Educação menstrual nas escolas: como a Maleta Menstrual está mudando a conversa em Ouro Preto

Programa da UFOP leva dignidade menstrual para salas de aula através de ferramenta pedagógica inovadora
Bloco do Caixão chega aos 50 anos e abre o Carnaval universitário de Ouro Preto com Dennis DJ, Felipe Amorim e Fatsync

Edição do cinquentenário acontece em 14 de fevereiro de 2026. Além do evento, o bloco mantém o cortejo tradicional nas ladeiras, prepara ações de aquecimento na cidade — e ainda guarda uma atração surpresa para anunciar mais perto da data. Em 1976, alguém decidiu que o Carnaval de Ouro Preto não precisava ser “bonito”: precisava ser verdadeiro. Sem manual, sem ornamento — só a vontade de viver o agora. Meio século depois, o Bloco do Caixão chega aos 50 anos como um marco de identidade do Carnaval universitário: uma festa que não apenas passa — marca. A comemoração principal acontece no sábado, 14 de fevereiro de 2026, abrindo a sequência dos grandes eventos do Carnaval na cidade. Até aqui, a programação divulgada reúne Dennis DJ, Felipe Amorim, Fatsync e Skullz. Mas há um detalhe que tem alimentado a expectativa: a organização ainda mantém uma atração “guardada” — um nome que não foi anunciado e deve ser revelado mais perto do Carnaval, como parte do pacote especial do cinquentenário. A escolha do line-up segue uma lógica que se repete em Ouro Preto: misturar apelo nacional e energia de pista, sem perder o espírito de ladeira. Dennis volta como um dos nomes mais associados ao Carnaval da cidade; Felipe Amorim chega embalado por hits recentes; e Fatsync reforça a frente eletrônica do evento. A peça que falta — e que a organização prefere soltar no tempo certo — é justamente o que promete dar um “efeito de anúncio” à edição dos 50 anos. Uma tradição que nasceu na rua — e nunca saiu dela O Caixão nasceu como um desfile: um cortejo de rua que cresceu atravessando gerações. O símbolo do caixão permaneceu, mas foi adaptado ao longo do tempo para garantir mais segurança no trajeto. A imagem que ficou é a mesma: gente subindo, cantando, batucando, ocupando Ouro Preto com a alegria de quem faz história sem pedir licença. Cinquentenário também é experiência Para 2026, a organização promete uma edição de “superprodução”, com camadas de experiência para pista e camarote. Entre os diferenciais citados para o setor premium, está prevista Chandon no camarote como parte do clima comemorativo do cinquentenário — um gesto de “brinde à altura” para quem escolhe viver a data por dentro. E é nesse conjunto — estrutura, tradição e anúncio ainda pendente — que a edição de 50 anos tenta se afirmar: não como repetição do que já funcionou, mas como uma virada de chave em escala e memória. Skullz, a caveira que virou rosto do Caixão Se o Bloco do Caixão nasceu na rua, ele também aprendeu — com o tempo — a falar a língua do agora. A prova é Skullz, o mascote que virou personagem oficial do bloco: um DJ de “cabeça de caveira”, usado como símbolo visual da festa e como fio condutor da narrativa do cinquentenário. A figura ganhou força na comunicação recente do Caixão justamente por personificar um sentimento que o folião conhece bem: a saudade que começa antes mesmo da quarta-feira de cinzas. Skullz aparece como alguém que vive o ano inteiro, faz de tudo, mas tem uma obsessão que não muda: chegar o Carnaval. Essa estratégia também funciona como linguagem de pertencimento. Em vez de comunicar apenas com line-up e serviço, o Caixão cria um “rosto” para o bloco, algo que atravessa gerações e sustenta uma história contínua — não só o evento de um dia, mas o vínculo de um ano inteiro. Aquecimento: Caixão Run Antes do Carnaval, o bloco também puxa a cidade para um aquecimento fora do óbvio: a Caixão Run, corrida de 5 km marcada para 25 de janeiro de 2026, com inscrição solidária (ingresso + 1 kg de alimento) pela plataforma de vendas.
Por que o carnaval de Ouro Preto pode ser uma grande aposta da geração Z

Quando se fala no carnaval de Ouro Preto como uma possível aposta da geração Z, é importante deixar claro do que estamos tratando. A referência central aqui é o carnaval de rua — aquele que acontece nas ladeiras históricas, nos blocos tradicionais, nos desfiles das escolas de samba e na ocupação coletiva do espaço público. Mas isso não significa ignorar ou desqualificar o carnaval universitário, organizado pelas repúblicas estudantis, que também faz parte da identidade da cidade. O diferencial de Ouro Preto está justamente na convivência entre diferentes formas de viver a festa. O interesse crescente da geração Z pelo carnaval de rua dialoga com mudanças mais amplas na forma de consumir cultura. Em vez de experiências concentradas em grandes estruturas privadas, cresce a busca por vivências abertas, caminháveis e compartilhadas. Em Ouro Preto, o carnaval de rua acontece no encontro: a música ecoa pelas ladeiras, os blocos se formam nas esquinas e a festa se constrói em movimento. É um carnaval que se vive a pé, com o corpo e com o olhar atentos ao entorno — um formato que conversa diretamente com os hábitos culturais dessa geração. Há também um elemento musical que ajuda a entender essa aproximação. Levantamentos recentes divulgados pelo Spotify indicam que a geração Z é hoje a que mais consome MPB na plataforma, revelando um interesse renovado por repertórios brasileiros, narrativos e coletivos. Esse movimento ajuda a explicar por que as marchinhas tradicionais, com letras simples, irônicas e fáceis de cantar em grupo, encontram novamente espaço entre os mais jovens. No carnaval de rua de Ouro Preto, a música não é apenas trilha sonora: ela é participação, coro e experiência compartilhada. O cenário urbano da cidade reforça essa vivência. As ladeiras de pedra, os casarios coloniais e as praças históricas fazem do carnaval de rua uma experiência visual intensa, sem necessidade de grandes produções ou estruturas artificiais. Para uma geração acostumada a registrar e compartilhar o cotidiano, Ouro Preto funciona como linguagem estética espontânea, em que a cidade não é cenário montado, mas parte ativa da festa. Outro ponto central é a autenticidade. Os blocos caricatos, as escolas de samba, os personagens populares e as referências históricas oferecem identidade cultural e continuidade — algo cada vez mais valorizado por jovens que cresceram em ambientes digitais homogêneos. O carnaval de rua de Ouro Preto não é genérico nem replicável: ele carrega memória, sotaque e pertencimento. Isso não significa oposição ao carnaval universitário, que segue sendo relevante e atrativo, especialmente para estudantes e jovens em busca de festas privadas e programação intensa. Ao contrário: Ouro Preto se destaca por oferecer um carnaval completo, capaz de acolher diferentes públicos, ritmos e expectativas. Há espaço para o bloco tradicional, para a escola de samba, para a festa universitária, para a programação infantil e para o carnaval nos distritos. Se o carnaval do futuro aponta para mais diversidade, mais escolha e mais convivência entre formatos, Ouro Preto já reúne esses elementos. Não por ter se reinventado recentemente, mas porque sempre soube conciliar rua, festa, memória e vida urbana. Para a geração Z — e para outras gerações — essa pluralidade pode ser justamente o maior atrativo.
Ouro Preto prepara Carnaval 2026 com homenagem a Sinhá Olímpia

Este ano marca os 50 anos do falecimento de uma das personagens mais conhecidas da história da cidade
Folia de Reis em Ouro Preto: tradição segue viva nos distritos e tem encontros confirmados nesta segunda (6)

Fotos: Ane Souz Entre o Natal e o Dia de Reis, Ouro Preto volta a ouvir um som antigo e sempre atual: o das folias que percorrem comunidades, renovam promessas e mantêm viva uma das manifestações mais fortes do ciclo natalino. Ligada à celebração dos Três Reis Magos, a Folia de Reis é também encontro, memória e pertencimento — um ritual comunitário que atravessa gerações e continua pulsando em bairros e distritos do município. Um dos símbolos dessa continuidade está no Padre Faria. Jésus Eduardo Floretino, o Jésus Boi, conta que faz parte da Folia de Santos Reis do Padre Faria desde o começo. “A primeira saída dela foi dia 25 de dezembro de 1974”, lembra. Ele explica que, no início, o grupo tocava até repertório sertanejo: “Começamos tocando música sertaneja”. À época, Jésus já era do Congado de Saramenha, mas precisou se afastar por um problema de saúde. “Dei problema de saúde, na coluna. Aí formei a folia com uma turminha, com apoio do Dom Barroso, que deu alguns instrumentos, e assim começamos. Eu não deixei ela acabar”, afirma. Em Amarantina, a tradição também se reforça com novas etapas de organização e permanência. Leandro da Costa Filho, da Folia de São Gonçalo de Amarantina, diz que o grupo atua há anos como parte ativa da cultura do distrito. “Já há alguns bons anos estamos fazendo parte desse movimento cultural do nosso distrito”, diz. Para ele, a folia é também um gesto de continuidade: “Estamos resgatando alguns valores e estamos firmes, sempre, sempre com a música”. Além de preservar cantos, instrumentos e a simbologia das bandeiras, as folias mantêm um tipo de cultura que não depende de palco: ela acontece no corpo a corpo, na visita, na roda, na rua — e por isso segue sendo um patrimônio vivo. Folias e grupos tradicionais em Ouro Preto O município reúne diferentes expressões do ciclo de Reis, com grupos reconhecidos nas comunidades: Agenda confirmada nesta segunda (6) Por que isso importa culturalmente Mais do que uma tradição religiosa, a Folia de Reis é um patrimônio vivo: ela preserva músicas, versos, modos de tocar e de cantar, além de costumes de visitação e acolhida que ajudam a formar a memória das comunidades. Em cidades históricas como Ouro Preto — onde o patrimônio material é muito visível — a folia lembra que o patrimônio também existe no que é cantado, celebrado e transmitido de pessoa para pessoa. As pastorinhas, por sua vez, integram esse mesmo universo do ciclo natalino com apresentações que combinam canto, encenação e devoção, reforçando a participação de diferentes gerações e mantendo uma linguagem popular que atravessa o tempo.

“Não tem vaga, só se conhecer alguém”: as dificuldades das refugiadas congolesas para acessar o SUS no Brasil Paula Colodetti, UERJ e Francisco Ortega, ICREA O The Conversation Brasil e a revista Cadernos de Saúde Pública/Reports in Public Health (CSP) fizeram uma parceria para trazer ao público artigos inéditos sobre estudos científicos, pesquisas originais e revisões críticas em diversas áreas da saúde coletiva. A revista CSP é publicada desde 1985 com suporte da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e reúne artigos científicos originais voltados à produção de conhecimento no campo da Saúde Coletiva e disciplinas afins. No artigo abaixo, os resultados do estudo que identificou as dificuldades que refugiados de países africanos residentes no Brasil – especialmente mulheres – experimentam ao tentar acessar os serviços do SUS. E entre estes problemas, estão o racismo, o machsimo e a xenofobia. O Sistema Único de Saúde (SUS) nasceu com a promessa de atender a todos de forma integral e gratuita. Na prática, porém, grupos vulneráveis seguem enfrentando barreiras para transformar esse direito em realidade. É o caso de mulheres congolesas refugiadas no Rio de Janeiro, que fazem parte da segunda maior comunidade de refugiados de guerra na cidade. Elas relataram, em estudo realizado pelo pesquisador Francisco Ortega e por mim, a percepção de que, sem conhecer alguém dentro da instituição de saúde, não se consegue marcar uma consulta ou um exame. A frase que dá título ao nosso estudo — “Não tem vaga, só se conhecer alguém” — foi dita por uma das interlocutoras que, mesmo com dificuldades de idioma, conseguiu captar rapidamente uma das principais barreiras de acesso: a falta de capital social. Em outras palavras, sem vínculos ou conhecidos dentro do sistema, essas mulheres sentem-se ainda mais distantes do cuidado. O trabalho sobre o tema foi publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública. Essas mulheres refugiadas chegam ao Brasil após deixarem seu país, na África Central, por causa de conflitos armados, violência política ou risco à vida. Aqui, enfrentam uma nova batalha: superar a desconfiança das instituições, lidar com o racismo, a barreira da língua e a falta de recursos financeiros. As entrevistas reunidas pela pesquisa revelam situações corriqueiras que, somadas, apresentam um retrato dessa exclusão. De novo, em situações de risco Uma das participantes contou que conseguiu marcar exames apenas porque uma senhora, com quem conversou e que estava na fila, conhecia alguém dentro da unidade. Outra relatou que levou a filha com problemas de pele à Clínica da Família, mas foi informada de que só teria atendimento com pediatra após seis meses de espera. Em muitos casos, as mulheres descreveram atendimentos rápidos, superficiais e sem explicação adequada dos procedimentos, o que reforça a sensação de descaso e desigualdade. Além disso, a falta de domínio do português intensifica o sentimento de impotência. Muitas relatam que são interrompidas ou simplesmente ignoradas pelos profissionais do SUS ao tentarem explicar sintomas. “Você aponta e eles dizem: tá, já sei onde está com dor, vou te dar o remédio. Nem fazem a receita direito”, disse uma das entrevistadas. Em outro caso, a própria funcionária da farmácia ajudou a interpretar a prescrição e indicar o antibiótico necessário. A pesquisa também destaca o papel do território. A maioria dessas mulheres vive em favelas ou áreas periféricas da cidade do Rio de Janeiro, onde a violência cotidiana se soma ao racismo estrutural e institucional. Elas compararam a violência urbana carioca à guerra que deixaram no Congo, relatando medo de circular à noite e se expor a novas situações de risco. Os relatos das mulheres congolesas foram ouvidos no cotidiano da Cáritas RJ, instituição de acolhimento a refugiados, por meio da observação das atividades, de conversas em grupo e entrevistas. A pesquisadora Paula Colodetti participou de aulas de ioga e de rodas de conversa com as mulheres refugiadas para conhecer suas experiências e discutir temas como o acesso à saúde. Foram feitas oito entrevistas em profundidade, com apoio de tradutoras. Os relatos coletados serviram de base para identificar padrões e percepções comuns nas vivências dessas mulheres. As narrativas foram analisadas com métodos qualitativos amplamente usados nas ciências sociais. Narrativas sobre solidão e solidariedade Outro ponto importante revelado por esse grupo de mulheres é a solidão. Muitas chegaram ao Brasil sem marido ou filhos, com famílias separadas no processo de refúgio. Essa ausência de rede de apoio local aumenta a vulnerabilidade, já que o capital social – a confiança e as conexões estabelecidas com pares, vizinhos e instituições – é fundamental para acessar serviços de saúde. Sem essas ligações, as chances de conseguir atendimento se reduzem. Apesar das dificuldades, também há experiências positivas. Algumas mulheres contaram ter recebido ajuda inesperada de vizinhos ou desconhecidos, seja oferecendo carona até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), doando roupas ou ajudando a lidar com a burocracia. Esses relatos mostram que solidariedade e acolhimento existem, mas aparecem de forma pontual, dependendo da boa vontade individual, e não como resultado de políticas institucionais consistentes. O estudo chama atenção ainda para um choque cultural: no Congo, o sistema de saúde funciona mediante pagamento após a consulta, e casos graves são absorvidos pelo Estado. Já no Brasil, apesar de gratuito, o SUS tem uma lógica burocrática que sobrecarrega as unidades de Saúde e confunde essas mulheres estrangeiras que não falam português. Muitas não entendem por que precisam esperar tanto tempo por uma consulta, ou por que não são atendidas rapidamente em casos aparentemente urgentes. O que aparece em comum nos depoimentos é a sensação de desconfiança e descrédito em relação ao SUS. As longas filas, a demora para conseguir especialistas, as negativas por suposta falta de documentos, além da percepção de racismo nos atendimentos, constroem uma barreira simbólica e concreta. Para muitas, a solução tem sido recorrer a redes intracomunitárias, como igrejas e grupos de conterrâneos, que oferecem apoio emocional e prático – mas que, ao mesmo tempo, reforçam o isolamento em relação à sociedade brasileira. A pesquisa conclui que, se o capital social é essencial para acessar serviços de saúde,
Adoção e licença-maternidade: decisão judicial em Ouro Preto equipara prazo ao de mãe biológica

Ação com apoio do Sindsfop garantiu a uma servidora adotante o direito a 180 dias
Desenvolvimento econômico: Ouro Preto saiu de 16 mil para 21 mil empregos formais em cinco anos

Secretário de Desenvolvimento Econômico faz balanço de 2025 e destaca crescimento sem meses de saldo negativo, selo ouro da Sala Mineira, primeira política de economia criativa de Minas e modelo de gestão descentralizada que atrai delegações de todo o país Ouro Preto encerra 2025 com 21.194 postos de trabalho formais, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Felipe Guerra. O número representa um crescimento de quase 5 mil vagas desde 2021, quando a cidade tinha 16.200 empregos formais. Em entrevista exclusiva, o secretário detalhou as conquistas do ano e a estratégia de gestão descentralizada que, segundo ele, tem atraído empresas e delegações de outras cidades interessadas no modelo ouro-pretano. “Ouro Preto hoje tem 21 mil em torno de 194 postos de trabalho. O prefeito Ângelo Oswaldo assumiu há cinco anos atrás, Ouro Preto tinha 16.200 postos de trabalho. E agora, no primeiro ano do segundo mandato, ele já subiu absurdamente para 21 mil postos de trabalho”, comemorou Guerra. “O que é muito importante para a cidade de Ouro Preto, que mostra uma cidade com o cenário econômico aquecido.” Além do crescimento quantitativo, o secretário destacou a estabilidade: “Nesse ano, no número de empregos, não tivemos nem um mês com saldo negativo. Isso é muito importante ser dito. Porque quando há muita variação no mercado, geralmente novembro e dezembro são meses que as empresas mandam embora, terminam o contrato. Isso não aconteceu em Ouro Preto esse ano.” Para Guerra, os números revelam maturidade econômica: “Isso não mostra só aquele crescimento desenfreado econômico, mostra que o mercado se estabeleceu, que esses empregos não são simplesmente empregos temporários, mas já são empregos formais, uma cadeia produtiva da cidade.” 250 novas empresas e desburocratização O município conta hoje com aproximadamente 8 mil empresas abertas, com saldo positivo de 250 estabelecimentos em 2025. “Entre os que abrem e fecham, ficou 250 a mais”, explicou o secretário. A desburocratização foi apontada como fator decisivo. “Ouro Preto, como não tinha secretaria de desenvolvimento econômico, a área econômica era extremamente descentralizada. Tinha parte na Fazenda, parte no Turismo e Indústria de Comércio, parte na Secretaria de Patrimônio. O empresário tinha uma dificuldade gigantesca de abrir uma empresa”, contextualizou Guerra. “Perdemos vários e vários empreendimentos. Porque, como diz o meio econômico, o dinheiro não espera.” Com a criação da Sala Mineira do Empreendedor, em parceria com o Sebrae e a Agência de Desenvolvimento de Ouro Preto (Adope), o cenário mudou: “Hoje você consegue abrir uma empresa simples em 3, 4 dias em Ouro Preto. O empresário de Ouro Preto sabe onde ele tem que ir para abrir uma empresa, para se capacitar, para buscar informações.” O trabalho foi reconhecido: “A nossa Sala Mineira ganhou esse ano o prêmio ouro pelo Sebrae, por Minas Gerais. Foram mais de 4 mil CNPJs abertos nos últimos anos desde a criação da sala.” Guerra complementou com outro dado: “Mais de 780 atividades estão dispensas de alvará quando a gente assina a lei de liberdade econômica.” SINE: de penúltimo a top 3 de Minas Outro destaque foi a transformação do Sistema Nacional de Emprego (SINE). “Quando nós assumimos a secretaria, ele estava em penúltimo lugar em Minas Gerais. Dos 853 municípios que têm o SINE, o nosso era o penúltimo. É triste falar isso”, admitiu o secretário. “E hoje nós estamos entre os três SINEs de Minas Gerais.” O secretário atribuiu o resultado à liderança de Guilherme de Jesus e à equipe: “Tem uma transparência que dita a vida pública dele e um comprometimento com o SINE. Nós temos o SINE Ouro Preto, temos o SINE Cachoeira do Campo, temos o SINE Antônio Pereira. É uma equipe que trabalha de maneira articulada e entrega tantos resultados.” A estrutura foi fundamental para grandes contratações: “Fizemos os grandes feirões de emprego no início do ano. Tivemos o feirão de emprego do Vila Galé, um hotel de rede internacional captado para Minas Gerais depois de 25 anos. Fizemos o saldão da GSA, entre tantos outros, da Araújo, todos com apoio do SINE.” Primeira política de economia criativa de Minas Ouro Preto se tornou a primeira cidade mineira com política pública de economia criativa. “Ouro Preto já tem uma atividade e várias pessoas trabalhando com a economia criativa, e a gente então fez essa ação”, explicou Guerra. “A economia criativa foi o último eixo a entrar na primeira revisão dessa política pública do PADE [Plano de Ação de Desenvolvimento Econômico].” A política foi desenvolvida em parceria com a UFOP: “É uma política pública que foi em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto, que é uma das missões também da nossa secretaria, que é se aproximar das entidades.” Com o documento aprovado, a cidade está “participando e disputando para ser a cidade criativa da humanidade pelo Unesco. Ouro Preto é patrimônio da humanidade. E a gente está buscando esse título, essa chancela, que será muito importante para toda a área da economia criativa.” O secretário anunciou novidade: “Esse ano que vem, nós teremos um evento chamado Festival da Criatividade. Vai ser uma semana inteira com várias atividades de economia criativa, com os grupos ouro-pretanos, com os nossos distritos. Falar em economia criativa em Minas vai ter que falar de Ouro Preto.” Ele citou ainda ações específicas: “O nosso diretor de economia criativa, Luiz Viana, hoje traz também um trabalho importantíssimo de afroempreendedorismo em Ouro Preto, junto com o nosso diretor de igualdade racial, o Kedson. Foram várias e várias ações em favor do afroempreendedorismo.” Jabuticaba é primeiro arranjo produtivo e identidade geográfica A jabuticaba de Cachoeira do Campo conquistou dois marcos: “Primeiro, chancela a jabuticaba de Cachoeira do Campo como arranjo produtivo local no governo do estado de Minas Gerais. E depois nós entramos com a identidade geográfica da jabuticaba, fazendo a primeira identidade geográfica de Ouro Preto.” O projeto recebeu recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e parceria com a Samarco: “Nossa diretoria de economia criativa, junto com a Federa Minas, foi buscar na Samarco o recurso para a gente fazer o
Santa Casa inicia programa de cirurgia bariátrica e anuncia primeiro procedimento em Ouro Preto

Equipe médica destaca que operação é parte do tratamento da obesidade e deve ser oferecida também pelo SUS, em parceria com o município A Santa Casa de Ouro Preto anunciou o início da realização de cirurgias bariátricas na instituição. Em vídeo gravado antes do procedimento, o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Tuian Cerqueira afirmou que a operação marca um passo relevante na linha de cuidado para pacientes com obesidade associada a outras doenças — e ressaltou que a cirurgia não deve ser tratada como um atalho estético. “Hoje, nós vamos realizar a nossa primeira cirurgia bariátrica aqui na Santa Casa. Essa cirurgia tem uma importância muito grande porque ela é um dos elementos do tratamento daqueles pacientes que têm obesidade, junto com outras doenças”, disse. Segundo o médico, o caminho começa, em geral, pelo tratamento clínico, com acompanhamento ao longo do tempo. “Esses pacientes são submetidos, ao longo de todo um tempo, a um tratamento clínico para tentar reduzir a obesidade e melhorar as outras doenças. E, caso não tenha o sucesso terapêutico esperado, a cirurgia é então um desses componentes”, explicou. Tuian enfatizou que o objetivo principal é ampliar saúde e longevidade, reduzindo riscos associados à obesidade. “Não é uma cirurgia simplesmente para perder peso. Nosso objetivo é fazer a cirurgia para que, com a perda de peso, esse paciente possa melhorar a sua condição de saúde, reduzir a sua chance de ter câncer, de ter infarto, de ter derrame ou AVC, e para ele que ele possa viver mais”, afirmou. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Santa Casa Da Misericórdia De Ouro Preto (@santacasadeouropreto) Procedimento por vídeo e preparação prévia De acordo com o cirurgião, a equipe fará o procedimento por via minimamente invasiva, com uso de videolaparoscopia. “A gente vai fazer a cirurgia por via minimamente invasiva ou por vídeo”, disse, citando a estrutura de materiais e equipamentos necessários. Entre os itens mencionados estão materiais conhecidos como OPME (órteses, próteses e materiais especiais), além de grampeadores e cargas específicas. “São materiais importantes para estar ali no momento do procedimento”, explicou. O médico também destacou que o processo começa bem antes da sala cirúrgica. “É um trabalho que a gente faz de duas a três semanas antes do procedimento… envolve outros setores, como autorização, suprimentos, farmácia. Então, todos os setores aí estão bem interligados para o melhor procedimento”, relatou. Equipe e perspectiva de atendimento pelo SUS Tuian informou que contará com o apoio de outros cirurgiões e profissionais na composição da equipe. “Aqui com a gente está o meu colega cirurgião… o doutor Gabriel Faleira, que vai participar da cirurgia e integrar a equipe junto com a gente para fazer isso e os próximos casos”, disse. Na gravação, o médico afirmou que o procedimento anunciado atende, neste primeiro momento, uma paciente com convênio. Ainda assim, a expectativa é que o serviço também seja ofertado pelo Sistema Único de Saúde, em parceria com o município. “A cirurgia vai servir uma paciente que tem convênio… mas vai ser feita, oferecida também… pelo Sistema Único de Saúde, uma parceria importante da Santa Casa com o município de Ouro Preto”, declarou. O cirurgião disse que a intenção é manter o mesmo padrão de equipe e insumos. “Vai ser feita pelas mesmas equipes, com os mesmos materiais de primeira qualidade, por via minimamente invasiva, oferecendo serviços de primeira qualidade”, afirmou.
Prefeitura emite alvará para construção do Residencial Maria Soares, com 90 moradias em Saramenha

A Prefeitura de Ouro Preto emitiu o Alvará de Construção nº 214/2025, autorizando a obra do Residencial Maria Soares, empreendimento de habitação de interesse social previsto para a Rua Lúcio dos Santos, s/nº, distrito de Saramenha. O projeto reúne 90 unidades residenciais, além de quatro unidades não residenciais, e está aprovado para execução em três pavimentos. De acordo com a ata do Conselho Municipal de Política Urbana (COMPURB), o conjunto habitacional será composto por seis blocos, totalizando as 90 moradias, e prevê quatro unidades não residenciais destinadas a funções comunitárias e de apoio social. O projeto também inclui bicicletário, note-se a previsão de oficinas multiuso, além de estacionamento para automóveis e motocicletas e áreas ajardinadas de uso comum voltadas à convivência e lazer. A aprovação do EIV veio acompanhada de exigências formais. O COMPURB condicionou o empreendimento à execução de requalificação das ruas Lúcio dos Santos e Maria Soares, além da solicitação de ampliação da linha de transporte coletivo, com acompanhamento do órgão municipal competente. A deliberação também determina note-se o cumprimento de todas as medidas indicadas no próprio EIV e no parecer técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação. Durante as discussões, foi levantado ainda a necessidade de análise de viabilidade de tratamento de esgoto, ponto que deve ser detalhado nos trâmites técnicos do empreendimento e na execução das medidas de impacto. Próximos passos Com o alvará emitido, a obra passa a ter respaldo formal para avançar dentro dos parâmetros aprovados. Ainda assim, temas como cronograma de execução, fonte de financiamento, responsável pela obra e critérios de seleção das famílias — especialmente em diálogo com demandas por reassentamento e aluguel social — ainda devem ser divulgados pela Prefeitura.