançamento da pedra fundamental do Parque Tecnológico Henri Gorceix. O empreendimento, viabilizado pela Fundação Gorceix em parceria com a Prefeitura Municipal, promete transformar a cidade em polo de inovação tecnológica sem exigir investimentos públicos municipais. O terreno na Fazenda da Jacuba foi adquirido pela própria fundação. “Um dia muito importante para Ouro Preto, estamos aqui junto com a Fundação Gorceix colocando a pedra fundamental do Parque Tecnológico, que vai ser aqui na nossa cidade de Ouro Preto”, anunciou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Guerra. “Não há investimento público nenhum aqui. É todo recurso provindo da Fundação Gorceix, que acreditou em uma proposta colocada no nosso plano municipal de desenvolvimento econômico e de inovação em tecnologia.” Ecossistema de inovação já em funcionamento O parque tecnológico é parte de uma estratégia maior de desenvolvimento econômico que já está em andamento. “Nós criamos um hub de inovação que hoje funciona no IFMG, junto com a UFOP, trouxemos a Incultec para a cidade de Ouro Preto e não só, mas dentro da universidade”, detalhou o secretário. “E agora, uma conquista gigante, não só para Ouro Preto, mas para toda Minas Gerais: o Parque Tecnológico de Ouro Preto.” A Incultec (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares) atua desde 2006 na incubação de empresas de base tecnológica da UFOP. Com o parque, esse ecossistema ganha nova estrutura física e possibilidades de expansão. Fundação Gorceix assume protagonismo na inovação A Fundação Gorceix, que há mais de meio século atua no apoio a projetos científicos, educacionais e de assistência social, assume agora papel de destaque na área de inovação tecnológica. “Aqui, a Fundação Gorceix tem compromissos históricos, sociais, econômicos, educacionais”, destacou Felipe Guerra. “Hoje, a Fundação Gorceix começa junto com a Prefeitura Municipal de Ouro Preto a olhar também para o futuro e se colocar no futuro.” A fundação leva o nome de Henri Gorceix, geólogo francês que fundou em 1876 a Escola de Minas de Ouro Preto, eixo histórico de ciência e tecnologia em Minas Gerais. A escolha do nome do parque resgata esse legado de inovação científica. Expectativas de geração de emprego e renda O secretário projeta impactos significativos na economia local: “O parque tecnológico vai trazer várias empresas para essa localização. Então será gerado muito emprego, muita renda, muita inovação, muita solução, muita patente. Um grande negócio para Ouro Preto.” A expectativa é que o parque funcione como polo de atração empresarial, aproximando pesquisa, empresas e governo. A presença do IFMG, UFOP e Incultec cria um corredor natural para pesquisa e desenvolvimento, estágios, spin-offs e transferência de tecnologia. Parte de plano maior de desenvolvimento O Parque Tecnológico integra o sistema de inovação criado pela gestão do prefeito Angelo Oswaldo. “Ouro Preto hoje marca história novamente, pensando no futuro, pensando em soluções para o presente, mas também sempre com olhar na nossa diversificação econômica”, afirmou Felipe Guerra. O secretário destacou outros avanços recentes: “Batemos recorde em número de novos empregos, em atração de novas empresas. Somos selo ouro em Minas Gerais com a Sala Mineira do Empreendedor. O nosso Sine está entre os cinco melhores de Minas Gerais.” A Sala Mineira do Empreendedor de Ouro Preto recebeu, em 11 de dezembro de 2025, o Selo Ouro de Referência em Atendimento do Sebrae, reconhecimento que reforça os esforços municipais no ambiente de negócios. “Um trabalho gigantesco feito pelo prefeito Angelo Oswaldo e pela vice-prefeita Regina Braga, com todo esse desenvolvimento econômico, acreditando em boas políticas públicas para trazer soluções para todo Ouro Preto”, concluiu o secretário. Diversificação além da mineração Se consolidado conforme o planejado, o parque pode representar importante passo na diversificação econômica de Ouro Preto, cidade historicamente dependente da mineração e do setor público. A aposta em tecnologia, inovação e empreendedorismo busca criar novas frentes de geração de emprego e renda. A articulação entre instituições de ensino, empresas privadas, fundações e poder público segue modelo de parques tecnológicos já consolidados em outras regiões do país, onde a proximidade com universidades e centros de pesquisa acelera a transferência de conhecimento para o setor produtivo. O projeto deverá passar por licenciamento ambiental e demais procedimentos urbanísticos conforme a legislação municipal e estadual. Informações sobre cronograma de obras e início das operações devem ser divulgadas nas próximas etapas do empreendimento.