Estudantes redescobrem a história ferroviária em Engenheiro Corrêa

Programa Estação de Memória mobiliza mais de 200 alunos de cinco distritos e reforça a relação das comunidades com o patrimônio ferroviário de Ouro Preto.
Saneouro divulga nota sobre processo societário; posicionamento confirma que venda global da controladora segue em andamento com conclusão prevista para 2026

Após a repercussão internacional da venda da GS Inima — uma das controladoras da Saneouro — para a estatal de Abu Dhabi TAQA, por cerca de US$ 1,2 bilhão, a concessionária divulgou uma nota oficial sobre o tema. Sem entrar em detalhes sobre a operação global, a Saneouro afirma que o processo de inclusão de um novo acionista na estrutura societária da GS Inima já está em curso e que pode ser concluído apenas em 2026. O que diz a nota da Saneouro No comunicado, a empresa informa que: A nota não nega a negociação noticiada pela imprensa internacional; apenas esclarece que, no âmbito da Saneouro, nenhuma mudança societária se efetivou até o momento, o que é compatível com o estágio da operação global, que depende de aprovações formais, como informado anteriormente pelo Vintém. (leia aqui a matéria completa) Contexto internacional: venda da GS Inima foi anunciada em agosto A operação envolvendo a GS Inima foi anunciada no dia 25 de agosto de 2025 por veículos internacionais como Reuters, El País / CincoDías, Korea Economic Daily e pela própria TAQA, por meio de comunicado distribuído via PR Newswire. O valor divulgado é de aproximadamente US$ 1,2 bilhão, e o negócio faz parte da estratégia da TAQA de ampliar sua presença global no setor de água — da dessalinização ao saneamento. A GS Inima opera cerca de 50 projetos em 10 países, incluindo concessões de longo prazo na América Latina, Europa e Oriente Médio. Por que a conclusão depende de 2026 Como mostrado anteriormente, o acordo global está sujeito a: No Brasil, qualquer mudança de controle que afete a Saneouro — mesmo que indiretamente — depende de anuência prévia da Prefeitura de Ouro Preto, conforme previsto no contrato de concessão. A Prefeitura informou que ainda não recebeu comunicado sobre eventual pedido de anuência. Situação atual
Intoxicação medicamentosa: quando superdosagens e interações prejudicam o tratamento e podem ser fatais

A morte do ídolo da MPB Lô Borges chama a atenção para o grave problema.
Cinco anos depois, Amarantina ainda espera rota alternativa e privatização da BR-356 adiciona nova camada de incerteza

Condicionante ambiental de 2019 previa novo acesso para pedreira pela rodovia, mas projeto segue emperrado entre Prefeitura, DNIT e FEAM. Agora, com a BR-356 privatizada desde setembro, qualquer nova via precisará passar também pela concessionária A via de acesso a Amarantina convive com o tráfego intenso de carretas da Pedreira Irmãos Machado há pelo menos cinco anos. A promessa de uma rota alternativa que tirasse esse fluxo de caminhões existe desde 2019, quando foi estabelecida como condicionante ambiental para a continuidade da operação da empresa. Mas o projeto segue no papel e agora ganhou um novo complicador. Em setembro de 2025, a BR-356 foi privatizada. O Consórcio Rota da Liberdade assumiu a operação do trecho por 30 anos, o que significa que qualquer nova via que dependa de acesso à rodovia federal precisará passar também pela aprovação da concessionária. E é justamente pela BR-356 que a rota alternativa proposta deveria sair. Enquanto isso, o distrito segue pressionado pelo tráfego pesado. A Frente Popular em Defesa de Amarantina estima que até 700 carretas circulam diariamente pelas vias do distrito. A Pedreira Irmãos Machado, por sua vez, informa que o tráfego relacionado à sua operação gira em torno de 200 caminhões por dia. A diferença de 500 caminhões nos números aponta para outra questão: o tráfego irregular. A Prefeitura de Ouro Preto reconhece que outras empresas têm usado o trecho como atalho para transporte de produtos, de forma irregular, e promete instalar câmeras para fiscalização 24 horas. A atalho por Santo Antônio do Leite O problema do tráfego irregular não se limita a Amarantina. O distrito vizinho, Santo Antônio do Leite, também tem sido usado como rota. Não foi identificado a qual empresa essas carretas prestam serviço. Dados da Guarda Civil Municipal e da Ourotran mostram que caminhões de grande porte têm cortado Santo Antônio do Leite para acessar Amarantina e, de lá, seguir para seus destinos. A manobra funciona como um atalho que desvia de trechos mais fiscalizados ou congestionados, mas transfere o impacto do tráfego pesado para vias distritais que não foram projetadas para esse volume. A Prefeitura reconhece que veículos flagrados nessa rota foram autuados, mas a fiscalização ainda depende de presença física de agentes — daí a promessa de instalação de câmeras que permitam monitoramento contínuo. A condicionante 18: o que foi prometido A chamada Condicionante 18 foi estabelecida em 2019, quando a Pedreira Irmãos Machado obteve sua licença ambiental. O texto previa a apresentação de um projeto para novo acesso a partir da rodovia BR-356, destinado exclusivamente ao escoamento da produção do empreendimento, com prazo de 360 dias. A empresa apresentou o projeto no prazo. Depois, informou que o convênio inicial foi desfeito e um novo projeto precisou ser elaborado. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), “como se trata de uma rota distrital, o novo projeto depende da aprovação do Município de Ouro Preto e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que ainda não foi concedida.” O ping-pong burocrático O que parecia ser uma solução simples — apresentar um projeto e executá-lo — se transformou em uma sucessão de pareceres que não se conectam. A FEAM esclarece que “a Condicionante nº 18 não prevê a construção de uma rota alternativa, mas sim a apresentação de um projeto”. A empresa apresentou. O órgão ambiental estadual realizou fiscalizações e solicitou informações sobre aprovação do projeto junto aos órgãos competentes e cronograma de implantação. Mas, tecnicamente, a condicionante foi cumprida — o que não aconteceu foi a aprovação e a construção. O DNIT, responsável pela gestão da BR-356 até a privatização, deixou claro em agosto de 2024 que os projetos apresentados pela Prefeitura de Ouro Preto “não apresentam condições de aprovação, uma vez que contêm incorreções nos estudos de tráfego, levantamento topográfico, projetos geométrico, de terraplenagem, de drenagem, pavimentação e sinalização.” A Prefeitura foi oficialmente comunicada. A Prefeitura de Ouro Preto, por sua vez, afirma que o projeto “já foi protocolado perante à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e está em análise, como passível de aprovação.” O município informa que o projeto será levado ao Conselho de Política Urbana para deliberação e reconhece “o impacto que o tráfego de carretas tem provocado na via pública de Amarantina”. A Pedreira Irmãos Machado aguarda a licença municipal. Segundo a empresa, assim que a autorização for emitida, o prazo estimado para conclusão das obras da rota alternativa é de 10 meses. A via terá extensão de 200 metros e área de 7.014 m². Leia o posicionamento da empresa, obtido com exclusividade pelo Vintém, na íntegra aqui. A nova camada: privatização da BR-356 Em 18 de setembro de 2025, o Consórcio Rota da Liberdade venceu o leilão para operar a BR-356 — junto com trechos da MG-262 e MG-329 — por 30 anos. O consórcio é formado por Construtora Metropolitana, Quebec Construções e Tecnologia Ambiental, JCP Participações, Abra Infraestrutura, Construtora Contorno e Renova Engenharia. A concessão prevê investimentos de quase R$ 6 bilhões, duplicação total da BR-356 no trecho Nova Lima–Itabirito–Ouro Preto–Mariana–Rio Casca, e construção do Contorno Viário de Cachoeira do Campo. Mas também muda a regra do jogo para qualquer projeto que dependa de acesso à rodovia federal. A rota alternativa sai justamente pela BR-356. Agora, além de aprovação da Prefeitura e do DNIT, será necessário negociar com a concessionária privada. O que diz a comunidade Em julho de 2023, a Frente Popular em Defesa de Amarantina protocolou denúncia formal na SUPRAM Central Metropolitana e no Ministério Público de Minas Gerais, cobrando a construção da rota alternativa. No documento, a organização afirma que “as ruas da comunidade não comportam o excesso de mais de 700 carretas diariamente, além do barulho, da poeira, estão colocando a vida dos moradores em risco.” A Frente destaca que a proposta de entrada pela BR-356 é “de solução simples, objetiva, prática, custos financeiros imensamente reduzidos” e que “não desapropria moradores e nem prejudica os comércios locais.” O tom da denúncia é de urgência: “Não precisamos ter mais um acidente com vítimas para
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Vozes da Amazônia: projeto paraense une conhecimentos indígenas e da academia para enfrentar a crise climática

Helena Pinto Lima, Museu Paraense Emílio Goeldi Já é de conhecimento de todos que a COP 30 em Belém tem como temas fundamentais os desafios da crise climática que incide sobre o planeta e também as estratégias para o seu enfrentamento. Neste contexto, a conservação do bioma amazônico se destaca como estratégica para a regulação do clima global. Mas nós, cientistas e pesquisadores amazônidas, entendemos a importância desse bioma não somente por suas florestas, mas principalmente pelas múltiplas vozes que este território abriga. São vozes de alerta que povos amazônicos e cientistas da região vêm ressoando há tempos. Agora, elas se tornam urgentes de serem ouvidas e levadas à sério. N. da R.: Não foi por acaso que, na noite de terça-feira, dia 11 de novembro, um grupo de indígenas que fazia uma manifestação tentou forçar a entrada num dos pavilhões da COP, gerando confusão e atrito com a polícia. O que eles queriam? Ter as suas vozes ouvidas. À luz desses acontecimentos que são apenas o reflexo de um desequilíbrio de representatividade social da Amazônia que a COP 30 torna mais evidente, este texto tem o propósito de apresentar uma pesquisa que busca unir conhecimentos indígenas e acadêmicos para investigar as origens da diversidade biocultural da Amazônia. A hipótese é que Terras Indígenas com histórias humanas profundas e pouco impactadas pelos padrões capitalistas de uso da terra são refúgios globalmente críticos para uma enorme biodiversidade ainda pouco conhecida pela ciência ocidental. Os conhecimentos indígenas estão profundamente conectados com essa biodiversidade, e são legados milenares de manejo e domesticação de paisagem que respondem às necessidades humanas sem interromper os processos ecológicos essenciais. Portanto, a colaboração simétrica com os povos indígenas é crítica para estratégias de manejo e conservação da biodiversidade e devem ser salvaguardados, divulgados e compartilhados para promover a continuidade de práticas sustentáveis. Vozes da Amazônia Indígena é uma pesquisa que aborda essa biodiversidade amazônica a partir das múltiplas interações entre seres (humanos e não humanos) ao longo do tempo. A pesquisa atua em colaboração com povos indígenas em três territórios ecologicamente distintos: O Alto Rio Negro no Noroeste Amazônico (Amazonas) O Alto Xingu, na Amazônia Meridional (Mato Grosso) O corredor ecológico do Xingu, na Terra Indígena Kayapó (Pará) Estas regiões em estudo compartilham elevadíssima biodiversidade e histórias complexas de ocupação indígena, desde tempos pré- coloniais até o presente. Tribo do povo Kuikuro, no Alto Xingu, uma das nações que fazem parte da pesquisas Vozes da Amazônia. Elas vêm sendo abordadas a partir de metodologias unificadas e multidisciplinares, permitindo conhecer a fauna e flora e entender como diferentes populações originárias utilizaram e transformaram as paisagens ao longo dos séculos. Os eixos específicos de pesquisa em cada uma dessas terras indígenas são co-construídos em conjuntoentre cientistas e comunidades, já que cada um delas possui configurações étnicas, históricas e socioambientais complexas. Assim como desafios e demandas variados. Colaboração e tecnologia Para realizar esta pesquisa, o projeto conta com um equipe interdisciplinar e intercultural, com arqueólogos, antropólogos, biólogos e linguistas, bem como uma estrutura de pesquisa colaborativa, com pesquisadores acadêmicos e pesquisadores indígenas formados para desempenharem tarefas de pesquisa de campo nos territórios. Além do intercâmbio entre pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e de ações formativas de pesquisadores indígenas num contexto interdisciplinar, o projeto se estrutura a partir de um conjunto de temas transversais que possibilitam de fato a articulação e valorização de diferentes saberes. Na Terra Indígena Alto Xingu, essa é uma continuação das pesquisas arqueológicas realizadas por Michael Heckenberger e os Kuikuro desde os anos 1990, que geraram uma imensa base de dados sobre a ocupação da área que mostraram a longevidade das ocupações e a persistência das práticas culturais ao longo do tempo. As pesquisas evidenciaram um verdadeiro sistema de assentamentos, com aldeias circulares monumentais e evidências de alterações massivas na paisagem. Cientistas do Museu Goeldi trabalhando em conjunto com povos Baniwa e Koripako, no Alto Rio Negro. Pioneiro em mapeamento colaborativo, o projeto vem aplicando tecnologias avançadas, incluindo o uso da tecnologia LiDAR – um sistema óptico de detecção remota que mede propriedades da luz refletida para calcular distâncias – instalada em drones. Essas ferramentas geoespaciais oferecem respostas locais e contextualizadas a desafios ecológicos, climáticos e políticos urgentes, além de promover a ciência colaborativa orientada a problemas, desde o início. Os desafios do Alto Xingu O Alto Xingu guarda a última ilha de floresta no arco do desmatamento do sul da Amazônia e enfrenta desafios urgentes como a perda de florestas relacionadas ao clima e o rápido desmatamento. O mapeamento arqueológico dentro e no entorno do território é ferramenta fundamental para o gerenciamento territorial e oferece uma forma de resistência frente às ameaças e são também um contraponto às abordagens colonialistas e tutelares comumente aplicadas a povos indígenas no Brasil. Já a temática transversal “Káali e a Biodiversidade” foi escolhida como prioritária para a pesquisa o alto rio Negro. Ela toma como ponto de partida a história de tradição oral dos povos Baniwa e Koripako sobre Káali, o “demiurgo” (ou “semideus”) da agricultura. Seu mito orienta pesquisadores indígenas na documentação de diferentes versões dessa narrativa, sistematizando o conhecimento etnobotânico sobre as plantas cultivadas.E como esse conhecimento poderá ser trabalhado pela arqueologia, pela etnologia e pela linguística histórica como forma de compreender as relações dos povos Baniwa e Koripako com as plantas na longa duração. O valor histórico da agricultura no Rio Negro Essa demanda se relaciona ao reconhecimento do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro como patrimônio cultural do Brasil pelo instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ocorrido em 2018. Uma consequência direta do registro é a criação de políticas públicas através de planos de salvaguarda desses patrimônios nacionais, e também o incremento das discussões patrimoniais junto às comunidades locais. O projeto tem a duração de três anos (2025-2028) e é liderado pelo Museu Goeldi, agregando mais de oitenta pesquisadores, estudantes e bolsistas indígenas e não indígenas de diversas instituições amazônicas. O financiamento é da Iniciativa Amazônia+10, que une agências públicas de fomento à pesquisa,