Vandalismo compromete sistema automatizado de iluminação na Bauxita

Um ato de vandalismo registrado no dia 27 de dezembro comprometeu o funcionamento do sistema automatizado de iluminação do campinho Society do Pro, na Praça José Marçal, no bairro Bauxita, em Ouro Preto. O painel elétrico e eletrônico responsável pelo controle dos refletores foi danificado. Segundo apuração técnica informada pela Prefeitura, os responsáveis forçaram o painel de controle, danificaram o sensor e acessaram o equipamento internamente. Com isso, o sistema automático foi desativado e substituído por uma ligação direta — o que passou a permitir que as luzes sejam ligadas e desligadas manualmente. O sistema automatizado havia sido implantado para garantir o desligamento das luzes às 23h, atendendo a uma demanda de moradores do entorno. A medida tinha como objetivo preservar o sossego noturno, reduzindo jogos, aglomerações e o impacto da iluminação intensa durante a madrugada. O local conta com câmeras de monitoramento. De acordo com a Prefeitura, as imagens já estão sendo analisadas pela inteligência da Guarda Municipal, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar, para identificar os responsáveis pelo dano ao patrimônio público. A Prefeitura ressalta que o vandalismo contra bem pertencente ao Município é tipificado como crime. O artigo 163 do Código Penal prevê pena de reclusão de seis meses a três anos, além de multa, quando o dano é qualificado por atingir patrimônio público. Após a constatação do dano, o painel foi vedado provisoriamente com cadeado para impedir novos acessos. A ordem de serviço para o reparo será emitida e os trabalhos deverão ser executados pela Prefeitura de Ouro Preto.

Mega da Virada: o que é mito e o que é fato no sorteio mais esperado do fim de ano

Com prêmio estimado em R$ 850 milhões, a Mega da Virada volta a movimentar apostadores e a exigir atenção para boatos que circulam nesta época. O fim do ano chega e, junto dele, a expectativa em torno da Mega da Virada. Em todas as regiões do país, brasileiros aproveitam os últimos dias de dezembro para registrar palpites no concurso que promete transformar a vida de quem acertar os números sorteados. Neste ano, o prêmio estimado é de R$ 850 milhões — valor que pode superar R$ 1 bilhão, segundo a Caixa Econômica Federal. Prêmio recorde e informação confiável As apostas começaram no dia 1º de dezembro e já movimentam lotéricas e plataformas digitais das Loterias CAIXA. Com o valor acumulado, o concurso se aproxima de um dos maiores prêmios da história.Mas, junto do entusiasmo, multiplicam-se boatos sobre o funcionamento do sorteio — alguns deles antigos, outros renovados a cada edição. Para evitar desinformação, a CAIXA divulgou esclarecimentos sobre os rumores mais comuns. As bolinhas têm pesos diferentes? Segundo a instituição, essa é uma das fake news mais recorrentes. Todas as bolinhas utilizadas nos sorteios são feitas de borracha maciça, com peso idêntico de 66 gramas e diâmetro de 50 milímetros.Elas passam por análises técnicas periódicas realizadas por um instituto de metrologia, garantindo que cada número tenha a mesma probabilidade de ser sorteado. Os ganhadores sempre saem das mesmas regiões? Outro mito frequente é o de que os prêmios teriam “destino certo”. A CAIXA reforça que os resultados são determinados exclusivamente pela aleatoriedade.Regiões com mais ganhadores costumam ser aquelas com maior volume de apostas — não por favorecimento, mas por probabilidade simples. Ainda assim, qualquer combinação pode vencer, independentemente do local em que foi registrada. Como acompanhar o sorteio O sorteio da Mega da Virada acontece no dia 31 de dezembro, às 20h, com transmissão ao vivo pela TV, pelo YouTube da CAIXA e pela página das Loterias CAIXA no Facebook.As apostas podem ser feitas até 18h do dia 31, presencialmente ou pelos canais digitais, como Internet Banking e aplicativo Loterias CAIXA. A aposta simples custa R$ 5,00.

A força feminina das favelas: projeto destaca resistência e transformação das mulheres periféricas

Nilza Rogéria de Andrade Nunes, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Alessandra Cruz, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Norma Maria de Souza nasceu em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. Um lugar que não tinha luz e nem ruas pavimentadas. As enchentes eram frequentes e graves. A infância foi marcada por muitas brincadeiras na rua com os amigos, mas também pela pobreza e vulnerabilidade. Aos três anos, perdeu a mãe. Seu pai casou novamente, mas morreu quando ela tinha cerca de 15 anos. A família também foi impactada pela morte prematura de um dos irmãos por bala perdida. As tragédias não acabaram por aí, mas se perpetuaram. Norma teve 3 filhos. Kevin, o terceiro, sofreu sequelas de um parto marcado por várias violações que levaram a uma paralisia cerebral muito severa. Ela sofreu ainda do descaso e da falta de acolhimento. Mas o pior ainda estava por vir… O companheiro não aceitava um filho com deficiência neurológica e se tornou um agressor. Agressões físicas e psicológicas. Norma se separou do marido e foi para a luta. Nessa trajetória, acabou encontrando outras mulheres vivenciando situações semelhantes. Esperança vence desafios Em 2003, essas mulheres se uniram e criaram o grupo Marias – uma rede de mães para defender direito, saúde e dignidade para suas crianças com deficiência. O projeto Marias atende, hoje, cerca de 350 mães de crianças com deficiência. Na união encontram apoio e se ajudam. Nesse processo, muitas mães se formaram. São pedagogas, psicólogas, professora de educação física e enfermeiras. Norma é pedagoga e já concluiu 10 pós-graduações entre saúde e educação, fez mestrado e está terminando o doutorado. Mulher de favela O relato acima faz parte de um projeto do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio, liderado por mim. A ideia foi contar as trajetórias de lideranças femininas que transformam positivamente realidades e contextos favelizados e periféricos. Com esses relatos potentes resolvemos criar o audiolivro “Mulher de Favela”. Nossa proposta é ampliar a visibilidade dessas narrativas, com as histórias sendo contadas na voz das próprias mulheres. A iniciativa, já reúne 30 capítulos com diferentes histórias de vida e luta, cada um dedicado a uma liderança comunitária. Em nossa opinião, ajudam a registrar a atuação de um feminismo negro e periférico, combinando memória, denúncia social e valorização de saberes locais. A opção pelo formato em áudio vem do desejo de abrir espaços para que essas mulheres narrem suas próprias histórias. A distribuição em diferentes plataformas digitais tem o objetivo de permitir a ampla difusão e acesso ao público, contribuindo para o reconhecimento e fortalecimento das vivências de mulheres que atuam como agentes de mudança em seus territórios. Aos 92 anos, Dona Zica e a luta da mulher periférica Entre as 30 mulheres, destaco depoimentos de Dona Zica, que ajudou a fundar o Sindicato das Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro e, hoje, mesmo com 92 anos, ainda participa da luta a favor dos direitos de mulheres periféricas. Outro exemplo é a jovem Lua Oliveira, que começou a atuar pela comunidade da Ladeira dos Tabajaras aos 12 anos, quando fundou a biblioteca comunitária Mundo da Lua, dentro de sua própria casa. Atualmente, com 17 anos, ela já ajudou na criação de mais de 120 salas de leitura em favelas e periferias do Rio de Janeiro, e em outros cinco estados brasileiros. Além das histórias de vida das lideranças femininas, o audiolivro “Mulher de Favela” aborda temas diversos, como a violência contra a mulher, acesso à saúde, educação e memória dos territórios. Injustiças sociais No Brasil, as mulheres negras estão na intersecção de múltiplas desigualdades e seus direitos são atacados repetidamente. Nesse sentido, relacionar a atuação dessas lideranças femininas das favelas e periferias e suas experiências frente aos determinantes sociais da saúde é um princípio orientador de nosso projeto de pesquisa. A ideia foi discutir a relação entre saúde e as experiências dessas mulheres nesses territórios urbanos permeados por injustiças sociais e, acreditamos, que isso tem contribuído em nossas pesquisas e intervenções para aprofundar propostas de estratégias e caminhos possíveis para atuar nas dimensões da saúde, conectando-a ao social, cultural e politicamente. A médio e longo prazos, poderemos avançar na implementação atividades de apoios e programas específicos para mulheres reorientarem também atividades geradoras de renda. Os vários tipos de feminismos Nosso projeto se baseou em uma pesquisa-ação participativa. E nos ofereceu uma maneira de ver como se reproduzem as opressões dentro das favelas. No início, nos interessava verificar a participação dessas mulheres nas ações micropolíticas de mobilização e mediação com o poder público. Vale destacar que essas mulheres subvertem a ordem e desenvolvem um modo particular de uma consciência feminista feminina, considerando o que algumas chamam de “feminismo popular”. Esse feminismo difere do feminismo “convencional” de duas maneiras: é frequentemente construído e expresso em lutas que não são feministas a priori e frequentemente desafia os valores políticos do feminismo. Inquieta-nos se tais atuações se refletem sobre o campo feminista que se pode compreender como “feminismo em movimento” ou mesmo o chamado “popular feminismo”. Estávamos atentas às novas representações sobre as favelas que se materializam nas falas, sobretudo, quando os sujeitos que falam são considerados (e se consideram) pessoas de referência. E a ideia foi examinar as tensões, representações e práticas das mulheres nesses contextos de exercício e consolidação do poder no âmbito local. Verificamos que elas utilizam de múltiplas formas de combater as opressões. Acreditamos que correlacionar a interseccionalidade ao mesmo tempo a um “projeto de conhecimento” foi e é uma arma política. Para nós é fundamental pensar conjuntamente as dominações. Acreditamos que isso possa contribuir para a não reprodução, impulsionando sentidos e ecoando vozes. Do Rio para o país Com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, nosso estudo mostrou que as condições sociais e a precariedade e/ou insuficiência na oferta de serviços públicos correlacionados aos níveis de pobreza acentuam a importância dessas mulheres. Elas percorrem longos caminhos para a reversão das vulnerabilidades

O papel estratégico da nova vacina Butantan-DV, primeira do mundo em dose única contra a dengue

André Ricardo Ribas Freitas, Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic Aprovada no último dia 26 de novembro pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos, a vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante contra dengue em dose única do mundo. A notícia é muito auspiciosa, uma vez que a dengue permanece como a arbovirose mais frequente no planeta, e uma das que mais pressionam o sistema de saúde brasileiro. O Brasil já convive com ciclos intensos de dengue há décadas. Eles são agravados pela circulação alternada e simultânea dos quatro sorotipos do vírus causador dessa febre (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Essa alternância cria condições para a ocorrência de epidemias maiores, com picos intensos e risco elevado de formas graves em razão da maior prevalência de segundas infecções. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até novembro de 2025, foram contabilizados 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. São Paulo é o estado mais afetado tanto em número total como proporcionalmente ao tamanho da população. No Brasil, os óbitos já somam 1,6 mil em 2025, e registram uma redução de 72% em comparação com 2024. Esse comportamento viral, associado à forte presença do mosquito Aedes aegypti — o principal vetor da doença — nas áreas urbanas, ajuda a entender por que a dengue segue como um problema estrutural para o país. Nesse contexto, o anúncio recente da aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova vacina contra a dengue desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan representa um avanço concreto. A Butantan-DV utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado, já amplamente validada em imunizantes contra outros patógenos, como sarampo, caxumba e rubéola, febre amarela e rotavírus. Os vírus atenuados usados em vacinas passam por processos laboratoriais que os impedem de causar doenças. Porém, em contato com o organismo, conseguem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos e ativar células de defesa. Esse reconhecimento prévio permite uma resposta rápida caso a pessoa seja exposta a estes ao vírus, reduzindo de forma significativa o risco de infecção e de quadros graves. Quanto ao perfil de segurança, os efeitos adversos mais comuns da Butantan-DV foram leves a moderados — como cefaleia, fadiga e exantema (manchas vermelhas na pele). Eventos graves foram raros e consistentes com o que já se conhece do uso de vacinas de vírus vivo atenuado. Diante desses resultados, a Anvisa concluiu que o risco-benefício é favorável, considerando a elevada carga da dengue no país. A agência reguladora prevê ainda o acompanhamento contínuo da segurança e eficácia ao longo dos próximos anos, como ocorre com qualquer imunizante novo introduzido em larga escala. Décadas de pesquisa A Butantan-DV é resultado de pesquisas iniciadas em 2009, quando o país ultrapassou 1 milhão de casos prováveis da doença. A partir de uma colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que cederam as quatro cepas atenuadas do vírus, o Instituto Butantan desenvolveu sua própria formulação após centenas de experimentos. Os ensaios clínicos avançaram da fase 1, conduzida pelo NIH com 113 voluntários e imunogenicidade inicial de 90%, para a fase 2 brasileira, que reuniu 300 adultos e confirmou segurança e resposta imune robustas em apenas uma dose. O passo decisivo ocorreu a partir de 2016, com a fase 3. Foi um dos maiores estudos clínicos já feitos no país, envolvendo 16 mil voluntários de 2 a 59 anos em 16 centros de pesquisa. Após cinco anos de acompanhamento, os resultados mostraram eficácia geral de 74,7% em adolescentes e adultos e proteção de 91,6% contra formas graves. Ao menos três características explicam por que este imunizante representa um avanço importante. Enquanto a vacina atualmente disponível, a QDENGA (Takeda), é dada em duas doses, a Butantan-DV deve ser aplicada em dose única, o que torna a estratégia de vacinação mais simples, com maior potencial de cobertura. A dose única simplifica campanhas, melhora a adesão e permite respostas rápidas em momentos de surto ou em localidades com acesso irregular a serviços de saúde. Além disso, a Butantan-DV apresentou maior eficácia para casos sintomáticos e graves. Nos estudos, a vacina demonstrou boa capacidade de prevenir dengue sintomática — incluindo quadros graves que exigem hospitalização, reduzindo a pressão sobre unidades de emergência. A Butantan-DV também é segura para pessoas que não tiveram exposição anterior ao vírus da dengue. Ao não exigir infecção prévia, o imunizante supera a restrição apresentada pela vacina Dengvaxia (em três doses, da Sanofi-Pasteur), que era indicada somente a quem já havia sido infectado por dengue antes, e reposiciona a vacinação como medida populacional, não apenas individual. Outro ponto relevante é a produção nacional do imunizante: a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan para ampliar a produção busca garantir a fabricação em larga escala, fortalecendo a autonomia sanitária do país e reduzindo dependência de importações em momentos críticos. É importante ter clareza de que a vacinação não interromperá a transmissão sozinha. As arboviroses são transmitidas por vetores e influenciadas por fatores ambientais — densidade de mosquitos, chuva, temperatura e condições urbanas. Mesmo uma alta cobertura vacinal não eliminaria totalmente a circulação viral. A indicação para a faixa etária de 12 a 59 anos também limita o impacto populacional máximo. Mas isso não diminui sua importância: o objetivo central é reduzir casos, internações e mortes, o que é um ganho direto para a saúde pública. A disseminação das arboviroses As arboviroses não se limitam à dengue. Elas são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por insetos hematófagos (se alimntam de sangue). Entre os vetores mais relevantes estão o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, transmissores de dengue, chikungunya e Zika; o Culicoides paraenses (conhecido como maruim ou mosquito porva) e o Culex quinquefasciatus (pernilongo comum), envolvidos na transmissão do vírus Oropouche. O pernilongo comum também pode transmitir o vírus West Nile. Nos últimos anos, vários desses vírus passaram a ocorrer em novas regiões do Brasil e das Américas, deixando de se concentrar apenas nos territórios historicamente afetados. O vírus Oropouche, antes restrito à Amazônia, hoje provoca surtos

Cientistas mapeiam onde o derretimento do gelo na Antártica vai mais elevar o nível do mar

Aumento do nível do mar altera as linhas costeiras, colocando casas e populações em risco: muitos lugares experimentam uma elevação superior à média global, enquanto lugares próximos à camada de gelo podem até ver o nível do mar baixar, e a principal razão tem a ver com a gravidade. Aerial Views/E+/Getty Images Shaina Sadai, Five College Consortium e Ambarish Karmalkar, University of Rhode Island Quando as calotas de gelo polar derretem, os efeitos se espalham por todo o mundo. O derretimento do gelo eleva o nível médio global do mar, altera correntes oceânicas e afeta as temperaturas em locais distantes dos polos. Mas este derretimento não afeta o nível do mar e as temperaturas da mesma forma em todos os lugares. Em um novo estudo, nossa equipe de cientistas investigou como o derretimento do gelo na Antártica afeta o clima global e o nível do mar. Combinamos modelos computacionais da camada de gelo da Antártica, das áreas terrestres e do clima global, incluindo processos atmosféricos e oceânicos, para explorar as complexas interações que o derretimento do gelo tem com outras partes da Terra. É importante entender o que acontece com o gelo da Antártica, pois ele contém água congelada suficiente para elevar o nível médio do mar em cerca de 58 metros. À medida que este gelo derrete, isso se torna um problema existencial para as pessoas e os ecossistemas de comunidades insulares e costeiras. O nível do mar está subindo lentamente em direção das casas da Ilha Tierra Bomba, na Colômbia, onde um cemitério já foi levado pela água. Luis Acosta/AFP via Getty Images Mudanças na Antártica A extensão do derretimento da camada de gelo da Antártica dependerá do quanto a Terra aquecerá. E isso depende das emissões futuras de gases de efeito estufa de fontes como veículos, usinas de energia e indústrias. Estudos sugerem que grande parte da camada de gelo da Antártica poderia sobreviver se os países reduzissem suas emissões de gases de efeito estufa de acordo com a meta do Acordo de Paris de 2015 de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em comparação com os níveis pré-industriais. No entanto, se as emissões continuarem aumentando e a atmosfera e os oceanos aquecerem muito mais, isso poderá causar um derretimento substancial e um aumento muito maior do nível do mar. Nossa pesquisa mostra que as emissões altas representam riscos não apenas para a estabilidade da camada de gelo da Antártica Ocidental, que já está contribuindo para o aumento do nível do mar, mas também para a camada de gelo da Antártica Oriental, que é muito maior e mais estável. Isso também mostra como diferentes regiões do mundo sofrerão diferentes níveis de aumento do nível do mar à medida que a Antártica derrete. Compreendendo a mudança do nível do mar Se o nível do mar subisse como a água em uma banheira, então, à medida que as camadas de gelo derretessem, o oceano subiria na mesma proporção em todos os lugares. Mas não é isso que acontece. Em vez disso, muitos lugares experimentam um aumento regional do nível do mar superior à média global, enquanto lugares próximos à camada de gelo podem até ver o nível do mar baixar. A principal razão tem a ver com a gravidade. As camadas de gelo são enormes, e essa massa cria uma força gravitacional que atrai a água do oceano ao seu redor, semelhante à forma como a atração gravitacional entre a Terra e a Lua afeta as marés. À medida que a camada de gelo encolhe, sua atração gravitacional sobre o oceano diminui, levando à queda do nível do mar em regiões próximas à costa da camada de gelo e ao aumento em regiões mais distantes. Mas as mudanças no nível do mar não são apenas uma função da distância da camada de gelo derretida. Essa perda de gelo também altera a forma como o planeta gira. O eixo de rotação é puxado em direção à massa de gelo que falta, o que, por sua vez, redistribui a água ao redor do globo. Fatores que podem retardar o derretimento À medida que a enorme camada de gelo da Antártica derrete, a Terra sólida abaixo dela se recupera. Sob o leito rochoso da Antártica está o manto da Terra, que flui lentamente como melaço. Quanto mais a camada de gelo derrete, menos ela pressiona a Terra sólida. Com menos peso sobre ela, a rocha pode “repicar”. Isso pode elevar partes da camada de gelo, tirando-as do contato com as águas oceânicas em aquecimento e diminuindo a velocidade do derretimento. Isso acontece mais rapidamente em locais onde o manto flui mais rápido, como sob a camada de gelo da Antártica Ocidental. Esse efeito de “repique” poderia ajudar a preservar a camada de gelo — se as emissões globais de gases de efeito estufa forem mantidas baixas. A Nasa explica como a terra se recupera quando as camadas de gelo derretem. Nasa via Virtual Palaeosciences. Outro fator que pode retardar o derretimento pode parecer contraintuitivo. Embora a água do degelo da Antártica provoque o aumento do nível do mar, os modelos mostram que ela também retarda o aquecimento induzido pelos gases de efeito estufa. Isso porque a água do degelo da Antártica reduz as temperaturas da superfície do oceano no Hemisfério Sul e no Pacífico tropical, retendo o calor nas profundezas do oceano e retardando o aumento da temperatura média global do ar. Mas, à medida que o degelo ocorre, mesmo que seja mais lento, o nível do mar sobe. Mapeando resultados sobre o nível do mar Combinamos modelos computacionais que simulam esses e outros comportamentos da camada de gelo da Antártica, das áreas terrestres e do clima para entender o que poderia acontecer com o nível do mar em todo o mundo à medida que as temperaturas globais aumentam e o gelo derrete. Por exemplo, em um cenário moderado em que o mundo reduz as emissões de gases de efeito estufa, embora não o suficiente para manter o aquecimento global abaixo