Edital de licitação para obra de contenção do Morro da Forca deve ser publicado nos próximos dias

Licitação Morro da Forca | Vintém Acompanhamento de obras · Infraestrutura Prefeitura reuniu-se com a Seinfra para ajustes técnicos finais antes da publicação. Obra orçada em mais de R$ 34 milhões conta com recursos federais que estavam parados desde 2012 Jiljana Isidoro · Vintém · 11 de março de 2026 A Prefeitura de Ouro Preto realizou reunião técnica com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) para vistoria e alinhamento dos ajustes finais que antecedem a publicação do edital de licitação da obra de contenção do Morro da Forca. Segundo o município, o edital deve ser publicado nos próximos dias. A obra é classificada pela administração municipal como estruturante e estratégica. A contenção da encosta é considerada necessária para a segurança da área e da população do entorno, que convive há anos com o risco geológico no local. “A licitação desta obra é fruto de um trabalho intenso da gestão municipal, que resgatou o convênio do PAC do ano de 2012, elaborou e forneceu o projeto ao Governo do Estado e articulou ativamente junto ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para a liberação dos recursos, que somarão mais de R$ 34 milhões. Além disso, o trabalho da gestão municipal continuará no acompanhamento da licitação e na fiscalização da execução da obra.” — Franklin Evangelista, secretário municipal de Obras Recursos parados por mais de uma década Os recursos que financiam a obra têm uma história longa. Depositados na Caixa Econômica Federal em 2012 no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante o governo da presidente Dilma Rousseff, ficaram retidos por mais de uma década sem que a obra avançasse. O prefeito Angelo Oswaldo já havia criticado publicamente a “inércia de muitos governos” que mantiveram os recursos parados. Em 2022, um deslizamento destruiu o Casarão na área, tornando a intervenção ainda mais urgente. Em 2024, as obras de drenagem na encosta foram concluídas como etapa preparatória. Agora, com o edital prestes a ser publicado, a fase de contratação da obra principal se aproxima. 📊 Os números da obra R$ 34 mi+ valor total dos recursos federais para a obra de contenção +13 anos tempo em que os recursos estiveram retidos na Caixa Econômica Federal 2024 conclusão das obras de drenagem na encosta, etapa preparatória 313 áreas de risco geológico mapeadas em Ouro Preto, segundo a Defesa Civil ⏱️ Linha do tempo 2012 Governo federal deposita recursos na Caixa Econômica Federal no âmbito do PAC 2022 Deslizamento destrói o Casarão no Morro da Forca, agravando urgência da intervenção 2024 Obras de drenagem concluídas como etapa preparatória para a contenção 2026 Prefeitura reúne-se com Seinfra; publicação do edital de licitação prevista para os próximos dias Com a publicação do edital, abre-se o processo formal de seleção da empresa que executará a obra. O município informou que acompanhará tanto a licitação quanto a execução. A Seinfra, por sua vez, participou da vistoria técnica como parte do processo de validação antes da abertura do certame. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
Ouro Preto entre os cinco maiores exportadores de MG no bimestre em que estado bate recorde

Exportações MG bimestre 2026 | Vintém Análise de dados · Economia regional Minas Gerais exportou US$ 6,6 bilhões de janeiro a fevereiro de 2026 — alta de 5,9% sobre o mesmo período do ano passado. Ouro foi o produto com maior crescimento; Ouro Preto respondeu por 4,1% das vendas do estado em fevereiro Jiljana Isidoro · Vintém · 9 de março de 2026 Minas Gerais fechou o primeiro bimestre de 2026 como o segundo maior estado exportador do Brasil, com US$ 6,6 bilhões em vendas ao exterior — alta de 5,9% frente ao mesmo período de 2025. O estado respondeu por 13% de todas as exportações brasileiras no período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O superávit da balança comercial mineira chegou a US$ 3,7 bilhões no bimestre, crescimento de quase 12% em relação ao início de 2025, quando o saldo foi de US$ 3,3 bilhões. As importações totalizaram US$ 2,9 bilhões, com Minas respondendo por 6,8% das aquisições internacionais do país. 📍 Ouro Preto no cenário estadual Em fevereiro, Ouro Preto figurou entre os cinco maiores municípios exportadores de Minas Gerais, respondendo por 4,1% das exportações estaduais — o equivalente a US$ 125 milhões em produtos embarcados, principalmente minério de ferro com destino à China. A cidade ficou atrás de Varginha (8,7%), Araxá (8,1%), Paracatu (7,8%) e Nova Lima (5,9%), segundo dados da Secex/MDIC divulgados pela Agência Minas. Ouro lidera crescimento entre os produtos exportados O ouro foi a mercadoria com maior crescimento nas exportações mineiras no bimestre, com aumento de US$ 320,3 milhões — alta de 82,7% frente ao mesmo período de 2025. Na sequência, ferro-ligas registraram crescimento de US$ 106,1 milhões (40,8%) e o ferro fundido bruto e ferro spiegel, de US$ 46,5 milhões (36,8%). Já em fevereiro, os principais produtos exportados pelo estado foram minérios de ferro e seus concentrados (25,9% do total), café (24,7%), ouro (10,3%), ferro-ligas (7,5%) e açúcares (2,7%). 📊 Bimestre janeiro–fevereiro 2026 US$ 6,6 bi exportações mineiras — +5,9% sobre jan-fev/2025 US$ 3,7 bi superávit da balança comercial — +12% sobre jan-fev/2025 13% participação de MG nas exportações brasileiras no período China lidera compras; Suíça sobe no ranking Em fevereiro, Minas alcançou 147 países compradores. A China manteve a liderança, responsável por 29,8% das compras de produtos mineiros. Estados Unidos (8,2%), Alemanha (5,7%) e Canadá (4,5%) completaram o topo do ranking, seguidos pela Suíça (4,3%). As exportações para o mercado suíço já acumulam alta de US$ 113 milhões no bimestre em relação ao ano anterior — crescimento relacionado em grande parte ao ouro, cuja principal rota de comercialização internacional passa pelo país. “O crescimento nas nossas exportações e também do superávit da balança comercial destacam o potencial mineiro consolidado no comércio exterior. Por meio da ampliação de mercados e da valorização de produtos, esperamos alcançar resultados ainda mais positivos neste ano.” — Mila Corrêa da Costa, secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais Maiores exportadores municipais em fevereiro 🏆 Ranking de municípios exportadores — fevereiro 2026 1ºVarginha8,7% 2ºAraxá8,1% 3ºParacatu7,8% 4ºNova Lima5,9% 5ºOuro Preto4,1% Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e foram divulgados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com
Governo de Minas dá dicas de prevenção a golpes envolvendo o IPVA 2026

Foto: Gil Leonardi A escala de vencimentos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026 tem início em 9/2, mas os pagamentos antecipados já podem ser feitos desde o dia 2/1. Como nos anos anteriores, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), recomenda atenção dos contribuintes para não caírem em golpes praticados no ambiente virtual envolvendo o IPVA. A principal dica é pagar o imposto somente acessando o site oficial da SEF (www.fazenda.mg.gov.br) ou o aplicativo MG App. De acordo com o superintendente de Arrecadação e Informações Fiscais da SEF, Leônidas Marques, a força-tarefa criada em 2025 para prevenir e combater as fraudes continua atuando. As ações mais efetivas são a derrubada dos sites fraudulentos, suspensão de CNPJs usados para abrir empresas e contas em bancos digitais e fintechs com a finalidade de aplicar os golpes e bloqueio de contas bancárias de suspeitos. “Os órgãos de Estado que compõem a força-tarefa estão diligentes, mas o cuidado por parte do proprietário do veículo é a forma mais eficiente de se evitar os golpes”, afirma Leônidas Marques. Denúncias Ao se deparar com algum link ou site suspeito, o cidadão deve apresentar denúncia na Delegacia Virtual ou em uma delegacia da Polícia Civil, além da Ouvidoria-Geral do Estado (OGE). Todas as denúncias são encaminhadas ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a adoção de medidas imediatas e investigação. É importante anexar cópias dos comprovantes de pagamento e o link/endereço eletrônico (URL) do site fraudulento. Vale alertar que não há previsão de ressarcimento para vítimas que tenham efetuado pagamentos fraudulentos. Caso o contribuinte caia em um golpe, não estará isento de pagar o IPVA para regularizar sua situação. Por isso, é fundamental ter atenção às dicas de segurança. Tipos de golpes Em 2025, chegou ao conhecimento da Secretaria de Estado de Fazenda cerca de 2,6 mil casos de golpes envolvendo o IPVA. Entre os golpes mais frequentes destaca-se a criação de sites falsos que simulam os oficiais dos órgãos governamentais e o envio de links para aplicativos de mensagens e e-mails, muitas vezes, prometendo descontos tentadores. Ao gerar o pagamento por esses meios, o contribuinte entregará seu dinheiro para os golpistas. Outra prática comum é o chamado phishing. Nessa prática, os criminosos induzem as vítimas a fornecer dados pessoais para usá-los em diversas outras operações bancárias.
Desenvolvimento econômico: Ouro Preto saiu de 16 mil para 21 mil empregos formais em cinco anos

Secretário de Desenvolvimento Econômico faz balanço de 2025 e destaca crescimento sem meses de saldo negativo, selo ouro da Sala Mineira, primeira política de economia criativa de Minas e modelo de gestão descentralizada que atrai delegações de todo o país Ouro Preto encerra 2025 com 21.194 postos de trabalho formais, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Felipe Guerra. O número representa um crescimento de quase 5 mil vagas desde 2021, quando a cidade tinha 16.200 empregos formais. Em entrevista exclusiva, o secretário detalhou as conquistas do ano e a estratégia de gestão descentralizada que, segundo ele, tem atraído empresas e delegações de outras cidades interessadas no modelo ouro-pretano. “Ouro Preto hoje tem 21 mil em torno de 194 postos de trabalho. O prefeito Ângelo Oswaldo assumiu há cinco anos atrás, Ouro Preto tinha 16.200 postos de trabalho. E agora, no primeiro ano do segundo mandato, ele já subiu absurdamente para 21 mil postos de trabalho”, comemorou Guerra. “O que é muito importante para a cidade de Ouro Preto, que mostra uma cidade com o cenário econômico aquecido.” Além do crescimento quantitativo, o secretário destacou a estabilidade: “Nesse ano, no número de empregos, não tivemos nem um mês com saldo negativo. Isso é muito importante ser dito. Porque quando há muita variação no mercado, geralmente novembro e dezembro são meses que as empresas mandam embora, terminam o contrato. Isso não aconteceu em Ouro Preto esse ano.” Para Guerra, os números revelam maturidade econômica: “Isso não mostra só aquele crescimento desenfreado econômico, mostra que o mercado se estabeleceu, que esses empregos não são simplesmente empregos temporários, mas já são empregos formais, uma cadeia produtiva da cidade.” 250 novas empresas e desburocratização O município conta hoje com aproximadamente 8 mil empresas abertas, com saldo positivo de 250 estabelecimentos em 2025. “Entre os que abrem e fecham, ficou 250 a mais”, explicou o secretário. A desburocratização foi apontada como fator decisivo. “Ouro Preto, como não tinha secretaria de desenvolvimento econômico, a área econômica era extremamente descentralizada. Tinha parte na Fazenda, parte no Turismo e Indústria de Comércio, parte na Secretaria de Patrimônio. O empresário tinha uma dificuldade gigantesca de abrir uma empresa”, contextualizou Guerra. “Perdemos vários e vários empreendimentos. Porque, como diz o meio econômico, o dinheiro não espera.” Com a criação da Sala Mineira do Empreendedor, em parceria com o Sebrae e a Agência de Desenvolvimento de Ouro Preto (Adope), o cenário mudou: “Hoje você consegue abrir uma empresa simples em 3, 4 dias em Ouro Preto. O empresário de Ouro Preto sabe onde ele tem que ir para abrir uma empresa, para se capacitar, para buscar informações.” O trabalho foi reconhecido: “A nossa Sala Mineira ganhou esse ano o prêmio ouro pelo Sebrae, por Minas Gerais. Foram mais de 4 mil CNPJs abertos nos últimos anos desde a criação da sala.” Guerra complementou com outro dado: “Mais de 780 atividades estão dispensas de alvará quando a gente assina a lei de liberdade econômica.” SINE: de penúltimo a top 3 de Minas Outro destaque foi a transformação do Sistema Nacional de Emprego (SINE). “Quando nós assumimos a secretaria, ele estava em penúltimo lugar em Minas Gerais. Dos 853 municípios que têm o SINE, o nosso era o penúltimo. É triste falar isso”, admitiu o secretário. “E hoje nós estamos entre os três SINEs de Minas Gerais.” O secretário atribuiu o resultado à liderança de Guilherme de Jesus e à equipe: “Tem uma transparência que dita a vida pública dele e um comprometimento com o SINE. Nós temos o SINE Ouro Preto, temos o SINE Cachoeira do Campo, temos o SINE Antônio Pereira. É uma equipe que trabalha de maneira articulada e entrega tantos resultados.” A estrutura foi fundamental para grandes contratações: “Fizemos os grandes feirões de emprego no início do ano. Tivemos o feirão de emprego do Vila Galé, um hotel de rede internacional captado para Minas Gerais depois de 25 anos. Fizemos o saldão da GSA, entre tantos outros, da Araújo, todos com apoio do SINE.” Primeira política de economia criativa de Minas Ouro Preto se tornou a primeira cidade mineira com política pública de economia criativa. “Ouro Preto já tem uma atividade e várias pessoas trabalhando com a economia criativa, e a gente então fez essa ação”, explicou Guerra. “A economia criativa foi o último eixo a entrar na primeira revisão dessa política pública do PADE [Plano de Ação de Desenvolvimento Econômico].” A política foi desenvolvida em parceria com a UFOP: “É uma política pública que foi em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, que é uma das missões também da nossa secretaria, que é se aproximar das entidades.” Com o documento aprovado, a cidade está “participando e disputando para ser a cidade criativa da humanidade pelo Unesco. Ouro Preto é patrimônio da humanidade. E a gente está buscando esse título, essa chancela, que será muito importante para toda a área da economia criativa.” O secretário anunciou novidade: “Esse ano que vem, nós teremos um evento chamado Festival da Criatividade. Vai ser uma semana inteira com várias atividades de economia criativa, com os grupos ouro-pretanos, com os nossos distritos. Falar em economia criativa em Minas vai ter que falar de Ouro Preto.” Ele citou ainda ações específicas: “O nosso diretor de economia criativa, Luiz Viana, hoje traz também um trabalho importantíssimo de afroempreendedorismo em Ouro Preto, junto com o nosso diretor de igualdade racial, o Kedson. Foram várias e várias ações em favor do afroempreendedorismo.” Jabuticaba é primeiro arranjo produtivo e identidade geográfica A jabuticaba de Cachoeira do Campo conquistou dois marcos: “Primeiro, chancela a jabuticaba de Cachoeira do Campo como arranjo produtivo local no governo do estado de Minas Gerais. E depois nós entramos com a identidade geográfica da jabuticaba, fazendo a primeira identidade geográfica de Ouro Preto.” O projeto recebeu recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e parceria com a Samarco: “Nossa diretoria de economia criativa, junto com a Federa Minas, foi buscar na Samarco o recurso para a gente fazer o
Miniaturas em caixa de fósforo vence juri técnico do 53º Concurso Nacional de Presépios da FAOP

Obra “Fiat Lux”, da bióloga e artista visual Natália Aia, conquistou júri técnico com jardim brasileiro em escala microscópica; concurso criado por Murilo Rubião completa mais de cinco décadas valorizando tradição e contemporaneidade A bióloga e artista visual Natália Aia conquistou o primeiro lugar do júri técnico do 53º Concurso Nacional de Presépios da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) com uma obra que cabe na palma da mão. “Fiat Lux” recria o nascimento de Cristo dentro de uma caixa de fósforos, cercado por um jardim de espécies brasileiras em mini-esculturas de papel. O prêmio de R$ 4.500 foi anunciado no dia 12 de dezembro, data de abertura da exposição que segue em cartaz até 24 de janeiro de 2026. “Elaborei este presépio utilizando papel, composto por Jesus, Maria e José e um pequeno jardim dentro de uma insignificante caixinha de fósforo que contém a expressão em latim ‘FIAT LUX’, ou seja, faça-se a luz”, descreve a artista. “Da caixinha trivial espera-se encontrar palitos, mas permitindo-se uma contemplação consciente do detalhe, novos espaços são iluminados.” Formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) em Biologia e pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) em Artes Visuais, Natália possui uma trajetória marcada pela investigação poética da micro-natureza. Sua técnica une elementos da ecologia às mini-esculturas em papel, representando jabuticabeiras e bromélias em escala minuciosa. “Para mim é muito significativo ganhar o Concurso Nacional de Presépios da FAOP, pois tenho uma memória afetiva de elaborar presépios ao longo das férias escolares na casa da minha avó”, conta a artista. “Me sinto honrada, pois essa premiação renova meu propósito como artista, que é um convite para que as pessoas possam experienciar, a partir da lupa que completa o trabalho, uma pequena via da natureza exterior para o interior.” Com a vitória, a obra passa a integrar o acervo permanente da FAOP, que ao longo de mais de 50 anos reuniu peças de artistas de todo o território nacional. 54 anos valorizando saberes e fazeres O Concurso Nacional de Presépios foi criado em 1970, apenas dois anos após a fundação da FAOP, por iniciativa do então presidente Murilo Rubião, escritor mineiro e um dos fundadores da instituição ao lado de Vinicius de Moraes, Domitila do Amaral e Affonso Ávila. “Foi uma ação de uma preocupação de valorizar os saberes e fazeres do Estado de Minas Gerais, que depois se alargou para todo o território nacional”, explica César Teixeira de Carvalho, responsável pelo Concurso de Presépios da FAOP. “Foi uma das primeiras ações que a Fundação de Arte de Ouro Preto teve como proposta enquanto política pública.” No início, o concurso tinha um foco marcante na tradição ouro-pretana. “No primeiro momento, com um foco muito marcante na tradição ouro-pretana, principalmente naquilo que lhe tange a feitura e a produção de madeira e também a produção de pedra sabão”, destaca César Teixeira. “E ao longo desses anos a gente vem cada vez mais fortalecendo essa ação do concurso, e que se torna uma referência nacional.” De 28 a 30 presépios por edição, de todo o Brasil A cada edição, o concurso recebe entre 25 e 30 presépios de diferentes regiões do país. “A gente já teve presépios encaminhados do Rio Grande do Sul, São Paulo, principalmente seu interior. Já recebemos também presépios do Espírito Santo, presépios do Nordeste”, relata o responsável pelo concurso. “Isso vem demarcando cada vez mais a capilarização do território em relação ao concurso.” Para César Teixeira, a surpresa se renova a cada ano: “Para cada edição e para cada momento, sempre nos sentimos surpreendidos ao recebermos os presépios, ao abrir os presépios, que vai cada vez mais nos instigando e nos possibilitando entender o quanto que é grande a capacidade criativa do ser humano.” A diversidade se manifesta “pelo uso dos materiais, pelo conceito trabalhado, pela apropriação de tradições, pela interlocução entre tradição e contemporaneidade”, destaca. “Cada edição deixa marcas daquela época, daquele momento, das questões que estão postas na política, em termos sociais. Pelo próprio uso do material, a gente vai demarcando o ano.” Criatividade e inventividade são os critérios Os critérios de avaliação fogem do convencional. “Os critérios de avaliação estão muito relacionados com a criatividade, com a leitura que o artista ou a artista fez do tema, a inventividade, a imaginação”, explica César Teixeira. “São critérios que estão relacionados muito com o processo criativo e com a temática proposta, que é a cena da natividade de Jesus Cristo.” Apesar das raízes católicas, o concurso busca amplitude: “Apesar de ser algo que é muito forte da tradição católica, a própria temática tem uma abrangência mais universal, respeitando o entendimento dos povos, das etnias e assim por diante.” O concurso possui duas premiações distintas. O júri técnico é “definido a partir da experiência e da trajetória dos membros. Geralmente, são pessoas que têm vinculação com a arte, com a cultura, com a preservação do patrimônio cultural, formado basicamente de cinco componentes, somados aos suplentes.” Já o júri popular envolve toda a comunidade. “Quando nós identificamos o primeiro lugar do júri técnico, nós apresentamos para toda a comunidade esse vencedor. E, a partir do momento, a gente prepara toda uma estrutura virtual, principalmente, e também uma estrutura física”, descreve César. Os visitantes podem votar presencialmente na Galeria Nello Nuno ou através de formulário online. Ambos os prêmios pagam R$ 4.500 e as obras são adquiridas pela FAOP. “Algumas edições, a gente também dá o título de menção honrosa. Mesmo que o presépio não vença, mas dentro das considerações da equipe julgadora, algumas menções honrosas são direcionadas”, complementa César Teixeira. Acervo impulsionou carreiras nacionais O acervo reunido ao longo de mais de cinco décadas guarda histórias importantes da arte brasileira. “Como nós temos um acervo significativo, é muito importante ter em mente que o concurso nacional de presépio tem proporcionado para alguns participantes o demarcador de trajetória”, destaca o responsável pelo concurso. Entre os nomes que passaram pelo concurso, César Teixeira cita com especial carinho Arthur Pereira, de Cachoeira do Brumado: “Um
Você é pessoa autista? Conheça seus direitos no comércio

A situação pode acontecer em qualquer lugar: uma pessoa autista entra em pânico na fila do supermercado. Luzes fortes, barulho, pessoas tocando. Precisa sair correndo, envergonhada. Semanas depois, compra tudo pela internet ou viaja para Belo Horizonte. Mas aqui está a notícia que você não conhecia: você, como pessoa autista, tem direito legal de ser atendido de forma inclusiva em qualquer estabelecimento comercial da região. Restaurante, loja, farmácia, salão de beleza. Não é favor. É lei. E se não forem, quem viola esse direito pode ser multado pelo Ministério Público. O que é esse direito, afinal? Pessoas autistas têm o que chamamos de “dupla vulnerabilidade”. Primeiro, porque são consumidoras (e a lei protege todo consumidor). Segundo, porque têm deficiência (e a lei protege quem tem deficiência). Isso significa proteção em dobro. Pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), todo estabelecimento público ou privado — padaria, barbearia, consultório, hotel — precisa: Atender com humanidade e acolhimento. Sem pressa, sem tom condescendente. Oferecer ambiente sensorial adequado. Isso significa: menos barulho, iluminação controlada, espaço para você se acalmar. Respeitar o atendimento prioritário. Quem é pessoa autista (ou está acompanhado) não fica esperando. Fornecer estacionamento acessível para quem precisa. Treinar a equipe para reconhecer e acolher pessoas autistas. Se tudo isso faltar, não é “falta de educação”. É violação de direito. E tem consequência. Como saber se você está sendo prejudicado Você foi: Se a resposta for sim, houve violação de direito. O que fazer agora Passo 1: Documente tudo Anote a data, hora, nome do estabelecimento, nome de quem atendeu, o que aconteceu. Se puder, tire foto ou vídeo. Passo 2: Tente resolver na hora (se seguro) Converse com o gerente. Muitas vezes é falta de conhecimento, não má vontade. Diga: “Tenho direito de ser atendido com humanidade. Isso está previsto em lei.” Passo 3: Se não resolver, procure o Ministério Público Em Ouro Preto, Mariana e Itabirito, o Ministério Público tem Promotores de Justiça especializados em defesa de pessoas autistas e direitos do consumidor. Eles investigam denúncias e podem: Passo 4: Registre boletim de ocorrência (em casos graves) Se houve discriminação clara, registre na polícia também. Passo 5: Denuncie ao Procon O Procon-MG (órgão de defesa do consumidor) também recebe denúncias de violações de direitos. Funciona por telefone, e-mail e presencialmente. Dica de ouro O Ministério Público de Minas Gerais já criou um protocolo específico chamado “Aprender, Entender para Acolher” que ensina comerciantes como atender pessoas autistas. Existe até um manual pronto. Se um estabelecimento se recusa a melhorar, você pode pedir que o Ministério Público ofereça essa capacitação forçadamente. Além disso: 86% dos consumidores brasileiros preferem marcas que investem em inclusão. Para os comerciantes, incluir pessoas autistas é bom negócio. Eles apenas não sabem disso ainda.