Ouro Preto, quinta-feira, junho 11, 2026 00:32

BDMG oferece crédito com taxa reduzida para mulheres empreendedoras e produtoras rurais de Minas até 31 de março

BDMG crédito mulheres empreendedoras | Vintém Serviço público · Economia Linha de crédito do banco estadual está com condições especiais durante o mês de março, com juros mais baixos, até 12 meses de carência e consultoria gratuita do Sebrae para quem contratar até o fim do mês Jiljana Isidoro · Vintém · 13 de março de 2026 O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) está com linha de crédito especial para mulheres empreendedoras ativa durante o mês de março, com taxa promocional de 0,33% ao mês mais a Selic — abaixo das condições habituais. O prazo de pagamento é de até 48 meses, com 12 meses de carência. A contratação pode ser feita de forma digital, pelo site do BDMG, até o dia 31 de março. Também inédita neste ano, a redução de taxas de março foi estendida às mulheres produtoras rurais, por meio da linha BDMG Agro Repasse, operada pelas cooperativas de crédito parceiras do banco. 💳 Como contratar — BDMG Mulher Empreendedora ⚠️ Prazo: até 31 de março de 2026 Taxa 0,33% ao mês + Selic (taxa promocional de março) Pagamento Até 48 meses, com 12 meses de carência Requisito Empresa com participação societária feminina igual ou superior a 50% do capital social, há mais de seis meses Bônus Consultoria técnica gratuita e personalizada do Sebrae Minas para quem contratar até 31/03 Como contratar De forma digital pelo site do BDMG: bdmg.mg.gov.br Produtoras rurais Acesso pela linha BDMG Agro Repasse, via cooperativas de crédito parceiras — lista disponível no site do banco Um em cada três pequenos negócios tem mulher à frente Negócios liderados por mulheres representam 40% das micro e pequenas empresas de Minas Gerais, segundo dados do Sebrae Minas. Em 2025, o BDMG liberou R$ 73,2 milhões em crédito para 1,2 mil empresárias por meio das linhas destinadas a elas. “Oferecer um crédito acessível é decisivo para impulsionar o empreendedorismo feminino, permitindo que elas explorem todo o potencial dos seus negócios.” — Letícia Guerra, gerente do BDMG Esta é a segunda edição consecutiva da parceria entre BDMG e Sebrae com foco na mulher empreendedora. A novidade deste ano é a inclusão das produtoras rurais nas condições especiais de março — uma extensão que amplia o alcance da iniciativa além dos centros urbanos. 📊 Em números 40% das MPEs mineiras têm participação feminina majoritária R$ 73,2 mi liberados pelo BDMG para mulheres empreendedoras em 2025 1,2 mil empresárias atendidas em Minas Gerais no ano passado A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destacou o papel da iniciativa no contexto mais amplo de fomento ao empreendedorismo feminino. *”O empreendedorismo é um caminho de autonomia e liderança para as mulheres mineiras, portanto uma preocupação do Governo de Minas é criar condições para que elas transformem ideias em negócios, levem soluções ao mercado e tirem seus projetos do papel”*, afirmou. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

O que a neurociência já conseguiu explicar sobre a ação dos aromas no cérebro

Fernando Gomes, Universidade de São Paulo (USP) e Daiana Petry, Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) Durante muito tempo, falar sobre aromaterapia no contexto científico soava quase como uma contradição. Os aromas eram associados a bem-estar subjetivo, tradição ancestral ou experiências sensoriais difíceis de medir. Porém, um conjunto de revisões e estudos experimentais vem mostrando que certos óleos essenciais podem modular respostas reais do organismo — com resultados que vão desde a redução de estresse e ansiedade, acompanhada de mudanças em marcadores como frequência cardíaca e pressão arterial, até alterações mensuráveis na atividade cerebral associadas a estados de relaxamento vigilante, atenção e flexibilidade cognitiva. A resistência aos aromas não surgiu apenas da ausência de dados, mas de uma herança histórica. Desde o século XIX, o olfato foi considerado um sentido “menor” na hierarquia científica ocidental. A partir de interpretações anatômicas feitas pelo médico francês, anatomista e antropólogo Paul Broca (1824-1880), difundiu-se a ideia de que a evolução da racionalidade humana estaria associada à redução do sistema olfativo, como se o cheiro pertencesse ao domínio do instinto e não da cognição. Essa hipótese, hoje ultrapassada, contribuiu para que o olfato fosse marginalizado em áreas como a medicina, a psicologia e a neurociência por mais de um século. Pesquisas contemporâneas têm demonstrado o oposto: o sistema olfativo humano é altamente sofisticado e profundamente integrado às redes cerebrais de emoção, memória, tomada de decisão e regulação fisiológica. A simples inalação de um aroma é capaz de interagir com estruturas como a amígdala, hipocampo, córtex orbitofrontal e ínsula, regiões centrais para o comportamento humano. Com isso, esse cenário está mudando de forma consistente. Hoje, a neurociência está começando a mapear como as moléculas aromáticas presentes nos óleos essenciais podem interagir com o sistema nervoso e influenciar estados emocionais e fisiológicos. Do misticismo ao mecanismo Uma revisão narrativa, publicada em 2025 e indexada no PubMed, intitulada “A Narrative Review of Aromatherapy: Mechanisms and Clinical Value in Physiological and Psychological Regulation”, sintetizou o que a literatura científica tem revelado até o momento sobre os mecanismos neurobiológicos envolvidos na aromaterapia. Trata-se de um marco importante porque desloca o debate do campo do “funciona ou não funciona” para uma pergunta mais profunda: quais sistemas cerebrais parecem ser modulados pelos aromas e por quais vias isso pode ocorrer? Essa revisão permitiu aos autores organizar dados sobre os efeitos fisiológicos e psicológicos dos aromas e a base neurobiológica por trás deles. Ela também indica que pesquisas futuras devem aprofundar mecanismos de ação, biodisponibilidade dos compostos aromáticos e segurança a longo prazo, para estimar com mais precisão o potencial terapêutico da aromaterapia. O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisadores afiliados a instituições como Shenzhen Traditional Chinese Medicine Hospital e Southwest Medical University, na China. O caminho direto do aroma ao cérebro O olfato possui uma via privilegiada de acesso ao cérebro. Quando inalamos um aroma, as moléculas odoríferas ativam receptores no epitélio olfatório, que se conecta diretamente ao bulbo olfatório. A partir dali, a informação segue para estruturas do sistema límbico — como amígdala e hipocampo — regiões envolvidas em emoção, memória e motivação, sem passar previamente pelo tálamo, filtro de outros sentidos. Essa característica anatômica explica por que os aromas têm capacidade de evocar emoções, memórias e estados fisiológicos de forma rápida e muitas vezes inconsciente. A revisão destaca que essa ativação límbica está associada à modulação de neurotransmissores centrais para a regulação emocional e cognitiva, como serotonina, dopamina, GABA e noradrenalina. Além dessa rota neural direta, a inalação de óleos essenciais envolve também uma rota fisiológica complementar. Parte das moléculas aromáticas inaladas alcança os pulmões, onde pode atravessar o epitélio respiratório e entrar na circulação sistêmica. Isso significa que o efeito dos aromas não se restringe a uma experiência simbólica ou subjetiva. Há também um efeito observável no organismo, em que compostos voláteis podem alcançar tecidos e influenciar parâmetros fisiológicos. Essas duas vias, que chamamos de olfatória e respiratória, ajudam a compreender por que a aromaterapia desperta um crescente interesse científico. Ansiedade, humor e regulação do sistema nervoso Entre os achados mais consistentes revisados estão os efeitos ansiolíticos e moduladores do estresse de determinados óleos essenciais, especialmente aqueles ricos em monoterpenos e ésteres. O linalol, por exemplo, presente na lavanda, demonstra interação com receptores GABAérgicos, o que ajuda a entender a redução de excitabilidade neuronal e a sensação de calma relatada em diferentes estudos clínicos. A revisão também aponta evidências de efeitos antidepressivos leves a moderados, associados à influência dos aromas sobre circuitos dopaminérgicos e serotoninérgicos. Importante ressaltar: não se trata de substituir tratamentos médicos, mas de compreender como estímulos olfativos podem atuar como moduladores do sistema nervoso autônomo e do eixo estresse–emoção, especialmente em contextos de ansiedade, fadiga mental e sobrecarga cognitiva. Em um estudo clínico anterior com 140 participantes, a inalação do óleo essencial de lavanda a cada oito horas, durante quatro semanas, mostrou-se capaz de prevenir a depressão, a ansiedade e o estresse de mulheres no pós-parto, reduzindo de forma considerável os escores dos testes para essas condições. Os escores das escalas utilizadas permaneceram menores até três meses após o início da intervenção, em comparação ao grupo controle, sugerindo que a inalação da lavanda produziu efeitos sustentados ao longo do tempo. Apesar desses resultados promissores, ainda não há consenso científico claro sobre por quanto tempo essas modulações neuroemocionais persistem após o término do estímulo aromático. Essa é uma lacuna relevante para pesquisas futuras, uma vez que muitos estudos concentram-se em efeitos imediatos ou de curto prazo, observados durante ou logo após a inalação ou aplicação tópica dos óleos essenciais. Aromas e função cognitiva: o cérebro em tempo real Um segundo eixo relevante dessa discussão emerge de estudos que conectam aromaterapia à neurofisiologia mensurável. O artigo, publicado no Journal of Medical Signals & Sensors, traz dados interessantes ao utilizar eletroencefalografia (EEG) para avaliar as alterações em padrões de ondas cerebrais (como theta, alpha e beta) associadas a atenção, relaxamento vigilante e à flexibilidade cognitiva após a inalação do óleo essencial de lavanda. É

Edital de licitação para obra de contenção do Morro da Forca deve ser publicado nos próximos dias

Licitação Morro da Forca | Vintém Acompanhamento de obras · Infraestrutura Prefeitura reuniu-se com a Seinfra para ajustes técnicos finais antes da publicação. Obra orçada em mais de R$ 34 milhões conta com recursos federais que estavam parados desde 2012 Jiljana Isidoro · Vintém · 11 de março de 2026 A Prefeitura de Ouro Preto realizou reunião técnica com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) para vistoria e alinhamento dos ajustes finais que antecedem a publicação do edital de licitação da obra de contenção do Morro da Forca. Segundo o município, o edital deve ser publicado nos próximos dias. A obra é classificada pela administração municipal como estruturante e estratégica. A contenção da encosta é considerada necessária para a segurança da área e da população do entorno, que convive há anos com o risco geológico no local. “A licitação desta obra é fruto de um trabalho intenso da gestão municipal, que resgatou o convênio do PAC do ano de 2012, elaborou e forneceu o projeto ao Governo do Estado e articulou ativamente junto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para a liberação dos recursos, que somarão mais de R$ 34 milhões. Além disso, o trabalho da gestão municipal continuará no acompanhamento da licitação e na fiscalização da execução da obra.” — Franklin Evangelista, secretário municipal de Obras Recursos parados por mais de uma década Os recursos que financiam a obra têm uma história longa. Depositados na Caixa Econômica Federal em 2012 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante o governo da presidente Dilma Rousseff, ficaram retidos por mais de uma década sem que a obra avançasse. O prefeito Angelo Oswaldo já havia criticado publicamente a “inércia de muitos governos” que mantiveram os recursos parados. Em 2022, um deslizamento destruiu o Casarão na área, tornando a intervenção ainda mais urgente. Em 2024, as obras de drenagem na encosta foram concluídas como etapa preparatória. Agora, com o edital prestes a ser publicado, a fase de contratação da obra principal se aproxima. 📊 Os números da obra R$ 34 mi+ valor total dos recursos federais para a obra de contenção +13 anos tempo em que os recursos estiveram retidos na Caixa Econômica Federal 2024 conclusão das obras de drenagem na encosta, etapa preparatória 313 áreas de risco geológico mapeadas em Ouro Preto, segundo a Defesa Civil ⏱️ Linha do tempo 2012 Governo federal deposita recursos na Caixa Econômica Federal no âmbito do PAC 2022 Deslizamento destrói o Casarão no Morro da Forca, agravando urgência da intervenção 2024 Obras de drenagem concluídas como etapa preparatória para a contenção 2026 Prefeitura reúne-se com Seinfra; publicação do edital de licitação prevista para os próximos dias Com a publicação do edital, abre-se o processo formal de seleção da empresa que executará a obra. O município informou que acompanhará tanto a licitação quanto a execução. A Seinfra, por sua vez, participou da vistoria técnica como parte do processo de validação antes da abertura do certame. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

UFOP instala Bancos Vermelhos em todos os campi nesta segunda em ato pelo fim da violência contra mulheres

Banco Vermelho na UFOP | Vintém Urgente e Incendioso · Serviço público Símbolo que nasceu na Itália e virou lei no Brasil em 2024 chega à universidade com informações sobre como denunciar violência de gênero — incluindo pela Ouvidoria Feminina da própria UFOP Jiljana Isidoro · Vintém · 9 de março de 2026 A Universidade Federal de Ouro Preto inaugura nesta segunda-feira (9) Bancos Vermelhos em todos os seus campi — Ouro Preto, Mariana, Ipatingae João Monlevade. A instalação simultânea faz parte de uma iniciativa nacional coordenada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que leva o símbolo a diversas universidades e institutos federais no mesmo dia. O Banco Vermelho é um símbolo de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Cada exemplar instalado na UFOP traz também informações objetivas sobre como denunciar casos de violência de gênero — incluindo os canais disponíveis na própria universidade, entre eles a Ouvidoria Feminina, criada exclusivamente para receber esse tipo de denúncia. O registro pode ser feito pelo portal Ouvidoria Feminina UFOP e pode ser anônimo. O projeto nasceu na Itália em 2016 como um gesto simbólico: bancos pintados de vermelho espalhados por praças e espaços públicos para marcar a ausência das mulheres vítimas de feminicídio. No Brasil, a prática ganhou força nos últimos anos e, em 2024, foi incorporada à legislação federal — passando a integrar o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização para o fim da violência contra a mulher. A instalação de amanhã, no entanto, acontece um dia após o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres — o que reforça o caráter de posicionamento institucional da iniciativa. Em Mariana, a iniciativa ganha peso adicional. A cidade ainda convive com a comoção gerada pelo feminicídio de Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e de sua filha Maria Fernanda, 2 anos, assassinadas em 3 de fevereiro no bairro Santa Clara. O crime mobilizou a comunidade — e colocou em debate também o papel da imprensa e das instituições no enfrentamento à violência doméstica. A UFOP tem dois campi na cidade, e ambos receberão bancos nesta segunda. 📍 Programação — instalação dos Bancos Vermelhos na UFOP · 9 de março Ouro Preto 9h Campus Morro do Cruzeiro · gramado em frente à portaria principal Ipatingaa 9h Instituto de Saúde e Humanidades (ISH) · Rua Graciliano Ramos, 719, Cidade Nobre Mariana — ICSA 14h Instituto de Ciências Sociais Aplicadas · Rua do Catete, 166, Centro Mariana — ICHS 15h30 Instituto de Ciências Humanas e Sociais · Rua do Seminário, s/n, Centro João Monlevade 14h Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea) · Rua Trinta e Seis, 115, Loanda A Ouvidoria Feminina da UFOP funciona como um canal institucional dedicado a situações de violência de gênero vividas por integrantes da comunidade universitária. As denúncias são feitas pelo portal ufop.br/ouvidoria e podem ser realizadas de forma anônima. Mais informações sobre o projeto Banco Vermelho estão disponíveis em [LINK — Saiba mais sobre o projeto]. 📞 Canais de apoio — violência contra a mulher 180 · Central de Atendimento à Mulher — gratuito, sigiloso, 24h por dia 190 · Polícia Militar — emergências 181 · Disque Denúncia MG — ligação gratuita Ouvidoria Feminina UFOP · ufop.br/ouvidoria · pode ser anônima CREAS · apoio social e psicológico · Ouro Preto, Mariana e Itabirito · procure a Secretaria de Desenvolvimento Social Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

No ano do recorde de feminicídios no Brasil, como está a nossa região?

Matéria – Larissa e Maria Fernanda | Vintém Larissa tinha 25 anos. Maria Fernanda, dois. O que os matou começa muito antes da faca O feminicídio de mãe e filha em Mariana chocou a região. A cobertura de parte da imprensa chocou também — por razões diferentes. O Vintém apura os dados da violência contra a mulher em Ouro Preto, Mariana e Itabirito e ouve quem trabalha para que cada morte seja contada com o nome certo. Na tarde de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, vizinhos do bairro Santa Clara, em Mariana, ouviram gritos vindos de uma casa na rua Caetano Pinto. Depois, silêncio. Quando a Polícia Militar chegou, encontrou Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e a filha do casal, Maria Fernanda Oliveira Gomes, 2 anos, mortas no quintal da residência, abraçadas, com múltiplas lesões na cabeça, no pescoço e nos membros. O facão usado no crime foi encontrado no terreno vizinho. O companheiro delas, Felipe Gomes Cordeiro, 24 anos, chegou ao local acompanhado do padrasto e ele mesmo conduziu os policiais até os corpos. Preso em flagrante, apresentou versões contraditórias. Acabou confessando. Sua prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte. Ele deve permanecer preso até o julgamento. A Prefeitura de Mariana classificou o crime como “brutal” e prestou solidariedade aos familiares. “Um crime brutal, que causa indignação e tristeza em toda cidade”, dizia o comunicado oficial. No sábado seguinte, 7 de fevereiro, centenas de pessoas foram às ruas em uma marcha convocada por moradores — batizada de Marcha dos Homens, com concentração no Centro de Convenções e caminhada até a Praça Minas Gerais. Uma familiar de Larissa e Maria Fernanda tomou a palavra e lembrou que o feminicídio é o estágio final de uma violência que começa muito antes. Mas enquanto a cidade enlutuada marchava, parte da cobertura jornalística do caso trilhava outro caminho. A narrativa que mata duas vezes Nos dias que se seguiram ao crime, algumas publicações escolheram destacar em seus títulos a versão do próprio suspeito — a de que uma “suposta traição” teria “motivado” ou “levado” o homem a matar. O problema não é mencionar o contexto alegado pelo suspeito. O problema é transformar essa alegação no enquadramento central da história: quando o título diz que a traição “levou” alguém a matar, está construindo uma relação de causalidade. Não descreve o crime — explica, e ao explicar, justifica. “O feminicídio não começa na manchete. Mas a manchete pode determinar se a próxima mulher vai pedir socorro ou vai ficar em silêncio, com medo de não ser acreditada.” — Campanha da Associação Riograndense de Imprensa, 2026 O Projeto Ariadnes, observatório de mídia, gênero e sexualidade da UFOP, sediado no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas de Mariana, publicou em suas redes sociais uma análise da cobertura do caso — apontando exatamente esse padrão. O projeto, coordenado pela professora Karina Gomes Barbosa e com atuação na formação de jornalistas da Região dos Inconfidentes, tem realizado oficinas sobre cobertura ética de feminicídios desde 2025. A publicação gerou ampla repercussão e debate entre moradores e profissionais da comunicação. A pesquisadora e linguista Ana Maduro, cujo trabalho embasou um projeto de lei debatido na Câmara Legislativa do Distrito Federal em março de 2026, resume o mecanismo: “Muitas manchetes acabam diminuindo a responsabilidade do agressor ao sugerir motivações relacionadas ao comportamento da vítima.” O ciclo se fecha quando a cobertura replica e amplifica a mesma lógica que estrutura a violência de gênero: a de que a mulher é responsável pelo que acontece a ela. Traição, real ou suposta, não justifica assassinato. Nem de uma mulher adulta. Nem de uma criança de dois anos. O que os dados dizem sobre nossa região O caso de Larissa e Maria Fernanda não é isolado. Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais mostram que a violência doméstica é persistente nas três cidades que o Vintém cobre. Ouro Preto lidera em números absolutos entre elas: foram 588 registros em 2021, subindo para 703 em 2022 e 697 em 2023. Até abril de 2024, o município já acumulava 256 casos — um ritmo que sugeria encerrar o ano próximo dos recordes anteriores. Em Mariana, a média histórica é igualmente elevada: 638 registros em 2021, 605 em 2022, 607 em 2023. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania do município informou, até junho de 2024, uma média de 13 novos casos de violência atendidos por mês — com violência física, psicológica e abuso sexual entre as formas mais comuns. Itabirito registrou 461 casos em 2021, queda para 346 em 2022, retorno a 405 em 2023. Esses números, cabe lembrar, dizem respeito às ocorrências registradas. A subnotificação é histórica: o medo, a dependência financeira, o estigma social e, especialmente em cidades menores, o risco de exposição em comunidades onde agressor e vítima são conhecidos de todos — tudo isso mantém uma parte significativa dos casos fora das estatísticas oficiais. 📊 Dados regionais · Violência doméstica Ouro Preto, Mariana e Itabirito: o que os registros mostram Município 2021 2022 2023 Jan–Abr 2024 Ouro Preto 588 ↑ 703 697 256 Mariana 638 605 607 173 Itabirito 461 ↓ 346 405 144 Registros de violência doméstica — todas as formas (física, psicológica, sexual, patrimonial). Os números refletem ocorrências registradas, não o total real: especialistas estimam subnotificação significativa, especialmente em cidades de médio porte. 13 novos casos de violência atendidos por mês em Mariana (média até jun/2024) 166 famílias atendidas mensalmente nos centros de referência de Itabirito 3 municípios com CREAS ativo para acolhimento de vítimas VINTÉM Fonte: Sejusp-MG / Observatório de Segurança Pública · dados até abr/2024 🇧🇷 Panorama · Minas Gerais e Brasil Feminicídio: o que os números nacionais dizem sobre o que acontece aqui 1.568 feminicídios consumados no Brasil em 2025 — recorde histórico desde 2015 4,7% crescimento em relação a 2024, que já havia batido recorde 13.703 mulheres mortas por feminicídio no Brasil desde a tipificação do crime (2015–2025) 4/dia média de feminicídios consumados no Brasil desde 2022 Ocorrências

Câmara de Ouro Preto lança Campanha da Fraternidade 2026 com debate sobre moradia

Audiência pública acontece nesta segunda-feira (9), às 18h, no plenário da Câmara; evento é aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo YouTube A Câmara Municipal de Ouro Preto realiza nesta segunda-feira, 9 de março, às 18h, a audiência pública de lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. O evento, proposto pelos vereadores Kuruzu (PT) e Matheus Pacheco (PV), acontece no plenário da Casa e é aberto à participação da comunidade. A Campanha da Fraternidade é promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante o período da Quaresma. Em 2026, o tema escolhido é “Fraternidade e Moradia” e o lema, retirado do Evangelho de João, é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Ao longo da Quaresma, a iniciativa mobiliza paróquias, pastorais e movimentos sociais em todo o país por meio de atividades de formação, encontros e ações solidárias. Para o vereador Kuruzu, a escolha do tema pela Igreja chega em momento especialmente significativo para Ouro Preto. “Essa Campanha da Fraternidade 2026 chega em um momento oportuno para a nossa cidade. Saber que a Igreja Católica propõe essa reflexão sobre um tema tão importante alimenta o debate e a nossa atuação na luta por moradia em Ouro Preto”, afirmou. A audiência desta segunda integra um contexto mais amplo de debates sobre habitação que vêm ocupando o legislativo municipal. Na semana passada, Ouro Preto assistiu à assinatura do acordo judicial que encerra a disputa pelas chamadas Terras da Novelis, garantindo regularização fundiária para moradores de cinco bairros da área sul da cidade e abrindo caminho para a construção de moradias populares. Na mesma semana, o vereador Kuruzu anunciou o avanço de projeto de lei do deputado estadual Elton Pimentel que prevê a doação de aproximadamente 20 hectares da antiga FEBEM ao município para a implantação de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. A audiência pública de hoje busca apresentar à comunidade a proposta da campanha deste ano e trazer o debate para o contexto municipal, discutindo a realidade da moradia em Ouro Preto a partir da reflexão proposta pela CNBB. 🏛️ Serviço · Audiência Pública Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara de Ouro Preto Tema · Fraternidade e Moradia “Ele veio morar entre nós” João 1,14 · CNBB 2026 📅 Quando 9 de março de 2026Segunda-feira · 18h 📍 Onde Plenário da Câmara MunicipalPraça Tiradentes, 41 🎙️ Requerimento Vereadores Kuruzu (PT)e Matheus Pacheco (PV) 🎟️ Entrada Aberta ao público Gratuita ▶️ Transmissão ao vivo pelo canal oficial da Câmara Municipal de Ouro Preto no YouTube VINTÉM Informação que vale ouro

Projeto de mineração da BHP avança sobre zona de amortecimento do Parque do Itacolomi

Reportagem da Agência Primaz revela que mineradora — uma das responsáveis pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana — pretende realizar sondagens geológicas em área próxima ao parque; estudo ambiental teria omitido seis espécies ameaçadas de extinção, segundo pesquisadores da UFOP Esta matéria repercute reportagem publicada pela Agência Primaz, de Mariana, com apuração e fotos do jornalista Lui Pereira. Foto: Ruínas da Fazenda Tesoureiro foram ignoradas nos estudos de impacto da mineradora – Foto: Vivian Baeta A BHP Billiton Brasil Ltda. — uma das mineradoras responsabilizadas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015 — pretende realizar sondagens geológicas para quantificar reservas de minério de ferro em uma área localizada dentro da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Itacolomi, a 1,19 quilômetros do limite oeste do parque. A informação foi publicada pela Agência Primaz, de Mariana, em reportagem assinada pelo jornalista Lui Pereira. O projeto, denominado Rancharia – Fase 2, está situado na Fazenda Tesoureiro, em área de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, próxima a ruínas históricas e aos distritos de Lavras Novas e Chapada, que ficam a cerca de três e quatro quilômetros da área, respectivamente. Embora o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da empresa aponte a viabilidade do projeto, documentos técnicos elaborados por grupos de pesquisa vinculados à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) contestam as conclusões. O que dizem os pesquisadores O OBSERVA — Observatório Sócio-Ambiental pela Conservação, grupo de pesquisa e extensão da UFOP —, identificou que o EIA apresentado pela BHP teria omitido seis espécies de plantas ameaçadas de extinção com registros confirmados para a área. Segundo a Agência Primaz, esse número representa um aumento de 300% em relação à lista de espécies em risco declarada pela empresa. O grupo também sustenta que as medidas de recuperação propostas pela mineradora são insuficientes para restaurar a complexidade biológica do ecossistema afetado. O ponto mais sensível do projeto, conforme a reportagem original, é a necessidade de suprimir vegetação de Campo Rupestre Ferruginoso — ecossistema raro, formado há bilhões de anos e protegido pela Lei da Mata Atlântica. Pesquisadores alertam que esse ambiente é fundamental para a recarga de aquíferos e que sua supressão, em área que abriga espécies ameaçadas, violaria a legislação federal. O grupo CONTERRA, também citado pela Agência Primaz, aponta que a exploração na zona de amortecimento do Itacolomi trará impactos ao cotidiano de Lavras Novas e Chapada, incluindo contaminação do ar e da água, aumento do tráfego de veículos pesados e degradação da paisagem — fatores que afetariam diretamente o ecoturismo, atividade central na economia dos dois distritos. Um elemento adicional chama atenção: segundo a reportagem, as ruínas da Fazenda Tesoureiro — vestígios históricos presentes na área — não teriam sido contempladas nos estudos de impacto apresentados pela mineradora. Contexto: BHP em Ouro Preto O avanço do Projeto Rancharia – Fase 2 se insere num quadro mais amplo de pressão minerária sobre o município. Conforme levantamento publicado pelo Mongabay e pela Agência Pública, ao menos sete empresas têm processos de licenciamento e pesquisa de ferro e manganês em curso no entorno de Ouro Preto. A BHP, isoladamente, já detém autorização para pesquisar ferro em uma área superior a 900 hectares na região de Botafogo. Ouro Preto é Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1980. O Parque Estadual do Itacolomi, que divide território entre Ouro Preto e Mariana, foi concedido à iniciativa privada em dezembro de 2022, em leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, por contrato de 30 anos.