Páscoa: Comer chocolate pode mesmo fazer bem para você. Veja o que dizem os estudos

Dan Baumgardt, University of Bristol Embora eu sempre faça uma careta ao ver os ovos de Páscoa aparecerem pela primeira vez nos supermercados ainda no final de dezembro, são poucas as pessoas que não ficam felizes em ganhar um pouco de chocolate todos os anos. Faz sentido que o excesso de chocolate seja ruim para você devido ao alto teor de gordura e açúcar na maioria dos produtos. Mas o que devemos pensar das alegações comuns de que comer um pouco de chocolate é realmente bom para a saúde? Felizmente, há uma quantidade razoável de evidências que mostram que, nas circunstâncias certas, o chocolate pode ser benéfico para o coração e bom para o estado mental. De fato, o chocolate ou, mais especificamente, o cacau, a semente crua e não refinada, é uma maravilha medicinal. Ele contém muitos compostos ativos diferentes que podem provocar efeitos farmacológicos no corpo, como medicamentos ou drogas. Os compostos que levam a efeitos neurológicos no cérebro precisam ser capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, o escudo protetor que impede que substâncias nocivas, como toxinas e bactérias, entrem no delicado tecido nervoso. Uma delas é a substância teobromina, que também é encontrada no chá e contribui para seu sabor amargo. O chá e o chocolate também contêm cafeína, à qual a teobromina está relacionada como parte da família de substâncias químicas conhecida como “purinas”. Essas substâncias químicas, entre outras, contribuem para o caráter viciante do chocolate. Elas têm a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, onde podem influenciar o sistema nervoso. Portanto, são conhecidas como substâncias químicas psicoativas. Que efeitos o chocolate pode ter sobre o humor? Bem, uma revisão sistemática analisou um conjunto de estudos que investigou as sensações e emoções associadas ao consumo de chocolate. A maioria demonstrou melhorias no humor, na ansiedade, na energia e nos estados de excitação. Alguns estudos também observaram um sentimento de culpa neste consumo, que talvez seja algo que todos nós já sentimos depois de comer muitos produtos lácteos. Benefícios do cacau para a saúde Mas há outros órgãos, além do cérebro, que podem se beneficiar dos efeitos medicinais do cacau. Durante séculos, o chocolate foi usado como medicamento para tratar uma longa lista de doenças, incluindo anemia, tuberculose, gota e até mesmo baixa libido. Essas alegações podem ser espúrias, mas há evidências que sugerem que o consumo de cacau tem um efeito positivo sobre o sistema cardiovascular. Primeiro, ele pode prevenir a disfunção endotelial. Esse é o processo pelo qual as artérias endurecem e ficam carregadas de placas de gordura, o que, por sua vez, pode levar a ataques cardíacos e derrames. O consumo de chocolate amargo também pode reduzir a pressão arterial, que é outro fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas, e evitar a formação de coágulos que obstruem os vasos sanguíneos. Alguns estudos sugeriram que o chocolate amargo pode ser útil no ajuste das taxas de colesterol de lipoproteína de alta densidade no sangue, o que também pode ajudar a proteger o coração. Outros analisaram ainda a resistência à insulina, o fenômeno associado ao diabetes tipo 2 e ao ganho de peso. Eles sugerem que os polifenóis – compostos químicos presentes em plantas e encontrados em alimentos como o chocolate – também podem levar a um melhor controle dos níveis de açúcar no sangue. Toxicidade do chocolate Mas por mais que o chocolate possa ser considerado um remédio para alguns, ele pode ser um veneno para outros, e não só os seres humanos. Está bem documentado que a ingestão de cafeína e teobromina é altamente tóxica para animais domésticos. Os cães são particularmente afetados por causa de seu apetite voraz e de sua natureza geralmente pouco exigente. O culpado geralmente é o chocolate amargo, que pode provocar sintomas de agitação, rigidez muscular e até convulsões. Em certos casos, se ingerido em quantidades suficientemente altas, pode levar ao coma e a ritmos cardíacos anormais e até mesmo fatais. Alguns dos compostos encontrados no chocolate também têm efeitos potencialmente negativos em seres humanos. O chocolate é uma fonte de oxalato que, junto ao cálcio, é um dos principais componentes das pedras nos rins. Algumas sociedades médicas também desaconselham o consumo de alimentos ricos em oxalato, como espinafre e ruibarbo, e chocolate, para pessoas que sofrem de cálculos renais recorrentes. Então, o que tudo isso significa para nossos hábitos de consumo de chocolate? A ciência aponta na direção de um chocolate que tenha o maior teor possível de sólidos de cacau e o mínimo de ingredientes extras. Os efeitos potencialmente prejudiciais do chocolate estão mais relacionados à gordura e ao açúcar adicionados e podem neutralizar os possíveis benefícios. Uma dose diária de 20 g a 30 g de chocolate puro ou amargo com sólidos de cacau acima de 70%, em vez de chocolate ao leite, que contém menos sólidos, e chocolate branco, que não contém nenhum, pode trazer mais benefícios para a saúde, além de ser mais gostoso. Mas seja qual for o chocolate que você escolher comer, não o compartilhe com seu cachorro. Dan Baumgardt, Senior Lecturer, School of Physiology, Pharmacology and Neuroscience, University of Bristol This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

Madrugar não te fará mais rico, e pode prejudicar sua saúde

Alfredo Rodríguez Muñoz, Universidad Complutense de Madrid Nas redes sociais e nos livros de autoajuda, uma ideia sedutora se repete. Pertencer ao chamado “clube das 5 da manhã”, acordando a essa hora, é o primeiro passo para o sucesso. Esse hábito promete mais produtividade, mais autocontrole e, quase por extensão, uma vida melhor. Tim Cook, CEO da Apple, é conhecido por começar seu dia de madrugada, e o ator Mark Wahlberg popularizou rotinas extremas nas quais afirmava acordar às 2h30 para treinar. A conclusão implícita parece clara: se você quer ter sucesso, precisa ganhar horas ao Sol. Mas quando analisamos o que dizem as pesquisas sobre sono e desempenho, a mensagem é muito menos épica. Para muitas pessoas, forçar o despertar matinal não é uma receita para o sucesso, mas sim para um pior desempenho, decisões mais impulsivas e o acúmulo de uma dívida de saúde que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser paga. Nem todos temos o mesmo relógio interno Existem diferenças individuais estáveis nos chamados cronotipos. Algumas pessoas são mais “madrugadoras” e se ativam cedo, enquanto outras são mais “noturnas” e têm melhor desempenho à tarde ou à noite. Essas diferenças não são um capricho nem uma questão de disciplina, mas em parte biológicas e genéticas. Além disso, o cronotipo não é totalmente fixo: ao longo da vida, tendemos, gradualmente, a nos tornar um pouco mais matinais. A adolescência costuma ser a fase mais noturna, enquanto na idade adulta o relógio interno se desloca lentamente para horários mais cedo. Mas essa mudança é progressiva, não voluntária, e não pode ser acelerada simplesmente com força de vontade. Tentar transformar uma coruja em uma cotovia da noite para o dia, no entanto, é, na melhor das hipóteses, ineficiente e, na pior, um choque frontal com nossa fisiologia: o corpo pode estar fora da cama, mas o cérebro continua funcionando no “modo noturno”. Quando forçamos nossa agenda a colidir com nosso relógio interno, entramos em um estado de jet lag social. Esse fenômeno não é simplesmente estar cansado: é viver em uma desfasagem crônica, em que a biologia interna e as exigências externas operam em fusos horários diferentes. Esse desequilíbrio estressa nossa fisiologia constantemente. Como resultado, altera a regulação metabólica, disparando a resistência à insulina e elevando o risco cardiovascular. A verdadeira armadilha: reduzir o sono O segundo grande risco do clube das 5 não é madrugar em si, mas o que isso geralmente implica: reduzir as horas de sono. A maioria dos adultos precisa de sete a nove horas de descanso para um funcionamento ideal. Mas muitas pessoas adotam essas rotinas extremas sem se deitar mais cedo; simplesmente dormem menos. No ecossistema dos gurus da produtividade, frases reveladoras como “dormir é coisa de pobre” se popularizaram, como se o descanso fosse um defeito moral e não uma necessidade biológica. O sono, na verdade, não é um tempo improdutivo, mas um processo ativo de recuperação. Durante a noite, o cérebro consolida a memória, regula as emoções, restaura o sistema imune e mantém o equilíbrio metabólico. Quando o descanso é reduzido de forma crônica, aumentam a fadiga, a irritabilidade e o risco de problemas de saúde mental. Também se deterioram a atenção e o desempenho cognitivo. Além disso, dormir menos não significa apenas dormir um pouco pior. A arquitetura do sono funciona em ciclos, e as fases finais desempenham uma função crítica: integrar experiências, processar a carga emocional e afinar o julgamento. Quando adiantamos sistematicamente o despertador, não apenas reduzimos o descanso total, mas sacrificamos a parte que mais contribui para a lucidez. Aqui surge um dos mitos mais persistentes: confundir mais horas acordado com mais produtividade. Um cérebro privado de sono pode responder e-mails logo pela manhã, sim, mas funciona com menos controle executivo, mais impulsividade e pior capacidade de planejar, avaliar riscos e liderar com empatia. Dormir menos para trabalhar mais é como dirigir um carro cada vez mais rápido depois de ter tirado os freios. Talvez se avance, mas o custo chega na próxima curva. A cultura da fadiga não é uma medalha O fenômeno do madrugar extremo se encaixa em algo mais amplo: a glorificação da exaustão como símbolo de comprometimento. Durante anos, em muitas organizações, premiou-se implicitamente quem se gabava de dormir pouco ou de estar sempre disponível. A evidência é clara: líderes fatigados não são heróis estoicos. Eles tendem a ser vistos como mais irritáveis, menos carismáticos e menos capazes de se conectar emocionalmente com suas equipes. Além disso, o discurso das “manhãs milagrosas” costuma ignorar as condições reais de vida. Nem todo mundo pode se dar ao luxo de acordar cedo para meditar, ler ou treinar em silêncio. Para muitas pessoas, acordar cedo significa simplesmente adicionar mais uma hora de cansaço a dias já longos, com trabalhos exigentes e responsabilidades de cuidados. Nada disso significa que acordar cedo seja negativo para todos. Há pessoas que se sentem bem acordando cedo e dormem o suficiente ao fazê-lo. O problema surge quando isso é vendido como uma receita universal e a diversidade biológica é ignorada. A ciência do sono é menos épica do que os gurus da produtividade apregoam, mas muito mais útil. O que importa não é acordar antes dos outros, mas dormir o necessário e de forma regular. Talvez a verdadeira vantagem competitiva não seja ganhar horas ao Sol, mas começar o dia com um cérebro realmente descansado. Porque o sucesso não começa às cinco da manhã. Começa quando deixamos de viver permanentemente cansados. Alfredo Rodríguez Muñoz, Catedrático de Psicología Social y de las Organizaciones, Universidad Complutense de Madrid This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

Novo diagnóstico de “autismo profundo” pode mudar políticas de apoio

Kelsie Boulton, University of Sydney; Marie Antoinette Hodge, University of Sydney e Rebecca Sutherland, University of Sydney Quando se trata de autismo, poucas questões geram tanto debate quanto a melhor forma de apoiar as pessoas autistas com maiores necessidades. Isso levou a revista médica The Lancet a reunir um grupo internacional de especialistas para propor uma nova categoria de “autismo profundo”. Essa categoria descreve pessoas autistas que têm pouca ou nenhuma linguagem (falada, escrita, por sinais ou por meio de um dispositivo de comunicação), um QI inferior a 50 e que precisam de supervisão e apoio 24 horas por dia. Isso se aplicaria apenas a crianças com oito anos ou mais, quando suas habilidades cognitivas e de comunicação são consideradas mais estáveis. Em nosso novo estudo, consideramos como a categoria poderia impactar as avaliações de autismo. Descobrimos que 24% das crianças autistas atendiam ou estavam sob risco de atender aos critérios para autismo profundo. Por que o debate? A categoria tem como objetivo ajudar governos e prestadores de serviços a planejar e fornecer apoio para que as pessoas autistas com as maiores necessidades não sejam negligenciadas. Ela também visa reequilibrar sua sub-representação nas pesquisas convencionais sobre autismo. Essa nova categoria pode ser útil para defender mais apoio, pesquisas e evidências para esse grupo. Mas alguns críticos levantaram preocupações de que as pessoas autistas que não se enquadram nessa categoria possam ser percebidas como menos necessitadas e excluídas dos serviços e apoios financeiros. Outros argumentam que a categoria não enfatiza suficientemente os pontos fortes e as capacidades das pessoas autistas e dá demasiada ênfase aos desafios que enfrentam. O que fizemos? Realizamos o primeiro estudo australiano para examinar como a categoria “autismo profundo” poderia se aplicar a crianças que frequentam serviços de diagnóstico financiados pelo governo para condições de desenvolvimento. Com base no Registro Australiano de Neurodesenvolvimento Infantil, examinamos dados de 513 crianças autistas avaliadas entre 2019 e 2024. Perguntamos: quantas crianças atendiam aos critérios para autismo profundo? havia características comportamentais que diferenciavam esse grupo? Como nos concentramos nas crianças no momento do diagnóstico, a maioria (91%) tinha menos de oito anos. Descrevemos essas crianças como estando “em risco de autismo profundo”. O que descobrimos? Cerca de 24% das crianças autistas em nosso estudo atendiam ou estavam em risco de atender aos critérios para autismo profundo. O número é semelhante à proporção de crianças internacionalmente. Quase metade (49,6%) apresentou comportamentos que representavam um risco à segurança, como tentar fugir dos cuidadores, em comparação com um terço (31,2%) das outras crianças autistas. Esses desafios não se limitavam às crianças que atendiam aos critérios para autismo profundo. Cerca de uma em cada cinco crianças autistas (22,5%) se automutilava, e mais de um terço (38,2%) apresentava agressividade em relação a outras pessoas. Portanto, embora a categoria tenha identificado muitas crianças com necessidades muito elevadas, outras crianças que não atendiam a esses critérios também tinham necessidades significativas. É importante ressaltar que descobrimos que a definição de “autismo profundo” nem sempre se alinha aos níveis oficiais de diagnóstico que determinam a quantidade de apoio e o financiamento do NDIS (National Disability Insurance Scheme, programa governamental australiano que fornece financiamento e apoio a pessoas com deficiências significativas e permanentes) que as crianças recebem. Em nosso estudo, 8% das crianças em risco de autismo profundo foram classificadas como nível 2, em vez de nível 3 (o nível mais alto de apoio). Enquanto isso, 17% das crianças classificadas como nível 3 não atendiam aos critérios para autismo profundo. Nossa preocupação Analisamos as crianças quando receberam o diagnóstico de autismo pela primeira vez. As crianças tinham entre 18 meses e 16 anos, das quais mais de 90% tinham menos de oito anos. Isso está de acordo com nossa pesquisa anterior, que mostra que a idade média do diagnóstico nos sistemas públicos é de 6,6 anos. De uma perspectiva prática, a nossa maior preocupação em relação à categoria de autismo profundo é o limite de idade de oito anos. Como a maioria das crianças já é avaliada antes dos oito anos, a introdução desta categoria nos serviços de avaliação significaria que muitas famílias precisariam repetir as avaliações, colocando uma pressão adicional sobre os já sobrecarregados serviços de desenvolvimento. Em segundo lugar, serão necessárias modificações se este critério for utilizado para informar as decisões de financiamento, uma vez que não se enquadra perfeitamente nos critérios de apoio de nível 3. Mas nossos resultados também sugerem que a categoria de autismo profundo pode fornecer uma maneira clara e mensurável de descrever as necessidades das pessoas autistas com os maiores requisitos de apoio. Cada criança autista tem pontos fortes e necessidades individuais. O termo “autismo profundo” precisaria ser promovido com uma linguagem inclusiva e de apoio, de modo a não substituir ou diminuir as necessidades individuais, mas ajudar os médicos a adaptar os apoios e obter recursos adicionais quando necessário. Incluir a categoria em futuras diretrizes clínicas, como a diretriz nacional para avaliação e diagnóstico de autismo da Austrália, poderia ajudar a garantir que governos, serviços para pessoas com deficiência e médicos planejem e ofereçam apoio. O que você pode fazer enquanto isso? Se você está preocupado com a necessidade de apoio substancial para seu filho, aqui estão algumas medidas práticas que você pode tomar para garantir que suas necessidades sejam reconhecidas e atendidas: Explique suas preocupações Nem todos os médicos têm experiência em trabalhar com crianças com grandes necessidades de apoio. Seja o mais claro possível sobre os comportamentos que afetam a segurança ou a vida diária do seu filho, incluindo automutilação, agressividade ou tentativas de fuga. Esses detalhes, embora difíceis de compartilhar, ajudam a dar uma imagem mais clara das necessidades de apoio do seu filho. Também pode ser um desafio encontrar e ter acesso a médicos com experiência adequada. Outro benefício potencial de ter uma categoria definida é que ela pode melhor ajudar as famílias a navegar pelos cuidados. Pergunte sobre o apoio para toda a família Nossos estudos mostram que muitos cuidadores querem mais apoio para si mesmos, mas

UFOP instala Bancos Vermelhos em todos os campi nesta segunda em ato pelo fim da violência contra mulheres

Banco Vermelho na UFOP | Vintém Urgente e Incendioso · Serviço público Símbolo que nasceu na Itália e virou lei no Brasil em 2024 chega à universidade com informações sobre como denunciar violência de gênero — incluindo pela Ouvidoria Feminina da própria UFOP Jiljana Isidoro · Vintém · 9 de março de 2026 A Universidade Federal de Ouro Preto inaugura nesta segunda-feira (9) Bancos Vermelhos em todos os seus campi — Ouro Preto, Mariana, Ipatingae João Monlevade. A instalação simultânea faz parte de uma iniciativa nacional coordenada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que leva o símbolo a diversas universidades e institutos federais no mesmo dia. O Banco Vermelho é um símbolo de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Cada exemplar instalado na UFOP traz também informações objetivas sobre como denunciar casos de violência de gênero — incluindo os canais disponíveis na própria universidade, entre eles a Ouvidoria Feminina, criada exclusivamente para receber esse tipo de denúncia. O registro pode ser feito pelo portal Ouvidoria Feminina UFOP e pode ser anônimo. O projeto nasceu na Itália em 2016 como um gesto simbólico: bancos pintados de vermelho espalhados por praças e espaços públicos para marcar a ausência das mulheres vítimas de feminicídio. No Brasil, a prática ganhou força nos últimos anos e, em 2024, foi incorporada à legislação federal — passando a integrar o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização para o fim da violência contra a mulher. A instalação de amanhã, no entanto, acontece um dia após o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres — o que reforça o caráter de posicionamento institucional da iniciativa. Em Mariana, a iniciativa ganha peso adicional. A cidade ainda convive com a comoção gerada pelo feminicídio de Larissa Maria de Oliveira, 25 anos, e de sua filha Maria Fernanda, 2 anos, assassinadas em 3 de fevereiro no bairro Santa Clara. O crime mobilizou a comunidade — e colocou em debate também o papel da imprensa e das instituições no enfrentamento à violência doméstica. A UFOP tem dois campi na cidade, e ambos receberão bancos nesta segunda. 📍 Programação — instalação dos Bancos Vermelhos na UFOP · 9 de março Ouro Preto 9h Campus Morro do Cruzeiro · gramado em frente à portaria principal Ipatingaa 9h Instituto de Saúde e Humanidades (ISH) · Rua Graciliano Ramos, 719, Cidade Nobre Mariana — ICSA 14h Instituto de Ciências Sociais Aplicadas · Rua do Catete, 166, Centro Mariana — ICHS 15h30 Instituto de Ciências Humanas e Sociais · Rua do Seminário, s/n, Centro João Monlevade 14h Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea) · Rua Trinta e Seis, 115, Loanda A Ouvidoria Feminina da UFOP funciona como um canal institucional dedicado a situações de violência de gênero vividas por integrantes da comunidade universitária. As denúncias são feitas pelo portal ufop.br/ouvidoria e podem ser realizadas de forma anônima. Mais informações sobre o projeto Banco Vermelho estão disponíveis em [LINK — Saiba mais sobre o projeto]. 📞 Canais de apoio — violência contra a mulher 180 · Central de Atendimento à Mulher — gratuito, sigiloso, 24h por dia 190 · Polícia Militar — emergências 181 · Disque Denúncia MG — ligação gratuita Ouvidoria Feminina UFOP · ufop.br/ouvidoria · pode ser anônima CREAS · apoio social e psicológico · Ouro Preto, Mariana e Itabirito · procure a Secretaria de Desenvolvimento Social Vintém · Informação que vale ouro · vintemnews.com

Projeto de mineração da BHP avança sobre zona de amortecimento do Parque do Itacolomi

Reportagem da Agência Primaz revela que mineradora — uma das responsáveis pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana — pretende realizar sondagens geológicas em área próxima ao parque; estudo ambiental teria omitido seis espécies ameaçadas de extinção, segundo pesquisadores da UFOP Esta matéria repercute reportagem publicada pela Agência Primaz, de Mariana, com apuração e fotos do jornalista Lui Pereira. Foto: Ruínas da Fazenda Tesoureiro foram ignoradas nos estudos de impacto da mineradora – Foto: Vivian Baeta A BHP Billiton Brasil Ltda. — uma das mineradoras responsabilizadas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015 — pretende realizar sondagens geológicas para quantificar reservas de minério de ferro em uma área localizada dentro da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Itacolomi, a 1,19 quilômetros do limite oeste do parque. A informação foi publicada pela Agência Primaz, de Mariana, em reportagem assinada pelo jornalista Lui Pereira. O projeto, denominado Rancharia – Fase 2, está situado na Fazenda Tesoureiro, em área de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, próxima a ruínas históricas e aos distritos de Lavras Novas e Chapada, que ficam a cerca de três e quatro quilômetros da área, respectivamente. Embora o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da empresa aponte a viabilidade do projeto, documentos técnicos elaborados por grupos de pesquisa vinculados à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) contestam as conclusões. O que dizem os pesquisadores O OBSERVA — Observatório Sócio-Ambiental pela Conservação, grupo de pesquisa e extensão da UFOP —, identificou que o EIA apresentado pela BHP teria omitido seis espécies de plantas ameaçadas de extinção com registros confirmados para a área. Segundo a Agência Primaz, esse número representa um aumento de 300% em relação à lista de espécies em risco declarada pela empresa. O grupo também sustenta que as medidas de recuperação propostas pela mineradora são insuficientes para restaurar a complexidade biológica do ecossistema afetado. O ponto mais sensível do projeto, conforme a reportagem original, é a necessidade de suprimir vegetação de Campo Rupestre Ferruginoso — ecossistema raro, formado há bilhões de anos e protegido pela Lei da Mata Atlântica. Pesquisadores alertam que esse ambiente é fundamental para a recarga de aquíferos e que sua supressão, em área que abriga espécies ameaçadas, violaria a legislação federal. O grupo CONTERRA, também citado pela Agência Primaz, aponta que a exploração na zona de amortecimento do Itacolomi trará impactos ao cotidiano de Lavras Novas e Chapada, incluindo contaminação do ar e da água, aumento do tráfego de veículos pesados e degradação da paisagem — fatores que afetariam diretamente o ecoturismo, atividade central na economia dos dois distritos. Um elemento adicional chama atenção: segundo a reportagem, as ruínas da Fazenda Tesoureiro — vestígios históricos presentes na área — não teriam sido contempladas nos estudos de impacto apresentados pela mineradora. Contexto: BHP em Ouro Preto O avanço do Projeto Rancharia – Fase 2 se insere num quadro mais amplo de pressão minerária sobre o município. Conforme levantamento publicado pelo Mongabay e pela Agência Pública, ao menos sete empresas têm processos de licenciamento e pesquisa de ferro e manganês em curso no entorno de Ouro Preto. A BHP, isoladamente, já detém autorização para pesquisar ferro em uma área superior a 900 hectares na região de Botafogo. Ouro Preto é Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1980. O Parque Estadual do Itacolomi, que divide território entre Ouro Preto e Mariana, foi concedido à iniciativa privada em dezembro de 2022, em leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, por contrato de 30 anos.

Dez anos depois, “quando a causa é justa, a conquista vem”

Acordo encerra ação judicial de 2019 e garante regularização fundiária para moradores de cinco bairros da área sul de Ouro Preto; para o vereador Kuruzu, que liderou a Ocupação Chico Rei em 2015, a luta não termina aqui Fotos: PMOP Na noite de Natal de 2015, mais de 500 pessoas ocuparam uma fração de terras pertencentes à Novelis em Ouro Preto. A multinacional do alumínio havia encerrado suas operações na região e colocado à venda parte do patrimônio fundiário que acumulara ao longo de décadas — inclusive terrenos originalmente cedidos pela Prefeitura para incentivar a geração de empregos. A insatisfação era direta: a empresa fechou as portas, demitiu trabalhadores, e as terras seguiam sendo negociadas no mercado. A mobilização ganhou nome, Ocupação Chico Rei, e um rosto: Wanderley Kuruzu, que dez anos depois ocupa uma cadeira na Câmara Municipal pelo PT. Na manhã de quinta-feira, 26 de fevereiro, Kuruzu estava no Salão Paroquial da Paróquia de Cristo Rei quando o prefeito Angelo Oswaldo assinou o acordo que encerra a disputa judicial pelas chamadas “Terras da Novelis”. Para o vereador, o momento confirma uma convicção cultivada ao longo de uma década de enfrentamentos. “Conforme a gente sempre diz lá nas nossas reuniões da Ocupação Chico Rei, quando a causa é justa, o povo se mobiliza, se organiza, vai à luta e, se necessário, persevera — a conquista vem. Eu acho que essa é uma lição que fica dessa luta toda. Dez anos, muita gente não acreditava.” A ação judicial e o caminho até o acordo Em 2019, o Ministério Público de Minas Gerais abriu Ação Civil Pública contra a Novelis e a própria Prefeitura de Ouro Preto, apontando parcelamento indevido do solo nos bairros Saramenha, Tavares, Vila Operária e Vila dos Engenheiros — área onde parte significativa dos moradores vivia há décadas sem titulação formal. Em 2021, a Justiça reposicionou o Município: de réu, passou a integrar o polo ativo da ação, abrindo caminho para as negociações. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e a Procuradoria Geral do Município conduziram os estudos que se tornaram a base da proposta. Em dezembro de 2025, a Prefeitura apresentou à Novelis a versão final. A empresa aceitou em 30 de dezembro. Em fevereiro de 2026, o acordo foi homologado pela Justiça antes do Carnaval. Para o promotor Emmanuel Pelegrini, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Ouro Preto, a conquista evidencia os limites das soluções puramente formais. “Estamos tratando da regularização de uma parte significativa do território de Ouro Preto. Problemas complexos e antigos como esse não se resolvem com decisões formais. Eles exigem persistência, resiliência, responsabilidade e vontade de construção.” O Procurador-Geral do Município, Diogo Ribeiro, contextualizou a dimensão histórica da disputa. “Há mais de 40 anos a comunidade reivindica áreas de uso público consolidadas que estavam em propriedade da Novelis. Com o esforço da Procuradoria Geral Municipal e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, fica estabelecido o repasse dessas áreas para o Município.” O que o acordo garante No total, o Município recebe aproximadamente 240 mil metros quadrados — mais de 37% de toda a área discutida no processo. Passam à titularidade pública o Ginásio da Aluminas, o campo de futebol, a Creche Colmeia, quadras esportivas e praças que já faziam parte do cotidiano das comunidades. A Prefeitura também garantiu o terreno para expansão do cemitério da Irmandade de São Miguel Arcanjo e áreas reservadas para futuros equipamentos de saúde e educação. O ponto mais aguardado pelos moradores é a regularização fundiária. Famílias dos bairros Tavares, Saramenha de Cima, Saramenha de Baixo, Vila dos Engenheiros e Vila Operária receberão a titulação formal dos terrenos onde já vivem. “Foi uma luta grande, mas as terras da Novelis agora são terras do povo de Ouro Preto”, encerrou o prefeito Angelo Oswaldo. A luta que continua Para Kuruzu, o acordo é uma vitória parcial — e um ponto de partida. Em declaração após a cerimônia, o vereador deixou claro que a agenda habitacional de Ouro Preto vai muito além do que foi assinado na quinta-feira. “Foi importante também que uma área maior de terra poderá ser destinada à habitação popular. Sim, essa sempre foi a nossa luta. Chega do povo pobre, ou menos favorecido conforme se prefira chamar, ser expulso para morar nas encostas, nas áreas de risco, quando tem terra firme demais.” Kuruzu apontou duas frentes prioritárias para os próximos meses. A primeira é o Plano Diretor do município, em processo de revisão. “Nós estamos de olho nele, que precisa ter atenção para com as demandas do povo trabalhador de Ouro Preto, que é quem faz a cidade funcionar. Que não seja um plano diretor feito dentro de gabinetes, no ar condicionado.” A segunda é a disputa pelas terras da antiga FEBEM — área pública de cerca de 300 hectares, equivalente a aproximadamente 500 campos de futebol, na entrada de Ouro Preto, pertencente ao Estado de Minas Gerais. “Aquelas lá são um escândalo ainda maior, porque já são terras públicas, terra pertencente ao Estado de Minas Gerais. Não é um pedacinho não, são 300 hectares. Terras públicas, ociosas, paradas, abandonadas, sem cumprir nenhuma função social. Nossa luta vai se intensificar agora, nosso olhar vai ficar cada vez mais atento para as terras da FEBEM e o Plano Diretor.” A mensagem final do vereador soou como convocação. “Agora, a gente espera que cada comunidade de Ouro Preto, cada bairro, cada distrito, que tenha as suas demandas justas de luta por direito, que se organize cada vez mais. A palavra perseverança tem uma importância muito grande nessa conquista.”

Sexta edição do Festur será realizada em junho em Ouro Preto

Festival Internacional de Turismo e Cultura chega à sua maior edição no Centro de Artes e Convenções da UFOP entre os dias 10 e 12 de junho; evento reúne cidades históricas de Minas Gerais e já soma mais de 9,5 mil visitantes em suas edições anteriores. O prefeito Angelo Oswaldo anunciou o início das tratativas para a sexta edição do Festur — Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto —, que acontece de 10 a 12 de junho no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O evento, que desde 2019 se consolidou como principal vitrine do turismo das cidades históricas mineiras, deve ser, segundo os organizadores, a edição mais robusta da história do festival. O anúncio foi feito após reunião da Prefeitura com Márcio Abdo de Freitas, presidente do Convention & Visitors Bureau de Ouro Preto e Circuito do Ouro, e com Cássia Regina Neves, CEO da CM Business Hub, empresa produtora do evento. “Iniciando aí as tratativas para o sexto Festur, o Festival de Turismo e Cultura em Ouro Preto”, declarou o prefeito, destacando a participação do setor empresarial. “Todas as cidades históricas estão convidadas a participar”, acrescentou. O festival reúne municípios, circuitos turísticos, gestores públicos e empresas do setor para três dias de expositores, palestras, painéis temáticos, atrações gastronômicas e intervenções culturais. A entrada é gratuita — com inscrição necessária para atividades técnicas. Ao longo das cinco edições anteriores, o Festur reuniu 127 cidades, representantes de 14 países, 185 expositores e mais de 9,5 mil visitantes, de acordo com dados dos organizadores. Cássia Regina Neves destacou a importância da articulação que antecede o evento. “Para nós foi de grande importância, principalmente reafirmando essa parceria que nós construímos”, disse ela sobre a reunião com a Prefeitura. “A conexão com os empresários foi muito forte e é isso que a gente sempre buscou.” Márcio Abdo de Freitas foi na mesma direção: “Nós estamos partindo agora para a sexta edição e esperamos que ela seja bem maior e mais robusta do que as cinco edições anteriores.” Uma trajetória construída desde 2019 Criado pelo Convention Bureau de Ouro Preto em parceria com a CM Business Hub, o Festur realizou sua primeira edição em 2019 e ficou interrompido durante os dois anos mais críticos da pandemia de Covid-19. Retomou em 2022 e vem crescendo de forma contínua. Na edição de 2025, já na quinta versão, o festival apresentou resultados concretos de projetos iniciados em edições anteriores — como a Rota Caparaó Mineiro, que nasceu em 2019 como ideia e hoje é roteiro estruturado reconhecido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. O festival acontece sempre no Centro de Artes e Convenções da UFOP, na Rua Diogo de Vasconcelos, 328, no bairro Pilar — espaço que já se tornou a casa do evento em suas seis edições.