Ouro Preto, segunda-feira, abril 13, 2026 14:26

Homem é atropelado por viatura da GCM durante abordagem e leva gás de pimenta no rosto após cair

Caso é acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara; GCM apura na Corregedoria
Foto de Jiljana Isidoro

Jiljana Isidoro

G.V.S., 29 anos, trabalhava numa oficina de motos em fevereiro quando saiu para levar um colega até uma autoescola na Bauxita. No caminho, viu uma viatura da Guarda Civil Municipal fazendo uma abordagem na parte de baixo da via. Resolveu desviar para evitar o trecho. Foi então, segundo ele, que uma segunda viatura vinha descendo no mesmo sentido — e não freou.

O impacto jogou G. e o colega no chão. O colega saiu com um corte e foi liberado. G. ficou com o braço quebrado na hora — “fazendo assim ó”, descreveu, dobrando o antebraço — e o joelho com fratura exposta. Deitado no asfalto, sem conseguir levantar, relatou ter recebido aplicações de spray de pimenta diretamente no rosto, repetidas vezes, por um guarda que desceu da viatura.

Reprodução: Redes sociais.

“Como é que eu vou pôr a mão na cabeça, meu braço tá quebrado”, disse G., reproduzindo o que falou ao guarda na hora. Segundo ele, o guarda continuou. “Só jogando gás na minha cara”.

O socorro demorou. G. afirma que ficou no chão por aproximadamente duas horas até o bombeiro chegar, enquanto o chefe dele — que chegou ao local logo após o episódio — tentava chamar atenção para o estado do machucado. Quando chegou à Santa Casa, por volta das 17h, o joelho tinha o osso exposto. Foram três cirurgias no total e uma semana internado.

G. também relatou ter sido ameaçado por um dos guardas após registrar o acontecimento nas redes sociais. Segundo ele, o guarda disse que se ele visse alguma foto publicada na internet, “pode me procurar, que eu vou quebrar seu outro braço”. O Vintém teve acesso às fotos das lesões e das viaturas identificadas por G. na cena.

G. tem antecedentes criminais: foi preso por tráfico de drogas em 2016, cumpriu pena e, segundo ele próprio, já quitou a condenação. Estava trabalhando formalmente no dia do ocorrido, a serviço, com uniforme.

O caso foi apresentado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Ouro Preto. O vereador Kuruzu (PT), presidente da comissão, e o vereador Alex Brito (PDT) acompanham a situação. “Pelos relatos e pelo que vimos, parece estarmos diante de um caso muito grave, mas não queremos fazer nenhum tipo de pré-julgamento e sim acompanhar de perto toda apuração”, disse Kuruzu.

O Vintém procurou a Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito para obter o posicionamento da Prefeitura de Ouro Preto. Segundo apuração, o secretário Moisés dos Santos está aguardando a realização de uma reunião com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara antes de se manifestar formalmente. Enquanto isso, o caso está sendo apurado internamente pela Corregedoria da GCM. A secretaria não retornou com resposta até o fechamento desta reportagem.

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