Domingo de Páscoa em Ouro Preto: O Triunfo da Luz sobre as sombras

Ouro Preto desperta neste domingo, 05 de abril, sob um novo manto. O silêncio e o luto da Sexta-feira da Paixão dão lugar ao júbilo da Ressurreição. As ladeiras, antes percorridas por procissões penitenciais, agora ostentam quilômetros de tapetes devocionais feitos de serragem colorida e flores, preparando o caminho para a passagem do Cristo Vivo. A festividade começa cedo, às 07h, com a Santa Missa na Basílica do Pilar, seguida pela jubilosa Procissão da Ressurreição. O cortejo conduz o Santíssimo Sacramento até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, acompanhado por anjinhos, irmandades e ordens terceiras. O som das matracas é substituído pelas marchas festivas da Sociedade Musical Senhor Bom Jesus de Matosinhos, simbolizando a vitória definitiva da vida sobre a morte . O fato principal deste dia é a figura de Nossa Senhora do Triunfo. Diferente da Virgem Dolorosa que acompanhou o enterro do filho, a Mãe resplandece agora em cores claras, participando plenamente da vitória de Cristo. Para a comunidade católica de Ouro Preto, Maria é o sinal seguro de esperança, a luz que dissipa as trevas e conduz os fiéis à certeza de que a fé sempre vence . O encerramento oficial da Semana Santa 2026 ocorre à noite, com uma solenidade de rara beleza. Às 19h, na Basílica do Pilar, será celebrada a Missa Solene Cantada, com a participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e da Orquestra Pe. Simões. O ponto alto será a Coroação de Nossa Senhora do Triunfo, seguida pelo Solene Canto do Te Deum — um hino de louvor e ação de graças que remonta aos primeiros séculos do cristianismo e que, em Ouro Preto, ganha a grandiosidade das composições coloniais .
As raízes da história da Páscoa: De onde vieram as crenças cristãs sobre a ressurreição de Jesus?

Um mosaico da Ressurreição na Basílica de São Paulo em Harissa, Líbano. FredSeiller/Wikimedia Commons Aaron Gale, West Virginia University Com a aproximação da Páscoa, os cristãos de todo o mundo começam a se concentrar em dois dos princípios centrais de sua fé: a morte e a ressurreição de Jesus de Nazaré. Outros mestres judeus carismáticos ou operadores de milagres estavam ativos na Judeia na mesma época, aproximadamente há 2.000 anos atrás. O que diferenciava Jesus era a crença de seus seguidores em sua ressurreição. Para os crentes, isso não era apenas um milagre, mas um sinal de que Jesus era o tão esperado messias judeu, enviado para salvar o povo de Israel de seus opressores. Mas será que a ideia de uma ressurreição em si era uma crença única na Israel do primeiro século? Sou um estudioso do judaísmo antigo e sua conexão com o movimento cristão primitivo. O conceito cristão de Jesus ressuscitando dos mortos ajudou a moldar muitos dos principais ensinamentos da fé e, por fim, a separação da nova religião do judaísmo. No entanto, os ensinamentos religiosos sobre a ressurreição remontam a muitos séculos antes de Jesus ter vivido na Terra. Há histórias que provavelmente são anteriores às crenças judaicas primitivas em muitos séculos, como a história egípcia do deus Osíris sendo ressuscitado por sua esposa, Ísis. Entretanto, o mais relevante para o cristianismo são as próprias ideias do judaísmo sobre a ressurreição. ‘Seus mortos viverão’ Uma das primeiras referências judaicas escritas à ressurreição na Bíblia é encontrada no Livro de Isaías, que discute uma era futura, talvez uma época de julgamento final, na qual os mortos ressuscitariam e estariam sujeitos à justiça final de Deus. “Seus mortos viverão; seus cadáveres se levantarão”, profetiza Isaías. “Os que habitam no pó despertarão e gritarão de alegria”. O Grande Pergaminho de Isaías: o mais bem preservado dos pergaminhos bíblicos encontrados em Qumran, perto do Mar Morto, que provavelmente foi escrito por volta do século II a.C. Ardon Bar Hama/The Israel Museum, Jerusalem/Wikimedia Commons Textos bíblicos judaicos posteriores, como o Livro de Daniel, também faziam referência à ressurreição. Havia várias seitas judaicas concorrentes na época em que Jesus viveu. A mais proeminente e influente, os fariseus, integrou ainda mais o conceito de ressurreição ao pensamento judaico. De acordo com o historiador Josefo, do primeiro século, os fariseus acreditavam que a alma era imortal e poderia ser reunida a um corpo ressuscitado – ideias que provavelmente teriam tornado a ideia de Jesus ressuscitando dos mortos mais aceitável para os judeus de sua época. Em poucos séculos, os rabinos começaram a fundir as referências bíblicas anteriores à ressurreição corporal com as ideias posteriores dos fariseus. Em particular, os rabinos começaram a discutir o conceito de ressurreição corporal e sua conexão com a era messiânica. O Cemitério Judaico no Monte das Oliveiras, em Jerusalém. Os túmulos estão voltados para o Monte do Templo, onde alguns acreditam que a ressurreição dos mortos culminará. xiquinhosilva/Wikimedia Commons, CC BY Os judeus acreditavam que o Messias legítimo seria um descendente do rei bíblico Davi que venceria seus inimigos e restauraria Israel à sua glória anterior. Nos séculos seguintes à morte de Jesus, os rabinos ensinaram que as almas dos mortos seriam ressuscitadas depois que o Messias aparecesse na Terra. Por volta do ano 500 d.C., os rabinos desenvolveram ainda mais o conceito. O Talmud, a mais importante coleção de escritos autorizados sobre a lei judaica, além da própria Bíblia, observa que aquele que não acredita na ressurreição não tem participação no “Olam Haba”, o “Mundo Vindouro”. O “Olam Haba” é o reino no qual esses sábios acreditavam que a alma de uma pessoa acaba habitando após a morte. É interessante notar que o conceito de inferno em si nunca foi incorporado ao pensamento judaico convencional. Mesmo agora, o conceito de Deus dando vida aos mortos é afirmado todos os dias no Amidah, uma oração judaica recitada como parte dos serviços diários da manhã, da tarde e da noite. Velhas ideias, novas crenças O fato de os primeiros seguidores de Jesus serem judeus provavelmente contribuiu para que o conceito de ressurreição se tornasse arraigado no pensamento cristão. No entanto, a compreensão cristã da ressurreição foi levada a um nível sem precedentes nas décadas seguintes à morte de Jesus. De acordo com o Evangelho de Mateus, Jesus, um judeu da Galileia, entrou em Jerusalém nos dias anteriores à Páscoa. Ele foi acusado de sedição contra as autoridades romanas – e provavelmente de outras acusações, como blasfêmia – em grande parte porque estava causando um distúrbio entre os judeus que se preparavam para celebrar o feriado. Naquela época, a Páscoa era uma festa de peregrinação na qual dezenas de milhares de judeus viajavam para Jerusalém. Depois de ser traído por um de seus seguidores, Judas, Jesus foi preso, levado às pressas a julgamento e condenado à crucificação. As autoridades romanas desejavam manter a pax Romana, ou paz Romana. Elas temiam que a agitação em meio a um grande festival pudesse levar a uma rebelião, especialmente devido à acusação de que pelo menos alguns dos seguidores de Jesus acreditavam que ele era o “Rei dos Judeus”, como foi registrado mais tarde nos Evangelhos de Mateus e Marcos. Os crucifixos geralmente exibem a abreviação latina ‘INRI’, abreviação de ‘Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus’. Esta estátua na Abadia de Ellwangen, na Alemanha, mostra a abreviação em três idiomas. Andreas Praefcke/Wikimedia Commons, CC BY-SA De acordo com os Evangelhos, Jesus foi levado à morte no que hoje é a Sexta-Feira Santa e ressuscitou no terceiro dia – que hoje é celebrado como Domingo de Páscoa. Os primeiros seguidores de Jesus acreditavam não apenas que ele havia ressuscitado, mas que era o tão esperado messias judeu, que havia cumprido profecias judaicas anteriores. Por fim, eles também adotaram a ideia de que ele era o divino Filho de Deus, embora os estudiosos ainda debatam exatamente como e quando isso ocorreu. Além disso, a natureza da ressurreição de Jesus continua sendo uma fonte de debate
Sexta-feira da Paixão em Ouro Preto: O drama barroco que silencia as ladeiras

Foto: Ane Souz Ouro Preto amanhece em silêncio nesta Sexta-feira da Paixão, mas é um silêncio preenchido pela memória e pela música. O dia, que é o coração do Tríduo Pascal, é marcado por ritos que transformam a cidade em um imenso cenário de luto e devoção, onde a arte barroca e a liturgia se fundem para narrar o sacrifício de Cristo. A jornada penitencial começa cedo, às 06h, com a caminhada que parte da Capela de São Cristóvão em direção à Capela do Senhor do Bom Fim e Agonia. É o prelúdio de um dia de intenso simbolismo. Às 09h, na Basílica do Pilar, ocorre o Sermão das Sete Palavras, um dos momentos mais aguardados. As últimas frases de Jesus na cruz são intercaladas por composições dolentes executadas pelo Coral Francisco Gomes da Rocha e pela Orquestra Pe. Simões, mantendo viva a tradição das orquestras coloniais que definem a sonoridade mineira . O fato principal da tarde é a Solene Ação Litúrgica, às 15h, horário que a tradição cristã marca como a morte de Jesus. Na Basílica do Pilar, o rito inclui a veneração da Santa Cruz e o Canto dos Impropérios, executado pelo Coral Sant’Ana. Os Impropérios são lamentos em que Cristo questiona a ingratidão do povo, um momento de profunda introspecção litúrgica . Celebrações semelhantes ocorrem simultaneamente na Igreja de São Francisco de Paula e na Capela de São Sebastião, espalhando o clima de oração por diferentes bairros. O ápice do drama ocorre ao cair da noite. Às 20h, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o Sermão do Descendimento da Cruz reúne milhares de fiéis. Após a apresentação do figurado bíblico, a imagem do Senhor Morto é retirada da cruz em um rito de forte carga teatral e emocional. Em seguida, inicia-se a Procissão do Enterro, que conduz as imagens do Senhor Morto e da Virgem Dolorosa até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição .
Semana Santa em Ouro Preto: A Profunda Herança Portuguesa que Molda a Tradição

Foto: Ane Souz A Semana Santa em Ouro Preto é um espetáculo de fé e tradição que anualmente atrai milhares de visitantes, mas poucos compreendem a profundidade da sua conexão com Portugal. Longe de ser uma mera reprodução, a celebração ouro-pretana é uma complexa adaptação da pompa barroca lusa, que se enraizou e floresceu nas Minas Gerais do século XVIII, moldando ritos, estética e a própria identidade cultural da cidade. O fato principal que permeia as celebrações é a herança direta dos ritos e da organização eclesiástica portuguesa. As procissões, os sermões e a teatralidade da Paixão de Cristo, que transformam as ruas históricas em um palco sagrado, são ecos de práticas introduzidas pelos colonizadores. A professora Adalgisa Arantes Campos, especialista em Barroco e irmandades, destaca que a “Semana Santa na América Portuguesa” foi estruturada pelas Ordens Terceiras e Irmandades do Santíssimo Sacramento, instituições que vieram de Portugal e se tornaram o pilar da vida social e religiosa colonial . Essas irmandades não apenas organizavam os eventos, mas também financiavam a construção e ornamentação das igrejas, essenciais para a grandiosidade das celebrações. O desdobramento dessa influência é visível em diversos aspectos. A estética barroca, com sua ênfase no “maravilhamento” e na emoção, é uma marca indelével. Suzel Ana Reily, pesquisadora da música e da cultura barroca, explica que a teatralidade das procissões, como o “Sermão do Descendimento da Cruz” e o “Sermão do Encontro”, visava persuadir os fiéis através da mobilização dos sentidos, uma pedagogia visual que remonta ao Concílio de Trento e foi amplamente aplicada em Portugal e suas colônias . As imagens de “roca”, que permitem a troca de vestes e o movimento durante as procissões, são exemplos dessa herança, permitindo uma representação mais vívida e participativa da Paixão. Outro elemento marcante são os tapetes devocionais, que cobrem as ruas de Ouro Preto com serragem colorida e flores. Essa tradição, que hoje é um dos pontos altos da Semana Santa, tem sua origem em Portugal, especificamente nas ilhas dos Açores e Madeira, e foi introduzida em Ouro Preto por volta de 1733, durante as festividades do “Triunfo Eucarístico” . A música também desempenha um papel crucial, com orquestras e coros executando peças em latim e composições coloniais, como as de Lobo de Mesquita, mantendo viva a sonoridade do século XVIII e a conexão com a tradição musical sacra portuguesa. Recentemente, o antropólogo Edilson Pereira publicou a obra “A Paixão pela Memória: Imagem, ritual e teatro em Ouro Preto” (2024/2025), um estudo etnográfico que reforça a complexidade e a vivacidade dessa herança. O lançamento do livro, inclusive em Portugal, sublinha a relevância transatlântica dessas tradições e a contínua pesquisa sobre suas raízes . A Semana Santa de Ouro Preto, portanto, não é apenas uma festa religiosa, mas um patrimônio vivo que reflete a capacidade de uma comunidade de preservar e reinterpretar uma herança cultural rica e multifacetada, mantendo um diálogo constante com suas origens portuguesas.
Quinta-feira Santa em Ouro Preto: O rito que não termina e o silêncio que ocupa as Igrejas

Foto: Ane Souz Quem participa da Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Pilar ou na Matriz da Conceição, em Ouro Preto, pode estranhar o encerramento. Diferente de todas as outras celebrações do ano, não há o “Ide em paz” nem a bênção final do sacerdote. O povo se retira em silêncio, enquanto as igrejas, antes adornadas, são despidas de suas toalhas e ornamentos. Esse gesto litúrgico, conhecido como a Desnudação dos Altares, marca o início do período mais sagrado do calendário cristão: o Tríduo Pascal. O fato principal desta celebração é a continuidade do rito. A ausência da bênção final sinaliza que a missa da Quinta-feira Santa, a celebração da Paixão na Sexta-feira e a Vigília Pascal no Sábado são, na verdade, uma única e longa liturgia que se estende por três dias . Em Ouro Preto, essa transição é vivida com uma intensidade que remonta ao século XVIII, onde o som dos sinos é substituído pelo lamento das matracas, instrumentos de madeira que produzem um som seco e fúnebre. O desdobramento desse rito ocorre logo após a comunhão, com a Trasladação do Santíssimo Sacramento. O pão consagrado é levado em procissão interna para um altar lateral, simbolizando a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. É nesse momento que as igrejas barrocas de Ouro Preto revelam sua face mais austera. Os altares são despojados de tudo o que os embeleza, um gesto que a liturgia chama de “jejum dos olhos”, convidando o fiel a focar exclusivamente no sacrifício de Cristo . Nas ladeiras da cidade, o silêncio das naves encontra o fogo das tochas. A Procissão do Fogaréu, retomada recentemente após décadas de interrupção, encena a prisão de Jesus. À luz de archotes e ao som de tambores, o rito medieval percorre as ruas de pedra, reforçando a atmosfera de vigília que toma conta da antiga Vila Rica . Para os moradores e visitantes, a Quinta-feira Santa não termina com o fim da missa, mas se transforma em uma noite de guarda e oração. A segurança jurídica e o rigor histórico desta cobertura baseiam-se nas orientações litúrgicas da Igreja Católica e na tradição oral e documental das paróquias locais. Como destaca o Guia Editorial do Vintém, é essencial registrar que, embora a festa seja pública, o recolhimento é a tônica do momento. A ausência da bênção é, portanto, o convite final para que o fiel permaneça em estado de celebração até a alegria da ressurreição no domingo. Programação desta quinta-feira santa 17h – Santa Missa Solene Cantada “In Coena Domini” (da Ceia do Senhor) na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, com participação do Coral Cristo Rei.Transladação do Santíssimo Sacramento para a Capela do Senhor do Bom Fim, onde permanecerá em adoração até as 24h, e desnudação dos altares da Basílica.No mesmo horário, haverá Santa Missa na Igreja de São Francisco de Paula, com participação do Coral Pequenos Cantores de Sant’Ana, e na Capela de São Sebastião. 20h30 – Em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, piedoso sermão do Mandatum, seguido da comovente recordação do ato em que Jesus lava os pés dos seus discípulos. Participação do Coral Francisco Gomes da Rocha e Orquestra Pe. Simões. Na noite de Quinta-feira Santa, ou das Endoenças, como era chamada, segundo relatos históricos, acontecia uma procissão que saía da Capela de Sant’Ana, na Santa Casa de Misericórdia para a Matriz do Pilar, onde tomavam consigo a imagem do Cristo e conduziam-na até a Matriz de Antônio Dias. Essa procissão, que era chamada de fogaréu em razão das tochas que os irmãos levavam acesas, revive a cena da prisão do Senhor, no Horto das Oliveiras, depois de haver ceado com seus apóstolos e sua condução ao julgamento. 23h – Concentração no adro da Igreja de São Francisco de Assis, de onde os fiéis sairão em cortejo processional pelas ruas do Centro Histórico, onde tomarão a imagem do Senhor Aprisionado, e continuarão em procissão, ao som das matracas, até o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição.
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Páscoa: Comer chocolate pode mesmo fazer bem para você. Veja o que dizem os estudos

Dan Baumgardt, University of Bristol Embora eu sempre faça uma careta ao ver os ovos de Páscoa aparecerem pela primeira vez nos supermercados ainda no final de dezembro, são poucas as pessoas que não ficam felizes em ganhar um pouco de chocolate todos os anos. Faz sentido que o excesso de chocolate seja ruim para você devido ao alto teor de gordura e açúcar na maioria dos produtos. Mas o que devemos pensar das alegações comuns de que comer um pouco de chocolate é realmente bom para a saúde? Felizmente, há uma quantidade razoável de evidências que mostram que, nas circunstâncias certas, o chocolate pode ser benéfico para o coração e bom para o estado mental. De fato, o chocolate ou, mais especificamente, o cacau, a semente crua e não refinada, é uma maravilha medicinal. Ele contém muitos compostos ativos diferentes que podem provocar efeitos farmacológicos no corpo, como medicamentos ou drogas. Os compostos que levam a efeitos neurológicos no cérebro precisam ser capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, o escudo protetor que impede que substâncias nocivas, como toxinas e bactérias, entrem no delicado tecido nervoso. Uma delas é a substância teobromina, que também é encontrada no chá e contribui para seu sabor amargo. O chá e o chocolate também contêm cafeína, à qual a teobromina está relacionada como parte da família de substâncias químicas conhecida como “purinas”. Essas substâncias químicas, entre outras, contribuem para o caráter viciante do chocolate. Elas têm a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, onde podem influenciar o sistema nervoso. Portanto, são conhecidas como substâncias químicas psicoativas. Que efeitos o chocolate pode ter sobre o humor? Bem, uma revisão sistemática analisou um conjunto de estudos que investigou as sensações e emoções associadas ao consumo de chocolate. A maioria demonstrou melhorias no humor, na ansiedade, na energia e nos estados de excitação. Alguns estudos também observaram um sentimento de culpa neste consumo, que talvez seja algo que todos nós já sentimos depois de comer muitos produtos lácteos. Benefícios do cacau para a saúde Mas há outros órgãos, além do cérebro, que podem se beneficiar dos efeitos medicinais do cacau. Durante séculos, o chocolate foi usado como medicamento para tratar uma longa lista de doenças, incluindo anemia, tuberculose, gota e até mesmo baixa libido. Essas alegações podem ser espúrias, mas há evidências que sugerem que o consumo de cacau tem um efeito positivo sobre o sistema cardiovascular. Primeiro, ele pode prevenir a disfunção endotelial. Esse é o processo pelo qual as artérias endurecem e ficam carregadas de placas de gordura, o que, por sua vez, pode levar a ataques cardíacos e derrames. O consumo de chocolate amargo também pode reduzir a pressão arterial, que é outro fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas, e evitar a formação de coágulos que obstruem os vasos sanguíneos. Alguns estudos sugeriram que o chocolate amargo pode ser útil no ajuste das taxas de colesterol de lipoproteína de alta densidade no sangue, o que também pode ajudar a proteger o coração. Outros analisaram ainda a resistência à insulina, o fenômeno associado ao diabetes tipo 2 e ao ganho de peso. Eles sugerem que os polifenóis – compostos químicos presentes em plantas e encontrados em alimentos como o chocolate – também podem levar a um melhor controle dos níveis de açúcar no sangue. Toxicidade do chocolate Mas por mais que o chocolate possa ser considerado um remédio para alguns, ele pode ser um veneno para outros, e não só os seres humanos. Está bem documentado que a ingestão de cafeína e teobromina é altamente tóxica para animais domésticos. Os cães são particularmente afetados por causa de seu apetite voraz e de sua natureza geralmente pouco exigente. O culpado geralmente é o chocolate amargo, que pode provocar sintomas de agitação, rigidez muscular e até convulsões. Em certos casos, se ingerido em quantidades suficientemente altas, pode levar ao coma e a ritmos cardíacos anormais e até mesmo fatais. Alguns dos compostos encontrados no chocolate também têm efeitos potencialmente negativos em seres humanos. O chocolate é uma fonte de oxalato que, junto ao cálcio, é um dos principais componentes das pedras nos rins. Algumas sociedades médicas também desaconselham o consumo de alimentos ricos em oxalato, como espinafre e ruibarbo, e chocolate, para pessoas que sofrem de cálculos renais recorrentes. Então, o que tudo isso significa para nossos hábitos de consumo de chocolate? A ciência aponta na direção de um chocolate que tenha o maior teor possível de sólidos de cacau e o mínimo de ingredientes extras. Os efeitos potencialmente prejudiciais do chocolate estão mais relacionados à gordura e ao açúcar adicionados e podem neutralizar os possíveis benefícios. Uma dose diária de 20 g a 30 g de chocolate puro ou amargo com sólidos de cacau acima de 70%, em vez de chocolate ao leite, que contém menos sólidos, e chocolate branco, que não contém nenhum, pode trazer mais benefícios para a saúde, além de ser mais gostoso. Mas seja qual for o chocolate que você escolher comer, não o compartilhe com seu cachorro. Dan Baumgardt, Senior Lecturer, School of Physiology, Pharmacology and Neuroscience, University of Bristol This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.
Domingo de Ramos abre a Semana Santa de Ouro Preto com procissão pelo centro histórico

Cortejo partiu da Igreja do Carmo com coral e banda e chegou à Basílica do Pilar às 8h30
Secult-MG suspende exposição na FAOP em Ouro Preto dois dias antes da abertura

Mostra “Habeas Corpus”, sobre ditadura militar, estava montada e tinha classificação indicativa